Mês: dezembro 2015

O valor do tempo

“Enquanto temos tempo …” (Gl 6,10) O tempo é o dom básico que Deus nos dá, sem o qual não há outros dons. Sim, é no tempo que nos é dado praticar o bem, trabalhar, lutar, e ter méritos diante de Deus. O tempo pode parecer sem sabor e sem valor para quem o vive […]

Santa Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe

Neste 1º de janeiro, comemoramos a festa de Santa Maria, Mãe de Deus. A maternidade de Maria é Dogma de Fé, e a Igreja coloca Nossa Senhora para nos acompanhar desde o primeiro dia do ano. Confira neste vídeo uma reflexão do Prof. Felipe Aquino sobre a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus e […]

Solenidade da Epifania do Senhor – A estrela que proclama a glória de Deus

A estrela que proclama a gloria de deus mini

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
2, 1-12)

Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, perguntando: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”.

Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém.

Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. Eles responderam: “Em Belém, na Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo”.

Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. Depois os enviou a Belém, dizendo: “Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo”.

Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande.

Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra.

Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.

*

Durante homilia para a Solenidade da Epifania de 2010, o Papa Bento XVI fez uma importante reflexão a partir dos presentes que os Magos ofereceram ao Menino Jesus:

“Eles levaram ouro, incenso e mirra. Sem dúvida, não são dons que correspondem às necessidades primárias ou quotidianas. Naquele momento, a Sagrada Família certamente teria tido mais necessidade de algo diferente do incenso e da mirra, e nem sequer o ouro podia ser-lhe imediatamente útil. Mas estes dons têm um profundo significado: são um ato de justiça. Com efeito, segundo a mentalidade em vigor nessa época no Oriente, representam o reconhecimento de uma pessoa como Deus e Rei: ou seja, são um ato de submissão. Querem dizer que a partir daquele momento os doadores pertencem ao soberano e reconhecem a sua autoridade.”

O “ato de justiça” a que Sua Santidade alude nesta meditação é o que a moral católica tradicionalmente chama de virtude da religião. Não tem a ver tanto com uma questão de utilidade, mas com uma obrigação moral de todo ser humano. Ao refletir sobre essa virtude (cf.S. Th., II-II, q. 81), o Doutor Angélico considera a sua preeminência sobre as demais virtudes, já que ela ordena o homem à glória de Deus, “princípio e fundamento” de sua existência.

A ilustração de uma sala de aula pode ajudar a entender em que consiste essa virtude. Quando um professor se depara com um bom aluno, a sua reação de justiça é admirá-lo – uma reverência interna que, a partir do momento em que se manifesta exteriormente, é transformada em honra. A consequência disso é que o bom estudante se torna glorioso aos olhos dos demais. Se o tratamento é justo, tudo está em seu devido lugar; se não, a estima do professor pode alimentar no aluno o pecado da vanglória.

Trazendo o exemplo para a relação dos homens com Deus, é importante lembrar que os louvores das criaturas nada acrescentam à glória do Criador. Há em Deus, eterno, infinito e sumamente perfeito, uma glória intrínseca ao Seu próprio ser. A honra que Lhe prestam os homens tem como fim torná-Lo cada vez mais conhecido e amado, a fim de que, “de glória em glória”, por assim dizer, as criaturas participem da glória de seu Criador. Assim, providencialmente, quando os homens glorificam a Deus por meio da virtude da religião, esse ato redunda em seu próprio benefício.

Mas quando pode o homem cantar glórias ao seu Criador? A resposta é: sempre e em toda ocasião. “Quer comais quer bebais ou façais qualquer outra coisa – exorta o Apóstolo –, fazei tudo para a glória de Deus (omnia in gloria Dei facite)” (1 Cor 10, 31). Por esse motivo, a virtude da religião como que se sobressai sobre as outras, orientando a prática de todas as virtudes para o seu devido fim. Quem obedece aos seus pais, é paciente com os seus filhos, dá esmolas, jejua ou resiste virilmente às tentações da carne, se não faz tudo isso “ad maiorem Dei gloriam – para a maior glória de Deus”, ainda não está na senda da verdadeira santidade.

