Mês: janeiro 2018

É PRECISO CAMINHAR 2018-01-31 20:11:00

Domingo,04/02/2018
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SOMOS CHAMADOS A LEVANTAR E A SERVIR OS DEMAIS
V Domingo Do Tempo Comum “B”
Primeira Leitura: Jó 7,1-4.6-7
Jó disse: 1“Não é acaso uma luta a vida do homem sobre a terra? Seus dias não são como dias de um mercenário? 2Como um escravo suspira pela sombra, como um assalariado aguarda sua paga, 3assim tive por ganho meses de decepção, e couberam-me noites de sofrimento. 4Se me deito, penso: Quando poderei levantar-me? E, ao amanhecer, espero novamente a tarde e me encho de sofrimentos até ao anoitecer. 6Meus dias correm mais rápido do que a lançadeira do tear e se consomem sem esperança. 7Lembra-te de que minha vida é apenas um sopro e meus olhos não voltarão a ver a felicidade!
Segunda Leitura: 1Cor 9,16-19.22-23
Irmãos: 16Pregar o Evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade para mim, uma imposição. Ai de mim se eu não pregar o Evangelho! 17Se eu exercesse minha função de pregador por iniciativa própria, eu teria direito a salário. Mas, como a iniciativa não é minha, trata-se de um encargo que me foi confiado. 18Em que consiste, então, o meu salário? Em pregar o Evangelho, oferecendo-o de graça, sem usar os direitos que o Evangelho me dá. 19Assim, livre em relação a todos, eu me tornei escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível. 22Com os fracos, eu me fiz fraco, para ganhar os fracos. Com todos, eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns. 23Por causa do Evangelho eu faço tudo, para ter parte nele.
Evangelho: Mc 1,29-39
Naquele tempo, 29 Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André. 30 A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus. 31 E ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se. Então, a febre desapareceu; e ela começou a servi-los. 32 À tarde, depois do pôr do sol, levaram a Jesus todos os doentes e os possuídos pelo demônio. 33 A cidade inteira se reuniu em frente da casa. 34 Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças e expulsou muitos demônios. E não deixava que os demônios falassem, pois sabiam quem ele era. 35 De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto. 36 Simão e seus companheiros foram à procura de Jesus. 37 Quando o encontraram, disseram: “Todos estão te procurando”. 38 Jesus respondeu: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim”. 39 E andava por toda a Galileia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios.
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No evangelho do domingo anterio lemos que Jesus curou uma pessoa dominada pelo espirito mau num sábado na sinagoga (Mc 1, 21-27). Hoje ele entra na Casa de Simão, cura e come, cura as pessoas á porta da casa e sai para outro lugar. Trata-se de um caminho exemplar em três partes: (1) Em plena luz do dia, ele entra na casa de Simão e cura a sogra, que os serve, aparecendo bem como a primeira verdadeira seguidora de Jesus. (2) No início da noite, ele sai à porta da casa e cura todos os enfermos e possessos que se aproximam dele, implorando por ajuda. (3) No amanhecer no dia seguinte, ele sai para o campo aberto para orar e começa uma jornada do evangelho através de todas as aldeias vizinhas, contra Simon que queria fazer dele um curandeiro a seu serviço, diante de sua casa.
1. Somos Levantados e Chamados Por Jesus Para Servir Os Demais: A Cura em Casa
Depois da cura do endemoninhado na Sinagoga de Cafarnaum (veja o 4º Domingo) que é o primeiro milagre de Jesus segundo Marcos, o evangelista narra como o segundo milagre, no fim do primeiro dia de atividade de Jesus, a cura da febre da sogra de Simão na intimidade de uma casa (não mais na sinagoga). Isto nos mostra que Jesus é o libertador tanto para o ambiente oficial (sinagoga, onde se encontra o endemoninhado) como para os ambientes privados (casa, onde se encontra a sogra de Simão).
A casa onde acontece a cura da sogra de Simão não significa apenas como lugar de moradia ou centro produtivo (onde se fabrica o pão, o azeite, o vinho, manteiga, queijo etc.), mas principalmente, neste caso, como símbolo de um novo sistema de relações de convivência oposto ao espaço oficial simbolizado pela sinagoga. A casa, aqui, simboliza um sistema de convivência alternativa, onde as pessoas têm posse de sua própria vida, e onde existem relações imediatas sem nenhuma formalidade, pois todos se sentem à vontade, e em casa todos têm o domínio sobre o próprio espaço. Em casa todos tem seu nome e cada membro é chamado pelo nome e não pelo título.
A família e o lar são nosso ninho, o centro de nossa vida, o eixe do qual se prolongam todas as experiências cotidianas. Seja quando crianças ou adultos, nosso lar e nossa família são onde devemos nos sentir mais confortáveis no mundo. Um lar saudável é um ingrediente vital na busca de uma vida significativa. É no lar que aprendemos a sobreviver e a ser produtivos, a trabalhar e a brincar. Precisamente, Jesus quer entrar no espaço de nosso lar, pois com a presença do Senhor tudo se ilumina e acabaremos enxergando o que não está em bom funcionamento dentro de nosso lar. A presença do Senhor no nosso lar é uma presença curativa e libertadora. Quando o Senhor se tornar membro permanente de nosso lar, a família brilhará, em consequência, para fora dela, iluminando outros lares ao redor.
Faz parte da missão é congregar as pessas (formar família) em torno do Senhor para criar uma comunidade cristã em que Jesus é a cabeça da comunidade (Cl 1,18). É preciso combater o poder do mal que aliena e desune as pessoas.
A sogra de Pedro se encontra com a febre. Para os antigos, as doenças e principalmente a febre eram obra do demônio ou de origem demoníaca (cf. Lc 13,11-16), que suga a saúde das pessoas que resulta na diminuição da capacidade de viver e de usufruir a vida na sua plenitude (“está de cama”, prostrada). Por isso, Jesus expulsa a febre como se expulsasse o demônio (cf. Lc 4,39), o mesmo termo que se usa em Mc 1,25. No v. 31 diz-se que “a febre a deixou”. É uma frase que poderia ser entendida como “o demônio da febre foi embora”.
No relato da cura não se narra gestos mágicos de Jesus como ordenar a saída do demônio (Mc 1,25). Jesus se mostra, aqui, solidário com a humanidade sofrida: ele se aproxima, abaixa-se, tomar a mão da mulher e fá-la levantar-se. A força da solidariedade sempre causa o reerguimento de quem estiver prostrado sobre o peso de problemas da vida.
O relato sublinha também o uso de determinados termos que para Marcos têm significado próprio, como “tomar pela mão” e “fazer levantar”. Estas duas expressões são usadas em cenas de ressurreição. O termo “levantar-se” (o verbo em grego “egeiro”, “levantar” também significa “ressurgir da morte”, cf. Mc 14,28; 12,26) aparecerá também na cura do paralítico (Mc 2,9-11) e na do cego de Jericó (Mc 10,49). E o mesmo termo será usado no anúncio da ressurreição do próprio Jesus (Mc 16,6). Em outras palavras, o gesto de Jesus de levantar a sogra de Simão antecipa a vitória de Jesus sobre a morte. A expressão “tomar pela mão” também tem um significado como um gesto típico da salvação de Deus quando resolve levantar o seu povo abatido (cf. Is 41,13;42,6;45,1; Sl 73,23-24).
Jesus ajuda a sogra de Simão a se levantar que a impedia de servir, pois, de fato, logo depois, “ela se pôs a servi-los” (v.31b). Isto significa que a sogra de Simão, mulher ressuscitada, vai começar a fazer parte da casa de Jesus ou do grupo dos seus discípulos. Aqui a sogra de Simão que foi curada representa todos os pequeninos levantados por Jesus (a mulher era desvalorizada).
Seguir Jesus, neste sentido, significa servir e não dominar nem alienar. O Reino de Deus é, certamente, caracterizado por um amor serviçal. O serviço é a atitude característica de quem segue a Jesus. Cada pessoa é levantada por Jesus para se integrar à comunidade de servidores. O serviço constitui a identidade cristã (cf. Rm 12,9-13; Gl 5,13; Fl 2,5-7; Ef 5,21). E Jesus vai educando ou ensinando os discípulos lentamente a viver esse novo caminho de vida (cf. Mc 9,35;10,43-45). E o próprio Jesus se propõe como modelo (cf. Mc 10,45; Lc 12,37; Jo 13,1-17). Nós acolhemos o Reino de Deus quando colocamos a nossa vida a serviço dos demais (cf. Mc 9,33-35). Mas quando se fala do serviço não se trata do serviço escravo, que degrada a pessoa. Trata-se do serviço fraterno, expressão de amor. O amor é que dá dignidade ao serviço.
A comunidade cristã primitiva não estava interessada nos milagres de Jesus meramente como fatos extraordinários. Eles são uma manifestação do poder de Deus que se atua em Jesus e ao mesmo tempo, são uma proclamação da plenitude do tempo (cf. Mc 1,15). O poder de Jesus proclama a realidade presente do Reino de Deus (cf. At 2,22). Eles acreditam que Jesus é o Salvador e que através das obras de sua vida terrena, ele antecipa as realidades divinas comunicadas aos fiéis. Entendido desta maneira, o relato se torna um retrato simbólico para os fiéis onde eles, antes, se prostravam sob o poder do pecado, mas agora são levantados por Jesus, e são chamados a servi-lo (v.31). Faz parte da missão é a preocupação com os doentes, com os necessitados, com os excluídos para que possam se levantar e voltar a prestar serviço aos demais.
2. A Cura Diante Da Casa, À Porta Da Casa
A segunda parte tem um gênero literário típico conhecido como “sumário”. Este gênero pode encontrar-se em outras partes deste evangelho (cf. Mc 1,14-15;3,7-12;6,6b; veja também At 2,42-47;4,32-37;5,12-16).
Frente à Sinagoga dos “endemoninhados” (veja o evangelho do IV Domingo) surge aqui a Igreja que está à porta da cas de Simão onde, em plena rua, ao anoitecer, se junta a multidão daqueles que querem escutar e ser curados. O povo do entorno vem trazendo diante da casa de Simão seus enfermos para que Jesus os cure (Mc 1,32-34), pois são muitos os que continuam oprimidos pelo mal, endemoninhados. Precisamente, quando acaba o Sábado judaico do culto e o descanso religioso que não conseguiram curar os doentes, o tempo messianico da cura pode começar para os pobres.
Este é, sem dúvida, um texto irônico. É como se tivésse de esperar o fim do tempo da religião (sábado sagrado) para receber o dom de Deus (a cura feita por Jesus, o Cristo). Diante da porta da casa de Simão, as multidões da cidade, no verdadeiro culto da miséria (estão trazendo os doentes e possuídos pelo demônio) esperam ouvir a palavra de esperança e de cura de Jesus.
O espaço que está diante da casa de Simão se converte em uma espécie de Igreja domestica, onde se reúnem os cristaos de Cafarnaum. Para os leitores de Marcos, que celebravam seu culto em Igrejas domésticas (cf. Mc 2,1-2.15; 3,20 etc.) são muito importantes: mostram a forma em que Jesus manifestou seu poder nas casas (ante as casas) durante o tempo de seu ministério público. Da mesma maneira Jesus se manifesta hoje em dia, nas casas, através de sua presença continuada nas pequenas comunidades cristãs.
Temos passado, então, da Sinagoga (em Mc 1,21-28) para a casa de Simão, isto é, para a Igreja domestica, vinculada à casa (em Mc 1,29-34).
A população se aglomera diante da casa e não diante da sinagoga. Ali, diante da porta da casa de Simão onde Jesus curou a sogra, se amontoam as pessoas, esperando as curas feitas por Jesus. Quando Marcos descreve essas curas, ele acrescenta que Jesus não permite que os demônios falem “porque sabiam quem ele era”. Jesus não quer propaganda, não quer que os endemoninhados revelem Sua glória. Jesus quer curar, em gesto silencioso de amor, em gesto forte de serviço. “O bem não faz barulho e o barulho não não faz bem”, dizia o Papa Paulo VI.
Além disso, esta ordem de calar os demônios tem por finalidade de alertar o povo/leitor para que não faça um conclusão apressada ou precipitada sobre a verdadeira identidade de Jesus antes de sua manifestação definitiva: a morte e a ressurreição. Esta ordem também quer ressaltar a ignorância humana acerca do Messias Jesus: os demônios conhecem quem é Jesus, enquanto que os próprios seguidores não conhecem quem ele é. Só pode ser uma ironia.
Nunca podemos decifrar definitivamente o mistério da pessoa de Jesus. Ninguém pode fazer uma conclusão apressada ou precipitada a respeito de Jesus. Somos convidados, por isso, a decifrar progressivamente, dia após dia, o enigma da presença de Jesus na nossa vida e o segredo da força misteriosa que tem produzido tantos mártires na história do cristianismo. É uma força inexplicável que faz alguém abandonar tudo para se agregar a Jesus. É uma força que alguém encontrou para se levantar novamente. Só em Jesus podemos encontrar resposta. 
Será que nossa fé nos liberta ou nos oprime? Será nossa casa é realmente uma Igreja domestica? Será que somos exibicionistas ou propagandistas do “bem” ou da “bondade” que praticamos? Ou deixamos que o bem praticada ou a bondade vivida fale ou grite por si mesmo?
Três vezes temos visto Jesus curando o povo: primeiro, ele curou alguém na sinagoga; segundo, ele curou a sogra de Simão na sua casa; e terceiro, ele curou a multidão na porta (rua). Jesus não escolhe nem o lugar nem a pessoa. Ele realiza o clamor da humanidade em necessidade. Onde quer que se encontre uma enfermidade, Jesus está lá pronto para usar o seu poder de cura. A salvação é destinada a todos, especialmente aos marginalizados em todos os sentidos.
3. Jesus Vai Ao Encontro Dos Outros Necessitados: A Cura Ao Redor
Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim”.
Marcos não quer encerrar Jesus numa casa. Não quer estabelecer Jesus num lugar em contra de Simão e companheiros. O próprio de Jesusé a mensagem aberta, a missão do Reino que ele oferece a sua Igreja. Opõem-se os projetos “eclesiais” de Simão e de Jesus.
Da Sinagoga (judaísmo) e da casa de Simão (Igreja) nos conduz o evangelho ao serviço missionário. O Papa Francisco tem razão ao escrever: “Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo! Repito aqui, para toda a Igreja, aquilo que muitas vezes disse aos sacerdotes e aos leigos de Buenos Aires: prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos” (Evangelii Gaudium n.49).
Jesus, um caminho aberto. Jesus se vai. “De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou”. Estas palavras são como um anúncio da ressurreição: “De madrugada, no primeiro dia da semana, elas foram ao túmulo ao nascer do sol” (Mc 16,2). Recordamos que em ambos casos se fala no dia depois do sábado (cf. Mc 1,32; 16,1). Entre a noite e a manhã há uma grande mudança em termo de clara evocação pascal: Jesus se levanta, como o dia da ressurreição… e se vai a outro lugar (cf. Mc 5,42; 8,31; 9,9.31; 10,34; 12,18.23; 13,2). Jesus se levanta de manhã (ressuscita) para orar num lugar deserto (Mc 1,35). É como retornar à experiência de encontro com Deus (Batismo) e compromisso messiânico (tentação). Não se fica no fato, busca em Deus (em oração e discernimento) o que deve fazer.
Simão persegue Jesus, como cabeça de grupo (vem com os seus: Mc 1,36) apelando à necessidade da multidão (todos te buscam: Mc 1,37). É o primeiro enfrentamento, a primeira discussão messiânica. Simão é sinal de uma Igreja que quer utilizar Jesus para serviço próprio, convertendo-O em curandeiro domesyico, estabelecido em sua própria casa a qual os necessitados e os enfermos ao redor acorrem (Mc 1,33-34).
Simao não quer servir aos demais e sim servir-se de Jesus para seu proveito, interpretando em forma egoísta sua pesca (Mc 1,16-20). Evidentemente, quer fazer-se “dono” de Jesus, representante de sua empresa. Simão necessita que Jesus fique, instalando uma “oficina de curas” à porta de sua casa para prestigio social e ou econômico do grupo.
Será somos, como Maria Santíssima, portadores de Jesus para os outros ou queremos usar Jesus para nosso próprio proveito a exemplo de Simão e seus companheiros. É preciso siarmos de nosso canto para ir ao encontro dos que necessitam de Jesus, nosso Senhor que nos liberta e nos chama a formar uma família.
P. Vitus Gustama,SVD

