Mês: maio 2017

A inteligência e a sabedoria

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No último dia de nossa novena, falaremos dos dons mais elevados do Espírito: a inteligência e a sabedoria.

Estes dons estão ligados ao fato de que nós, pela fé, ainda temos um conhecimento limitado de Deus. É a inteligência que nos dá a conhecer mais profundamente os mistérios da fé, diferentemente da ciência, que, como vimos, nos ajuda a perscrutar as realidades naturais. É possível perceber a sua ação quando, por moção da graça, em um momento específico de oração ou de escuta da Palavra de Deus, as realidades eternas de algum modo se abrem ante nossos olhos, fazendo-nos contemplar a grandeza do Amor.

É importante destacar que,
neste mundo, a compreensão dos mistérios da fé está voltada justamente para o Amor. Quanto mais conhecemos a Deus, mais podemos amá-Lo. Quando, pela visão beatífica, contemplarmo-Lo face a face, conheceremos completamente, como somos conhecidos (cf. 1 Cor 13, 12), e esse conhecimento nos divinizará de tal modo que nosso amor estará totalmente em sintonia com o amor divino. Por isso, diversamente do que acontece aqui, no Céu, a faculdade de nossa inteligência será superior à da vontade.

Para aperfeiçoar a virtude da caridade, é necessário o dom da sabedoria. Do latim sapere, tem que ver com “saborear”. Assim, por este dom, somos capazes de “sentir o gosto” das coisas divinas. Entramos de tal modo no conhecimento dos mistérios de Deus que ele, de algum modo, se torna operativo no amor.

Por isso, quando acontecem tragédias e crises na vida das pessoas, o sábio é capaz de enxergar nessas situações a mão providente do Senhor. Trata-se do sopro divino que transforma as tribulações em ocasiões extraordinárias para amar a Deus… e abraçar a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Com efeito, diz o Apóstolo, “nós (…) proclamamos Cristo crucificado, (…) loucura para os pagãos” (1 Cor 1, 23).
O caminho da Cruz não é a exceção, mas a regra. Os santos, mesmo sentindo o drama do sofrimento – afinal, o próprio Cristo suou sangue no Monte das Oliveiras (cf. Lc 22, 44) –, conformavam-se à vontade de Deus, pois, pela sabedoria, eram capazes de enxergar nela o Seu amor e a Sua bondade.

Também nós somos chamados a seguir as pegadas dos santos, fortalecendo a nossa amizade com Deus, mais valiosa que todo o mundo natural. Para tanto, urge pedirmos ao Espírito Santo as graças atuais necessárias para amá-Lo e servi-Lo de todo o coração. Ao fim da caminhada, cremos poder repetir com o Apóstolo: “Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20).

A ciência, a fortaleza e o conselho

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Hoje, ainda sobre os dons do Espírito Santo, falaremos, sobre a ciência, a fortaleza e o conselho.

O dom da ciência permite-nos enxergar a realidade das coisas, de modo sobrenatural. Pelo pecado original, corremos o perigo de cair em uma ilusão, não enxergando a realidade como ela é de fato. Então, Deus sopra na vela da ciência, a fim de olharmos as coisas como elas são. Neste dom, há um lado positivo, que é enxergar nas criaturas as pegadas do Criador, como fez São Francisco de Assis, e um lado negativo, que é olhar para o mundo criado e perceber o quanto tudo é vazio e sem sentido sem a presença de Deus.

Os santos, impulsionados pelo dom da ciência, também conseguiam enxergar a gravidade do pecado, em todo o seu horror. Não tinham essa percepção por conta de um “complexo de culpa” – afinal, estavam em estado de graça e já tinham sido perdoados por seus pecados –, mas pelo grande amor que tinham para com Deus.

O dom da fortaleza é um aperfeiçoamento da virtude da fortaleza. Nesta, é a pessoa que tem a coragem de enfrentar os males com a graça cooperante de Deus; naquela, é Deus quem passa a ser forte nela, operando diretamente em sua alma. Sem dúvida, os mártires, como Santa Inês e Santa Maria Goretti, só conseguiam entregar a sua vida por causa deste dom. A debilidade humana não poderia justificar tamanho destemor. Pode-se dizer, então, que é verdadeiramente Cristo quem morre nos mártires.

Para descobrir o ponto de equilíbrio da fortaleza, surge o dom do conselho, que é um aperfeiçoamento da virtude da prudência. Por esta, somos capazes de discernir o modo certo de agir. No entanto, a própria virtude infusa é insuficiente para julgar tudo. Por isso, o Espírito vem em nosso socorro, atentando-nos à advertência de Cristo: “Sede, portanto, prudentes como as serpentes e simples como as pombas” (Mt 10, 16).

Quando rezamos e recebemos uma inspiração divina dizendo para onde devemos ir, é o Espírito soprando na vela do conselho, a fim de iluminar as nossas decisões.

A piedade e o temor de Deus

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A origem dos “dons do Espírito Santo” é retirada das próprias Sagradas Escrituras: “Um broto vai surgir do tronco seco de Jessé, das velhas raízes, um ramo brotará. Sobre ele há de pousar o espírito do Senhor, espírito de sabedoria e compreensão, espírito de prudência e valentia, espírito de conhecimento e temor do Senhor” (Is 11, 1-3). No texto original hebraico, a palavra “piedade” é a mesma de que vem o dom do “temor do Senhor”.

