Mês: abril 2017

É PRECISO CAMINHAR 2017-04-29 21:43:00

02/05/2017

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SENHOR, DAÍ-NOS SEMPRE O PÃO DA VIDA PARA VIVERMOS NA VERDADE
Terça-Feira da III Semana da Páscoa
Primeira Leitura: At 7,51-8,1a
Naqueles dias, Estêvão disse ao povo, aos anciãos e aos doutores da lei: 51 “Homens de cabeça dura, insensíveis e incircuncisos de coração e ouvido! Vós sempre resististes ao Espírito Santo e como vossos pais agiram, assim fazeis vós! 52 A qual dos profetas vossos pais não perseguiram? Eles mataram aqueles que anunciavam a vinda do Justo, do qual, agora, vós vos tornastes traidores e assassinos. 53 Vós recebestes a Lei, por meio de anjos, e não a observastes!” 54 Ao ouvir essas palavras, eles ficaram enfurecidos e rangeram os dentes contra Estêvão. 55 Estêvão, cheio do Espírito Santo, olhou para a céu e viu a glória de Deus e Jesus, de pé, à direita de Deus. 56 E disse: “Estou vendo o céu aberto, e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus”. 57 Mas eles, dando grandes gritos e, tapando os ouvidos, avançaram todos juntos contra Estêvão; 58 arrastaram-no para fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem, chamado Saulo. 59 Enquanto o apedrejavam, Estêvão clamou dizendo: “Senhor Jesus, acolhe o meu espírito”. 60 Dobrando os joelhos, gritou com voz forte: “Senhor, não os condenes por este pecado”. E, ao dizer isto, morreu. 8,1ª Saulo era um dos que aprovavam a execução de Estêvão.
Evangelho: Jo 6, 30-35
Naquele tempo, a multidão perguntou a Jesus: 30“Que sinal realizas, para que possamos ver e crer em ti? Que obras fazes? 31Nossos pais comeram o maná no deserto, como está na Escritura: ‘Pão do céu deu-lhes a comer’”. 32Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo, não foi Moisés quem vos deu o pão que veio do céu. É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu. 33Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo”.  34Então pediram: “Senhor, dá-nos sempre desse pão”. 35Jesus lhes disse: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”.
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Somos Chamados a Ser Anunciadores Da Verdade a Exemplo de Estêvão e Os Profetas Antigos
Homens de cabeça dura, insensíveis e incircuncisos de coração e ouvido! Vós sempre resististes ao Espírito Santo e como vossos pais agiram, assim fazeis vós”, disse Estevão num discurso mais longo do livro dos Atos dos Apóstolos (At 7,2-53).
O tom com que Estevão usa no final do seu discurso, que citamos acima, nos leva ao tom dos antigos profetas. Estevão quer relembrar todos os homens em todos os tempos e lugares e em todas as religiões que toda vez que o homem ficar resistente à voz do Espirito de Deus, ele se tornará violento para o próximo e perseguidor dos justos e honestos. A infidelidade do homem aos valores universais como amor, fraternidade, solidariedade, justiça, honestidade, igualdade converte o homem em assassino e destruidor do seu próximo, especialmente dos inocentes. A religião nenhuma pode estar acima dos valores universais reconhecidos, valores que constroem a comunhão, a fraternidade, a compaixão, a solidariedade, valores que edificam todos os seres humanos como uma família em que um membro cuida do outro membro.
Nesse discurso, Estevão chama seus ouvintes judeus juntamente aos anciãos e doutores da Lei de “cabeça dura, insensíveis e incircuncisos de coração e ouvido”. As acusações de Estevão são tipicamente bíblicas. “Teimosos” traduz a expressão bíblica “duros de pescoço” (cf. Ex 33,3.5; 34,9; Dt 9,6.13; Ne 9,29). Pescoço duro não é flexível e incapaz de fazer movimentação para várias direções. Um teimoso é incapaz de ver outras possibilidades melhores. “Insensíveis” é na Bíblia “incircuncisos de ouvido e coração” (cf. Lv 46,41; Jr 6,10; Ez 44,7.9). A resistência ao Espirito Santo vem de Nm 27,14; Ne 9,30; Is 63,10. Paralelamente, nesse discurso de Estevão há uma continuidade entre os profetas, Jesus e agora Estevão. O passado ilumina Estevão para denunciar os que praticam a injustiça. Como qualquer profeta, Estevão se torna vítima da verdade anunciada. O assassino pode matar o anunciador da verdade, mas incapaz de enterrar a verdade.
Estêvão é um homem fogoso, mas também um homem de vida interior, contemplativo, um visionário que tira suas ideias, suas palavras, seus atos de sua oração contemplativa. Na sua oração contemplativa Estêvão disse: “Estou vendo o céu aberto, e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus”. Efetivamente, Jesus está vivo, ressuscitado e exaltado. E Estêvão vive com Ele, e vive dele. É o tempo pascal para Estêvão, o tempo de passagem deste mundo para o mundo de Deus. Por isso, Estêvão, literalmente, repete as palavras de Jesus no Evangelho antes de sua morte: “Senhor Jesus, acolhe o meu espíritoSenhor, não os condenes por este pecado”. A morte de Estêvão é admirável. Como seu Mestre Jesus, Estêvão perdoa. É a vítima que ama seus carrascos e roga por eles como fez jesus. É assim que tenho que perdoar?
É admirável o exemplo de Estêvão, o jovem diácono. É em geral admirável a mudança da primeira comunidade cristã a partir da graça do Espirito em Pentecostes. Estêvão dá testemunho de Cristo Ressuscitado e Vitorioso. Celebramos sua festa no Natal, mas a leitura de hoje nos situa muito bem coerente no clima da Páscoa.
Somos chamados não somente a crer teoricamente na Ressurreição de Cristo, mas a viver essa mesma Páscoa, ou seja, a estar dispostos a experimentar em nós a perseguição e a imitar Cristo não somente nas coisas doces e serenas, mas também na entrega à morte e no perdão de nossos inimigos. É viver o duplo movimento da Páscoa que é morte e vida. As dificuldades vão chegar quando nossas palavras e nossas obras forem testemunhos da verdade que sempre incomoda alguém que não viver de acordo com a verdade. Estêvão é nosso espelho e nosso exemplo a ser seguido.
Somos Chamados a Viver e Ir Além Do Pão Material
Jesus acabou de realizar a multiplicação dos pães para saciar a multidão (Jo 6,1-15). As pessoas comeram um alimento perecível ou efêmero. Mas há outro alimento que serve para a vida eterna (Jo 6,26-27). A multidão buscou um realizador de “milagres”, mas a personalidade de Jesus é de outra ordem e por isso, Jesus se afastou da multidão que quis torná-lo rei. Jesus não caiu na armadilha do poder que mata a fraternidade e a igualdade. As obras que o povo realizou até esse momento não são as que vão merecê-lo a salvação. A única obra que conta é seguir Jesus Cristo (Jo 6,28-29) e viver seus ensinamentos.
