Preguiçoso não entra no Céu

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A Sagrada Escritura diz que a ociosidade é a mãe de todos os vícios, porque ensina muita maldade (cf. Eclo 33, 29).

Comentando esta passagem, escreve S. Bernardo:

O ferro se enferruja quando não se usa. O ar se corrompe e gera doenças quando não é agitado por muito tempo. A água sem correnteza torna-se fétida e nela se desenvolvem os insetos. Assim também o corpo que se corrompe pela preguiça torna-se uma sede de todas as más inclinações.

A ociosidade é má conselheira. Por isto um Padre da Igreja dizia: “Um homem ocupado só tem um demônio para o tentar. O preguiçoso tem cem”.

A preguiça é um grande mal. É mãe de todos os males. Preguiçoso não entra no céu. O Reino dos Céus padece violência. Só quem luta o alcança.

Nosso Senhor no Evangelho nos fala tanto da luta, da penitência, da cruz, do sacrifício, da guerra às paixões. Como seguir o Mestre de braços cruzados, na ociosidade?

O preguiçoso não pode se salvar. A preguiça leva a todos os vícios, à miséria neste mundo e à condenação eterna no outro.

Cuidado! Há uma preguiça espiritual verdadeiramente desastrada na piedade. É o mal dos nossos dias.

“Uma leitura interessante”, de Miguel Jadraque y Sánchez Ocaña.

Muitos cristãos não perseveram na virtude por uma preguiça que os domina quando se trata das coisas eternas, do sacrifício, da luta pelo bem.

E queres saber quando nos domina esta preguiça espiritual? Eis os sinais:

  • Infidelidades contínuas à voz da consciência.
  • Um desprezo secreto das pessoas piedosas.
  • Distrações voluntárias e contínuas na oração.
  • Sacramentos recebidos com frieza e sem fruto.
  • Aborrecimento das coisas santas.
  • Inúmeras faltas repetidas e ausência de qualquer esforço para se corrigir.

Como sair deste triste estado?

Só há dois recursos: — Trabalho e Mortificação.

Os fundamentos da escravidão à Virgem Santíssima

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Além do culto de veneração, de amor, de gratidão, de invocação e de imitação, à Virgem SS. é devido, como Rainha de todo o universo, um culto de escravidão. É este último ato de culto mariano que sintetiza todos os demais.

  • O escravo fiel à sua Rainha, se realmente o é, venera-a antes de tudo, reconhecendo sua singular excelência.
  • Em segundo lugar, ama-a e faz tudo o que a agrada, evitando tudo o que possa aborrecê-la.
  • Enche-se de gratidão por Ela, devido aos grandes favores que dela recebeu.
  • Está cheio de confiança em sua Rainha, se sabe que Ela conhece, pode e quer socorrê-lo em todas as suas necessidades.
  • O servo fiel à sua Rainha, enfim, se o é realmente, trata de imitá-la, uma vez que reconhece nEla o seu modelo ideal.

Eis aqui, portanto, como o ato de escravidão sintetiza todos os outros atos do culto singular que devemos a Maria SS., Mãe de Deus, Mãe dos homens, Corredentora do gênero humano, dispensadora de todas as graças divinas, modelo insuperável de nossa vida.

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No conhecido Salmo 44, em que se celebram as núpcias do Rei messiânico, o autor inspirado não se esquece de ressaltar o culto de servidão tributado ao Rei incomparável e à Rainha, sua esposa, representada à sua direita. Diz-se do Rei que a ele se submeterão os povos (v. 6); põe-se de relevo a homenagem que lhe tributam suas filhas (v. 9). Depois, referindo-se à Rainha, o hagiógrafo nota como os habitantes de Tiro, uma das cidades ricas de então, vêm a Ela com seus presentes, e como os próceres do povo tratam de conquistar o seu favor (v. 13). Em outra parte, a Rainha é representada com um cortejo de virgens à sua volta, companheiras e servas suas, símbolo evidente daquela inumerável corte de almas — todas as almas verdadeiramente cristãs — que haveriam de servi-la.

Em outro lugar, prediz-se que todos os povos hão de servir o Rei messiânico: “Omnes gentes servient ei” (Sl 72, 11). Ora, não deveria dizer-se o mesmo da Rainha, Mãe e Esposa sua? Assim como Ela compartilha com Ele o domínio real sobre todas coisas, assim também deve compartilhar com Ele o culto de escravidão que lhe temos de tributar todos nós, já que o Rei e a Rainha constituem uma única pessoa moral.