“A consequência a que isto dá origem é imediata”, continua o Papa Bento XVI:

“Os Magos já não podem continuar pelo seu caminho, já não podem regressar para junto de Herodes, já não podem ser aliados com aquele soberano poderoso e cruel. Foram conduzidos para sempre pela senda do Menino, aquela que lhes fará ignorar os grandes e os poderosos deste mundo e que os conduzirá para Aquele que nos espera no meio dos pobres, o único caminho do amor que pode transformar o mundo.”

Depois de adorarem o Rei, os Magos “retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho” (v. 12). Isso significa conversão. Quem passa a reconhecer a glória de Deus, não pode voltar ao mesmo caminho de antes. Quem começa a orientar a sua vida pela estrela de Belém, muda a sua vida de uma vez por todas e para sempre.

7.º Dia na Oitava do Natal – A luz de Belém

A luz de belem vimeo

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo
1, 1-18)

No princípio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus. Ela existia, no princípio, junto de Deus. Tudo foi feito por meio dela, e sem ela nada foi feito de tudo o que existe. Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la.

Veio um homem, enviado por Deus; seu nome era João. Ele veio como testemunha, a fim de dar testemunho da luz, para que todos pudessem crer, por meio dele. Não era ele a luz, mas veio para dar testemunho da luz.

Esta era a luz verdadeira, que vindo ao mundo a todos ilumina. Ela estava no mundo, e o mundo foi feito por meio dela, mas o mundo não a reconheceu. Ela veio para o que era seu, mas os seus não a acolheram. A quantos, porém, a acolheram, deu-lhes poder de se tornarem filhos de Deus: são os que creem no seu nome. Estes foram gerados não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que recebe do seu Pai como filho único, cheio de graça e de verdade.

João dá testemunho dele e proclama: “Foi dele que eu disse: ‘Aquele que vem depois de mim passou à minha frente, porque antes de mim ele já existia'”. De sua plenitude todos nós recebemos, graça por graça. Pois a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. Ninguém jamais viu a Deus; o Filho único, que é Deus e está na intimidade do Pai, foi quem o deu a conhecer.

Hoje, a Igreja nos oferece à reflexão o belíssimo prólogo do Evangelho de São João, que durante séculos foi lido ao final de cada missa, a fim de que aos fiéis estivessem sempre vivas e presentes as verdades nele contidas. Detenhamo-nos por ora em apenas uma delas. Diz, com efeito, o Evangelista que o Verbo de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, é a “luz verdadeira, que vindo ao mundo a todos ilumina”. Cristo é, pois a luz que, segundo a versão grega, “ilumina a todo o homem” (ὃ φωτίζει πάντα ἄνθρωπον), quer se trate de um ateu ou de um pagão, quer se trate de um católico ou herege. Todos os seres humanos recebem do Verbo a luz de Deus. A diferença, no entanto, consiste em que nem todos, igualmente chamados a participar da vida divina, acolhem de igual maneira a luz de Cristo: “Ela estava no mundo, e o mundo foi feito por meio dela”, escreve São João, “mas o mundo não a reconheceu. Ela veio para o que era seu, mas os seus não a acolheram.”

O Senhor envia a Sua luz aos homens, mas os homens a rejeitam: Cristo, como o sol que brilha sobre bons e maus (cf. Mt 5, 45), é por uns aceito, por outros desprezado, por uns amado, por outros odiado. “A quantos, porém, a acolheram, deu-lhes poder de se tornarem filhos de Deus: são os que creem no Seu nome.” Ele a todos ilumina, a todos transmite o calor de Sua luz; mas nem todos O recebem. Uns se abrem à vida que Ele lhes transmite; outros, pondo-se como que sob as sombras do mundo, impedem que a Sua luz lhes aqueça o coração. João parece aqui descrever dois povos: os que jazem nas trevas e os que, acolhendo a luz que o Pai lhes enviou, têm a alegria de se tornarem filhos de Deus.

