Mês: fevereiro 2018

Conduzidos pelo Amor – Primeiro Domingo da Quaresma

Nesse primeiro domingo da Quaresma, a liturgia nos convida a nos deixarmos ser conduzidos pelo Espírito Santo até o deserto, tal como Jesus o foi. Ele nos mostra os seus caminhos e nos ensina as suas veredas (Sl 24,4). A caminhada quaresmal nos direciona a renuncia, a conversão por isso tal como nosso senhor também passamos por tentações, mas não podemos nos deixar abater. Jesus hoje nos ensina a vencer as tentações, permanecendo na obediência ao Pai e tendo a sua Palavra como alimento.


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É PRECISO CAMINHAR 2018-02-16 20:46:00

20/02/2018
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PAIZINHO NOSSO QUE ESTÁ NO CÉU E NA TERRA
Terça-Feira da I Semana da Quaresma
Primeira Leitura: Is 55,10-11
Isto diz o Senhor: 10 assim como a chuva e a neve descem do céu e paralá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, 11 assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la.
Evangelho: Mt 6,7-15
Naquele tempo, disse Jesus aos seusdiscípulos: 7“Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam queserãoouvidosporforçadas muitas palavras. 8Não sejais comoeles, poisvossoPai sabe do que precisais, muitoantesquevós o peçais. 9Vós deveis rezarassim: Painossoque estás noscéus, santificado seja o teunome; 10venha o teuReino; seja feitaa tua vontade, assimna terracomonoscéus. 11O pãonossode cadadiadá-nos hoje. 12Perdoa as nossas ofensas, assimcomonósperdoamos a quemnostem ofendido, 13e nãonos deixes cairemtentação, mas livra-nos do mal. 14De fato, se vós perdoardes aos homensas faltasqueeles cometeram, vossoPaiqueestá noscéustambémvosperdoará. 15Mas, se vósnãoperdoardes aos homens, vossoPaitambémnãoperdoará as faltasquevós cometestes”.
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A Palavra De Deus É Poderosa e Eficaz Para Quem Está Aberto Diante Dela

Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la”.
Para quem vivia no Oriente Médio tão seco a chuva ou a água era bem preciosa. O povo desse lugar sabia muito bem da eficácia e do poder da água ou da chuva.  O local seco ou deserto onde a chuva cai vira um lugar cheio de plantinhas. A água ou a chuva como se acordasse as sementes escondidas de baixo da terra para se tornarem plantinhas e plantas. O local que era seco e deserto passa a ser um lugar verde cheio de vida.
O Deutero-Isaias (Is 40-55: os capítulos escritos durante o exilio na Babilônia em torno de século VI) compara o poder da Palavra de Deus com a chuva que cai do céu sobre a terra que irriga e fecunda a terra. A Palavra de Deus que entra no homem transforma este numa pessoa cheia de vida. Isto supõe que o homem, como a terra aberta para a chuva, deve estar aberto para a Palavra de Deus para torná-la eficaz e frutífera em sua vida.
O profeta Isaias nos convida, através da primeira leitura (Is 55,10-11) a crermos firmemente na força salvadora da Palavra de Deus. Porque não somente fomos salvos pelo sangue e o sacrifício de Cristo na Cruz. É verdade que a maldade do homem levou Jesus Cristo para a ignomínia da Cruz. Mas a salvação nos veio pela Palavra de Deus, empenhada um dia e cumprida na plenitude dos tempos. Deus nos ama e nos perdoa em Seu Filho encarnado. A Palavra é poderosa e eficaz, mas também perigosa. Não podemos abusar da palavra para não nos destruir e destruir os outros. Ao contrário, temos que usar a palavra para o bem e a edificação da vida dos outros.
A Palavrade Deus é a Palavra do Pai, do amigo, do confidente, do animador, do despertador da consciência. Com a autoridade ela nos convoca, ilumina, anima, consola, fortalece amorosamente. Ela não quebra liberdades nem aniquila personalidades. Ela grita na nossa consciência. Ela é como alguém que está à porta de nossa casa: espera a abertura para poder entrar. E “a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la”, assim diz Deus para nós.
Deus É Nosso Papaizinho, Nossa Abbá
E o textodo evangelho deste diafaz parte do Sermãoda Montanha (Mt 5-7) onde podemos encontrarváriosensinamentosfundamentais de Jesus paranós, seusseguidores. No evangelhode hoje Jesus nosdá seuconselhosobreoração. Jesus nos dá seu modelo de oração: o Pai Nosso. É uma oração que pode ser considerada como o resumo da espiritualidade do AT e do NT, equilibrada e educativa por seguinte. Primeiro, o Pai Nosso nos faz pensarmos em Deus que é nosso Pai: Seu nome, Seu Reino, Sua vontade. Mostramos nosso desejo de sintonizar com Deus. Por isso, logo passa para nossas necessidades: o pão de cada dia, o perdão de nossas faltas, a força para não cair em tentação e vencer o mal.
A Igreja, neste tempo da Quaresma, insiste na urgência da oração e na escuta da Palavra de Deus. Conversar, dialogar com Deus é uma fonte de luz e de força. Estar à escuta da Palavra de Deus é vital, exigente e comprometido. Nós cristão sabemos que a Palavra que Deus Pai nos dirige e propõe tem um nome próprio: Jesus Cristo (cf. Jo 1,1-3.14). Dialogar com Jesus é abrir-nos à verdade, à esperança e ao amor: à vida.
Rezar é uma nova experiência na qual entramos em relação vital com Deus. Rezar significa abrir-se para Deus. Nossa vida não pode estar centrada em nós mesmos ou só nas coisas deste mundo. Rezar é saber escutar a Palavra d’Aquele que é maior do que nosso cérebro e dirigir-lhe, pessoal e comunitariamente nossa palavra de louvor e de súplica com confiança de filhos. A oração é mais do que recitar umas fórmulas, é, sobretudo, uma convicção íntima de que Deus é nosso Pai e que quer nosso bem. A oração nos situa diante de Deus e nos faz reconhecer tal como somos já que somos criados à imagem de Deus. A oração vai nos descobrindo o que temos de ser em cada momento. A oração nos humaniza, faz-nos mais humanos, mais criaturas, e não criadores. Se não rezarmos é impossível que nos conheçamos a fundo, porque não saberemos o que poderíamos ser, não saberemos até onde vamos. A oração nos possibilita dizermos em profundidade o que somos, o que pensamos e o que vivemos e para onde vamos.
Jesus, no seuensinamentosobrea oração, quernosevitarde uma noçãomágicade Deus: “Quando orardes, nãouseis muitas palavras, como fazem os pagãos. …, poisvossoPai sabe do queprecisais”. Deus é o melhorjuiz de nossas necessidades do quenósmesmos, e Suasprioridades podem nãoseriguais às nossas. Porisso, o que Jesus quercom o PaiNosso é queconfrontemos nossavidapessoal e comunitáriacomseuprojetooriginal: quecomnossoprocederfaçamos que o Reinode Deus aconteça.
“Vós, portanto, orai assim: Painossoque estás noscéus…”, diz nos Jesus. De todas as revoluções do Evangelho, a maisprofunda e a maisradical é a revelaçãode DeuscomoPai, e consequentemente Deuscomoamor, como o Paimaiscarinhoso e entranhável. O Pai-Nossonão é uma simplesoraçãoapesarde serbreve. O Pai-Nosso é uma síntesede tudo o queJesus viveu e sentiu a propósito de Deus, do mundoe de seusdiscípulos.
Vós, portanto, orai assim: Pai Nosso…”. Em sua oração Jesus sempre se dirige a Deus chamando-O de Abbá. Para Jesus Abbá é o nome próprio de Deus. Esta expressão aramaica é um termo que era usado especialmente pelas crianças pequenas para dirigir-se ao seu pai carinhosamente. O termo Abbá tem como tradução literal “papai” ou “papaizinho”. É um tratamento de muita ternura. Ao chamar Deus de Abbá Jesus quer nos revelar sua relação íntima que ele vive com Deus. A atitude de Jesus diante de Deus é a atitude de uma criança cheia da confiança, do afeto e da ternura de uma criança. Diante do Abbá são eliminadas as preocupações.
Jesus quer que seus seguidores vivenciem a mesma experiência ao se dirigir a Deus na oração: “… orai assim: Pai nosso que estás nos céus…”. Jesus quer despertar em cada um de nós o espírito de filho, quer que cada um de nós fale com Deus com segurança, com afeto, com ternura e com confiança de filhos. Jesus quer que cada um de nós se abandone com alegria em Deus, nosso Papaizinho, pois ao chamar Deus assim todo medo desaparecerá e toda preocupação deixará de nos dominar. Deus é nosso Abbá, nosso Papaizinho que nos ama com amor incondicional e insondável e que “sabe de nossas necessidades antes mesmo de pedirmos” (Mt 6,8).
Mas devemos estar bem conscientes de que o Pai-Nosso, desde o começo até o fim, é rezado em plural: “Pai Nosso”, e não “Pai meu”. Deus é o Pai de todos nós. Ninguém deve ficar excluído. Não podemos nos apresentar diante de Deus só com os nossos problemas, alheios aos outros homens e mulheres. Rezar o Pai-Nosso é reconhecer a todos como irmãos e irmãs, é sentir-se em comunhão com todos os homens e mulheres, é ficar atentos para os problemas e necessidades dos outros, é não desprezar nenhum povo.
Mas ser filho deste Abbá não significa ser infantil. Jesus nunca foi débil e infantil. Não rezamos a Deus para que nos defenda da dureza da vida ou para que faça aquilo que devemos fazer ou para que resolva os problemas que nós mesmos devemos resolver. Pedimos, sim, ao nosso Papaizinho do céu para que saibamos atuar a partir de sua graça, de sua ternura, de sua bondade e de sua verdade e viver com responsabilidade na nossa liberdade de filhos e filhas.
Diante do mundoqueprescinde de Deus, Jesus propõe comoprimeirapetição, comoidealsupremodo discípulo, o desejoda glória de Deus: “Santificado seja teuNome”. Esta primeirapetição está orientada na linha profética quesitua Deusacimade tudo, exalta suamajestade e desejaque se proclame suaglória.
Diante do mundoondepredomina o ódio, a crueldade, a injustiça, Jesus pede que se instaure o Reinode Deus, o Reinoda justiça, do amore da paz. Recorre nesta petição o temachave de suamensagem, o Reinode Deusquese instaurará na terracomono céu.
“Vós, portanto, orai assim: Painossoque estás noscéus…”. A oração do Pai-Nossoé umconviteparaestabelecer uma relação de confiança e de intimidade de uma dimensãocomunitária (PaiNosso) e emuma disposiçãoconstantede perdão. A partirdesta dimensão os cristãossão chamados a construirespaços de oraçãoque refletem o compromissode construir o Reinode Deus, ondeDeus é Paide todosnóse nós somos filhose os filhos e irmãosque vivemos emcomunidade e fraternidade. “Pai-Nosso” querenfatizar uma novarelação dos cristãoscomDeusquenãoé somenteindividual, mastambémcomunitária. Sãoos filhos, oucidadãos do reino, os que se dirigem ao Paique é seuRei.
Chamar Deus de “Pai” é algo insólito, inimaginável que expressa a máxima confiança, proximidade e ternura. Jesus quer nos dizer que Deus é o nosso Pai que está sempre ao nosso lado, cheio de cuidados e ternura para com cada um de seus filhos e filhas. Com a palavra “Pai” abre-se um mundo novo nas relações de Deus para com o homem. A vida cristã está banhada de alegria, pois sabemos que somos filhos e filhas de Deus independentemente de nossa situação e de nosso modo de viver. 
Além do mais, ao chamar Deus de Pai precisamos estar conscientes de que precisamos viver como irmãos e irmãs, como recorda Santo Tomás de Aquino: “Ao dizermos Pai, recordemos duas obrigações que temos para com os semelhantes: Primeiro,devemos amá-los porque são nossos irmãos, pelo fato de serem filhos de Deus (cf. 1Jo 4,20). Segundo, devemos reverenciá-los, tratando-os como filhos de Deus (cf. Ml 2,10; Rm 12,10; Hb 5,9) “.
Rezar o Pai-Nosso é seguir Jesus Cristo, aprendendo dele a maneira de viver, de escolher e também o modo de enfrentar a morte; quais são as razões profundas, as raízes da própria existência. Dizer “Pai” nos torna disponíveis, nos enche de confiança, facilita a nossa entrega, pois estamos certos de sermos ouvidos, e isto nos permite superar as barreiras do medo e da incerteza. Dizer “Pai” significa que eu devo me comportar como filho (a) diante dele e como irmão diante dos outros, pois eu sou irmão de muitos outros irmãos. Dizer “Pai” faz nascer a certeza de que somos amados, isto é, nos leva a um ato de inteiro abandono em Deus.
O nome mais adequado ao Deus que reina, o nome mais sábio da teologia definitiva, o nome que exalta a transcendência da divindade e a revela próxima a nós e imanente como fonte de nossa vida, o nome que Jesus acendeu sobre o mundo e entregou às almas em busca de uma linguagem para dirigir-se a Deus, é o dulcíssimo, humaníssimo e sublime nome de Pai (…) A religião nova nasce daqui: Pai nosso, que estais nos céus. Um novo modo de ser nasce daqui: sejais perfeitos, como vosso Pai é perfeito” (Papa Paulo VI).
“Vós, portanto, orai assim: Painossoque estás noscéus…”, diz nos Jesus. De todas as revoluções do Evangelho, a maisprofundae a maisradicalé a revelação de DeuscomoPai, e consequentemente Deuscomoamor, como o Paimaiscarinhosoe entranhável. O Pai-Nossonão é uma simplesoraçãoapesar de serbreve. O Pai-Nossoé uma síntese de tudoo que Jesus viveu e sentiu a propósito de Deus, do mundo e de seusdiscípulos. Deve ser assim também a vida de cada cristão.
Dizer ´Pai nosso que estais nos céus´ significa aceitar o fato de ser filhos com o Filho, de ser filhos como o Filho, de ser transformados em Filhos” (L. Evely).
P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-02-16 20:26:00

