Mês: abril 2018

É PRECISO CAMINHAR 2018-04-03 20:39:00

05/04/2018
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O SENHOR ESTÁ CONOSCO DIARIAMENTE E NOS DÁ A PAZ E ABRE NOSSA HORIZONTE E
Quinta-Feirada I Semana da Páscoa
Primeira Leitura: At 3,11-26
Naqueles dias, 11 como o paralítico não deixava mais Pedro e João, todo o povo, assombrado, foi correndo para junto deles, no chamado “Pórtico de Salomão”. 12 Ao ver isso, Pedro dirigiu-se ao povo: “Israelitas, por que vos espantais com o que aconteceu? Por que ficais olhando para nós, como se tivéssemos feito este homem andar com nosso próprio poder ou piedade? 13 O Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó, o Deus de nossos antepassados glorificou o seu servo Jesus. Vós o entregastes e o rejeitastes diante de Pilatos, que estava decidido a soltá-lo. 14 Vós rejeitastes o Santo e o Justo, e pedistes a libertação para um assassino. 15 Vós matastes o autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos, e disso nós somos testemunhas. 16 Graças à fé no nome de Jesus, este Nome acaba de fortalecer este homem que vedes e reconheceis. A fé que vem por meio de Jesus lhe deu perfeita saúde na presença de todos vós. 17 E agora, meus irmãos, eu sei que vós agistes por ignorância, assim como vossos chefes. 18 Deus, porém, cumpriu desse modo o que havia anunciado pela boca de todos os profetas: que o seu Cristo haveria de sofrer. 19 Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos, para que vossos pecados sejam perdoados. 20 Assim podereis alcançar o tempo do repouso que vem do Senhor. E ele enviará Jesus, o Cristo, que vos foi destinado. 21 No entanto, é necessário que o céu o receba, até que se cumpra o tempo da restauração de todas as coisas, conforme disse Deus, nos tempos passados, pela boca de seus santos profetas. 22 Com efeito, Moisés afirmou: ‘O Senhor Deus fará surgir, entre vossos irmãos, um profeta como eu. Escutai tudo o que ele vos disser. 23 Quem não der ouvidos a esse profeta, será eliminado do meio do povo’. 24 E todos os profetas que falaram, desde Samuel e seus sucessores, também eles anunciaram estes dias. 25 Vós sois filhos dos profetas e da aliança, que Deus fez com vossos pais, quando disse a Abraão: ‘Através da tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra’. 26 Após ter ressuscitado o seu servo, Deus o enviou em primeiro lugar a vós, para vos abençoar, na medida em que cada um se converta de suas maldades”.
Evangelho: Lc 24,35-48
Naquele tempo, 35os discípulos contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão. 36Ainda estavam falando, quando o próprio Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: “A paz esteja convosco!”37Eles ficaram assustados e cheios de medo, pensando que estavam vendo um fantasma. 38Mas Jesus disse: “Por que estais preocupados, e por que tendes dúvidas no coração? 39Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Tocai em mim e vede! Um fantasma não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho”. 40E dizendo isso, Jesus mostrou-lhes as mãos e os pés. 41Mas eles ainda não podiam acreditar, porque estavam muito alegres e surpresos. Então Jesus disse: “Tendes aqui alguma coisa para comer?” 42Deram-lhe um pedaço de peixe assado. 43Ele o tomou e comeu diante deles. 44Depois disse-lhes: “São estas as coisas que vos falei quando ainda estava convosco: era preciso que se cumprisse tudo o que está escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”. 45Então Jesus abriu a inteligência dos discípulos para entenderem as Escrituras, 46e lhes disse: “Assim está escrito: o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia 47e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48Vós sereis testemunhas de tudo isso”.
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Na Primeira Leitura, tirada do livro dos Atos dos Apóstolos, o Apóstolo Pedro pronunciou a seguinte frase para os ouvintes: “Vós matastes o autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos”. A cura do paralitico (que lemos no dia anterior) oferece a Pedro uma nova ocasião para proclamar a mensagem da salvação. Jesus, o Crucificado, ressuscitou. Deus deu cumprimento às Escrituras e convida todos à conversão. A ignorância que levou o homem ao pecado deve-se mudar no arrependimento. E nós reconhecemos que de Deus recebemos o perdão de nossos pecados e a salvação eterna. Ter em nós a salvação adquirida pela ressurreição de Jesus significa que podemos e devemos caminhar como criaturas renovadas e revestidas de Cristo. Deixemos nossa vida ser plenificada pela Vida e pelo Espirito do Senhor para que possamos proclamar a Boa Nova de salvação a todos os povos a partir de uma vida renovada em Cristo.
O Salmo Responsorial (Sl 8) nos recorda a grandeza do homem e ao mesmo tempo sua pequenez diante do universo: “Quando vejo o céu, obra de teus dedos, a lua e as estrelas que fixaste, que é o homem, para dele te lembrares?”. Diante da grandiosidade do universo o homem experimenta uma tremenda sensação de pequenez. Mas apesar de ser pequeno, o homem é o maior e mais maravilhoso ser do universo. “Que é o homem, de quem cuidas? Um ponto de poeira num cosmos de luz. … Conheço a minha pequenez e a minha grandeza, a minha dignidade e a minha insignificância” (Carlos G. Vallés: Busco Tua Face, Senhor). Diante da grandiosidade do universos ficamos perguntando sobre quem somos nós na presença de Deus para merecer a graça tão imensa de ser elevados à dignidade de filhos(as) de Deus. Tudo é posto por Deus em nossas mãos e somos chamados por Ele para que participemos eternamente de Sua Vida e de sua Glória. Por isso, não podemos escravizar nossa existência às coisas passageiras, pois somos “senhores” e “donos” de todo o criado. O universo em geral e a natureza em particular são portas para conhecer e reconhecer o Criador. A Deus, por seu amor, por sua bondade e por sua misericórdia seja dado toda honra e toda a glória agora e para sempre.
O Evangelho de hoje quer nos recordar que o Senhor jamais nos abandona, pois Ele caminha conosco diariamente (cf. Mt 28,20). Na Eucaristia o Senhor se faz presente entre nós para nos manifestar todo o amor que nos tem. A partir desse amor Ele nos concede seu perdão e sua paz. Ele nos cura de nossas escleroses que nos impedem de dar testemunho de seu amor, de sua verdade, de sua vida.  Sua presença no meio de nós e sua companhia na nossa jornada diária nos dão a paz. A paz que Cristo nos dá nasce de sabermos amados, protegidos, acompanhados, perdoados e compreendidos por Deus. Mas essa paz é um trabalho que não deve cessar na Igreja. Não basta viver na paz. É preciso ser construtor da paz.
Reconhecer-se Pecador Para Que o Poder de Deus Possa Atuar-se
Israelitas, por que vos espantais com o que aconteceu? Por que ficais olhando para nós, como se tivéssemos feito este homem andar com nosso próprio poder ou piedade?”. Assim fala Pedro aos israelitas depois que o paralítico voltou a andar. Pedro é sempre quem toma a palavra em nome dos grupo dos discípulos.
Depois da cura do paralítico (veja a Primeira Leitura do dia anterior), Pedro aproveita a boa disposição do povo para dirigir-lhes uma nova catequese sobre Jesus em cujo nome curou o paralítico. Seus ouvintes são judeus. Por isso, Pedro argumenta a partir do AT, isto é, a partir dos anúncios de Moisés e dos profetas mostrando a “continuidade” entre “Deus de nossos pais” e os acontecimentos atuais. O discurso de Pedro ajuda os ouvintes a lerem a história como História de Salvação que culmina em Cristo Jesus, e depois da vinda do Espirito Santo, na constituição da comunidade messiânica reunida em torno do Senhor Ressuscitado, Autor da vida.
O Messias anunciado já veio e é o próprio Jesus de Nazaré a quem Israel recusou. Pedro interpela com uma linguagem muito direta aos judeus: “Vós o entregastes e o rejeitastes diante de Pilatos, que estava decidido a soltá-lo. Vós rejeitastes o Santo e o Justo, e pedistes a libertação para um assassino. Vós matastes o autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos, e disso nós somos testemunhas”. Trata-se de uma coisa sínica: indultou ou perdoar a um assassino (Barrabás) e matou o Autor da Vida (Jesus de Nazaré)! Mas Pedro anuncia que através de sua ressurreição, Jesus se converteu num Salvador de todos e portanto todos têm se converter a Ele: “Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos, para que vossos pecados sejam perdoados. Assim podereis alcançar o tempo do repouso que vem do Senhor…  Após ter ressuscitado o seu servo, Deus o enviou em primeiro lugar a vós, para vos abençoar, na medida em que cada um se converta de suas maldades”.