O “milagre” (= sinal) da multiplicação dos pães e dos peixes foi um acontecimento de tal profundidade que se constitui para o evangelista João num verdadeiro exemplo de uma leitura simbólica. Jesus convida a multidão a ir além do sinal da multiplicação dos pães e dos peixes para descobrir seu verdadeiro significado.
No Evangelho de hoje, as pessoas simples pedem a Jesus “sinais”: “Que sinais tu realizas para que possamos ver e crer em ti?”. O “milagre” de partilha generosa dos pães não foi suficiente para levá-las à verdadeira fé em Jesus. Elas não encontraram ainda o “milagre” da partilha, que faz todos saciados, e ninguém fica em necessidade. Ao contrário, o egoísmo deixa a maioria em necessidade, pois uns poucos agarram a maioria dos alimentos. E quase como provocando-lhe, elas disseram que Moisés havia feito sinais: o maná que proporcionou aos seus na travessia do deserto (cf. Ex 16,1-36). Elas não saem de seu horizonte habitual: trabalhar… comer… Mas, será que a vida consiste apenas em trabalhar e comer? Será que a verdadeira vida consiste em ganhar muito e muito mais materialmente? Quanto por cento conseguimos consumir de tudo que ganhamos? E o resto?
O povo permanece no nível superficial da fé: quer uma solução fácil para seus problemas materiais; quer correr atrás de “milagres”. Por mais espetacular que sejam os “milagres”, as pessoas continuam na sua desconfiança sobre a identidade de Jesus como Filho de Deus apesar de estar diante do “milagre” do Pai que é seu Filho Jesus, prova de sua benevolência para a humanidade faminta de sentido. Jesus é o sinal permanente do amor do Pai que indica o caminho para chegar ao Pai: amor mútuo (cf. Jo 15,12). Quem acolhe Jesus com seus ensinamentos que se resumem no amor fraterno (ágape), coloca-se no caminho da salvação. Qualquer outro sinal (milagre) seria inútil, se este sinal fundamental não fosse percebido.
Jesus busca despertar nas pessoas, a partir de suas necessidades materiais, aspirações mais altas, de ordem religiosa e espiritual, mas sempre com consequências ou aplicação na convivência humana diariamente. Jesus sacia a multidão a partir do ato generoso de um menino que representa todos os generosos para dizer que com a partilha há sempre alimento que sobra (cf. Jo 6,13). O egoísmo ou a ganância não deixa que os alimentos sejam partilhados ou distribuídos para todos.
Literariamente o evangelista construiu a cena para dar lugar à continuação ao discurso de Jesus sobre o Pão verdadeiro. Todo o discurso seguinte vai ser como uma homilia em torno do tema do pão: o pão que Jesus multiplicou no dia anterior, o maná que Deus deu ao povo no deserto, e o Pão que Jesus quer anunciar. A frase crucial é uma citação do Sl 77,24: “Senhor, dá-nos sempre desse pão”. “Não nos deixe, Senhor, sem esse pão, diariamente, pois nossa fome do sentido da vida não se satisfaz somente com o pão material. Queremos nos alimentar com o Pão que nos dá calma, paz, serenidade. E este Pão é o Senhor”.
Aqui se estabelece o paralelismo entre Moisés e Jesus, entre o pão que não sacia e o pão que dá vida eterna, entre o pão com minúscula e o Pão com maiúscula. A partir da experiência da multiplicação e da recordação histórica do maná, Jesus conduz seus ouvintes para a inteligência mais profunda do Pão que Deus lhes quer dar, que é ele mesmo, Jesus Cristo. Se no deserto o maná foi a prova da proximidade de Deus para com seu povo, sinal de que Deus não abandona seus fiéis, agora o mesmo Deus quer dar para a humanidade o Pão verdadeiro que é Jesus em quem devemos acreditar. Jesus é a encarnação do amor do Pai pela humanidade. Deus quer fazer sua moradia no meio de nós em Jesus Cristo (Jo 1,14).
“Senhor, dá-nos sempre desse pão”.
O homem de hoje está sedento, está faminto, mas o próprio homem não sabe de quê?  Ele quer satisfazer seus desejos e deixa seus anseios profundos gritarem permanentemente. Por isso, há uma busca sem trégua tratando de encontrar algo que possa o saciar verdadeiramente. Ele o busca no prazer, no poder, na fama, no dinheiro e assim por diante. Mas, infelizmente, quem vive somente em função do prazer é porque não tem prazer de viver. Afinal, o resultado é sempre o mesmo: vazio e solidão. Somente Jesus é o Pão que sacia. Somente a vida no amor de Deus pode dar sentido à vida: “Eu sou o Pão da vida. Quem vem a mim, não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede” (Jo 6,35). O Pão da Vida não somente satisfaz a fomente física do homem, e sim satisfaz sua vida ou sua existência. A única satisfação para a existência humana está em Cristo. Somente seu amor enche nossos vazios e nossas solidões. A vida em Cristo se transforma em plenitude. Por isso, quem tem Cristo tem tudo, quem não O tem, não tem nada.
Enquanto não crermos plenamente em Jesus Cristo, nosso ser andará buscando saciar sua sede e sua fome em qualquer lugar. Por isso, nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em Deus e enquanto não se nutrir do Pão da Vida que é seu Filho Jesus Cristo através de uma plena e verdadeira comunhão com Ele. Uma vez que crermos em Jesus de todo coração, uma vez que nascermos do Espírito Santo, “nascer do alto” então nos daremos conta de que não teremos sede jamais. Simplesmente viveremos na Presença do grande “Eu-Sou”.
Quem se alimenta é porque quer continuar vivendo. Mas o alimento temporal somente prolonga nossa vida por um pouco tempo. O Senhor Jesus nos dá vida eterna. Quem O aceitar, terá essa vida. Mas ter a vida não significa somente usufruí-la de um modo egoísta ou passá-la bem. A vida é como um fruto que os demais devem usufruir, pois, junto com eles, estaremos trabalhando para que todos vivam com maior dignidade. Nós nos alimentamos de Cristo para poder alimentar o mundo, convertidos em pão de vida e deixando de ser, para o mundo, um pão venenoso, podre e deteriorado.
Comungar o Pão Eucarístico, o próprio Corpo do Senhor significa ser pão para os demais. O cristão é chamado a ser pão, a ser alimento, a ser vida para os outros a exemplo de Cristo Jesus. Ser pão significa que já não posso mais viver para mim e sim para os demais. Significa que tenho que estar inteiramente disponível a tempo completo. Significa que eu devo cultivar a ternura e a bondade porque assim é o pão, terno e bom. Significa que devo estar sempre disposto ao sacrifício como o pão que se deixa triturar. Significa que devo viver sempre no amor capaz de morrer para dar vida aos demais, como o pão. Nisto se encontra o sentido da vida e a satisfação plena de nossa existência. Para isso, precisamos pedir ao Senhor, o Pão da Vida, por excelência: “Senhor, dá-nos sempre desse pão”. Ao que Jesus nos responde: “Eu sou o Pão da vida. Quem vem a mim, não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”.

