Mês: janeiro 2015

IV Domingo Comum: Escutar o Verbo para viver!

Dt 18,15-20

Sl 94

1Cor 7,32-35

Mc 1,21-28

“Todos ficavam admirados com o Seu ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade, não como os escribas”.

Caríssimos, hoje a Palavra a nós proclamada mostra o Senhor ensinando. O Evangelho nos dá conta que Seu ensinamento causava admiração. E por quê? Porque Jesus não é um simples mestre, um mero rabi… Vocês escutaram na primeira leitura o que Moisés prometera – ou melhor, o que Deus mesmo prometera pela boca de Moisés: “O Senhor teu Deus fará surgir para ti, da tua nação e do meio de teus irmãos, um profeta como eu: a ele deverás escutar!”

Eis! Moisés, o grande líder e libertador de Israel, aquele através do qual Deus falava ao Seu povo e lhe dera a Lei, anuncia que Deus suscitará um profeta como ele. E os judeus esperavam esse profeta. Chegaram mesmo a perguntar a João Batista: “És o Profeta?” (Jo 1,21), isto é, “És o Profeta prometido por Moisés?”

Pois bem, caríssimos: esse Profeta, esse que é o Novo Moisés, esse que é a própria Palavra de Deus chegou: é Jesus, nosso Senhor!

Como Moisés, Ele foi perseguido ainda pequeno por um rei que queria matar as criancinhas;

como Moisés, Ele teve que fugir do tirano cruel,

como Moisés, sobre o Monte – não o Sinai, mas o das Bem-aventuranças – Ele deu a Lei da vida ao Seu povo;

como Moisés, num lugar deserto, deu ao povo de comer, não mais o maná que perece, mas aquele pão que dura para a Vida eterna.

Jesus é o verdadeiro Moisés; e mais que Moisés, “porque a Lei foi dada por meio de Moisés, mas a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo 1,17).

Jesus é a plenitude da Lei de Moisés, Jesus não é somente um profeta, mas é o próprio Deus, Senhor dos profetas, Senhor de Moisés! Moisés deu testemunho Dele no Tabor e cairia de joelhos a Seus pés se O encontrasse.

Jesus, caríssimos, é a própria Palavra do Pai feita carne, feita gente, habitando entre nós! Ele é o Verbo: pensamento e palavra do Deus Infinito!

Mas, essa Palavra não é somente voz, sopro saído da boca.

Essa Palavra, que é Jesus, é tão potente (lembrem-se que tudo foi criado através Dela!), que não somente fala, mas faz a salvação acontecer.

Por isso os milagres de Jesus, Suas obras portentosas: para mostrar que Ele é a Palavra eficaz e poderosa do nosso Deus.

Ao curar um homem atormentado na sinagoga de Cafarnaum, Jesus nosso Senhor mostra toda a Sua autoridade, Seu poder e também o sentido de Sua vinda entre nós: Ele veio trazer-nos o Reino de Deus, do Pai, expulsando o reino de Satanás, isto é, tudo aquilo que demoniza a nossa vida e nos escraviza!

– Obrigado, Senhor, Jesus, pela Tua vinda!

Obrigado pela Tua obra de libertação!

Muito obrigado porque, em Ti, tudo é Palavra potente: Tua voz, Tuas ações salvadoras, Teu modo de viver, Teus exemplos, Tuas atitudes!

Tu não somente tens palavras de Vida eterna; Tu mesmo és a Palavra de Vida!

Que seria de nossa vida sem essa Palavra que és Tu?

Que caminho seguiríamos sem Ti, que nos mostras a direção?

Tu és a Palavra que faz tudo ter sentido, mesmo nas trevas, mesmo na dor, mesmo quando tudo parece absurdo e vazio…

Contigo, Palavra bendita do Pai, a noite faz-se dia; Contigo o pranto encontra paz; Contigo podemos descobrir a verdadeira beleza da vida e do mundo!

Tu és a Palavra, Tu és a Verdade, Tu és a Palavra que não engana nunca! Obrigado!

Dá-nos a capacidade de escutar-Te sempre, de sempre seguir-Te e de em Ti repousar nosso coração cansado e sedento!

Meus caros, se Jesus é essa Palavra potente, Palavra de Vida, então viver Sua palavra é encontrar verdadeiramente a Vida e a liberdade.

Na leitura do Deuteronômio que escutamos, Deus dizia, falando do Profeta que haveria de vir: “Porei em sua boca as minhas palavras e ele lhes comunicará tudo o que Eu lhe mandar. Eu mesmo pedirei contas a quem não escutar as minhas palavras que ele pronunciar em Meu Nome”. Ora, caríssimos, se Jesus é a Palavra de Deus, então é Nele que encontramos a luz para os nossos passos e o rumo da nossa existência.

Num mundo como o nosso que, prega uma autonomia louca do homem em relação a Deus, uma autonomia fechada para Deus e até mesmo contra Deus, nós que cremos em Jesus, devemos cuidar de nos converter sempre a Ele, escutando Sua palavra.

Ele nos fala, caríssimos: fala-nos nas Escrituras, fala-nos na voz da Sua Igreja, fala-nos no íntimo do coração, fala-nos na vida e nos acontecimentos…

Certamente, ouvi-lo não é fácil, pois muitas vezes Sua palavra é convite a sairmos de nós mesmos, de nossos pensamentos egoístas, de nossas visões estreitas, de nossa sensibilidade quebrada e ferida pelo pecado. Sairmos de nós para irmos em direção ao Senhor, iluminados pela Sua santa palavra – eis o que Cristo nos propõe hoje!

