Mês: maio 2015

É PRECISO CAMINHAR 2015-05-30 22:48:00

02/06/2015
 
 
O HOMEM É A IMAGEM DO DEUS ABSOLUTO
Terça-Feira do IX Semana Comum

 

Evangelho: Mc 12,13-17

Naquele tempo, 13as autoridades mandaram alguns fariseus e alguns partidários de Herodes, para apanharem Jesus em alguma palavra. 14Quando chegaram, disseram a Jesus: “Mestre, sabemos que tu és verdadeiro, e não dás preferência a ninguém. Com efeito, tu não olhas para as aparências do homem, mas ensinas, com verdade, o caminho de Deus. Dize-nos: É lícito ou não pagar o imposto a César? Devemos pagar ou não?” 15Jesus percebeu a hipocrisia deles, e respondeu: “Por que me tentais? Trazei-me uma moeda para que eu a veja”. 16Eles levaram a moeda, e Jesus perguntou: “De quem é a figura e inscrição que estão nessa moeda?” Eles responderam: “De César”. 17Então Jesus disse: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. E eles ficaram admirados com Jesus.

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Estamos no segundo episódio de choque entre as autoridades e Jesus (veja o primeiro em Mc 11,27-33). Estes dois choques têm a mesma idéia de fundo: indagar sobre a consciência que Jesus tem de si mesmo e de sua missão. Na resposta precedente, dada em forma de parábola (Mc 12,1-12), aparece sua consciência messiânica e, portanto, sua missão de libertador do povo. Mas como, de quem e de que Jesus liberta o povo?

                  

No episodio do evangelho lido neste dia entram em ação alguns fariseus e herodianos (do partido de Herodes) enviados pelo Sinédrio que não pode pegar Jesus por causa do povo (medo do povo. O povo apesar de não ter cargo e de ser pobre causa medo nas autoridades por se tratar de uma maioria na sociedade). Na prática esses dois grupos não se encontram em nome do interesse. Os fariseus são formalistas supersticiosos que somente se importam com as cerimônias externas da sua religião. Os herodianos são apenas homens do mundo, que desprezam toda e qualquer religião. Mas quando surge o interesse para os dois, eles se tornam unidos. Trata-se de promiscuidade política. Eles  se esforçam para calar Jesus, pois Jesus ataca os dois grupos.

Esses dois grupos (fariseus e herodianos) já decidiram há muito tempo em eliminar Jesus (Mc 3,6). Agora querem apanhá-Lo “em alguma palavra”. A armadilha é essencialmente política, mas se disfarça, hipocritamente, de religiosidade e de adulação. Eles chamam Jesus de “Mestre”, algo insólito entre os fariseus e O definem como “verdadeiro” e que Jesus ensina o caminho de Deus. Mas anteriormente, eles mesmos questionaram a sabedoria de Jesus (cf. Mc 6,1-6). Agora eles chamam Jesus de “Mestre”.

Os fariseus e os herodianos apresentam a Jesus um problema ou um dilema aparentemente insolúvel: “Mestre, sabemos que tu és verdadeiro, e não dás preferência a ninguém. Com efeito, tu não olhas para as aparências do homem, mas ensinas, com verdade, o caminho de Deus. Dize-nos: É lícito ou não pagar o imposto a César? Devemos pagar ou não?”. Se respondesse “sim”, na cabeça dos fariseus, Jesus estaria contra o próprio povo que odeia a pagar o imposto para o governo estrangeiro (=governo pagão). Se Jesus respondesse “não”, os herodianos poderiam acusá-Lo diante do Pilatos, representante do governo romano, como uma pessoa rebelde contra o governo romano. Na linguagem popular: “Se ficar, o bicho come; se correr, o bicho pega”.

Mas Jesus relativiza o insolúvel problema introduzindo Deus no horizonte do problema. Quando o ser humano conta com Deus, tudo tem sua solução. O surpreendente de Jesus é que quando introduz Deus Ele não faz discursos sobre Deus. Jesus simplesmente vive de Deus, fala com Ele, O apresenta e O sente. Para Jesus Deus é Alguém, e não algo. É Alguém com quem conta em quaisquer momentos. É Alguém com quem Jesus convive. “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30).

Jesus lhes pede a moeda que tem a imagem incisa na moeda. Na moeda estava incisa a imagem de Tibério com a coroa de laurel para indicar sua dignidade divina, e a inscrição: Tibério César, filho do divino Augusto. Os fariseus e os herodianos tinham a moeda e a levavam ao Templo. Isto significa que eles profanaram o Templo com uma imagem de um pagão. Mas o que interessa ao evangelista Marcos é outra coisa: o ensinamento de Jesus é o único que tem valor para a comunidade cristã. Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.

Dai, pois, a César o que é de César”. Jesus ordena-lhes que paguem tributo ao governo romano, quanto às coisas temporais, pois ao usarem o dinheiro romano, eles mesmos são obrigados à tributação. “Devolva a Cesar o que é do César”, diz Jesus. Mas somente devolver o que é do César e não tudo o que o poder pretende com todo seu aparato coercitivo.

Por isso, Jesus acrescenta: “Devolva a Deus o que é de Deus”. Isto significa que nem tudo é do César, ou seja, que o poder do Estado não é absoluto. Na linguagem política os limites do poder político radicam na soberania popular, no reconhecimento e na declaração dos direitos humanos. Na linguagem espiritual ou religiosa o que se enfatiza é que os poderes do Estado ou qualquer poder estão limitados pela soberania de Deus, pois Deus criou o homem a sua imagem e semelhança. Assim expressa o profeta Isaias do seguinte modo: “Eu sou Deus. Não há outro Deus fora de mim” (cf. Is 45,20-25). A existência de Deus, o Absoluto, é a negação de qualquer outro que se apresente como absoluto. Só há um Deus, o resto não é Deus. Podem ser propriedade uma moeda e um território, mas cada homem é propriedade de Deus, feito à imagem de Deus.

Com sua resposta, Jesus ordena que os fariseus orgulhosos não se neguem a cumprir as suas obrigações civis para com César (governo romano) e que os herodianos não se recusem a cumprir as suas obrigações para com Deus, Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis.  
Na verdade, aqui não há uma verdadeira oposição, baseada no Evangelho, entre o que é do César e o que é Deus. Dar ou devolver a Deus o que é lhe devido implica que seja dado a César o que somente lhe pertence. O Reino de Deus não se situa fora dos reinos terrestres que são assumidos por Deus em Jesus Cristo. Por isso, não se pode ser cristão autêntico à margem das realidades. O cristão é chamado e enviado para ser o sal e a luz do mundo (cf. Mt 5,13-16) para que ninguém explore ninguém, pois todos são filhos do mesmo Pai. O cristão na vida política deve ser justo. A obediência cívica não pode estar em contradição com deveres com Deus. Jesus respeita a autonomia do poder político, mas ao mesmo tempo afirma implicitamente que as estruturas políticas, representadas neste caso pelo imperador romano, não podem nunca ser divinizadas. Somente Deus é Deus. o resto é criatura.

Às vezes podemos cair na tentação de pensar que o evangelho e a vida cristã se reduzem à mera vida espiritual. O evangelho de hoje nos mostra que não é assim. A vida do evangelho toca todas as áreas da vida, e entre elas a vida econômica e a da justiça. “Devolva a César o que é do César e a Deus o que é de Deus” é o principio da justiça equitativa, que, todavia, está longe da justiça cristã. Pagar o que se deve são deveres elementares de justiça. A injustiça não cabe na vida do cristão. Devolvamos a cada um o que lhe é próprio e nossa vida se encherá de paz e de alegria. Podemos até ganhar na justiça humana. Mas precisamos estar conscientes de que ainda resta a justiça divina, como diz São Paulo: “Todos nós teremos de comparecer manifestamente perante o tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba a retribuição do que tiver feito durante sua vida no corpo, seja para o bem, seja para o mal” (2Cor 5,10).