Por que ficais olhando para nós, como se tivéssemos feito este homem andar com nosso próprio poder ou piedade?”, perguntou Pedro retoricamente aos judeus. Há pouco tempo Pedro negou ser discípulo de Jesus (Cf. Mt 26,69-75). Agora ele sabe que é pecador. Ele se reconhece pecador, nem mais piedoso nem mais santo do que qualquer pessoa. Por isso, com toda a humildade ele reconhece que o poder para fazer o paralitico voltar a andar não é seu poder. O poder que maneja procede de Cristo. Pedro está tão unido a Cristo a ponto de se tornar instrumento muito eficaz de Jesus para acontecer o milagre na vida do paralítico que voltou a andar. “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!”. Pedro sabe que com sua própria força, ele jamais poderia fazer nada de grandeza como este milagre. Ele tem somente Cristo em quem se apoia totalmente. Em nome de Jesus é que o paralítico voltou a viver uma vida de um homem normal com seu direito de ir e de vir livremente.
Até neste ponto precisamos pedir ao Senhor a ajuda para que possamos exercer qualquer tarefa na Igreja do Senhor com humildade. A humildade faz todos nós reconhecermos nossos limites e limitações. Este reconhecimento torna-nos mais responsáveis naquilo que devemos fazer. A exemplo de Pedro precisamos nos apoiar sempre no Senhor Ressuscitado para que possamos ser seus instrumento eficaz para ajudar quem se encontra paralisado na vida, isto, aquele que perdeu o horizonte desta vida. Ser intermediário da graça de Deus significa deixar passar por nossas vidas os benefícios que Deus quer por meio de nós. Isto se chama “ministério”.
Coragem De Ser Testemunha Do Cristo Ressuscitado, Autor Da Vida
Vós matastes o Autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos, e disso nós somos testemunhas”, disse Pedro aos judeus.
Neste discurso Pedro enfatiza que a morte de Jesus foi o resultado da vontade dos judeus de tirá-lo para sempre da convivência. E a ressurreição de Jesus é uma resposta de Deus à condenação feita pelos judeus para mostrar que tudo que Jesus fez e disse era a vontade de Deus.
Aqui Pedro dá a Jesus um título pouco habitual: “Autor da Vida” (cf. Jo 1,1-4). O milagre sobre o paralítico que voltou a andar é um sinal de que Jesus é o Dono da vida, isto é, aquele que conduz o povo à liberdade e às salvação. Como Autor da Vida nenhum poder humano será capaz de destruir Jesus. Jesus continua a ser o Vitorioso, o Vivente por excelência. Por isso, vale a pena crer em Jesus se quisermos viver uma vida em abundância, uma vida divina que quando encontrar a morte, a supera. Comungar o Corpo do Senhor significa entrar em comunhão de Vida. Mas esta comunhão de vida transforma o comungante em defensor e protetor da própria vida e da vida alheia em qualquer instância e circunstâncias. Se Jesus é o Autor da Vida, isto significa a vida que tem em outra pessoa pertence ao Senhor. Agredir uma vida significa agredir o próprio Autor da vida. Tratar mal a uma vida significa tratar mal ao próprio Autor da vida.
É Preciso Deixar Jesus No Centro De Nossa Vida e Convivência Para Que A Paz Do Senhor Permaneça
Ainda os discípulos estavam falando, quando o próprio Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: ´A paz esteja convosco! ´”
A cenado texto do evangelholido neste dia é a continuaçãoda cena do evangelhodo diaanterior. O relato começacomo testemunho dos discípulosde Emaús, isto é, aquelesqueemsuatrajetóriaviveram a experiênciapessoal do encontrocom o Senhorressuscitado no caminho e na fração do pão. É a experiênciaqueenche seuscoraçõese os impulsiona a anunciarem ou contarem a grande notícia de queJesus vive e vive realmente.      
Durante a partilha dessa experiência, Jesus aparece no meio deles e os saúda com o Shalom (paz): “A paz esteja convosco!”.
Em queconsiste a pazqueJesus nos oferece? A pazque o Senhor ressuscitado nosoferece não consiste na tranquilidade que se sente quandoum está plácidoe comodamente está sentado ou vive semqueninguémounada o incomode. A pazde Cristo ressuscitado quenos oferece consiste emsaberque somos amados, protegidos e compreendidos porDeus. Trata-se de uma relaçãoharmoniosacomDeus, como próximo, consigopróprio, e coma natureza. Quandocadaelementoocupa seuprópriolugar e desempenhaseuprópriopapel responsavelmente, haverá a paz. Os discípulos recebem o Shalom do ressuscitado. Masrecebera paz de Deusnão é suficiente. É precisovivero Shalom, isto é, viveremharmoniacomtodos. A harmoniasemprecria uma beleza. As coresquese colocam harmoniosamentenos apresentam uma belezaadmirável. Dizia SantoAgostinho: “Não bastaser pacifico. É necessárioserpromotor da paz. Nãobastaestardispostoa perdoarouignorar os inimigos, é preciso amá-los e tercompaixão… Deves amara pazsemodiar os quefazem a guerra” (Serm. 357,1).
Na Eucaristiao Senhor se faz presenteentrenósparanosmanifestartodo o amorqueelenos tem. A partir desse amor é queElenos concede seuperdão e suapaz. Ao participarda Eucaristia, nósdevemos nossentiramadosporele. Porisso, a participação na Eucaristianoscompromete a darmos testemunho da vidanovaqueDeusinfundiu emnós. Devemos, portanto, serconstrutores da paz. Trata-se de uma pazquebrota do amorsinceroquenos faça próximosdo nossopróximoemsuasangustias e esperanças, como Jesus queaparece, repentinamente, no meio dos discípulos.
Depois da ressurreição Jesus apareceu no meiodos discípulosqueestavam com o medo. Massemdúvida nenhuma, o assuntoentreeleserasobreJesus. E Jesus játinhaprometido aos discípulos: “Onde doisoutrêsestiverem reunidos emmeunome, ali estou Eu no meio deles” (Mt 18,20). Cadaconversasobre Jesus e assuntosligados a ele, Jesus está presenteparadar o Shalom, a paz e paraacalmarqualquersituaçãoporferventequeela pareça ser. Ele está presenteparadarajudaemcadaconversasobreelee sobre os seusensinamentos. Jesus aparece no momentoemque a experiênciaindividualcomeçaa sercoletiva, comunitáriaemJesus, semdestruira experiênciapessoal/individual. O Ressuscitado é a forçaque interpela à comunidadee é experiência de unidade. Porisso, desta vez, Jesus é reconhecido na comunidade reunida emSeunome.
A dúvidae o medo dos discípulossãoevidentes, comoemtodas as aparições do Ressuscitado. E Jesus tem que acalmá-los: “Por queestais preocupados e porque tendes dúvidasno coração?”. Paraacabarcom a dúvida dos discípulosJesus come comeles. Mas a comunidadedeve teralgoparaoferecer a Jesus, é algoque os alimenta diariamente: o peixe: “Tendes aqui alguma coisaparacomer?”, pergunta-lhe Jesus. “Deram-lhe umpedaço de peixeassado”, comenta o evangelistaLucas. Será que temos algo a oferecer a Jesus ousomente pedimos algo de Jesus? O quedevemos oferecer a Jesus é aquiloquenossustenta e dignifica diariamente. A partir daquilo queoferecemos a Jesus é que podemos alimentar a multidãofaminta de tudo.
O frutoda presença de Jesus no meiodos discípulosqueconversam sobreeleé a abertura do entendimento, o horizonte ampliado sobre a vida: “Jesus abriu a inteligência dos discípulospara entenderem as Escrituras”, assimcomenta o evangelista Lucas. A inteligência nos capacita a resolvermos os problemas, pois a inteligência é o conjunto de funçõespsíquicas e psicofisiológicas quecontribuem para o conhecimento, para a compreensãoda natureza das coisase do significado dos fatos. Estarabertoa Deus e conversarcomDeuspermanentementenosleva a compreendermos tudo na nossavida, pois o próprioDeus abrirá nossainteligência.
Nós podemos também reconhecer Jesus na fração do pão eucarístico, na Palavra bíblica proclamada, meditada e partilhada, e na comunidade reunida em Seu nome partilhando o que se tem para quem é carente em tudo. Nós necessitamos, como a primeira comunidade, de uma catequese especial para que seja aberto nosso entendimento a fim de entendermos a vida e as coisas que acontecem nela, pois nada escapa do olhar de Deus quando deixamos que ele tenha espaço nas nossas conversas e quando seu lugar está bem no meio de nós. Em cada Eucaristia ele aparece no meio de nós e é o principal alimento no qual se encontra a força necessária para nossa vida. Ao se alimentar da Eucaristia, cada um deve se converter em força para os outros, especialmente para aqueles que não têm mais ânimo para lutar, pois estão céticos em tudo e sobre tudo na vida. Estas pessoas precisam escutar novamente a promessa infalível de Jesus: “No mundo vocês terão tribulações, mas tenha coragem: eu venci o mundo” (Jo 16,33b). Cada cristão deve se converter nesta frase: “Não tenha medo! Jesus venceu o mundo”. O cristão é aquele que acalma e serena os outros, pois ele sabe que está sempre com o Jesus ressuscitado.
Com os olhos da fé na Fração do Pão e na força de sua Palavra é que saiamos da celebração para dar testemunho de Cristo na vida. Aos Apóstolos, a última palavra que lhes dirige é esta: “Vós sereis testemunhas de tudo isso”. Desde princípio, ser apóstolo é ser testemunha da ressurreição de Jesus Cristo (At 1,22). Ser cristão é ser testemunha de que viver a vida com Deus e com todas as suas consequências é uma vida vitoriosa, uma vida que não termina na morte, e sim na ressurreição com Jesus. Deus pode tardar, mas nunca falha. Atrás da cruz de Jesus está a vida sem fim. Precisamos ter um olhar penetrante além dos sentidos para entender o recado de Deus.