O temor do Senhor, diz o salmista, é “o princípio da sabedoria” (Sl 110, 10). Este dom, no entanto, não se trata do temor mundano, o “respeito humano” que geralmente guia a conduta dos pecadores, nem do temor servil, que aqueles que se convertem têm no início de sua caminhada, deixando de pecar por medo das penas do inferno. É, antes, um medo de ofender a Deus com o pecado.
Quem ama de fato o Senhor teme perder a Sua amizade. Além disso, treme diante de Sua majestade e de Sua grandeza. Quando, na oração, começa perceber o abismo que existe entre si e o Criador, envereda pela senda do temor.

Esse mesmo temor – que se pode chamar filial, pelo fato de o próprio Filho de Deus o possuir em Sua humanidade – manifesta-se também no dom da piedade, que consiste em uma devoção para com o Pai, uma devoção que se dispõe a passar pelo “vale escuro” (Sl 23, 4) sem desistir d’Ele.

Estes dois dons são, então, “dois lados da mesma moeda”: unem o temor filial que sabe adorar ao coração dócil que sabe confiar, mesmo em meio à tempestade e à provação.

Peçamos a Deus, neste dia, que nos faça passar rapidamente pela via purgativa e sopre em nós o Espírito, a fim de compreendermos a gravidade do pecado e a grandeza da majestade e do amor de Deus, aos quais devemos corresponder.

É PRECISO CAMINHAR 2017-05-31 14:16:00

03/06/2017
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“TU, SEGUE-ME!”
É TEMPO PARA AMAR E SERVIR

Sábado da VII Semana da Páscoa

 

Primeira Leitura: At 28,16-20.30-31
16 Quando entramos em Roma, Paulo recebeu permissão para morar em casa particular, com um soldado que o vigiava. 17 Três dias depois, Paulo convocou os líderes dos judeus. Quando estavam reunidos, falou-lhes: “Irmãos, eu não fiz nada contra o nosso povo, nem contra as tradições de nossos antepassados. No entanto, vim de Jerusalém como prisioneiro e, assim, fui entregue às mãos dos romanos. 18 Interrogado por eles no tribunal e não havendo nada em mim que merecesse a morte, eles queriam me soltar. 19 Mas os judeus se opuseram e eu fui obrigado a apelar para César, sem nenhuma intenção de acusar minha nação. 20 É por isso que eu pedi para ver-vos e falar-vos, pois estou carregando estas algemas exatamente por causa da esperança de Israel”. 30 Paulo morou dois anos numa casa alugada. Ele recebia todos os que o procuravam, 31 pregando o Reino de Deus. Com toda a coragem e sem obstáculos, ele ensinava as coisas que se referiam ao Senhor Jesus Cristo.

Evangelho: Jo 21, 20-25
Naquele tempo, 20 Pedro virou-se e viu atrás de si aquele outro discípulo que Jesus amava, o mesmo que se reclinara sobre o peito de Jesus durante a ceia e lhe perguntara: “Senhor, quem é que te vai entregar?” 21 Quando Pedro viu aquele discípulo, perguntou a Jesus: “Senhor, o que vai ser deste?”. 22 Jesus respondeu: “Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa isso? Tu, segue-me!” 23Então, correu entre os discípulos a notícia de que aquele discípulo não morreria. Jesus não disse que ele não morreria, mas apenas: “Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa?” 24Este é o discípulo que dá testemunho dessas coisas e que as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro. 25 Jesus fez ainda muitas outras coisas, mas, se fossem escritas todas, penso que não caberiam no mundo os livros que deveriam ser escritos.
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Ser Evangelizador Até a Morte a Exemplo de São Paulo

Estamos na passagem final dos Atos dos Apóstolos. Nela nos é informada a chegada de São Paulo em Roma, no centro de um imenso império romano. Aqui ele espera seu julgamento e sua morte. O texto da Primeira Leitura resume os dois anos que São Paulo esteve em Roma em seu cativeiro.

É interessante observar que, mesmo sendo prisioneiro, São Paulo continua dando testemunho de Jesus em Roma. O próprio Jesus Ressuscitado encarregou todos os discípulos, antes da Ascensão, a serem testemunhas até o fim do mundo: “Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1,8b). São Paulo é um apóstolo incansável na evangelização. A fé inquebrantável que tem em Jesus move São Paulo em todo momento e dá sentido a toda sua atuação. Quando se trata de evangelização, ele se defende com inteligência a fim de que a Palavra de Deus não fique presa: “Com toda a coragem e sem obstáculos, ele ensinava as coisas que se referiam ao Senhor Jesus Cristo”.

Terminado o tempo pascal, os cinqüenta dias de celebração gozosa da ressurreição do Senhor, nós terminamos também de ler o livro dos Atos dos Apóstolos. A primeira conseqüência da fé na ressurreição de Jesus é o começo entusiasta da missão apostólica, entre judeus e pagãos para anunciar-lhes o Evangelho de amor misericordioso de Deus por todos os seres humanos; amor até a morte, a morte de Cristo na cruz.

