Mês: novembro 2015

Terça-feira da 1.ª Semana do Advento – A Revelação do Filho

Pequeninos vimeo

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc
10, 21-24)

Naquele mesma hora, ele exultou no Espírito Santo e disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, a não ser o Pai; e ninguém conhece o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” E voltando-se para os discípulos em particular, disse-lhes: “Felizes os olhos que vêem o que vós estais vendo! Pois eu vos digo: muitos profetas e reis quiseram ver o que vós estais vendo, e não viram; quiseram ouvir o que estais ouvindo, e não ouviram.”

Nosso Senhor rejubila hoje no Espírito Santo, porque o Pai, escondendo-O aos sábios e entendidos, quer dizer, aos soberbos e cheios de si, O revelara aos pequeninos, ou seja, aos humildes e aos que, com pobreza de espírito, se dispõem a acolher a Palavra de Deus; Jesus exulta de alegra, pois os setenta e dois discípulos há pouco enviados (cf. Lc 10, 1-20) levaram o Evangelho ao coração de muitos homens de boa vontade: é, na verdade, o próprio Cristo quem, sendo Ele mesmo a Palavra eterna de Deus, vai ao encontro dessas almas sinceras e Se lhes revela. “Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai”, exclama, “nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho quiser revelar.” Assim o Pai, revelando o Filho, é pelo Filho revelado aos pequeninos, porque é do agrado do Pai que o mistério do amor trinitário seja dado a conhecer àqueles que, à semelhança do Filho, despojado de Si mesmo, tirem dos olhos os véus de soberba e, pobres como de fato são, acolham em seus corações a Palavra que desce dos Céus.

Essa a disposição fundamental que devemos exercitar ao longo do Advento, tempo de forte expectativa pela vinda do Deus que Se rebaixa à pobre condição de homem, a fim de elevar o homem à rica condição de filho de Deus. Abracemos, sim, esse tempo de espera e conversão: o Senhor já está à espera na manjedoura do nosso coração; Ele deseja nascer para as nossas vidas, a fim de dar-nos, de modo superabundante, a Sua própria vida divina. Para que Jesus encontre, pois, em nosso coração um presépio acolhedor, embora simplório e pobre, precisamos fazer neste Advento o que o próprio Deus faz no Natal: Ele, humilhando-Se a si mesmo, deixa a Sua glória celeste e vem ao nosso encontro. Assim também nós devemos abandonar o nosso orgulho e, esvaziados de nós mesmos, abrir espaço em nossa alma para essa Palavra amorosa que, toda esquecida de Si, nos anuncia as riquezas reservadas aos humildes e pobres de espírito (cf. Mt 5, 3; Lc 6, 20).

Oração à Imaculada

Elevemos nossas preces à Imaculada, Santa Mãe de Deus e nossa Mãe! Virgem Santa e Imaculada, que sois a honra do nosso povo e a guardiã solícita da nossa cidade, a Vós nos dirigimos com amorosa confidência. Toda sois Formosa, ó Maria! Em Vós não há pecado. Suscitai em todos nós um renovado desejo de […]

O que são as Obras de Misericórdia?

As obras de misericórdia são as ações caridosas pelas quais vamos em ajuda do nosso próximo, nas suas necessidades corporais e espirituais. Instruir, aconselhar, consolar, confortar, são obras de misericórdia espirituais, como perdoar e suportar com paciência. Você sabe quais são as obras de misericórdia corporais? “As obras de misericórdia corporais consistem nomeadamente em dar […]

Bispos norte-americanos pedem ação urgente contra ‘pecado mortal’ da pornografia

Bispo eua

Reunida em assembleia, a Conferência Episcopal dos Estados Unidos lançou, no último dia 17, um importante documento pastoral, condenando o mal da pornografia e chamando “todos os homens de boa vontade” a trabalhar por uma “cultura de pureza” e de respeito à sexualidade humana.

O título da declaração – Create in Me a Clean Heart – pega emprestadas as palavras do salmista: “Criai em mim um coração que seja puro” (Sl 50, 21), e está disponível para leitura na íntegra.