19/02/2018
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AMOR A DEUS QUE SE EXPRESSA NO AMOR AO PRÓXIMO É O CRITÉRIO PARA ENTRAR NA VIDA ETERNA
Segunda-Feira da I Semana da Quaresma
Primeira Leitura: Lv 19,1-2.11-18
1O Senhor falou a Moisés, dizendo: 2“Fala a toda a Comunidade dos filhos de Israel, e dize-lhes: Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo.  11Não furteis, não digais mentiras, nem vos enganeis uns aos outros. 12Não jureis falso por meu nome, profanando o nome do Senhor teu Deus. Eu sou o Senhor. 13Não explores o teu próximo nem pratiques extorsão contra ele. Não retenhas contigo a diária do assalariado até o dia seguinte. 14Não amaldiçoes o surdo, nem ponhas tropeço diante do cego, mas temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor. 15Não cometas injustiças no exercício da justiça; não favoreças o pobre nem prestigieis o poderoso. Julga teu próximo conforme a justiça. 16Não sejas um maldizente entre o teu povo. Não conspires, caluniando-o, contra a vida do teu próximo. Eu sou o Senhor. 17Não tenhas no coração ódio contra teu irmão. Repreende o teu próximo, para não te tornares culpado de pecado por causa dele. 18Não procures vingança, nem guardes rancor aos teus compatriotas. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor”.
Evangelho: Mt 25,31-46
Naquele tempo, disse Jesus aos seusdiscípulos: 31“Quando o Filho do Homemvier emsuaglória, acompanhadode todos os anjos, então se assentará emseutronoglorioso. 32Todos os povosda terraserãoreunidos diante dele, e ele separará uns dos outros, assimcomoo pastor separa as ovelhasdos cabritos. 33E colocará as ovelhas à suadireita e os cabritosà suaesquerda. 34Então o Rei dirá aos queestiverem à suadireita: ‘Vinde benditos de meuPai! Recebei comoherança o ReinoquemeuPaivospreparou desde a criaçãodo mundo! 35Poiseu estava comfome e medestes de comer; euestava comsedee me destes de beber; eueraestrangeiro e merecebestes emcasa; 36eu estava nu e mevestistes; eu estava doentee cuidastes de mim; euestava na prisão e fostes mevisitar’. 37Entãoos justoslheperguntarão: ‘Senhor, quandofoi quetevimos comfomee tedemosde comer? Comsede e tedemos de beber? 38Quando foi quete vimos comoestrangeiroe te recebemos emcasa, e semroupa e tevestimos? 39Quando foi quete vimos doenteoupreso, e fomos tevisitar?’ 40Entãoo Reilhesresponderá: ‘Emverdadeeuvosdigo, que todas as vezesque fizestes issoa um dos menoresde meusirmãos, foi a mimqueo fizestes!’ 41Depois o Rei dirá aos queestiverem à suaesquerda: ‘Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogoeterno, preparadopara o diabo e para os seusanjos. 42Poiseu estava comfome e nãome destes de comer; euestava comsedee nãomedestes de beber; 43eueraestrangeiroe nãomerecebestes emcasa; eu estava nue nãomevestistes; eu estava doentee na prisão e nãofostes mevisitar’. 44E responderão tambémeles: ‘Senhor, quando foi quete vimos comfome, oucomsede, comoestrangeiro, ounu, doenteoupreso, e nãote servimos?’ 45Entãoo Reilhesresponderá: ‘Emverdadeeuvosdigo, todas as vezesquenãofizestes isso a umdesses pequeninos, foi a mimquenão o fizestes!’ 46Portanto, estes irão parao castigoeterno, enquanto os justosirão para a vidaeterna”.
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Somos chamados a Ser Santos Como Deus e a Ser Protetores Do Próximo
Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, Sou santo”, assim diz o Senhor para o povo de Israel através do legislador Moisés que lemos na Primeira Leitura de hoje.
Aqui não se trata somente de uma santidade ritual ou legal, mas trata-se da santidade moral, pois a maior parte das ordenações são do âmbito religioso e moral.
Depois do princípio da santidade de Deus, o legislador faz a enumeração dos preceitos morais. Em primeiro lugar, justiça com o próximo. O legislador proíbe o furto, cortando de raiz suas ocasiões ao proibir todo tipo de engano e falsidade com o próximo: “Não furteis, não digais mentiras, nem vos enganeis uns aos outros”. Também é condenada toda opressão violenta contra o próximo: “Não explores o teu próximo nem pratiques extorsão contra ele”. Em nome de Deus que sejam protegidos os pobres e débeis e por isso, é proibido maldizer o surdo e pôr obstáculos ao cego porque estes não podem contestar a sua conduta: “Não amaldiçoes o surdo, nem ponhas tropeço diante do cego, mas temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor”. Nem pode profanar o Nome de Deus através de um juramento falso: “Não jureis falso por meu nome, profanando o nome do Senhor teu Deus. Eu sou o Senhor”.
Em segundo lugar, a retidão e a caridade para o próximo. Contra toda acepção de pessoas é ordenado que pode favorecer a ninguém nem ao pobre, nem ao rico: “Não cometas injustiças no exercício da justiça; não favoreças o pobre nem prestigieis o poderoso. Julga teu próximo conforme a justiça”. A justiça é a base da ordem social, e por isso é inculcada a objetividade nas causas judiciais. O legislador acrescenta que não se deve difamar ninguém com vistas ao derramamento de sangue: “Não sejas um maldizente entre o teu povo. Não conspires, caluniando-o, contra a vida do teu próximo. Eu sou o Senhor”. E como base do sentido de justiça são proibidos os desejos adversos internos contra o próximo e é recomendada a correção fraterna: “Não tenhas no coração ódio contra teu irmão. Repreende o teu próximo, para não te tornares culpado de pecado por causa dele”. Os ódios reconcentrados no coração podem se transformar em explosões violentas contra o próximo. E por fim, o grande mandamento: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor”. Mas aqui “próximo” se refere ao israelita ou compatriota. No comentário rabínico se diz que “o próximo não é o samaritano, nem o estrangeiro, nem o prosélito”. É a interpretação que davam os judeus no tempo de Jesus. Na mensagem evangélica, o amor ao próximo é uma consequência e projeção do amor a Deus-Pai celeste que faz nascer o sol para os bons e maus e faz cair a chuva para os justos e injustos (Mt 5,43-48).
É interessante observar que se repete a frase como refrão: “Eu sou o Senhor”. Aqui Deus se faz como garantia, o Guardião, o Juiz da qualidade de nossas relações humanas. O fato de o homem explorar o outro homem, seu próximo, Deus fica indiferente, mas se encoleriza.
Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, Sou santo”. Entre homem e Deus há um certo laço. Deus não se desinteressa da conduta do homem. E Jesus dirá: “Sede perfeitos como vosso Pai é perfeito” (Mt 5,48).
“Roubo/Furto”, “Mentira”, “Exploração/Extorsão/Injustiça”, “Difamação/Calúnia”, “Maldição”, “Pedra de tropeço/Escândalo”, “Vingança/Guardar rancor”. Devo me deter em cada uma destas palavras. Qual é a minha forma de tratar o outro? Ajude-me, Senhor a amar sem cessar a todos.
O Amor Será o Critério De Nosso Julgamento Final