P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2015-05-30 20:06:00

01/06/2015
DEUS ME AMA ATÉ AS ÚLTIMAS CONSEQUÊNCIAS

Segunda-Feira da IX Semana Comum

 

Evangelho: Mc 12,1-12

Naquele tempo, 1Jesus começou a falar aos sumos sacerdotes, mestres da Lei e anciãos, usando parábolas: “Um homem plantou uma vinha, cercou-a, fez um lagar e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou a vinha a alguns agricultores, e viajou para longe. 2Na época da colheita, ele mandou um empregado aos agricultores para receber a sua parte dos frutos da vinha. 3Mas os agricultores pegaram o empregado, bateram nele, e o mandaram de volta sem nada. 4Então o dono mandou de novo mais um empregado. Os agricultores bateram na cabeça dele e o insultaram. 5Então o dono mandou ainda mais outro, e eles o mataram. Trataram da mesma maneira muitos outros, batendo em uns e matando outros. 6Restava-lhe ainda alguém: seu filho querido. Por último, ele mandou o filho até os agricultores, pensando: ‘Eles respeitarão meu filho’. 7Mas aqueles agricultores disseram uns aos outros: ‘Esse é o herdeiro. Vamos matá-lo, e a herança será nossa’. 8Então agarraram o filho, o mataram, e o jogaram fora da vinha. 9Que fará o dono da vinha? Ele virá, destruirá os agricultores, e entregará a vinha a outros. 10Por acaso, não lestes na Escritura: ‘A pedra que os construtores deixaram de lado tornou-se a pedra mais importante; 11isso foi feito pelo Senhor e é admirável aos nossos olhos’?” 12Então os chefes dos judeus procuraram prender Jesus, pois compreenderam que havia contado a parábola para eles. Porém, ficaram com medo da multidão e, por isso, deixaram Jesus e foram-se embora.
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O profeta Jeremias, Ezequiel, Isaias (especialmente Is 5,1-7) e os Salmos chamam Israel “a vinha do Senhor”. A parábola que Jesus conta é introduzida perfeitamente nessa linha profética e serve para contestar às duas perguntas que as autoridades judeus fizeram a Jesus: Com que autoridade fazes tudo isso? Quem te deu essa autoridade?”.Jesus contesta relatando com imagens toda a história de Seu povo e oferece também aos seus discípulos e, portanto, para todos os cristãos, a possibilidade de saber quem somos nós para Ele. Através desta parábola Jesus respondeu à primeira pergunta: “Com a autoridade do Servo de Deus, com a autoridade do Filho de Deus”. E para a segunda pergunta, Jesus respondeu através desta parábola: “Quem deu essa autoridade é o Dono da vinha, o Deus de Israel, que é meu Pai”.

O texto do evangelho deste dia nos diz: “Agora restava ainda alguém: o filho amado. Por último, então, enviou o filho aos agricultores, pensando: ‘A meu filho respeitarão’. Mas aqueles agricultores disseram uns aos outros: ‘Este é o herdeiro. Vamos matá-lo, e a herança será nossa’. Agarraram o filho, mataram e o lançaram fora da vinha” (Mc 12,6-8). 

Restava ainda alguém: o filho amado”. É uma expressão que nos desconcerta toda vez que a lemos e sobre a qual refletimos e meditamos. Deus usa todos os meios e recursos para despertar os homens a fim de salvá-los. Agora, parece que Deus fica à margem da pobreza. Resta apenas o próprio Filho. Mais nada! Por causa dos homens e por causa do Seu amor sem limites pelos homens Deus usa todos os recursos e todas as possibilidades. Os recursos, aparentemente, se esgotaram. Agora resta apenas seu Filho. Deus é verdadeiramente o “pobre” por excelência, porque nos deu tudo; não restou nada! Até seu próprio Filho, o ultimo que restou. Significa que Deus nos toma a sério e deixa o campo livre para que atuemos com plena responsabilidade. Mas Deus é impotente diante da liberdade do homem. O homem é responsável pela sua própria escolha. No momento em que o homem não respeitar as regras e as placas da vida que apontam para sua plena realização e para a eternidade, ele perderá sua liberdade e cairá em uma série de prisões e escravidões.

Não há pai que entregue seu filho amado para os criminosos a fim de resgatar algo ou alguém. Deus é diferente, o Diferente por excelência. Ele entrega seu Filho amado como resgate a fim de o homem ficar livre do cativeiro da perdição e da maldição (cf. Mt 20,28; Mc 10,45; Gl 3,13; 1Tm 2,6). É muito difícil entender e compreender a atuação de Deus. Até o salmista faz esta pergunta retórica: “Quando olho para o teu céu, obra de tuas mãos, vejo a lua e as estrelas que criaste: Quem é o homem, para dele te lembrares, quem é o ser humano, para o visitares? Ó SENHOR, Senhor nosso, como é glorioso o teu nome em toda a terra!” (Sl 8, 4-5.10). Somente quando calarmos nossa mente, o nosso coração vai começar a compreender tudo que Deus faz por nós e vai haver uma adequada correspondência de nossa parte.

Jesus é verdadeiramente o ultimo, o “eskatos”, da perspectiva de Deus.  Não é o ultimo em relação ao tempo, não o ultimo de uma serie de intentos. O último quer dizer o definitivo, tudo. Depois do qual não fica mais nada. Agora Deus é verdadeiramente o “pobre” por excelência. Pobre porque deu tudo. Em sua incurável paixão pelos homens não ficou com nada, nem com o seu próprio Filho. Só o amor apaixonado e incondicional pode explicar tudo isso. Cristo morreu perdoando o homem.

A conduta dos lavradores se julga durante a ausência do patrão. O patrão confia tudo nos lavradores e por isso, não precisa estar presente. O Deus da confiança é também o Deus da ausência. Mas há que compreender exatamente esta ausência. Não se trata nem de abandono, nem de evasão nem de deserção. É um sinal de amor. É um grande sinal de uma grande confiança nos homens. É um Deus que pretende atuar exclusivamente através do amor, através da confiança, pois este caminho é que leva o homem à sua plenitude, à eternidade.

’Este é o herdeiro. Vamos matá-lo, e a herança será nossa’. Agarraram o filho, mataram e o lançaram fora da vinha”.Deus não manda Seu Filho para a morte: Ele o ama incondicionalmente. Por outro lado, a morte é um mal e o Deus da vida não pode querê-la. Por isso, quem mata ou assassina comete pecado; vai contra a vontade de Deus que é a Vida (cf. Jo 11,25; 14,6). O castigo não cai sobre a vinha e sim sobre os guardiões. A vinha do Senhor seguirá, mas será um novo Israel, um novo Povo de Deus, o verdadeiro templo de Deus (cf. 1Cor 3,16-17) que tem como centro Jesus Cristo. Jesus morto e recusado pelos sumos sacerdotes, os escribas, e os anciãos, e ressuscitado pelo Pai, se converte em fundamento de um novo povo que é, ao mesmo tempo, continuação do antigo: a vinha passa a outros. Antigo e novo coexistem. As primeiras comunidades cristãs estavam compostas principalmente por judeus, isto é, pelo resto fiel de Israel que acolheu Jesus como Messias e Filho de Deus e por muitos que provinham do mundo pagãos e formavam com, como o resto de Israel, o novo e definitivo povo de Deus. O novo é realmente, com Jesus, a casa do Pai para todos os povos. É uma das mensagens do evangelho deste dia.

 O texto do evangelho de hoje quer nos recordar sobre a paciência e a longanimidade de Deus para todos nós. A longanimidade e a bondade de Deus permanecem conosco. Porém, tenhamos cuidado para não abusar da bondade de Deus! Ao contrário, devemos escutar atentamente para a voz misericordiosa de Deus que nos chama a produzirmos bons frutos durante a nossa passagem por este mundo. A voz de Deus continua ressoando para nós todos através de tantos profetas atuais, dos bons conselhos, das advertências vindas das pessoas que nos amam, através dos próprios acontecimentos de cada dia. Não há dia que não tenha algum recado de Deus para cada um de nós. Deus mesmo se manifestou em carne, habitando entre os homens (cf. Jo 1,14) para nos amar (cf. Jo 3,16).  A consciência humana pode ser despertada, mas continua o perigo da impenitência. Precisamos de uma mudança no coração e na vontade. Sem essa mudança, poderemos viver toda a nossa vida, como os contemporâneos de Jesus, mas se perseverarmos em nosso próprio caminho, morreremos em nossa cegueira espiritual ou em nossos pecados.

Cada um precisa entrar no silêncio sagrado para meditar sobre o amor de Deus por cada um e a resposta de cada um diante desse amor. Será que sou ingrato diante do amor de Deus? Será que sou irresponsável na minha atuação como pessoa amada de Deus? Será que eu vivo de acordo com o amor com que Deus me ama? Será que sou capaz de dar tudo por amor?

P. Vitus Gustama,svd
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SÃO JUSTINO

(+ cerca 165)

01 de junho

Há pessoas ignorantes e bárbaras quanto à linguagem, mas sapientes e fieis no espírito… e é evidente que isto não seja obra da sabedoria humana, mas do poder divino.

(São Justino)

No dia 01 de junho celebramos a memória obrigatória de São Justino, mártir. São Justino é o mais célebre e o maior de todos os filósofos cristãos do século II. Era um homem que tinha nobreza de caráter e o gosto pela exatidão histórica. Justino foi um leigo intelectual que buscava a verdade: “Atos e não palavras!”, dizia ele. Ele procurava a verdade para vivê-la. Tendo ingressado no cristianismo por volta do ano 130, afirmou ter encontrado no cristianismo a única filosofia segura que satisfazia todos os seus anseios. Em outras palavras, ele encontrou a verdade no cristianismo, a verdade que o libertou de outras filosofias. Cumpriu-se aquilo que Jesus tinha dito: “Se permanecerdes na minha palavra, sereis meus verdadeiros discípulos; conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8,32).

Para Justino, o cristianismo não é, antes de tudo, uma doutrina e sim uma pessoa: O Verbo de Deus encarnado e crucificado em Jesus Cristo. Por isso, Justino dizia: “A nossa doutrina (cristã) supera qualquer doutrina humana, porque nela temos o inteiro Verbo (de Deus)”. Por isso, “toda verdade, afirmada em qualquer povo, pertence a nós cristãos”, acrescentou Justino.

Um dia, retirando-se à solidão, Justino passeava pela areia à beira mar para meditar sobre a visão de Deus. Na sua meditação, ele disse que a alma humana não podia atingir a Deus com seus próprios recursos; somente o cristianismo era a filosofia verdadeira que apresentava conclusões para todas a verdades parciais.