Para o bispo da diocese de Buffalo, Nova Iorque, “a aprovação dessa declaração mostra a preocupação coletiva de todos os nossos irmãos bispos com o crescente problema da pornografia em nossa cultura”. Richard J. Malone (na foto) destacou que “muitas pessoas, inclusive dentro da Igreja, têm necessidade da abundante misericórdia e cura de Cristo”. “Minha esperança é de que a declaração possa servir de base e motivação para uma crescente atenção pastoral a esse desafio”, ele disse.

O documento contém uma catequese básica sobre a sexualidade humana e a castidade, explica por que são pecados a produção e o consumo de material pornográfico e mostra os efeitos devastadores que têm a pornografia na vida dos indivíduos, das famílias e de toda a sociedade. No fim da carta, os bispos ainda endereçam uma palavra de coragem e esperança a todos aqueles que têm sido machucados por essa cultura de degradação da sexualidade. Tudo com direito a abundantes notas de rodapé, com amplas citações do Magistério da Igreja e de abalizadas pesquisas conduzidas no campo científico.

“Crise de saúde pública”

A Conferência dos Bispos dos Estados Unidos considera o que acontece no mundo em relação à pornografia uma verdadeira “crise de saúde pública”. “Muitas pessoas lutam com o uso da pornografia, incluindo fiéis católicos, crentes e pessoas sem nenhuma fé, casados e solteiros, pais e mães, jovens e adultos, clérigos e pessoas de vida consagrada”, diz o documento. “O consumo de pornografia é especialmente alto entre jovens adultos, e estima-se que a idade média para a primeira exposição a esse material esteja na faixa dos onze anos.

“Ainda que a produção e o uso da pornografia sempre tenham sido um problema, em anos recentes o seu impacto tem crescido exponencialmente, em grande parte devido à Internet e à tecnologia móvel”, afirma a declaração.

“A pornografia online é instantaneamente acessível, aparentemente anônima, em sua maior parte gratuita, e tem a aparência de uma história sem fim. (…) A crescente disponibilidade da Internet significa que a pornografia está em casa, no trabalho e, às vezes, literalmente, nos dedos da própria mão, com a predominância dos aparelhos móveis. (…) Ao contrário de uma revista, a Internet não tem página final.

Na linha do Catecismo da Igreja Católica, que condena a pornografia como “pecado grave” (§ 2354), a declaração dos bispos esclarece que “esse pecado precisa do perdão de Deus e deve ser confessado através do Sacramento da Penitência”, sem o qual não se pode “receber o Sacramento da Eucaristia dignamente”. O pecado mortal, diz ainda o documento, “destrói em nós a caridade, sem a qual a bem-aventurança eterna é impossível, rompe o relacionamento de uma pessoa com Deus e coloca em risco a sua salvação.”

“Estruturas de pecado”

Os bispos também denunciam o que denominaram “estruturas de pecado”. “A pornografia é tão pervasiva em setores da nossa sociedade que é difícil de evitar, um desafio para extinguir, e tem efeitos negativos que vão além das ações particulares”, afirmam. “Assistir a pornografia condiciona homens (e mulheres) a olhar para outros seres humanos simplesmente como objetos sexuais, e não como pessoas que merecem respeito e amor.”

A declaração ainda faz referência aos prejuízos causados pela pornografia especificamente ao sexo feminino. “As mulheres em particular podem começar a ver e apresentar a si mesmas como objetos sexuais, vestindo-se e agindo de maneira sexualizada, mesmo quando jovens”, diz a carta. “Grande parte da pornografia é violenta, e quando, por exemplo, homens a assistem, eles são mais propensos a abusar sexualmente de sua namorada ou esposa.”