“Match point” para a ideologia de gênero

Acabou o jogo limpo central

Rodrigo de Abreu, conhecido hoje como “Tiffany”, pode, sim, jogar a Superliga feminina de vôlei. Essa foi a conclusão da comissão médica da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), que se reuniu na última quarta-feira (24), em Lausanne, na Suíça, para reconsiderar o problema e emitir um novo parecer. O caso havia gerado muitas críticas de jogadoras e treinadores, o que obrigou a FIVB a se posicionar outra vez.

Algumas coisas chamam a atenção. A nota divulgada pela comissão médica da FIVB reconhece que a participação de transgêneros nos esportes femininos deve ser amplamente discutida, “a fim de garantir que qualquer decisão tomada pela FIVB seja baseada nos dados e conhecimentos mais recentes nesta área”. Para o secretário-geral da federação, o brasileiro Luis Fernando Lima, o tema é complexo e deve causar um “impacto definitivo” nos esportes.

Até aí, tudo bem. Não há dúvida de que um tema como esse precisa ser tratado com prudência e considerado a partir de uma visão ética e científica. Assim como a educação, a política e a cultura, os esportes também têm um papel social e não podem servir a fins ideológicos, principalmente quando essas ideologias ameaçam o direito natural e o patrimônio histórico de uma sociedade.

Acontece que a FIVB fez exatamente o oposto do que recomenda em sua nota. A comissão médica reuniu-se “a toque de caixa” para, em poucas horas, ratificar uma decisão altamente questionável e complexa. Se estivesse mesmo “empenhada em estudar mais esta questão”, como diz a nota divulgada por sua comissão médica, a FIVB não teria permitido uma situação que, a curto e longo prazo, pode não somente prejudicar as mulheres, mas o esporte e a sociedade como um todo. Tudo isso dá a entender que o objetivo da reunião não era realmente debater o problema e ouvir as críticas dos atletas e treinadores, mas apenas seguir com a agenda ideológica da “teoria de gênero.

Vejamos este outro trecho da nota: “O objetivo [da reunião] é assegurar tanto em competições de quadra como de praia que se respeite a escolha individual de uma pessoa, ao mesmo tempo que assegure condições equitativas no campo de jogo”. Como é? Respeitar a escolha individual de uma pessoa? Que significa isso?

Para compreender o objetivo da FIVB, é preciso recordar a regra do Comitê Olímpico Internacional que, em 2015, liberou a participação de transgêneros nos esportes. O texto diz o seguinte: “Para preservar a justa competição, não é necessário exigir do atleta a cirurgia de mudança física como uma pré-condição para a participação nos jogos, pois isso pode ser contrário ao desenvolvimento da legislação e das noções de direitos humanos” (grifos nossos). O COI apresenta ainda outras regras para homens que desejam competir em times femininos:

  • O atleta deve declarar que sua identidade de gênero é feminina. Essa declaração não pode mudar, para fins esportivos, por um mínimo de quatro anos (grifos nossos);
  • O atleta deve demonstrar que seu nível total de testosterona no sangue está abaixo de 10 nmol/L há pelo menos 12 meses antes de sua primeira competição (para um período superior a este, será necessário basear-se em uma avaliação confidencial caso a caso, considerando se 12 meses são ou não tempo suficiente para diminuir qualquer vantagem nas competições femininas);
  • O nível total de testosterona do atleta deve permanecer abaixo de 10 nmol/L por todo o período da elegibilidade desejada para competir na categoria feminina;
  • O cumprimento dessas condições pode ser monitorado por meio de testes. Caso não sejam cumpridas, a elegibilidade do atleta para a competição feminina será suspensa por 12 meses.
Fallon Fox se tornou um caso emblemático de transgêneros nos esportes.

O absurdo é flagrante. O Comitê Olímpico Internacional (COI) sempre foi extremamente rigoroso, punindo com severidade os atletas reprovados no exame antidoping. Desde as categorias de base (a partir dos 15 anos), os esportistas têm de provar regularmente que não sofreram nenhuma mudança física inadequada, seja por causas naturais ou artificiais. Em 2017, a delegação olímpica da Rússia foi totalmente banida dos Jogos Olímpicos de Inverno — que serão realizados em Pyeongchang (Coreia do Sul), nos próximos dias 9 a 25 de fevereiro —, após a descoberta de seu sistema de dopagem para aumentar o rendimento dos competidores.

No caso dos esportes femininos, a cobrança é ainda mais rígida. As mulheres são submetidas a testes frequentes para garantir que seus corpos não sejam alterados por testosterona. O COI não admite sequer casos de testosterona endógena, isto é, quando o corpo da mulher produz mais hormônio masculino do que o normal. Atletas que apresentam esse tipo de distúrbio podem perder as medalhas ou mesmo ser excluídas da competição, como aconteceu com a corredora Dutee Chand, que sofria de “hiperandrogenismo” e acabou punida pela Confederação Olímpica, sob a alegação de “não ser uma mulher”. Até exames antigos das atletas são objetos de análise, e o COI pode penalizá-las caso encontre alguma irregularidade não identificada até então.

Apesar do rigor, essas regras do Comitê Olímpico serviam para garantir uma competição limpa, na qual todos estivessem em iguais condições de participação. Elas se fundamentavam precisamente na diferença biológica entre homens e mulheres, que é a coisa mais básica do mundo dos esportes. Não fosse assim, a altura da rede do vôlei, o tamanho da bola de basquete, os recordes de salto com vara etc. seriam os mesmos para as categorias masculina e feminina.

Tudo isso está ameaçado agora. Se a primeira preocupação dos esportes não é mais a biologia humana, mas, como disse a comissão médica da FIVB, “a escolha individual de uma pessoa”, como impedir que atletas como Tiffany participem das competições que bem quiserem, ou que atletas se aproveitem de hormônios ilícitos antes do período previsto para a competição?

As regras do COI para a participação de transgêneros nos esportes são irresponsáveis e servem claramente à ideologia de gênero. O COI substituiu a natureza humana para fortalecer o discurso relativista de que cada um pode ser o que pensa ser, ainda que isso contrarie a realidade. Eis a razão de um transgênero não precisar da cirurgia de mudança de sexo para ter o direito de jogar entre as mulheres; basta a sua declaração e um tratamento prévio que regule o nível de testosterona. Se um homem de 2m afirmar-se mulher e tiver o nível de testosterona adequado ao que prescreve a lei, ele poderá tranquilamente substituir uma jogadora em quadra. O discurso vale mais que a verdade.

O objetivo da “teoria” de gênero — atenção — é acabar com os conceitos de “homem” e “mulher”, acabar com a noção metafísica de pessoa humana, a fim de que tudo se resuma aos interesses emocionais do indivíduo. Assim diz a filósofa Judith Butler, em seu livro Subjects of Desire: “Meu trabalho consiste em delinear a última etapa da batalha filosófica contra a vida do impulso, o esforço filosófico de domesticar o desejo como uma instância de lugar metafísico, a luta por aceitar o desejo como princípio de deslocamento metafísico”.

