Mês: abril 2015

Existe o véu de Verônica?

O Papa Bento XVI foi o primeiro Papa a visitar o Santuário do Santo Rosto de Manoppello, onde, segundo a tradição, encontra-se o véu com o qual a Verônica teria enxugado o rosto de Cristo. (Zenit.org, 31 ago 06) É algo novo e diferente; o que terá motivado o Papa a ver o ícone de […]

Julgamentos famosos da Inquisição

Joana darc frame

Em meio a uma infinidade de números e estatísticas, personagens emblemáticas também foram investigadas pela Inquisição. Foram os casos de Galileu Galilei, Giordano Bruno e de uma santa canonizada pela Igreja: Santa Joana d’Arc. Como foi o julgamento dessas pessoas? De que modo as suas imagens foram parar nas páginas de história?

Voltei para os braços da Igreja

Voltei para casa

Do ateísmo ao protestantismo e do protestantismo à fé católica. Conheça o testemunho do jovem Paulo que, com um coração inquieto, procurou a verdade e voltou para os braços da Igreja. “Deus está comigo. E descobri que, nesse tempo inteiro de lutas, idas e vindas, Maria também estava.”

Olá, Equipe Christo Nihil Praeponere.

Apesar das muitas ocupações do Padre Paulo Ricardo, estou escrevendo esse testemunho na esperança de que chegue até ele, como mais um exemplo de conversão ao catolicismo. Minha história tem muitas reviravoltas e é uma prova da misericórdia de Deus e do amor de Maria.

Não cresci num lar religioso. Embora meus pais fossem católicos (não praticantes, infelizmente), nunca fui incentivado a conhecer mais sobre Deus e a Igreja. Ao longo da vida aprendi valores morais cristãos, mas não os identificava assim. Eram apenas “o certo e o errado”. Aos 10 anos fiz a primeira Comunhão. Não me interessava. As formações eram “chatas, sem ânimo”. Aquele falatório de “coisas que eu não tinha interesse em saber”. Infelizmente, passei por essa fase sem compreender a importância do que vivia. Apesar do pouco ensino e incentivo religioso, os primeiros meses após a primeira comunhão foram de grande religiosidade. Em minha mesa de estudo havia sempre uma Bíblia infantil aberta no meio, em uma imagem linda, de uma paisagem com plantações e árvores, além de um lindo céu azul. No meio, um terço, que eu não sabia rezar, mas achava bonito.

Ainda assim, não era católico de fato. “Obrigação de ir à missa? Coisa de velho! O que importa é amar a Jesus”… Aos 13 anos, início da puberdade, um milhão de ideias entrava em minha mente. Estava no nono ano (antiga oitava série), e embora boa parte dos meus amigos não se interessasse por religião, filosofia etc, eu tinha uma aproximação pelas ciências humanas. Cresci lendo e ouvindo. Aos 13, comecei a ouvir demais. As influências de Antonio Gramsci faziam pressão em minha mente e eu, inocente, achava que estava adquirindo cultura. Lia sobre a Bíblia apoiar a escravidão, sobre Deus permitir tragédias, guerras, morte, desastres e fome, sobre a perseguição aos homossexuais, negros e mulheres na Idade Média e sobre as guerras travadas por motivos religiosos. “Mas, Deus não é amor? Como pode deixar que isso ocorra?”. Relativismo puro, como veneno. Embora detestasse o socialismo/comunismo, detestava ainda mais as religiões. Igreja era coisa de alienado, escravo de padre e pastor. Deus ainda fazia sentido, religião não. Aos poucos, nem o Senhor estaria a salvo da metralhadora do meu neo-ateísmo.

Ateu aos 14. Compartilhava posts de páginas como se destruir a fé dos outros fosse o motivo de minha existência. Mal sabia eu, mas Deus estava me observando, sabendo que tudo ia mudar. Comecei a andar com más companhias. Desafiava meus pais. Num momento delicado, um convite me foi feito. Um grande amigo me convidou para um retiro de carnaval, de sua igreja. Era o ano de 2013, e pouca escolha eu tive. Fui meio desanimado, meio curioso. Evangélicos eram como alienígenas para mim. Não os conhecia e nem tinha curiosidade em conhecer. Quando cheguei na granja, um ambiente diferente do que eu imaginava. Nenhuma mulher com cabelo até os joelhos. Meninas de shorts e blusa. Rapazes de bermuda e camisa. Conversando, rindo, ouvindo música. Parecia que não eram religiosos. Divertiam-se. Estranho…

Passaram os dias e fui sentindo. Não era calor nem frio. Não era medo nem coragem. Não se pode descrever. Foi único e senti. Fiz amigos, descobri que Deus existe e que é misericordioso. A igreja evangélica me mostrou Seu amor e perdão. Mudei, enfim. Converti-me. Havia um clima de esperança no ar. E comecei minha jornada rumo à Igreja Católica.

O interesse por teologia crescia imensamente. John Stott, Calvino, Lutero, Armínio, Paul Washer, John Piper, Dietrich Bonhoeffer. Era um mundo a ser descoberto. Com meu interesse e gosto pela leitura, fui em frente. Além da Bíblia, “Ouça o Espírito, Ouça o Mundo” era meu livro preferido. Eu era pentecostal clássico e os livros aos poucos me levaram para outro caminho. Através de amigos, leitura, debates em redes sociais e conversas, me aproximei do protestantismo reformado. Tornei-me calvinista, mas ainda pentecostal. Desejava muito passar a congregar em uma Igreja Presbiteriana, porém já havia arrastado minha mãe para o ambiente pentecostal e ela já se sentia em casa lá. As leituras, felizmente mudaram. De Stott para Lutero. De Lutero para Calvino. E então, de Calvino para Santo Agostinho e São Tomás de Aquino.