O primeiro dos Padres da Igreja que se declarou expressamente “servo de Maria” foi, ao que parece, o diácono S. Efrém, o Sírio (306-373), chamado de “sol dos Sírios”, “harpa do Espírito Santo”, “o cantor de Maria”. Depois de proclamá-la “Senhora de todos os mortais”, S. Efrém se declara humildemente um “indigno servo seu”. Em seu primeiro canto de louvor a Maria, o santo lhe dirige esta ardente oração:

Ó Imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus, Rainha do universo, esperança dos mais desesperados, gloriosíssima, ótima e honorabilíssima Senhora Nossa! Ó grande Princesa e Rainha, incomparável Virgem, puríssima e castíssima Senhora de todos os senhores, Mãe de Deus, nós nos entregamos e consagramos ao vosso serviço desde nossa infância. Levamos o nome de servos vossos.

Não permitais, pois, que Satanás, o espírito maligno, nos arraste para o inferno. Enchei de agora em diante a minha boca, ó Santa Senhora, com a doçura da vossa graça. Aceitai, ó Virgem Santa, que o teu humílimo servo vos louve e vos diga: Saúdo-vos, ó vaso magnifico e precioso de Deus! Saúdo-vos, Maria, Soberana minha cheia de graça! Saúdo-vos, Soberana de todas as criaturas! Saúdo-vos, cântico dos querubins, doce harmonia dos anjos! Saúdo-vos, hino dos solitários! Saúdo-vos, Soberana, que tendes em mãos o cetro sobre os vossos fiéis servos!

Fundamentos racionais. O fundamento último do culto mariano de singular servidão apóia-se no domínio completamente singular que a bem-aventurada Virgem exerce sobre todas as criaturas, como Rainha do universo. “O servo”, observa o Angélico, “diz relação a seu Senhor”. Onde há, pois, uma especial razão de senhorio e de domínio, haverá também uma razão especial de servidão.

Ora, que na Virgem SS. exista uma especial razão de domínio e de senhorio sobre todas as coisas, é algo que se segue de sua universal realeza. Podemos, portanto, concluir com Dionísio, o Cartuxo: “Ela domina e pode mandar em todas as criaturas, no céu e na terra”; ou com S. Bernardino de Sena: “Tantas são as criaturas que servem a Maria quantas são as que servem a SS. Trindade”.

O servo fiel de qualquer rainha da terra está contínua e habitualmente perto dela, sem nunca abandoná-la. É isto que tem de fazer, de modo análogo, o servo fiel da Rainha dos céus. Deve estar sempre junto dEla, não perdê-la nunca de vista, ou seja, deve ter o seu pensamento constantemente nEla. Pensar habitualmente em Maria SS. lhe tornará mais fácil pensar habitualmente em Deus. Viver, pois, na presença de Maria é viver, com maior facilidade, na presença de Deus.

Ora, o meio mais eficaz para vivermos assim, continuamente — tanto quanto for possível —, na presença de Maria, é estar profundamente persuadido de que a Virgem SS., de uma maneira misteriosa, está sempre presente em cada um de nós, com o pensamento, com o afeto, com as ações. Ela está conosco

  • pelo pensamento, já que continuamente nos vê em Deus;
  • pelo afeto, pois está presente ali onde está o seu amor, e a Virgem SS. nos ama a todos com um amor inefável de Mãe; e
  • pelas ações, uma vez que todas as graças que preservam e fazem desabrochar a nossa vida sobrenatural passam, como por um canal, pelas mãos de Maria.

Crescer em Graça

Todos nós desejamos ser homens e mulheres cheios da graça de Deus. Jesus, o Verbo encarnado, fez-se homem para que nós possamos, sem medo, viver aquilo que o Bom Deus nos chama a viver. Ele fez-se homem para que nós, tornando-nos homens e mulheres cheios de Sua graça, sejamos santos. Mas como foi que Jesus viveu esse “ser cheio de graça”, que nós tanto desejamos?

Resultado de imagem para crescer em cristoA Palavra nos diz, contando sobre o crescimento de Jesus, que Ele “ia crescendo e se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava nele” (cf. Lc 2, 40). Jesus cresceu em graça, sabedoria e fortaleza, sim; no entanto, “sendo Ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus” (cf. Fl 2, 6). Ele escolheu um caminho, uma via para crescer na graça, na sabedoria e na fortaleza, e assim, aponta-nos esse mesmo caminho: o fazer-se pequeno. Isso se confirma em alguns versículos à frente, ainda no capítulo 2 do Evangelho segundo São Lucas: “Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso” (cf. Lc 2, 51). Sendo submisso a Nossa Senhora e a São José, Jesus fazia-se pequeno, e dessa forma Ele “crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens” (cf. Lc 2, 52). Jesus aponta-nos, com isso, que ser pequeno é o caminho para crescer em graça diante de Deus: o “ser pequeno” antecede – e é necessário – para que aconteça o “ser cheio de graça”.