O texto do evangelho lido neste dia se encontra no quinto e o último discurso de Jesus no evangelho de Mateus chamado o Julgamento final (Mt 23-25). O evangelista Mateus quer nos recordar que o homem jamais se esquece de que um dia sua vida na história terminará. Um poeta espanhol escreveu: “Partimos, quando nascemos, caminhamos enquanto vivemos, e chegamos no momento em que morremos”. São Paulo nos adverte: “Todos nós teremos de comparecer manifestamente perante o tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba a retribuição do que tiver feito durante a sua vida no corpo, seja para o bem, seja para o mal” (2Cor 5,10; cf. Hb 9,27). Segundo São Paulo nós seremos julgados por Deus por aquilo que fizemos ou deixamos de fazer aqui neste mundo, durante a nossa história. E o critério de avaliação vai ser nosso amor para com os irmãos, para com todas as pessoas, principalmente para os necessitados (cf. 1Cor 13,1-13).
Sabendo do término de nossa caminhada um dia aqui neste mundo, o texto do evangelho deste diaé uma das páginasmaisincômodas de todo o evangelho. Uma das páginas do Evangelhoquesempretemos maismedoé a da parábola do “Juízofinal”. Trata-se do momentosupremo do homem, do momentoemque deverá prestarcontas ao seu Criador, porque todos Lhe pertencem e que Ele esteve presente na história de todos (cf. Mt 28,20; 25,40.45; 1Cor 3,16-17 etc.). Por isso, fala-se de condenação e de salvação, de bênção e maldição, de chamada e de repulsa: de eternidade.    Qualquerhomempode nãoencontrarDeusdurantea vida, masnão tem comoescapar do seupróximocomquem Jesus se identifica. O verdadeiropróximo é aqueleemcujocaminho eu me coloco e não apenas aquele que eu encontro no meu caminho. 
No julgamento final, Jesus nos revela um Deus que não se pode medir com os nossos cálculos matemáticos, legais ou rituais, um Deus que, apesar de ser o mais próximo de nós, também é o mais afastado porque Ele é o “diferente”, o “diverso”, o “outro”.
O critério usado no julgamento final é o AMOR ao próximo, de modo especial o bem feito aos pobres e marginalizados, pois o cerne da religião bíblica é a prática ou a vivência do amor. Todo o mais, por mais belo e importante que ele seja, como o conhecimento e a fé em Deus parecem ter valores apenas “parciais”. Mesmo o testemunho do sangue não significa nada em comparação com o amor ao próximo (cf. 1 Cor 13,1-13). Mas não se trata do bem, feito para atrair sobre si a bênção de Deus, ou com a esperança duma recompensa, servindo-se do próximo como instrumento da benevolência divina, mas trata-se do bem, feito ao homem pelo homem: o amor pelo amor. O ateu pode percorrer as ruas do mundo sem encontrar Deus, mas não pode deixar de cruzar-se com o seu próximo e com o próximo mais pobre, menos livre, mais oprimido, mais só. Jesus se identifica com eles.
No evangelhode hoje Jesus nosrecorda que no últimodia seremos julgados sobre o amor: “Todas as vezesquenãofizestes isso (caridade) a um desses pequeninos, foi a mimquenão o fizestes!”, diz o Senhor (Mt 25,45). Entreo homem e Deushá umcertolaço. Deusnão se desinteressa da conduta do homem.
As palavrasdo Senhor neste diadevem servir de examede consciênciasobreo estilo e a qualidadede nossas relaçõescomtodas as pessoasquetratamos: falta de caridade, mentira, agressão, falsidade, exploração, apatia, insensibilidadehumana e assimpordiante. Devemos nosdeteremcadauma destas palavras e nas outras semelhantes. E cadaum deve se perguntar: “Qual é o meuestilooumeumodode tratar os outros?”. Deus se faz juizda qualidade de nossas relaçõescom os outros, e nãoos comentárioshumanos.
Na Eucaristia, com os olhosda fé, nãonoscustamuitodescobrirCristopresenteno sacramento do pãoe do vinho. Masnoscustamuito descobrirmos Cristofora da Eucaristia, no sacramento do irmão. Masprecisamentea partir deste ânguloé que será feitaa perguntafinal, se descobrimos Cristo no irmãoounão. O Cristoque escutamos e querecebemos na Eucaristia é o mesmo a quemdevemos servir nas pessoascom as quaisnos encontramos duranteo dia.
Muitas vezes, e, sobretudo, emsituações de criseperguntamos: “Onde está Deus?”. Hoje, através do textode Mateus temos uma respostaclara: nosquesofrem, nospobres, nosenfermos, aindaquenão queiramos verporque é incômodo, desagradável.  Mascomprometer-se, conviver, procurarqualidadede vida, calor, não é issosersanto?
Se decidirmos realmenteseguir a Jesus, teremos queescolher o caminhoda vida. Optarpelavidaé viver na solidariedade, na compaixão, na caridade, no perdão… Masse escolhermos nossas ambições, o poder, a autossuficiência, etc., entãoestaremos escolher o caminhoda morteeterna.
Portanto, viver nãoé simplesmentesorrire simfazeralguémsorrir. Vivernão é medirajuda e simajudarsemmedida, poisDeus é o critério do bem. Vivernão é somenteajudar quem está próximo e simestarsemprepróximoparaajudar. Vivernão é somentedoarumpouco e simdoarsempre, pois nisto consiste a verdadeira vida. Vivernão é somente compadecer-se e simajudarmesmoqueporisso se torne incômodo. Viver não é somente chorar com quem chora e sim esforçar-se para levar alguém a viver a vida na alegria do Senhor. Viver não é somente doar algo para quem precisa e sim doar-se como dom de Deus para o outro. Viver é voltar aos tempos sagrados: Advento, Natal, Quaresma, Páscoa. Viver é voltar a uma devoção mais fervorosa, a uma resistência santa contra o mal, a um estilo de vida mais sincero e fraterno, a um culto mais puro em espirito e verdade, a uma comunhão mais profunda entre todos os que são chamados de cristãos.  Quemamanãosomente faz o quepode e sim faz atéo impossível, pois“Deus é amor” (1Jo 4,8.16) e “paraDeusnada é impossível” (Lc 1,37).
A quaresmaé o tempooportunopara praticar a solidariedade pela solidariedade, fazer o bem pelo bem. Dividir o que se tem com quem não tem nada para viver é uma das maneiras de viver a quaresma. Não basta fazer jejum. É preciso saber partilhar com o necessitado com quem Jesus se identifica. Não basta fazer a abstinência de carne para se controlar e sim doar a carne para quem necessita dela. O modo de amar, de abraçar, de aceitar o meu irmão mais pequeno e mais oprimido é uma participação evidente da intimidade mesma de Deus- Amor, um valor absoluto em si próprio. Tudo o que é amor já é de Deus. Um critério que servirá, então, para crentes e ateus será a lei do amor aos irmãos, escrito no interior de cada ser humano, impulso para o bem, a chamada à fraternidade. Porque alguém pode ter fé em Deus sem amar ao próximo e alguém pode se considerar ateu, mas sabe amar ao próximo.
O tempo da vida de cada um de nós neste mundo é o tempo ou momento de discernimento: cada indivíduo se revela como pertencente ao grupo das ovelhas ou ao grupo dos cabritos/cabras segundo a posição que assumiu em sua vida diante da mensagem de Jesus Cristo. Dai surge a separação efetuada pelo Pastor, Único que conhece as ações de cada um de nós em sua verdadeira profundidade.
Que no últimodia de nossavidaterrestrepossamos tirar uma notaboa neste examefinalde nossas relações e de nossotratamentoparacom os outros. O decisivoserá a atitude de amorou de indiferençaque fizemos comos irmãosmaispequenos: os famintos, sedentos, enfermos, encarcerados, imigrantes e assimpordiante. Revisarcomqueconsciêncianósatuamos é o próprio da Quaresma.
P. Vitus Gustama,SVD