  P. Vitus Gustama,svd

A Igreja precisa se abrir ao mundo?

Papa bento xvi lateral

Assistimos, há decênios, a uma diminuição da prática religiosa, constatamos o crescente afastamento duma parte notável de batizados da vida da Igreja. Surge a pergunta: Porventura não deverá a Igreja mudar? Não deverá ela, nos seus serviços e nas suas estruturas, adaptar-se ao tempo presente, para chegar às pessoas de hoje que vivem em estado de busca e na dúvida?

Uma vez alguém instou a beata Madre Teresa a dizer qual seria, segundo ela, a primeira coisa a mudar na Igreja. A sua resposta foi: tu e eu!

Este pequeno episódio evidencia-nos duas coisas: por um lado, a religiosa pretendeu dizer ao seu interlocutor que a Igreja não são apenas os outros, não é apenas a hierarquia, o Papa e os Bispos; a Igreja somos nós todos, os batizados. Por outro lado, Madre Teresa parte efetivamente do pressuposto de que há motivos para uma mudança. Há uma necessidade de mudança. Cada cristão e a comunidade dos crentes no seu todo são chamados a uma contínua conversão.

E esta mudança, concretamente como se deve configurar? Trata-se porventura de uma renovação parecida com a que realiza, por exemplo, um proprietário de casa mediante uma reestruturação ou a pintura do seu imóvel? Ou então trata-se de uma correção para retomar a rota e percorrer, de modo mais ágil e direto, um caminho? Certamente estes e outros aspectos são importantes, mas aqui não podemos tratar de todos eles. Mas, cingindo-nos ao motivo fundamental da mudança, este é a missão apostólica dos discípulos e da própria Igreja.

