Mês: agosto 2017

Sexta-feira da 21.ª Semana do Tempo Comum (I) – A parábola das virgens e o óleo da oração

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
25, 1-13)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: “O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo. Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes. As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas. O noivo estava demorando e todas elas acabaram cochilando e dormindo. No meio da noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!’ Então as dez jovens se levantaram e prepararam as lâmpadas. As imprevidentes disseram às previdentes: ‘Dai-nos um pouco de óleo, porque nossas lâmpadas estão se apagando’. As previdentes responderam: ‘De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós. É melhor irdes comprar aos vendedores’. Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou. Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: ‘Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!’ Ele, porém, respondeu: ‘Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!’ Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora”.

Com a parábola das dez virgens, Nosso Senhor narra bem concretamente a diferença de destino entre aqueles que se entregam à vida contemplativa e aqueles que, imprudentemente, não rezam. Porque o óleo com que as cinco virgens previdentes mantêm acesas as suas velas não é outra coisa senão a oração: só através de um trato íntimo e perseverante com o Senhor poderemos manter ardendo a chama da caridade em nossos corações. No dizer de Santo Agostinho, “Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti”. Se por um lado Nosso Senhor deseja distribuir a todos os homens as suas graças atuais, a fim de que “se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2, 4), por outro lado, não chegaremos a receber essas efusões do Espírito Santo se não lhas pedirmos expressamente. Isso acontece porque Deus age nas almas de maneira sutil, como o sopro de uma “brisa suave”, sem violências.

Para quem deseja caminhar a passos largos no caminho da perfeição, fica o conselho de crescer também na vida sacramental, pois é principalmente na Comunhão que se torna perceptível esse toque delicado do Senhor, derramando óleo em nossas lâmpadas.

Munidos perseverantemente, então, desses dois instrumentos — oração e sacramentos —, entraremos um dia na “festa de casamento” eterna com o divino Noivo de nossas almas, Jesus Cristo. Oxalá não mereçamos ouvir, ao fim de nossas vidas, a mesma palavra de condenação dirigida às virgens imprudentes do Evangelho: “Não vos conheço!”

A vocação dos leigos

Os leigos são todos os cristãos, exceto os membros das Sagradas Ordens ou do estado religioso reconhecido na Igreja, isto é, os que foram incorporados a Cristo pelo Batismo, que formam o Povo de Deus, e que participam da função sacerdotal, profética e régia de Cristo. Os cristãos leigos estão na linha mais avançada da…