O documento também assinala a onipresença da pornografia nos meios de comunicação:

“Imagens eróticas, sexualizadas e pornográficas nunca estiveram tão presentes na sociedade americana como antes. É lugar comum ver essas imagens em revistas e conteúdo das mídias sociais, nos sites de compra virtual ou nos shoppings, nos cinemas ou na televisão. O próprio entretenimento mainstream tem se tornado hipersexualizado. Ficções que, há um tempo, seriam classificadas como ‘eróticas’ agora são mainstream, sem falar do gênero de romances abertamente sexuais. Jogos virtuais, letras e clipes de música, roupas e trajes têm se tornado progressivamente mais sexualizados, incluindo material destinado a crianças e adolescentes. Manter a pureza é um sério desafio nesse ambiente, bem como aprender os devidos limites necessários para viver castamente e ter relacionamentos sadios.”

Uma ferida dentro das famílias

Uma palavra especial é dirigida às famílias que sofrem com o consumo da pornografia por parte de um dos cônjuges. De acordo com muitos advogados, esse tem sido um fator chave para mais de metade dos casos de divórcio em que eles trabalham, sem falar das estatísticas que indicam que “cônjuges que usam pornografia são mais propensos a ter um caso extraconjugal”:

O uso de pornografia dentro do matrimônio deteriora severamente tanto a confiança quanto a intimidade dos esposos, seja por causa do próprio uso de pornografia, seja pela decepção e mentiras geralmente envolvidas em um cônjuge esconder a sua conduta do outro. (…) Esposos que descobrem o uso de pornografia de seu marido ou esposa frequentemente se sentirão traídos, e muitos experienciam um sentimento de trauma semelhante à desordem de estresse pós-traumática. (…) Contra a ideia comum de que a pornografia pode ser um auxílio à intimidade conjugal, o seu uso tende a diminuir a satisfação sexual e o interesse em sexo, podendo levar à impotência nos homens.”

Por fim, lamentando o fato de as crianças terem a sua inocência “roubada” pela indústria pornográfica, os bispos apelam aos pais para que protejam as suas casas. “Sejam vigilantes com a tecnologia que vocês deixam entrar em suas casas – diz a carta – e estejam atentos à prevalência de conteúdo sexual, mesmo no cinema e na TV mainstream, e à facilidade com que ele chega por meio da Internet e dos aparelhos móveis”. O pior inimigo, de fato, é aquele que se esconde dentro da sua própria casa.

Com informações de USCCB | Por Equipe CNP

P.S.: Assista ao nosso curso sobre O Mal da Pornografia e da Masturbação, descubra quais as consequências biológicas, afetivas e espirituais desse vício e saiba como combater a raiz desse problema.

Festa de Santo André, Apóstolo

Santo andre vimeo

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 4,18-22)

Naquele tempo, quando Jesus andava à beira do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam lançando a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus disse a eles: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. Eles imediatamente deixaram as redes e o seguiram. Caminhando um pouco mais, Jesus viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João. Estavam na barca com seu pai Zebedeu, consertando as redes. Jesus os chamou. Eles imediatamente deixaram a barca e o pai, e o seguiram.

Celebramos hoje a festa de Santo André, irmão de Pedro e o primeiro dos discípulos a ser chamado por Nosso Senhor. Se São Pedro, com efeito, teve a graça de ser nomeado príncipe dos apóstolos, isto é, aquele a quem Cristo confiou o governo da Igreja, Santo André, por sua vez, teve a honra de ser o primeiro vocacionado (“Protókletos”, como lhe chamam os gregos). O Evangelho desta 2.ª-feira, todavia, nos narra em linhas muitíssimo gerais o chamado de André; foi São João, na verdade, quem fez questão de registrar em detalhes esse episódio marcante não só para si como também para toda a cristandade. Eram André e João discípulos de São João Batista. Como Jesus passasse pela planície de Jericó, o Precursor, avistando-O ao longe, disse aquelas palavras que até hoje encontram eco em nossos lábios: “Eis o Cordeiro de Deus” (Jo 1, 36). Os dois discípulos, ouvindo isso, deixaram o Batista e começaram a seguir Jesus. “Que procurais?”, perguntou-lhes o Mestre. “Rabi”, responderam, “onde moras?” E o Senhor enfim os convidou à Sua casa: “Vinde e vede” (Jo 1, 39). São João teve ainda a delicadeza de lembrar-se do exato momento em que Cristo cruzou o seu caminho: era “cerca da hora décima”, escreve (Jo 1, 39). Foi pelas quatro ou cinco da tarde daquele abençoado dia que as fileiras da Santa Igreja começaram a preencher-se.