Jesus, o modelo de pequenez, nos aponta também outra realidade: sim, precisamos ser pequenos para sermos cheios de graça. No entanto, em muitas vezes não conseguimos ser pequenos. Ao contrário: na maioria das vezes empenhamos nossos esforços em sermos grandes. Mas eis a graça que o Senhor nos concede: Jesus ia crescendo em graça habitando com Nossa Senhora, Ele habitava com Maria. Do alto da cruz, Jesus nos dá Maria por nossa Mãe. O que devemos fazer? Aderir à atitude de São João e recebê-la como nossa (cf. Jo 19, 2). Na casa de Maria nós seremos formados, educados na pequenez, pois ela é fôrma de Cristo e também mestra da pequenez. Além disso, ela é cheia de graça (cf. Lc 1, 28). Maria nos ensinará a amar, ou seja, a servir, que é antídoto para que vençamos o desejo de querer ser grande. Ela também nos ensinará a olhar para nós mesmos e reconhecermos o que somos assim como ela reconhece sua pequenez no seu Magnificat (cf. Lc 1,48).
Portanto, que nós possamos tomar posse da maternidade de Maria, sermos educados por essa Mãe dos Pequenos, para que também nós sejamos, como Cristo foi e também ela, homens e mulheres cheios de graça, e com isso, santos!

É PRECISO CAMINHAR 2017-11-13 20:57:00

15/11/2017
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VIVER E GOVERNAR COM RESPONSABILIDADE E COM GRATIDÃO
Quarta-Feira da XXXII Semana Comum
Primeira Leitura: Sb 6,1-11
1 Escutai, ó reis, e compreendei. Instruí-vos, governadores dos confins da terra! 2 Prestai atenção, vós que dominais as multidões e vos orgulhais do número de vossos súditos. 3 Pois o poder vos foi dado pelo Senhor e a soberania, pelo Altíssimo. É ele quem examinará as vossas obras e sondará as vossas intenções;4 apesar de estardes a serviço do seu reino, não julgastes com retidão, nem observastes a Lei, nem procedestes conforme a vontade de Deus. 5 Por isso, ele cairá de repente sobre vós, de modo terrível, porque um julgamento implacável será feito sobre os poderosos. 6 O pequeno pode ser perdoado por misericórdia, mas os poderosos serão examinados com poder. 7 O Senhor de todos não recuará diante de ninguém nem se deixará impressionar pela grandeza, porque o pequeno e o grande, foi ele quem os fez, e a sua providência é a mesma para com todos; 8 mas para os poderosos, o julgamento será severo. 9 A vós, pois, governantes, dirigem-se as minhas palavras, para que aprendais a Sabedoria e não venhais a tropeçar. 10 Os que observam fielmente as coisas santas serão justificados; e os que as aprenderem vão encontrar sua defesa. 11 Portanto, desejai ardentemente minhas palavras, amai-as e sereis instruídos.
Evangelho: Lc 17,11-19
 