P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2017-04-29 20:17:00

01/05/2017
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SÃO JOSÉ OPERÁRIO
01 de Maio
Primeira Leitura: Gn 1,26–2,3
26 Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e segundo a nossa semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, e sobre todos os répteis que rastejam sobre a terra”.  27 E Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou: homem e mulher os criou. 28 E Deus os abençoou e lhes disse: “Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a! Dominai sobre os peixes do mar, sobre os pássaros do céu e sobre todos os animais que se movem sobre a terra”. 29 E Deus disse: “Eis que vos entrego todas as plantas que dão semente sobre a terra, e todas as árvores que produzem fruto com sua semente, para vos servirem de alimento. 30 E a todos os animais da terra, e a todas as aves do céu, e a tudo o que rasteja sobre a terra e que é animado de vida, eu dou todos os vegetais para alimento”. E assim se fez. 31E Deus viu tudo quanto havia feito, e eis que tudo era muito bom. Houve uma tarde e uma manhã: sexto dia. 2,1 E assim foram concluídos o céu e a terra com todo o seu exército. 2 No sétimo dia, Deus considerou acabada toda a obra que tinha feito; e no sétimo dia descansou de toda a obra que fizera. 3 Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, porque nesse dia descansou de toda a obra da criação.
Evangelho: Mt 13,54-58
Naquele tempo, 54 dirigindo-se para a sua terra, Jesus ensinava na sinagoga, de modo que ficavam admirados. E diziam: “De onde lhe vêm essa sabedoria e esses milagres? 55Não é ele o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Judas? 56 E suas irmãs não moram conosco? Então, de onde lhe vem tudo isso?” 57 E ficaram escandalizados por causa dele. Jesus, porém, disse: “Um profeta só não é estimado em sua própria pátria e em sua família!” 58E Jesus não fez ali muitos milagres, porque eles não tinham fé.
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O Homem É a Imagem De Deus No Mundo
Façamos o homem à nossa imagem e segundo a nossa semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, e sobre todos os répteis que rastejam sobre a terra”.
O relato do Livro de Gênesis apresenta a criação do homem como o ponto alto de toda a criação. Depois que criou tudo, Deus, finalmente, criou o ser humano. No mar Deus deixou os peixes e outros semelhantes e na terra criou as plantas e os animais terrestres. Tudo foi feito para o bem do homem.
Entre as criaturas, o homem possui uma característica singular e única. Ele é o único ser, entre todas as criaturas, criado à “imagem de Deus”. O conceito bíblico de “imagem de Deus” leva a uma reciprocidade na relação Deus-homem. Deus é o tudo do homem. No âmago do humano está a abertura construtiva, inexorável para Deus. Dentro de si o homem tem algo de Deus, pois ele é o fruto do sopro de Deus. Por ter sido feito do barro da terra, à semelhança dos animais, é mortal. Mas por ser vida da vida de Deus é transcendente. O sopro divino é o que coloca o homem no âmbito humano e o distingue dos animais e de outras criaturas.
O homem é a imagem e a semelhança de Deus. Por isso, o homem é o tu de Deus. Quando olha para a criatura humana, o próprio Deus se vê refletido no homem. Deus não criou o homem como objeto qualquer, mas Ele o criou como um ser correspondente, capaz de responder ao “tu” divino.
O homem é “imagem de Deus” por sua autoridade sobre o universo, por sua inteligência criadora com que foi posto em condições de dominar a natureza, desenvolvê-la e transformá-la.
Como “Imagem de Deus” o destino terreno do homem não é viver por viver; trabalhar, amar, reproduzir-se ou dominar a criação e sim conviver, compartilhar a vida com Deus e caminhar juntos. O homem jamais perderia a consciência de ser “Imagem de Deus”. Tudo que o homem fizer, deve refletir o querer de Deus.
Por isso, vem a pergunta: será que minha maneira de viver revela ao mundo que sou imagem de Deus? Será que o mundo percebe que sou imagem de Deus? será que eu faço morrer a imagem de Deus em mim que leva o mundo a crer sobre a “morte” de Deus no mundo?
O Trabalho É Sagrado Porque Mantém a Vida Do Homem
O livro de Gênesis nos relatou que Deus “trabalhou” seis dias. Quando o homem trabalha, ele reproduz a imagem de Deus que trabalhou seis dias e no sétimo dia descansou. Pelo trabalho o homem toca Deus. O trabalho enobrece o homem e ele pode consagrar a Deus qualquer atividade por simples que ela seja.