Hoje é véspera da festa de Pentecostes, isto é, a festa da efusão do Espírito Santo sobre Virgem Maria e sobre os Apóstolos e discípulos. Com a força do Espírito Santo os Apóstolos se tornam testemunhas invencíveis da vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus. No acontecimento de Pentecostes há a invasão do espírito humano pelo Espírito divino, a transformação da debilidade em fortaleza, a iluminação da noite escura com a claridade de Cristo, a mudança radical de uma atitude humana pelo impulso de uma experiência de Deus.

É Preciso Seguir a Jesus Ressuscitado Permanentemente Para Que Nos Mantenhamos Bons Evangelizadores do Senhor

Tu, segue-me!”, disse o Senhor.

Terminamos o Tempo pascal com a festa de Pentecostes neste fim de semana; o tempo dos cinqüenta dias da celebração gozosa da ressurreição do Senhor. Durante os cinqüenta dias o Círio pascal, símbolo de Cristo, Luz do mundo é aceso nas celebrações. Na solenidade de Pentecostes, o Círio pascal será apagado no fim da missa e só ficará aceso novamente no batismo. Durante os cinqüenta dias Cristo Ressuscitado nos iluminou. Agora chegou nossa vez para sermos luz para o mundo (cf. Mt 5,14-16). A luz não é para ser olhada e sim para iluminar o caminho por onde devemos passar seguramente.

A primeira conseqüência da fé na ressurreição de Jesus é o começo de nossa missão, de nosso seguimento: “Tu, segue-me!”. É seguir tudo que Jesus ordenou a fazer (Mt 28,20). Seguir é caminhar. Seguir é buscar. Seguir é perguntar. Seguir é ir atrás daquele que nos salva ou daquilo que é essencial para nossa vida e salvação. seguir é não perder tempo para as coisas inúteis e não essenciais para nossa vida e convivência.  Seguir é algo dinâmico. Se no seguimento houver uma parada é porque há algo errado na caminhada ou há alguém que nos desvia nossa atenção do seguimento. Seguir é o tempo de viver com sentido, pois, com a ressurreição do Senhor, a vida não acaba na história, mas permanece eternamente, pois o Deus em quem acreditamos é o Deus da vida e que esse Deus põe a vida onde o homem põe a morte e que a morte tem seu contrapeso: a ressurreição. É o tempo de começarmos a acreditar e a viver como pessoas ressuscitadas antecipadamente, pois o próprio Senhor nos garante: “Quem crê em mim ainda que esteja morto viverá” (Jo 11,25). É o tempo de anunciarmos ao mundo o Evangelho de amor misericordioso de Deus por todos os seres humanos, o amor levado até a morte de Cristo na cruz. Quem vive no amor fraterno não pára de existir, pois o amor é o nome próprio de Deus (cf. 1Jo 4,8.16). Jesus histórico não está presente fisicamente na história. No lugar dele está cada cristão. Cada cristão deve ser “sacramento” de Jesus na terra. Cada cristão deve servir como sinal ou seta que sempre aponta para Cristo.

As leituras deste dia nos apresentam as conclusões do evangelho de João e do livro dos Atos dos Apóstolos. São conclusões abertas, isto é, os cristãos têm, daqui para frente, a tarefa de continuarem o trabalho de evangelização.

A última passagem dos Atos dos Apóstolos que lemos hoje resume os dois anos que Paulo esteve em Roma em seu primeiro cativeiro. Ele se torna um prisioneiro, mas quando se trata de evangelização ele defende com inteligência para que a Palavra de Deus não fique encadeada. Ele pode ficar preso, mas jamais ele deixa a Palavra de Deus ficar presa. A fé inquebrável que tem em Jesus lhe move em todo momento e dá sentido a toda sua atuação. É um verdadeiro apostolo incansável. Através da Segunda Carta ao Timóteo ele nos dá o seguinte conselho: “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para instruir, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para toda boa obra… (Por isso), proclama a Palavra, insiste, no tempo oportuno e no importuno, refuta, ameaça, exorta com toda paciência e doutrina” (2Tm 3,16-17; 4,2). Não há tempo certo para evangelizar, tem que ser o tempo todo. São Filipe Neri dizia: “Se quisermos nos dedicar inteiramente ao nosso próximo, não devemos reservar a nós mesmos nem tempo nem espaço”. O cristão deve saber aproveitar cada momento para evangelizar, para partilhar o que é bom para os outros ao seu redor para que o número de pessoas de bem se multiplique.

E nos versículos anteriores do texto do evangelho lido neste dia, Pedro havia recebido uma insinuação de Jesus sobre o seu futuro pessoal: seria pelo martírio. A partir desta insinuação de Jesus, Pedro entrou em curiosidade para saber o futuro de João, seu companheiro: “Senhor, o que vai ser deste?”. Com isto Pedro caiu em tentação de saber do futuro dos demais, descuidando assim de seu papel de evangelizador. Quem fica olhando para a vida alheia acaba não cuidando da própria vida.

Por isso, a resposta de Jesus a Pedro sobre o destino de João é sábia. Jesus não revela a Pedro o destino de João. Desta maneira, Pedro deve se preocupar com o amor, com o serviço, e com a ajuda diária que há que prestar para os irmãos sem saber o caminho que a história vai tomar. Viver no amor e por amor é a melhor maneira de viver na incerteza do tempo. Mario Quintana nos relembra: “Esta vida é uma estranha hospedaria, de onde se parte quase sempre às tontas, pois nunca as nossas malas estão prontas. E a nossa conta nunca está em dia”.  A incerteza da história dá espaço para a certeza de Deus. Como diz a Carta aos Hebreus: “A fé é uma certeza a respeito do que não se vê” (11,1).