Toda essa verborragia pretende negar a sexualidade objetiva do sujeito, da pessoa humana, para admitir apenas a noção de que tudo pode mudar conforme os desejos do indivíduo, inclusive o seu “eu”. Para a ideologia de gênero, masculinidade e feminilidade são apenas palavras que não têm ligação com a biologia.

Ora, não é exatamente isso o que está por trás daquela regra do COI, em que se lê: “o atleta deve declarar que sua identidade de gênero é feminina” e “essa declaração não pode mudar, para fins esportivos, por um mínimo de quatro anos”? Aqui se supõe que Tiffany pode voltar a ser Rodrigo, Tiago, Bianca, Rebeca… quantos “eus” Tiffany quiser ser.

No fundo, os jogos olímpicos se transformaram em mais uma plataforma ideológica, que pretende anestesiar o bom senso e emudecer a lei natural do espírito humano. Não é só o legado esportivo que está em jogo, mas a sanidade de uma civilização que, aos poucos, vai transformando erros em verdades e verdades em erros.

É claro que transexuais, assim como qualquer pessoa, são bem-vindos nos esportes. Mas essa sua participação deve ser adequada e livre de qualquer instrumentalização ideológica. No MMA, por exemplo, um ex-militar e ex-caminhoneiro estava “sentando a mão” em mulheres sob a desculpa de que é uma “mulher transgênera”. Não importa que no passado ele tenha construído um corpo masculino e extremamente forte. O que vale é o que ele diz de si mesmo.

Quem não consegue identificar a gravidade do momento prepare-se para, no futuro, ver suas mulheres apanharem de outros homens e não poderem fazer nada para impedi-lo. Afinal de contas, as feministas que inventaram tudo isso dizem que não há maior forma de opressão do que a de ser protegida por um homem. Agora, elas apanham deles e o mundo paga ingresso para aplaudi-los, seja na quadra, seja no octógono.

É PRECISO CAMINHAR 2018-01-31 16:32:00

03/02/2018
Resultado de imagem para Salomão pediu a Deus a sabedoriaResultado de imagem para “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco”.Resultado de imagem para “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco”.
APRENDER A DESCANSAR COM O SENHOR PARA VIVER NA SABEDORIA

Sábado Da IV SemanaComum
Primeira Leitura: 1Rs 3,4-13
Naqueles dias, 4 o rei Salomão foi a Gabaon para oferecer um sacrifício, porque esse era o lugar alto mais importante. Salomão ofereceu mil holocaustos naquele altar. 5 Em Gabaon, o Senhor apareceu a Salomão, em sonho, durante a noite, e lhe disse: “Pede o que desejas e eu to darei”. 6 Salomão respondeu: “Tu mostraste grande benevolência para com teu servo Davi, meu pai, porque ele andou na tua presença com sinceridade, justiça e retidão de coração para contigo. Tu lhe conservaste esta grande benevolência, e lhe deste um filho que hoje ocupa o seu trono. 7 Portanto, Senhor meu Deus, tu fizeste reinar o teu servo em lugar de Davi, meu pai. Mas eu não passo de um adolescente, que não sabe ainda como governar. 8 Além disso, teu servo está no meio do teu povo eleito, povo tão numeroso que não se pode contar ou calcular. 9 Dá, pois, a teu servo, um coração compreensivo, capaz de governar o teu povo e de discernir entre o bem e o mal. Do contrário, quem poderá governar este teu povo tão numeroso?” 10 Esta oração de Salomão agradou ao Senhor. 11 E Deus disse a Salomão: “Já que pediste estes dons e não pediste para ti longos anos de vida, nem riquezas, nem a morte de teus inimigos, mas sim sabedoria para praticar a justiça, 12 vou satisfazer o teu pedido; dou-te um coração sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti, nem haverá depois de ti. 13 Mas dou-te também o que não pediste, tanta riqueza e tanta glória como jamais haverá entre os reis, durante toda a tua vida”.
Evangelho: Mc 6,30-34
Naquele tempo, 30os apóstolos reuniram-se com Jesus e contaram tudoo que haviam feitoe ensinado. 31Elelhes disse: “Vinde sozinhosparaumlugardeserto e descansai umpouco”.Havia, de fato, tantagente chegando e saindo quenão tinham temponemparacomer. 32Entãoforam sozinhos, de barco, paraumlugardeserto e afastado. 33Muitos os viram partir e reconheceram que eram eles. Saindo de todas as cidades, correram a pé, e chegaram láantes deles. 34Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosamultidão e teve compaixão, porque eram comoovelhassempastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas.
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Viver Na Sabedoria De Deus Para Viver e Governar Bem
“Dá, pois, a teu servo, um coração compreensivo, capaz de governar o teu povo e de discernir entre o bem e o mal. Do contrário, quem poderá governar este teu povo tão numeroso?”. Este é o pedido de Salomão a Deus antes de iniciar o seu reinado/governo depois que seu pai, Davi, morreu.Pode-se ler também o capítulo 7 do livro da Sabedoria sobre o sucesso e as consequências desta oração de Salomão.
O pedido de Sabedoria a Deus por Salomão constitui um prólogo magnífico para a história do reinado de Salomão. Este prólogo tem uma dupla finalidade. A primeira finalidade é apresentar Salomão como sucessor legítimo do rei Davi, seu pai, referendado pelo beneplácito divino (1Rs 3,1-2). A segunda finalidade é propor Salomão como exemplo de rei sábio (1Rs 3,3ss).
Salomão, consciente da magnitude de sua tarefa e de suas próprias limitações, pede a Deus um coração sábio para governar, como qualidade preferida a outros bens e dons (1Rs 3,6-9).
A resposta de Deus dá destaque à anuência e concessão dessa petição (1Rs 3,10-12) com o acréscimo de outros três dons: riqueza, glória e vida longa (1Rs 3,13-14): “Já que pediste estes dons e não pediste para ti longos anos de vida, nem riquezas, nem a morte de teus inimigos, mas sim sabedoria para praticar a justiça, vou satisfazer o teu pedido; dou-te um coração sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti, nem haverá depois de ti. Mas dou-te também o que não pediste, tanta riqueza e tanta glória como jamais haverá entre os reis, durante toda a tua vida”, é a resposta de Deus ao pedido de Salomão.Em Salomão se cumpriu o que Jesus dirá mais tarde: ”Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas(Mt 6,33; cf. Sl 112,3; Provérbios 8,18; 10,3; 28,10; Eclesiastes 10,2; Is 26,9;33,6 ).
O jovem rei, Salomão, quis inaugurar seu reinado com um ato religioso, oferecendo sacrifícios a Deus. Aqui Salomão aparece como um homem de muito fé e quer adquirir a sabedoria de Deus para governar bem. Por causa de sua sabedoria, a Salomão são atribuídos livros sapienciais como o livro dos Provérbios, e uma fama universal superios à sabedoria de todos os sábios, que provocará a visita da rainha de Sabá (1Rs 10,1-13; cf. 2Crônicas 9,1-12). É famoso o juízo de Salomão que quando ele teve que decidir sobre o caso das duas mulheres e da criança que ambos reivindicaram como sua própria (1Rs 3).
Todos nós necessitamos de sabedoria. Muitas vezes na vida, tanto no nível pessoal como comunitário, ou familiar, nós nos encontramos diante da encruzilhada de uma decisão e ás vezes nos custa discernir uma solução. Podemos aplicar todos os recursos humanos e os cálculos e as experiências. Mas somente a sabedoria de Deus é que nos ajuda a termos uma visão melhor das coisas, das pessoas e dos acontecimentos. A vida, antes de ser vivida, precisa ser rezada.
O verdadeiro “sábio” é aquele que escolhe escutar as propostas de Deus, aceitar os seus desafios, e seguir os caminhos que ele indica. A sabedoria simplesmente significa a capacidade de fazer as escolhas corretas, de tomar as decisões certas, de escolher os valores verdadeiros que conduzem o homem à sua realização, e à sua felicidade. A sabedoria é um tipo de “luz” que indica caminhos e que permite discernir as opções corretas a tomar. É ela que permite ao homem gozar os bens terrenos com maturidade e equilíbrio, sem obsessão e sem cobiça, colocando-os nos seu devido lugar e não deixando que sejam eles a conduzir a vida do homem e a ditar as suas opções. Viver na sabedoria de Deus significa darmos prioridade àquilo que é realmente essencial, fundamental, importante e que nos assegura, não momentos efêmeros, mas momentos eternos de felicidade e de vida plena, pois os valores efêmeros não servem para encher completamente a nossa vida de significado e não nos garantem a vida verdadeira.
A Palavra de Deus nos ajuda a discernirmos o bem e o mal e a fazermos as opções corretas. Ela ressoa no nosso coração, confronta-nos com as nossas infidelidades, critica os nossos falsos valores, denuncia os nossos esquemas de egoísmo e de comodismo, alerta o perigo de nossa prepotência, mostra-nos o sem sentido das nossas opções erradas, grita-nos que é preciso corrigir o nosso rumo/direção, desperta a nossa consciência, indica-nos o caminho para Deus. Senhor, dá, pois, a teu servo, um coração compreensivo, capaz de governar o teu povo e de discernir entre o bem e o mal”.
Evangelho e Sua Mensagem
1. Revisão Da Vida Apostólica
Anteriormente Jesus chamou os Doze paradepoisenviá-los à missão (Mc 6,7-13). Depois de suaprimeira “missão”, os discípulos voltaram a se reunircom Jesus: “Naquele tempo, os apóstolosreuniram-se com Jesus…
Muitos cristãoscompreendem hojequesuafése tornarobustaquando decidem reunir-se, no espírito do Senhor, comoutrosirmãosparapartilhare dialogarsobresuafé. Este é umdos sentidos da assembléiaeucarística dominical: depois de suamissãodurantea semana, os cristãosse reúnem junto a Jesus na companhia de outrosirmãos da fé.
Os apóstoloscontaram tudo (a Jesus) o que haviam feitoe ensinado”. Trata-se de uma revisãoda vida apostólica. Esta revisão de nossavidacomJesus é uma das formasmais úteis de nossaoração. Cadanoitenósdeveríamos criarocasiãopara “relatar” a Jesus “o que temos feito”. Se fizermos isso diariamente, a nossa participação na celebraçãoeucarística dominical ficará maisrica e profunda.
2. Descansar Com Jesus Uma Solicitude Pastoral
Depois de ouvirseu relato Jesus convidou os Apóstolos: “Vinde sozinhosparaumlugardeserto e descansai umpouco”.  Trata-se de uma necessidadede silêncio, de recolhimento, de solidão. É essencialpara os homensde todas as épocas, especialmenteé indispensávelparao homemmodernona agitação de vidade hoje.
A respostade Jesus se concretaem levá-los comEleparaumlugarondeninguémpossa perturbá-los paradescansarcomElee n’Ele. Esseconvitenosrecorda aquiloqueo próprio Jesus disse no evangelhode Mateussobrea importância do descansocom o Senhore no Senhor: “Vinde a Mimtodos os queestais cansados sob o peso do vossofardo e Euvos darei descanso” (Mt 11,28). Jesus conjuga muitobem o trabalho e a oração. Dedica-se prioritariamente à evangelização, massabe buscarmomentosde silêncio e oraçãoparasi e para os seus, mesmoque dure apenaspoucotempocomoaconteceu no relato do evangelho de hoje.
Convidar os discípulosparadescansar na solidãotambém é umgestomuitohumano de Jesus. Jesus sabe o queé a fatiga e busca, muitas vezes, a solidão (no monte, no campoou de noite). O ativismonosesgota e empobrece. Nãoé bom o “stress”, aindaque seja espiritual. Quandonãohá o equilíbriointerior, todos cairão no nervosismoe diminuirá a eficáciahumana e evangelizadora. Necessitamos da paz e da serenidade. Todos os quetrabalham, tambémpeloReino, necessitam de uma certaserenidadee umcertoequilíbriomentale psíquico. As pessoasque trabalham peloReino têm queserpessoasde paz e de serenidade.
O trabalho de umverdadeiropastorou de qualquerlídercristãonão é fácil, poisele tem quemanter a unidade e a segurança do seurebanho. Porisso, quem é enviadocomopastor, e, quem é encarregado de serlíder dos outrosnuma comunidade necessita de descanso. Mas o descanso dos pastorese dos lideres cristãos é feitocom e no grandePastor. Eles fazem seudescanso no Pastor dos pastores. O descansodos pastores consiste emsaber “estar” com Jesus: escutá-Lo, vivercomEle, aprofundaremsuacomunhãode vidacomopastor. É aprender do grandePastorsobrecomo deve conduzir e rebanharas ovelhas do qualeleprópriofaz parte. As ovelhassão do Senhor(Jo 21,17) e não dos líderes.
Esse conviteparadescansarcom e no Senhor é a primeirasolicitudede Jesus comoPastorparaaquelesquesãoencarregados de alguma tarefana comunidade de irmãos. Esseconvitetem comocaracterísticaa comunhão de ministériocom Jesus. Essa comunhãoajudará os pastores e os demaislíderesda comunidade a terem a mesmasolicitudede Jesus paracomtodos e paracom a multidãoque, emcadamomento da história vive “comoovelhassempastor”, pois o pastor é Jesus e somenteEle. Entenderisso significa entender a grandemissãodos quesãoenviados, emSeunome, com o objetivode conduzir a humanidadepara o grandePastor, Jesus Cristo.
3. Somos Chamados A SerSeguidoresCompassivosComo Jesus
Depois de umrápidodescanso dos Doze comJesus o evangelistaMarcosnos relatou comas seguintespalavras: Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosamultidão e teve compaixão, porque eram comoovelhassempastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas.
Esta frasereproduz a situação refletida em 1Rs 22,17: “Vejo todoo Israel espalhado pelas montanhascomoumrebanhosempastor” (cf. Nm 27,17). Trata-se de uma imagemclássicana literatura bíblica no contextode acusação aos pastoresquenãocumprem suamissãode rebanhar (unire reunir) suasovelhas. E Jesus se apresenta como o verdadeiroPastor, poisele dá suavidapelorebanho(Jo 10,14-15).
Cristo é o BomPastor(Jo 10,11-15). Eledá Suavidaemtodomomento, tambémquandonãolherestatemponemparacomer. Ali está Ele, buscando umtempoparadescansaremcompanhia de seusdiscípulos, maspara os necessitados de Deus, Ele oferece Seuamor. É comoo pai de uma famíliaque, depoisde uma jornada cansativa, voltaparacasacom o únicodesejo de descansar. Masao verqueseusfilhoslhe pedem algoquelhe é impossívelhumanamente, tirasuasúltimas forçasparabrincar e fazerfelizesseusfilhos, dando-lhes o melhorde si, aindaque o corpoexija umdescanso.
Os cristãosdentro da comunidade, de ummodoou de outro, participam do serviçopastoralparacom os demais, imitando e representando Jesus Cristo, Pastor de todos. Onde estiver e paraonde for, o cristãofaz tudoemnome de Cristo. Ele representa Cristoemqualquerlugar. Eleé cristãoparatodos os momentose lugares.
Jesus teve compaixãoda multidãoquevivia sem nenhuma orientaçãoe começou a ensinar-lhes muitas coisas. Jesus teve tempoparaa multidão necessitada. Tertempopara os demais, especialmentepara os necessitados é o pontoalto de uma vocaçãopastoral na Igrejade Jesus. Isso supõe a renúncia aos própriosplanos, interessese horáriosemfunção do bemde todos. O cristãoexiste paraservir os demais.
O mundode hoje continua a estardesorientado como “ovelhassempastor”, pois, no meio do avançotecnológico, muitas pessoas morrem de fome. No meioda democraciaaindase encontram os ditadoresque adormentam e sacrificam os pequenose inocentes da sociedade. No meio de tantafacilidadetecnológicaencontram-se os imprudentesque fazem tantas famíliaschorarem pelaperdade seus entes-queridos precocemente. No meioda lutapelasolidariedadeglobalencontram-se os gananciososcapazes de pisarsobre os outrosemnomedo prazer. O perigoe o prazer crescem no mesmoramo. O fatode queemnossacivilizaçãotãoavançadahá tantoshomensmorrem de fomeousão vitimas de uma guerraou de umpoder desenfreado, oude uma imprudência, demonstra que os chefesque dirigem atualmenteo mundonãoolham para o povoe simpara os própriosinteressesoupara os interessespartidários. É precisoterprogresso na verdade, na justiça na caridade.
Cristo querquetodosos cristãos ajudem esta humanidade a encontrar os caminhos da verdadee da felicidade, da paze do verdadeiroprogresso. Serseguidorde Cristo significa aprendera olharpara os outroscomumcoraçãocheio de carinho, serresponsávelpelosoutrosirmãos e falar-lhes do sentido da vida. A maneiracomque tratamos umserhumano é a formacomque tratamos a nossoSenhor. Issonão exige explicaçãoe simcontemplação(cf. Mt 25,40.45). O diamaisdesperdiçado de todos é aquele no qualnão conseguimos fazeralguémsorrirou deixamos de fazer o outrosorrir. Umsorrisonãocustatantoquanto a eletricidade, no entanto, ilumina muitomaisdo queela.
P. Vitus Gustama,svd