Embora adorasse os dois pensadores, era anticatólico. Aprendi a ser contra o uso de imagens. Era contra a Bíblia. Purgatório? Uma heresia! Celibato? Alienação da Igreja! Maria? Uma mulher normal. Especial, mas normal. Meu pai, após a minha conversão, e posteriormente de minha mãe, passou a se interessar novamente pelo catolicismo. Virou mariano, como nunca havia sido. Brigas e debates em casa eram constantes. Eu queria que ele entendesse que só Jesus salva e que a Igreja fundada por Cristo era o cristianismo, não a Católica. Curtia páginas anticatólicas e tinha várias imagens deles em meu celular. O ódio, porém, teve o efeito contrário. Passei a me interessar por estudar o catolicismo. Queria entender que loucura era essa de se ajoelhar perante estátuas, rezar por quem já morreu e repetir orações. A tradição era linda, mas falha. Voltei aos livros, e as escamas de meus olhos caíram. Dessa vez, já conhecia a Deus. Foi a hora de conhecer a Igreja.

Sabia que havia um padre muito bem conceituado, que destruía Gramsci, Marx e o PT. Mas era padre. “Que pena, nem todos são perfeitos.” Passei a ver seus vídeos sobre santos, Maria, intercessão, purgatório e suas críticas aos protestantes. Fui me incomodando. A verdade me incomodava. E quanto mais eu lia, ouvia e debatia, mais ficava incomodado. Decidi ir para a batalha. Pedi postagens, explicações e testemunhos em uma página cristã no Facebook. Criei amigos lá. Aos poucos, dúvidas iam sendo tiradas, e descobri que, de catolicismo, não sabia nada. Passei a querer ser católico. O amor de Nossa Senhora era tão lindo, mas me relutava a me entregar em seus braços. Orei, pedi iluminação. Estava decidido. No começo desse ano, fui a um retiro de carnaval. Aproveitei para conversar com amigos sobre. Felizmente, tive apoio e sorrisos como resposta a minha escolha. Antes do acampamento, porém, fui à Paróquia aqui do bairro, conversar com o Padre e me confessar. Conversamos, mas ainda não me confessei, afinal iria para o retiro evangélico. Era o grande desafio. Na volta, estava com mais certeza ainda. Relutei, devido a amizades que cultivei e que amo, mas Cristo me chamava. Era isso ou enlouquecer.

Fui me confessar e, enfim, me tornei Católico Apostólico Romano. Ou melhor, voltei para os braços da Igreja. Passei por muita coisa. Conheci pessoas, ouvi, falei, agi, critiquei e fui criticado. Errei e acertei. Desacreditei, me converti, estudei e voltei para a Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Hoje, rezo o terço todo dia, leio a Bíblia (que descobri ser diferente do livro que carregava todos os domingos debaixo do braço para ir ao culto) e o Catecismo. Amo a Igreja e a Maria. Comecei a participar da Pastoral de Acólitos da Paróquia. A jornada? Dura, árdua. Ninguém disse que seria fácil. Mas, Deus está comigo. E descobri que, nesse tempo inteiro de lutas, idas e vindas, Maria também estava. Me olhando, protegendo, abraçando. Enfim, amando.

Que Nosso Senhor Jesus Cristo abençoe ao senhor, Padre Paulo Ricardo. Tens sido luz no Brasil. Oro pela sua vida e pelo seu trabalho. Seu, e de toda sua equipe. Que Nossa Senhora e São José o guiem num caminho de santidade e obediência.

Natal/RN, 14 de abril de 2015

Fiquem com Deus,

Paulo.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Briga no Seminário sobre Reforma Política na PUC-GO

A PUC de Goiás, no dia 24/04/2015, recebeu o secretário da CNBB Daniel Seidel (PT), que foi encarregado de fazer propaganda do projeto de reforma política que faz parte do projeto de poder comunista do PT. Abaixo a transcrição do texto presente neste vídeo: Existe um grupo de Padres, Bispos e leigos que pretendem subverter […]

É PRECISO CAMINHAR 2015-04-29 20:37:00

Domingo 03/05/2015
 
PERMANECER EM CRISTO PARA PRODUZIR BONS FRUTOS

V DOMINGO DA PÁSCOA ANO “B”

Evangelho: Jo 15,1-8

Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: 1“Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. 2Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais frutos ainda. 3Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei. 4Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim. 5Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. 7Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. 8Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.

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O texto se encontra no complexo literário de Jo 13-17 que fala da despedida de Jesus de seus discípulos. A última mensagem de Jesus para os seus discípulos se precede com a cena da última ceia com o lava-pés que culmina com o anúncio da traição (Jo 13,1-20).  Em outros capítulos (Jo 14-17) relatam-se os diálogos da despedida de Jesus que termina com a oração de Jesus ao Pai. Na verdade não há mais que um discurso de despedida a não ser somente nos capítulos 13,31-14,31. A continuação lógica de Jo 14,31 é Jo 18,1. Jo 15-17 tem sido introduzido neste espaço pelo evangelista-redator para incluir no evangelho o material precioso que até agora não havia encaixado dentro do esquema do evangelista.

Na presença dos seus amigos íntimos, Jesus começa a transmitir sua mensagem final (Jo 13,31-17,26). Como qualquer grande líder que reúne seus seguidores na véspera de sua morte para dar-lhes instruções quando ele partir, também Jesus, antes de sua morte, faz a mesma coisa. Mas ele lhes garante que sua morte não é um fim, pois ele vai para seu Pai. Aqui, nestes capítulos, Jesus repetidamente promete que ele vai voltar para os discípulos através de sua ressurreição e do dom do Espírito Santo. Esta volta vai trazer-lhes paz e alegria, e que os discípulos vão entrar também na comunhão de sua vida através do Espírito, que é o dom de Jesus ressuscitado.

 

O contexto mais imediato do nosso texto é Jo 15,1-17. A primeira parte (vv.1-8) se concentra em matéria alegórica, a videira e os ramos, com a linguagem direta, que apresenta Jesus como o EU SOU. Nesta parte acentua-se a exigência de permanecer em Jesus para produzir frutos. A segunda parte (vv.9-17) fala do amor como objeto da revelação. Aprofunda-se nesta parte o mistério do amor de Deus em Jesus Cristo e a missão dos cristãos de frutificar na prática do amor fraterno (esta parte falaremos no próximo domingo). Nesta segunda parte, a imagem da videira não aparece mais a não ser apenas a expressão “produzir fruto”. Quando se fala de “produzir fruto” no seu sentido literal, fala-se inevitavelmente do tronco (árvore ou videira neste contexto).