Para a Bíblia, o trabalho é uma função sagrada, é algo que de certa forma pertence ao mundo e ao próximo, é aquilo que deve ocupar o tempo do homem. O trabalho é sagrado porque mantém a vida do homem, e Deus é sensível ao sofrimento da vida e ao trabalho do homem. O trabalho é o meio de subsistência do homem. A Bíblia não tem uma única palavra de louvor para o preguiçoso e a pobreza, quando é consequência da preguiça. A preguiça nunca é considerada virtude. São Paulo nos recorda: “Quem não quer trabalhar, também não há de comer” (2Ts 3,10).
O trabalho é também um caminho de realização da pessoa, o meio pelo qual o homem atualiza suas possibilidades e exercita suas capacidades. O trabalho é um elemento de personificação e de humanização. O que importa na vida do homem é o esforço sempre renovado. É o amor que se coloca em tudo aquilo que faz.
Mas o homem precisa estar consciente de que o trabalho deve possibilitar viver e desfrutar a vida. Jamais podemos ser escravos do trabalho. O homem trabalha para viver e não viver somente para trabalhar. Todos condenam a preguiça, mas nem todos estão conscientes dos perigos do excesso de trabalho.
Na Bíblia, Deus se manifesta como Aquele que trabalha, mas que depois descansa. Deus quer que o homem interrompa seus afazeres, recupere suas energias e encontre tempo para elevar seu olhar mais para o alto. O preceito sabático, na Bíblia, existe para libertar o homem de seu próprio trabalho. O significado profundo do preceito sabático está em romper a alienação do trabalho. O preceito sabático existe para impedir que o homem pense que ele somente vale aquilo que produz. O homem deve saber que o seu “ser” e aquilo que ele “faz” ou “produz” são coisas completamente distintas. Um mundo que valoriza somente segundo o critério de desempenho não pode ser considerado um mundo humano e sim um mundo mecanizado.
Paralelamente, o preceito cristão do descanso dominical existe para libertar o homem de seu próprio trabalho. É o homem que dá valor ao seu trabalho ou à função que desempenha, e não o contrário. O trabalho em excesso pode embotar a mente e oprimir o espirito, convertendo assim o trabalho numa espécie de ídolo.
Em Nazaré Jesus Ajuda José No Trabalho Como Carpinteiro
De onde lhe vêm essa sabedoria e esses milagres? Não é ele o filho do carpinteiro?”.
Jesus começa o relato dos “fatos” da vida terrena de Jesus com a rejeição/recusa pelos nazarenos: “Acas não é este filho do carpinteiro?”.
A palavra “carpinteiro” (tékton) somente aparece em Mc 6,3 e Mt 13,55 em todo o Novo Testamento. Em grego “tékton” não significa somente uma pessoa que trabalha com madeira, mas também com ferro (serralheiro) e pedra (pedreiro). Jesus trabalhava com essas coisas acompanhando seu pai adotivo, José.
No texto de Marcos (Mc 6,3) o termo “carpinteiro” (tékton) se aplica a Jesus: é a única passagem bíblica em que se menciona o ofício exercido por Jesus: “Não é este o carpinteiro?”. Em Mateus o termo se aplica a José: “Não é ele o filho do carpinteiro?”.
José trabalha (carpinteiro) e Jesus (carpinteiro/filho do carpinteiro) também como sua Mãe, Maria, dona de casa. O trabalho é a expressão cotidiana do amor na vida da família de Nazaré. O tipo de trabalho para manter a família é carpintaria. A simples palavra “carpinteiro” abarca toda a vida de São José.
Para Jesus, os anos em Nazaré (antes de sua vida pública) são os anos da vida escondida da qual fala o evangelista Lucas atrás do episódio no Templo: “Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso” (Lc 2,51ª). Esta “submissão” quer dizer, primeiramente, a obediência de Jesus na casa de Nazaré. Em segundo lugar, esta “submissão” é entendida também como participação no trabalho de José. O que era chamado o “filho de carpinteiro” aprendeu o trabalho de seu pai adotivo, José.
O trabalho humano, especialmente o trabalho manual, tem no Evangelho um significado especial. Junto à humanidade do Filho de Deus, o trabalho faz parte do mistério da encarnação. Graças ao seu trabalho, sobre qual exerce sua profissão com Jesus, São José aproxima o trabalho humano ao mistério da redenção. No crescimento humano de Jesus “em sabedoria, idade e graça” representou uma parte notável a virtude da laboriosidade. O trabalho faz o homem, em certo sentido, mais homem.
O trabalho humaniza o homem e através de seu trabalho honesto ele se diviniza e potencia sua humanidade. Trabalhando com Jesus, são José se diviniza, pois Jesus é o Deus-conosco. São José Operário, interceda por nós para que através de nosso trabalho possamos nos humanizar mais a fim de que consigamos ser divinizados. Assim seja!
P. Vitus Gustama,svd