Como Pedro, muitas vezes, nós caímos também na tentação de saber demais da vida alheia. Quando olharmos apenas para a vida alheia, acabaremos não cuidando de nossa própria vida. Uma curiosidade sem freio sempre termina no abismo, na destruição da própria vida e da vida alheia, na criação do ambiente pesado, na convivência de mútua suspeita. Quem fica curioso demais sobre a vida alheia é porque não está cuidando da própria vida. Em última analise, é porque a própria vida não está bem. Por isso, precisamos ouvir repetidas vezes o que o Senhor nos diz hoje: “Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa? Tu, segue-me” (Jo 21,22). Segundo Jesus, o discípulo amado não é menos discípulo nem menos seguidor de Jesus que Pedro. Há diferentes maneiras de seguir Jesus. Há várias vocações para viver os ensinamentos de Jesus. O importante é o imperativo de Jesus: “Tu, segue-me!”. O importante é seguir a Jesus vivendo seus ensinamentos. A maneira para segui-Lo pode ser diferente.

Seguir Jesus é viver aquilo que Ele viveu e fazer aquilo que ele fez. Ele fez tudo com amor e por amor para que todos pudessem conviver na paz e na fraternidade e alcançar a salvação. Isto é a evangelização. O cristão não pode perder nenhum tempo para não enterrar nenhuma oportunidade. Quem não valorizar o tempo, vai enterrar muitas oportunidades na vida.  É preciso seguir a Jesus em todas as circunstâncias de nossa vida. É preciso amar e servir. O amor e o serviço são inseparáveis no seguimento. É necessário servir com amor e amar através do serviço.

“Tu, segue-me!”. Esta frase é dirigida por Jesus a cada um de nós. A Igreja, que somos nós, tem obrigação de fazer Cristo próximo das pessoas. Por meio de cada cristão, de cada um de nós o mundo deve continuar a escutar Cristo. Através de cada um de nós Cristo deve continuar tocando a vida das pessoas ao nosso redor. Para isso, cada um de nós deve estar preparado para o contrário, pois muitos querem apagar a voz do enviado e querem acabar com a vida da testemunha de Cristo. Duas colunas da Igreja, Pedro e Paulo, foram martirizados em nome de Jesus e de seus ensinamentos. Não tenhamos medo, pois o Senhor quer que sejamos testemunhas de seu amor, de sua graça e de sua misericórdia. Tudo isso deve gerar uma autêntica conversão naqueles que escutam Cristo por meio de cada um de nós, em particular, e por meio da Igreja, em geral. “Tu, segue-me!”.

 

P. Vitus Gustama,svd

Quinta-feira da 7.ª Semana da Páscoa – A união de dois Corações

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo
17, 20-26)

Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao céu e rezou, dizendo: “Pai santo, eu não te rogo somente por eles, mas também por aqueles que vão crer em mim pela sua palavra; para que todos sejam um como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, e para que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste.

Eu dei-lhes a glória que tu me deste, para que eles sejam um, como nós somos um: eu neles e tu em mim, para que assim eles cheguem à unidade perfeita e o mundo reconheça que tu me enviaste e os amaste, como me amaste a mim. Pai, aqueles que me deste, quero que estejam comigo onde eu estiver, para que eles contemplem a minha glória, glória que tu me deste porque me amaste antes da fundação do universo. Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci, e estes também conheceram que tu me enviaste.

Eu lhes fiz conhecer o teu nome, e o tornarei conhecido ainda mais, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu mesmo esteja neles”.

Dando continuidade à oração sacerdotal, o Evangelho de hoje apresenta-nos Cristo a rogar ao Pai pela unidade de seus discípulos: “Para que todos sejam um como tu, Pai, estás em mim e eu em ti”, diz o Senhor. Esse pedido de Jesus reveste-se de um significado especial neste período de preparação para a solenidade de Pentecostes, uma vez que nos remete à união que Deus quer ter conosco mediante o envio de seu Espírito Santo, união que já se realizou, de maneira inefável, no elo estreitíssimo entre a humanidade de Cristo e a divindade do Filho, que juntas subsistem na única Pessoa do Verbo eterno. E nós, para unir-nos a Deus, precisamos antes de tudo ser membros do Corpo de Cristo, que é a Igreja, por meio do Batismo e da recepção do Espírito, que acendendo em nós a luz da e derramando em nossos corações o bálsamo da caridade faz-nos um com Ele e com Aqueles de que procede. No fim deste mês de maio, dedicado a Maria, e início de junho, consagrado ao Coração de Jesus, peçamos a intercessão do Imaculado Coração de nossa Mãe Santíssima, em cuja alma Cristo verdadeiramente causou, por sua oração, aquela união com o Pai que todos, cada um segundo a sua medida, estão chamados a realizar nesta vida e a consumar em plenitude na outra.