Por ser um famoso filósofo com nobre caráter, ele era respeitado. Mas um filosofo invejoso e cínico chamado Crescêncio denunciou Justino covardemente diante do imperador Marco Aurélio. “A inveja é a tristeza pelo bem alheio”, dizia Santo Thomas de Aquino. Diante do imperador, para Justino foi lançada a seguinte pergunta: “A que ciência te dedicas tu?”. Justino respondeu: “Estudei sucessivamente todas as ciências. Acabei por apegar-me à doutrina verdadeira dos cristãos”. Por causa disso, ele foi flagelado e sofreu a pena capital.   Ele morreu em torno do ano 165 como mártir.

Justino foi uma mistura perfeita da intelectualidade com a espiritualidade. Meditava profundamente a doutrina cristã e se apegava a ela até a morte.  Ele nos ensina a vivermos e praticarmos nossa intelectualidade sempre dentro do Espírito de Deus. É a intelectualidade conduzida para a salvação. A intelectualidade dentro da espiritualidade nos faz viver na sabedoria. Todo sábio é inteligente, pois para ser sábio tem que ser inteligente, mas nem sempre todo inteligente é sábio. O sábio não solta qualquer palavra sem pensar. Como diz a sabedoria indiana: “Quando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores que o silêncio”. EO sábio estima todos porque sabe ver o bom de cada um e sabe o que custa fazer bem as coisas. O tolo despreza todos porque não conhece o bom e escolhe o pior”, dizia um escritor (Baltasar Gracián).
P. Vitus Gustama, SVD

Entre a propaganda e a verdade: a história secreta da Ideologia de Gênero

Uma propaganda é capaz de fazer o certo parecer errado e o errado parecer certo. O caso da Ideologia de Gênero não foge à regra


Uma peça publicitária só pode ser bem-sucedida se souber cativar o público com as palavras e as imagens certas. A linguagem simbólica exerce enorme influência sobre o homem. Todas as grandes empresas, partidos políticos e meios de comunicação têm, por de trás de sua figura pública, um afiado esquema de marketing. “Um bom governo sem propaganda dificilmente se sai melhor do que uma boa propaganda sem um bom governo”, dizia o ministro da comunicação nazista Goebbels. É fato. E a experiência do último século é a prova cabal de como ideologias malignas podem conquistar o apoio das massas, apelando a jargões risíveis porém populares.
Ideologia de Gênero é uma grande peça publicitária. Apoiada pelo discurso dos “direitos sexuais”, da “tolerância” e da “misericórdia”, palavrinhas politicamente corretas e além de qualquer suspeita, muitos são levados a considerá-la algo inofensivo ou mesmo um grande progresso para a civilização. Aquele que a ela se opõe, por outro lado, é visto como pessoa antiquada, de visão obtusa e reacionária, ainda que salte “aos olhos a profunda falsidade dessa teoria”. Foi também assim que rotularam a imprensa judia quando esta denunciou as obscenidades do nacional-socialismo, logo que Hitler subiu ao poder. Ora, quem, em sã consciência, se posicionaria contra um projeto político que apenas visava a “reconstrução” da Alemanha? De maneira análoga, como é possível se opôr à felicidade daqueles que desejam a mudança de sexo?
Uma boa propaganda não somente convence, como também modifica a história. O passado secreto da Ideologia de Gênero está longe de ser misericordioso, tolerante e feliz. Tudo começou na década de 1950, nas clínicas universitárias. Neste período, inúmeras cirurgias de mudança de sexo (precisamente de homem para mulher) foram realizadas de forma experimental. Na década de 1970, quando vieram os resultados científicos de todas aquelas experiências, não havia qualquer índice de que o procedimento fosse seguro. Pior. As evidências de que se tratasse de algo nocivo eram gritantes. As clínicas decidiram não mais realizar aquele tipo de operação. But where there’s a will there’s a way.
Três pesquisadores decidiram levar adiante o projeto: Dr. Alfred KinseyDr. Harry Benjamin e o psicólogo John Money. O currículo destes três paladinos da Ideologia de Gênero não é nada honroso.
Dr. Alfred Kinsey, um biólogo e sexólogo cujo legado dura ainda hoje, acreditava que todos os atos sexuais eram legítimos — incluindo pedofilia, bestialidades, sadomasoquismo, incesto, adultério, prostituição e orgias. A fim de obter dados para suas pesquisas, Kinsey autorizou experimentos horríveis em bebês e crianças pequenas. Seu intuito principal era justificar a opinião de que crianças de qualquer idade teriam prazer com o sexo — ele chegou a advogar a normalização da pedofilia. O transexualismo entrou em sua agenda quando foi apresentado ao caso de um homossexual que queria tornar-se uma garota. Kinsey consultou um conhecido seu, um endocrinologista chamado Harry Benjamin. Benjamin conhecia bem os travestis (homens que se vestem de mulher). Assim, ambos viram uma oportunidade para mudar aquele rapaz fisicamente, para além da roupa e da maquiagem. Os dois tornaram-se colaboradores profissionais no primeiro caso do que Benjamin mais tarde chamaria “transsexualismo”.
Benjamin pediu a vários psiquiatras que avaliassem o rapaz quanto à possibilidade de uma cirurgia para feminilizar sua aparência. Os médicos não chegaram a um consenso. Mas isso não pôde pará-lo. Por sua própria conta, Benjamin começou a dar hormônios femininos ao garoto. Levaram-no para a Alemanha e lá o operaram parcialmente. Benjamin, por sua vez, perdeu todo contato com seu paciente, tornando qualquer acompanhamento a longo prazo impossível.
O terceiro co-fundador do hoje movimento transgênero foi o psicólogo Dr. John Money, um dedicado discípulo de Kinsey e membro do grupo de pesquisas transexuais, chefiado por Benjamin.
O primeiro caso transgênero de Money veio em 1967, quando foi consultado por um casal canadense, os Reimers, para que reparasse uma circuncisão mal-feita no filho deles de dois anos, David. Sem qualquer razão médica, Money lançou-se em um experimento para fazer fama por conta própria e avançar suas teorias sobre gênero, não importando as consequências para a criança. Disse aos perturbados pais que o melhor caminho para assegurar a felicidade de David era mudar cirurgicamente sua genitália de masculino para feminino e educá-lo como uma garota. Como muitos pais fazem, os Reimers seguiram a orientação do doutor, e David foi rebatizado de Brenda. Money assegurou aos pais que Brenda se adaptaria a ser uma menina e que ela nunca saberia a diferença. Ademais, pediu ao casal que mantivesse aquilo em segredo. E assim se fez — pelo menos por um tempo.
Médicos ativistas iguais ao Dr. Money sempre buscam a fama primeiro, especialmente se controlam a informação que a mídia divulga. Money jogou um jogo de “prenda-me se for capaz”, divulgando o sucesso da mudança de gênero do garoto para comunidades médicas e científicas e construindo sua reputação como um dos principais especialistas no emergente campo da mudança de gênero. Levou décadas até que a verdade fosse revelada. Na verdade, a adaptação de David Reimer para ser uma garota foi completamente diferente dos relatórios brilhantes inventados por Money para os artigos dos jornais. Aos 12 anos, David estava severamente depressivo e recusava-se a voltar a ver Money. No desespero, seus pais quebraram o segredo e lhe contaram a verdade sobre a “mudança de gênero”. Aos 14 anos, David decidiu submeter-se a uma nova cirurgia para viver como garoto.
Em 2000, aos 35 anos, David e seu irmão gêmeo finalmente expuseram os abusos sexuais aos quais o Dr. Money os havia imposto na privacidade de seu escritório. Os rapazes contaram como Dr. Money tirava foto deles nus quando tinham apenas sete anos de idade. Mas fotos não eram o suficiente para Money. O pedófilo doutor também os forçou a terem relações sexuais incestuosas um com o outro.
As consequências dos abusos de Money foram trágicas para os dois garotos. Em 2003, apenas três anos após seu passado de tortura ter se tornado público, o irmão gêmeo de David, Brian, morreu de overdose. Pouco tempo depois, David também cometeu suicídio. Money, por sua vez, foi finalmente exposto como um farsante. Mas isso não ajudou a amenizar o luto da família, cujos gêmeos agora estavam mortos.
Certamente, nenhum jornal secular ou programa de TV, quando estiver em pauta a chamada Teoria de Gênero, revelará esses episódios expostos acima ao público. De fato, reina aquilo que Pio XI denominou, certa vez, de conspiração do silêncio, pois “não se explica facilmente como é que uma imprensa, tão ávida de esquadrinhar e publicar até os mínimos incidentes da vida cotidiana”, pode calar-se tão vergonhosamente sobre tais coisas. Vários estudos feitos por ex-discípulos de Kinsey e Money comprovam a perniciosidade da Ideologia de Gênero, principalmente das cirurgias de mudança de sexo. Charles Ihlenfeld, um endocrinologista que trabalhou por seis anos com o Dr. Benjamin, chegou a declarar publicamente: “Há muita insatisfação entre as pessoas que fizeram a cirurgia… Muitas terminam em suicídio” — como no caso dos gêmeos Reimers.
Não se iludam com propaganda, não se iludam com promessas, não se iludam com mentiras. AIdeologia de Gênero é uma farsa. E das mais grosseiras.