É PRECISO CAMINHAR 2017-08-30 21:54:00

02/09/2017
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TALENTOS RECEBIDOS SÃO DADOS PARA SEREM MULTIPLICADOS PARA O BEM DE TODOS
Sábado da XXI Semana Comum
Primeira Leitura: 1Ts 4,9-11
Irmãos, 9 não é preciso escrever-vos a respeito do amor fraterno, pois já aprendestes de Deus mesmo a amar-vos uns aos outros. 10 É o que já estais fazendo com todos os irmãos, em toda a Macedônia. Só podemos exortar-vos, irmãos, a progredirdes sempre mais. 11 Procurai viver, com tranquilidade, dedicando-vos aos vossos afazeres e trabalhando com as próprias mãos, como recomendamos.
Evangelho: Mt 25,14-30
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: 14 ”Um homem ia viajar para o estrangeiro. Chamou seus empregados e lhes entregou seus bens. 15 A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com a sua capacidade. Em seguida viajou. 16 O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles, e lucrou outros cinco. 17 Do mesmo modo, o que havia recebido dois lu­crou outros dois. 18 Mas aquele que havia recebido um só, saiu, cavou um buraco na terra, e escondeu o dinheiro do seu patrão. 19 Depois de muito tempo, o patrão voltou e foi acertar contas com os empregados. 20 O empregado que havia recebido cinco talentos entregou-lhe mais cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco que lucrei’. 21 O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’ 22 Chegou também o que havia recebido dois talentos, e disse: ‘Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei’. 23 O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’ 24 Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento, e disse: ‘Senhor, sei que és um homem severo, pois colhes onde não plantaste e ceifas onde não semeaste. 25 Por isso fiquei com medo e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence’. 26 O patrão lhe respondeu: ‘Servo mau e preguiçoso! Tu sabias que eu colho onde não plantei e que ceifo onde não semeei? 27 Então devias ter depositado meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence’. 28 Em seguida, o patrão ordenou: ‘Tirai dele o talento e dai-o àquele que tem dez! 29 Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. 30 Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão. Ali haverá choro e ranger de dentes!”
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Mudar Para Crescer Cada Vez Mais Faz Parte De Um Sucesso
Irmãos, não é preciso escrever-vos a respeito do amor fraterno, pois já aprendestes de Deus mesmo a amar-vos uns aos outros… Só podemos exortar-vos, irmãos, a progredirdes sempre mais”, escreveu São Paulo para a comunidade cristâ de Tessalônica.
Só podemos exortar-vos, irmãos, a progredirdes sempre mais!”, disse São Paulo.
Nas sociedades mais avançadas não há indivíduos presos ao destino determinado pela sorte, pois eles são capazes de projetar a própria vida, e de aprender coisas novas para crescer mais e ampliar o horizonte. Mudar para crescer cada vez mais faz parte da vida diária e da caminhada humana. O mundo, em termos de tecnologia, cresce cada vez mais, e nunca sabemos até onde! Cada tecnologia avançada impõe um novo estilo de vida nunca antes vivido ou antes simplesmente recusado. O mundo está cada vez mais conectado. A tecnologia que uma mão segura domina a vida de quem a segura. A tecnologia aproxima quem está distante e distancia quem está próximo.
Pessoas eficientes e realizadas não passam tempo fazendo o que é mais conveniente ou cômodo; elas têm coragem de aprender coisas novas para crescer, de ouvir o próprio coração sem medo, e de fazer coisas certas e precisas. Isso é que as torna grandes. As pessoas bem-sucedidas têm o hábito de fazer as coisas que os fracassados não gostam de fazer. Quando você deixa de crescer, estará envelhecido. Enquanto estiver aberto ao crescimento, você é jovem. O seu medo de crescer é o seu medo de tomar conta de si mesmo ou da sua responsabilidade como adulto” (René Juan Trossero, psicólogo e escritor argentino). “Os homens só envelhecem quando os lamentos substituem os sonhos” (John Barrymore, era um ator americano).
Se no dia anterior as recomendações de São Paulo para os tessalonicenses se referiam à vida de santidade afastando-se da impureza (refere-se à vida sexual), hoje se tratam da caridade fraterna que necessita melhorar.
Toda comunidade cristã, seja familiar ou religiosa, seja paroquial ou diocesano pode sentir-se hoje interpelada: “Só podemos exortar-vos, irmãos, a progredirdes sempre mais!”. Concretamente, é progredir na vida fraterna baseada no amor.
O amor é o eixo sobre o qual giram todas as virtudes e doutrinas do NT. Todas as virtudes lhe servem de alimento e nenhuma virtude subsiste sem o amor.
Estar no caminho de Jesus é estar no caminho de amor. O amor opera grandes transformações. A escuridão se transforma em luz, a solidão em comunhão, o Eu em Nós, o Éros em Ágape, o humano em divino.
O ensinamento que mais vezes nos põe diante da Palavra de Deus é o mandamento principal: amar a Deus e amar ao próximo. Infelizemente, é o campo em que mais faltamos e, portanto, o que mais necessita de nosso esforço de conversão contínua e de crescimento.
Além disso, é preciso levarmos em conta as recomendações concretas de São Paulo: “Procurai viver, com tranquilidade”, isto é, manter a calma e a paz na comunidade sabendo resolver as tensões existentes ou surgidas temporariamente. A tranquilidade da alma e da mente é uma conquista de cada dia.
Os Talentos São Dados a Cada Um De Nós Para Multiplicá-los Para o Bem De Todos
O texto do evangelho de hoje fala sobre os talentos. Mateus os coloca dentro do discurso de Jesus sobre o julgamento final. Se pensarmos no fim de nossa vida para prestar contas diante de Deus sobre nossos talentos, não tem como não faremos algo para multiplicá-los para o bem de todos.
Tanto em inglês como em português contemporâneos, talento refere-se exclusivamente à aptidão natural e à capacidade inata de certas pessoas para certas funções. O evangelho nos relata que um proprietário, antes de viajar, deixa seus bens (talentos) aos empregados. E o que ele confia a cada um deles não é pouco: é talento. Um talento equivalia a 34,272 quilos de peso ou aproximadamente a seis mil denários e tendo-se em vista que o salário mínimo de um trabalhador rural era um denário por dia (cf. Mt 20,1-16). Por isso, um talento correspondia, mais ou menos, a dezesseis anos e 160 dias de trabalho de um operário rural na época. Isto quer nos dizer que Deus confia para cada uma enorme capacidade e que somos capaz de transformar o bom em algo melhor (multiplicar).
Na parábola dos talentos o amo (patrão) distribui para seus empregados suas riquezas (isto é, os interesses do Reino) tendo em conta as possibilidades de cada um, ainda que seja um só talento dado, e não quer exigir mais do que os empregados podem fazer. E o interessante é que o proprietário não diz o que ou como os servos devem fazer com os talentos recebidos (modo de multiplicar), porque ele sabe que cada um deles é capaz, pois ele confia a cada um de acordo com a própria capacidade e responsabilidade (v.15). “Faze o que podes. Deus não te pede mais”, dizia Santo Agostinho (Serm. 128, 10,12). “Deus não leva em conta teus talentos, mas tua disponibilidade. Sabe que fazes o que podes, mesmo que fracasses no resultado, e contabiliza em teu favor o que tentaste fazer e não pudeste, como se o tivesses conseguido”, acrescentou Santo Agostinho (Serm. 18,5).
O texto fala também do momento de prestar contas, ou seja, do momento de juízo e da recompensa. Neste ponto, o relato usa as mesmas palavras para os dois primeiros empregados: “servo bom e fiel”: estes empregados falam o que fizeram com os talentos e o dono não toma os talentos que multiplicaram e sim que a eles o dono dá muito mais e os associa ao gozo de sua vida.
O que acontece com aquele que recebeu só um talento? Aqui o texto se detém longamente e de forma antitética do que o texto precedente. Isto significa que o ponto alto da parábola se encontra aqui e se centra na sorte daquele que, tendo capacidade, não fez nada com o talento. Ao contrário, se preocupa em conservar intacto o talento recebido. Como qualquer que se sente culpável ou culpado, esse empregado intenta justificar-se e o faz atacando seu dono: “Senhor, sei que és um homem severo, pois colhes onde não plantaste e ceifas onde não semeaste. Por isso fiquei com medo e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence”. Percebemos que o empregado não conhecia o seu dono, pois o que diz sobre seu amo não está certo. Ele acusa o dono de “um homem severo”, mas não foi com os outros dois empregados.
Além disso, o próprio empregado é dominado pelo medo: “… fiquei com medo e escondi o teu talento no chão”.  Sua atitude era realmente uma atitude de escravo, nunca chegou a conhecer o dono. Ele parece como certos cristãos que vivem com medo do Senhor (Deus), pois O veem como “juiz” e não como “Amor” (cf. 1Jo 4,8.16); não se sente como “filhos” e por isso, não se encontram sob a ação do Espírito Santo que ajuda a dizer: Abba, Papaizinho (Rm 8,15). “Deus não condena quem não pode fazer o que quer, mas quem não quer fazer o que pode”, dizia Santo Agostinho
Trata-se dos interesses do Reino, das riquezas do Senhor quando se fala dos talentos neste evangelho. Cada um tem obrigação de fazer frutificar os bens do Reino durante o tempo que a cada um foi concedido para administrá-lo (talento). Para Mateus este tempo é o tempo da Igreja, tempo de cada um de nós.
Deus confiou seus tesouros a todos os homens para serem administrados. Tudo o que temos é um bem que nos foi confiado. Deus tem confiança em nós ao nos dar “seus bens”. Eu sou “propriedade privada” de Deus. Todos os dons, todos os valores e riquezas que estão em mim, pertencem a Deus. Deus põe em jogo Sua Palavra como o faz um financista com seu capital. O empregado que recebeu um só talento, recusando mesquinhamente todo tipo de riscos, se decide por escolher uma segurança falsa, já que uma riqueza morta, sem investir, se desvaloriza. Quem não multiplica o que tem, o dilapida/ desperdiça. Quem “enterra” seu talento por medo a perdê-lo, se enterra a si mesmo e opta pela morte.
Para quem não viver uma espera ativa (as duas parábolas falam da demora da chegada do noivo [Mt 25,5] e do dono [Mt 25,19]), para quem não viver como terreno bom e fértil que dá como fruto trinta, sessenta ou cem por um (Mt 13,8.23), segundo sua situação, haverá somente condenação. Condenação é viver afastado do próprio Senhor; é viver fora de Sua casa; é viver atormentado. Por seis vezes, estes se descrevem com a imagem: “Ali haverá choro e ranger de dentes” (Mt 8,12; 13,42.50; 22,13; 24,51; 25,30). “Ninguém está tão só do que aquele que vivem sem Deus”, dizia Santo Agostinho.
O bom cristão não esconde o seu talento, mas aplica. Não enterra, mas planta; não guarda, mas multiplica; não se apropria, mas tudo coloca à disposição de todos para o bem de todos. Nenhum cristão pode ficar feliz enquanto outro irmão está passando por alguma necessidade. Podemos dizer que para o cristão, o bom negócio mesmo nessa passagem de vida é “partilhar”. Levaremos uma vida melhor, mais saudável e mais longa trabalhando juntos. A completa auto-suficiência é uma ilusão egoísta. Há muito mais força e felicidade na cooperação e na partilha. Você tem realizado e multiplicado os talentos que Deus depositou em você?
P. Vitus Gustama,svd

Memória de São Raimundo Nonato

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
24, 42-51)

Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos: “Ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor! Compreendei bem isso: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente vigiaria e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. Por isso, também vós ficai preparados! Porque na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá.