O Evangelho desta 6.ªfeira nos convida, assim, a renovar a e fortalecer nossa fé no Verbo eterno de Deus. Nós, que por graça e eleição divina já cremos, temos de pedir constantemente que o Senhor fortifique a nossa fé, incremente-a, faça-a crescer dia a dia, como um sementinha que, com o passar do tempo, vai-se tornando uma árvore cada vez mais robusta, cada vez mais frutuosa. Que Ele, fazendo-nos crescer de fé em fé (cf. Rm 1, 17), nos dê a graça de nos conformarmos à Sua vontade, de nos tornarmos Seus amigos e, como filhos adotivos, fazermos parte de Sua família.

Mensagem Especial de Ano Novo

“Tudo o que fizerdes, por palavras ou obras, fazei em Nome do Senhor Jesus, dando por Ele graças a Deus Pai” (Col 3,17) Que neste Ano Novo continuemos caminhando juntos. Contamos com sua companhia e com suas orações para que possamos levar adiante nosso apostolado pela mídia, para a maior glória de Deus, edificação da […]

Que tal fazer um balanço de sua própria vida?

D. Hélder Câmara nos deixou alguns versos que nos ajudam a meditar: “Quando teu navio, ancorado muito tempo no porto, te deixa a impressão enganosa de ser uma casa. Quando teu navio começar a criar raízes na estagnação do cais, faze-te ao largo. É preciso salvar a qualquer preço a alma viajora de teu barco […]

A Mãe de Deus e a falsa mãe do mundo

A virgem maria com o menino jesus blog

No primeiro dia de janeiro, a Igreja celebra a
Solenidade de Maria, Mãe de Deus. Não é sem propósito que a liturgia coloca a celebração desse importante dogma de nossa fé, cuja proclamação foi motivo de grande júbilo para os cristãos primitivos, no início do novo ano. Nestes tempos em que a sociedade costuma dirigir seus pensamentos para as coisas mundanas, temos de recordar a maravilhosa notícia da maternidade de Maria.

O dogma da maternidade divina de Maria está ligado a um artigo inegociável do credo cristão: a encarnação do Verbo. Por volta do século V,
graves crises cristológicas surgiram, causando grande perturbação no seio da Igreja. Dizia-se, entre outros absurdos, que Jesus não possuía duas naturezas — a humana e a divina —, mas somente esta última. Nestório, um importante bispo da época, defendia outra tese: Jesus seria um simples homem elevado à divindade por pura graça de Deus. Com essa afirmação, ele intentava pôr fim ao piedoso título de Theotókos (Mãe de Deus), atribuído pela comunidade a Maria, porque o considerava um grande escândalo (não muito diferente do que postulam certas seitas atuais).

Ocorre que a afirmação de Nestório, como a das demais heresias cristológicas, provocava uma séria dificuldade para a doutrina da remissão dos pecados. Segundo ensinam os Santos Padres, o que não foi assumido não foi redimido. Isto significa que só há verdadeira salvação se Jesus for o Verbo de Deus verdadeiramente encarnado. Se o que morreu na cruz era apenas um homem, esse sacrifício não teve valor algum. Foi o que notou São Cirilo de Alexandria na sua contundente defesa do título
Theotókos. Ora, Maria é Mãe de Deus porque em Jesus há apenas uma pessoa (a divina) e duas naturezas (a divina e a humana). E a maternidade diz respeito a uma pessoa, não a uma natureza.