Fonte: https://padrepauloricardo.org/blog/entre-a-propaganda-e-a-verdade-a-historia-secreta-da-ideologia-de-genero#at_pco=smlwn-1.0&at_si=5568e0bca7a1adfa&at_ab=per-2&at_pos=0&at_tot=1

A banalização do sagrado

Na atualidade, infelizmente, não é difícil vermos o sexo sendo tratado como algo superficial e também como instrumento de satisfação momentânea, ou seja, fora dos planos de Deus e de Sua criação.

O que nos diz nossa fé?  O Catecismo da Igreja Católica nos diz que“o prazer sexual é moralmente desordenado quando é buscado por si mesmo, isolado das finalidades de procriação e união” (CIC 2351).

Portanto, a Igreja nos ensina as principais finalidades do ato sexual. A primeira é a finalidade inicial pelo qual foi feito homem: a procriação do ser humano conforme a ordem de Deus. “Frutificai e multiplicai-vos, enchei a terra…” (Gn 1, 28).

Essa finalidade não pode ser descartada. Deus conta com cada um de nós para encher a terra, para trazer a este mundo mais seres humanos, criados a imagem e semelhança de Deus. Aqueles que têm a vocação a maternidade e paternidade são chamados a realizar o plano de Deus na vida de muitos outros através do sim a esta vocação, a vocação do matrimônio.

Outra finalidade do ato sexual é a união do casal. Deus criou o ato com prazer para que marido e mulher se unam de forma prazerosa e amorosa, para que juntos se amem e testemunhem ao mundo o amor de Deus. A Teologia do Corpo de João Paulo II diz que “a concupiscência que nasce como ato interior muda a própria intencionalidade do existir da mulher para o homem, reduzindo a riqueza do sim perene chamado à comunhão de pessoas unicamente à satisfação do impulso sexual do corpo” (TdC 43).

João Paulo II nos diz que quando usamos o prazer sexual apenas para satisfação própria, sem pensar no outro e sem a bênção de Deus, o matrimônio, estamos reduzindo seu valor e o valor do outro. Estamos desvalorizando a graça de sermos imagem e semelhança de Deus.

Se o ato sexual foi criado por Deus, com a sua bênção, é sagrado. Deve ser respeitado e assim, como tudo que é sagrado, tem o seu momento certo de ser aproveitado: após a bênção de Deus no matrimônio.

Fiquemos atentos! Em todo lugar há pessoas e situações que nos levam à viver a superficialidade do Evangelho. Porém, não é esse nosso chamado. O plano de amor de Deus para cada um de nós é que “a exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos em todas as vossas ações” (I Pedro 1, 15). Viver a santidade implica também em atitudes radicais concretas como deixar de ver certos tipos de programa, ler determinados livros ou até abster-se de conversas que não nos ajudam a ser santos. E ser perseverante na oração. A oração gera intimidade com Deus,  e a intimidade com Deus nos ajuda a filtrar o que não é bom para nós. A sermos a cada dia mais configurados à Ele.

Peçamos a Deus que envie sobre nós a graça do Espírito Santo. Que em Deus possamos aspirar somente às coisas do alto e viver neste mundo testemunhando o amor de Deus através da santidade de nossas atitudes.




Saiba mais sobre a teologia do corpo:

– A Teologia do Corpo do Papa João Paulo II :  https://padrepauloricardo.org/aulas/a-teologia-do-corpo-do-papa-joao-paulo-ii

– http://noticias.cancaonova.com/teologia-do-corpo-ensinamentos-do-papa-joao-paulo-ii/

– https://www.youtube.com/watch?v=ujs9UCVapsQ:



Solenidade da Santíssima Trindade – A Trindade no palácio de nossas almas

Solenidade da santissima trindade mini

Para falar com Deus, não é preciso rezar gritando ou sair voando ao Céu. Toda alma em estado de graça traz dentro de si a presença misteriosa da Santíssima Trindade. Neste Testemunho de Fé, Padre Paulo Ricardo expõe essa verdade fundamental, ensinada pelo próprio Jesus, e explica como podemos, ao longo de todo o dia, adorar e amar a Deus, escondido no íntimo de nosso coração.

A pornografia mata o amor



Frouxidão, egoísmo e imaturidade. São apenas alguns dos efeitos colaterais da pornografia. Tirando dos jovens a própria liberdade e alegria de viver, a droga produz indivíduos doentes e depressivos, incapazes de viver por um grande ideal ou cultivar relacionamentos saudáveis. Quais são as consequências sociais do consumo de pornografia? Como essa droga influencia – e destrói – vidas, amizades, namoros e até mesmo casamentos?



Nesta aula, serão apresentados os efeitos psíquicos e sociais da pornografia e da masturbação, principalmente a partir do testemunho de Joseph Sciambra, um ator pornográfico homossexual que se converteu à fé católica. Em seu livro Swallowed by Satan [“Engolido por Satanás”], Sciambra faz um relato impressionante de como Nosso Senhor o salvou “da pornografia, da homossexualidade e do ocultismo”.
Tudo começou no norte da Califórnia, onde Joseph nasceu, em 1969. Enquanto o movimento homossexual criava um “bairro gay” no distrito de Castro, em San Francisco, o rapaz crescia, folheando revistas pornográficas desde a mais tenra idade. Embora fosse mandado para colégios católicos desde o jardim de infância, a educação liberal que recebia naqueles anos pós-Concílio Vaticano II não tinha nada a ver com a verdadeira fé da Igreja. Sciambra cresceu sem fé, pois sequer sabia quem era Jesus Cristo.
Nessa situação trágica, já viciado em pornografia heterossexual, Joseph foi atrás de sexo mais e mais “emocionante”. À procura de descargas de dopamina cada vez maiores, ele começou a consumir material homossexual. Esse é, na verdade, um roteiro muito comum entre os dependentes de pornografia. Como o cérebro da pessoa vai ficando “dormente” aos conteúdos softcore, o adicto busca drogas cada vez mais pesadas: da mera nudez e sexo heterossexual, passa ao sexo contra a natureza, até relações violentas e fetiches absolutamente abstrusos. Um abismo atrai outro abismo e coisas que são extremamente repugnantes a qualquer pessoa normal vão se tornando aceitáveis e até atraentes.
Com 19 anos, então, Joseph passa a frequentar o distrito de Castro e, no convívio com um homem mais velho, que se torna seu amante e começa a filmar suas performances sexuais, ele entra mais fundo no mundo da pornografia, agora como ator. Como, em suas palavras, o ser humano não é capaz de ficar sem acreditar em nada, Sciambra mergulha no oculto: do esoterismo new age, chega ao próprio satanismo. Gravando cenas sexuais cada vez mais extremas e perigosas, porém, ele é acometido por sérios problemas médicos e se encontra à beira do fim. Em uma “experiência de quase-morte” (near-death experience, em inglês), Joseph se vê às portas do inferno, escoltado por dois demônios. Desesperado, ele clama o auxílio de Deus, que lhe dá a oportunidade de voltar à vida.
Depois desse acontecimento e de uma longa jornada de conversão, Sciambra refez o caminho rumo à Igreja Católica. Em seu apostolado na Internet, ele conta como “desceu aos infernos” e, agora, leva uma vida de fé e castidade. Hoje, o rapaz que passou boa parte de sua juventude à procura de outros homens tem em São José o seu modelo de pureza e masculinidade.
Em um vídeo postado no YouTube, intitulado Dead Gay Porn Stars Memorial, Joseph Sciambra faz memória de vários atores pornográficos homossexuais, muitos mortos por AIDS, suicídio ou overdose de drogas. Na Internet, ainda há muitos outros vídeos semelhantes, revelando o fim terrível que têm muitas “estrelas” pornô e o segredo sujo por trás dessa indústria de moer carne humana. Pesquisas comprovam, por exemplo, que 75% dos atores pornográficos são dependentes químicos e 88% das imagens encenadas por eles são verbalização de violência. Também são conhecidas várias histórias de atrizes pornográficas que, tendo conseguido sair deste mundo – no qual eram tratadas realmente como animais –, trazem até hoje, no entanto, as lembranças dolorosas de seu passado. Os produtores desses filmes, preocupados apenas em conseguir mais dinheiro, contratam médicos que só querem saber de melhorar o desempenho sexual dos atores, enquanto a sua saúde definha, até a morte.
Esse vídeo – assim como os outros, na mesma linha – constituem ocasião para uma meditação. Ao olhar para aqueles jovens, com os olhares tristes, como que mortos em vida, permita perguntar-se onde eles estão e em que estado de alma morreram. Qual a possibilidade de essas pessoas estarem, agora, no inferno? Para quem assistiu a eles, todavia, tantas tragédias custaram apenas um clique. Um clique que ceifa vidas humanas, alimenta a cruel e impiedosa indústria pornográfica e, sobretudo, lança as almas – tanto as de quem produz, quanto as de quem consome – na perdição eterna.
Já em vida, porém, a pornografia deixa sequelas emocionais seriíssimas nas pessoas, de modo que se pode dizer que ela realmente mata a capacidade humana de amar. Olhando para o homem, é possível notar algo que o distingue de todos os animais: a capacidade que ele tem dese contrariar. Os animais podem ser contrariados – quando, por exemplo, um macho deseja uma fêmea, mas outro, mais forte que ele, o impede de acasalar –, mas não são capazes de fazer isso voluntariamente, pelo bem do outro, como o homem é capaz.
Com o vício, todavia, essa capacidade humana fica tremendamente comprometida. A pessoa que vê pornografia excessivamente e se masturba com frequência perde a própria força de vontade. Na medida em que cresce a dependência, as pessoas chegam a se masturbar sem sequer sentirem prazer. Como, para proteger o organismo, os receptores dos neurônios bloqueiam a passagem de dopamina, cada ato sexual é cada vez menos satisfatório. É por isto que, depois de uma “farra masturbatória”, os jovens ficam extremamente nervosos: já que não conseguiram o prazer fácil que desejavam, eles se iram. Há vezes em que essa ira fica contida, transformando-se em uma espécie de tristeza – trata-se daacídia, a ser abordada na terceira aula.
Fechadas em si mesmas e transformadas por uma visão completamente distorcida de sexualidade, as pessoas chegam a se tornar incapazes de uma relação sadia com os outros. O próprio relacionamento conjugal é abalado. Aos esposos adictos se seguem esposas tristes e inseguras. As mulheres veem, com toda a clareza, que não conseguem ter a beleza das atrizes pornográficas, que têm o seu corpo baseado em mentiras, cirurgias plásticas e montagens de computador. Os maridos, por sua vez, acostumados à ilusão inventada pela indústria pornográfica, passam a sofrer de problemas como impotência e disfunção, prejudicando deveras o seu casamento.
A pornografia realmente mata o amor, desumaniza o ser humano. Que tenhamos, pois a coragem de assumir a doença e buscar a restauração. Corações ao alto!