Qual é o empregado fiel e prudente, que o senhor colocou como responsável pelos demais empregados, para lhes dar alimento na hora certa? Feliz o empregado, cujo senhor encontrar agindo assim, quando voltar. Em verdade vos digo, ele lhe confiará a administração de todos os seus bens. Mas, se o empregado mau pensar: ‘Meu Senhor está demorando’, e começar a bater nos companheiros, a comer e a beber com os bêbados; então o senhor desse empregado virá no dia em que ele não espera, e na hora que ele não sabe. Ele o partirá ao meio e lhe imporá a sorte dos hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes”.

Neste dia 31 de agosto, a Igreja celebra a memória de São Raimundo Nonato, sacerdote mercedário que morreu heroicamente, com apenas 36 anos, dedicando-se à libertação de cristãos escravizados por muçulmanos. Nascido no século XIII, na região espanhola da Catalunha, “Ramón” é chamado de “Nonato” pelo modo como veio a este mundo: como sua mãe morreu antes mesmo de o dar à luz, ele foi extraído do ventre materno em uma operação cesariana — por isso, em latim, non nato, isto é, “não nascido”. Muitíssimo devoto da Virgem Maria desde muito cedo, Raimundo decidiu-se a entrar em uma congregação mariana com uma missão especial: a “Ordem Real, Celestial e Militar de Nossa Senhora das Mercês para a Redenção dos Cativos” — ou, simplesmente, Ordem dos Mercedários —, fundada por São Pedro Nolasco em 1218 justamente para o resgate dos cristãos em terras sob domínio islâmico. Religioso e sacerdote, Raimundo libertou 200 em Valência e mais de 300 na Argélia, sempre pagando pela alforria de seus irmãos em Cristo. Quando, porém, não mais lhe restava dinheiro, ele mesmo se ofereceu como refém para a libertação de um amigo cristão. Nem estando ele cativo, porém, deixava de trabalhar: na prisão, pregando aos muçulmanos, muitos deles se faziam cristãos, motivo pelo qual alguns carcereiros o torturaram e, colocando-lhe um cadeado na boca, perfuraram os seus lábios para que não mais falasse. Resgatado por irmãos de sua própria Ordem, São Raimundo Nonato foi feito eleito cardeal pelo Papa Gregório IX, mas não chegou a receber o chapéu cardinalício, pois, a caminho de Roma, entregou a sua alma a Deus, selando assim sua vida de entrega heroica e caridade ardente pelos irmãos. — Peçamos a Deus, pois, pelos rogos deste santo catalão, que nos faça enxergar em todos os cativos o próprio Cristo sofredor, para que, no fim de nossos dias, mereçamos ouvir dEle a bem-aventurança de que nos fala o Evangelho: “Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque […] estava na prisão e viestes a mim” (Mt 25, 34-36).

Quatro virtudes fundamentais para lidar com pessoas enfermas

Enfermos blog 2

Visitar as pessoas enfermas diz respeito a uma verdadeira
obra de misericórdia com autêntico espírito cristão, contanto que haja, em primeiro lugar, intenção sobrenatural de agradar a Deus, servindo-Lhe na pessoa dos membros enfermos de Cristo.

Eis aqui, portanto, as principais virtudes cristãs que há de praticar aquele que visita ou cuida dos enfermos, a fim de que sua ação caritativa seja verdadeiramente proveitosa para o enfermo e altamente meritória para si mesmo.

1.º Fé. — Antes de tudo, é necessário o exercício da fé, de modo que o fiel veja no enfermo o próprio Cristo, que sofre em um dos membros de seu Corpo místico. De fato, somente assim o Senhor nos dirá no dia do juízo final: “Vinde, benditos de meu Pai…, porque estive enfermo e me visitastes” (Mt 25, 34-40). Quando somos movidos por qualquer outra razão que não seja esta, desvirtuamos completamente o sentido desta grande obra de misericórdia e a destituímos quase inteiramente de seu imenso valor diante de Deus; pois Cristo não recompensará uma obra na qual em nenhum momento se pensou nEle.

A fé, assim, é o modo de ver fundamental no qual é preciso colocar-se a pessoa que pratica esta ou qualquer outra obra de misericórdia. Isso não quer dizer, porém, que não se possa pretender
também finalidades humanas com essa visita, como: curar o enfermo, aliviá-lo, consolá-lo, distraí-lo, confortar a família, etc.; mas tudo isso deve estar subordinado à finalidade última e suprema que é atender ao doente como membro enfermo de Cristo, como se se tratasse do próprio Salvador em pessoa.

Por não se ter em conta esse detalhe tão primário e fundamental, quanta moeda falsa, do ponto de vista sobrenatural, e quanta caridade
aparente na visita e no cuidado dos enfermos! Por isso, nunca se insistirá o bastante na necessidade de retificar a intenção, ao exercermos qualquer obra de misericórdia corporal ou espiritual. Se não o fazemos, expomo-nos a agir no plano puramente humano e natural, que, embora não seja pecaminoso, carece absolutamente de valor na ordem e plano sobrenatural. Porque não basta, para o mérito sobrenatural, estar na graça e possuir a caridade habitual; é preciso que a caridade influencie ao menos virtualmente o que estamos fazendo.

2.º Caridade. — Compreende-se sem esforço, portanto, que é precisamente a caridade que nos move e impulsiona ao exercício das obras de misericórdia. Mas não nos esqueçamos que a caridade se funda na participação da eterna bem-aventurança, e, por conseguinte, em última análise, a visita e o cuidado do enfermo deve também a ela encaminhar-se. É bom que nos preocupemos pela sua saúde corporal e que empreguemos para consegui-la todos os meios legítimos ao nosso alcance; mas, acima de tudo, devemos procurar sua saúde espiritual, animando-o a aceitar santamente sua enfermidade, vendo nela a expressão da vontade misericordiosa de Deus, e — se o caso o exigir — preparando-o para a digna recepção dos santos sacramentos.

É incrível, a esse respeito, a cegueira de tantas famílias que se chamam cristãs e que, na hora de manifestar o máximo amor e prestar o maior serviço aos entes queridos, salvando-lhes a alma, apodera-se deles com tal veemência o temor de “assustá-los”,
que não vacilam em deixá-los morrer sem receber os santos sacramentos, que talvez lhes eram absolutamente necessários para sua salvação eterna. Trata-se de um crime monstruoso que não ficará sem grande castigo da parte de Deus, neste mundo ou no outro; crime ao qual não servirá de desculpa o carinho mal-entendido que se sentia por aquele familiar, a quem não se vacilou em sepultar para sempre no inferno, ao invés de dar-lhe um pequeno susto que lhe teria aberto as portas do céu por toda a eternidade.

3.º Paciência e abnegação. — Os enfermos costumam pensar muito em si mesmos e ser bem exigentes, não se dando conta, muitas vezes, das grandes dificuldades que ocasionam aos que lhes rodeiam. É preciso armar-se, por isso, de paciência e de uma abnegação a toda prova, a fim de atender-lhes com sorriso nos lábios, sem dar a entender o sofrimento que nos causam. O trabalho da enfermeira ou da irmã de caridade desempenhado com suavidade e doçura, sem se impacientar jamais pelas mil impertinências e caprichos dos enfermos, supõe um domínio completo de si mesmo e uma abnegação heroica, que Deus saberá premiar com largueza na hora das recompensas eternas.