Eleições e anticristianismo na França

Eleicoes franca blog

Por Jean Duchesne [*] — No dia seguinte à vitória de François Fillon nas primárias republicanas da França, em novembro do ano passado, o título do jornal de esquerda Libération era: “Socorro, Jesus está voltando!” A razão para essa chamada de aflição? Fillon era conhecido como um católico praticante, marido fiel (aspecto nada comum entre os políticos contemporâneos) e visitante regular da Abadia de Solesmes, símbolo da restauração religiosa supostamente neomedieval e “reacionária” do século XIX. Pior, ele era apoiado por muitos dos militantes que organizaram, em 2013, as espetaculares e massivas (ainda que sem sucesso) manifestações contra a legalização do “casamento” gay — la Manif pour tous.

Olhando retrospectivamente, o “pedido de socorro” do jornal Libération, longe de causar pânico entre os secularistas, o que fez foi anunciar a determinação deles de acabar com a candidatura de Fillon. Dentro de semanas, ele foi acusado pela imprensa de fazer o que a maioria dos políticos, em todos os partidos, fazem: colocar a mulher e os filhos, que trabalhavam duro para ele, em cargos assalariados — o que é ilegal apenas se, de fato, nenhum trabalho é realizado. Um promotor público foi rapidamente apontado pelo governo socialista, e de maneira previsível, para acusar o líder da oposição conservadora. As acusações permanecem abertas, para dizer o mínimo. Não houve relatório algum nem de instituições públicas nem de instituições privadas que tivessem pago salários a membros da família Fillon. Detalhes da investigação preliminar foram vazadas para a mídia, que depois acrescentou novas acusações.

Fillon reconheceu que contratar membros de sua família tinha sido imprudente, e desculpou-se por isso. Mas ele foi incapaz de se desvincular das suspeitas de desonestidade. Antes do escândalo, ele estava em primeiro lugar nas pesquisas para a presidência da França; depois de tudo, ele caiu para o terceiro lugar, ficando atrás de Le Pen e do centrista Emmanuel Macron — e fora do segundo turno.

A acusação de corrupção contra Fillon não foi apenas um golpe político sujo. Foi também um ato motivado por ideologia, e reflete a hostilidade ao Cristianismo presente em vários círculos onde a religião em geral, e a fé católica em particular, é vista como uma doença infantil. Essa não é a ideia só de marxistas meio arrependidos, ainda ansiosos para protestar contra “o ópio das massas”, ou de outros adeptos da esquerda materialista. A aversão ao Cristianismo também pode ser encontrada na extrema direita política, com o seu misticismo avesso ao amor e à misericórdia, e entre centristas cuja moderação assimila a fé ao fanatismo religioso.

Marine Le Pen, a candidata populista da Frente Nacional, também é acusada de incluir membros do seu partido na folha de pagamento do Parlamento Europeu, no qual ela detém um mandato eletivo. Apesar disso, ela não foi ferozmente perseguida como Fillon. Uma das razões é que ela aparentava ser, de acordo com as previsões da grande mídia, uma ameaça menor que o candidato republicano. Mas a razão principal por que a mídia caçou Le Pen com menos ferocidade que Fillon é que ela não é considerada uma inimiga do “progresso” na área de maior importância para as pessoas “iluminadas”: a assim chamada liberação sexual. Le Pen já se divorciou por duas vezes e é simpatizante da causa gay. Ela não se comporta nem se define como uma boa católica.

A hostilidade à Igreja não é algo novo na França. Alguns historiadores chegam a dizer que o país nunca foi evangelizado por completo. Missões nas províncias foram necessárias até o século XIX, quando o secularismo crescente forçou o clero a se retirar para posições defensivas. Depois do batismo de Clóvis, rei dos francos, pelo bispo São Remígio de Reims, em 496 (considerado o ano de nascimento da nação), a Igreja tendia a confiar no poder real, proporcionando à monarquia, em retorno, uma aura de sacralidade (algumas vezes contrária ao Papa, em tempos de “galicanismo”) e súditos obedientes. A aliança fundante entre o trono e o altar foi desafiada, primeiro durante a Reforma (quando aristocratas protestantes ameaçaram a união nacional, conquistada com suor pelos reis durante a Idade Média), e depois mais seriamente nos séculos XVII e XVIII, com a ascensão da burguesia, a nova classe de mercadores abastados.