Aconteceu que, caminhando para Jerusalém, Jesus passava entre a Samaria e a Galiléia. 12 Quando estava para entrar num povoado, dez leprosos vieram ao seu encontro. Pararam à distância, 13 e gritaram: ‘Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!’ 14 Ao vê-los, Jesus disse: ‘Ide apresentar-vos aos sacerdotes.’ Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados. 15 Um deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz; 16atirou-se aos pés de Jesus, com o rosto por terra, e lhe agradeceu. E este era um samaritano. 17 Então Jesus lhe perguntou: ‘Não foram dez os curados? E os outro nove, onde estão? 18 Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?’ 19 E disse-lhe: ‘Levanta-te e vai! Tua fé te salvou.’
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Quem Governa Os Outros Sem Sabedoria Será Examinado Com Poder Por Deus
Escutai, ó reis, e compreendei. O poder vos foi dado pelo Senhor e a soberania, pelo Altíssimo. É ele quem examinará as vossas obras e sondará as vossas intenções. O pequeno pode ser perdoado por misericórdia, mas os poderosos serão examinados com poder. Para os poderosos, o julgamento será severo”.
Desde o princípio, o livro de Sabedoria vai se dirigindo sobretudo aos governantes, aos que são encarregados a governar os demais: “Amai a justiça, vós que governais a terra” (Sb 1,1) que lemos na Segunda-feira passada. E hoje o livro diz aos governantes: “Escutai, ó reis, e compreendei. Instruí-vos, governadores dos confins da terra!”. Segundo o livro de Sabedoria, os governantes são os que mais necessitam da sabedoria para tomar decisões justas. A atualidade dessas palavra não perdem seu valor para todas as épocas, especialmente para o mundo em que vivemos neste exato momento.
O livro de Sabedoria dá aos governantes umas advertências muito claras: “O poder vos foi dado pelo Senhor e a soberania, pelo Altíssimo”. E por isso, o juízo sobre sua atuação será mais exigente do que para os demais: “É ele quem examinará as vossas obras e sondará as vossas intenções….  Para os poderosos, o julgamento será severo”. Quanto maior for a responsabilidade, maior será a cobrança da parte de Deus. A cobrança é proporcional à reponsabilidade recebida: “Porque, a quem muito se deu, muito se exigirá. Quanto mais se confiar a alguém, dele mais se há de exigir” (Lc 12,48).
O Salmo Responsorial (Sl 81) encarrega os governantes para fazer justiça aos indefesos e aos órfãos, aos pobres e humildes, libertar o oprimido, o infeliz das mãos dos poderosos: “Fazei justiça aos indefesos e aos órfãos, ao pobre, e ao humilde absolvei! Libertai o oprimido, o infeliz, da mão dos opressores arrancai-os!”. Se eles não o fizerem, não escaparão do juízo de Deus: “Eu disse: ´Ó juízes, vós sois deuses, sois filhos, todos vós, do Deus Altíssimo! E, contudo, como homens morrereis, caireis como qualquer dos poderosos! ´”.
É preciso estarmos conscientes de que a advertência serve para o mundo civil, eclesial, pastoral, familiar e assim por diante. No ambiente de uma família, de uma comunidade, de uma parórquia, de uma diocese ou de uma Igreja em geral, quem tem autoridade ou o dom de governar os outros deve recordar que Deus julgará suas ações com maior rigor. É o que também Jesus ensina em suas parábolas sobre os criador/servos e os administradores que esperam a volta do seu senhor. Os damnistradores com a maior responsabilidade receberão o maior castigo se cometerem injustiças e a tirania ou se não governarem com o amor fraterno. Todos terão que prestar contas diante de Deus sobre sua vida e sua atuação no mundo. Há tempo para se converter se alguém governou com injustiça!
Viver Como Cristãos é Viver Eucaristicamente, Isto É, Viver Na Gratidão Permanentemente
Continuamos a caminhar com Jesus para Jerusalém ouvindo e meditando suas ultimas lições para nós, seus seguidores (Lc 9,51-19,28), pois logo depois ele será condenado à morte (crucificado). Uma das lições que tiramos do texto de hoje é a de agradecimento através da cena dos dez leprosos em que somente um voltou para agradecer pelo beneficio recebido (cura).
  • “A gratidão é o único tesouro dos humildes” (William Shakespeare).
  • “A gratidão é a virtude das almas nobres” (Esopo).
  • “Quem acolhe um benefício com gratidão, paga a primeira prestação da sua dívida” (Sêneca).
  • “A gratidão é um fruto de grande cultura; não se encontra entre gente vulgar” (Samuel Johnson).
  • “Expresse gratidão com palavras e atitudes. Sua vida mudará muito de modo positivo” (Masaharu Taniguchi).
     
    Os leprosos eram, na época de Jesus, os seres mais depreciáveis. Eles permaneciam isolados, pois a lepra era considerada, segundo o modo de pensar na época, como meio pelo qual Deus usava para castigar os grandes pecadores. Tocar num leproso causava a impureza cultual. Por isso, eles gritavam: “Lepra! Lepra!”, assim que as pessoas se aproximassem deles (CF. Lv 13, 45). Eles viviam em cavernas ao longo dos caminhos e comiam o que os peregrinos lhes davam. Por serem considerados “grandes pecadores” eles eram considerados como pessoas impuras não aptas para conviver com as demais pessoas na sociedade, muito menos para participar das atividades cultuais/religiosas. Praticamente não eram considerados seres humanos. Se houvesse a cura, eles se apresentariam aos sacerdotes que tinham autoridade para declarar quem era puro e quem era impuro.
     
    Jesus permite que um grupo de leprosos se aproxime dele. Com este gesto Jesus rompe com a mentalidade segregacionista que divide o mundo em puros e impuros, sagrados e profanos, pois todos são filhos de Deus que necessitam do mesmo tratamento e da mesma proteção (cf. 1Jo 3,1).
     
    O pedido dos leprosos é simples: “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!”. Jesus os remete ao sacerdote que era a instituição encarregada de decidir quem era puro e quem era impuro. E no caminho todos ficaram curados. O que é condenável aos olhos do homem é redimido por Deus em Jesus Cristo.
     
    Mas unicamente quem voltou para agradecer a Jesus era um samaritano, um estrangeiro. Aqueles que são considerados aparentemente como “adversários” de Deus é que sabem reconhecer a grandeza de Deus em Jesus Cristo que é capaz de transformar aquilo que é impossível em possível, um sonho impossível em um sonho realizado (cf. Lc 1,37; 18,27). Com isso o leproso curado, o samaritano, experimentou em sua vida o passo salvador de Deus em Jesus Cristo.
     
    O leproso curado que voltou a Jesus sabe que Quem lhe deu a cura vale muito mais do que a instituição a qual deve se apresentar. Ele reconhece Jesus acima de outras instâncias de Israel. O leproso curado entende que Jesus o integrou à comunidade humana, não importa que como leproso e estrangeiro era um duplo marginalizado. Diante de Jesus ele se prostra e reconhece no Homem da Galiléia seu Redentor. A fé do homem enfermo e marginalizado é que lhe permite ser completamente redimido. Se os outros nove leprosos correram atrás de seus opressores, o samaritano curado foi atrás de seu Libertador, ao se jogar aos pés de Jesus.
     