4.º Prudência e delicadeza. — Além disso, no trato com os enfermos, prudência e delicadeza são requeridas em grau superlativo. Na ordem material, deve-se procurar, por um lado, cumprir exatamente as prescrições médicas — algumas das quais são incômodas e penosas para o enfermo, que, por isso mesmo, quererá recusá-las —, sem que, por outro lado, se agite ou turbe o ânimo do paciente. Na ordem espiritual e religiosa, deve-se evitar com todo cuidado dar ao enfermo notícias que possam desgostá-lo ou afligi-lo — exceto, naturalmente, quando se-lhe deve falar dos últimos sacramentos — ou que despertem em sua alma sentimentos de rancor, inveja, impaciência e outras coisas semelhantes. Deve-se, por isso, criar para ele um clima de paz, serenidade, otimismo, confiança em Deus e plena aceitação, gozosa e alegre, de sua Divina Vontade, que nunca permite o mal senão para tirar maiores bens.


Do livro
Teologia de la Caridad, do Pe. Antonio Royo Marín,
Madrid: BAC, 1960, p. 426s.

Por que murmurar se a felicidade não é deste mundo?

Murmurar blog

Uma doença muito comum entre padres, freiras e outras pessoas dedicadas ao apostolado é a
murmuração. Esse verdadeiro vício, que consiste em uma falta de disposição para aceitar as contrariedades do dia a dia, tem causado enormes estragos na vocação cristã, sobretudo entre aqueles que ainda se encontram na fase inicial da vida de oração. Se não for remediado em tempo devido, pode não só arruinar o trabalho apostólico da pessoa, como afastá-la definitivamente do caminho de Deus. É por isso que o Diabo incentiva tanto os pensamentos críticos e a maledicência no meio religioso.

A murmuração é um típico pecado da língua, pelo qual a pessoa expressa seu aborrecimento e má vontade para realizar alguma ação que não lhe é agradável. O murmurador acaba repetindo a mesma atitude daqueles que o salmista condena por colocarem suas forças nas próprias palavras: “Dominaremos pela nossa língua, nossos lábios trabalham para nós, quem nos será senhor?” (Sl 11, 5). É desse tipo de atitude que nascem as fofocas, as intrigas, os sarcasmos e tantos outros pecados contra a caridade, os quais deveriam estar bem longe de um coração temente a Deus.

Mas como pode um pecado assim grosseiro estar tão presente na vida de muitos cristãos piedosos? O que estaria na origem das murmurações de sacerdotes, religiosos e lideranças leigas?

Os autores espirituais costumam relacionar os pecados da língua ao vício do orgulho. A murmuração, por sua vez, não é uma exceção. Ela nasce justamente de uma falta de retidão na entrega diária, pelo que a pessoa se sente no direito de contestar a vontade de Deus. “A murmuração é particularmente um inimigo nefasto da unidade no apostolado: ‘é crosta que suja e entorpece o apostolado’. — Vai contra a caridade, tira forças, rouba a paz, e faz perder a união com Deus”, adverte São Josemaria Escrivá (Caminho, n. 49).

No caso dos missionários, isso é ainda mais flagrante quando o padre ou o religioso, por exemplo, se desaponta com alguma contradição e pensa: “Mas Deus, eu já renunciei a tantas coisas, por que tenho ainda de passar por mais esse sofrimento? Já não foi o bastante ter deixado pai e mãe, esposa e filhos?” E assim o sujeito se ressente de sua vocação e começa a enxergar tudo nublado, porque a sonhada felicidade não veio depois da ordenação ou da profissão religiosa. Inúmeras são as vocações que se perdem por causa dessa cegueira espiritual.

Os jovens sacerdotes, por exemplo, caem frequentemente na ilusão da felicidade terrena. Depois dos anos sofridos de seminário, pensam, agora terão a bajulação dos fiéis, o afago dos presentes e a confiança do bispo. E qual não é a surpresa deles quando descobrem que, na verdade, ser padre é começar a sofrer! Os que não estão preparados para o martírio logo se decepcionam e cedem à murmuração. Tornam-se verdadeiras gralhas pessimistas, grasnando suas dores para qualquer um e em qualquer lugar. O sacerdócio se torna uma desgraça.

O primeiro remédio contra a murmuração, portanto, deve ser o da pobreza evangélica.
Os cristãos precisam desapegar-se desta vida, deste mundo efêmero, para colocarem suas esperanças de felicidade somente no Céu. Vale a pena recordar o testemunho de Santa Bernadette sobre o que representava para ela o cumprimento de sua missão como vidente de Nossa Senhora. Após os eventos de Lourdes, a pequena pastorinha não quis receber os aplausos do mundo, mas refugiar-se em um convento onde seria uma simples religiosa como outra qualquer. Ela sabia por meio da Mãe de Deus que não estava destinada aos prazeres mundanos, mas à felicidade eterna:

A pequena Bernadette […] seguiu sua vida no escondimento, como se nada tivesse acontecido. Voltou a ser uma simples jovem. Sentindo a necessidade de afastar-se do mundo e das especulações de curiosos, decide-se pelos votos religiosos e entra para o convento das Irmãs da Caridade, em Nevers, França. Com uma saúde ainda mais frágil, é obrigada a passar pelas mais duras humilhações, a ponto de ter de ouvir dos lábios da superiora, e na frente do bispo, “que não servia para nada”. Oferece tudo ao Coração de Jesus como consolo e reparação às ofensas dos homens.

Bernadette viveu seus últimos anos em oração e grande agonia. ”
Não lhe prometo a felicidade neste mundo, somente no próximo“. As palavras que a Virgem lhe dirigira nas primeiras aparições cumpriram-se fatalmente. A santa entregou-se como holocausto pela conversão e salvação dos pecadores. Morreu no dia 16 de abril de 1879, aos 35 anos, devido a sérias complicações causadas pela tuberculose. Suas últimas palavras: “Ó minha senhora, eu vos amo. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por mim”. Com o corpo incorrupto, a “que não servia para nada” foi elevada às glórias dos altares em 1933 pelo Papa Pio XI. A felicidade eterna a havia alcançado.

Notem: Bernadette atingiu o cume da santidade por uma vida simples, sem glórias humanas, totalmente voltada para o cumprimento da vontade de Deus. Nunca murmurou contra suas dores. Ao contrário, seu pedido constante no leito de agonia não era para que Deus abreviasse seu sofrimento, mas para que lhe desse “paciência”. Isso tudo porque sabia, pela promessa de Nossa Senhora — “Não lhe prometo a felicidade neste mundo, somente no próximo” —, que não passaria por esta vida sem sérios tormentos. Por isso, seguiu fielmente o conselho de São Paulo aos filipenses: “Fazei todas as coisas sem murmurações nem críticas, a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes, filhos de Deus íntegros no meio de uma sociedade depravada e maliciosa, onde brilhais como luzeiros no mundo” (Fl 2, 14-15).