Quando Jesus se autoproclama como a “verdadeira videira”, porque existe outra videira falsa. Quem é que representa essa videira falsa? (mais adiante falaremos). A verdadeira videira é a imagem que evoca vida, seiva, fruto abundante ou ramos cheios de frutos de qualidade. Para entender esta autoproclamação de Jesus, como a verdadeira videira, devemos ter na nossa mente alguns textos do AT que contém a contraposição à afirmação de Jesus.

Para qualquer judeu da Palestina, a videira é muito familiar, pois ela é um dos pilares econômicos do país. Ela é sinônimo de paz e felicidade. No livro dos Cânticos, a vinha pode designar a esposa (cf. Ct 1,14;2,15;6,11;7,9.13;8,12). Mas sobretudo, é símbolo da comunidade.  A vinha é uma imagem do povo de Israel em relação ao Deus da Aliança. Alguns textos vão comprovar esta afirmação.

Oséias, o mais antigo dos profetas, descreve Israel como uma vinha viçosa ou florescentes que produz muito fruto(Os 10,1), mas tem um coração infiel(Oséias compara o povo da aliança como uma esposa infiel e Deus como um marido fiel que vai atrás da esposa para salvá-la). Assim essa vinha que tem muitas folhas,  se torna uma vinha inútil, pois não se encontra nenhum fruto. O profeta Isaías faz um poema ou um cântico sobre Israel onde ele o descreve como uma vinha ingrata(Is 5,1-7). O cântico se transforma, assim, em uma queixa e um julgamento. O profeta Jeremias fala da degeneração da vinha de qualidade: torna-se em vinha bastarda(Jr. 2,21; cf. também Jr 5,10;12,10-11; Sl 80,9-12;Ez 17,5ss). A conduta de Israel se mostra decepcionante seja por seus próprios pecados, seja por causa de seus maus pastores.

O nosso texto deste domingo tem seu pano de fundo nos textos acima citados. Mas o evangelista Jo modifica alguns termos, como em vez de falar de “vinha”(plantação de uvas), fala-se da “videira”(pé de uva) para enfatizar a união profunda entre tronco e ramos e a conseqüência da desunião do tronco é a morte para o ramo. Por isso, a palavra chave para o texto de hoje é “permanecer” que tem como conseqüência  “produzir fruto”.

 

 

Que tipo de ramos somos nós? Será que sabemos produzir uvas de qualidade ou  apenas uvas ácidas, como aconteceu com o povo de Israel?

 

Eu sou a verdadeira videira e vós, os ramos”, diz Jesus. Esta imagem serve para sublinhar a comunicação e circulação de vida divina que existe entre Jesus e aqueles que nele crêem. Meditar estas palavras sobre a videira e os ramos significa encontrar a relação que nos liga, na sua dimensão mais profunda, a Ele. É uma relação mais profunda até do que aquela que existe entre pastor e o rebanho, sobre a qual meditamos no domingo anterior. No evangelho deste domingo descobrimos onde é que reside a força interior de nossa religião (2Tm 3,17). É em Jesus.

 
 
Alguns elementos deste texto sobre os quais precisamos meditar. Está aberta, porém, a possibilidade para outras pessoas verem de outro ângulo. O Evangelho é sempre um tesouro para ser descoberto por todos e de todos os lados.

 

1. Jesus é a verdadeira videira

   

O que Israel não foi capaz de dar a Deus, Jesus lho dá. Jesus é a videira fiel, porque correspondeu aos cuidados e à expectativa de Deus e produziu o vinho bom da fidelidade à aliança.  Por si mesmo, a imagem de “verdadeira videira” evoca vida, seiva, fruto. Jesus é a nova videira, a autêntica, capaz de produzir a vida para quem não a tem; o amor para quem se sente mal amado; a justiça para quem é injustiçado; o otimismo e a esperança para quem se sente frustrado e desesperado; o Caminho para quem se sente perdido; a  Luz para quem se sente desorientado e se encontra na escuridão nesta vida; o alimento para quem é faminto; a água viva para quem está com sede e a vida para quem está desanimado. Em Jesus, então, descobrimos a força sem fim para enfrentar qualquer tipo de situação nesta vida.  Jesus dá seu fruto, dando sua vida, derramando seu sangue, prova suprema de seu amor por nós. E o vinho, fruto da videira, será, no mistério eucarístico, o sinal sacramental deste sangue derramado para a remissão dos pecados e para selar a Nova Aliança e será o meio de comungar do amor de Jesus. Nele encontramos, realmente e somente nele, o sentido de nossa vida e de nossa luta de cada dia. Ele é realmente a videira verdadeira.

 2. Nós somos  os ramos da videira verdadeira

  

Jesus nos diz: “Eu sou a verdadeira videira e vós, os ramos”. O ramo é uma extensão e um prolongamento do tronco (da videira). Do tronco é que vem a seiva (linfa) para o ramo que o nutre, a umidade do solo e tudo aquilo que ele transforma depois em uva sob os raios do sol. Se não é alimentado pela videira, nada pode ele produzir.

  

Onde se situa essa relação, quando aplicada a nós, homens para que possamos produzir frutos ? Quais são condições para produzirmos mais frutos?

a) Para produzirmos frutos necessitamos permanecer no tronco que é Cristo.         

O verbo “permanecer” aparece 118 vezes no NT, principalmente nos escritos joaninos (no evangelho de Jo 40 vezes, 1Jo 24 vezes e 2Jo 3 vezes; em Lc 20 vezes: 13 deles em At; 1Cor 8 vezes; Hb 6 vezes; e em outros escritos neotestamentários o verbo aparece esporadicamente). Neste Evangelho o verbo “permanecer” aparece sete vezes para exprimir a união entre o tronco e os ramos, ou seja, entre Jesus e os fiéis.