Fonte: https://padrepauloricardo.org/aulas/pornografia-mata-o-amor

Pornografia e a masturbação – os efeitos na alma

Retomando uma longa tradição ascética, formada por autores como Evágrio Pôntico, São João Cassiano e São João Damasceno, Santo Tomás de Aquino define a acídia (ακηδία, em grego) como um tipo de tristeza. Esta é a reação do ser humano ao mal presente [1]. O que especifica a acídia é que se trata de “uma tristeza proveniente de um bem espiritual” [2]. A pessoa acometida por essa doença interpreta o bem que Deus tem para ela como um mal e, por isso, fica triste.
Mas, o que Deus tem para o ser humano? Ora, o homem foi colocado na Terra para amar – não o simples amor natural, entre homem e mulher, mas a caridade, o amor divino. Para que essa criatura miserável, marcada pelo pecado original, possa amar a Deus, no entanto, é preciso que Este venha, com Sua graça, transformá-lo, matar o “homem velho” e fazer surgir um novo homem, ressuscitado e capaz da experiência do amor sobrenatural. Essa é a vocação do ser humano e a única forma que ele tem de encontrar a plena felicidade.
O acidioso, porém, vê tudo isso como um mal. Ao contemplar a santidade, que é o grande chamado de Deus para a sua vida, ele se entristece. O relato de Santo Agostinho, antes de decidir-se de vez por sua conversão, ilustra bem esse comportamento: “Mantinham-me preso umas tantas bagatelas, umas vaidades de vaidades, antigas amigas minhas, que me puxavam por minhas vestes carnais, murmurando: ‘Então, nos abandonas? De agora em diante nunca mais estaremos contigo? Desde este momento nunca mais te será lícito isto ou aquilo?'” [3]. Apodera-se, então, da pessoa uma tristeza profunda, que tem dois efeitos:
  1. ressentimento com Deus – que seria visto como uma espécie de “desmancha-prazeres”;
  2. Uma inquietação, que pode se traduzir tanto em morosidade quanto em um malfadado “ativismo”, no qual a pessoa se enche de afazeres só para fugir de seus deveres, mormente os espirituais. Ela faz um monte de coisas só para não fazer aquela coisa, que é rezar e amar a Deus. No vício da pornografia, ela vai abrindo páginas e mais páginas, gastando o tempo que tinha para amar a Deus em futilidades e ninharias.
O povo de Israel perambulando por quarenta anos no deserto é uma imagem muito apropriada da doença espiritual da acídia. Depois de serem libertos da escravidão do Egito, os israelitas chegaram bem depressa às portas da Terra Prometida. Por medo e covardia, no entanto, não quiseram atravessar e conquistar a terra que Deus tinha preparado para eles: “O povo que vive nessa terra é muito forte. As cidades são fortificadas e enormes. (…) Não podemos enfrentar esse povo, porque é mais forte do que nós” ( Nm 13, 28.31). Ao contrário, até começaram a planejar uma volta para o Egito: “Por que nos leva o Senhor para esta terra? A fim de cairmos ao fio da espada, e para que nossas mulheres e nossos filhos sejam reduzidos ao cativeiro? (…) Vamos escolher um chefe e voltar para o Egito” (Nm 14, 3-4). Como castigo por sua infidelidade, o Senhor entregou-os às suas vontades e deixou que ficassem quarenta anos no deserto: “Não entrarão no meu repouso prometido” (Sl 94, 11; cf. Nm 14, 20-38).
O acidioso, como o povo de Israel, tem a Terra Prometida diante de si, mas não quer entrar. Ele vê o grande projeto para o qual é chamado – a santidade –, mas resiste em dar o passo do amor. Por isso, fica perambulando no deserto, de clique em clique, de pecado em pecado, sem avançar. Muitas pessoas não largam o vício da pornografia porque, ainda que reconheçam a sua maldade e queiram sair, não estão dispostas a pagar o preço de sua escolha. Estão sempre negociando com Deus: ao invés de deixar tudo e progredir na vida espiritual, querem manter um pouco do homem velho, desfrutando de alguns “prazerzinhos” aqui e acolá.
Outra imagem bíblica que reflete essa tristeza espiritual é a da mulher de Lot. Deus separa Lot, sua mulher e suas duas filhas para escapar da destruição de Sodoma e Gomorra, faz eles saírem do lugar, mas “a mulher de Lot”, com saudades da miséria, “olhou para trás e tornou-se uma estátua de sal” ( Gn 19, 26). O acidioso está a todo momento olhando para trás, para a sua vida passada, sem querer seguir decididamente o projeto de santidade e tomar de assalto a própria vida espiritual.
Como indica Nosso Senhor, “o Reino dos céus é dos violentos” ( Mt 11, 12). Para sair da pornografia, a pessoa não se pode contentar com um ideal baixo, com simplesmente “ser boazinha”. Essa atitude mesquinha torna muito mais árduo o caminho da restauração. O povo de Israel, por exemplo, quando estava no deserto, começou a sentir saudades do Egito: “Estamos lembrados dos peixes que comíamos de graça no Egito, dos pepinos, melões, verduras, cebolas e alhos!” (Nm 11, 5). Do mesmo modo, quando se sai do pecado da pornografia e da masturbação e se entra na fase da abstinência, alguém pode se sentir tentado a recordar as “cebolas e alhos” que ganhava na escravidão. Sem “fome e sede de justiça” – a bem-aventurança que, com razão, é apontada como oposta da acídia (cf. Mt 5, 6) –, é muito fácil voltar atrás e desistir de tudo. É preciso, pois, querer, com determinação, que Deus aja em si e o transforme interiormente em um novo homem.
Rebecca DeYoung aponta mui claramente que, para Santo Tomás, o problema do acidioso – e a pornografia se encaixa perfeitamente neste exemplo – é buscar uma alternativa de amor em que não se tem que pagar o preço da aliança. O adicto só quer usar e ser usado. Por isso, é uma grande erro associar o sexo desregrado ao amor. Amar, a nível humano, é contrariar-se por causa do outro, e, a nível sobrenatural, é deixar-se modelar por Deus, purificando-se até o sacrifício de si mesmo. Afinal, ” sine effusione sanguinis non fit redemptio – sem derramamento de sangue, não há redenção”.
Muito mais do que a luxúria, então, o mal que acomete quem se entrega à pornografia e à masturbação chama-se acídia. A tristeza e inquietação de quem vive no pecado são um sinal de que o homem foi feito para Deus e inquieto está o seu coração enquanto não repousar n’Ele [4].