O cristão, é claro, não deve ser uma pessoa triste, amargurada pelas cruzes do dia a dia. Mas sua alegria vem exatamente da certeza de que estas cruzes cessarão e, no Céu, eles encontrarão a paz completa e eterna, como Santa Bernadette e os demais santos. Com uma fé sólida na realidade dos novíssimos, nenhum sacerdote ou religioso terá motivos para se queixar de algo, pois aquele que espera apenas em Deus “dessa forma, no dia de Cristo”, sentirá a “alegria em não ter corrido em vão, em não ter trabalhado em vão” (Fl 2, 16).

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

É PRECISO CAMINHAR 2017-08-30 16:45:00

01/09/2017
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ESTEJAMOS PREPARADOS PARA O ENCONTRO DEFINITIVO COM AQUELE QUE NOS SALVA
Sexta-Feira da XXI Semana Comum
Primeira Leitura: 1Ts 4,1-8
1 Meus irmãos, eis o que vos pedimos e exortamos no Senhor Jesus: Aprendestes de nós como deveis viver para agradar a Deus, e já estais vivendo assim. Fazei progressos ainda maiores! 2 Conheceis, de fato, as instruções que temos dado em nome do Senhor Jesus. 3 Esta é a vontade de Deus: vivei na santidade, afastai-vos da impureza; 4 cada um saiba tratar o seu parceiro conjugal com santidade e respeito, 5 sem se deixar levar pelas paixões, como fazem os pagãos que não conhecem a Deus. 6 Que ninguém, nessa matéria, prejudique ou engane seu irmão, porque o Senhor se vinga de tudo, como já vos dissemos e comprovamos. 7 Deus não nos chamou à impureza, mas à santidade. 8 Portanto, desprezar estes preceitos não é desprezar um homem e sim, a Deus, que nos deu o Espírito Santo.
Evangelho: Mt 25,1-13
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: 1”O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo. 2 Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes. 3 As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. 4 As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas. 5 O noivo estava demorando e todas elas acabaram cochilando e dormindo. 6 No meio da noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!’ 7 Então as dez jovens se levantaram e prepararam as lâmpadas. 8 As imprevidentes disseram às previdentes: ‘Dai-nos um pouco de óleo, porque nossas lâmpadas estão se apagando’. 9 As previ­dentes responderam: ‘De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós. É melhor irdes comprar aos vendedores’. 10 Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou. 11 Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: ‘Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!’ 12 Ele, porém, respondeu: ‘Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!’ 13Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora”.
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A Santidade Se Alcança Na Vivência Do Amor
Esta é a vontade de Deus: vivei na santidade, afastai-vos da impureza; cada um saiba tratar o seu parceiro conjugal com santidade e respeito, sem se deixar levar pelas paixões, como fazem os pagãos que não conhecem a Deus”.
Na segunda parte da Primeira Carta de São Paulo aos tessalonicenses (1Ts 4,1-5,24) encontram-se exortações, instruções e palavras de consolo. Trata-se de uma catequese apostólica com o intuito de esclarecer as mentes e fortalecer as vontades para que os cristãos se mantenham na vida querida por Jesus Cristo.
Os habitantes de Tessalônica, como os das demais cidades pagãs, estavam acostumados, antes de sua conversão, com um estilo de vida cheia de libertinagem, dentro e fora da vida matrimonial. Por isso, São Paulo recomenda aos tessalonicenses: “Esta é a vontade de Deus: vivei na santidade, afastai-vos da impureza; cada um saiba tratar o seu parceiro conjugal com santidade e respeito, sem se deixar levar pelas paixões, como fazem os pagãos que não conhecem a Deus”.
Juntamente à justiça, a liberdade é considerada pelo homem moderno como valor fundamental da existência do indivíduo e da sociedade. Nesta perspectiva, a história tende a aparecer como história da liberdade, e as diversas épocas e culturas são julgadas em relação à sua capacidade de promover e de ampliar a liberdade. Mas muitas vezes o homem não sabe usar sua liberdade a ponto de ele se tornar prisioneiro de sua própria liberdade sem regra chamada libertinagem. São Paulo nos alerta, através de sua Carta aos gálatas: “Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não abuseis, porém, da liberdade como pretexto para prazeres carnais. Pelo contrário, fazei-vos servos uns dos outros pela caridade” (Gl 5,13).
Deus não nos chamou à impureza, mas à santidade”, escreveu São Paulo que lemos na Primeira Leitura.
A Teologia Moral afirma que o pecado da impureza consiste no abuso da faculdade sexual, isto é, na sua aplicação contrária ao seu sentido e finalidade. O mal não está no prazer sexual como tal e sim em buscá-lo abusivamente e fora da ordem estabelecida pelo Criador no matrimônio. É bom ter o prazer psíquico e físico causado pelo uso da faculdade sexual sempre que esteja dentro da ordem querida por Deus. O “prazer é mau” quando resulta de seu abuso voluntário, a causa da desordem que encerra todo o ato.
A impureza usurpa o direito de propriedade que Cristo tem sobre o corpo: “O corpo não é para a forrnicação (impureza) e sim para o Senhor, e o Senhor é para o corpo” (1Cor 6,13) e constitui uma falta de respeito ao corpo de Cristo, ao que pertencemos pelo batismo (1Cor 6,15s). A impureza é uma profanação do templo do Espirito Santo e uma negação da glória que a Deus se deve dar com o mesmo corpo (cf. 1Cor 6,19s; Rm 6,19).
Ao contrário, “Deus vos chamou à santidade”. A ideia de santidade está presente em todas as religiões, ainda que seja com acentos e perspectivas diversos. No mundo semítico, a santidade expressa, antes de tudo e fundamentalmente, a noção de uma misteriosa potência que está relacionada ao mundo divino e que é também inerente a pessoas, instituições e objetos particulares. Desta potência brota, como segundo elemento característico, o conceito de separação: o que é santo deve estar separado do profano para que possa conservar seu caráter especifico e, ao mesmo tempo, para que o profano não se veja afetado pela perigosa energia do santo. A santidade aparece, por isso, como um valor sumamente complexo, que implica as noções de sagrado e de pureza e que se encontra relacionado especialmente com o mundo de culto.
Para participar da santidade de Deus há um meio muito eficaz: o amor. Somente o amor origina uma doação absoluta do homem a Deus, porque somente o amor conduz o homem a Deus que é o próprio amor (1Jo 4,8.16). Com efeito, o homem somente é plenamente ele mesmo quando se dirige aos demais por amor e unicamente no amor o homem pode ter verdadeira doação de si mesmo e somente o amor é a resposta plena que se deve a Deus como pessoa. O verdadeiro amor a Deus se estende ao homem. O amor ao próximo implica necessariamente um amor implícito a Deus no qual se fundamenta e se sustenta.
Caminhar Ao Encontro com Aquele Que Nos Ama e Salva
Os capítulos 24-25 de Mt constituem o quinto e o último discurso de Jesus neste Evangelho. Este quinto discurso é conhecido como o “Discurso escatológico” (discurso apocalíptico). Mt elabora notavelmente o discurso escatológico de Mc (Mc 13) e o amplia com uma série de parábolas e com uma impressionante descrição do julgamento final (Mt 25,31-46), cuja principal intenção é orientar os cristãos sobre como preparar a vinda do Senhor.