A expressão “permanecer” tem em Jo uma conotação do definitivo, do perene no relacionamento com Jesus fundado na fé, um relacionamento de confiança e fidelidade recíproca que existe entre Jesus e seus seguidores. Com esta permanência, os seguidores terão condições de produzir frutos. O sentido é o da mútua união de Deus (ou Jesus, ou o Paráclito) nos seus e deles em Deus. Não se trata de uma mera “união moral” entre os fiéis e Jesus/Deus. Da parte de Deus (em Jesus) trata-se da presença salvífica; e, na medida em que abrimos espaço para a presença de Deus no meio de nós e em nós, também nós “permanecemos” no âmbito dele. E da parte dos fiéis (nós), esse permanecer significa concretamente o continuar na profissão de fé em Jesus e a comunhão do amor fraterno (Evangelho do domingo posterior). Somente em contato com Jesus temos vida e força interior, capacidade e constância para transformar a dura realidade e vencer o mal dentro e fora de nós.

Permanecer em Cristo significa também não abandonar os compromissos assumidos (no batismo, no matrimônio etc.), não se afastar da fonte que é Cristo, como o filho pródigo, entregando-se a uma vida de pecado consciente e intencionado.

Permanecer em Cristo significa também permanecer no seu amor (Jo 15,9): no amor que ele tem por nós, mais que no amor que nós temos por Ele; significa, pois, permitir-Lhe que nos ame, que nos faça passar a sua “seiva” que é o Seu Espírito, evitando pôr entre Ele e nós a insuperável barreira da auto-suficiência e da indiferença.

A intensidade deste “permanecer” recíproca é mostrada no versículo 4b. Aqui Jesus exorta a todos os seguidores: “Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim”(v.4b). Os opostos “produzir frutos” e “ser estéril” exprimem salvação ou perdição final. A separação de Jesus significa esterilidade absoluta. Um cristão que não permanece unido a Cristo, resseca, não dá fruto. Ele pode até ter uma vida brilhante, cheia de saúde, de idéias, exibir energia, negócios, filhos e ser, aos olhos de Deus, lenha seca, sem vida, um coração vazio. Quem pertence aparentemente ao grupo cristão, mas não mantém ligação com Jesus, é um membro morto. Só atrapalha mais do que ajuda. Tudo, quando se afasta do tronco que é Jesus Cristo, tende a morrer. Pessoas afastadas dos outros e de Deus murcha, seca e morre.

Se permanecermos em comunhão com Jesus e “suas palavras permanecerem em nós”, receberemos tudo o que em seu nome convém pedir. O Evangelho de João usa de modo surpreendente o termo “permanecer”(equivalente a “morar”) para expressar a presença das palavras de Jesus em nossa vida(15,4). Suas palavras são equivalentes à sua pessoa. Se quisermos saber se Cristo está em nós, cabe verificar se suas palavras desempenham um papel efetivo(e afetivo) em nossa vida. Segundo Jesus, se nos deixarmos levar por Sua Palavra e pela fé, estaremos limpos e incluídos na produção da videira. Neste caso o permanecer e o produzir frutos são duas coisas inseparáveis. Não existe produção de frutos sem a permanência em Jesus e não existe uma comunidade duradoura de Jesus que fique por todo o tempo sem produzir frutos. Precisamos ser como o ramo unido ao tronco. O ramo não encontra sentido longe de quem o alimenta e sustenta. A unidade é o caminho para superar as crises e as adversidades.

Tudo isto nos faz perguntar: “Que frutos eu tenho produzido? Se tudo está errado, preciso parar urgentemente porque talvez eu esteja desligado do tronco(Jesus), por isso não tenho recebido a seiva suficiente para ser bom seguidor, o que me tornar em ramo seco.

b) Para podermos produzir frutos precisamos ser podados.

  

A videira é uma planta que precisa de muitos cuidados. Todos os anos ela deve ser podada para que a seiva se concentre em poucos ramos, fortes e vivos. Qualquer agricultor bom não tem medo de podar uma videira, porque ele sabe que com isso, a videira vai produzir muito mais frutos. Ele não fica acariciando as folhas verdes da videira.  Uma videira, embora viçosa, se não for podada no tempo certo com muito desvelo, depois de alguns anos, não produz mais nada que preste. Além disso, os ramos secos são tirados.

  

Jesus diz: “Todo ramo que dá fruto, o Pai o limpa, para que dê mais fruto ainda”(v. 2). Ao falar em “dar fruto”, Jesus usa a expressão que nos recorda inevitavelmente o grão de trigo que se morrer, dará muito fruto(Jo 12,24). Mas não é a morte ou a poda o que se assemelha à videira, mas a vida e o fruto abundante que por elas se alcançam.

   

A poda é uma limpeza profunda. E limpo é aquele que encontra a sua identidade no seu vínculo com o Senhor e no serviço aos demais e aquele que fala de acordo com  seu agir e agir como fala. Por meio disso a Palavra nos limpa, nos transforma por dentro e nos torna diferentes: “Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei”(v. 3). Acreditar na Palavra é dar fruto. O Evangelho, que é a Palavra de Deus em Jesus Cristo, é então como uma poda. Ele golpeia a cobiça, tudo aquilo que nos dispersa em tantos projetos vãos e desejos terrenos; ao invés, fortifica as energias sadias e espirituais; concentra-nos sobre os valores verdadeiros, colocando em crise os valores falsos. Precisamos fazer várias podas na nossa vida se quisermos crescer como bons cristãos: poda das riquezas armazenadas, do boato e fofoca, da soberba, do poder temporal e influências mundanas, da ganância, da preguiça, do egoísmo, da mentira, da hipocrisia, assim por diante. Sem estas podas sobra-nos lenha seca e falta-nos seiva jovem e vida nova do Espírito.

3. Promessa para quem permanece em Jesus

 

Permanecer em Cristo não só serve para que possamos nos assemelhar à vida de Cristo mas muito mais do que isso. Ele promete: “Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado”(v. 7). Estas palavra nos leva ao cerne do que é rezar. Rezar significa estar em perfeita sintonia com Jesus e seu plano, fazendo-lhe a vontade. Se fizermos assim, nenhuma prece vai ficar sem resposta, receberemos tudo o que em seu nome convém pedir e nenhum esforço será inútil.