Um sonho de Dom Bosco

São João Bosco, muitas vezes, recebia as mensagens e inspirações de Deus através de sonhos. Ainda pequeno, recebeu de Nossa Senhora Auxiliadora, a indicação de sua vocação de trabalhar com os meninos que viviam no vício e na delinquência. Já sacerdote, conduzindo a sua Congregação, fundada sob o patrocínio de São Francisco de Sales, teve…

Não há apóstolo sem sacrifício

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O apóstolo não é um “marqueteiro” do Evangelho, mas alguém que se configura plenamente à vida de Cristo, em sua obediência, em sua pobreza e em sua perfeitíssima castidade.

Os heróis da Terra Média

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Pouquíssimos escritores contribuíram tanto para a literatura fantástica no século XX quanto J. R. R. Tolkien. Com milhões de livros vendidos e um site que recebe mensalmente 30 milhões de visitas, “O Senhor dos Anéis”, a principal obra literária de Tolkien, foi considerado pelos britânicos o melhor livro do século XX e, para os membros da Folio Society, o melhor livro inglês de todos os tempos.

Meu interesse por Tolkien surgiu aos dezesseis anos, quando me entretinha com o catolicismo de Chesterton e as sagas islandesas, que o artista, designer e escritor do século XIX, William Morris, traduziu. Encontrei em Tolkien um grande amigo. Mas a enorme popularidade do autor justifica-se por preocupações maiores que as minhas naquela idade: preocupações sobre masculinidade e heroísmo, sobre o significado do amor entre criaturas mortais e a importância da vida em um mundo sombrio onde a morte é inevitável.

A presença desses assuntos nos livros de Tolkien é recorrente porque, assim como todo o século XX, o autor viveu sob as sombras da guerra e dos genocídios. E isso levou-o a entender que a salvação vem apenas pela graça, por meio de um heroísmo semelhante ao de Cristo.

Tolkien formou uma imaginação cristã e masculina. A masculinidade heróica de “O Senhor dos Anéis, por exemplo, possui vários pontos em comum com a missão heróica de Cristo: a bravura, a piedade, a misericórdia, o amor, a abnegação e o sofrimento. Todos esses elementos estão presentes na obra de Tolkien, e são fundamentais para se compreender o apelo e a riqueza de um livro escrito por uma imaginação cristã.

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O heroísmo masculino

O Senhor dos Anéis” assemelha-se a epopeias tradicionais como a “Odisseia”. Trata-se de livros que traduzem, de maneira fantástica, a jornada de um menino para tornar-se adulto. De fato, a vida de todo garoto é um grande desafio para receber o título de “homem de verdade”. Eles crescem ouvindo histórias de como rapazes da sua idade deixaram a própria casa, enfrentaram lutas e ameaças de morte, até retornarem transformados em homens. Nesta fase, o menino deve distanciar-se da pessoa de quem é mais próximo e de quem mais ama — sua mãe —, porque ela não lhe pode fornecer o modelo do que ele se deve tornar.

O menino precisa distanciar-se do mundo infantil, onde está seguro e protegido, a fim de que possa entrar no mundo adulto, onde aprende a cuidar e proteger os outros. O tema do desafio é universal porque todas as culturas do mundo contam histórias a seus garotos sobre desafios para se tornar homem. O herói, ou seja, aquele que alcançou esse objetivo e se tornou homem, é a figura central da literatura de cada cultura. E, ainda que a maior parte dos homens dos quais Tolkien escreveu seja da raça dos hobbits, eles têm os mesmos problemas de maturidade que um humano do sexo masculino tem.

Tolkien tornou-se um homem, por assim dizer, durante a Primeira Guerra Mundial, quando perdeu amigos próximos, viu a dureza das batalhas e, especialmente, os horrores do genocídio industrial, que envenenou a terra e deixou dezenas de milhares de corpos abandonados no campo de batalha.

Na faculdade, o autor interessou-se pela literatura masculina anglo-saxã e islandesa. O estilo dessas literaturas é lacônico, e seu assunto consiste em batalhas e lutas diante da morte inevitável. Em contraste com a atmosfera efeminada e homossexual da universidade inglesa (basta pensar no personagem Sebastian, de Evelyn Waugh, em “Memórias de Brideshead”), J. R. R. Tolkien, C. S. Lewis e outros Inklings bebiam cerveja, usavam tweeds e faziam longas caminhadas, de modo que sua vida civil era marcada pela masculinidade.

Tolkien entendia que a tarefa de tornar-se homem e herói (a excelência da masculinidade) não era simples, porque está cheia não só de perigos, mas também de paradoxos. A força masculina pode ser usada tanto para o bem como para o mal; a vontade de enfrentar a morte pode levar ao amor pela morte; e o niilismo é o poço onde pode cair o homem mais disposto a aceitar os desafios da masculinidade. Ou seja, o herói ou é divino ou demoníaco. Aquiles é um fogo ardente e devorador; Beowulf é como seu adversário, Grandel. Como em todas as realidades da Terra Média, masculinidade e heroísmo são autodestrutivos. A Terra Média, portanto, não pode salvar-se a si mesma.

Guerra e amizade masculina

O tradicional heroísmo militar também está presente em “O Senhor dos Anéis. Aragorn, por exemplo, é o rei disfarçado, que eventualmente lidera seu exército na batalha, mas apenas como uma diversão. O heroísmo militar, entretanto — por maior e mais digno que seja —, é, na melhor das hipóteses, inadequado, e, na pior, perigoso para as pessoas que procura proteger. De fato, os cavaleiros de Rohan lançaram-se contra o inimigo sob o grito de “morte!”, mas não puderam derrotar os Nazgûl, nem a tropa de Aragorn venceu Sauron. Mais ainda: Boromir quis usar o Anel para defender o seu povo, mas acabou pervertido e transformado em um monstro, só se redimindo mais tarde, ao dar a vida pela salvação dos hobbits, em um ato supremo de verdadeira amizade.