A Revolução Francesa não faz sentido sem o preexistente peso dos novos ricos na sociedade e o seu ódio tanto ao regime quanto à Igreja. Porque eles não eram autorizados a frequentar a classe alta (como foi o caso da Inglaterra, por exemplo), os novos ricos financiavam intelectuais do livre pensamento. Esses escritores produziram histórias, peças e panfletos que espalharam entre as classes mais baixas a noção de que a pobreza e a fome eram devido à ordem social injusta mantida pela religião oficial. Em setembro de 1792, uma gangue invadiu o convento de Paris, quando centenas de padres e monges foram detidos como “inimigos da nação” e assassinados. Essa gangue, evidentemente, não tinha vindo do nada. Tampouco a multidão que aplaudia enquanto freiras inofensivas eram guilhotinadas sem motivo, a não ser os seus votos religiosos.

Napoleão, que inesperadamente emergiu do caos revolucionário, comprou a paz ao reconhecer o Catolicismo como “a religião da maioria dos franceses”. Mas ele também concedeu reconhecimento oficial a judeus e protestantes, a fim de melhor mantê-los sob o seu controle. Isso fez com que fosse fácil, para os secularistas que tomaram o poder um século depois, denunciar e revogar a Concordata que ele havia assinado com a Santa Sé. É claro que, desde a Revolução, o clero e o seu rebanho tinham sido notavelmente persistentes em apostar nos cavalos políticos errados. Eles apoiaram todos os sucessivos regimes do século XIX, antes de se voltarem contra os mesmos, ora por serem muito autoritários, ora por serem muito liberais: sucessivamente, o império napoleônico, uma monarquia restaurada e então menos absolutista, uma segunda república, um segundo império…

Depois que um enfraquecido Napoleão III perdeu, em 1870, a guerra que os prussianos lhe tinham armado, os católicos prefeririam uma segunda restauração, mas uma terceira república, baseada nos ideais da Revolução de 1789, finalmente prevaleceu no voto popular. Eles se recusaram a aceitar isso (ainda que o Papa Leão XIII lhes aconselhasse o contrário), e a separação do Estado e da Igreja, em 1905, foi facilitada por duas crises simultâneas: os católicos estavam mais uma vez do lado errado no caso Dreyfus, que rachou o país no meio, e a repressão da exegese e da teologia “modernistas” passava a ideia de que a fé era incompatível com a razão e a ciência.

Como eram patriotas, os católicos franceses lutaram na Primeira Guerra Mundial, ignorando o Papa Bento XV; mas eles continuaram perdendo terreno político e cultural, até que os alemães voltassem em 1940 e implantassem o regime antissemita de Vichy, que muitos do clero e do laicato acolheram, mais uma vez erroneamente. Eles não gostavam muito de De Gaulle (ainda que ele fosse um deles) e foram lentamente marginalizados após a Segunda Guerra Mundial, conforme o crescimento econômico e a urbanização minavam as estruturas rurais da Igreja, e Marx, Nietzsche e Freud se tornavam os novas referências intelectuais, confirmando que o Cristianismo estava condenado.

Em décadas recentes, a crença de que o Catolicismo não só está fora de moda, como também é nocivo, vai baseada em questões mais sexuais que políticas. A modernidade considera que suas lutas pelo divórcio, pela contracepção e pelo aborto definitivamente ganharam, e agora busca impor a aceitação de todos os tipos de atividade sexual em nome dos direitos das minorias. Nestas circunstâncias, a Igreja é mais do que nunca a inimiga.

A maioria dos cidadãos franceses não são ativamente hostis ao Cristianismo. Eles são simplesmente indiferentes a uma religião que conhecem pouco e cada vez menos. Mas existem uns quantos lobbies efetivos ansiosos para desacreditar a Igreja. Essa pressa para eliminar a religião agora vai de encontro ao imprevisto da expansão islâmica, que nega formalmente a irreversibilidade da secularização. Mas isto não é razão para poupar a fé católica, já que ela não consegue controlar o fanatismo islâmico e continua sendo um alvo mais fácil.

A França não é uma exceção entre nações que já foram cristãs. O ódio anticlerical fez milhares de homicídios no México e durante a Guerra Civil Espanhola. E a recusa da União Europeia em reconhecer quaisquer raízes espirituais para o continente mostra que o anticristianismo não está limitado ao militantes dogmáticos, mas vai espalhado também entre as elites “iluminadas” do Velho Mundo.

Circunstâncias como essas não justificam o pessimismo. Artistas cristãos de renome mundial podem até sentir falta do apoio de uma civilização onde a fé era onipresente e provia um ambiente favorável e uma fonte de inspiração. Mas Igrejas nacionais em apuros, não menos que as triunfantes, também produzem missionários, santos e teólogos. Na França, a ascensão do secularismo durante o ano 1900 coincidiu com Santa Teresinha de Lisieux e as conversões de Péguy, Claudel e Maritain. O totalitarismo do século XX coexistiu com Bernanos, de Lubac, Daniélou, Congar e Bouyer. Alguns dos filósofos franceses mundialmente conhecidos de hoje (Jean-Luc Marion, Rémi Brague) também são católicos. Ou seja, a Igreja gera frutos também quando é incompreendida e desprezada. Ela não será aprovada por unanimidade até o final dos tempos. É essa uma das lições da Cruz de Cristo.

Fonte: First Things | Tradução e adaptação: Equipe Christo Nihil Praeponere

Nota do Tradutor

[*] A análise histórica apresentada no texto não reflete necessária e integralmente, em todas as suas particularidades, a opinião do Padre Paulo Ricardo ou da equipe do site. Esse texto foi escolhido para tradução principalmente pela atualidade do tema e pela perspicácia em apontar o anticristianismo notável não só nas eleições francesas, mas em qualquer corrida política que aconteça hoje, em qualquer lugar do mundo. A leniência para com os atentados ao direito natural, a “fobia” midiática diante de candidatos religiosos ou conservadores e, por fim, as lições do autor para uma Igreja cada vez mais confinada às sacristias, são aspectos que todos podemos aproveitar, desse texto, para a nossa própria situação política e espiritual.