    

Vamos nos perguntar: Sou um ramo vivo ou seco? Se eu ficar atrapalhando a vida dos outros em vez de ajudá-los, talvez seja um sinal de que estou virando um ramo seco. Será que ainda não permaneço em Cristo, por isso as minhas orações, aparentemente não são atendidas? Qual parte da minha vida que preciso podar para que eu seja mais feliz e útil para mim mesmo e para os outros ?

P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2015-04-29 19:34:00

02/05/2015
VIVER COM E COMO CRISTO PARA ESTAR COM O PAI DO CÉU

Sábado da IV Semana da Páscoa

Evangelho: Jo 14,7-14

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 7“Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”. 8Disse Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” 9Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai”? 10Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. 11Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras. 12Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai, 13e o que pedirdes em meu nome, eu o realizarei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. 14Se pedirdes algo em meu nome, eu o realizarei.
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O texto do evangelho lido neste dia faz parte do discurso de despedida de Jesus de seus discípulos no evangelho de João (Jo 13-17).

Quando Jesus disse aos discípulos: “Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”, logo Filipe pediu: Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!”.

O pedido de Filipe para Jesus mostrar o Pai tem um tom de ousadia do ponto de vista judaico. Segundo a visão bíblica é impossível ver Deus e ao mesmo tempo o homem, que viu Deus, permanece vivo (Cf. Ex 33,20). Por isso é que, na Bíblia, todas as pessoas ficaram apavoradas diante de qualquer manifestação divina (teofania), pois há possibilidade de morrer.

Diante da pergunta de Filipe, Jesus responde que o Pai não é acessível ao olhar comum. O Pai é acessível através de uma contemplação (contemplar significa olhar, observar com atenção para descobrir seu significado). E a contemplação se apóia no sinal por excelência: o Filho, Jesus Cristo e suas obras, pois Jesus é a Palavra de Deus feita carne (cf. Jo 1,14; Mt 1,23). Jesus é tão unido ao Deus Pai a ponto de ser reflexo total de Deus diante dos homens. Jesus e o Pai são um só (cf. Jo 14,10; 17,21-22). Para contemplar o Pai é preciso descobrir o mistério do Filho: descobrir sua relação com o Pai, seu papel mediador e a significação de suas obras. Todas as obras de Jesus apontam para Deus. Jesus está tão unido ao Pai a ponto de dizer: “Eu estou no Pai e o Pai está em mim” (Jo 14,10). Tudo de Jesus fala do Pai ou leva o homem ao Pai. Entre Jesus e o Pai há uma total sintonia. O ultimo critério de identificação e sintonia são as obras. E a obra da redenção feita por Jesus nos faz compreendermos Deus como um Pai cheio de amor, de ternura e de misericórdia para nós (cf. Jo 3,16).

E esta contemplação do Pai na pessoa e na obra do Filho deve ser estendida nas obras de cada cristão: “Quem acredita em mim, fará as obras que eu faço” (Jo 14,12). A vida e as obras de cada cristão devem levar os outros a contemplarem Deus, devem ter uma função de levar as pessoas para Deus. As obras boas que o cristão faz falam por si de Deus para o mundo. Desse modo cada cristão se converterá em sinal da presença do Pai no mundo que aponta sempre para Deus. Além disso,neste sentido pedir “em nome de Jesus” (Jo 14,14) equivale, efetivamente, a solicitar a presença de Cristo no atuar do cristão para que ele possa ser verdadeiramente sinal da presença de Deus no mundo.

Somente para aquele que não sabe qual é o destino de sua vida não existe um caminho certo e seguro. Mas se ao final de nossa existência terrena queremos estar com Cristo gozando da gloria do Pai, não há outro caminho a não ser o próprio Cristo. Nele nos é manifestado nosso Deus como Pai amoroso e misericordioso, próximo de nós e disposto a nos salvar e nos e a nos levar a participarmos de Sua vida eterna. Não somente as palavras de Jesus que nos fazem entendermos quem é Deus para nós, mas também suas obras nos fazem experimentarmos o amor que Deus tem para nós. Ir atrás das pegadas de Cristo é caminhar com Sua Igreja, Sua esposa que é a pegada de Seu amor e de Sua entrega que Ele deixou para a humanidade para que possa ir ao encontro definitivo com o Pai com segurança.

Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras”, disse Jesus a Filipe.

Jesus era um homem de Nazaré de carne e de osso, que pisava o solo de Palestina, um homem que tinha amigos, relacionamentos humanos, que comia e bebia com seus amigos, que tinha cansaço, fome e sede. Mas era um homem equilibrado por excelência. Era um homem humilde (Mt 11,29). Era um homem sem ambição nem orgulho, pois toda vez que a multidão queria torná-lo rei, ele se afastava para estar em contato com o Pai no silencio e na oração prolongada (cf. Jo 6,15). Era um homem que se rebaixava diante de seus amigos para lavar-lhes seus pés (cf. Jo 13,1-20). Mas esse homem é, ao mesmo tempo, estava em comunhão plena com Deus, se identificava com Deus, que fazia tudo conforme a vontade de Deus: “Eu estou no Pai e o Pai está em mim”. Jesus era um homem cheio de Deus. As suas amizades com outras pessoas não atrapalhavam sua comunhão plena com Deus. Ao contrário, era tão profunda sua comunhão com Deus a ponto de ter sido tão profunda também sua amizade com o homem (cf. Jo 15,15). Por ter sido o homem de Deus, Jesus era um homem do povo e para o povo.

Ser cristão é ser outro Cristo no mundo. Se Cristo Jesus era um homem cheio de Deus, logo cada cristão deve ser uma pessoa cheia de Deus. Se Cristo Jesus foi o homem de Deus e por isso, era um homem do povo e para o povo, logo o cristão deve ser também um homem de Deus para que se torne um homem do povo e para o povo. Conseqüentemente, nenhum cristão pode ser uma pessoa egoísta e isolada. Cada cristão é de Cristo e o Cristo é do povo: “Vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” (1Cor 3,23).