As amizades mais próximas em “O Senhor dos Anéis” são entre homens de diferentes espécies: humanos, hobbits, anões e elfos. A amizade masculina é o centro emocional do livro. No caso de Bilbo e Frodo, por sua vez, os leitores notam uma coisa típica da tradição germânica, na qual a relação “tio-sobrinho” está mais próxima da relação “pai-filho”. Bilbo vive solteiro e faz de seu sobrinho Frodo o seu herdeiro. Há ainda outros relacionamentos masculinos, como a relação mestre-servo de Frodo e Sam, a camaradagem dos adolescentes Pippin e Merry, a amizade entre os opostos Legolas e Gimli, a liderança de Aragorn e a fraca liderança de Boromir.

Sam, que se torna um grande herói no final de “O Senhor dos Anéis”, é o modelo dos soldados que Tolkien encontrou na Primeira Guerra Mundial. A camaradagem dos soldados no sofrimento é intensa e física. Na guerra, os homens sentem a proximidade de seus companheiros, que estão dispostos a morrer um pelo outro, em um amor que supera o das mulheres. A cena em que Sam resgata Frodo dos orcs mostra a intensidade e a proximidade dessa relação.

Bravura e misericórdia

Embora “O Hobbit” seja mais alegre que “O Senhor dos Anéis”, este aprofundou muitos dos temas sérios que já estavam naquele. Na história de “O Hobbit”, Bilbo Bolseiro começa com uma vida segura e tranquila em sua toca agradável, mas logo assume o desafio da aventura e procura o dragão e seu tesouro. Bilbo passa por provações que os soldados da Grande Guerra também enfrentaram e dispõe-se a lutar, envolvendo-se em uma batalha ainda mais importante: vencer o seu próprio medo. Quando o pequeno Bolseiro desce à caverna para enfrentar a criatura, ele vive a fase tremenda da sua jornada:  

Foi nesse ponto que Bilbo parou. Ultrapassá-lo foi o gesto mais corajoso de sua vida. As coisas tremendas que aconteceram depois não eram quase nada em comparação àquilo. Lutou a verdadeira batalha sozinho no túnel, antes mesmo de perceber o enorme perigo que estava à sua espera.

Bilbo e os companheiros têm ainda de lidar com os orcs, sobre os quais Tolkien diz:

Não é improvável que tenham inventado algumas das máquinas que desde então perturbam o mundo, especialmente os instrumentos engenhosos para matar um grande número de pessoas de uma só vez, pois sempre gostaram muito de rodas e motores e explosões, como também de não trabalhar com as próprias mãos além do estritamente necessário.

Tolkien encontrou essas máquinas durante o combate na Frente Ocidental.

O desafio mais importante de Bilbo, cujo significado é esclarecido apenas em “O Senhor dos Anéis”, acontece nas cavernas das Montanhas Sombrias, onde, após se separar dos amigos, ele encontra acidentalmente o Anel, que seu antigo dono, Gollum, havia perdido. Bilbo descobre que o Anel o torna invisível, então decide usá-lo para escapar de Gollum — que o está perseguindo e bloqueando a saída das cavernas:

Bilbo quase parou de respirar, enrijecendo-se também. Estava desesperado. Tinha de sair dali, daquela escuridão horrível, enquanto ainda lhe restavam forças. Tinha de lutar. Tinha de apunhalar a coisa maligna, apagar seus olhos, matá-la. Ela queria matá-lo. Não, não seria uma luta justa. Agora ele estava invisível. Gollum não tinha espada. Gollum não havia ameaçado matá-lo, nem havia tentado ainda. E estava arrasado, sozinho, perdido. Uma compreensão repentina, um misto de pena e horror, cresceu no coração de Bilbo: um vislumbre de dias infindáveis e indistintos, sem luz ou esperança de melhora, cheios de pedra dura, peixe frio, movimentos furtivos e sussurros. Todos esses pensamentos lhe passaram pela mente em um lampejo. Estremeceu. Depois, de súbito, num outro lampejo, como se impelido por uma nova força e resolução, deu um salto.

A posse de Bilbo sobre o Anel começa com a virtude da piedade. Embora sua bravura masculina fosse essencial, foi a piedade o que finalmente salvou seus amigos e ele mesmo.

Amor misericordioso

Em “O Senhor dos Anéis”, Frodo torna-se o verdadeiro herói, mas seu heroísmo não é o militar. Ele é como um padre que se sacrifica tornando-se ele próprio o sacrifício. Frodo cruza as terras mortas, que são como os campos de batalha envenenados da Primeira Guerra, e desfaz-se de todas as suas posses — de sua espada e até mesmo da comida de que ele precisaria para retornar ao Condado. Quando tem a chance de livrar-se de Gollum, Frodo não o mata, lembrando-se das palavras de Gandalf sobre piedade e misericórdia.

“É uma pena que Bilbo não tenha apunhalado aquela criatura vil quando teve a chance.”

“Pena?! Foi justamente pena o que ele teve. Pena e misericórdia: não atacar sem necessidade. E foi bem recompensado, Frodo. Tenha certeza de que ele foi tão pouco molestado pelo mal, e no final escapou, porque começou a possuir o Anel desse modo. Com pena.”

“Sinto muito — disse Frodo. — Mas estou com medo; e não sinto nenhuma pena de Gollum.”

“Você não o viu — Gandalf interrompeu.”

“Não vi e não quero ver — disse Frodo. Não consigo entender você. Quer dizer que você e os elfos deixaram-no viver depois de todas coisas horríveis que fez? Agora, de qualquer modo, ele é tão mau quanto um orc, e um inimigo. Merece a morte.”

“Merece! Ouso dizer que sim. Muitos que vivem merecem a morte. E alguns que morrem merecem viver. Você pode dar-lhes vida? Então não seja tão ávido para julgar ou condenar alguém à morte. Pois mesmo os muito sábios não conseguem ver os dois lados.”

Mesmo depois da traição de Gollum e de seu ataque, o amigo de Frodo, Sam, não o mata também:

A mão de Sam vacilou. Sua mente fervia com o ódio e com a lembrança do mal. Seria justo matar essa criatura traiçoeira, assassina, justo e muitas vezes merecido; além disso parecia a única coisa segura a fazer. Mas no fundo do seu coração havia algo que o impedia: ele não podia atacar aquela coisa caída na poeira, abandonada, arruinada, absolutamente desgraçada. Ele mesmo, embora apenas por pouco tempo, tinha carregado o Anel, e agora adivinhava vagamente a agonia da mente e do corpo murchos de Gollum, escravizados por aquele anel, incapazes de algum dia encontrar outra vez paz ou alívio na vida.

No final, Frodo falha, mas acaba salvo. Ele não joga o Anel no fogo e o reivindica para si. Gollum, então, luta com ele, morde seu dedo e acaba caindo no fogo, destruindo-se a si mesmo e o Anel. Nota-se, por conseguinte, a existência de um poder para além dos personagens, que cuida da Terra Média e traz a salvação, apesar da insuficiência e das falhas dos nossos heróis. E aqueles que, em vez de destruídos pelo poder, são salvos, agem com piedade, respondendo com amor ao sofrimento.

O herói ferido

O herói pode ser misericordioso com aqueles que sofrem porque ele mesmo sofreu. O herói, como qualquer rapaz que se tornou um “homem de verdade”, possui uma cicatriz. Todo homem carrega as cicatrizes — muitas vezes, literalmente — das lutas que precisou vencer para se tornar um homem. Tolkien e Lewis se sentiram atraídos pela literatura nórdica porque os próprios deuses nórdicos têm cicatrizes e são mortais. Eles, como os homens, morreriam na luta contra o mal, combatendo até o fim. Tyr, como Beren, tinha apenas uma mão; ele perdeu uma delas quando derrotou o lobo Fenris. Arthur também é ferido, sendo capaz de curar-se apenas em Avalon.

O soldado que salva seu país vai para a guerra como um menino e volta como um assassino profissional que, como mostra Paul Fussell em “The Great War and Modern Memory” (sem tradução para o português), viu hemorragias e mortes, devendo carregar suas feridas e lembranças para o túmulo. Meu próprio pai morreu por causa dos estilhaços com que ele foi atingido no Oceano Pacífico, durante a Segunda Guerra Mundial.

Frodo foi ferido pela faca envenenada de um Nazgûl, pela Laracna e, sobretudo, pelo peso do Anel que, no final, quase o derrota. Quando volta para o Condado, ele percebe que já não é mais o mesmo, que havia mudado demais.

“Tentei salvar o Condado, e ele foi salvo, mas não para mim. Muitas vezes precisa ser assim, Sam, quando as coisas correm perigo: alguém tem de desistir delas, perdê-las, para que outros possam tê-las.”

O amor abnegado tem uma glória transcendente, mas pode existir apenas em um mundo que tem sofrimento e morte.

A canção do Crucificado

O amor, que só se acha por meio do sofrimento, estava presente na canção dos Ainur no início da criação, como descreve Tolkien em “O Silmarillion”. Quando os Ainur cantam a canção que formou a Terra Média, os rebelados atrapalham a harmonia, introduzindo outras melodias. Ilúvatar, então, canta um tema “profundo, vasto e belo, mas lento e mesclado a uma tristeza incomensurável, na qual sua beleza tivera principalmente origem”.

O espírito rebelde Melkor cantou uma música “alta, fútil e infindavelmente repetitiva”, que tentou “abafar a outra música pela violência da sua voz, mas suas notas mais triunfais pareciam ser adotadas pela outra e entremeadas em seu próprio arranjo solene”. Finalmente, Ilúvatar levantou “e num acorde, mais profundo que o abismo, mais alto que o firmamento, penetrante como a luz do olho de Ilúvatar, a música cessou”. Ele havia cantado a Palavra final, e não havia mais nada a acrescentar.

Tolkien pensava que, nos mitos criados pelo homem, alguém poderia enxergar um leve e distante brilho do Evangelho, a Boa Nova. A característica principal dos contos de fada é a eucatástrofe, uma libertação inesperada e um final feliz. Nessa libertação, maior do que qualquer coisa que se poderia esperar, há um prelúdio, uma alusão, um deleite da libertação final e completa.

No mundo real, a Encarnação foi a eucatástrofe da criação e a Ressurreição, a eucatástrofe da vida do Senhor. A eucatástrofe é possível tanto na ficção como na vida real apenas porque a discatástrofe também é possível. A ressurreição só é possível em mundo onde a morte existe. Os deuses gregos são definitivamente frívolos porque são imortais. Por outro lado, homens e heróis são sérios porque devem enfrentar a morte. Os deuses nórdicos e o Deus verdadeiramente encarnado são sérios, porque eles, como os homens, podem “falhar” e “morrer”. Mesmo na mitologia nórdica, há uma promessa de novos céus e nova terra; na história cristã, por sua vez, foi pelo fracasso e pela morte que o Reino de Deus pôde ser trazido até nós.

Não há outro caminho, portanto, nem Deus tem outra mensagem ou outra Palavra que não seja a do crucificado. E é com este acorde que a música da criação deve ser concluída: “Está consumado”.

Uma história gloriosa

Frodo é considerado um herói moderno, mas o correto seria chamá-lo de herói nórdico ou, melhor dizendo, herói cristão, pois ele segue o padrão da jornada do herói: enfrenta perigos e quase morre para proteger os povos da Terra Média. Mais tarde, retorna com cicatrizes e feridas, e tem de desistir de algo para que outros possam continuar a jornada, não encontrando consolo na vida comum, razão pela qual deixa a Terra Média para sempre.

Frodo é, por conseguinte, um herói cristão porque mostra a glória e a inadequação do heroísmo e, de fato, de todo esforço humano. Fazemos o nosso melhor, e depois falhamos. O sucesso é uma coisa que vem de fora como um raio. O fogo cai sobre o sacrifício que foi preparado, e a preparação é penosa, o amor que reconhece a tristeza de toda vida fadada à morte.