De fato, este dogma mariano é mais bíblico do que se imagina. Inspirada pelo próprio Espírito Santo, Isabel proclamou:
Donde me vem esta honra de vir a mim a Mãe de meu Senhor? (Lc 1, 43). Nestas palavras acertadas, exprime-se toda a alegria com que os católicos costumam dirigir-se a Nossa Senhora, aquela que vem às pressas socorrer as necessidades de seus filhos (cf. Lc 1, 39). Maria está inseparavelmente ligada à redenção porque “foi dela que o Verbo assumiu, como próprio, aquele corpo que havia de oferecer por nós”. Não se tratava de um corpo extrínseco nela introduzido, recorda Santo Atanásio; o anjo disse-lhe: de ti (cf. Lc 1, 35), “para se acreditar que o fruto desta concepção procedia realmente de Maria” [1].

A falsa mãe do mundo

Na hora derradeira, Jesus entregou Sua mãe para toda a humanidade, na pessoa do apóstolo amado (cf.
Jo 19, 25-26). Desde o princípio, os cristãos acolheram Maria em suas casas, como fez São João, para dedicar-lhe a merecida reverência. E o fizeram na certeza de que quem acolhe a mãe, acolhe também o filho. Ao contrário, aqueles que negaram pousada para a mãe, em Belém, negaram a própria salvação que batia às suas portas, em busca de um lugar para reclinar a cabeça (cf. Mt 8, 20). Jesus nunca pregou em Belém, durante Seu ministério público, porque não havia lugar para Ele naquela região (cf. Lc 2, 7).

Maria é, pois, a mãe que nos dá o verdadeiro alimento que salva: o pão vivo descido do céu. Infelizmente, assistimos a uma nova onda de paganismo, a qual tem minimizado a importância da fé cristã em nossa sociedade, para ressaltar os novos deuses dos tempos modernos.
A maternidade de Maria é posta de lado — por vezes, até ridicularizada —, ao passo que a nova mãe do mundo, a Gaia, como dizem alguns, ganha o espaço que antes era da Mãe de Deus. Isso explica o porquê de as igrejas estarem vazias, na virada do ano, e as praias estarem cheias: as luzes efêmeras dos fogos de artifício têm mais valor que a Luz perene irradiada por Cristo.

Uma sociedade materialista moldará deuses materialistas, os quais assegurem as suas “cebolas do Egito”. Por isso, prefere-se cultuar a mãe que dá o alimento que passa do que a Mãe que introduz na vida eterna. Mas esse culto à Mãe da Terra, longe de trazer libertação, prende o ser humano nos vícios da carne, nas paixões mundanas e no próprio egoísmo. O homem esquece-se de sua finalidade, que é o Céu, para concentrar esforços numa jornada sem propósito: este mundo mesmo “onde a ferrugem e as traças corroem” (
Mt 6, 19).

Mãe de Deus e da Igreja para sempre

O Concílio Vaticano II ensina que a “maternidade de Maria na economia da graça perdura sem interrupção”. Isso significa que, mesmo após assunta aos Céus, Maria “não abandonou esta missão salvadora, mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna” [2]. Quantos têm desperdiçado este auxílio precioso por culpa ora de más teologias, ora do paganismo que se propaga nos grandes meios de comunicação.

Caminhamos para o centenário das aparições da Mãe de Deus em Fátima, Portugal. É uma ótima oportunidade para redescobrirmos o valor da espiritualidade mariana,
lembrando-nos dos pedidos que a Senhora fez à humanidade: oração e mortificação pela paz no mundo e pela salvação dos povos. Enquanto alguns fazem troça desses pedidos, os católicos têm o dever de ecoar pelos quatro cantos da Terra a mensagem daquela cujo coração triunfará no último dia. Como salientou Bento XVI durante visita a Portugal, “iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída” [3]. Não somos deste mundo, não somos filhos desta terra. Nossa verdadeira Mãe leva-nos a escolher os bens que não passam. Confiemos a ela este novo tempo que se inicia para que tenhamos verdadeiramente um “feliz ano novo”.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Santo Atanásio, Epist. ad Epictetum, 5-9 (PG 26, 1058; 1062-1066).
  2. Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática Lumen Gentium (21 de novembro de 1964), n. 62.
  3. Papa Bento XVI, Homilia na Esplanada do Santuário de Fátima (13 de maio de 2010).