O Evangelista Mateus nos coloca, pois, diante destas quatro primeiras vocações: Simão e André, Tiago e João, dois pares de irmãos, todos eles simples pescadores chamados por Cristo a tomar parte no colégio apostólico, que então começava a assumir suas primeiras feições. Esses quatro primeiros discípulos foram também, num certo sentido, os prediletos do Senhor. Embora amasse aos doze e por eles chegasse a derramar o próprio sangue, Cristo não dava a todos as mesmas graças. Eis aqui o grande mistério que a leitura desta 2.ª-feira talvez nos descortine: a desigualdade de dons e graças que o Senhor distribui aos Seus filhos é prova de que Ele, amando a cada um de nós, quer que dependamos uns dos outros, que encontremos no próximo aquilo que, por justiça e bondade divinas, nos falta a nós. Pois do mesmo modo como a boca depende dos olhos e das mãos para chegar à comida, assim também a Igreja, como um perfeito e bem equilibrado organismo, encontra nos seus membros aquela diversidade de funções e capacidades que constitui um corpo saudável e proporcionado (cf. Rm 12, 4-8). Essa variedade de dons se manifesta com clareza na forma com que Jesus Se relacionava com os doze e os agraciava como bem Lhe aprouvesse: de um lado, vemos a Simão Pedro, que, embora não tenha sido o primeiro chamado, foi no entanto constituído chefe da Igreja; vemos, de outro, a São João, que, sendo o mais novo dos discípulos, foi também o mais querido e próximo de Jesus.

Que essa diversidade de carismas na comunhão da única e mesma Igreja nos inspire hoje a rezar com especial fervor pelos nossos irmãos ortodoxos, que, separados há séculos da Sé Apostólica de Roma, preservam em Constantinopla as relíquias de Santo André, assim como em Roma estão depositados os restos de São Pedro. Que esse dois irmãos, unidos na glória do Céu, possam voltar a unir-se nesta terra no aprisco do mesmo Senhor e sob os cuidados do mesmo vigário.

Sábado da 34.ª Semana Comum (I) – “Buscai as coisas do alto”

Buscai primeiro as coisas do alto vimeo

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc
21, 34-36)

Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos: “Cuidado para que vossos corações não fiquem pesados por causa dos excessos, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós, pois cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a terra. Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de conseguirdes escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes de pé diante do Filho do Homem”.

No Evangelho deste sábado, Jesus nos manda tomar cuidado para que o nosso coração, apegando-se pouco a pouco às coisas mundanas, não se torne pesado e, por conseguinte, incapaz de alçar voo em direção a Deus, de fazer-nos ficar de pé diante do Filho do Homem. Estejamos atentos, ordena o Senhor, e oremos sem cessar, a fim de escaparmos às solicitações da carne e do mundo. Por isso, Cristo nos chama a atenção para os dois perigos básicos que incham nossa alma, tornando-a pesada e presa ao “rés-do-chão” de suas mais nobres aspirações: de um lado, a crápula, isto é, toda sorte de excessos (embriaguez, gula, sensualidade etc.); de outro, as preocupações da vida.

A primeira nos alheia de nós mesmos, nos leva a pensar, como que num delírio, que a nossa felicidade se resume às satisfações físicas que se podem obter nesta terra. Deixamo-nos bestializar, permitimos que o corpo se sobreponha à alma, aos bens eternos preferimos as mesquinharias e os prazeres que, embora lícitos, nos afundam cada vez mais no vale de lágrimas em que vivemos; impedimos, pois, que o nosso coração, florescendo em amor e virtudes para o Céu, se torne grande diante de Deus. As preocupações da vida, por sua vez, são a agitação duma alma que, esquecida do único necessário (cf. Lc 10, 40-42), procura, confusa e desnorteada, contentar a tudo e a todos; duma alma, enfim, que se agarra às falsas esperanças que o mundo lhe pode oferecer.