Quem acredita em mim, fará as obras que eu faço e fará ainda maiores do que essas” (Jo 14,12). Não se trata das obras maiores do que as que Jesus fez. Mas trata-se da expansão de sua mensagem por todo o mundo. Jesus limitou sua atividade em Palestina com um pequeno numero de discípulos. Agora, através das obras boas praticadas pelos cristãos espalhados pelo mundo Cristo se faz presente no mundo. Nossas obras se tornarão maiores, se as fizermos no espírito de Cristo e não de acordo com o nosso gosto. Toda obra no espírito de Jesus tem como objetivo edificar os outros na sua dignidade. É ser vida para os demais como Cristo é vida dada a todos nós.  Ao fazer as obras pelo bem de todos, o cristão poderá aplicar para si a frase de Jesus de outra maneira: “Eu estou em Cristo e Cristo está mim”. Ser cristão significa ser outro Cristo. Se o mundo não percebe na minha maneira de viver e de proceder que sou cristão é porque eu não estou mais em Cristo nem Cristo está em mim. Desta maneira Santo Agostinho tinha razão ao dizer: “De que vale ter o nome de cristão se tua vida não é cristã? Há muitos que se denominam médicos e não sabem curar. Muitos se dizem vigilantes noturnos não fazem mais que dormir a noite inteira. Assim também muitos se chamam cristãos, mas não o são em seus atos. Em sua vida, moral, fé, esperança e caridade são muito diferentes do que declara seu nome” (In epist. Joan. 4,4).

Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!”, pediu Filipe a Jesus. Em outras palavras: Onde está Deus?No seu livro O Deus Em Quem Não Creio, Juan Arias dá algumas respostas. “Deus está na tua vida vazia. É tudo o que desejarias lá meter para a encher… Deus é o sol que desejarias ver brilhar quando as trevas irromperam nos teus olhos… Está naqueles olhos cheios de luz que, só ao olhá-los e amá-los, te tornaram mais criança, mais inocente, mais livre, mais poeta e mais concreto; mais terno e mais seguro; menos “tu” e mais “próximo”. Deus está nessa sede de limpeza que faz sentir a tua boca seca e pegajosa, depois de qualquer infecção do espírito ou da carne. Está à porta de cada desilusão; são essas mãos invisíveis em que não crês, mas que desejarias apertar, cheias de fidelidade, quentes de compreensão, eletrizadas por um afeto que resiste ao tempo…Deus está no palpitar intato de cada novo ser…Está no conjunto de sentimentos que vibram em todo o ser da mulher que acaba de ser mãe…Deus está ali; naquele cantinho mais secreto da tua vida, aonde ninguém chega, em que uma voz que não sabes donde vem, nem para onde vai, te diz o que não querias ouvir, te recorda o que desejarias ter esquecido, te profetiza o que nunca desejarias saber. Nessa voz que não ouves, mas que te desaprova. Nessa voz que não é tua, mas que nasce em ti e que nem o sono, nem o barulho, nem a bebida, nem a carne conseguem fazer calar…Está nesse abismo profundo da tua incredulidade…Está na paz do lago sereno das tuas lágrimas quando te reconcilias com a tua consciência e que te dá a sensação de renasceres…Deus está nessa força misteriosa que nos mantém vivos, que nos impede de enlouquecer, que nos evita o suicídio depois de certas provas dramáticas da vida, depois de certos desgostos mais cruéis e trágicos do que a morte…Deus está sobretudo onde reina o amor”.

Cristão, onde está teu Deus? Mostra-nos teu Deus é o pedido do mundo para cada cristão. Qual sua resposta?

 

P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2015-04-29 19:15:00

01/05/2015
FÉ PROFUNDA SERENA NOSSO CORAÇAO

Sexta-Feira da IV Semana da Páscoa

Evangelho: Jo 14,1-6

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1 “Não se perturbe o vosso coração. Tende fé em Deus, tende fé em mim também. 2Na casa de meu Pai, há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós, 3e quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós. 4E para onde eu vou, vós conheceis o caminho”. 5Tomé disse a Jesus: “Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” 6Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”.
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Os capítulos 13 a 17 do evangelho de João constituem um “Discurso de despedida” de Jesus. Como os patriarcas do AT e outros grandes personagens ao saber de sua morte iminente se despedem de sua família fazendo recomendações importantes para eles (cf. Gn 49,1-28; 50,24-25; Dt 33; 1Rs 2,-9 etc.), assim também Jesus faz a mesma coisa para seus discípulos. Nestes capítulos encontramos vários ensinamentos de Jesus para quem quiser segui-lo.

Na ultima Ceia os discípulos estavam tristes e desorientados ao saber da despedida do seu Mestre que iria morrer. Por isso, antes de passar deste mundo ao Pai Jesus diz no texto do evangelho deste dia: “Não se perturbe o vosso coração. Tende fé em Deus e tende fé em mim também”. Segundo a concepção do AT, a fé é um apoiar-se do homem no fundamento vital divino que lhe confere vida e existência; um entregar-se sem reservas, e confiado na promessa, bondade e lealdade de Deus. Justamente neste sentido não é possível crer em tudo. Ou o homem crê em Deus ou crê em nada que terminará no nada. Evidentemente não é possível crer em nada do mundo, e sim somente em Deus, pois só Deus, o Criador do universo, é capaz de responder aos anseios profundos do homem.

Qual é a maior mensagem de consolo ou de esperança que Jesus oferece aos discípulos e a todos nós através do evangelho de hoje? É o convite para viver a fé: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus e tende fé em mim também” (v.1). “Ter fé em Deus” e “ter fé em Jesus” não se trata de dois tipos de fé. Mas trata-se de uma só e única fé. No capítulo anterior Jesus já disse: “Quem crê em mim, não é em mim que crê, mas em quem me enviou…” (Jo 12,44). E na primeira carta de São João temos esta idéia expressa negativamente: “Todo aquele que nega o Filho também não possui o Pai. O que confessa o Filho também possui o Pai” (1Jo 2,23).