A linguagem destes capítulos pode provocar temor. Mas, na verdade, trata-se de uma linguagem apocalíptica que era relativamente freqüente entre alguns grupos judeus e cristãos. Chama-se de linguagem apocalíptica porque tem como objetivo manifestar uma revelação escondida (apocalypsis). Em muitas ocasiões esta revelação é dirigida a grupos ou comunidades que vivem uma situação de perseguição, com a intenção de animá-los e encorajá-los em suas lutas e tribulações. Por isso, não há motivo nenhum de alguém ver nestes textos uma ameaça, e sim, uma mensagem de esperança.
A parábola das dez virgens é uma das mais belas parábolas do evangelho, pois ela nos faz penetrar mais profundamente no coração de Jesus. Jesus é o Prometido. Jesus vem nos encontrar para salvar. Ele quer nos introduzir em sua família.
A vida cristã é uma marcha ao encontro com Alguém que nos ama e consequentemente no salva. Deus ama a humanidade e a humanidade vai ao encontro de Deus. O homem foi criado para a intimidade com Deus, para o intercâmbio de amor com Ele. Mas a visita ou a vinda é imprevista, a hora é imprecisa; não se sabe quando a visita vai acontecer. Por isso, é importante estar vigilante.
Se olharmos do ponto de vista da prudência, pois a parábola trata das cinco virgens prudentes (phronimoi) e outras cinco insensatas (morai), esta parábola nos faz lembrar também da conclusão do Sermão da Montanha que compara um homem néscio a um homem prudente (Mt 7,24-27). Na literatura sapiencial o prudente é aquele que age de acordo com as exigências de Deus; o insensato, ao contrário, age conforme sua própria cabeça (cf. Ecl 2,12-17). Da conclusão do Sermão da Montanha sabemos que um que é néscio construiu a casa sobre a areia e o outro que é prudente sobre a rocha. A casa do néscio desmoronou, pois sem nenhuma base sólida, enquanto a do outro fica firme diante da tempestade, pois foi construída sobre a rocha.
Na parábola das dez virgens encontra-se novamente o contraste entre prudente e néscio. Sabemos que a prudência determina o que é necessário escolher e o que é necessário evitar.  Ela separa a ação do impulso, o essencial do secundário. “A prudência é um amor que escolhe com sagacidade”, dizia Santo Agostinho.
A palavra “prudência” provém do latim “prudens-entis” que, na acepção própria, significa precavido, competente. Prudência é virtude que faz prever, e procura evitar as inconveniências e os perigos; cautela, precaução. A prudência é a capacidade de ver, de compenetrar-se e de ajustar-se à realidade. A prudência oferece a possibilidade de discernir o correto do incorreto, o bom do mau, o verdadeiro do falso, o sensato do insensato a fim de guiar o bom rumo de nossas ações. O prudente jamais se precipita no falar nem no agir sem conhecimento da causa ou da realidade. Tendo conhecimento da causa ou da realidade ele fala com cautela. A prudência é a faculdade que nos permite vermos e aprendermos a realidade tal como é. A prudência é o modo de viver dos sábios, pois o homem sábio é sempre guiado pela prudência. Por isso, o sábio dificilmente machuca os outros.
As cinco virgens levam o azeite suficiente, pensando na chegada atrasada do noivo, enquanto que as outras cinco não pensam nisso. Como é importante estar preparado, tanto para as surpresas agradáveis como para as desagradáveis na vida. Mas muitas vezes somos pegos de surpresa. O azeite é a Palavra de Deus vivida no dia a dia que se resume no amor. Diz Santo Agostinho: “Coisa grande, verdadeiramente muito grande significa o azeite (óleo). Só pode ser amor”.
Nesta parábola lemos que as cinco virgens insensatas gritam: “Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!” (v.11). Mas a porta continua fechada. Quem vive segundo a Palavra de Deus tem a chave na mão para abrir a porta (do céu). As palavras da profissão “Senhor, Senhor” só salvam quem as professa, se ele viver de acordo com essa profissão. Chamamos e professamos Deus de Senhor porque queremos que ele assenhore nossa vida, e guie nossos atos e decisões, que ele seja o centro de nossa vida, que a vontade dele prevaleça na nossa vida, pois tudo que Deus quer é só salvar. Quem de nós não quer ser salvo? 
As cinco virgens prudentes estão de prontidão e prestam atenção às coisas essenciais. Enquanto que as cinco insensatas pensam em tudo, menos naquilo que é essencial, ou, de fato, tem importância. Há pessoas que perdem o rumo por causa das coisas efêmeras e não se lembram dos valores autênticos como caridade, justiça, paz, verdade, retidão, honestidade, reconciliação etc. pelos quais vale a pena comprometer-se. O homem é tão ocupado com as mil coisas que não deixam mais do que efêmeras satisfações que se esgotam logo que se produzem. Um sábio diz que há esquecimento por falta de memória, mas há esquecimento por falta de amor. Esquecemos Deus não por falta de memória, mas por falta de amor para com ele. Quando lhe convém, o homem esquece que é cristão(Santo Agostinho. In ps. 21, 2,5)
O que nos chama a nossa atenção é o aparente egoísmo e aparente falta de solidariedade das cinco virgens prudentes que não dividiram seu azeite para as insensatas, e a aparente falta de amor do noivo que não abriu a porta para as cinco insensatas também chama a nossa atenção. A parábola quer destacar uma responsabilidade pessoal que não é substituível por ninguém diante de Deus no fim dos tempos. Ninguém pode prestar contas em nome de outra pessoa diante de Deus nesse momento. Cada um é único diante do Deus único. As qualidades interiores, as qualidades do espírito que temos ou não as temos, não podem ser emprestadas ou repartidas diante da seriedade do momento. É insubstituível o compromisso pessoal da vigilância.
O juízo particular é tema que desperta não só responsabilidade, mas também esperança e otimismo. Deus não empurra ninguém para o céu ou para o inferno. É a própria pessoa quem decide sobre isso durante sua vida. Não é uma sentença divina que vai declarar a pessoa culpada ou inocente, e sim é o modo de vida da pessoa que vai condicionando sua opção por Deus. “Nunca esqueças: a única razão para ser cristão é a vida eterna” (Santo Agostinho. De civ. Dei 5,25). “Põe na terra as coisas terrenas, mas teu coração, no céu” (Santo Agostinho. In Joan. 18,6).Buscas a Deus na Igreja, ou buscas a ti mesmo?” (Santo Agostinho. Serm. 137,9).
Pe. Vitus Gustama,svd

Como deixar o vício da pornografia?

Tenho recebido vários e-mails de jovens que me perguntam como deixar o vício de estar na frente do computador vendo sites pornográficos. Sabemos que também há muitos filmes e revistas pornôs. Para muitos, isso já se tornou um vício, especialmente porque a Internet facilita muito esta atividade negativa. Sei também que muitas pessoas casadas têm…

Bem-aventurado Padre Eustáquio Lieshout (30 de agosto)

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
23, 27-32)

Naquele tempo, disse Jesus: “Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós sois como sepulcros caiados: por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão! Assim também vós: por fora, pareceis justos diante dos outros, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e injustiça.

Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós construís sepulcros para os profetas e enfeitais os túmulos dos justos, e dizeis: ‘Se tivéssemos vivido no tempo de nossos pais, não teríamos sido cúmplices da morte dos profetas’. Com isso, confessais que sois filhos daqueles que mataram os profetas. Completai, pois, a medida de vossos pais!”

Beatificado em 2006, na capital de Minas Gerais, mesmo lugar de que saiu para entrar na eternidade, o Padre Eustáquio van Lieshout é natural da Holanda. Veio para o Brasil depois de se fazer missionário da Congregação dos Sagrados Corações, a mesma de que fazia parte o grande São Damião de Molokai. Em 1925, ele e outros irmãos chegaram na então cidade de Água Suja — hoje Romaria —, no Triângulo Mineiro, onde ele se converteu em símbolo da fé católica, combatendo o espiritismo, que afligia as almas, e promovendo curas físicas a todos quantos tinham a graça de ser seus paroquianos. Muitas pessoas que necessitavam de ajuda, na falta de farmacêutico ou médico, procuravam Padre Eustáquio e, com o tempo, foi crescendo em todo o Brasil a sua fama de santo e taumaturgo. Transferido para Poá, em São Paulo, e voltando depois para Minas Gerais, o Padre Eustáquio veio a falecer em Belo Horizonte, no dia 30 de agosto de 1943, vítima de uma espécie de tifo. Após sua morte, foi atribuída a ele a cura de um câncer de um devoto, constatada clinicamente e comprovada cientificamente, relato que consta no processo para sua beatificação. Padre Eustáquio costumava dizer que sua vocação era “amar e fazer amar a Deus”. Peçamos, pois, a intercessão deste grande homem que passou por nossas terras, para que nos conceda a principal cura de que sempre precisamos, ainda que estejamos com os corpos saudáveis: a salvação de nossa alma e a purificação de nossos pecados.