Por que a Quaresma?

Desde os primórdios do Cristianismo a “Quaresma marcou para os cristãos um tempo de graça, oração, penitência e jejum, afim de obter a conversão”. Ela nos faz lembrar as palavras do Mestre divino: “Se não fizerdes penitência, todos perecereis” (Lc 13,3). Esses quarenta dias que precedem a Semana Santa, são colocados pela Igreja para que…

As tentações de Cristo e os três inimigos da alma

Nosso Senhor “ficou no deserto durante quarenta dias”, diz o Evangelho deste domingo, “e aí foi tentado por Satanás”. Jesus Cristo, indo para o deserto, venceu o mundo; jejuando, venceu a carne; e resistindo às tentações, venceu o demônio. Nesta homilia, Padre Paulo Ricardo faz uma importante meditação sobre essas três vitórias de Cristo, mediante as quais recebemos a graça para enfrentar a “quaresma” desta vida e vencermos, também nós, os inimigos de nossa salvação eterna.

Maria, compadecida de Cristo e de nós

773 frame

Aos pés da Cruz, Nossa Senhora se compadece não só dos sofrimentos de seu divino Filho, mas também dos nossos, “crucificados” que estamos pelo pecado e pela dureza de nossos corações.

Livre Acesso


O Tempo Quaresmal se iniciou e estamos caminhando provavelmente, com aquele desejo forte de cumprir os propósitos penitenciais e de oração feitos diante de Deus. Vivendo-os não apenas como práticas religiosas temporais, mas como uma busca de um profundo relacionamento com o Deus vivo que nos conduz ao deserto quaresmal para falar ao nosso coração. (Cf Os 2,16).   
         
As ações quaresmais precisam gerar frutos, é próprio de uma ação de fé gerar amor a ponto de semeá-lo em outros corações. A pessoa penitente consegue por ação da graça divina, gerar em si, pouco a pouco, um coração caridoso e orante, que sabe renunciar-se e tudo faz não por vaidade, mas pelo amor Deus que primeiro o alcançou.

Resultado de imagem para livre acesso DeusÉ tempo de conversão, tempo oportuno de se diminuir e dar livre acesso ao Senhor para que Ele entre e faça morada. Muitos poderão dizer: “mas a conversão de deve ser todo dia independente da Quaresma”. É uma fala compreensível, mas não completa. A Santa Mãe Igreja nos ensina a viver cada Tempo Litúrgico, cada qual com sua beleza, objetivo e riqueza.


O Tempo Litúrgico não são memórias meramente repetidas, pelo mistério da fé somos chamados a viver em nosso tempo tudo o que Jesus viveu, a liturgia atualiza o mistério de Cristo, torna-o presente. Viver esse tempo da salvação é assumir a nossa cruz e completar na carne o que faltou nas tribulações de Cristo, por Seu corpo que é a Igreja. (conf. Col1,24).

Que nesse breve tempo, você possa dar  livre acesso ao Senhor, no hoje de sua vida, permitindo que Sua Palavra te toque. Seja esse um período de dar tudo o que se tem, tempo de renunciar a si próprio, de fidelidade, obediência a Deus e de amor ao próximo. Pois a conversão acontece quando  Deus tem caminho livre ao nosso coração, quando somos terra boa a semente da palavra.  

Quaresma, uma renovação do nosso Batismo

A sagrada familia e santo agostinho

Queridos irmãos e irmãs,

Na Quarta-feira de Cinzas que hoje celebramos, para nós, cristãos, é um dia particular, caracterizado por um intenso espírito de recolhimento e de reflexão. De fato, empreendemos o caminho da Quaresma feito de escuta da Palavra de Deus, de oração e de penitência. São quarenta dias durante os quais a liturgia nos ajudará a reviver as fases salientes do mistério da salvação.

Como sabemos, o homem tinha sido criado para ser amigo de Deus. Mas o pecado dos antepassados interrompeu esta relação de confiança e de amor e como consequência tornou a humanidade incapaz de realizar a sua vocação originária. Mas graças ao sacrifício redentor de Cristo fomos resgatados do poder do mal: de fato Cristo, escreve o apóstolo João, fez-se vítima de expiação pelos nossos pecados (cf. 1Jo 2, 2); e São Pedro acrescenta: Ele morreu de uma vez para sempre pelos pecados (cf. 1Pd 3, 18).

Morto em Cristo para o pecado, também o batizado renasce para a vida nova, restabelecido gratuitamente na dignidade de filho de Deus. Por isso na comunidade cristã primitiva o Batismo era considerado como “a primeira ressurreição” (cf. Ap 20, 5; Rm 6, 1-11; Jo 5, 25-28). Portanto, desde as origens a Quaresma é vivida como o tempo da preparação imediata para o Batismo, a ser administrado solenemente durante a Vigília pascal. Toda a Quaresma é um caminho para este grande encontro com Cristo, esta imersão em Cristo e este renovamento da vida.