O Senhor, porém, nos reorienta hoje para o verdadeiro foco de nossa existência: amar a Deus e, amando-O em Cristo, por Cristo e com Cristo, contemplá-lO um dia face a face, tal como Ele é. Elevemos os nossos corações por sobre a pobreza desta terra; abracemos a sublime vocação de termos o nosso peito plena e eternamente satisfeito na glória do Céu. Que o nosso corpo, mimado com tantos deleites tolos, com tantas “brincadeiras” perigosas, não nos faça pequenos e egoístas demais para o Reino de Deus; antes, faça-nos amadurecer, torne-nos leves, simples e inocentes como “crianças crescidas” (cf. Lc 18, 16), a fim de subirmos, como os anjos e os santos, à glória que nos está preparada.

Combatendo as distrações na oração

Combatendo as distracoes vimeo

Um dos grandes problemas com que se depara quem começa a ter vida de oração são as DISTRAÇÕES. Quantas almas não começaram a rezar, mas incapazes de se concentrar, desanimaram e acabaram abandonando tudo?

1.º Domingo do Advento – O “princípio e fundamento” de nossa existência

O principio e fundamento de nossa existencia mini

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc
21, 25-28.34-36)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas, com pavor do barulho do mar e das ondas. Os homens vão desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer ao mundo, porque as forças do céu serão abaladas.

Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima.

Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós; pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a terra.

Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem”.

*

O Evangelho deste domingo tem duas partes: a primeira (v. 25-28) fala do abalo deste mundo que passa; a segunda (v. 34-36), de como os homens devem preparar-se para a vinda de Cristo, não só no fim dos tempos, mas também no dia a dia.

No que pode ser considerado o núcleo do ensinamento dessa liturgia, Nosso Senhor adverte os Seus discípulos: “Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis (1) por causa da gula, da embriaguez (2) e das preocupações da vida” (v. 34).

A expressão grega βαρηθῶσιν, aqui traduzida como “insensíveis”, está ligada mais propriamente à noção de peso, gravidade. Traz a ideia de um coração apegado à baixeza deste mundo terreno, inclinado às coisas desta vida – das quais, nessa passagem, Cristo cita duas, constituindo como que “dois estágios” de conversão: a primeira diz respeito aos prazeres da carne (κραιπάλῃ, no original); a segunda, às preocupações desta vida (μερίμναις βιωτικαῖς, no grego).

A “primeira conversão”, por assim dizer, consiste em livrar-se dos pecados ligados aos sentidos. Qualquer pessoa íntegra e com o mínimo de virtudes humanas é capaz de perceber o mal em que se afundam as pessoas dependentes do álcool, viciadas em drogas ou obstinadas por sexo. Os seus maus hábitos as conduzem a uma condição pior que a dos próprios animais: estes, de fato, sendo só carne, estão satisfeitos vivendo de comer, beber e ter sexo; o ser humano, ao contrário, nunca se contenta simplesmente com prazeres carnais, porque a sua alma imortal tem sede de uma felicidade que só Deus pode preencher.

O primeiro passo de quem quer converter-se, portanto, é viver a virtude da temperança. Para isso serve a prática do jejum, vivamente recomendada neste tempo do Advento que se inicia.

Há, todavia, uma “segunda conversão”, que consiste em ordenar os nossos esforços para o fim adequado. Não basta deixar as drogas, a bebida ou a prostituição, se não se entende a razão pela qual se deixa tudo isso. Não basta comportar-se bem, se se perde de vista a meta por que trabalhar. Ninguém se engane: a primeira etapa da conversão é muito importante, deixar os pecados mortais é essencial, mas não se pode ficar estacionado nisso, sob pena de que a moral cristã se transforme em um mero “moralismo” ou “código de etiqueta”.