Fonte: https://padrepauloricardo.org/aulas/os-efeitos-na-alma

Uma nova ideologia do sexo

Saiba como a pornografia, através de exposições cada vez mais agressivas e antinaturais, está criando a cultura do estupro

A pornografia está em alta. Cinquenta tons de cinza, a adaptação do drama erótico de E.L. James para o cinema, arrecadou nada menos que US$ 500 milhões de dólares em bilheteria. Com o sucesso, uma sequência do filme já está em fase de negociações. Mas não para por aí. Uma série de longas no mesmo estilo deve ser lançada em breve. After, uma espécie de versão adolescente do livro de James, é um dos mais aguardados. Embora se passe em um colégio, o enredo é exatamente o mesmo: uma jovem virgem que se entrega aos caprichos sexuais do namorado.
A razão para o sucesso de filmes, livros e outros produtos com alto teor sexual pode ser atribuída a vários fatores. Entre eles, à so called Liberdade Sexual. Nunca se falou tanto sobre sexo como nos dias de hoje. Essa banalização, porém, tem gerado muitas controvérsias, sobretudo no que diz respeito à juventude. Um artigo publicado pelo jornal britânico The Telegraph traz dados alarmantes sobre as consequências da pornografia para os mais jovens. “A pornografia mudou o panorama da adolescência para além de qualquer reconhecimento”, afirma o jornal. Dos aspectos mais preocupantes, o artigo destaca o aumento das relações anais. “O sexo anal”, escreve a articulista Alisson Pearson, “tornou-se padrão entre os adolescentes agora”. Alisson cita alguns estudos que mostram como práticas do tipo causam sérios problemas emocionais e distúrbios psicológicos, principalmente nas mulheres. E conclui: “Nós precisamos educar e encorajar nossas filhas a lutar contra a pornografia”.
Há, além disso, outro agravante ainda mais perigoso. O universo pornográfico está criando “uma nova ideologia do sexo, em que as mulheres são objetos para serem abusados e consumidos e os homens, agressores sexuais, que usam garotas e mulheres para obterem o máximo de prazer possível”É o que alerta Jonathon van Maren, do LifeSiteNews. Em sua coluna, Maren relaciona a pornografia ao desenvolvimento de um comportamento violento, baseado na lógica do estupro. Segundo o colunista, o sexo anal, em todas as suas variedades mais agressivas, é frequentemente apresentado pela mídia pornográfica como uma via autêntica de prazer. Não é nenhum exagero. A esse respeito, basta pensar no carnaval que se fez anos atrás, quanto àdeclaração de uma famosa cantora, considerada modelo para os jovens. Com efeito, os rapazes tendem a querer imitar tais relações com suas namoradas. Elas, por sua vez, sentem-se coagidas a aceitar.
Dados como esses nos obrigam a questionar alguns aspectos da cultura em voga, marcada sobretudo pelo niilismo. Ora, o desregramento sexual é desaconselhado desde antes do cristianismo. Em seus escritos, Aristóteles indica a busca das virtudes como condição sine qua nonpara o alcance da vida boa, isto é, a felicidade suprema [1]. O ser humano, ensinava, deve controlar seus desejos pelo bem maior. E o motivo é evidente: a libertinagem sexual não somente mata a capacidade de amar, como desfigura a natureza do ser humano e da sociedade. Primeiro, porque se trata de atitudes que não visam o bem comum. Ao contrário, o outro é considerado apenas como objeto de prazer. É descartável. Segundo, porque se trata de práticas governadas pela ilusão; prendem o indivíduo em um mundo de fantasias e desejos ilusórios. A realidade, por conseguinte, torna-se um fardo. Isso por si só mostra o quão equivocada está a ideia por trás da liberdade sexual. Essa liberdade é falsa. Não existe liberdade quando o homem se torna refém de suas paixões. Não existe liberdade quando se fere a dignidade alheia em nome do próprio prazer.
Aliás, não se pode deixar de ressaltar um ponto importante nesta questão. Todas as vezes que a Igreja se posiciona quanto à sexualidade, logo ela é acusada de moralista e castradora. O ensinamento dos papas, dos santos e, em última análise, do próprio Cristo, é ridicularizado, ora por artigos pseudo acadêmicos, ora por programas de nível duvidoso. Os frutos da revolução sexual, porém, mostram o que, de fato, não é novidade alguma: a moral católica está certa. Está certa porque valoriza o homem em todas as suas dimensões, ordenando a sexualidade segundo sua reta natureza. Não é o caso da pornografia. Está certa porque defende o primado do amor contra os abusos da concupiscência. Também não é o caso da pornografia. E a mídia secular, vimos, já não pode dissimular isso.
Qualquer pessoa honesta e boa de juízo consegue perceber algo de profundamente perverso em um material que induz à violência, ao desprezo pelo semelhante, ao prazer a qualquer custo. Por mais que nos acusem de moralismo, o óbvio é irrefutável: a pornografia está gerando a cultura do estupro. Esse é, sem dúvida, o fruto mais podre da revolução sexual.
Por Equipe Christo Nihil Praeponere
—  O site padrepauloricardo.org tem um curso específico sobre os males da pornografia e da masturbação. As aulas estão abertas a todo público. Acesse agora mesmo e convide seus amigos.
Fonte: https://padrepauloricardo.org/blog/uma-nova-ideologia-do-sexo

É PRECISO CAMINHAR 2015-05-27 22:35:00

Domingo, 31/05/2015
 
SANTÍSSIMA TRINDADE

Ano “B”

Evangelho: Mt 28,16-20

Naquele tempo: 16 Os onze discípulos foram para a Galiléia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. 17 Quando viram Jesus, prostraram-se diante dele. Ainda assim alguns duvidaram. 18 Então Jesus aproximou-se e falou: ‘Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. 19 Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, 20 e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo’.
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Este relato solene é a conclusão e o ápice do Evangelho de Mateus. Este relato final, exclusivo de Mateus, é chamado de a chave para entender todo o evangelho de Mateus porque nele encontra-se a rica afirmação sobre Cristo, Igreja, e história da salvação acompanhada pela fé e dúvida; batismo e moralidade; Judeu passado e futuro Gentio. Se no seu ministério público Jesus enviou seus Apóstolos somente para a terra e o povo de Israel (Mt 10,5-6), agora ele envia os Onze para todas as nações, com batismo e não com circuncisão como rito de iniciação; com a sua ordem e não a Lei de Moisés, como a norma final de moralidade. Por isso, essa perícope final reflete a teologia de Mateus.

1. O encontro na Galiléia (v.16a)

A Galiléia (a “Galiléia dos pagãos” segundo Mt 4,15) é a terra onde Jesus começou seu ministério e chamou seus primeiros discípulos (Mt 4,18-22). No começo da Paixão Jesus prometeu que depois de sua ressurreição, ele iria preceder os discípulos para a Galiléia (Mt 26,32). A direção da Galiléia foi repetida no sepulcro tanto pelo anjo do Senhor como por Jesus ressuscitado (Mt 28,7-10), com a promessa adicional de que lá os discípulos (que agora se tornam seus “irmãos” cf. Mt 12,50) o veriam. A partir de agora a “Galiléia dos pagãos” se torna um lugar que tem um sentido salvífico, pois a Galiléia vai se tornar como o ponto de partida para a missão universal. Este detalhe já indica a universalidade da mensagem do Evangelho de Mateus.

2. O encontro numa montanha (v.16b)

O encontro acontece numa montanha. Mateus não pensa em uma específica montanha geográfica, mas indica a revelação divina (teofania), a esfera divina. O monte é o lugar e símbolo do encontro do céu e da terra, da ascensão humana e da teofania. Em quase todas as culturas a montanha representa uma ligação entre a terra e o céu. A ligação entre o céu e a terra é concebida simbolicamente, à semelhança de uma escada (p. ex. São João da Cruz, Subida ao monte Carmelo), como possibilidade da ascensão espiritual e o desenvolvimento superior a ser penosamente conquistado: vista dessa forma a montanha é para os seres terrestres o caminho da subida, para a proximidade de Deus e para os seres não terrestres o caminho da descida para o terrestre, quando querem interferir na realidade terrena. Quase todos os povos têm seus montes sagrados considerados como morada dos deuses e onde tiveram sua origem importantes acontecimentos espirituais (veja também outros textos: Is 2,2ss;Jr 5,25;Mq 4,1;Gn 22,2;1Rs 18,42 etc.).

  

Em relação a Jesus, numa “montanha” aconteceram coisas importantes: Jesus se sentou na montanha quando fez aos discípulos o Sermão da Montanha(Mt 5,1). Na montanha Jesus se transfigurou diante de Pedro, Tiago e João(Mt 17,1), na montanha Jesus reza ( Mt 14,23 cf. também Mt 8,1;15,29). Assim como no monte Sinai ou Horeb, Moisés encontrou Deus e dele recebeu a Lei, do mesmo modo em uma montanha, durante o ministério, os discípulos tinham visto a glória de Deus em Jesus transfigurado, dele recebendo uma interpretação da Lei: “Vós ouvistes dizer, mas agora eu vos digo” (Mt 5,21-22.27-28.31-32.33-34.38-39.43-44). Quando se trata de coisas importantes na vida de Jesus, Mt coloca Jesus sobre a montanha. Ao dizer que “os Onze foram ao monte” Mt quer nos dizer que a missão dos Apóstolos enviados para o mundo inteiro é um acontecimento de extrema importância. Os discípulos são convocados não para reconhecê-lo, mas para escutar sua revelação definitiva(pelo fato de ocorrer no monte).

3. Adoração (v.17)

   

A adoração (proskynesis, proskynein, adorar) é, no NT, palavra predileta de Mateus e do Apocalipse. Além de se encontrar três vezes em Mt 2,2.8.11 (sobre os magos), reaparece o mesmo termo outras dez vezes: na tentação (Mt 4,9.10); uma no contexto parabólico (Mt18,26) descrevendo a prostração do servo(pecador) diante do rei(Deus, Pai e Juiz) e outras sete descrevem uma instantânea: a adoração do enfermo ou aflito/sofredor (Mt 8,2;9,18;15,25) e a do discípulo (Mt 14,33;20,20;28,9.17) em atitude de “proskynesis” (prostrar-se/adorar) diante de Jesus.