    Algumas lições que Jesus nos dá:
  • Os do povo eleito, os da Igreja, são os que menos sabem agradecer pelos favores de Deus, e por isso, vivem tristes e desorientados. Não existe um só dia em que Deus não nos conceda alguma graça particular e extraordinária. Pare e verifique! Agradecer é uma atitude própria de quem tem dignidade. Quem não sabe agradecer está mal preparado para conviver.
     
  • Deus em Jesus Cristo se preocupa com a dignidade e a salvação do homem. Por isso, o próprio homem, especialmente os cristão e todas as pessoas de boa vontade devem se preocupar com a dignidade humana sem excluir nenhuma pessoa da convivência. Jesus acolhe os excluídos da sociedade, logo os cristãos devem fazer a mesma coisa, pois eles são “outro Cristo” neste mundo.
     
  • Através da cura dos dez leprosos, Lucas quer nos mostrar que Deus tem uma proposta de vida nova e de libertação oferecidas a todos, mas sob uma condição: que o homem obedeça à Palavra de Deus, pois ela tem o poder libertador.
     
  • A vida fundada sobre o egoísmo, sobre a exclusão, sobre a discriminação, sobre a arrogância ou prepotência, sobre o complexo de superioridade é precisamente o câncer que ameaça a convivência e ameaça a humanidade. Se levantarmos barreiras contra os outros, é porque nosso amor é ainda pequeno e bem frágil, pois nada é sem valor e ninguém é pequeno quando o amor é grande.
     
  • Os dez leprosos, os excluídos querem nos ensinar com sua vida e exemplo que jamais podemos ficar desesperados quando encontrarmos alguma dificuldade de qualquer espécie, pois a vida é de Deus e Deus está nela (cf. Gn 2,7). Uma sabedoria oriental diz: “Volta sempre teu rosto na direção do sol e, então, as sombras ficarão para trás”. Esse sol é Deus, e as sombras são nossas dificuldades.
     
    Nós começamos nossa celebração eucarística com uma súplica parecida à dos leprosos: “Senhor, tende piedade de nós!”. Fazemos bem, porque somos débeis e pecadores e sofremos diversos tipos de “lepra”.
     
    Mas será que sabemos também rezar e cantar dando graças a Deus por tudo na nossa vida? Há pessoa que nos parecem “aleijados” e que nos dão lições porque sabem reconhecer a proximidade de Deus, enquanto que nós, talvez pela familiaridade e pela rotina dos sacramentos, por exemplo, não sabemos nos alegrar pela cura de nossos pecados que Jesus Cristo nos concede através do sacramento da reconciliação. Jesus quer que saibamos cultivar em nós um coração que saiba agradecer por tudo de bom na nossa vida. Somente um coração grande é que sabe agradecer. Um coração mesquinho só sabe cobrar e reclamar. Como é fácil trabalhar com uma pessoa de grande coração porque ela tem capacidade de ver e de perceber o que é bom no outro e por isso, sabe agradecer. Precisamos procurar razão para agradecer e não motivos para reclamar e murmurar. Quem sabe agradecer tem uma vida leve e livre para ser vivida. Uma vida vazia de agradecimento é uma vida pesada para ser vivenciada e vivida.
     
    Mas será que temos sido pessoas agradecidas? Somente o seremos quando, mediante nossa vida e nossas obras de caridade, nos convertermos em uma contínua glorificação do Santo Nome do Senhor através da vivência do amor fraterno. Verifique, se você também passou por uma experiência de “leproso” na sua vida: desespero, sentimento de desprezo e de abandono, ser excluído. Mas Deus também na nossa vida como Salvador. A Ele é que devemos dirigir nosso simples pedido: Tem piedade de mim, Senhor!
     
    Se nos afundamos na dor humana, mais fundo estás Tu integrando as feridas. Se subimos no êxtase, ali te encontramos abrindo o instante a novas plenitudes” (Benjamin González Buelta: SALMOS: Para Sentir e Saborear As Coisas Internamente).
     P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2017-11-13 18:20:00