É PRECISO CAMINHAR 2017-08-29 22:07:00

31/08/2017
Resultado de imagem para “Ficai atentos! porque não sabeis em que dia virá o Senhor.
ESTEJAMOS VIGILANTES, POIS O SENHOR VIRÁ REPENTINAMENTE
Quinta-Feira Da XXI Semana Comum
Primeira Leitura: 1Ts 3,7-13
Irmãos,7 ficamos confortados, em meio a toda angústia e tribulação, pela notícia acerca de vossa fé. 8 Agora sentimo-nos reviver, porque vós estais firmes no Senhor. 9 Como podemos agradecer a Deus por toda a alegria que nos invade diante do nosso Deus, por causa de vós? 10 Noite e dia rezamos efusivamente para vos rever e completar o que ainda falta na vossa fé. 11 Que o próprio Deus e nosso Pai, e nosso Senhor Jesus dirijam os nossos passos até vós. 12 O Senhor vos conceda que o amor entre vós e para com todos aumente e transborde sempre mais, a exemplo do amor que temos por vós. 13 Que assim ele confirme os vossos corações numa santidade sem defeito aos olhos de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos.
Evangelho: Mt 24,42-51
Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos: 42 “Ficai atentos! porque não sabeis em que dia virá o Senhor. 43 Compreendei bem isso: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente vigiaria e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. 44 Por isso, também vós ficai preparados! Porque na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá. 45 Qual é o empregado fiel e prudente, que o senhor colocou como responsável pelos demais empregados, para lhes dar alimento na hora certa? 46 Feliz o empregado, cujo senhor o encontrar agindo assim, quando voltar. 47 Em verdade vos digo, ele lhe confiará a administração de todos os seus bens. 48 Mas, se o empregado mau pensar: ‘Meu senhor está demorando’, 49 e começar a bater nos companheiros, a comer e a beber com os bêbados; 50 então o senhor desse empregado virá no dia em que ele não espera, e na hora que ele não sabe. 51 Ele o partirá ao meio e lhe imporá a sorte dos hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes”.
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Viver Solidamente Na Fé e No Amor Na Esperança Da Segunda Vinda Do Senhor
Noite e dia rezamos efusivamente para vos rever e completar o que ainda falta na vossa fé… O Senhor vos conceda que o amor entre vós e para com todos aumente e transborde sempre mais, a exemplo do amor que temos por vós…. Que assim ele confirme os vossos corações numa santidade sem defeito aos olhos de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos”, é a oração e o desejo de São Paulo para os tessalonicenses.
Estamos no ano 51 depois de Cristo, e São Paulo está longe da comunidade cristã tessalonicense. Depois de uma evangelização tão curta (alumas semanas), São Paulo tem uma preocupação de que a fé dos tessalonicenses seja frágil e cheia de lacunas. A causa da perseguição, São Paulo era obrigado a sair da Tessalônica antes do tempo que ele queria. Por isso, podemos entender o sentido da frase “Noite e dia rezamos efusivamente para vos rever e completar o que ainda falta na vossa fé”.
São Paulo conclui a primeira parte de sua carta aos tessalonicenses com uma oração: de ação de graças, de um desejo e de uma súplica.  Ação de graças porque através da notícia de Timoteo enviado para a Tessalônica São Paulo fica sabendo que os cristãos de Tessalônica continuam firmes na fé. Surge então o desejo de São Paulo para voltar a visitar a comunidade tessalonicense. Embora a comunidade tessalonicense se mntenham firmes na fé. E ele suplica a comunidade de Tessalonica cresça e fique abnundante no amor que é essencial para a vida cristâ.
Em outras palavras, a oração de São Paulose desenvolve segundo uma estrutura bem precisa: vv.10-11 fazem a alusão à fé dos tessalonicenses; o v.12 recorda sua caridade e o v.13, sua esperança (Fé Esperança e Caridade- Virtudes teologais).
A fé e o amor sólidos assegrurarão os cristãos de Tessalônica uma santidade irreprovável. Mas a comunidade deve crescer sem cessar na esperança da Parusia do Senhor (1Ts 5,23; 1Cor 1,8).
O cristão não pode ter a fé sem o amor e nem o amor sem a esperança. Com a vivência do amor, da fé e da esperança iseparadamente, o cristão é capacitado a dar a todas as coisas um sentido novo em Jesus Cristo: o sentido ele dá à vida, à morte e à ressurreição do homem-Deus, o sentido que ele dá à vida dos homens, entre eles e o sentido que ele dá à peregrinação terrestre da humanidade.
Viver Na Permanente Vigilância Faz Parte Inseparavel De Nossa Fé No Deus Que Virá Na Sua Parusia
 Não enganes a ti mesmo. Gostes ou não, não és mais que um convidado, um transeunte, um peregrino neste mundo. Podes, pois, adoçar teu caminho; porém, por mais que queiras, não poderás converter-te em residente(Santo Agostinho. In ps. 120,14)
O conjunto de Mt 24,1-25,46 forma o quinto Discurso de Jesus no evangelho de Mateus: o Discurso sobre o fim do mundo. Trata-se de um discurso apocalíptico-escatológico.
O termo “apocalipse” é muito longe da linguagem moderna que suscita imediatamente idéias de catástrofe, de desastre total, de comoções cósmicas aterradoras. No entanto, a linguagem apocalíptica quer expressar a fé e a esperança numa orientação divina da história humana e da criação. Os autores de apocalipses, diante do desenvolvimento de fatos inevitáveis, de catástrofes, de ruínas e de mudanças históricas, cantam sua esperança no cumprimento das promessas movidos pela fé no triunfo de Deus, aparentemente impossível, porém seguro: Deus triunfará sobre o mal. Conseqüentemente eles querem transmitir a força, o ânimo e a perseverança em seguir os mandamentos do Senhor, pois no fim a última palavra será a Palavra de Deus e não a do homem.
Na primeira parte do quinto discurso de Jesus (Mt 24,4-41), ao revelar o futuro dos discípulos, um futuro “presente”, Jesus quer ajudá-los a entender como devem viver na história a missão que lhes é confiada para pregar o Evangelho do Reino a todas as nações (24,14; 28,18-20), confiando em Sua Palavra (Mt 24,25).
O quinto discurso é chamado também de “o discurso escatológico”. “Escatologia” é o discurso sobre o que ocorrerá no fim. Quando falamos de realidades futuras e finais (escatologia), o texto assinala duas expressões: “Vinda do Senhor” e “Fim do mundo”. Quando intentamos a viver à espera do encontro com o Senhor, que terá lugar para o final da história, então dizemos que estamos dando um “sentido escatológico” para nossa existência. O mandato será: “Vigiai porque não conheceis nem o dia nem a hora”. O discurso termina falando do “encontro” com o Senhor glorioso (Mt 25,31-46).
O texto do evangelho de hoje começa com a seguinte ordem: “Ficai atentos! Porque não sabeis em que dia virá o Senhor”. Esta é a mensagem que a Palavra de Deus dirige a cada um de nós hoje. “Ficai atentos! Estejais vigilantes!”. Por um lado, é a certeza da vinda-regresso do Senhor. Por outro lado, a incerteza do “quando” desta vinda. Esse fato põe, de manifesto, a importância do tema sobre a vigilância. São João Crisóstomo dizia: “Se os homens conhecessem o momento de sua morte, eles se preparariam com grande empenho e cuidado para essa hora”. Jesus nos disse isto com parábolas que encontramos neste quinto discurso.
“Ficai atentos! Porque não sabeis em que dia virá o Senhor”. Ficai atentos! Estejam vigilantes! Velar ou vigiar, em sentido estrito, significa renunciar ao sono da noite para terminar um trabalho urgente e importante ou para não ser surpreendido pelo inimigo. Em um sentido mais simbólico significa lutar contra a negligência para estar sempre em estado de disponibilidade. É viver uma vida atenta à voz do Senhor e vigilante diante dos sinais da realidade.
Vigiar significa não distrair-se, não adormecer-se. Vigiar faz parte inseparável da própria atenção. O cristão não pode ser alienado. Ser vigilante faz parte do discipulado. Quem é vigilante nota com facilidade o que está acontecendo ao redor. A vigilância é a atitude própria do amor que vela. O amor mantém o coração alerta e a disponibilidade para ajudar. No meio de uma sociedade que parece muito contente com os valores que tem, o cristão é convidado a viver na esperança vigilante. Vigiar significa ter o olhar posto nos “bens de cima”. Vigiar é viver despertos, em tensão, mas não com angústia e sim com seriedade. O cristão precisa se esforçar por buscar sempre as “coisas do alto”, os valores que o edificam e salvam, como a fraternidade, o amor, a solidariedade, o projeto de Deus, entre “as coisas de baixo”, como egoísmo, ganância, exploração, arrogância, ódio e assim por diante. Em outras palavras, nós cristãos temos que ser protagonistas não somente da espera do Reino, mas também de sua construção desde agora neste mundo.
A vigilância perseverante nos leva a ser considerados bem-aventurados pelo Senhor quando vier: “Feliz o empregados cujo senhor o encontrar agindo assim quando voltar” (Mt 24,46). Será que o Senhor vai me considerar bem-aventurado quando ele chegar? É a pergunta que nos faz vigilantes e nos faz revermos nossas atitudes. Estou suficientemente atento e disponível para escutar os sinais, através dos quais Deus me apresenta as suas propostas?
A vigilância, para um cristão, não é opcional. O futuro de cada homem é imprevisível. A imprevisibilidade do futuro reclama vigilância. O homem prudente, sensato não considera a atitude vigilante como algo simplesmente possível, uma entre outras muitas opções. A vigilância é a melhor opção. Vigiar para ser capazes de dominar os acontecimentos, no lugar de ser dominados por eles. Vigiar para não perder jamais a paz. Vigiar para descobrir a escritura de Deus nas páginas da história. Vigiar para saber descobrir a ação do Espírito no nosso interior. Vigiar para manter íntegras a fé, a esperança e a caridade. A vigilância não é um opcional e sim uma necessidade vital. Vigiar é viver como o lavrador que semeia e está sempre pensando em ter boa colheita, e como o desportista que, desde o primeiro esforço, sonha em chegar primeiro à meta.
Um cristão não pode ser nem estar alienado. Ele deve estar em alerta constante, sempre pronto para a ação, e preparado para servir dia e noite. Servir para o cristão não é opcional, é lei constitutiva da vida cristã. O Senhor voltará com toda segurança no nosso encontro derradeiro. O discípulo não pode ficar adormecido. Ele deve permanecer alerta, sempre em tensão e em atenção. Somente assim ele assegurará a comunhão com o Senhor no gozo e no amor.
É sábio quem vive na vigilância permanente e sabe olhar para o futuro. Não é porque não saiba gozar da vida presente e cumprir suas tarefas de hoje e sim porque sabe que é peregrino nesta vida e o importante é assegurar-se sua continuidade na vida eterna. É viver com uma meta e uma esperança. Por isso, o trabalho neste mundo para o cristão é um compromisso pessoal para transformar-se a si mesmo e para transformar o mundo em que vive.
A fé é sempre um êxodo, uma saída, o começo de um caminho até o futuro de Deus que nos traz a salvação. Quem crê está sempre de passo, vive como um estrangeiro, como um nômade. Assim viveu Abraão, inclusive na terra que Deus lhe havia prometido (Gn 17,8; 20,1; 21,23; 24,37). A “terra prometida” é o símbolo da cidade futura, da cidade que Deus constrói para os que a buscam e põem nela toda sua esperança. No campo aberto pela promessa de Deus, o homem de fé se arrisca investindo toda sua vida e gera nova vida sobre sua debilidade ou fraqueza.
O cristianismo não está preocupado pela futurologia que se sustenta nas possibilidades humanas, nas previsões e tendências atuais para prever o futuro, e sim radicalmente pelo futuro que provem da promessa de Deus. Para Deus promessa significa certeza: “As minhas Palavras não passarão”, disse Jesus (Mc 13,31). Para Jesus o depois se inicia como algo já presente no agora. Isto que dizer que já agora temos que viver como viveremos depois, como rezamos no Pai-Nosso: “assim na terra como no céu”.
P. Vitus Gustama,svd