A importância de Fátima na batalha pela vida e pela família

Fatima vida familia blog

“A mensagem de Fátima, no seu núcleo fundamental, é o chamamento à conversão e à penitência, como no Evangelho. Este chamamento foi feito nos inícios do século vinte e, portanto, foi dirigido, de um modo particular a este mesmo século. […] O apelo à penitência é um apelo maternal; e, ao mesmo tempo, é enérgico e feito com decisão.” [1]

(Papa São João Paulo II)

Por Pe. Shenan J. Bouquet — Neste ano de 2017, a Igreja celebra o Centenário dos milagrosos eventos ocorridos em Fátima, recordando a maravilhosa aparição de nossa Mãe do Céu e a mensagem de vida que Ela nos veio trazer. Considerando o significado desse acontecimento e o que ele tem a dizer ao mundo de hoje, lembro-me de algo que a Irmã Lúcia escreveu em uma carta ao Cardeal Caffarra:


O confronto final entre o Senhor e o reino de Satanás será sobre a família e sobre o matrimônio“, ela escreveu. “Não tenha medo, porque qualquer um que trabalhar pela santidade do matrimônio e da família será sempre combatido e contrariado de todos os modos, porque este é o ponto decisivo. No entanto, Nossa Senhora já lhe esmagou a sua cabeça.”

Nas minhas muitas viagens, eu experimento em primeira mão as proféticas palavras da Ir. Lúcia quanto ao Matrimônio e à família. Essas instituições sagradas estão no coração da batalha porque se referem aos fundamentos mesmos da Criação, ou seja, à verdade sobre a relação entre o homem e a mulher, feitos à imagem e semelhança de Deus. Se essas instituições divinas são comprometidas, então se põe em perigo de ruir todo o edifício.

Não devemos ver a mensagem de Fátima meramente como um momento histórico, mas antes como uma mensagem viva propositadamente para os dias de hoje. A crise moral que vemos no mundo demanda de nossa parte orações, penitências e sacrifícios. Nossa resposta à cultura perversa deste século é nossa renovação espiritual e conversão contínuas.
Estamos sendo chamados à santidade.

Pelo exemplo dos videntes Francisco, Jacinta e Lúcia, nós somos impelidos a oferecer atos de mortificação com virtude heroica. Do alto de suas inocências, as duas crianças mais jovens, Francisco e Jacinta, ofereceram-se como vítimas de expiação. A Ir. Lúcia, por sua vez, avisada de que teria pela frente uma longa vida, gastaria o resto de seus dias no serviço da oração e da mortificação pela salvação das almas. Tendo perguntado a Nossa Senhora, de fato, se ela os levaria para o Céu, a resposta recebida foi esta:

A Jacinta e o Francisco levo-os em breve, mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no Mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação, e serão queridas de Deus estas almas, como flores postas por Mim a adornar o Seu trono.

— Fico cá sozinha? — disse, com tristeza [Lúcia].

— Não, filha. Eu nunca te deixarei. O Meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus. [2]

O apelo de Nossa Senhora para rezar e fazer penitência, ao qual as crianças responderam com alegria e completa obediência, também se aplica a nós. A luta pela santidade, através da mortificação dos nossos sentidos, torna-nos fervorosos na oração; dá-nos força interior para resistir às tentações; ajuda a nos desapegarmos de preocupações mundanas; e liberta o nosso coração, por fim, de vaidades terrenas. A busca da santidade aumenta a clareza de pensamento, fazendo-nos mais sensíveis ao discernimento do que é sagrado e do que é abominável aos olhos de Deus.

O inimigo também conhece o significado do Matrimônio e da família, e é por isso que os ataca — assim como atacou Adão e Eva, nossos primeiros pais. O Matrimônio é a única instituição que une os pais aos seus filhos, que reconhece o direito natural de uma criança a ter um pai e uma mãe. A família é a primeira célula da sociedade, a “Igreja doméstica”, o primeiro governo, a primeira escola, o primeiro hospital, a primeira economia e a primeira instituição mediadora da sociedade. Dentro dessa escola primária, os filhos aprendem os valores da moral e do Evangelho, os quais dão forma, em última instância, às nossas culturas e sociedades. Toda a sociedade passa, afinal de contas, pela família, que é a primeira de todas as escolas.

É certo que defender a verdade sobre a vida, o Matrimônio e a família é uma tarefa custosa. As crianças de Fátima, por exemplo, sofreram bastante por causa das aparições. Familiares e amigos perseguiram-nas. Os jornais conduziram uma campanha implacável para desacreditar tanto as aparições quanto os videntes. Mesmo assim, apesar de todo o tratamento negativo, os três suportaram tudo com paciência e caridade, lembrando sempre do pedido de Nossa Senhora para que oferecessem os seus sacrifícios em favor dos pobres pecadores.

Ao entrarmos no bom combate sobre o Matrimônio e a família, entramos cientes de que também nós seremos cercados pelo ódio e pela rejeição. “Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro odiou a mim”, lembra-nos Nosso Senhor. “Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como ama o que é seu; mas, porque não sois do mundo, e porque eu vos escolhi do meio do mundo, por isso o mundo vos odeia.” (Jo 15, 18-19) Estamos diante de duas visões opostas: uma enraizada no caminho da obediência e da vida, e outra no da desobediência e da morte.