De fato, a Igreja deve verificar incessantemente a sua fidelidade a esta missão. Os três evangelhos sinóticos põem em evidência diversos aspectos do mandato da referida missão: esta assenta antes de tudo na experiência pessoal: “Vós sois testemunhas” (Lc 24, 48); exprime-se em relações: “Fazei discípulos de todos os povos” (Mt 28, 19); transmite uma mensagem universal: “Proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15).

Mas, por causa das pretensões e condicionamentos do mundo, este testemunho fica muitas vezes ofuscado, são alienadas as relações e acaba relativizada a mensagem. Se, depois, a Igreja, como diz o Papa Paulo VI, “procura modelar-se em conformidade com o tipo proposto por Cristo, não poderá deixar de distinguir-se profundamente do ambiente humano, em que afinal vive ou do qual se aproxima” (Ecclesiam Suam, 60). Para cumprir a sua missão, deverá continuamente também manter as distâncias do seu ambiente, deverá por assim dizer “desmundanizar-se”.

De fato, a missão da Igreja deriva do mistério de Deus uno e trino, do mistério do seu amor criador. E em Deus não está apenas mais ou menos presente o amor; mas Ele mesmo, por sua natureza, é amor. E o amor de Deus não quer ficar isolado em si mesmo, mas quer, como é próprio da sua natureza, difundir-se. Na encarnação e no sacrifício do Filho de Deus, o amor divino alcançou de um modo particular a humanidade — isto é, a nós —, e isto pelo fato de que Cristo, o Filho de Deus, saiu por assim dizer da sua esfera que é ser Deus, encarnou e fez-se homem; não apenas para confirmar o mundo no seu ser terreno, tornando-se seu companheiro e deixando-o assim como é, mas para o transformar.

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Do evento cristológico faz parte o dado incompreensível de que há — como dizem os Padres da Igreja — um sacrum commercium, uma permuta entre Deus e os homens. Os Padres explicavam-na assim: nós não temos nada que possamos dar para Deus, podemos apenas apresentar-lhe o nosso pecado. E Ele acolhe-o, assume-o como próprio e, em troca, dá-se a si mesmo e a sua glória a nós. Trata-se de uma permuta deveras desigual, que se realiza na vida e na paixão de Cristo. Ele faz-se pecador, toma o pecado sobre si, assume aquilo que é nosso e dá-nos aquilo que é seu.

Mas em seguida, à medida que se desenvolvem o pensamento e a vida à luz da fé, torna-se evidente que, devido à faculdade que Ele entretanto nos concedeu, não lhe damos só o pecado: a partir do íntimo, Ele concede-nos a força de lhe darmos também algo de positivo, o nosso amor, de lhe darmos a humanidade em sentido positivo. Naturalmente, é claro que só graças à generosidade de Deus é que o homem — o mendigo que recebe a riqueza divina — pode também dar alguma coisa para Deus; Deus torna-nos suportável o dom para nós, fazendo-nos capazes de ser doadores para com Ele.

Ora, a Igreja deve todo o seu ser a esta permuta desigual. Por si mesma nada possui diante d’Aquele que a fundou, de modo que possa dizer: fizemo-lo muito bem! O sentido dela é ser instrumento da redenção, deixar-se permear pela palavra de Deus e introduzir o mundo na união de amor com Deus. A Igreja insere-se na atenção condescendente do Redentor pelos homens. Quando é verdadeiramente ela mesma, a Igreja sempre se sente em movimento, deve colocar-se continuamente ao serviço da missão que recebeu do Senhor. E por isso deve abrir-se incessantemente às inquietações do mundo, do qual ela mesma faz parte, e dedicar-se a elas sem reservas, para continuar a fazer presente a permuta sagrada que teve início com a Encarnação.

Entretanto, no desenvolvimento histórico da Igreja manifesta-se também uma tendência contrária, ou seja, a de uma Igreja satisfeita consigo mesma, que se acomoda neste mundo, que é autossuficiente e se adapta aos critérios do mundo. Assim não é raro dar à organização e à institucionalização uma importância maior do que dá ao seu chamamento a permanecer aberta a Deus e a abrir o mundo ao próximo.

Para corresponder à sua verdadeira tarefa, a Igreja deve esforçar-se sem cessar por distanciar-se desta sua secularização e tornar-se novamente aberta para Deus. Assim fazendo, segue as palavras de Jesus: “Eles não são do mundo, como também Eu não sou do mundo” (Jo 17, 16), e é precisamente assim que Ele se entrega pelo mundo. Em certo sentido, a história vem em ajuda da Igreja com as diversas épocas de secularização, que contribuíram de modo essencial para a sua purificação e reforma interior.

De fato, as secularizações — sejam elas a expropriação de bens da Igreja, o cancelamento de privilégios, ou coisas semelhantes — sempre significaram uma profunda libertação da Igreja de formas de mundanidade: despoja-se, por assim dizer, da sua riqueza terrena e volta a abraçar plenamente a sua pobreza terrena. Deste modo, partilha o destino da tribo de Levi, que, segundo afirma o Antigo Testamento, era a única tribo em Israel que não possuía um patrimônio terreno, mas, como porção de herança, tinha tido em sorte exclusivamente o próprio Deus, a sua palavra e os seus sinais. Com esta tribo, a Igreja partilhava naqueles momentos da história a exigência duma pobreza que se abria para o mundo, para se destacar dos seus laços materiais e assim também a sua ação missionária voltava a ser credível.

Os exemplos históricos mostram que o testemunho missionário de uma Igreja “desmundanizada” refulge de modo mais claro. Liberta dos fardos e dos privilégios materiais e políticos, a Igreja pode dedicar-se melhor e de modo verdadeiramente cristão ao mundo inteiro, pode estar verdadeiramente aberta ao mundo. Pode de novo viver, com mais agilidade, a sua vocação ao ministério da adoração de Deus e ao serviço do próximo. A tarefa missionária, que está ligada à adoração cristã e deveria determinar a estrutura da Igreja, torna-se visível mais claramente.

A Igreja abre-se ao mundo, não para obter a adesão dos homens a uma instituição com as suas próprias pretensões de poder, mas sim para os fazer reentrar em si mesmos e, deste modo, conduzi-los a Deus — Àquele de quem cada pessoa pode afirmar com Agostinho: “Ele é mais interior do que aquilo que eu tenho de mais íntimo” (cf. Conf. III, 6, 11). Ele que está infinitamente acima de mim, todavia está de tal maneira em mim que constitui a minha verdadeira interioridade. Através deste estilo de abertura da Igreja ao mundo, é conjuntamente delineada também a forma em que se pode realizar, eficaz e adequadamente, a abertura ao mundo por parte do indivíduo cristão.