14/11/2017
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SER SERVO JUSTO DO SENHOR
Terça-Feira da XXXII Semana Comum
Primeira Leitura: Sb 2,23–3,9
2,23 Deus criou o homem para a imortalidade e o fez à imagem de sua própria natureza; 24 foi por inveja do diabo que a morte entrou no mundo, e experimentam-na os que a ele pertencem. 3,1 A vida dos justos está nas mãos de Deus, e nenhum tormento os atingirá. 2 Aos olhos dos insensatos parecem ter morrido; sua saída do mundo foi considerada uma desgraça, 3 e sua partida do meio de nós, uma destruição; mas eles estão em paz. 4 Aos olhos dos homens parecem ter sido castigados, mas sua esperança é cheia de imortalidade; 5 tendo sofrido leves correções, serão cumulados de grandes bens, porque Deus os pôs à prova e os achou dignos de si. 6 Provou-os como se prova o ouro no fogo e aceitou-os como ofertas de holocausto; 7 no dia do seu julgamento hão de brilhar, correndo como centelhas no meio da palha; 8 vão julgar as nações e dominar os povos, e o Senhor reinará sobre eles para sempre. 9 Os que nele confiam compreenderão a verdade, e os que perseveram no amor ficarão junto dele, porque a graça e a misericórdia são para seus eleitos.
Evangelho: Lc 17,7-10
Naquele tempo, disse Jesus: 7 “Se algum de vós tem um empregado que trabalha a terra ou cuida dos animais, por acaso vai dizer-lhe, quando ele volta do campo: ‘Vem depressa para a mesa?’ 8 Pelo contrário, não vai dizer ao empregado: ‘Prepara-me o jantar, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois disso poderás comer e beber?’ 9 Será que vai agradecer ao empregado, porque fez o que lhe havia mandado? 10 Assim também vós: quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer’”.
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Ser Justo É Estar Com Deus Eternamente

A vida dos justos está nas mãos de Deus, e nenhum tormento os atingirá. Os que nele confiam compreenderão a verdade, e os que perseveram no amor ficarão junto dele, porque a graça e a misericórdia são para seus eleitos”.