Sabemos também que os ataques contra o plano divino para o Matrimônio e a família não vêm só de fora da Igreja, mas também de dentro — nascidos dos pecados a que dão origem a desobediência, a divisão e a heresia. É por isso que a Igreja, povo de Deus, precisa da mensagem de Fátima como uma lembrança constante do chamado universal à penitência, à conversão e à renovação. Somente neste espírito, renovação de coração e de alma, poderemos ser o fermento na massa de que fala o Evangelho (cf.
Lc 13, 18-21). “No amor não há temor. Ao contrário, o perfeito amor lança fora o temor” (1Jo 4, 18). Nós obtemos forças e conforto de Nossa Senhora de Fátima, que lembrou à Ir. Lúcia que ela não estaria sozinha nessa grande batalha — no seu Imaculado Coração nós encontramos refúgio.

Ainda temos muito a aprender com Nossa Senhora de Fátima. A sua mensagem é um sinal de esperança para um mundo destruído pelo confronto e pela discórdia. E nossa resposta aos ataques desferidos contra o Matrimônio, a família e a sociedade é a mesma hoje como 100 anos atrás: arrepender-nos de nossos pecados e obedecer à vontade de Deus.

Nossa Senhora de Fátima,
rogai por nós!

Fonte: Human Life International | Tradução e adaptação: Equipe CNP

Referências

  1. Homilia no Santuário de Nossa Senhora do Rosário, em Fátima, 13 de maio de 1982.
  2. Luís Kondor (org.), Memórias da Irmã Lúcia. Introdução e notas de Joaquín M. Alonso. 13. ed., Fátima: Secretariado dos Pastorinhos, 2007, p. 192.

Visita de Nossa Senhora a Santa Isabel

Amar é servir! Desinteressadamente. É a primeira lição que Maria nos dá. Tão logo o Arcanjo Gabriel anunciou a Maria que ela seria a Mãe do Salvador, e Maria vai, apressadamente, diz São Lucas, para fazer uma visita à sua prima Isabel, já idosa, para ajudá-la nos serviços do lar. A Virgem caminha cerca de […]

SEMEANDO

VEM AÍ UM RETIRO MUITO ESPECIAL PARA OS QUE JÁ FIZERAM O SEMEAR!
Isso mesmo, temos um encontro especial. Mas se liga, as vagas serão LIMITADAS!!!
EM BREVE, MAIS INFORMAÇÕES 





Dica de leitura: “O Segredo da Sagrada Eucaristia”; “Como preparar-se bem para comungar”

De todos os Sacramentos, nós sabemos que o mais importante é a Eucaristia. A presença do Senhor no Sacramento Eucarístico foi querida por Ele próprio, para estar próximo ao homem e nutri-lo de Si mesmo, para permanecer na comunidade eclesial. Neste vídeo, o Prof. Felipe Aquino sugere dois livros para que possamos nos aprofundar ainda mais […]

É PRECISO CAMINHAR 2017-05-30 13:29:00


02/06/2017


Apascenta minhas ovelh

AMOR É O FUNDAMENTO DE TODA A ATIVIDADE PASTORAL

Sexta-Feira da VII Semana da Páscoa

Primeira Leitura: At 25,13b-21

Naqueles dias, 13b o rei Agripa e Berenice chegaram a Cesareia e foram cumprimentar Festo. 14 Como ficassem alguns dias aí, Festo expôs ao rei o caso de Paulo, dizendo: “Está aqui um homem que Félix deixou como prisioneiro. 15 Quando eu estive em Jerusalém, os sumos sacerdotes e os anciãos dos judeus apresentaram acusações contra ele e pediram-me que o condenasse. 16 Mas eu lhes respondi que os romanos não costumam entregar um homem antes que o acusado tenha sido confrontado com os acusadores e possa defender-se da acusação. 17 Eles vieram para cá e, no dia seguinte, sem demora, sentei-me no tribunal e mandei trazer o homem. 18 Seus acusadores compareceram diante dele, mas não trouxeram nenhuma acusação de crimes de que eu pudesse suspeitar. 19 Tinham somente certas questões sobre a sua própria religião e a respeito de um certo Jesus que já morreu, mas que Paulo afirma estar vivo. 20 Eu não sabia o que fazer para averiguar o assunto. Perguntei então a Paulo se ele preferia ir a Jerusalém, para ser julgado lá. 21 Mas Paulo fez uma apelação para que a sua causa fosse reservada ao juízo do Augusto Imperador. Então ordenei que ficasse preso até que eu pudesse enviá-lo a César.

Evangelho: Jo 21,15-19

Jesus manifestou-se aos seus discípulos 15e, depois de comerem, perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus disse: “Apascenta os meus cordeiros”.
16E disse de novo a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro disse: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas”. 17Pela terceira vez, perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Respondeu: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo”. Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas. 18Em verdade, em verdade te digo: quando eras jovem, tu te cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir”.19Jesus disse isso, significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus. E acrescentou: “Segue-me”.
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Viver De Acordo Com a Verdade Para Viver Na Justiça

Os romanos não costumam entregar um homem antes que o acusado tenha sido confrontado com os acusadores e possa defender-se da acusação.

Nós nos encontramos nas últimas páginas do livro dos Atos dos Apóstolos. E estas últimas páginas citam um certo número de personagens históricos: governadores, oficiais, soldados e assim por diante. E o itinerário da Igreja através da prisão de São Paulo como cidadão romano é confirmada paulatinamente pela grande história de Roma e se conhecem pelos documentos civis da época.