Não se trata aqui de encontrar uma nova tática para relançar a Igreja. Trata-se, antes, de depor tudo aquilo que seja apenas tática e procurar a plena sinceridade, que não descura nem reprime nada da verdade do nosso hoje, mas realiza a fé plenamente no hoje vivendo-a precisa e totalmente na sobriedade do hoje, levando-a à sua plena identidade, tirando dela aquilo que só na aparência é fé, pois na verdade não passa de convenção e hábito.

Por outras palavras, podemos dizer: a fé cristã constitui sempre, e não apenas no nosso tempo, um escândalo para o homem. Que o Deus eterno se preocupe conosco, seres humanos, e nos conheça; que o Inatingível, num determinado momento e num determinado lugar, se tenha colocado ao nosso alcance; que o Imortal tenha sofrido e morrido na cruz; que nos sejam prometidas a nós, seres mortais, a ressurreição e a vida eterna — crer em tudo isto não passa, aos olhos dos homens, de uma real presunção.

Este escândalo, que não pode ser abolido se não se quer abolir o cristianismo, foi infelizmente encoberto, mesmo recentemente, por outros tristes escândalos dos anunciadores da fé. Cria-se uma situação perigosa, quando estes escândalos ocupam o lugar do skandalon primordial da Cruz tornando-o assim inacessível, isto é, quando escondem a verdadeira exigência cristã por trás da incongruência dos seus mensageiros.

Esta é mais uma razão para pensar que seja hora novamente de encontrar a verdadeira separação do mundo, de tirar corajosamente o que há de mundano na Igreja. Isto naturalmente não significa retirar-se do mundo, antes pelo contrário. Uma Igreja aliviada dos elementos mundanos é capaz de comunicar aos homens, precisamente no âmbito sóciocaritativo — tanto aos que sofrem como àqueles que os ajudam —, a força vital particular da fé cristã. “Para a Igreja, a caridade não é uma espécie de atividade de assistência social que se poderia mesmo deixar a outros, mas pertence à sua natureza, é expressão irrenunciável da sua própria essência” (Deus Caritas Est, 25).

Certamente também as obras caritativas da Igreja devem continuamente prestar atenção à necessidade duma adequada separação do mundo, para evitar que, devido a um progressivo afastamento da Igreja, se sequem as suas raízes. Só a relação profunda com Deus torna possível uma atenção plena ao homem, tal como sem a atenção ao próximo se empobrece a relação com Deus.

Portanto, ser aberta às vicissitudes do mundo significa, para a Igreja “desmundanizada”, testemunhar segundo o Evangelho, com palavras e obras, aqui e agora a soberania do amor de Deus. E esta tarefa remete ainda para além do mundo presente: de fato, a vida presente inclui a ligação com a vida eterna. Como indivíduos e como comunidade da Igreja, vivemos a simplicidade dum grande amor que, no mundo, é simultaneamente a coisa mais fácil e a mais difícil, porque requer nada mais nada menos que o doar-se a si mesmo.

Queridos amigos, resta-me implorar para todos nós a bênção de Deus e a força do Espírito Santo, a fim de podermos, cada um no próprio campo de ação, reconhecer e testemunhar sempre de novo o amor de Deus e a sua misericórdia. Obrigado pela vossa atenção!

Onde estava Jesus entre Sua morte e ressurreição?

O nosso Credo ensina que “Jesus desceu à mansão dos mortos”. Isso significa que, de fato, Ele morreu e que, por Sua morte por nós, venceu a morte e o diabo, o dominador da morte (Hb 2,14). São João disse que Ele veio a nós para “destruir as obras do demônio” (1 Jo 3,8). O…