Cuidado com as superstições

“Eu sou o Senhor, vosso Deus” (Lv 19,31). “Serás inteiramente do Senhor; teu Deus” (Dt 18,13). “Não praticareis a adivinhação nem a magia” (Lv 19,26b). Sempre houve está condenável idolatria, que continua moderna, chamada superstição, pela qual se busca uma divinização espúria das energias ocultas. Até mesmo entre os católicos, mal formados, se multiplicam, superstições […]

Mulheres com dificuldades para engravidar recebem milagres na Terra Santa

Gruta do leite blog 1

Escondida atrás da Praça da Manjedoura, próxima à basílica que marca, de acordo com a tradição cristã, o lugar onde Jesus nasceu, está a Gruta do Leite. Esse é o local onde, de acordo com outra tradição, Maria amamentou o Menino Jesus e onde algumas gotas de seu leite caíram sobre as pedras, transformando a cor marrom amarelada de seu calcário macio em branco cremoso. Inspirados por uma devoção multissecular, que remonta possivelmente aos primeiros cristãos, mulheres e casais com problemas de fertilidade têm vindo a essa gruta para rezar a Nossa Senhora, na esperança de que a sua intercessão os ajude a ganhar um bebê.

Atualmente, os peregrinos podem levar para casa pequenos pacotes de pó branco extraído da gruta. Juntos, os casais realizam uma “quaresma” que inclui beber pequenas quantidades do pó e recitar uma oração. Os pacotes são vendidos a um preço simbólico, mas só podem ser adquiridos na gruta, já que a demanda seria enorme para administrar.

O irmão franciscano Lawrence Bode, zelador do santuário, tem guardado os registros dos últimos 12 anos. Ele já recebeu cerca de 4.000 cartas de casais, atribuindo o nascimento de seus filhos ao milagroso “leite em pó” extraído da gruta. O frade estima que haja o dobro de crianças cujos pais não lhe escreveram. “Na semana passada, eu fui para a caixa de correios e havia cerca de 10 fotos de bebês”, ele conta. “As pessoas rezam pela cura, para que elas tenham um bebê e sejam mães. A cada dois dias, temos uma criança. É um lugar maravilhoso em que trabalhar, gerando bebês de todo o mundo.
As cartas são o testemunho da evidência tangível dos milagres.

As correspondências e fotos que Lawrence guarda em fichários, e outras tantas que decoram as duas paredes do seu pequeno escritório, vêm de de todos os cantos do mundo, incluindo Brasil, Argentina, Índia, Filipinas, México, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Sri Lanka, Bermudas, Irlanda e Espanha. Mais recentemente, o frade diz ter recebido cartas até mesmo de Taiwan e da China.

Em cada testemunho enviado ao santuário, vão registradas as dificuldades que as famílias enfrentavam para conseguir um filho. Um casal da Índia lutava para engravidar já havia 20 anos. Depois que aderiram à devoção, o marido escreveu relatando a sua imensa alegria pelo nascimento de uma menina. Um líder da comunidade episcopal dos Estados Unidos escreveu há cerca de seis anos. Ele enviou uma foto sua, trazendo no peito, orgulhoso, o seu filho recém-nascido, em um canguru. Ele e a esposa também tinham problemas de fertilidade. Da Argentina, uma jovem escreveu contando o nascimento de sua filha depois de 10 meses tentando engravidar. Dois casais da região da Palestina, que também mandaram fotos ao santuário, foram abençoados de modo especial: um teve trigêmeos; o outro, quadrigêmeos.