O novo governador romano na Judéia, Festo, mantém São Paulo preso. Festo, como todos os personagens romanos que aparecem no livro dos Atos, respeita a lei e deseja que a justiça triunfe: “Os romanos não costumam entregar um homem antes que o acusado tenha sido confrontado com os acusadores e possa defender-se da acusação. 

Não precisa ser cristão para ter uma atitude de justiça. Quem vive na verdade, vive na justiça. Quem vive no amor, perdoa. Quem se preocupa com o crescimento do outro, dá oportunidade para o outro crescer. Ninguém pode condenar uma pessoa sem ela estar presente para se defender. Pela fraqueza humana, e às vezes por falta de caráter, temos muita facilidade de julgar ou condenar alguém à distância sem dar oportunidade de ele se defender ou apresentar suas razões para seus atos e suas escolhas. Deus nos ordena a amarmos o próximo (cf. Jo 13,34-35; 15,12), e não nos autoriza para julgar o próximo (cf. Mt 7,1-5). Dar oportunidade para alguém se defender, para nós cristãos, é mais do que justiça, é um ato de caridade.

Viver Como Ressuscitados

Tinham somente certas questões sobre a sua própria religião e a respeito de um certo Jesus que já morreu, mas que Paulo afirma estar vivo.

Para São Paulo a ressurreição não é tanto somente um artículo do Credo ou uma afirmação dogmática e sim uma experiência vivida (cf. 1Cor 15,3-11; 2Cor 5,1-10). É o fruto do seu encontro pessoal com Jesus (cf. At 9,1-9; 22,1-21).

Que nossa vida seja uma expressão daquilo que o governador romano, Festo: “Um certo Jesus que já morreu, mas que Paulo afirma estar vivo”. O mundo de hoje precisa da certeza de um futuro seguro para o seu ser ou sua existência. E o cristão é o seguidor de Jesus que está vivo, Aquele que venceu a morte. E que vale a pena investir no bem, na bondade, no amor, na solidariedade, pois tudo isto constrói o ser humano e faz o ser humano se aproximar do Bem Maior que é o próprio Deus. O próprio Jesus Cristo passou a vida fazendo o bem (cf. At 10,38).

O Amor É a Alma Da Missão e De Qualquer Atividade Na Igreja de Cristo

O Jo 21 foi acrescentado ao evangelho de João provavelmente depois de uma primeira redação deste evangelho. As dificuldades de ordem literária e exegética são bastante importantes, mas cabe a possibilidade de não se afastar da realidade, figurando-se que este capítulo foi estruturado depois da morte de Pedro, e antes da morte de João, no momento em que o tema da sucessão já foi plantado. Aqui é destacada a importância de Pedro como o primeiro entre as partes.

Cada aparição de Cristo Ressuscitado aos seus apóstolos, especialmente em São João, sempre termina com uma “transmissão de poderes”. São João coloca intencionalmente esta transmissão depois da ressurreição (ao contrario de Mt 16,13-20) para deixar bem claro que os poderes missionários da Igreja é a irradiação da gloria do ressuscitado (“todo poder foi me dado… ide, pois”: Mt 28,18-19), e não para o uso próprio nem para a autopromoção ou para dominar os demais.

O diálogo do Senhor Ressuscitado com Pedro enfatiza três assuntos ligados entre si: o amor, o pastoreio e o seguimento até o martírio. E esse diálogo acontece logo depois da refeição comunitária. Nesse diálogo Jesus se dirige a Pedro chamando-o pelo nome de sua ascendência: “Simão de João”. Ao usar o nome de Pedro Jesus dirige-lhe três perguntas num tom pessoal e solene: “Simão, filho de João, tu me amas?”. Santo Agostinho comentou: “O Senhor perguntou três vezes para que a tríplice confissão apagasse a tríplice negação”. Jesus ressuscitado cura no mais fundo da alma de Pedro as feridas causadas nele pela sua tríplice negação (cf. Jo 18,17.25.27). Ao ser perguntado “pela terceira vez” por Jesus se Pedro O amava, Pedro ficou triste. Pedro reconhece sua infidelidade, mas não pode negar a existência de seu amor por Jesus: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo”. Ao responder na terceira vez, Pedro mostra que não se apóia mais nas suas forças, no seu saber e na sua vontade e sim no saber e na bondade do Senhor: “Tu sabes tudo”. Ao mesmo tempo Pedro afirma a verdade do seu amor ao Senhor e se deixa verificar seu amor por aquele que “sabe tudo”: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo apesar das minhas fraquezas e limitações”.

Somente depois da purificação de seu amor é que Jesus confere a Pedro o ofício de pastor de toda a Igreja: um ofício feito no amor e por amor ao Senhor e às ovelhas do Senhor (povo de Deus). As ovelhas das quais Pedro deve cuidar são as ovelhas de Jesus: “minhas ovelhas”.  “Apascenta minhas ovelhas como minhas, não como tuas”, comentou Santo Agostinho. 

Então, antes de transmitir o “poder de apascentar” o povo de Deus (“minhas ovelhas”) Cristo Ressuscitado pergunta a Pedro se ele ama a Jesus com o amor ágape. “Ágape” é uma palavra grega que significa o amor que se dirige unicamente para o outro, incondicional, e que não espera nada em troca. É uma doação pura de si mesmo. É um amor sem motivos, isto é, amar por amar. Para servir e trabalhar com e para o Senhor pelo bem dos demais é necessário ter amor puro no coração. Quem tem amor no coração, vai tratar bem aos outros. Jesus morreu por amor aos homens (Jo 13,1; 15,14). A Igreja de Cristo conduzida por Pedro e seus sucessores deve se converter em sacramento visível do ágape, do amor fraterno, de doção de si. Cada líder na Igreja do Senhor, desde o Papa até aos agentes pastorais, deve ser transformado em líder de amor. Por isso, é sempre um desafio de todos os dias.