  

Nesse encontro os discípulos reconheceram Cristo imediatamente e prostraram-se diante de Jesus para adorá-lo, demonstrando sua fé nele como Filho de Deus. Anteriormente eles já o tinham feito uma vez quando Jesus caminhava sobre as águas e professaram sua fé em Jesus como Filho de Deus (Mt 14,33). A palavra “adoração”, de origem extrabíblica, indica o gesto de submissão dos discípulos que se dispõem a escutar as ordens do Ressuscitado. Ao nascer Jesus foi adorado pelos magos (Mt 2,11), no ministério público ele foi adorado pelos próprios discípulos e enfermos, e na ascensão Jesus recebeu a mesma adoração dos discípulos (Mt 28,17). Para a teologia de Mateus, o Senhor da Glória já estava na humanidade de Belém e no ministério público. Ao prostrarem-se diante de Jesus, agora eles o adoram não somente como o Senhor dos elementos, mas também o Senhor deles e o Senhor do mundo (A adoração presta-se somente a uma divindade). Jesus, a quem se adora, é “Senhor” que tem poder sobre a lepra (Mt 8,2ss), o demônio (Mt 15,22ss), a morte (Mt 9,18ss), a natureza (Mt 14,25ss), o universo (Mt 28,18ss). Será que esse mesmo Jesus continua sendo o Senhor de nossa vida e de nossas decisões e o ponto de referência de nossos atos? Ou adoramos outros deuses?

4. A apresentação de Jesus como Filho do Homem, Senhor, Filho de Deus e Emanuel

  

A narrativa sublinha também a apresentação de Jesus como Filho do Homem, Senhor, Filho de Deus e Emanuel(Deus- conosco), que percorre todo o Evangelho. Jesus aparece como “Filho do Homem” glorioso, que recebe de Deus todo o poder, e todas as nações o adoram e o seu Reino não terá fim(compare-se a visão de Daniel 7,14). Ao longo de toda a história, Jesus é o Filho do Homem glorioso, mas este papel culminará na manifestação como Juiz definitivo (Mt 13,41-43;16,27;19,28;24,30s;25,31-46;26,64). Jesus também é o Senhor glorioso que recebe a adoração dos seus e que domina sobre todo o criado (cf. Fl 2,9-11). Ele também é o Filho de Deus, a ele tudo lhe foi entregue pelo Pai(Mt 11,27) e em seu nome, junto aos do Pai e do Espírito, terão que batizar todos os povos. Este mesmo Jesus garante sua presença permanente com seu povo: “Eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos”. Em outras palavras, ele é o Emanuel, “Deus conosco”.

    

Jesus recebeu todo o poder no céu e sobre a terra. Ao falar do poder de Jesus que ele recebeu, devemos estar conscientes de que a verdadeira natureza do poder de Cristo, não é um exercício de dominação sobre os homens, mas como uma capacidade operativa de proclamar as exigências da vontade de Deus, de libertar os pecadores da escravidão do seu passado de culpa, de romper os grilhões dos prisioneiros das forças diabólicas da morte e da destruição, de denunciar as religiões feitas de hipocrisia e de interesse. Em outras palavras, é um poder de realizar o Reino de Deus no mundo.

 

Existe um poder que destrói e existe também um poder que cria. O poder que cria dá vida, gozo e paz. É liberdade e não escravidão, vida e não morte, transformação e não coerção. O poder que cria restaura relacionamentos e concede dom da integridade a todos. O poder que cria é o poder que procede de Deus cuja marca é o amor. E o amor exige que o poder seja usado para o bem de todos. Em Cristo, o poder é usado para destruir o mal de forma que o amor possa redimir o bem. O poder que cria produz união. Para criar essa união é preciso ouvir juntos à voz do Senhor em nossos lares, em nossas igrejas,  em nossos negócios, em nossas comunidades, em nossos encontros etc..

   

Ao contrário disso, nada é mais perigoso do que o poder a serviço da arrogância. A arrogância  nos faz pensar que estamos certos e os outros estão errados. O único que está certo é Jesus Cristo. O restante de nós precisa reconhecer suas próprias fraquezas e fragilidades e buscar aprender através da correção dos outros. Se não o fizermos, o poder pode conduzir pelo caminho de destruição. O poder destrutivo destrói relacionamentos, a confiança, o diálogo e a integridade.

5. A ordem de missão

A ordem de missão dada aos Onze é significativa, pois a missão se amplia: fazer discípulos todos os povos. No começo Jesus falou somente aos judeus(Mt 15,24) e os discípulos foram enviados somente para o povo de Israel (Mt 10,5-6). Agora o Jesus ressuscitado, com pleno poder escatológico(“toda a autoridade”), envia-os a todas as nações. Israel não está excluída (Mt 23,34); mas o progresso destas duas ordens, uma durante o ministério e outra depois da ressurreição, incorpora a experiência da cristandade em Mateus. No começo do Evangelho, Mt assinala a grande extensão desse plano ao escrever sobre os magos pagãos vindos a Jerusalém(cumprimento de um sonho do AT em Is 2,2-4). Agora fica claro que os discípulos não podem simplesmente esperar que os pagãos venham a ele, mas eles precisam ir até os pagãos.

 

A missão dada aos discípulos é expressa através de um verbo principal no imperativo (fazer discípulos/mathêteusate) e dois verbos no particípio (batizando…ensinando).

Para Mt “fazer discípulos” é um processo educativo. Fazer discípulos é ajudar as pessoas a aprenderem as coisas que Jesus lhes ensinou. Na missão universal, os discípulos tornam-se claramente mestres. Como Jesus antes deles, eles agora vão “fazer discípulos”. Ser cristão é ser discípulo de Jesus. E ser verdadeiro discípulo para Mt equivale a pertencer à família de Jesus (Mt 12,49-50). Neste sentido, fazer discípulo é fazer comunidade cristã, fazer Igreja. Para ser salvo, é preciso pôr-se no seguimento de Cristo, entrar em relação com a sua pessoa. Não existe outra possibilidade.

Mas não se trata de uma relação individual. Os homens são chamados a fazer parte da comunidade dos seus discípulos. Isto é indicado claramente pelas duas instruções: batizar e ensinar tudo o que Jesus mandou. “Batizando” e ”ensinando” marcam as duas atividades fundamentais no exercício da missão de “fazer discípulos”.

Em outras passagens do NT, o batismo é feito em nome de Jesus (At 2,38;10,48;8,16;19,5;1Cor 6,11 etc.); mas aqui o batismo é realizado “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Com certeza, esta fórmula era usada na comunidade de Mt quando ele escreveu o evangelho. Para Mt, o batismo, e não circuncisão, é o meio para uma incorporação na vida de Deus e de sua Igreja. “Em nome” sugere uma dedicação e compromisso, uma consagração. Entre os hebreus, o nome designa a realidade profunda do ser, incluindo a pessoa e sua respectiva dignidade. Em Seu nome (poder) começou a Igreja, e nele ela vive hoje ainda, pois onde “o nome de Deus é pronunciado sobre nós, ele mesmo está no nosso meio” (cf. Jr 14,9). Os que acreditaram em Jesus compreenderam que Deus Pai era a fonte e o objetivo de tudo o que Jesus dizia e fazia. O Espírito Santo foi rapidamente relacionado à continuação do trabalho de Jesus, tanto entre os fiéis quanto dentro da Igreja.

O batismo deve ser acompanhado pelos ensinamentos a respeito de tudo o que Jesus recomendou. Os ensinamentos não devem ser novos ou próprios dos discípulos, mas “tudo o que vos prescrevi” (cf. também Ex 7,2;23,22 etc.). Jesus ressuscitado não ensina nada de novo, mas declara a permanente validez do que ensinou no transcorrer da vida terrena(“ensinando-os a observar tudo quanto vos ordenei”).

Estas palavras descrevem com precisão a Igreja. Ela não é somente comunidade de santificados pelo sacramento, mas também de praticantes duma nova obediência. O discípulo se qualifica pela tradução na prática do ensinamento de Jesus (Mt 7,24-27). Sua palavra é um mandato a ser obedecido e praticado. Concretamente, sua revelação se resume no mandato do amor (Mt 22,40). Isto quer dizer que a fé cristã não pode ser restrita a aclamações litúrgicas e a celebrações rituais, ou reduzida ao entusiasmo do espírito, mas Jesus nos chama a mergulharmos no presente, colocando-nos perante a exigência de um empenho concreto de obediência e de amor.