Nós já somos batizados, mas o Batismo com frequência não é muito eficaz na nossa vida quotidiana. Por isso, também para nós a Quaresma é um renovado “catecumenado” no qual vamos de novo ao encontro do nosso Batismo para o redescobrir e reviver em profundidade, para nos tornarmos de novo realmente cristãos. Portanto, a Quaresma é uma ocasião para “nos tornarmos de novo” cristãos, mediante um constante processo de mudança interior e de progresso no conhecimento e no amor de Cristo.

“A Sagrada Família e Santo Agostinho”, de Antonio Viladomat y Manalt.

A conversão nunca é de uma vez para sempre, mas é um processo, um caminho interior de toda a nossa vida. Este itinerário de conversão evangélica certamente não pode limitar-se a um período particular do ano: é um caminho de cada dia, que deve abraçar toda a existência, todos os dias da nossa vida. Nesta ótica, para cada cristão e para todas as comunidades eclesiais, a Quaresma é a estação espiritual propícia para se treinar com maior tenacidade na busca de Deus, abrindo o coração a Cristo.

Santo Agostinho certa vez disse que a nossa vida é uma única prática do desejo de nos aproximarmos de Deus, de nos tornarmos capazes de deixar entrar Deus no nosso ser: “Toda a vida do cristão fervoroso”, ele diz, “é um santo desejo”. Se é assim, na Quaresma somos estimulados ainda mais a arrancar “aos nossos desejos as raízes da vaidade” para educar o coração a desejar, isto é, a amar Deus. “Deus: — diz ainda Santo Agostinho — estas duas sílabas são tudo o que desejamos” (cf. Tract. in Iohn., 4). Esperamos que realmente comecemos a desejar Deus, e assim a desejar a verdadeira vida, o próprio amor e a verdade.

Ressoa então oportuna como nunca a exortação de Jesus, escrita pelo evangelista Marcos: “Convertei-vos e acreditai no Evangelho” (Mc 1, 15). O desejo sincero de Deus leva-nos a rejeitar o mal e a realizar o bem. Esta conversão do coração é antes de tudo dom gratuito de Deus, que nos criou para si e em Jesus Cristo nos redimiu: a nossa verdadeira felicidade consiste em permanecer n’Ele (cf. Jo 15, 3). Por esta razão Ele mesmo previne com a sua graça o nosso desejo e acompanha os nossos esforços de conversão.

O que é converter-se, na realidade? Converter-se significa procurar Deus, estar com Deus, seguir docilmente os ensinamentos do seu Filho, de Jesus Cristo; converter-se não é um esforço para se autorrealizar a si mesmo, porque o ser humano não é o arquiteto do próprio destino eterno. Não fomos nós que nos fizemos. Por isso a autorrealização é uma contradição e é também demasiado pouco para nós. Temos um destino mais nobre.

Poderíamos dizer que a conversão consiste precisamente em não se considerar “criadores” de si mesmos e assim descobrir a verdade, porque não somos autores de nós próprios. A conversão consiste em aceitar livremente e com amor de depender em tudo de Deus, o nosso verdadeiro Criador, de depender do amor. Esta não é uma dependência mas liberdade.

Converter-se significa então não perseguir o nosso sucesso pessoal que é passageiro mas, abandonando qualquer segurança humana, pôr-se com simplicidade e confiança no seguimento do Senhor para que Jesus se torne para todos, como gostava de repetir a beata Teresa de Calcutá, “o meu tudo em tudo”. Quem se deixar conquistar por Ele não teme perder a própria vida, porque na Cruz Ele amou-nos e entregou-se a si mesmo por nós. E precisamente perdendo por amor a nossa vida nós a reencontramos.

Quis realçar o amor imenso que Deus tem por nós na mensagem para a Quaresma, publicada há poucos dias, para que os cristãos de todas as comunidades possam deter-se espiritualmente, durante o tempo quaresmal, com Maria e João, o discípulo predileto, ao lado d’Aquele que consumiu na Cruz pela humanidade o sacrifício da sua vida (cf. Jo 19, 25).

Sim, queridos irmãos e irmãs, a Cruz é a revelação definitiva do amor e da misericórdia divina também para nós, homens e mulheres desta nossa época, muitas vezes distraídos por preocupações e interesses terrenos e momentâneos. Deus é amor, e o seu amor é o segredo da nossa felicidade. Mas para entrar neste mistério de amor não há outro caminho a não ser o de nos perdermos, de nos doarmos, o caminho da Cruz. “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8, 34).

Eis por que a liturgia quaresmal, enquanto nos convida a refletir e a rezar, nos estimula a valorizar em maior medida a plenitude e o sacrifício, para rejeitar o pecado e o mal e vencer o egoísmo e a indiferença. A oração, o jejum e a penitência, as obras de caridade para com os irmãos tornam-se assim caminhos espirituais a serem percorridos para regressar a Deus, em resposta às repetidas chamadas à conversão contidas também na liturgia hodierna (cf. Gl 2, 12-13; Mt 6, 16-18).

Queridos irmãos e irmãs, o período quaresmal, que hoje empreendemos com o austero e significativo rito da imposição das Cinzas, seja para todos uma renovada experiência do amor misericordioso de Cristo, que derramou na Cruz o seu sangue por nós. Coloquemo-nos docilmente na sua escola, para aprender a “doar de novo”, por nossa vez, o seu amor ao próximo, especialmente a quantos sofrem e se encontram em dificuldade. É esta a missão de cada discípulo de Cristo, mas para a realizar é necessário permanecer à escuta da sua Palavra e alimentar-se assiduamente do seu Corpo e do seu Sangue.

O itinerário quaresmal, que na Igreja antiga é itinerário para a iniciação cristã, para o Batismo e para a Eucaristia, seja para nós batizados um tempo “eucarístico” no qual participar com maior fervor no sacrifício da Eucaristia. A Virgem Maria, que depois de ter partilhado a paixão dolorosa do seu divino Filho, experimentou a alegria da sua ressurreição, nos acompanhe nesta Quaresma rumo ao mistério da Páscoa, revelação suprema do amor de Deus.

Boa Quaresma a todos!

Os leigos são também “sacerdotes”?

Sacerdotes centro

Nos últimos tempos, uma das questões que tem gerado mais dúvidas e mal-entendidos entre os fiéis diz respeito ao chamado sacerdócio comum. Há quem pense tratar-se de pura e simples “novidade”, introduzida em tempos recentes como algo totalmente estranho ao conteúdo da sagrada Tradição; outros, pelo contrário, interpretando de forma indevida e exagerada os documentos eclesiásticos em que se fala do assunto, pretendem atribuir aos leigos poderes e prerrogativas que eles, na verdade, jamais exerceram em toda a história da Igreja.