Continuamos a acompanhar a leitura do Livro de Sabedoria (em 2018 será o livro de estudo da CNBB para o mês da Bíblia). É um livro cujo ano de composição continua em discussão.  Alguns autores sugerem que o Livro foi escrito no tempo de Augusto: entre o ano 30 antes de Cristo e o ano 14 da era cristã. Outros dizem que sua redação aconteceu entre os anos 80 e 30 antes de Cristo. Este livro foi escrito por um judeu alexandrino de língua e cultura gregas (helenistas) e tem como destinatário os israelitas de diáspora em Alexandria do Egito. Os israelitas de Alexandria se eencontram nas seguintes situações: Há grande variedade de religiões e sistemas filosóficos (estoicismo e epicurismo) que proporcionam sabedoria e salvação juntamente com o conhecimento do sentido da vida. Há também ambiente de hedonismo e moralidade contrários aos costumes israelitas. Por fim, há a perseguição vinda dos ímpios contra os israelitas.
Para manter sua identidade como parte do povo da Aliança, um judeu escreveu este livro para os israelitas nestes ambientes. O autor pretende estimular os israelitas de diáspora para que continuem fieis à tradição do povo da aliança. Além disso, o autor do livro também pretende estabelecer o dialogo entre a religião judaica e a cultura grega (helenista) com o intuito de atrair os pagãos para a fé de Israel.
Um dos aspectos em que o livro de Sabedoria nos apresenta, em relação ao resto do Antigo Testamento é seu avanço na reflexão sobre a vida futuro (vida além da morte) como nos apresenta o texto da Primeira Leitura de hoje.
Sabemos muito bem que a interrogação sobre a vida e a morte preocupa todos os homens. Mas, antes de mais nada, o texto da Primeira Leitura de hoje nos diz: “Deus criou o homem para a imortalidade e o fez à imagem de sua própria natureza”. O horror da morte é eliminado por esta afirmação. De fato, não morremos e sim partimos para a eternidade. Como é a vida eterna? É a mesma pergunta de um bebê dentro da barriga da mãe: “Como é a vida fora daqui?”. Em segundos e minutos o bebê logo o saberá e o conehcerá assim que sair do seu mundo do ventre materno para o mundo dos que o esperam com amor.
O mal, o pecado e como consequência, a morte, segundo o texto, entrou depois “por inveja do diabo”. Mas seja qual for a origem da morte, o que é mais importante é o além da morte. Os justos estão destinados à vida e não à morte: “A vida dos justos está nas mãos de Deus, e nenhum tormento os atingirá. Aos olhos dos insensatos parecem ter morrido; sua saída do mundo foi considerada uma desgraça, e sua partida do meio de nós, uma destruição; mas eles estão em paz”, afirma o autor do Livro de Sabedoria.
Esta perspectiva é que dá sentido e esperança para nossa vida e nossa luta de cada dia para viver uma vida de honestidade e de justiça, de amor e de vondade, pois tudo isto é destinado para a eternidade com Deus.
Com os olhos humanos, a morte é um mistério sem sentido, um fatalismo sem esperança. Mas as palavras do livro de Sabedori que lemos hoje nos orienta para uma visão mais luminosa da vida após a morte. Os justos viverão em Deus, no amor, na felicidade sem fim. As tribulações e as provas para o justo ficam impotentes diante da intensidade do que se espera em Deus: “Tendo sofrido leves correções, serão cumulados de grandes bens, porque Deus os pôs à prova e os achou dignos de si. Provou-os como se prova o ouro no fogo e aceitou-os como ofertas de holocausto”.
A sabedoria humana se contenta com a perspectiva daqui deste mundo.  e por isso, a morte ela considera como desgraça total: “Aos olhos dos insensatos os justos parecem ter morrido; sua saída do mundo foi considerada uma desgraça, e sua partida do meio de nós, uma destruição”. Mas não é assim nos planos de Deus. O homem mundando pensa apenas nas coisas mundanas e passageiras, briga por que aquilo que não lhe pertence e que não o leva na hora da morte. É a morte vã!
Graças à ressurreição de Jesus Cristo motivo pelo qual temos razoes maiores que o autor do livro de Sabedoria. Como Cristo ressuscitado nossa existência é destinada para a glória: “Os que nele confiam compreenderão a verdade, e os que perseveram no amor ficarão junto dele, porque a graça e a misericórdia são para seus eleitos”.
No ano litúrgico, na celebração de um santo ou santa, a Igreja não escolheu o dia em que nasceu para este mundo e sim no dia em que partiu deste mundo, seu autentico “dies natalis”, pois a morte do ponto de vista cristão é o verdadeiro nascimento para a vida eterna. “Creio na comunhão dos santos…. Creio na ressurreição da carne… Creio na vida eterna”. Assim rezamos e afirmamos nas nossas orações e celebrações, mesmo que não estejamos conscientes do valor dessas afirmações.
Somos Simples Servos Do Senhor, Pois Fazemos O Que devemos
Continuamos a acompanhar Jesus no seu caminho para Jerusalém onde será crucificado, morto e glorificado (Lc 9,51-19,28). Continuamos também a escutar atentamente suas ultimas e importantes lições para todos nós, cristãos. Por isso, essa parte é chamada de Lições do caminho.
O texto do evangelho de hoje nos narra a parábola do agricultor que explora sem remorso seu servo. Precisamos saber de que no costume da antigüidade não existia contrato de trabalho que determinasse os limites de horário de trabalho ou reconhecesse horas extras de trabalho. O servo era propriedade do seu senhor, sem direitos à recompensa e ao reconhecimento. Por isso, se lêssemos literalmente esta parábola, ela traria um choque para nós ou se justificaria todo tipo de escravidão existente ainda na sociedade atual. Mas as parábolas de Jesus se servem das experiências reais para falar de outra coisa. É claro que Jesus não aprova a conduta daquele senhor que é abusiva e arbitrária, mas serve-se de uma realidade do seu tempo para ilustrar qual deve ser a atitude da criatura (ser humano) em relação ao Criador (Deus). O ser humano deve estar consciente de que tudo de bom procede do Senhor.