Esta missão é difícil. O evangelho fala continuamente das perseguições, dos elementos adversos e das dúvidas dos discípulos. Mas a Igreja não foi nem será deixada sozinha no seu longo e cansativo caminho histórico: “Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20). Jesus a acompanha, sustenta, encoraja, e purifica. Ele continua presente entre nós, onde dois ou mais se reúnem em seu nome(Mt 18,20), pela fé, pela palavra proclamada, pelos sacramentos etc. As últimas palavras solenes de Jesus em Mt 28,20 lembram as primeiras palavras ditas sobre ele no começo do Evangelho em Mt 1,23. O Deus- Conosco que abre o evangelho de Mt, também o fecha. A ressurreição para Mt é a evidência não somente de que Deus estava com Jesus, que venceu a morte, mas também de que a presença permanente de Deus em Jesus está com todos aqueles batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. E que observam tudo o que Jesus recomendou, como foi ensinado pelos discípulos. A partir dessa promessa, cada cristão não é mais solitário, mas solidário pois Deus está sempre com ele e ele está sempre com Deus. O cristão, ao mesmo tempo é chamado a ser solidário com os outros, a sair do isolamento, pois Deus chama cada cristão a viver numa solidariedade, numa comunidade.

6. Festa da Santíssima Trindade e sua importância na vida de um cristão

Celebramos hoje a festa da Santíssima Trindade. Por ordem do Senhor Jesus em Mt 28,19, cada um de nós foi batizado e consagrado a Deus “ em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Ainda nos braços da mãe, mal podendo balbuciar, talvez sem então entendermos o sentido do gesto ou o alcance das palavras, ensaiados e ensinados pela mãe, aprendemos a fazer o sinal da cruz e nossa primeira oração: “Em nome do pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém”.

 

Este “amém”, vocábulo hebraico, e explica nosso Catecismo (no.1026), ligado à mesma raiz da palavra “crer”, exprime a solidez, a confiabilidade e a fidelidade de nossa fé. Pode proclamar tanto a lealdade de Deus para conosco, como a nossa confiança nele. Com o “amém” ,que pronunciamos, anunciamos ter encontrado a Deus e depositamos nele nossa inteira e total confiança. Este piedoso sinal da cruz, pelo qual se benze o cristão invocando as Três Pessoas, prática já comprovada no segundo século, é um costume de sentido profundo e completo: significa consagração, profissão de fé e oração.

Em cada oração que fazemos todos os dias sempre começamos e terminamos com o sinal da cruz e nele invocamos a presença da Santíssima Trindade. É uma louvação às três divinas Pessoas, porque elas se revelaram na história e nos convida a participar de sua comunhão divina. A resposta humana à revelação da Santíssima Trindade é o agradecimento e a glorificação. Depois, decoramos a doxologia (a louvação): “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”.

E não demorou, aprendemos, sempre crianças, muitas vezes antes da primeira comunhão, a professar com ortodoxa precisão, mesmo sem então entender o que haveríamos de compreender, pouco a pouco, mais e melhor, ensinados através de nossa catequista, com solenes palavras: “Creio em um só Deus, Pai Todo Poderoso, criador do céu e da terra…Creio em um só Senhor, Jesus Cristo…Deus verdadeiro de Deus verdadeiro…Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”.  Este nosso Credo é ,em sua estrutura íntima, uma confissão da Trindade.

Na verdade, a atenção e a devoção às Três divinas Pessoas continuam centrais em nossa vida e tirá-las de nossa fé causaria não só um irreparável vácuo, mas acabaria com o próprio fundamento de nossa existência cristã. Por isso crer na Santíssima Trindade e amá-la com todo nosso ser tem conseqüências imensas para toda a vida (cf. o Novo Catecismo nos n. 223-227):

·        “Significa reconhecer a grandeza e a majestade de Deus. Deus é tão grande que supera nossa ciência (Jó 36,26).

·        Significa viver em ação de graças: Se Deus é o Único, tudo que somos e tudo o que possuímos vem dele: “Que é que possuis que não tenhas recebido?” (1Cor 4,7).

·        Significa reconhecer a unidade e a verdadeira dignidade de todos os homens: Todos foram feitos “ à imagem e à semelhança de Deus” (Gên 1,27).

·        Significa usar corretamente das coisas criadas: A fé no Deus Único nos leva a usar de tudo o que não é ele na medida em que isto nos aproxima dele, e a desapegar-nos das coisas na medida em que nos desviam dele, como rezava São Nicolau de Flüe: “MeuSenhor e meu Deus, tirai-me tudo o que me afasta de vós. Meu Senhor e meu Deus, dai-me tudo o que me aproxima de vós. Meu Senhor e meu Deus, desprendei-me de mim mesmo para doar-me por inteiro a vós”.

·        Crer na Santíssima Trindade também significa confiar em Deus em qualquer circunstância, mesmo na adversidade. Uma oração de Santa Teresa de Jesus exprime-o de maneira admirável: “Nada te perturbe, nada te espante. Tudo passa, Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem a Deus tem nada lhe falta. Só Deus basta”.

Crer no Deus bíblico, a partir de Jesus, é necessariamente crer na Santíssima Trindade. O Deus de Jesus, o Deus cristão, é o Pai e o Filho e o Espírito Santo, a Santíssima Trindade. Pai, Filho e Espírito Santo sempre estão juntos: criam juntos, salvam juntos e juntos nos introduzem em sua comunhão de vida e de amor.

Na piedade de muitos fiéis há uma desintegração da vivência do Deus trino. Alguns só ficam com o Pai, outros só com o Filho e outros só com o Espírito Santo.

 

A religião só do Pai é o patriarcalismo. Todos dependem dele, sem qualquer criatividade. A religião só do Filho é o vanguardismo. Jesus é considerado o “companheiro”, “o mestre” e “nosso chefe”, irmão de todos. É um Jesus com apenas relações para os lados, sem uma dimensão vertical, em direção ao Pai. Esta religião cria cristãos vanguardistas. A religião só do Espírito Santo que só se concentra na figura do Espírito Santo é espiritualismo. Eles só cultivam suas emoções interiores e pessoais. Eles esquecem que o Espírito Santo é sempre o Espírito do Filho, enviado pelo Pai para continuar a obra libertadora de Jesus. Não basta a relação interior (o ES) nem somente para os lados(Filho) nem só a vertical (Pai). Importa integrar os três. Que seria de nós, se não tivéssemos um Pai que nos aconchegasse? Que seria de nós, se esse Pai não nos desse seu Filho para fazer-nos também filhos de Deus? Que seria de nós, se não tivéssemos recebido o Espírito Santo, enviado pelo Pai a pedido do Filho, para morar em nossa interioridade e completar a nossa salvação? Vivamos a fé completa, numa experiência completa da imagem completa de Deus como Trindade de Pessoas.

Quando o cristão é batizado no nome da Santíssima Trindade, o modo de ser de Deus lhe é apresentado como modelo de vida. A perfeita comunhão entre as pessoas da Trindade deve tornar-se o ideal de comunhão dos cristãos e das famílias cristãs. Igualmente, a capacidade de agir de forma integrada, sem concorrências nem sobreposição de um sobre o outro. A comunhão se faz a partir do diferente, na acolhida e no respeito pelo outro. Este é o caminho que a comunidade cristã ou família cristã terá de tomar, se quiser deixar-se modelar pela Santíssima Trindade. Assim seja.

 

P. Vitus Gustama,svd

Não há "matrimônio express" – Catequese Papa Francisco (27/05/15)

Seguindo no ciclo de catequeses sobre família, o noivado foi o tema da catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira, 27. Segundo Francisco, trata-se de um tempo de conhecimento recíproco e de partilha para traçar, juntos, um caminho, já que não existe um “matrimônio express”.
Em italiano, noivado se diz “fidanzamento”, o que está relacionado com a palavra “fiducia”, que significa “confiança”. Logo, o Papa explicou que se trata de uma confiança com a vocação dada por Deus, porque o matrimônio é, antes de tudo, a descoberta de um chamado divino.
“Certamente, é belo que hoje os jovens possam escolher se casar na base de um amor recíproco. Mas justamente a liberdade da relação requer uma consciente harmonia da decisão, não somente uma simples compreensão da atração ou do sentimento, de um momento, de um tempo breve… Requer um caminho”.


O noivado é, então, um tempo de conhecimento recíproco, deve amadurecer assim como uma fruta, já que a aliança de amor entre homem e mulher para toda a vida não se faz de um dia para o outro. “Não existe o ‘matrimônio express’: é preciso trabalhar, caminhar. A aliança aprende-se e se aperfeiçoa”.
O noivado amadurece até que se torne matrimônio, explicou o Papa, lembrando, inclusive, a importância do curso de preparação que é oferecido antes do casamento e que muitos casais acreditam ser inútil. Depois, acabam reconhecendo e ficando agradecidos, pois encontram ali a ocasião para refletir sobre essa experiência.
A importância da Bíblia não passou despercebida. Francisco lembrou que nela o casal pode redescobrir momentos fundamentais para um católico, como a oração e os sacramentos, para preparar o matrimônio de maneira cristã, e não mundana.
Francisco pediu aos jovens que não pulem nenhuma dessas etapas de amadurecimento. “O período do noivado pode se tornar realmente um tempo de iniciação à surpresa dos dons espirituais com os quais o Senhor, através da Igreja, enriquece o horizonte da nova família que se dispõe a viver na sua bênção.”
Na conclusão da catequese, o Papa pediu que se rezasse uma Ave-Maria por todos os noivos, a fim de que possam entender a beleza desse caminho rumo ao matrimônio.
Fonte: http://papa.cancaonova.com/nao-ha-matrimonio-express-diz-papa-ao-falar-sobre-noivado/