A fim de esclarecer o verdadeiro alcance da expressão “sacerdócio comum dos fiéis”, conforme o sentido autêntico que lhe dá a Igreja, convém transcrever aqui algumas páginas cristalinas em que o Pe. Antonio Royo Marín [1] explica de modo mais do que transparente este tema controvertido, que, longe de ser um detalhe marginal dentro da doutrina católica, tem grandes repercussões práticas na vida espiritual de todos os batizados.

As explicações seguintes servem, antes de tudo, para pôr em relevo o que, no fundo, já está dito com todas as letras no próprio Catecismo da Igreja Católica (cf. n. 1591s), a saber: o sacerdócio comum e ministerial, embora constituam duas participações no único sacerdócio de Cristo, são distintos não apenas em grau, mas essencialmente.


Um princípio teológico fecundíssimo ensina que tudo o que há em Jesus Cristo como cabeça do Corpo místico existe também, proporcionalmente, nos membros desse mesmo corpo, contanto que se trate de perfeições comunicáveis.

Em Jesus Cristo, com efeito, há duas classes de perfeições muito distintas entre si:

  • umas lhe são de tal maneira próprias e exclusivas que são, em si mesmas, incomunicáveis aos demais; tais são, por exemplo, a união hipostática e a plenitude absoluta de graça;
  • e outras que são, por sua própria natureza, comunicáveis aos membros de seu Corpo místico e estão em Cristo como cabeça ou origem primária da qual derivam para os demais; tais são, principalmente, a graça santificante, as virtudes infusas e os dons do Espírito Santo.

A este segundo grupo de graças pertence o seu sacerdócio. Cristo o possui em toda a sua plenitude absoluta e, neste sentido, o sacerdócio lhe é próprio e exclusivo; mas Ele pode comunicar (e de fato comunica) a seus membros uma participação verdadeira e real do seu próprio sacerdócio, ainda que em graus muito diferentes de intensidade e perfeição.

Essa participação do seu sacerdócio constitui a essência mesma do chamado caráter sacramental, que, como se sabe, é como uma marca ou selo indelével que imprimem na alma três dos sete sacramentos instituídos pelo próprio Cristo: o Batismo, a Confirmação e a Ordem sacerdotal.

Por conseguinte, todo aquele que recebe um sacramento que imprime caráter participa, por isso mesmo, do sacerdócio de Jesus Cristo. Essa participação:

  • começa com o caráter do Batismo;
  • aperfeiçoa-se com o da Confirmação;
  • e chega à máxima plenitude que pode alcançar em nós com o caráter do sacramento da Ordem.

De maneira que não é nenhum erro nem sequer um “piedoso exagero” falar de um sacerdócio dos fiéis, não em sentido metafórico, mas num sentido muito real e verdadeiro. O caráter batismal e o da Confirmação conferem aos simples fiéis uma participação muito real e verdadeira do sacerdócio de Jesus Cristo em sentido próprio.

É claro que é preciso entender retamente o verdadeiro alcance desta participação para não incorrer em lamentáveis equívocos e extravios. Existe um abismo entre a participação do sacerdócio de Cristo que recebem todos os fiéis, pelo fato de estarem batizados e confirmados, e a do ministro de Jesus Cristo, que recebeu, além disso, o sacramento da Ordem sacerdotal.

Vamos expor a seguir, com toda precisão e cuidado, numa série de conclusões, o que pertence a um e a outro sacerdócio.

Em primeiro lugar, é falso e herético dizer que todos os cristãos são sacerdotes no mesmo sentido em que o são os que receberam devidamente o sacramento da Ordem.

Esta conclusão consta expressamente das declarações do Concílio de Trento contra os reformadores protestantes, que afirmavam semelhante disparate.

No entanto, os simples fiéis recebem, sim, uma participação verdadeira e real do sacerdócio de Jesus Cristo em virtude do caráter do Batismo e da Confirmação.

Esta conclusão consta claramente dos lugares teológicos tradicionais. Eis aqui as provas.

a) A Sagrada Escritura. — Os textos alusivos ao sacerdócio de todo o povo fiel são abundantíssimos. Já no Antigo Testamento se vai insinuando progressivamente esta sublime realidade, cuja plena revelação estava reservada para a lei evangélica. Oferecemos a seguir uma seleção de textos extraídos dos dois Testamentos bíblicos.

Ao promulgar a Lei no Sinai, Deus disse ao povo por boca de Moisés:

Agora, pois, se obedecerdes à minha voz, e guardardes minha aliança, sereis o meu povo particular entre todos os povos. Toda a terra é minha, mas vós me sereis um reino de sacerdotes e uma nação consagrada. Tais são as palavras que dirás aos israelitas (Ex 19, 5-6).

O profeta Isaías renova esta promessa, aplicando-a aos tempos messiânicos:

O espírito do Senhor repousa sobre mim, porque o Senhor consagrou-me pela unção […]; virão estrangeiros apascentar vosso gado miúdo, gente de fora vos servirá de lavradores e vinhateiros; a vós chamar-vos-ão sacerdotes do Senhor, de ministros de nosso Deus sereis qualificados (Is 61, 1-6).

O Apóstolo São Pedro escreve taxativamente em sua primeira epístola dirigindo-se a todos os cristãos:

[…] quais outras pedras vivas, vós também vos tornais os materiais deste edifício espiritual, um sacerdócio santo, para oferecer vítimas espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo (1Pd 2, 5).

E um pouco mais abaixo:

Vós, porém, sois uma raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa, um povo adquirido para Deus, a fim de que publiqueis as virtudes daquele que das trevas vos chamou à sua luz maravilhosa (1Pd 2, 9).

São Paulo alude claramente ao sacerdócio dos fiéis, sobretudo quando os exorta a se oferecerem a Deus em sacrifício:

Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual (Rm 12, 1).

São João insiste repetidas vezes no Apocalipse:

[…] da parte de Jesus Cristo […],  que nos ama, que nos lavou de nossos pecados no seu sangue e que fez de nós um reino de sacerdotes para Deus e seu Pai (Ap 1, 5-6).

Cantavam um cântico novo, dizendo: Tu és digno de receber o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste imolado e resgataste para Deus, ao preço de teu sangue, homens de toda tribo, língua, povo e raça; e deles fizeste para nosso Deus um reino de sacerdotes, que reinam sobre a terra (Ap 5, 9-10).

Na Sagrada Escritura, portanto, se encontra claramente expressa a doutrina do sacerdócio real dos simples fiéis.

b) Os Santos Padres. — É muito frequente nos Santos Padres a alusão ao sacerdócio dos fiéis. Eis aqui, a título de exemplo, um texto muito expressivo de São Leão Magno dirigindo-se ao povo de Roma por ocasião do aniversário de sua eleição papal:

Tendes motivos para celebrar este aniversário se fosse vosso. Porque, embora a Igreja de Deus esteja constituída por diversos graus, a integridade de seu sagrado corpo resulta da união de todos os seus membros. Como diz o Apóstolo, “todos somos um em Cristo” (Gl 3, 28), e não há um só membro tão separado do ofício de outro que não esteja unido com ele na unidade da cabeça.