Memória de São José Operário

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
13, 54-58)

Naquele tempo, dirigindo-se para a sua terra, Jesus ensinava na sinagoga, de modo que ficavam admirados. E diziam: “De onde lhe vêm essa sabedoria e esses milagres? Não é ele o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Judas? E suas irmãs não moram conosco? Então, de onde lhe vem tudo isso?” E ficaram escandalizados por causa dele. Jesus, porém, disse: “Um profeta só não é estimado em sua própria pátria e em sua família!” E Jesus não fez ali muitos milagres, porque eles não tinham fé.

Celebrar hoje a memória de São José Operário é celebrar, com especial alegria, o mistério daquela vida escondida que o Filho de Deus feito homem quis ter em Nazaré. Ora, como ensina S. Luís Maria Grignion de Montfort, o que primeiro nos vem à mente ao contemplarmos este obediente rebaixamento de Cristo Jesus é o fato de que Ele deu mais glória a Deus em seus trinta anos de submissão silenciosa à Virgem Maria e a S. José do que em qualquer outro período de seu ministério público. Isto significa dizer, antes de tudo, que Aquele que é Senhor do céu e da terra, sem se aproveitar de sua condição divina, fez-se o menor dos servos, dando-nos assim um exemplo da mais sublime humildade; Aquele, pois, que criou o firmamento e nele fixou as estrelas assumiu a condição humana, descendo do trono de sua glória celeste para habitar num casebre de uma pobre aldeola judaica. O que porém neste dia nos deve causar ainda mais admiração é que tanto Cristo quanto sua Mãe Santíssima, elevada ao fastígio de Rainha do Céu e da Igreja, submeteram-se docilmente à paternal autoridade daquele que, no seio da Sagrada Família, sabia não estar à altura da santidade de sua Esposa e de seu Filho adotivo.

Constituído, pois, cabeça da família humana do Deus encarnado, S. José recebeu do Pai o dever sagrado — e com quanta devoção e reverência deve tê-lo cumprido! — de ensinar a trabalhar, a construir mesas e cadeiras, a aplainar tábuas etc. Àquele que é a própria Sabedoria eterna. Com o formão e o martelo em mãos, enquanto sulcava a madeira, Cristo a todo instante pensava como, por sua graça e Sacramentos, moldaria o nosso pobre e ainda mal formado coração, a fim de torná-lo a obra prima de amor e santidade que Ele tanto deseja fabricar. Recorramos hoje à intercessão de São José Operário; peçamos-lhe, com firme confiança, que nos alcance de seu humilíssimo Filho a graça de nos deixarmos trabalhar pela graça de Cristo. Roguemos-lhe, por fim, que nos ensine a nós, encomendados sempre à sua proteção, a santificar-nos no e por meio do nosso trabalho quotidiano. — Ó São José, Chefe da Sagrada Família, Modelo dos operários, rogai por nós!

Sábado-feira da 2.ª Semana da Páscoa – A aparição de Cristo sobre as águas

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo
6, 16-21)

Ao cair da tarde, os discípulos desceram ao mar. Entraram na barca e foram em direção a Cafarnaum, do outro lado do mar. Já estava escuro, e Jesus ainda não tinha vindo ao encontro deles.

Soprava um vento forte e o mar estava agitado. Os discípulos tinham remado mais ou menos cinco quilômetros, quando enxergaram Jesus, andando sobre as águas e aproximando-se da barca. E ficaram com medo.

Mas Jesus disse: “Sou eu. Não tenhais medo”. Quiseram, então, recolher Jesus na barca, mas imediatamente a barca chegou à margem para onde estavam indo.

Após multiplicar os pães pela primeira vez, Jesus atravessa o Mar da Galiléia de maneira mais do que inusitada (cf. Mt 14, 24-27; Mc 6, 47-50). Estando já em alto mar, os discípulos divisaram ao longe o que parecia ser um “fantasma”, mas era, na verdade, o próprio Senhor a caminhar sobre as águas. Tomados de pavor, os Apóstolos reconhecem a Cristo e são por Ele confortados: “Sou eu”, diz. “Não tenhais medo”. Trata-se aqui de um verdadeiro acontecimento, de mais uma manifestação histórica e concreta do poder de Deus através da qual Ele, senhor do tempo e da história, quer transmitir-nos um ensinamento. Deste ponto de vista, a aparição de Cristo sobre as águas agitadas do Mar da Galiléia pode remitir-nos àquelas duas atitudes, ilustradas na reação das turbas antes e depois do sermão eucarístico (cf. Jo 6, 22-72), que às vezes tomamos diante dEle. Com efeito, se O buscamos por interesses meramente temporais, como “mercenários” esfomeados à procura de pão, Ele se afasta de nós; abandonados, assim, à nossa falta de fé, não temos as disposições para aceitar integralmente a sua Palavra, às vezes tão dura de ouvir (cf. Jo 6, 60), e acabamos por abandoná-lO. Mas se, vencendo a nossa desconfiança e temor mundano, deixamos que Ele venha a nós e nos mostre o seu rosto amigo — como não reconhecê-lO! —, experimentaremos a paz dos que, fiéis até aos seus mais exigentes ensinamentos, se dispõem a viver o Evangelho em toda a sua santa radicalidade. Por isso, peçamos hoje a Nosso Senhor que nos encha de espírito de fé e confiança, a fim de podermos reconhecê-lO sempre presente e reconfortante em meios às agitações de um mundo que, infelizmente, já não crê mais.