A analogia de Marta e Maria, contida no Evangelho de S. Lucas (10, 38-42), ajuda a ilustrar bem que são as “preocupações desta vida”, de que devemos nos desprender. Ao cuidar da cozinha e dos afazeres da casa, Marta não está fazendo nada de ilícito, muito pelo contrário. Sua agitação, no entanto, denuncia a desordem em que se encontra a sua alma: mesmo fazendo coisas boas, ela acabou menosprezando “a melhor parte”; desligada da virtude da prudência, que ordena todas as coisas para o seu devido fim, a sua atitude tornou-se motivo de repreensão.

Daí a importância de fixar a meta, o “princípio e fundamento” de toda a nossa existência. O grande Santo Inácio de Loyola os definia assim:

“O homem é criado para louvar, prestar reverência e servir a Deus nosso Senhor e, mediante isto, salvar a sua alma; e as outras coisas sobre a face da terra são criadas para o homem, para que o ajudem a conseguir o fim para que é criado. Donde se segue que o homem tanto há de usar delas quanto o ajudam para o seu fim, e tanto deve deixar-se delas, quanto disso o impedem.” [1]

Que este tempo do Advento nos ajude em nossa “segunda conversão”, a fim de que ordenemos todos os atos da nossa vida para o louvor, a reverência, o serviço de Deus e a salvação da nossa alma.

Referências

  1. Exercícios Espirituais, n. 23.

O que Ela não consegue de Deus?

Um dos mais valiosos presentes da Santíssima Virgem para a humanidade, foi dado no dia 27 de novembro de 1830, por meio de Santa Catarina Labouré, humilde freira da Congregação das Filhas da Caridade. Isto foi na Rua De Lubac, no centro de Paris, na Capela da Medalha Milagrosa. Nesse dia, segundo relata a Vidente, […]

O feminismo e os seus tabus

Marcha das vadias frames

A repercussão negativa que o vídeo Meu corpo, minhas regras causou na opinião pública evidencia mais uma vez a enorme rejeição do povo brasileiro à legalização do aborto. As últimas pesquisas sobre o assunto apontam para um crescimento vertiginoso no número dos defensores da vida — o que tem se revelado a principal “pedra no sapato” das fundações internacionais, cujos projetos de controle populacional acabam sempre barrados.

É de conhecimento público a pressão que a ONU e outras instituições — Ford, Rockfeller, MacArthur etc. — fazem para legalizar o aborto em países subdesenvolvidos. Os motivos para essa insistente militância são diversos e levaria um tempo enorme explicá-los. Por ora, basta saber que, quase como em todo tipo de negócio, a legalização do aborto envolve luta pelo poder e muito… muito dinheiro. Veja, por exemplo, a lucrativa indústria fundada pela Federação Internacional de Planejamento Familiar (IPPF), com direito à venda de fetos abortados e outras monstruosidades.

No Brasil, sabe-se que a Fundação MacArthur investiu milhões, durante mais de trinta anos, para aprovar o aborto em nossa legislação. Tais esforços, porém, não surtiram o efeito esperado justamente porque a população, apesar de toda a atuação da mídia no sentido contrário, mantém-se ainda firme no respeito ao nascituro. Mudar essa realidade, de fato, requer mais que propaganda. O ser humano está naturalmente inclinado à preservação da própria espécie, assim como outros animais [1]. Nem os inúmeros vícios de que padece a sociedade brasileira são capazes de extinguir esse instinto tão forte de empatia e autopreservação.

Não espanta que as feministas estejam, agora, dedicadas a descaracterizar essa sensibilidade natural, acusando-a de ser “machista”, “retrógrada”, “hipócrita”, entre outros rótulos infamantes. Não é verdade, porém, que sejamos contra o aborto porque não nos importamos com a mulher. Ao contrário do que sugere a cineasta Petra Costa, somos contrários ao aborto porque sabemos do valor da vida humana, seja em relação à mulher seja em relação ao bebê. Uma mulher católica, não feminista, fundou a Pastoral da Criança, a qual presta apoio a muitas famílias carentes, enquanto as autoproclamadas “vadias” fingem defender a causa feminina com pichações na Catedral da Sé. E nem precisamos falar das tantas obras de caridade, orfanatos, hospitais — como os de Irmã Dulce, por exemplo —, cujo serviço prestado à sociedade ajuda precisamente a suprir as lacunas deixadas pela ineficiência do Estado, para fazer corar de vergonha qualquer um que se atreva a atacar os cristãos. É uma afronta, além de uma grande calúnia, responsabilizar a Igreja pelos males sofridos pelas mulheres.