Não obstante, mesmo no fracasso transformado em sucesso, o herói encontra a verdadeira glória. Ele faz parte de uma história; sua vida e sofrimento têm significado. Enquanto Sam e Frodo aguardam pela morte depois da destruição do Anel, Sam se pergunta se alguém saberá de seus atos.

“Fizemos parte de uma grande história, Sr. Frodo, não foi mesmo?”, disse ele. “Gostaria de poder ouvir alguém contando. O senhor acha que eles vão dizer: ‘Agora vem a história de Frodo-dos-nove-dedos e o Anel da Perdição?’”. E após o resgate e a recuperação deles, Sam e Frodo ouviram o menestrel dizer, na cerimônia de honras aos dois: “Vou cantar para vocês sobre Frodo-dos-Nove-Dedos e o Anel de Perdição”.

O grande mérito de “O Senhor dos Anéis” é nos fazer acreditar, enfim, que também fazemos parte de uma jornada ainda mais maravilhosa que aquela. Meninos e adolescentes encontram em “O Senhor dos Anéis” a emoção da aventura e o desafio de tornar-se um homem. Na verdade, eles e outros leitores encontram em Frodo, Sam e demais personagens o mistério da amizade em face da morte e do autossacrifício necessário para que outros possam viver.

O vinho da bem-aventurança

Os heróis da Terra Média encontram ainda algo ao mesmo tempo terrível e reconfortante: Aquele que conta a nossa história conhece nossas tristezas e sofrimentos, que existem desde o início do mundo, mas, felizmente, não têm a última palavra. Ainda maior que a amargura de nossos fracassos, decepções e mortes é o resgate que nos aguarda, rápido e inesperado, que traz uma alegria mais vibrante do que o sofrimento, e somente possível pela existência da tristeza; trata-se do bem provocado pelo mal, mas que supera esse mesmo mal com o amor cujo nome é piedade.

O Senhor dos Anéis” exala misericórdia por toda parte. Tolkien lida com o conflito e a morte, mas não lhes concede a palavra final. A coragem é algo fundamental para a batalha, mas não é mais forte do que a piedade e a misericórdia. O herói cristão luta contra a maldade, e deve derrotar principalmente o mal que existe dentro de si mesmo. Mas não pode fazer isso sozinho. Para vencer, deve saber que, sem o auxílio da graça, a vitória é impossível.

A graça atua pela misericórdia, e usa dela para atingir os seus fins. A misericórdia é, na verdade, o amor que existe no mundo mortal. Tolkien procura justificar os caminhos de Deus para o homem, especialmente o caminho pelo qual o homem encontra duramente o dom da morte. Sem a morte, diz o autor, o homem não conseguiria alcançar o amor maior do autossacrifício, da coragem de morrer pelo outro, como Deus escolheu fazer por nós. De fato, Deus permitiu a morte no mundo para que Ele também pudesse morrer e dar a sua vida pelas suas criaturas.

Para aceitar os fatos mais amargos da vida, é preciso prová-los até o limite do possível. Sam questiona Gandalf: “Eu achei que você estava morto. Depois, achei que eu mesmo estivesse morto. Afinal, tudo que era triste vai se revelar falso?”. “Não”, responde o mago, “mas a alegria é algo que só pode vir após a tristeza”. E Gandalf prossegue dizendo que “a alegria deles era como uma guerra, na qual a dor e o prazer fluem juntos e as lágrimas são o próprio vinho da bem aventurança”.

O herói vai para a morte carregando as suas feridas para a eternidade, e são elas a sua glória, o testemunho de um amor misericordioso que atravessa a própria morte. O Cordeiro é vitorioso principalmente porque sua vitória é a de ser eternamente uma vítima.

Os doentes, não os sãos, necessitam de médico

Deus nos livre dos exageros e dos paradoxos, mas naturalmente nos vem à memória as palavras de um bispo a uns missionários que se queixavam dos pecados que presenciavam no exercício do seu ministério: “Qual seria a vossa razão de ser, meus bons padres, se não houvesse pecadores?” Jesus Cristo, Sacerdote eterno, nossa Salvador, permita-nos…

É PRECISO CAMINHAR 2018-01-29 19:13:00

02/02/2018
Resultado de imagem para Lc 2,22-40
APRESENTAÇÃO DO SENHOR NO TEMPLO
Primeira Leitura: Ml 3,1-4
Assim diz o Senhor: 1 Eis que envio meu anjo, e ele há de preparar o caminho para mim; logo chegará ao seu templo o Dominador, que tentais encontrar, e o anjo da aliança, que desejais. Ei-lo que vem, diz o Senhor dos exércitos; 2 e quem poderá fazer-lhe frente, no dia de sua chegada? E quem poderá resistir-lhe, quando ele aparecer? Ele é como o fogo da forja e como a barrela dos lavadeiros; 3 e estará a postos, como para fazer derreter e purificar a prata: assim ele purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata, e eles poderão assim fazer oferendas justas ao Senhor. 4 Será então aceitável ao Senhor a oblação de Judá e de Jerusalém, como nos primeiros tempos e nos anos antigos.
Evangelho: Lc 2,22-40
22 Quandose completaram os diasparaa purificação da mãee do filho, conformea lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor. 23 Conformeestá escrito na leido Senhor: “Todoprimogênito do sexomasculino deve serconsagrado ao Senhor”. 24 Foram tambémoferecer o sacrifício— umparde rolasoudois pombinhos — comoestá ordenado na Leido Senhor. 25 EmJerusalém, havia umhomemchamado Simeão, o qualerajusto e piedoso, e esperava a consolação do povo de Israel. O EspíritoSanto estava comele 26 e lhehavia anunciado quenãomorreria antes de vero Messiasquevem do Senhor. 27 Movido peloEspírito, Simeão veioao Templo. Quandoos pais trouxeram o meninoJesus paracumprir o que a Leiordenava, 28 Simeão tomou o meninonosbraços e bendisse a Deus: 29 “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixarteuservopartirempaz; 30 porquemeusolhos viram a tua salvação, 31 quepreparaste diante de todos os povos: 32 luzparailuminar as nações e glória do teupovo Israel”. 33 O paie a mãe de Jesus estavam admirados com o quediziam a respeito dele. 34 Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: “Estemeninovai sercausatanto de quedacomo de reerguimento paramuitosemIsrael. Ele será umsinal de contradição. 35 Assimserãorevelados os pensamentos de muitoscorações. Quanto a ti, uma espadate traspassará a alma”. 36 Havia também uma pro­fe­tisa, chamadaAna, filha de Fanuel, da tribode Aser. Era de idademuitoavançada; quandojovem, tinha sido casadae vivera seteanoscom o marido. 37 Depois ficara viúva, e agorajáestava com oitenta e quatroanos. Não saía do Templo, dia e noiteservindo a Deuscomjejuns e orações. 38 Ana chegou nesse momentoe pôs-se a louvar a Deuse a falar do meninoa todos os queesperavam a libertação de Jerusalém. 39 Depois de cumprirem tudo, conforme a Leido Senhor, voltaram à Galileia, paraNazaré, suacidade. 40 O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graçade Deus estava comele.
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I. A FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR E SEUSENTIDO