3.º Domingo da Páscoa – A presença oculta do Ressuscitado

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc
24, 13-35)

Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam para um povoado, chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém.

Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido. Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. Os discípulos, porém, estavam como que cegos, e não o reconheceram. Então Jesus perguntou: “O que ides conversando pelo caminho?” Eles pararam, com o rosto triste, e um deles, chamado Cléofas, lhe disse: “Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?”

Ele perguntou: “O que foi?” Os discípulos responderam: “O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém o viu”.

Então Jesus lhes disse: “Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?”

E, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele. Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante. Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!” Jesus entrou para ficar com eles. Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles. Então um disse ao outro: “Não estava ardendo o nosso coração, quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?”

Naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém onde encontraram os Onze reunidos com os outros. E estes confirmaram: “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!” Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão.

Um grande Tratado sobre a Virgem Maria

“Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo de seus pés, e na cabeça uma coroa de doze estrelas” (Ap 12,1) Essa visão maravilhosa que São João teve quando estava deportado na ilha de Patmos revela toda a majestade e poder de Nossa Senhora e da Igreja. […]

Sexta-feira da 2.ª Semana da Páscoa – Sem Jesus, desfalecemos

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo
6, 1-15)

Naquele tempo, Jesus foi para o outro lado do mar da Galileia, também chamado de Tiberíades. Uma grande multidão o seguia, porque via os sinais que ele operava a favor dos doentes. Jesus subiu ao monte e sentou-se aí, com seus discípulos. Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus.

Levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: “Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?” Disse isso para pô-lo à prova, pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer. Filipe respondeu: “Nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um”.

Um dos discípulos, André, o irmão de Simão Pedro, disse: “Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?” Jesus disse: “Fazei sentar as pessoas”. Havia muita relva naquele lugar, e lá se sentaram, aproximadamente, cinco mil homens.

Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. E fez o mesmo com os peixes. Quando todos ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: “Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca!”

Recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães, deixadas pelos que haviam comido. Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamavam: “Este é verdadeiramente o Profeta, aquele que deve vir ao mundo”. Mas, quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte.

No Evangelho desta sexta-feira, em que damos início à leitura continuada do sexto capítulo de São João, Nosso Senhor se retira a um lugar deserto (cf. Mt 14, 13a; Mc 6, 31ss; Lc 9, 10b), às margens orientais do Mar da Galiléia (cf. Lc 9, 10; Jo 6, 22ss), e realiza ali a primeira multiplicação dos pães (cf. Mt 14, 13b-21; Mc 6, 32-44; Lc 9, 11-17). Este milagre aconteceu, diz o evangelista, pouco antes da celebração da Páscoa, razão por que se reveste de um tom fortemente eucarístico. Não por acaso, Jesus falará mais adiante do pão da vida (cf. Jo 6, 26-47) e declarará, sem sombra de dúvida, a necessidade de que seus discípulos comam a sua carne e bebam o seu sangue (cf. Jo 6, 48-59). Trata-se, com efeito, de um ponto de virada no ministério público de Cristo, pois é neste momento, de modo particular, que muitos de seus seguidores, escandalizados com o que acabaram de ouvir, decidem abandoná-lO e Judas Iscariotes, já seduzido por Satanás, começa a vacilar na fé (cf. Jo 6, 70s). É também neste contexto que João situa a profissão de Pedro (cf. Mt 16, 16), o qual, cheio de seu costumado fervor, fala em nome de todos os Apóstolos: “E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6, 69), ou seja, o Messias (cf. Jo 10, 36; Mc 1, 24).

O Texto Sagrado deixa claro, além disso, que o motivo primário desta multiplicação dos pães foi a misericórdia de Cristo; de fato, o termo que São Mateus emprega para descrever o estado de ânimo em que Jesus se encontrava (cf. Mt 14, 14), ἐσπλαγχνίσθη, dá a entender que o Senhor sentiu uma entranhada comoção, que fez surgir em sua alma santíssima um intenso afeto de misericórdia diante da indigência daquelas turbas, provenientes de todas as cidades da região. Do ponto de vista espiritual, por outro lado, também se pode entender esse milagre tanto a) como uma prefiguração do banquete eucarístico quanto b) como uma expressão de que Deus tem poder para fazer muito com o nosso pouco. Com efeito, naquele menino que oferece a Jesus cinco pães de cevada e dois peixes (cf. Jo 6, 9), com os quais foram alimentados cinco mil homens, podemos ver simbolizados a cada um de nós, que tão pouco amor somos capazes de oferecer a Nosso Senhor.

No entanto, Ele, que conhece de antemão todas as nossas necessidades, espera que recorramos confiadamente à sua bondade e poder, pois somos como gente esfomeada, sedenta de Deus e de verdade, quase a desfalecer de cansaço pelo deserto deste mundo. Cientes, pois, de nossa profunda fome de Jesus Eucarístico, aproximemo-nos hoje do Altar de Cristo com um coração renovado pela esperança e peçamos a este compadecido Senhor que se digne aceitar o nosso pobre amor, a fim de o multiplicar, por sua graça, em atos constantes de caridade.

Conheça o desafio da Liturgia Azul

Hoje queremos compartilhar com vocês um desafio super interessante que nos ajudará a viver melhor a Eucaristia e se cumpri-lo até o fim, você ganhará o título de cristão piedoso! Que comecem os jogos! 1. Fazer simplesmente o sinal da cruz no início da missa, ao qual os fiéis respondem “amém” (nada da musiquinha “em nome […]

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