É PRECISO CAMINHAR 2018-04-02 20:43:00

04/04/2018
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O SENHOR NÃO NOS ABANDONA, POIS NOS ACOMPANHA DIARIAMENTE COM SUA FORÇA RESSUSCITADA
Quarta-Feira da I Semana da Páscoa
Primeira Leitura: At 3,1-10
Naqueles dias, 1Pedro e João subiram ao Templo para a oração das três horas da tarde. 2Então trouxeram um homem, coxo de nascença, que costumavam colocar todos os dias na porta do Templo, chamada Formosa, a fim de que pedisse esmolas aos que entravam. 3Quando viu Pedro e João entrando no Templo, o homem pediu uma esmola. 4Os dois olharam bem para ele e Pedro disse: “Olha para nós!” 5O homem fitou neles o olhar, esperando receber alguma coisa. 6Pedro então lhe disse: “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!” 7E pegando-lhe a mão direita, Pedro o levantou. Na mesma hora, os pés e os tornozelos do homem ficaram firmes. 8Então ele deu um pulo, ficou de pé e começou a andar. E entrou no Templo junto com Pedro e João, andando, pulando e louvando a Deus. 9O povo todo viu o homem andando e louvando a Deus. 10E reconheceram que era ele o mesmo que pedia esmolas, sentado na porta Formosa do Templo. E ficaram admirados e espantados com o que havia acontecido com ele.
Evangelho: Lc 24,13-35
13Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam para um povoado chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. 14Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido.15Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. 16Os discípulos, porém, estavam como cegos, e não o reconheceram. 17Então Jesus perguntou: “Que ides conversando pelo caminho?” Eles pararam, com o rosto triste, 18e um deles chamado Cléofas, lhe disse: “Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?19Ele perguntou: “Que foi?” Os discípulos responderam: “O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. 20Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. 21Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! 22É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo 23e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. 24Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém o viu”. 25Então Jesus lhes disse: “Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! 26Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?” 27E, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele. 28Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante. 29Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!” Jesus entrou para ficar com eles. 30Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. 31Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles. 32Então um disse ao outro: “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?” 33Naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém onde encontraram os Onze reunidos com os outros. 34E estes confirmaram: “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!”  35Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão.
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A Primeira Leitura nos relata que a força salvadora, que na vida de Jesus fluiu de si próprio, curando os enfermos e ressuscitando os mortos, é agora uma força ativa pascal: o Ressuscitado está presente, embora invisível, e age através de sua comunidade, especificamente através dos apóstolos, a quem ele havia enviado para “proclamar o Reino de Deus e curar” (Lc 9,2). Eles não terão meios econômicos, mas participam da força do Senhor: “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!”.
O Salmo Responsorial (Sl 104/105) nos convida a meditarmos sobre Deus que é sempre fiel a Sua Aliança e a Seu amor a todos nós. Deus jamais abandonará Seu povo apesar de nossas infidelidades: “Ele sempre se recorda da aliança”. Sua misericórdia é eterna e se prolonga de geração em geração. “Ensina-me, Senhor, a compreender, a lembrar. Ensina-me a dar a cada uma de tuas ações na minha vida o valor que elas tem como assistência concreta e sina permanente. Ensina-me a ler em teus atos a mensagem do teu amor, para que eu nunca me esqueça e jamais duvide de que tu sempre estarás comigo, no futuro, da mesma maneira como estiveste no passado” (Carlos G. Vales: Busco Tua Face, Senhor).
O Evangelho quer nos transmitir que Jesus Cristo não somente vive sua comunhão com Deus Pai, mas também vive com a humanidade, compartilhando conosco gozos e esperanças, nossas tristezas e angústias. Ele se faz companheiro do homem para dar-lhe sentido a seu caminhar pela vida, ilumina os acontecimentos com Sua Palavra e compartilha seu Pão. Consequentemente, a Igreja de Cristo não deve somente reunir-se para escutar seu Mestre e para partilhar e compartilhar o Pão da Vida, mas também deve pôr-se em caminho junto ao homem que sofre, para devolver-lhe a paz e a esperança, não somente com palavras que façam arder em amor seu coração, mas também partindo o próprio pão para que alivie um pouco a fome de alimento, de amor, de compreensão, de alegria, de paz que padecem muitos irmãos nossos da mesma humanidade.
O Cristão Deve Fazer Tudo Em Nome De Cristo Ressuscitado e Leva Somente Cristo Em Seu Coração
Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!”.
Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou”. Os Apóstolos não tinham meios econômicos, mas participaram na força do Senhor Ressuscitado: “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou”. Há uma evidência na pobreza dos Apóstolos. A força salvadora que estava na vida de Jesus agora atua através de sua comunidade, concretamente através dos Apóstolos.
“Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!”. Aqui percebemos que os atos dos Apóstolos são os atos de Cristo Ressuscitado. Os Apóstolos fazem tudo em nome de Jesus Ressuscitado e não em nome próprio nem em nome do próprio interesse ou vantagem própria. Os Apóstolos eram pessoas que se escondiam por medo dos judeus e eram calados cheios de medo. Por contraste, depois do Pentecostes se tornaram homens valentes, cheios de luz, de pureza, de desinteresse, de gentileza, de vida interior, de generosidade e assim por diante. A partir de então, eles levam somente Cristo Ressuscitado em seu coração e se deixam guiar por Ele. Por isso, Pedro pode dizer ao mendigo: “O que tenho eu te dou”. Pedro tem vida adentro, tem Cristo dentro de seu coração, tem força dentro dele capaz de levantar um e muitos paralíticos, um ou muitos mortos em nome de Cristo Ressuscitado que habita dentro de seu coração.
A ação de Pedro e João na “porta” do Templo contrasta com a ação dos sacerdotes judeus no interior do Templo. Enquanto os Apóstolos põem em pé um ser humano “defeituoso” e marginalizado da sociedade, os sacerdotes, no interior do Templo, sacrificam um animal perfeito.
O mendigo que pedia esmola para aliviar sua necessidade de um dia, recebeu a cura para o resto de seus dias. Esta cura permite ao mendigo recuperado de sua paralisia, que estava “à porta” do Templo a “entrar” no Templo e proclamar como os demais e junto aos demais as glórias de Deus. O excluído (“à porta”) do Templo passa a ser o incluído do Templo (“entrar”). Este paralitico era levado pelos outros (familiares) para a porta do Templo a fim de mendigar. Mas agora já curado “leva os outros” para Deus com o testemunho do milagre do amor divino na sua vida.
Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!”.  Esta é a missão da Igreja, de cada cristão e cristã. A Igreja, cada cristão/cristã, seguindo a Jesus e levando o Cristo ressuscitado em seu coração quer e deve querer a grandeza do homem, isto é, o homem de pé, um homem ativo e criativo, um homem capaz de tomar decidir e tomar seu destino. O mendigo que estava prostrado e numa situação de dependência recupera sua dignidade. De pé, ele dá um pulo e começa a andar para dar testemunho sobre a presença da ação do Ressuscitado na sua vida através da mão de Pedro.
Será que como cristão ou cristã eu contribuo para levantar a humanidade de sua paralisia? Será que eu contribuo para libertar os outros de suas “doenças”? Será que eu me apoio na força da ressurreição para pôr-me novamente em pé toda vez caiu, ficou paralisado?
Deixar-se Guiar Pelo Cristo Ressuscitado Para Encontrar o Sentido De Tudo Que Se Passa Na Vida