    

Em segundo lugar, a exortação que Jesus dirige aos discípulos para que tenham fé nele é algo mais que uma petição de um voto de confiança. A fé é a força que supera tudo. A fé é capaz de vencer o mundo: “Esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé” (1Jo 5,4). “Mundo” aqui significa tudo que se opõe ao plano ou à vontade de Deus. A verdadeira fé em Deus é capaz de vencer as influências nefastas do mundo, pois quem se mantém na profissão da verdadeira fé vive no mundo de Deus, e Deus está por cima do mundo. Por isso, mais tarde Jesus dirá aos discípulos: “No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: eu venci o mundo” (Jo 16,33). Para que possamos vencer o mundo como Jesus o venceu, temos que nos unir a Jesus, ou temos que ter fé nele. O mundo pode seduzir qualquer cristão, mas não tem poder de decidir sobre a vida do cristão. Quem pode decidir é o próprio cristão para aceitar ou recusar tal sedução. “Deus é fiel; não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças. Mas, com a tentação, Ele vos dará os meios de sair dela e a força para suportar” (1Cor 10,13b). Basta permanecer unido a Jesus Cristo.

    

Em terceiro lugar, ao dizer “não se perturbe o vosso coração, mas tendes fé em Deus e em mim também”, Jesus quer nos mostrar outra função ou outro efeito da fé é o coração sereno, coração cheio de paz. Quanto mais profunda for nossa fé em Deus, mais sereno se tornará nosso coração.

   

Hoje como em qualquer momento Jesus diz a cada um de nós: “Não perca sua calma. Acredite em Deus. Acredite em mim. Eu estou perto de você, dentro de você, em teu coração. Feche seus olhos, entre dentro de tua alma, tome minha mão, eu estou com você”. Jesus é o nosso bom companheiro que nos acompanha mesmo que estejamos rodeados pelas dificuldades. “Não se perturbe o vosso coração. Tende fé em Deus e tende fé em mim também”. Precisamos ouvir estas palavras permanentemente. Ao dizer isso Jesus quer nos dizer que nosso Deus não é indiferente nem frio, e sim um Deus sensível aos nossos anseios e aos nossos sofrimentos. Mas Jesus pede um ato de fé em sua pessoa, uma fé sem reserva. A paz profunda que supera toda perturbação vem da fé.

Não se perturbe o vosso coração. Tende fé em Deus e tende fé em mim também”. A verdadeira fé em Deus sempre resulta em ter um coração sereno e pacífico, porque a fé é participação na vida divina, adesão a Deus como único Senhor, o apoiar-se total e exclusivamente em Deus. A fé consiste em nos alicerçamos unicamente em Deus, no seu poder infinito e no seu infinito amor. O poder de Deus e seu amor não estão sujeitos a qualquer manipulação humana. Não há outro caminho para alcançar a paz e a serenidade do coração senão o caminho do pleno abandono à vontade de Deus, isto é, ao seu amor infinito. A palavra “abandono” significa a renúncia aos planos e idéias próprios. Santa Teresa do Menino Jesus dizia: “Tem que ser como uma criança e não se preocupar com nada”(Conselhos e Lembranças). Nesta curta frase está contido todo um programa. Abandonar-se significa não se preocupar com nada, porque Deus nos ama e de tudo se ocupa. Somente quando isso acontecer, o nosso coração poderá começar a se impregnado da verdadeira paz. Não podemos nos desfazer dos perigos que geram o medo, mas é muito importante eliminar esse medo através de um ato consciente de abandono ao Senhor.

     

Quando São Paulo suplicou a Jesus que afastasse da sua vida uma grande dificuldade, algo que contrariava os seus planos, o Senhor respondeu-lhe: “Basta-te a Minha graça porque é na fraqueza que a Minha força se revela totalmente”(cf. 2Cor 12,9). E Santa Teresa escreveu: “A confiança e a fé se aperfeiçoam na angústia”. E Para a Santa Margarida Maria Alacoque, a grande apóstola do coração de Jesus, o Senhor disse com grande ardor: “Deixa-Me agir”. Uma abertura de nosso coração permite ao Senhor viver em nós em toda a Sua plenitude. Quando assim for, poderá Ele fazer de nós a Sua obra-prima. O abandono a Deus é a suprema forma de confiança e de apoio no Senhor.

     

A ausência desta fé suscita a angústia e o pavor. Quando confiarmos apenas nas nossas forças, quando contarmos apenas com as nossas capacidades, com aquilo que possuímos ou somente com as relações que mantemos com as pessoas com as quais estamos ligados, mais cedo ou mais tarde ficaremos desiludidos. A confiança total em Deus nascida da nossa fé na Sua Palavra é a única resposta adequada ao Seu insondável amor por nós.

Para onde eu vou, vós conheceis o caminho”. O caminho para o Pai é a prática do amor fraterno. Jesus é o Filho, mas os que o seguem serão também filhos, irmãos de Jesus. Para isso, os que seguem a Jesus precisam praticar o amor fraterno para fazer parte da família de Deus.