Na unidade da fé e do Batismo formamos uma sociedade indivisível e participamos todos de uma comum dignidade, conforme aquelas palavras do Apóstolo São Pedro: “Quais outras pedras vivas, vós também vos tornais os materiais deste edifício espiritual, um sacerdócio santo, para oferecer vítimas espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo”. E pouco depois: “Vós, porém, sois uma raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa, um povo adquirido” (1Pd 2, 5 e 9).

Porque a todos os regenerados em Cristo, o sinal da cruz os faz reis, e a unção do Espírito Santo os consagra sacerdotes, para que, à parte este especial serviço de nosso ministério (sua dignidade papal), todos os cristãos espirituais e razoáveis saibam ser de régia dignidade e partícipes do ofício sacerdotal.

De fato, o que há de mais régio do que, tendo a alma submetida a Deus, ser governante do próprio corpo? E que outra coisa é mais sacerdotal do que oferecer a Deus uma consciência pura e oferecer no altar do coração as hóstias imaculadas da piedade?

E sendo tudo isso, pela graça de Deus, comum a todos, é justo e razoável que vos alegreis no dia de nossa eleição como se se tratasse de vossa própria honra. Com efeito, em todo o corpo da Igreja não existe mais do que um só pontificado (o de Cristo), cuja graça misteriosa, embora se derrame com maior abundância sobre os membros superiores (o Papa, os bispos, os sacerdotes), nem por isso deixa de fluir sem parcimônia até os membros inferiores [2].

c) O Magistério da Igreja. — O ensinamento oficial da Igreja a respeito do sacerdócio dos fiéis foi exposto com extraordinária precisão e claridade em nossos dias pelos imortais pontífices Pio XI e Pio XII. Vejamos alguns textos.

Pio XI, em sua Encíclica Miserentissimus Redemptor, escreve [3]:

Não gozam da participação deste misterioso sacerdócio e deste ofício de satisfazer e sacrificar somente aqueles de quem Nosso Senhor se serve para oferecer a Deus a oblação imaculada, do nascente ao poente em todo lugar (cf. Ml 1, 11), senão que toda a família cristã, chamada com razão pelo Príncipe dos Apóstolos “raça escolhida, um sacerdócio régio” (1Pd 2, 9), deve, tanto por si mesma como por todo o gênero humano, oferecer sacrifícios pelos pecados, quase da mesma maneira que todo sacerdote e pontífice, “escolhido entre os homens e constituído a favor dos homens como mediador nas coisas que dizem respeito a Deus” (Hb 5, 1).

Pio XII, em sua magnífica Encíclica Mediator Dei, expõe amplamente a natureza do sacerdócio dos fiéis, rechaçando as imprecisões e exageros que sobre ele vêm-se difundido ultimamente e proclamando com rigor e exatitude a doutrina verdadeira. Transcrevemos alguns parágrafos particularmente representativos [4]:

Com clareza não menor, os ritos e as orações do sacrifício eucarístico significam e demonstram que a oblação da vítima é feita pelos sacerdotes em união com o povo.

De fato, não somente o sagrado ministro, depois da oferta do pão e do vinho, voltado para o povo diz explicitamente: “Orai, irmãos, para que o meu e o vosso sacrifício sejam aceitos junto a Deus-Pai onipotente”, mas ainda as orações com as quais é oferecida a vítima divina são, além do mais, ditas no plural, e nelas se indica que também o povo toma parte como ofertante neste augusto sacrifício.

Diz-se, por exemplo: “Pelos quais nós te oferecemos, e que eles mesmos te oferecem… Por isso te suplicamos, ó Senhor, aceitar aplacado esta oferta dos teus servos e de toda a tua família… Nós, teus servos, como ainda o teu povo santo, oferecemos à tua excelsa majestade os dons e dádivas que tu mesmo nos deste, a hóstia pura, a hóstia santa, a hóstia imaculada”.

Nem é de admirar que os fiéis sejam elevados a uma tal dignidade. Com a água do Batismo, com efeito, os cristãos se tornam, a título comum, membros do Corpo místico de Cristo sacerdote, e, por meio do caráter que se imprime nas suas almas, são delegados ao culto divino, participando, assim, de modo condizente ao próprio estado, do sacerdócio de Cristo.

d) A razão teológica. — Pio XII destacou com toda precisão no texto que acabamos de citar a razão teológica fundamental do sacerdócio dos fiéis: o caráter sacramental do Batismo, completado pelo caráter do sacramento da Confirmação [5].

Com efeito, como explica Santo Tomás e é doutrina comum em teologia, o caráter sacramental não é outra coisa que um sinal ou um distintivo que fica impresso na alma de maneira indelével e que nos configura a Cristo sacerdote, dando-nos uma participação física e formal do seu próprio sacerdócio eterno. Escutemos o Doutor Angélico:

O caráter é, de modo geral, um certo selo com que se marca uma pessoa com o fim de ordená-la a um determinado fim, assim como se marca o dinheiro, para usá-lo no câmbio, ou o soldado, para associá-lo ao batalhão.

Pois bem, o cristão está destinado a duas coisas. A primeira e principal é a fruição da glória eterna, e para isto ele é marcado com o selo da graça. A segunda é receber ou administrar às outras pessoas as coisas que pertencem ao culto de Deus, e para isto ele é marcado com o caráter sacramental.

Ora, todos os ritos da religião cristã derivam do sacerdócio de Cristo. Por isso, é claro e evidente que o caráter sacramental é o caráter de Cristo, a cujo sacerdócio se configuram os fiéis segundo os caracteres sacramentais, que não são outra coisa que certas participações do sacerdócio de Cristo derivadas do mesmo Cristo [6].

Esta participação no sacerdócio de Cristo começa com o simples caráter batismal, é ampliado e aperfeiçoado com o da Confirmação e chega à sua plena perfeição com o da Ordem sagrada. Com relação à Igreja, o batismo nos faz cidadãos seus; a Confirmação, soldados; a ordem sacerdotal, ministros. Com relação à fé, o batizado a professa, o confirmado a defende e o sacerdote ordena as coisas que lhe dizem respeito.


No próximo artigo, veremos com mais detalhe quais são os atos e funções que competem ao sacerdócio comum dos fiéis, por contraposição ao que é próprio e exclusivo da sacerdócio sagrado e ministerial dos padres e dos bispos.

Como devo praticar o meu jejum quaresmal?

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Para jejuar, é preciso ficar sem comer em absoluto? Por que, quando nos abstemos de carne, está liberado comer peixe? Nesta homilia, Padre Paulo Ricardo explica, através de dicas práticas, com que espírito se devem cumprir as penitências e os propósitos da Quaresma.