O irmão Lawrence diz que geralmente brinca com os casais para tomarem cuidado com a quantidade de pó que eles tomam, porque pode fazer multiplicar o número de filhos. Ele também conta – desta vez, falando sério – que nunca pergunta aos casais se eles fazem tratamento médico ao mesmo tempo em que peregrinam à gruta. O religioso reconhece que, em algumas ocasiões, pode ser o caso de um simples sucesso médico, mas assegura que a fé e as orações das famílias também podem ajudar no decorrer do processo.

Outras cartas atribuem ao mesmo “leite em pó” milagres como a cura de um câncer, de uma cegueira ou de uma paralisia. Algumas famílias – conta o irmão Lawrence – voltam ao santuário com os seus filhos para agradecer. Foi o caso dos palestinos pais de quadrigêmeos e de um casal do norte da Galiléia que recebeu a cura de uma filha que estava em coma. “É uma sensação maravilhosa saber que há esperança para os casais, para os doentes e até para quem está perdendo a fé. Eu rezo pelas pessoas que têm essa devoção todos os dias da minha vida”, diz o frade.
“Essa é a prova de que Deus existe. Estamos falando de milagres. Nos dias de hoje, você fala de milagres e as pessoas não acreditam.”

Em vários lugares da gruta, é possível perceber buracos no teto, da largura de um dedo, sinalizando o lugar onde as pessoas rasparam um pouco do pó para levar para casa. Hoje, quem zela pelo santuário vigia para que as pessoas não tentem mais fazer isso. A Gruta do Leite sofreu uma restauração dois anos atrás, durante a qual foram removidas fuligens antigas do teto e, para acomodar grupos maiores de peregrinos, foi adicionada uma capela superior maior em cima da capela antiga, construída sobre a gruta por volta do ano de 385. O irmão Lawrence observou que, em algum momento durante as recentes reformas, armazenou-se uma considerável quantidade do pó da gruta para ser oferecida aos fiéis que vêm ao santuário. O frade acredita que há o suficiente para “durar pelo menos 100 anos”.

Velho devoto da Virgem Maria desde antes de entrar na vida religiosa, Lawrence afirma que a sua devoção “triplicou” desde que ele se juntou aos franciscanos e passou a cuidar da Gruta do Leite. O religioso está convicto de que, quando as graças acontecem pela mediação de Maria e pelo uso do “leite em pó”, é sempre Deus quem opera por meio dessas realidades, assim como Ele sempre agiu na história, por meio dos Seus profetas e dos próprios objetos inanimados (cf.
2 Rs 2, 9-14). “Assim como nós pomos a nossa fé em Jesus, também pomos a fé em sua mãe”, explica o frade.

No primeiro dia do ano, uma Missa especial em honra a Maria é celebrada na Catedral de Santa Catarina, que fica ao lado da Basílica da Natividade. Centenas de fiéis cantam e rezam em procissão, carregando um ícone da Virgem Maria até a Gruta do Leite, onde eles recebem a bênção de um sacerdote. Com isso, os católicos cumprem a profecia evangélica que diz: “Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada” (
Lc 1, 48).

Enquanto os cristãos só comemoram o nascimento de Jesus durante o tempo do Natal, Lawrence diz celebrar a natividade todos os dias em que nasce um bebê graças à intercessão de Nossa Senhora do Leite. “Jesus nos diz que, se temos a fé de um grão de mostrada, podemos mover uma montanha”, ele afirma.
“Os milagres vêm com a fé das pessoas. Não é mágica. Tem a ver com fé e a devoção de cada um.”

Por Judith Sudilovsky | Tradução e adaptação: Equipe CNP

Fora da Igreja não há Salvação: entenda essa doutrina Católica

Por H. Walker do Ecclesia Militans Há poucas doutrinas católicas mais controversas e mal-entendidas que a doutrina Extra ecclesiam nulla salus, ou seja, Fora de Igreja não há salvação, uma expressão que vem dos escritos de São Cipriano de Cartago, um bispo do século III em sua carta LXXII, Ad Jubajanum de haereticis baptizandis. O […]

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