P. Vitus Gustama,svd

Catequese do Papa Francisco – O matrimônio

brasão do Papa FranciscoCATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 29 de abril de 2015
Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
A nossa reflexão sobre o desígnio originário de Deus sobre o casal homem-mulher, depois de ter considerado as narrações de Gênesis, dirige-se agora diretamente a Jesus.
O evangelista João, no início do seu Evangelho, narra o episódio das bodas de Caná, na qual estavam presentes a Virgem Maria e Jesus, com os seus primeiros discípulos (cfr Jo 2, 1-11). Jesus não somente participou daquele matrimônio, mas “salvou a festa” com o milagre do vinho! Então, o primeiro dos seus sinais prodigiosos, com que Ele revela a sua glória, realizou-o no contexto de um matrimônio, e foi um gesto de grande simpatia por aquela nascente família, solicitado pelo cuidado maternal de Maria. Isto nos faz recordar o livro do Gênesis, quando Deus termina a obra da criação e faz a sua obra-prima; a obra-prima é o homem e a mulher. E aqui Jesus começa justamente os seus milagres com esta obra-prima, em um matrimônio, em uma festa de bodas: um homem e uma mulher. Assim Jesus nos ensina que a obra-prima da sociedade é a família: o homem e a mulher que se amam! Esta é a obra-prima!
Dos tempos das bodas de Caná, tantas coisas mudaram, mas aquele “sinal” de Cristo contém uma mensagem sempre válida.
Hoje não parece fácil falar do matrimônio como de uma festa que se renova no tempo, nas diversas épocas de toda a vida dos cônjuges. É um fato que as pessoas que se casam são sempre menos; este é um fato: os jovens não querem se casar. Em muitos países, em vez disso, aumenta o número de separações, enquanto diminui o número de filhos. A dificuldade em permanecer junto – seja como casal, seja como família – leva a romper os laços com sempre maior frequência e rapidez, e justamente os filhos são os primeiros a suportar as consequências. Pensemos que as primeiras vítimas, as vítimas mais importantes que sofrem mais em uma separação são os filhos. Se você experimenta, desde pequeno, que o casamento é um laço ‘por tempo determinado’, inconscientemente para você será assim. Na verdade, muitos jovens são levados a renunciar ao projeto para si mesmo de um laço irrevogável e de uma família duradoura. Creio que devemos refletir com grande seriedade sobre o porquê tantos jovens “não se sentem” para casar. Esta é uma cultura do provisório… tudo é provisório, parece que não há algo de definitivo.
Esta dos jovens que não querem se casar é uma das preocupações que emergem aos dias de hoje: porque os jovens não se casam? ; por que muitas vezes preferem uma convivência e tantas vezes a responsabilidade limitada? ; por que muitos – mesmo entre os batizados – têm pouca confiança no matrimônio e na família? É importante procurar entender, se queremos que os jovens possam encontrar o caminho justo a percorrer. Por que não têm confiança na família?
As dificuldades não são só de caráter econômico, embora estas sejam realmente sérias. Muitos acreditam que a mudança ocorrida nestas últimas décadas foram colocadas em movimento pela emancipação da mulher. Mas nem mesmo esse argumento é válido, é uma falsidade, não é verdade! É uma forma de machismo, que sempre quer dominar a mulher. Fazemos a bruta figura que fez Adão quando Deus lhe disse: “Mas por que você comeu o fruto da árvore?” e ele: “A mulher me deu”. E a culpa é da mulher. Pobre mulher! Devemos defender as mulheres! Na realidade, quase todos os homens e as mulheres gostariam de uma segurança afetiva estável, um matrimônio sólido e uma família feliz. A família está no topo de todos os indícios de satisfação entre os jovens; mas, por medo de errar, muitos não querem nem mesmo pensar nisso; mesmo sendo cristãos, não pensam no matrimônio sacramental, sinal único e irrepetível da aliança, que se torna testemunho da fé. Talvez justamente esse medo de errar seja o maior obstáculo para acolher a Palavra de Cristo, que promete a Sua graça à união conjugal e à família
O testemunho mais persuasivo da benção do matrimônio cristão é a vida boa dos esposos cristãos e da família. Não há modo melhor para dizer a beleza do sacramento! O matrimônio consagrado por Deus protege aquele laço entre o homem e a mulher que Deus abençoou desde a criação do mundo; e é fonte de paz e de bem para toda a vida conjugal e familiar. Por exemplo, nos primeiros tempos do Cristianismo, esta grande dignidade do laço entre o homem e a mulher derrotou um abuso considerado então de tudo normal, ou seja, o direito dos maridos de repudiar as esposas, mesmo com os motivos de maior pretexto e humilhantes. O Evangelho da família, o Evangelho que anuncia justamente este Sacramento derrotou esta cultura de repúdio habitual.
A semente cristã da radical igualdade entre os cônjuges deve hoje dar novos frutos. O testemunho da dignidade social do matrimônio se tornará persuasivo justamente por este caminho, o caminho do testemunho que atrai, o caminho da reciprocidade entre eles, da complementaridade entre eles.
Por isso, como cristãos, devemos nos tornar mais exigentes a esse respeito. Por exemplo: apoiar com decisão o direito à igual retribuição por igual trabalho; por que se supõe que as mulheres devem ganhar menos que os homens? Não! Têm os mesmos direitos. A disparidade é um escândalo puro! Ao mesmo tempo, reconhecer como riqueza sempre válida a maternidade das mulheres e a paternidade dos homens, em benefício sobretudo das crianças. Igualmente, a virtude da hospitalidade das famílias cristãs reveste hoje uma importância crucial, especialmente nas situações de pobreza, de degradação, de violência familiar.
Queridos irmãos e irmãs, não tenhamos medo de convidar Jesus para as festas de núpcias, de convidá-Lo para a nossa casa, para que esteja conosco e proteja a família. E não tenhamos medo de convidar também sua mãe Maria! Os cristãos, quando se casam “no Senhor” são transformados em um sinal eficaz do amor de Deus. Os cristãos não se casam apenas para si mesmos: casam-se no Senhor em favor de toda a comunidade e de toda a sociedade.
Desta bela vocação do matrimônio cristão, falarei também na próxima catequese.

Fonte:http://papa.cancaonova.com/catequese-do-papa-francisco-sobre-o-matrimonio-290415/

Inquisição Espanhola e Romana

Inquisicao espanhola frame

Anos após o combate à heresia cátara, foi a vez da Idade Moderna ser julgada pelo Santo Ofício. Quais ameaças surgiram à fé da Igreja a partir do Renascimento? Por que a Inquisição Espanhola foi tida como a mais sangrenta de todas? É verdade que o Rei da Espanha se serviu dos tribunais eclesiásticos para condenar os seus inimigos?

Mecânica Quântica e misticismo

Pedi ao amigo Alexandre Zabot, Mestre e doutorando em Física pela Universidade Federal de Santa Catarina, que escrevesse um breve artigo sobre a Física Quântica, tendo em vista que algumas pessoas a têm usado para tentar justificar doutrinas espirituais, o que não tem cabimento. Segue o artigo do Alexandre, pelo que lhe agradeço muito. “A […]