1. Jesus Na Apresentação
Ainda quea festa da apresentaçãocaia fora do tempodo Natal, elafaz parteinseparáveldo relato do Natal do Senhor. Trata-as de outraEpifaniado Senhor no quadragésimodia. Natal, Epifania e Apresentaçãodo Senhorsãotrêsaspectosdo Natalinseparáveis.
A festada Apresentação celebra uma chegadae umencontro: a chegada do Senhordesejado, núcleo da vidareligiosa do povoe a bem-vindo concedida a elepelosrepresentantes dignos do povo eleito: Simeão e Ana. Porsuaidadeavançadaos doispersonagenssimbolizam os séculos de esperae de anseioferventedos homens e das mulheresdevotos da AntigaAliança (AntigoTestamento). Pode-se dizerque os doissimbolizam a esperança e o anseio da humanidade.
Ao festejar e reviverestemistério na fé, a Igreja dá novamenteas boas-vindas para Jesus Cristo. Este é o verdadeirosentido da festa. É a festa do encontro: encontro de Cristoe suaIgreja. Istovaleparaqualquercelebraçãolitúrgica, masespecialmentepara esta festa. A liturgianosconvida a dar boas-vindas a Cristoe à suaMãe, como fizeram Simeão e Ana. Ao celebrar esta festa a Igrejaprofessa publicamente a féna Luz do mundo(Jo 8,12), Luz de revelaçãopara a humanidade.
A festada apresentação é uma festade Cristo, porexcelência. É ummistério da salvação. O nome“apresentação” tem umconteúdorico. Fala de oferecimento, de sacrifício. Recorda a auto-oblação inicial de Cristo, PalavraEncarnada, quando entrou no mundo: “Eismeaquiquevenho parafazer Tua vontade”. Aponta para a vida de sacrifícioe para a perfeiçãofinal dessa auto-oblação na colinado Calvário.  
2. A Presença de Maria Na Apresentação E SeuSignificado
Qual é o papelde Maria e José nessa Apresentação? Elessimplesmentecumprem o ritual prescrito, uma formalidade praticada pormuitosoutroscasais?
Para Maria, a Apresentação e oferendade seuFilhono Templonãoeraumsimplesgestoritual. Indubitavelmente, Maria não estava conscientede todas as implicaçõesnem da significação profética desse ato. Elanão consegue alcançar todas as consequências de sua Fiat na Anunciação. Masfoi umatode oferecimento verdadeiro e consciente. Significava queela oferecia seuFilhopara a obra da redenção, renunciando aos seusdireitos maternais e todaa pretensãosobreseuFilho. Ela oferecia seuFilho à vontadede DeusPai. São Bernardo comentou queSantaVirgem ofereceu seuFilho e apresenta ao Senhoro frutobenditode seuventree o oferece para reconciliação de todos os homens.
Existe uma conexãoentreesseoferecimento e o que sucederá na Gólgota quando se executam as implicações do atoinicial de obediênciade Maria: “Faça-se emmimsegundo Tua Palavra” (Lc 1,38b).
Na ApresentaçãoMaria põe seuFilhonosbraçosdo ancião Simeão. Essegesto é simbólico. Ao atuardessa maneira, elaoferece seuFilhonãosomenteparaDeusPai, mastambémpara o mundo representado poraqueleancião. Dessa maneira, Maria desempenhaseupapel de Mãe da humanidade e nosé recordado que o domda vida vem atravésde Maria.
A festadeste dianãopermite apenas revivermos umacontecimentopassado. Elatambémnosprojetaparao futuro. Elaprefigura nossoencontrofinalcomCristo na suasegundavinda, na Parusia. A procissão representa a peregrinação da própriavida. O povoperegrino de Deuscaminhapenosamenteatravés deste mundo, no tempo, guiado pelaLuz de Cristoe sustentado pelaesperançade encontrarfinalmenteo Senhor da glóriaemSeuReinoeterno. Na bênção das velaso sacerdote pronuncia as seguintespalavras: “… Fazei que, levando as velasnas mãosemvossahonrae seguindo o caminho da virtude, cheguemos à luzquenãose apaga”. A velaacesana nossadurantea procissão recorda a velade nossobatismo.
II. ALGUMAS MENSAGENSA PARTIR DO TEXTODO EVANGELHO DA FESTA
1.     A importânciade Jerusalém para Lucas
Para Lucas, Jerusalém é importante, pois é centro de tudo. Porisso, todos os acontecimentosimportantes da vidade Jesus acontecem em Jerusalém. Jerusalém é mencionado no início e no fim do relato (vv.22.25.38). A apresentaçãodo Senhor acontece emJerusalém. E em Jerusalém acontecerão suamorte e ressurreição. De Jerusalém elesubirá ao céu. E de Jerusalém partirá a missão cristã para o resto do mundo (cf. Lc 2,41-52;4,9-13;9,31.51.53;13,22;17,11;18,31;19,11.28-48;24,47-53;At 1,4.8).
2. A imposiçãodo nome de Jesus
Lucas, neste relato, quersublinhar a importânciada imposição do nomede Jesus que se afirma na fraseprincipal: “Foi-lhe dado o nome de Jesus” (v.21). O nome “Jesus” foi escolhido pelopróprioDeus (Lc 1,31;2,21; cf. Mt 1,21).
Para os judeus, o nomeexpressava a identidade e o destinopessoalquecadaum devia realizar ao longo de suavida.  E quando uma pessoa é eleita para uma novamissão, recebe umnomenovo, emfunção da etapa de vidaquecomeça (cf. Gn 17,5;17,15;32,29; Mt 16,18; cf. 2Rs 23,34;24,17; Is 62,2;65,15).
Não há nenhumnomeque coincidiu tãoperfeitamentecomo nomecomono caso de Jesus. Jesus significa Salvador. Desde o primeiroinstante de suaexistênciaaté a morte na cruz, ele foi o que significa seunome: Salvador.
Por isso, o nome de Jesus comoSenhor e Salvador é invocado ao longoda história do cristianismoporbilhõesde cristãos. O nomede Jesus é invocado, poisele é o Senhorde tudo. Está acimade todoprincipado, de todopoder, de todadominaçãoe potência. Pormaispoderosoque seja umpolíticoouumatleta, umdia a morte o vencerá. Pormaisricoque seja alguém, umdiaa morte levará a melhor. Ao contrário, Jesus venceu a morte, poiseleressuscitou. Porisso, São Paulo afirma: “Se confessas com tua bocaque Jesus é o Senhor, e crês emteucoração, queDeus o ressuscitou dos mortos, tuserás salvo” (Rm 10,9; cf. Rm 8,35-39). Jesus é o Senhorporquevive uma vidasobrea qual a mortenão tem poderalgum. Eledetém a chave do segredoda vida e ilumina o mistérioda vida.
A soberaniado Senhor Jesus pode nosdar uma forçaimensaparacombater o maldentro de nós e o mal ao nossoredor. Jesus é Senhorexprime uma fé libertadora quetira de nossas vidastodaa angústia exagerada. Jesus é Senhorimplica queeleé Senhor de nossavida. Exprime uma entrega, umtotalabandono nas mãosdo Senhor. Implica construira vidasobreele (cf. Mt 7,24-25) e nãosobre os fundamentosfracos e frágeis (cf. Mt 7,26-27).
3. Jesus é sinal de contradição
Israel tinhamurmurado contraDeusna passagem do deserto(Nm 20,1-13; Dt 32,51). Na apresentação do Senhor no templo, Simeão profetiza a novarebeliãode Israel contra Jesus, que será relatada no evangelhoda vidapúblicae da paixão e a rejeição da missão cristã emIsrael que será contada no livro de Atos. Tudoistoresulta também no sofrimento de suamãe, Maria.
Lucas relata ao longode suaobraquediantede Jesus e suamissão, uns são a favor, outroscontra; uns abrem os olhos à luz, outros os fecham; uns encontram força nele e porisso, se levantam, enquanto os outros tropeçam e caem pornãocrer. Istoquerdizerqueninguém pode ficarindiferentediantede Jesus: ouaceitarJesus paraser libertado ou rejeitá-lo quesignifica tropeço na caminhada.
Jesus e seuevangelho continuam sendo emtodos os tempos e lugaressinal de divisãoe de contradição. PeranteJesus e seuevangelhoninguém pode ficarindiferente: ouaceitarourejeitar, com consequências paracadaopçãofeita. A salvação é oferecida a todos, masnão é dadaautomaticamente nem pode serrecebida passivamente. Ela tem queser recebida conscientementecomoumcompromisso a serassumido a vidatoda. O Evangelho de Jesus, quando for proclamado e vividoverdadeiramente, sempre incomoda tantoparaquem o prega e vive comoparaquem o escuta, poisele é como uma luzquebrilha na escuridão: revela o verdadeiroser de pessoase das coisas. Aquelequequermanter uma vidafalsa e duplaou camuflada, a presençado Evangelho funciona como se fosse umespinhoqueirrita a carne. Se alguémnão tiver medode serfeliz, a presençaincômoda do Evangelho será ummomentooportunode libertação. Paraquem vive somenteemfunçãodo prazer, nãotem prazer de viver. O prazer tem queserfruto de umviverbem.
4. Nós e o ancião Simeão
Na partecentral do relato (vv.25-35) encontramos o ancião Simeão. Eleé apresentado comoumhomemjustoe piedoso, istoé, umhomemfiel aos mandamentosde Deus. Elese deixaguiarpeloEspíritoSanto e porisso, compreende o sentidode suaexistência. Ele é o símboloda perseverança. Apesar de terconsciência de suaiminentemorte, continua esperando a salvação. Na suavelhice ele é premiado, pelasuafidelidade e perseverança, pelapresença do Messiasesperado. Ele é uma pessoaque sabe olharparafrenteparavivermelhoro presente.
A partir de Deus e comDeusnada é perdido no mundo. Simeão é a testemunha e prova disto. Elenosensina a conversarmos comDeuspermanentementee a olharmos para a frente. Elenosensina a olharmos paraJesus, o nossoSalvadore a irmos ao Seuencontro. No encontrocomJesus, como aconteceu com Simeão, sãorealizadas nossas esperas e esperanças, encontramos alegriae paz, nossosolhossãoiluminados paraver as pessoas e as coisasno seujustovalor, comotambém a nossaprópriavida. Masparaque o nossoencontrocomJesus aconteça, precisamos nosdeixarguiarpeloEspíritoSanto.
5. O silêncio de Maria e o nossosilêncio
No relato, Maria é descrita como uma personagemquenãoprofetiza nemfala. Em outras palavras, ela está emsilênciototal. Ela acolhe na obediênciaas profeciassobreo futuro de seuFilhosilenciosamente.
Maria nosensina a fazermos o silêncioobrigatório no meiode nossavidae trabalhopara captarmos melhor o sentido das coisas, dos acontecimentose das pessoas na suajustaperspectivae no seujustovalor. O silênciochegaquandoas nossas energias começam a descansar e nosacolhe quando o nossoego fica empaz e sossego. Quandonãosabemos o que é descansar, não sabemos tambémo que é viver. O nossoegonão é o nossocentro de gravidade. O ego é o centrode todos os desejosdesenfreados, dos lucros, possessões e domínios. Hojeemdia há uma dependênciaexagerada do trabalho. Quandohá dependência, nãoexiste liberdade. Há pessoasque se entregam a tudodesdequenãofiquem no vazio. A vidanunca é o quese consegue. Não é o que se tem. A vidaé o que se é. Nãose pode ignorarquetudoquantose alcança, se perde. Só o que se é, permanece. O silêncio, porisso, é tãoimportante, poiselenosleva a encontrarmos o nossoeixo. As nossas palavrasserão boas, se brotarem do silêncio. E Deusnunca cessa de clamar, masparaescutarmos a suavozé preciso criarmos o silênciodentrode nós. E a escutaexige uma atençãototale plena. O silêncioé umvazioque faz tornarpresente a plenitude. Mas a plenitudenão se tornapresente de repente. É precisotempo. Na semente está a qualidadedo fruto, masnaturalmente é precisotempo. Dizia Cícero: “Há trêscoisas na vidanas quaisnãopode haverpressa: a natureza, umancião e a açãodos deuses na tua história”. O silêncio é esvaziar-se parareceber. No silênciodiminuem as defesas e fica-se prontopararecebero que vier. O silêncioquando se souber aproveitá-lo melhor, eleserá frutificante e benéficoparaquem o criae consequentemente para os queo cercam.
P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-01-29 18:56:00

01/02/2018
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SER CRISTÃO É SER VERDADEIRO MENSAGEIRO DO SENHOR
Quinta-Feira da IV SemanaComum