Nósesperávamos…!”, disseram os doisdiscípulos de Emaús dianteda morte de Jesus.  Estas palavras estão cheias de uma esperançaperdida ou de decepção. É fácil entendermos a decepção desses homens. Emtodavidahumanaalguma vezouvárias vezes aconteceu e acontecerá uma grandeesperançaperdida, uma mortecruel, umfracassohumilhante, uma preocupação, uma questãonãosolucionada ounãosolucionável, umpecadoque faz sofrer, uma imprudênciaquecausa uma fatalidade, uma doençaincurável, uma traiçãoatrásda outra no casamento, e assimpordiante.
Os doisdiscípulos de Emaús se sentem muitofrustrados diante da situação. Frustraçãoé umsentimentode fracasso e decepçãoque aparece diantede umdesejonão realizado oudiante de uma necessidadenãosatisfeita. Quantomaiorfor o desejoquequisermos realizar, se elenão for realizado, maiorserá o grau de frustraçãoque teremos. Quandouma pessoanãoconseguirrealizarseudesejoaparecerão duas emoções opostas nela: a raiva e tristeza. Uma pessoa frustrada, muitas vezes, se tornaviolenta, brava, estúpida, grosseira, intolerante, impaciente e assimpordiante. Portrásde uma pessoabravae grosseira, muitadas vezes há uma pessoafrustrada.
Os doisdiscípulos de Jesus se afastaram de Jerusalém indo para Emaús depois da morte do Mestre. A viagemidapara Emaús é triste, em silencio, comsentimentos de derrotae desilusão: “Nós esperávamos…!”
Nisto “O próprioJesus se aproximou e começou a caminharcomeles”, comentou o evangelista Lucas. Porseucaminho Jesus vem encontrá-los. E se interessa porsuaspreocupações. Jesus jamaisnosabandonanas nossas tristezas e sofrimentos. Mas o nome dele deve sersemprenossoassuntode conversa e de oraçãoparaqueele inspire nossas conversase orações, paraqueelepossa nosacompanhar. Jesus conhece nossos sofrimentos e nossas decepções. Porisso precisamos nosdeixarolhar e interrogarpor Jesus: “O quevocêsvivem conversando no seucaminho da vida?”. Qualconteúdode nossaconversa? O que conversamos maisna vida e paraque conversamos sobreisso? Precisamos contartudoparaJesus comoexpressãode nossafénele emboraelesaiba de tudosobrenossavida.
Os doisnão reconheceram o Caminhanteque se juntaa eles: “seusolhos estavam cegos, não podiam reconhecê-lo”. Quando estivermos dominados pelas grandespreocupações, acabamos não vendo nadaa nãoseraquiloquenos preocupa. Perdemos o chãosobre o qualdevemos pisar. Perdemos nossosono. Aténão sentimos a presençade pessoas ao nossolado.
“Seusolhos estavam cegos, não podiam reconhecê-lo”. Sempre é difícilreconhecer o Ressuscitado, comono caso de Maria Madalena, sobretudo, quando os olhos estão tristese fechados. A fé dos doisse desmoronou. Não creem na ressurreiçãoapesarda informação de algumas mulheresque o túmulo estava vazio. Há umpontocomumnosrelatos das aparições do Ressuscitado: os discípulos estão poucodispostos a crer; duvidam, não esperam a ressurreição, estão desconcertados.
Somente no pãopartilhado é que os doisreconheceram queaquelehomemqueandava comelesera Jesus ressuscitado. O momento do pão partilhado é o momento de fraternidade, de familiaridade, de conversade igualparaigual, de alegria, de risos à vontade, de reconhecer a presençado outro e de ouvi-lo atentamente. Sãomomentotãohumanos e porisso, tãodivinos. Os doisdiscípulos reconhecem a presençado Divino no partir do pão. Consequentemente, a viagemde voltaparaJerusalém se tornaexatamentecontrária: os doisdiscípulos correm pressurosos, cheios de alegria, os olhos enxergam melhore a inteligência fica abertaparaentender as Sagradas Escrituras e ansiosoparacontar a experiênciapara os amigos de suacomunidadeemJerusalém. A experiênciaprofundacom o Divinocriacomunidade e faz o afastado voltarpara a comunidade. A experiênciaprofundocomDeustornaalguémevangelizador.
O ressuscitado está presente nos três grandes momentos em que os discípulos de Emaús o encontraram: na Fração do Pão, na Proclamação de Sua Palavra e na Comunidade. São precisamente os três momentos primordiais de nossa celebração: a Comunidade reunida, a Palavra proclamada e escutada e a Eucaristia recebida como alimento. Os três “sacramentos” do Senhor ressuscitado.
Em outras palavras, o relato do evangelho de Lucas foi elaborado totalmente para nos ensinar como podemos reconhecer Jesus, como podemos avançar lentamente da dúvida, do desespero para a fé.
O primeiro método, para reconhecer Jesus é preciso tomar contato, profundamente, cordialmente, com as Escrituras, com a Palavra de Deus. “Jesus, começando por Moisés e passando pelos profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele”. O AT esclarece o NT. O projeto de Deus prossegue sem ruptura. O que se realiza em Jesus Cristo é o que Deus previa desde a eternidade. Por isso, precisamos ler e reler a Palavra de Deus com a oração e com o coração, sem os quais jamais conseguiríamos a inspiração divina para entender o que está escrito nas Escrituras.
A segunda experiência para reconhecer Jesus é a Eucaristia, a fração do pão. “Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus”. A Eucaristia é o sacramento, o sinal eficaz da presença de Cristo ressuscitado. É o grande mistério da fé, embora aparentemente seja um sinal muito pobre, um sinal muito modesto materialmente: pão e vinho. Pobre, materialmente, mas são essenciais para a vida humana. Através destes dois elementos (pão e vinho), estamos diante do Sagrado que quer nos tocar para nos alimentar e salvar. É o sacramento da fraternidade onde todos se alimentam do mesmo Pão eucarístico e do mesmo Cálice. É o momento de humanização, pois todos são comensais. É a vida de Jesus sacrificada para a nossa salvação. É o nosso verdadeiro alimento na caminhada rumo ao céu, à comunhão plena no banquete eterno com Deus. A eucaristia é o céu aqui na terra. Ir à missa é ir ao céu. A Eucaristia é o banquete celeste antecipado já aqui na terra. Não vamos à missa para cumprir preceitos e sim vamos ao céu ao participarmos da Eucaristia que é o banquete celeste.
Na celebração eucarística há duas Mesas inseparáveis: a Mesa da Palavra (Liturgia da Palavra) e a Mesa da Eucaristia (Liturgia da Eucaristia). “No princípio era Palavra e a Palavra se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,1.14). As duas são da mesma importância. Na Mesa da Palavra Deus tem sua Palavra para nos alimentar. Deus sempre tem uma palavra para cada participante da celebração eucarística. E na Mesa da Eucaristia, o Senhor nos alimenta com seu Corpo e seu Sangue. Já que as duas Mesas são da mesma importância, então devemos dar-lhes a atenção de maneira igual e com a mesma reverência. Essas duas mesas se encontram no texto do evangelho de hoje. Jesus nutre, primeiro, os dois discípulos com Sua Palavra (Sagrada Escritura) para depois alimentá-los com o Pão da vida, Pão partilhado na mesa comum.
Depois desses dois sinais isto é, a Palavra e a Fração do Pão, no mesmo instante, os dois discípulos voltaram para Jerusalém para contar essa experiência para os demais discípulos. Isto nos mostra que Jesus se encontra na comunidade reunida em Seu nome e que fala de Seu nome (cf. Mt 18,20).
Além disso, a volta dos dois discípulos com tanta pressa para comunidade também tem outro nome: missão. Cada encontro pessoal com o Senhor Jesus move a pessoa a ir ao encontro dos outros para contar esse encontro, para partilhar a riqueza desse encontro. Ninguém pode somente ficar quieto em seu lugar contemplando Cristo ressuscitado. Há que pôr-se em caminho e marchar até os outros irmãos para que juntos formemos uma comunidade de irmãos baseada no amor e no respeito mútuo e anunciemos a esperança de que a vida humana tem futuro em Deus ao vivermos no presente como irmãos e irmãs, alimentados pelo Pão da Palavra e pelo Pão Eucarístico.
A experiênciados doisdiscípulosde Emaús nosmostraque a Páscoanão é uma recordação. É salvação, é vidahoje e aquiparavocê, paramim, paratodosnós. Temos, sim, nossas decepçõesemrelação à comunidade. Mas se escutarmos atentamentee profundamente a Palavrade Deus e nosalimentarmos de SeuCorpoe Sangue, nãotem comonãoformar uma comunidadede irmãos. Os doisdiscípulos de Emaús há muitacoisa a nosensinarsobrecomodevemos ser a Igreja. Paraconstruiroureconstruir uma comunidade de discipulado necessitamos fazeruma experiênciaprofundacom o Ressuscitado. Paranos tornarmos evangelizadoresdo Ressuscitado, necessitamos conversarcomElelongamente.
P. Vitus Gustama,svd