A diretora de “Meu corpo, minhas regras” também se diz surpreendida com a reação agressiva dos que assistiram ao vídeo. Mesmo sem endossar os comentários mais ofensivos, precisamos perguntar, como não sentir indignação quando um grupo de artistas — os quais, novela após novela, representam papéis que reforçam o desrespeito à dignidade da mulher — decide juntar-se para supostamente combater esse mesmo desrespeito, promovendo o aborto mais ou menos desta maneira: “Mulher, se você acha que deve matar seu filho no ventre, mate-o”?

Ainda segundo a cineasta, a questão do aborto “é sensível ou tabu em diversas crenças”. Vejam, ela quer falar de tabus! Vamos começar, então, pelo financiamento internacional das campanhas pró-aborto. Se as feministas estão tão preocupadas com a saúde pública, por que odeiam tanto a ideia de uma CPI do aborto? Vamos falar, ainda, dos falsos números de abortos clandestinos, divulgados pelas ONGs, a fim de alarmar a população. Ou você acha mesmo que, em um ano, 30 mil mulheres querem abortar, mas não podem porque proibido, e no outro, apenas sete mil procuram o procedimento, porque legalizado?

Mulheres são vítimas de violência sexual e doméstica? Verdade. Devem lutar por respeito e dignidade? De acordo. O aborto resolverá esses problemas? Mentira. Curiosamente, o discurso feminista resume todo o drama das mulheres, como exploração, violência e preconceito, à defesa intransigente da legalização do aborto, como se este fosse provocar uma diminuição nos casos de estupro, aumento de salários, mais participação feminina em cargos políticos e por aí vai. Trata-se de uma associação ridícula sem qualquer base na realidade. Pelo contrário, temos razões suficientes para afirmar que uma possível legalização do aborto apenas aumentaria a opressão sobre a mulher. Notem: é conveniente para um namorado covarde e irresponsável — ou para sua família — forçar a namorada a interromper a gravidez indesejada. É o que já vemos acontecer em grande parte dos casos. E isso se torna ainda mais fácil com o chamado “aborto legal”. Na prática, o aborto tornar-se-ia mais um método anticoncepcional, como já acontece em outros países. Onde está a libertação?

Ademais, os efeitos colaterais de um aborto na vida da mulher são gravíssimos. Embora as feministas não pesquisem isso — como revelou Débora Diniz em um recente debate no Senado —, estudos sérios, científicos, confirmam “uma forte associação entre aborto e desordens mentais” [2]. A pergunta que não quer calar é por que até hoje a ANIS nunca fez um estudo especializado sobre esse assunto. Teme o resultado?

A verdade é que toda essa gritaria feminista dos últimos dias deve-se principalmente ao Projeto de Lei 5069, o qual, se aprovado, deverá pôr uma pedra sobre o seu plano de legalizar o aborto no Brasil. Por isso, várias mentiras têm sido espalhadas ao vento acerca dessa proposta, com o intuito de impedir sua aprovação pelo Senado. O que o projeto realmente quer, todavia, é “garantir um atendimento mais humano, mais digno e mais seguro para mulheres que tenham sido vítimas de violência sexual”, além de “levar os responsáveis por esse covarde crime à justiça, identificando-os e punindo-os exemplarmente”. A oposição das feministas apenas comprova a má fé de quem não está minimamente preocupado com as mulheres — e não vai descansar até que transforme os seus úteros em verdadeiros cemitérios de crianças.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Comissão Teológica Internacional, Em busca de uma ética universal: novo olhar sobre a lei natural (6 de dezembro de 2008).
  2. Associations Between Abortion, Mental Disorders, and Suicidal Behaviour in a Nationally Representative Sample. Canadian Journal of Psychiatry 55.4 [Apr 2010]: 239-47.