Primeira Leitura: 1Rs 2,1-4.10-12
1 Aproximando-se o fim da sua vida, Davi deu estas instruções a seu filho Salomão: 2 “Vou seguir o caminho de todos os mortais. Sê corajoso e porta-te como um homem. 3 Observa os preceitos do Senhor, teu Deus, andando em seus caminhos, observando seus estatutos, seus mandamentos, seus preceitos e seus ensinamentos, como estão escritos na lei de Moisés. E assim serás bem-sucedido em tudo o que fizeres e em todos os teus projetos. 4 Então o Senhor cumprirá a promessa que me fez, dizendo: ‘Se teus filhos conservarem uma boa conduta, caminhando com lealdade diante de mim, com todo o seu coração e com toda a sua alma, jamais te faltará um sucessor no trono de Israel”’. 10 E Davi adormeceu com seus pais e foi sepultado na cidade de Davi. 11 O tempo que Davi reinou em Israel foi de quarenta anos: sete anos em Hebron e trinta e três em Jerusalém. 12 Salomão sucedeu no trono a seu pai Davi e seu reino ficou solidamente estabelecido.
Evangelho: Mc 6,7-13
Naquele tempo, 7Jesus chamou os doze e começou a enviá-los doisa dois, dando-lhes podersobre os espíritosimpuros. 8Recomendou-lhes quenão levassem nadapara o caminho, a nãoserumcajado; nempão, nemsacola, nemdinheiro na cintura. 9Mandou que andassem de sandáliase quenãolevassem duas túnicas. 10E Jesus disse ainda: “Quandoentrardes numa casa, ficai aliatévossapartida. 11Se emalgumlugarnãovos receberem, nemquiserem vosescutar, quando sairdes, sacudi a poeira dos pés, comotestemunhocontraeles!” 12Então os doze partiram e pregaram quetodosse convertessem. 13Expulsavam muitosdemônios e curavam numerososdoentes, ungindo-os comóleo.
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Palavras de “Adeus” e Palavras de “Enviados”
Depois que meditamos sobre o texto do livro de Samuel (1Sm e 2Sm) durante algumas semanas, agora começamos a acompanhar a leitura do livro dos Reis durante alguns dias, antes da Quaresma e mais tarde, voltaremos para a leitura deste livro na 11ª Semana do Tempo Comum.
O conteúdo global dos livros dos Reis é a história dos reis de Israel e de Judá, desde a morte de Davi até o exílio para Babilônia, que vão desde 970 a.C, aproximadamente, até 561 a.C. Apesar de sua finalidade teológica os livros dos Reis são o mais importante documento bíblico para a reconstituição histórica do período que vai desde o reinado de Salomão até a destruição de Jerusalém em 587 a.C.
Como outros grandes personagens da história de Israel (Moisés, Samuel), Davi, no momento de morrer, deixa um legado a Salomão, seu filho. Esse testamento (1Rs 2,1-9) apresenta duas partes claramente diferenciadas: uma teológica e outra política.
A primeira parte do testamento (1Rs 2,2-4) é uma exortação de estilo deuteronomista evidente e recorda a exortação de Moisés ao povo e ao seu sucessor, Josué (Dt 31,7.28; Cf. Js 1). Segundo Davi, o bem-estar e a proteção divina de Salomão dependerão da obediência fiel à Lei de Moisé e seu perfeito cumprimento.
A segunda parte do testamento (1Rs 2,5-9) trata das medidas políticas que Salomão tem de tomar, as quais o encarregou seu pai. Esta segunda parte não aparece na leitura de hoje.
Os dias da morte de David estão se aproximando. Seu papel tem sido muito importante. Ele criou solidamente a unidade das doze tribos de Israel, que até então viveram independentes. Ele pacificou o país da Palestina, de Dan a Bersabé, rejeitando todos os inimigos que ainda atacaram os hebreus. Ele deu uma capital e uma cidade santa, Jerusalém, ao povo de Israel. Já sabemos que David não é um homem perfeito. Mas, é incontestavelmente foi um homem que vivia “diante de Deus”. O seu testamento espiritual, que confia a seu filho Salomão na Primeira Leitura de hoje, é a prova suprema disso.
Vou seguir o caminho de todos os mortais”, disse Davi a Salomão, seu filho. É uma fórmula maravilhosa para falar sobre a morte. A morte é o “caminho de todos”. Fórmula de humildade e solidariedade com toda a humanidade. Nem eu me escaparei disso e nem você se escapará disso. Um dia eu vou pegar aquele caminho através do qual todos os homens passam. Eu preciso ter consciência disso para começar a parar de ter tanta ganancia, de tanta prepotência, de tanta falta de amor fraterno. Eu preciso valorizar a vida que cada dia se escapa de mim. Eu preciso valorizar minha família, o almoço junto à minha família, pois um dia tudo acabará neste mundo em que eu vivo. Eu preciso deixar uma marca de minha passagem neste mundo: que as pessoas melhorem por causa da minha presença com elas.
“Sê corajoso e porta-te como um homem”. É o segundo conselho de Davi ao seu filho Salomão. É o conselho de valentia. Não se deixar abater. As pessoas podem tomar somente o que temos, mas nunca o que somos. Permanecer em pé nas adversidades confiando em Deus é o que Davi fala para seu filho, Salomão. Quando as forças humanas começarem a se esgotar, a fé vai renová-las outra vez.
Além disso as últimas recomendações de Davi são todo um programa de atuação para um rei que deve ser eficaz politicamente, mas, ao mesmo tempo, humilde servidor de Deus: “Observa os preceitos do Senhor, teu Deus, andando em seus caminhos, observando seus estatutos, seus mandamentos, seus preceitos e seus ensinamentos, como estão escritos na lei de Moisés. E assim serás bem-sucedido em tudo o que fizeres e em todos os teus projetos”.
Começa assim o reinado de Salomão no qual a monarquia chegará a seu maior esplendor, que durará muito pouco, porque imediatamente depois, com a divisão do Norte e o Sul, começará a decadência.
Também deveria ser este o tom das recomendações que uns pais fazem para seus filhos ou uns educadores aos que estão se formando. Os valores que mais lhes vao servir em sua vida, mais que as riquezas ou os títulos, são os valores profundos humanos e cristãos. Valores que, num tempo de tanta corrupção, de tanta mentira e de tana superficialidade, lhes darão consistência humana e lhes atrairarão a bênção de Deus e a simpatia e a solidariedade dos homens.
Quando programarmos nossa vida, ou uma próxima etapa ou o próximo ano, também deveríamos dar importância aos valores mais profundo, e não aos mais aparentes. Não viver superficialmente; Viver com responsabilidade; Estar antento a Deus; Seguir os caminhos de Deus e Estar em comunhão com a vontade de Deus são os conselhos de Davi que jamais perdem sua atualidade, pois estão ai o coração de nossa vida.
Somos Todos Os Enviados Do Senhor
O evangelhonosfalado envio dos discípulosparaa missão. Elesjá têm acompanhadoJesus duranteumperíodorelativamentelongo. Elestêm escutado os ensinamentos de Jesus emparábolas e suasexplicaçõescomplementares. Têm presenciado seusmilagres. Agoraelesdevem empreender a segundafase do programa, pregando a conversão e dando a conhecer a ofertadivina de salvação.
 “Jesus chamou os doze e começou a enviá-los…”
Esta é a primeiravezqueos Doze vão se encontrarsós, semJesus, longe dele. É o tempo da Igreja. É o tempo da prática.
Durante os cincoprimeiroscapítulos de seurelato, o evangelistaMarcosnosapresentou Jesus comseusdiscípulos, commuitainsistência, dianteda multidão e dos adversários. No momento de suavocação (Mc 3,13-14), o evangelistaMarcoshavia dito: “Jesus constituiu Doze paraqueficassem comele, paraenviá-los a pregar…”.  É igualao movimento do coração: diástole, sístole… O sangue vem ao coraçãoe do coração é enviadoao organismo. Dessa maneiraé que o organismopode se manter. É o mesmomovimento do apostolado: vivercomCristo, ir ao mundoparalevaro Cristo; intimidadecomDeus, presença no mundocom o espíritode Deus. Quemnão vive, primeiro, comCristo, não pode serumbommissionário, nãopode serumcristãocrível no mundo. Umcristão tem queanimartudocomespírito de Cristo.
O textoprocuramostrarcomo deve agiro seguidor de Jesus e o que vai acontecercomele se sairpelomundoparapregar o Evangelho. Tudoisto se resume numa sóidéia: o seguidordeve agircomoo Mestre Jesus agiu. O que aconteceu como Mestre vai acontecertambémcomo discípulo, poiso discípulonãoé maior do queo próprioMestre(Mt 10,24).
No Evangelhode hoje Jesus anuncia algunspontosfundamentaispara o discípulo/seguidorrealizar a missão:
Em primeirolugar, o texto diz queJesus envia os discípulosdoisa dois. “Dois a dois” indica que a missão é umserviçocomunitárioe os cristãos devem ajudar-se mutuamente emsuasatividades; nãoé umtrabalhode promoçãopessoal; é umtrabalhode conjuntooucoletivo. “Irdois a dois” implica também a afirmação da igualdadee exclui a subordinação de um ao outro(cf. Dt 19,15). Quem vive o Evangelho do Senhor deve estarem sintonia com os irmãosda suacomunidade.
Jesus começou a enviá-los doisa dois…” Independentemente das razoes bíblicas esta expressão é muitomoderna e avançada. Na Igreja de Jesus nãose trabalhasóe simemequipe. É a vontadeexplicita de Cristo. A atitudede quemtrabalhana Igreja, na comunidadeeclesial deve ser interrogada a partirdaqui. O individualismo tem formasmuitosutis: não gostamos queos nossosirmãoscontrolem nossospróprioscomportamentos apostólicos e outroscomportamentos; cadaumquerser uma estrelasolitária a ponto de apagar o brilho do outro; nada se discuta, cadaum vai fazer as coisas do jeitoquequer. O pior é queo Cristo fica de ladoou de costaspara a pessoaemquestãoestaremdestaque.
Em segundolugar, Jesus deu aos doze o poder messiânico de Cristocontra as forçasdo mal, ouseja, a autoridadeparalibertar as pessoasde tudoaquiloque aliena, oprime e despersonaliza as pessoas. O evangelistaMarcos resume o poderdos enviadosemtrêspalavras: o carisma da “palavra” queproclamaa necessidade de mudançade vida; o carismade expulsardemônios, isto é, o podercontra o mal; e o carisma de “curaros enfermos”, istoé, melhorar a vidahumana na suaqualidade.
Eles sãoenviadoscomautoridadesobreos espíritosimundos, para dominá-los e nãoparadominar os outrosirmãos.  O cristãotem o poder de tiraressemal, pois o Senhor Jesus lho deu. A primeiratarefade cadacristãoconsiste emtiraro malqueestá no meio das comunidades, no meio da própriafamília, de dentrodo própriocoração. Quem é livrepode libertar os outros. O enviado de Jesus, cadacristão deve instaurarummundomaisjustoe fraterno; deve melhorara vidahumana.
Em terceirolugar, Jesus exige dos doze ummodode vidabaseadanum desprendimentoabsoluto dos bensmateriais (vv.8-9). Jesus pede que os discípulosvivam umestilode austeridade e a pobrezaevangélicade modoquenão se ponham ênfasenosmeioshumanos: econômicosoutécnicose sim na forçade Deusqueelelhestransmite. Deusnãose serve de anjosnemde revelações diretas. É a Igreja, ouseja, os cristãosquecontinuam e visibilizam a obra salvadora de Cristo e o modode vida do cristãodeve serreflexodo de Cristo. A linguagemque o mundode hoje facilmente entende: austeridade e o desinteressena hora de fazero bem: o cristãodeve fazer o bempelobem e nãoporalguminteresseportrás. É claroque necessitamos os meiosque fazem parteda evangelização, porémjamais podemos nosdeixar de nosapoiar na graçade Deus e na nossafésembuscarsegurançase prestígioshumanos.
Trata-se de uma pobrezavoluntária, porquesomenteassimeles poderiam serconsiderados comofidedignos. Jesus enfatiza mais o serdos discípulos do queo seuter. Jesus nãodesprezaos bens deste mundo, não apresenta a misériacomoumideal de vida, masalertapara o perigode nos deixarmos condicionarpelapossede bensmateriais. A porta da morteé tãoestreitaquesomentepassaaquiloque é a bagagemde amor na condivisão dos bensmateriaiscom os irmãos e irmãs quenãotêm nadaparasuavida.
O desapegoa tudonãoimplica somente a renúnciaa uma cargapesadade bensmateriais, mastambémo abandono de preconceitos, de tradições, de idéiasretrógradas, às quais muitas vezes estamos amarrados de uma formaemocional e irracional. Referimo-nos ao pesado ônus representado porcertosusos, porcertoscostumes, porcertastradições religiosas embutidas emdeterminadoambientehistóricoe cultural, quemuitos, confundem ou equiparam com os valoresdo Evangelho. Nãopodemos acumular “bastões”, “dinheiro”, “sandálias” e “túnicas”.
Em quartolugar, Jesus envia os doze parapregar a mudança de vida(conversão) parasi e para os outros (v.12). Para Jesus, a conversão é condiçãosine qua non paraconstruiruma sociedadenovaouReinode Deus (Mc 1,15). A conversãosempreenvolve movimento de uma dimensãoparaoutra. E issoenvolve a pessoatoda, nãoapenasseusensomoral, suacapacidadeintelectualousuavidaespiritual. Corpo, mentee almajuntossãoafetadospeloato da conversão, e as conseqüênciassão sentidas emtodos os aspectosda vida da pessoa, inclusivenoscampossociale político.
Em quintolugar, a outrainstruçãode Jesus prevê uma atitude de bomsenso e formaçãode comunidade: “Quandovocêsentrarem numa casa, fiquem aíaté partirem” (v.10).
É interessante observarquenãose falaparaos discípulos irem às sinagogas, instituiçãojudaica, o queseria contrario à finalidade do envio. Menciona-se somente “o lugar” e “a casa/ família” que podem encontra-se emqualquerpaís. Hão de aceitar a hospitalidadequea eles é oferecida, semmudar de casa, paranãodesprezar a boa vontadedo povonemafrontar a hospitalidadeoferecida. Os discípulos devem aceitar o que a elessãooferecidos semmostrarreações ao usodo lugar.
“Quandovocêsentrarem numa casa, fiquem aíaté partirem” (v.10). Istonão indica a plenaestabilidadepara os discípulos, masumlocalonde, com a suapartida, a comunidadepossa continuar a se reunire darprosseguimento à Boa Nova do reino. Os cristãos devem ensinaros outros a assumirem o compromisso, a andarem comas próprias pernas.
Para os Doze, o novo Israel, esta instruçãoimplica uma mudançaradical de mentalidade: entraremcasa de pagãos, desprezados pelosjudeus, e depender deles paraa sobrevivência. Jesus pretende que os discípulosesqueçam suaidentidadejudaicaparacolocar-se no plano da humanidade. É precisoviver a humanidadepara se tornarhumanopara os outros.
À luzdo Evangelho de hojeprocuremos nosperguntar: será que somos merosespectadores e admiradoresde Jesus ou somos seusseguidores? O quepode estar tornando menosconvidativo e poucocrível a nossamensagem? Qualé o testemunhoquedevemos darparaque os outrosacreditem na nossamensagem? É impossívelserumverdadeirocristãosemestarcomCristoantes.
P. Vitus Gustama,svd