O afresco de São João Paulo II

Lateral

Todos os anos, cinco milhões de turistas vão à Capela Sistina, em Roma, para visitar os mais de 450 metros quadrados que albergam os afrescos de Michelangelo, nos quais estão retratadas inumeráveis cenas bíblicas, desde a Queda de Adão até o Juízo Final. A Capela Sistina é um dos grandes patrimônios da humanidade. Ela fala por si mesma, envolvendo com sua portentosa beleza quem quer que a contemple.

Hoje, dia 2 de abril, aniversário da morte de S. João Paulo II, eu gostaria de sugerir que uma das obras deste Papa pode ser comparada, em sua importância e valiosas intuições, ao teto da Capela Sistina, ainda que se trate de um “afresco em palavras”, e não de uma pintura em sentido próprio. Nela estão corajosamente traçadas as “luzes e sombras” da dignidade humana, ou seja, da nossa capacidade para o realizar o bem ou o mal.

Desde a morte do Papa polonês em 2005, diversos aspectos de suas conquistas vêm sendo reconhecidos. Eles incluem a política (a ascensão de “Solidariedade” em sua terra natal e a queda do Império Soviético), as artes (suas reflexões sobre a beleza, seu trabalho prévio na poesia e na dramaturgia), a filosofia (seus escritos sobre o relacionamento entre fé e razão) e, naturalmente, a teologia (seu tríptico de Encíclicas sobre a natureza de Deus). João Paulo teve uma vida longa,  ativa e enraizada na oração, e os resultados, embora não tenham sido perfeitos, estão aí à vista de todos. Ao menos para os que abrirem os olhos para ver. E ler.

De todas as conquistas que marcam sua longa existência, creio que a principal contribuição do Papa filósofo para o mundo seja a sua reflexão a respeito da natureza do ato moral. Trata-se, sem dúvida, de um assunto pouco atraente para muitos, mas que se refere, no fundo, ao modo como nos tornamos quem somos, desde as profundezas mais íntimas do nosso ser.

Tudo isso pode ser encontrado na Encíclica Veritatis Splendor, “Esplendor da Verdade”, publicada em 1993, há cerca de um quarto de século. No Concílio Vaticano II (1962-1965), os padres conciliares tentaram, mas não conseguiram produzir um documento sobre teologia moral antes de irromper a tempestade da década de 1960. Com a ajuda de Joseph Ratzinger (que se tornaria mais tarde Papa Bento XVI) e outros cooperadores, João Paulo II pôde elaborar um dos documentos oficiais mais significativos da Igreja sobre teologia moral dos últimos 400 anos.

Teto da Capela Sistina.

Qual é a necessidade de um documento assim? Quando o Papa Paulo VI, em 1968, confirmou o ensinamento constante da Igreja sobre a imoralidade da contracepção, o dissenso entrou na ordem do dia para os católicos, enquanto o resto do mundo abraçava alegremente a chamada Revolução Sexual. Os resultados trágicos dessas escolhas — famílias desestruturadas, de um lado, e o fácil acesso à pornografia, de outro — continuam surtindo efeito até os dias de hoje.

Algumas fórmulas tradicionais da doutrina católica, de meio século ou menos de idade, se revelaram incapazes de convencer as gerações da “era de Aquarius” e seus descendentes (nós, em suma). João Paulo II sabia, desde a época em que foi professor universitário na Polônia, da urgente necessidade de oferecer aos homens uma sólida formação em antropologia cristã, iluminada pela fé. Por isso, ele mesmo tratou de nos proporcionar essa base, elaborada com fidelidade às SS. Escrituras e ao Magistério perene e bimilenar da Igreja.

Veritatis Splendor faz ecoar o grito de rebelião e de esperança de toda alma que, mais do que praticar o mal, sofre a sua ação. A Encíclica fala a partir da consciência moral do que de melhor tem a nossa humanidade, iluminada pela graça. Ela frustra as esperanças de todo governo que pretenda fazer do oportunismo e da comodidade o seu “evangelho”, à custa da verdade e da luz da consciência, dada a todas as almas, criadas à imagem de Deus.

O Papa polonês queria nos lembrar de que existem atos que não devem ser praticados nunca. Há, gostemos ou não, atos intrinsecamente maus, sempre e em si mesmos, ainda que tenhamos as melhores intenções, independentemente das circunstâncias.

Àqueles que defendem que essa doutrina carece de “sensibilidade pastoral” cabe perguntar: como vamos ajudar realmente as pessoas, se escondermos delas a verdade sobre problemas humanos tão fundamentais? Como vamos conduzi-las das trevas do pecado à luz da graça, isto é, à amizade íntima com Deus, Nosso Senhor, se abandonarmos o legado moral dos santos, dos mártires e dos santos doutores da Igreja? Desse ponto de vista, a exortação do Concílio Vaticano I é de uma relevância permanente: “Sempre se deve ter por verdadeiro sentido dos dogmas aquele que a Santa Madre Igreja uma vez tenha declarado, não sendo jamais permitido, nem a título de uma inteligência mais elevada, afastar-se deste sentido.” [1]

Muitos católicos parecem ter perdido de vista esse precioso ensinamento. E isso é terrível em vários níveis. Passa-se a impressão, por exemplo, de que a Igreja teria o poder de ser arbitrária em todas essas matérias, como se ela pudesse definir o bem e o mal, ao invés de simplesmente reconhecê-los inscritos na natureza humana. No entanto, como escrevia o Beato John Henry Newman, “ainda que o papado pertença ao depósito da Revelação, o Papa não tem jurisdição alguma sobre a natureza” [2].

Alguns estudiosos afirmam que a imagem de Deus Pai estendendo a mão para Adão no teto da Capela Sistina tem a forma de um cérebro humano. É como se Deus estivesse concedendo à humanidade a luz da inteligência, em um toque íntimo e singelo. Se nós levarmos em conta o ensinamento de S. João Paulo II, veremos com igual clareza como cada pessoa com que cruzamos na rua está chamada a ser uma obra-prima de Deus, um “afresco” para a eternidade, onde as sombras dos pecados arrependidos e perdoados só tornará ainda mais radiante a luz de sua glória no Céu.

A importância da Oitava de Páscoa

Após o domingo de Páscoa a Igreja vive o Tempo Pascal; são sete semanas em que celebra a presença de Jesus Cristo Ressuscitado entre os Apóstolos, dando-lhes as suas últimas instruções (At 1,2). Quarenta dias depois da Ressurreição Jesus teve a sua Ascensão ao Céu, e ao final dos 49 dias enviou o Espírito Santo…

O Cristianismo é uma Presença

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A Ressurreição de Nosso Senhor nos dá a ocasião de refletir sobre o mistério central de nossa fé. O cristianismo é o mistério de uma presença real, embora escondida e secreta. Mesmo que a minha fé seja tão pobre que eu não consiga reconhecê-la…

A alegria da Páscoa

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Cristo nos amou até o fim, e a sua Ressurreição deve ser para nós motivo de grande alegria: fomos salvos, e a morte finalmente derrotada.