O amor é o fundamento de toda pastoral. Por isso, Jesus não pergunta a Pedro se ele superou sua crise, se foi submetido a uma terapia psicológica para recuperar a auto-estima, se fez algum curso de liderança, se sabe manejar situações de conflito, se domina as dinâmicas de animação comunitária, se domina as técnicas pastorais, e sim Jesus o confronta com o fundamento de todo seguimento e de todo cuidado pastoral: o amor a Jesus e a sua comunidade, a decisão de entregar a própria vida para que os outros tenham vida (cf. Jo 10,10). Quem ama de verdade não compactua com a maldade, com a injustiça, etc., porque amor é responsabilidade. Todas as injustiças são conseqüências da falta de amor.

“Sim, Senhor, eu te amo”, responde Pedro. “Apascenta as minhas ovelhas”, diz Jesus a Pedro. A intimidade da fé e a resposta de amor de Pedro não são escritas para ser saboreadas sentimentalmente, e sim para ser transformadas em responsabilidade. “Se me amas, Pedro, então, apascenta as minhas ovelhas”. O amor a Jesus se transforma em responsabilidade de cuidar dos demais, pois eles são de Jesus (“minhas ovelhas”). Ao dizer que ama a Deus, o homem se transforma em responsável pelos outros. Amor e responsabilidade são, para Jesus, uma moeda de dois lados.

Jesus chama Pedro por seu nome original “Simão, filho de João”. E Pedro escuta atentamente a voz do Senhor. Seu coração foi crescendo em maturidade e agora compreende que Jesus não é o Messias político que ele esperava (Jo 13,37; 18,10) e sim o ser humano generoso que dá sua vida em serviço à humanidade deprimida e abandonada (Jo 15,13.15). Agora Pedro se encontra disponível para seguir a Jesus, o Caminho, não sob seus próprios interesses e sim animado pelo Espírito do Ressuscitado. A tríplice pergunta e afirmação são uma rememoração do itinerário do discípulo. Pedro partiu de uma adesão fervorosa, chegou à negação (Jo 18,27), passou pela dura experiência da morte de Jesus e agora chega a um novo ponto de partida. A adesão de Pedro não é simples militância e sim é amor entranhável por um ser humano que lhes ensinou o verdadeiro caminho para Deus: o caminho de amor que se transforma em serviço à comunidade: “Apascenta minhas ovelhas”. As ovelhas pertencem ao Senhor; o povo é de Deus. O próprio Senhor é o verdadeiro Pastor das ovelhas (cf. Jo 10). O bom tratamento para as ovelhas significa o bom tratamento para Deus. O mau tratamento para as ovelhas significa o mau tratamento para Deus, pois as ovelhas são do Senhor. Todos são chamados a cuidar das ovelhas do Senhor. Cuidar significa amar, alimentar, guiar e proteger.

As perguntas feitas a Pedro são dirigidas a toda a Igreja, a cada cristão e, portanto, a mim e a você. “Quando é lida esta leitura, cada cristão sofre o interrogatório no coração”, dizia Santo Agostinho. O amor é a única realidade consistente, que permanece e dá consistência a tudo. Aquele que foi enviado por amor e para amar a humanidade (Jo 3,16) e que nos ama até o fim (Jo 13,1) nos pergunta sobre nosso amor ao Senhor e às ovelhas do Senhor. Tendo amor no coração ao Senhor e às ovelhas do Senhor, tudo se tornará obra prima e tudo se eleva até Deus.

Em silêncio neste dia Jesus chama cada um de nós por nosso nome original e pergunta: “Você me ama mais do que qualquer pessoa e qualquer coisa do mundo e em qualquer situação?”. Ele não nos pergunta se temos condições de assumir uma tarefa ou não, e sim se amamos verdadeiramente o Senhor que se expressa no amor às ovelhas do Senhor (toda pessoa humana). Primeiro é amar. Depois é servir. Servir sem amor transforma qualquer um em escravo. Servir com amor transforma cada um de nós em parceiro do Senhor. Podemos dar sem amar, mas não podemos amar sem dar. Aquele que semeia cortesia colhe amizade, e aquele que planta delicadeza colhe amor. O amor é firme com rocha em que as ondas do ódio batem em vão. O verdadeiro amor nos eleva até Deus, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). “Quanto mais amas, mais alto tu sobes” (Santo Agostinho).

Reflitamos sobre as seguintes palavras de Santo Agostinho:

“Os que apascentam as ovelhas de Cristo com ânimo de fazê-las propriedade sua e não de Cristo, manifestam claramente que amam a si mesmos e não a Cristo; desempenham a missão recebida movidos pela cobiça da glória, do domínio, da posse, e não movidos pelo amor de obedecer, ajudar ou agradar a Deus… Demonstra que tens amor ao Pastor amando as ovelhas, pois também as ovelhas são membros do Pastor”.

P. Vitus Gustama,svd