Logo depois de dizer que a fé nos faz realizar grandes obras no texto do evangelho do dia anterior (cf. Lc 17,1-6), Jesus nos mostra que, nem por isso, temos que ficar nos exibindo, vaidosos com o que pudermos realizar. Quando nós fazemos algo, em primeiro lugar, é porque a graça de Deus nos acompanha: “Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer”.  Servo inútil, no Evangelho de hoje, é aquele que une com simplicidade fé e serviço sem esperar outra recompensa que não seja a alegria de estar trabalhando por uma boa causa. Por isso, Santo Ambrósio comenta: “Não te julgues mais por tu seres chamado filho de Deus, deves, sim, reconhecer a graça, mas não deves esquecer a tua natureza, nem te envaideças por teres servido fielmente, já que esse era o teu dever. O sol cumpre a sua tarefa, a lua obedece, os anjos também servem”. Servir ao Senhor no irmão e pela comunidade é uma graça que Deus nos dá. Temos que agradecer a Deus por ser úteis para os outros no serviço fraterno. Mas temos que admitir que se Deus não nos ajudar, seremos incapazes de levar a cabo o que Ele nos encomendou. A graça divina é a única coisa que pode potenciar os nossos talentos humanos para trabalharmos por Cristo no irmão com quem ele se identifica (cf. Mt 25,40.45). Sem a graça santificante, para nada serviríamos. Santo Agostinho compara a necessidade do auxílio divino à da luz para podermos ver. É o olho que vê, mas não poderia fazê-lo se não houvesse luz, pois mesmo que tenhamos olhos saudáveis, eles não funcionam na escuridão. Do mesmo modo, podemos abrir as janelas de nossa casa, mas se não houver a luz (sol), a sala não será iluminada. Mesmo que abramos a janela à noite escura, a sala continuará escura, se não houver nenhuma lâmpada (luz).
Lucas também quer sublinhar o tema da gratuidade da fé. Quer-se afirmar firmemente que a fé é antes de tudo um dom. Nossa capacidade de viver a fé, de cumprir o “que lhe havia mandado” é também graça. Deus nos dá o tempo suficiente para viver nossa fé. Por isso, a afirmação de “inutilidade”, de que somos pobres servidores, é perfeitamente coerente com uma fé profundamente comprometida. A vida de fé é sempre um dom que acolhemos na medida em que amamos Deus e os demais. Fazemos o mínimo, de acordo com nossa capacidade, e Deus faz o máximo: “Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer”.
Em conseqüência, paradoxalmente, os servos verdadeiramente úteis são os que se reconhecem “inúteis”. “O serviço do Senhor é livre. É um serviço de total liberdade, no qual não é a necessidade quem serve, e sim o amor. Faz-te escravo da caridade, uma vez que a verdade te faz livre” (Santo Agostinho). Somente os que vivem e reconhecem esse dom podem ser portadores da gratuidade do amor de Deus aos demais.
A alegria de um cristão consiste em entregar-se sem reservas, à missão recebida, sem nada exigir. Basta-lhe a consciência do dever cumprido. A partir desta humildade na fé, tudo quanto façamos, por mais duro e esgotante que seja, resta-nos somente dizer: “Fiz tudo o que devia fazer”. Tudo mais está entregue à benevolência de Deus. O cristão que não serve, não serve como cristão.O amor autêntico é sempre contemplativo, permitindo-nos servir o outro não por necessidade ou vaidade, mas porque ele é belo, independentemente da sua aparência: Do amor, pelo qual uma pessoa é agradável a outra, depende que lhe dê algo de graça” (Papa Francisco: Evangelii Gaudium n. 199).
Todos na comunidade, na verdade, somos pobres e simples servos de Deus. São Paulo diz: “Evangelizar não é glória para mim, senão necessidade. Ai de mim se não evangelizar. Eu que, sendo totalmente livre, fiz-me escravo de todos para ganhar a todos…” (1Cor 9,16.19).  Este texto é convite para vestirmos a humildade, pois, na verdade, fazemos muito pouco para Deus no próximo em comparação às bênçãos de Deus que recebemos diariamente.
Com esta parábola, Jesus também quer dizer a todos os seguidores de Cristo, que o serviço prestado deve ser desinteressado e gratuito. Assim está sendo desmantelada toda pretensão humana que tenta de alguma maneira servir-se de Deus ou condicioná-lo através de uma relação religiosa de tipo contratual ou contabilizável, segundo o modelo farisaico. E esta crítica à religiosidade mercantil e pretensiosa é tanto mais urgente quanto mais na comunidade a função ou o serviço goza de certo prestígio ou de responsabilidade. Não é por acaso que a parábola do servo sem pretensões é dirigida aos discípulos. Todos na comunidade são pobres e simples servos (cf. 1 Cor 9,16.19-23).
Outro cerne dessa parte diz respeito à atitude da pessoa. A atitude de um arrogante vê Deus muito feliz pelo fato da pessoa realizar o bom serviço. No entanto, a atitude adequada é a de agradecimento por termos privilégio e a oportunidade de servir a Deus. Seja qual for a recompensa que obtivermos por servir a Deus, na verdade, não a merecemos, mas a ganhamos porque Deus é gracioso. Nenhum cristão pode gabar-se diante de Deus (Rm 3,27). Os servos fiéis entendem isso, pelo que prosseguem em seu trabalho para Deus, motivados pelo amor a Deus e não por um senso de importância própria ou cobiça pela recompensa. Deus nos criou e tudo de bom vem dele.  Não podemos, por isso, nos vangloriar de nenhum bem que tenhamos recebido de Deus (cf. Ef 2,8). Todos os nossos méritos provêm de Deus. Evita-se assim qualquer auto-justificação farisaica. O que temos que fazer diante de tudo isto é agradecer a Deus. Temos que procurar sempre as razões para agradecer a Deus e não os motivos para reclamar a Deus por tudo que não anda bem na nossa vida. Deus já deu tudo para nós. O que fazemos é muito pouco em comparação com tudo que Deus nos deu através da sua criação. Somos nós que não sabemos nos comportar diante de tantos dons divinos que recebemos. Somos, às vezes, como os peixes que nadam na água que ainda perguntam se existe a água, ou onde está a água.
Para chegar até este ponto, para a fé ser viva e atuante, precisamos alimentá-la de diversas formas, todos os dias, sobretudo com a oração, com a reflexão, com a leitura da Palavra de Deus, com a participação na vida da Igreja e com o serviço ao próximo etc.. Sem alimentarmos a nossa fé com tudo isso, ficaremos frágeis e nos tornamos inconstantes.
Senhor, ajuda-me a ser aquele que espera sem cansaço, escuta sem fadiga, recebe com bondade, dá com amor. Ajuda-me a ser aquela presença que atrai, a amizade repousante e enriquecedora, a paz que irradia alegria e serenidade. Amém!
P. Vitus Gustama,svd