É tão grande a bênção de encontrar o Cristo, de viver Nele e para Ele, que São Paulo chega mesmo a aconselhar o celibato, para estarmos mais disponíveis para o Senhor. Vocês escutaram a segunda leitura da Missa deste hoje.

O Apóstolo recomenda o ficar solteiro, não por egoísmo ou ódio ao matrimônio, mas para ter mais condições de ser solícitos para com as coisas do Senhor e melhor permanecer junto ao Senhor. É este o sentido do celibato dos religiosos e dos padres diocesanos: recordar ao mundo que Cristo é o Senhor absoluto da nossa vida e que por Ele vale a pena deixar tudo, para com Ele estar, para, como Maria, Seus pés, escutando-O e a Ele dando o melhor de nós. O celibato, que num mundo descrente e sedento de prazer sensual, é um escândalo, para os cristãos é um sinal do primado de Cristo e do Seu Reino.

Rezemos para que aqueles que prometeram livremente viver celibatariamente cumpram seus compromissos com amor ao Senhor e à Igreja.

Rezemos também para que os cristãos saibam ver no celibato não uma armadilha ou uma frustração, mas um belíssimo sinal profético, um verdadeiro grito de que Deus deve ser amado por tudo e em tudo, acima de todas as coisas.

Se os casados mostram a nós, celibatários, a beleza do amor conjugal e do mistério de amor esponsal entre Cristo e a Igreja, nós, solteiros pelo Reino dos Céus, mostramos aos casados e ao mundo que tudo passa e tudo é relativo diante da beleza, da grandeza e do absoluto Daquele que Deus nos enviou: o Seu Filho bendito, Sua Palavra eterna, Verdade que ilumina, liberta e dá vida. A Ele a glória para sempre. Amém.

Dois mil anos de Igreja

“Tu és Pedro; e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja… e as portas do inferno jamais prevalecerão contra ela.” (Mt 16,18). Pela História da Igreja podemos ver com clareza a sua transcendência e divindade. Nenhuma instituição humana sobreviveu a tantos golpes, perseguições, martírios e massacres durante 2000 mil anos; e nenhuma outra instituição humana […]

4º Domingo do Tempo Comum – Pode haver verdadeira fé sem caridade?

Jesus expulsa o demonio mini

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo Marcos
(Mc 1, 21-28)

Estamos ainda no início da narrativa de São Marcos, nos primeiros passos do ministério público de Nosso Senhor. Enquanto prega em Cafarnaum, “um homem possuído por um espírito mau” o interpela: “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus”. Cristo, porém, rejeita a confissão do demônio, intimando-o a calar-se (a palavra grega usada é “Φιμώθητι”, a mesma para se referir a uma mordaça). Mas, por que Ele faz isso? Por que não aceita a profissão do diabo?

Porque, explica Santo Agostinho, nos demônios existe a ciência, mas sem a caridade [1]. E, no dizer do Apóstolo, “a ciência infla, mas a caridade edifica” [2]. De fato, Deus não quer de Suas criaturas uma mera profissão de conhecimento. Não basta conhecê-Lo, se não houver caridade; não basta dizer que se crê n’Ele, se não há amor. Os demônios sabiam quem era Jesus, mas não O amavam. A sua ciência era orgulhosa, assim como a de muitos homens desta “era científica”: pensando conhecer as coisas, confundem-se em sua soberba e, sem amor, perdem a essência da Verdade.

Cristo também não quer para Si uma simples e superficial admiração, como a narrada pelo Evangelista: “todos ficaram muito espantados”; e “a fama de Jesus logo se espalhou por toda a parte”. Ele quer verdadeiro compromisso por parte das pessoas. Uma coisa é admirar-se, outra é crer e evangelizar; uma coisa é ser “discípulo missionário”, como pediu o Documento de Aparecida, outra é ser apenas um curioso fofoqueiro.

No que diz respeito à ciência destas coisas sobrenaturais, Santo Agostinho comenta que a situação dos homens é ainda pior que a dos demônios, os quais pelo menos alguma ciência têm acerca de Cristo. O que eles, por causa de sua soberba, não conseguem enxergar, bem como os seres humanos, é “Dei humilitas, quae in Christo apparuit, quantam virtutem habeat – quanto poder existe na humildade de Deus, que apareceu em Cristo” [3].

Na Primeira Leitura deste Domingo, tirada do livro do Deuteronômio, Deus revela a Moisés que suscitará para ele, do meio dele, dentre os seus irmãos, um profeta como ele. Ora, uma das características mais importantes deste patriarca era que ele se comunicava com Deus “face a face”. Neste sentido, a promessa divina encontra seu pleno cumprimento em Nosso Senhor. Comenta o Papa Bento XVI, em seu livro “Jesus de Nazaré”:

“Neste contexto devemos ler a conclusão do prólogo de S. João: ‘Ninguém jamais viu a Deus; o Filho unigênito que repousa no seio do Pai é que no-lo deu a conhecer’ (Jo 1, 18). Em Jesus cumpriu-se a promessa do novo Moisés. N’Ele se realiza agora plenamente o que em Moisés se encontrava apenas de um modo fraturado: Ele vive diante do rosto de Deus, não apenas como amigo, mas como Filho; Ele vive na mais íntima unidade com o Pai.
A partir deste ponto podemos então compreender realmente a figura de Jesus, tal como a encontramos no Novo Testamento, tudo o que nos é contado em palavras, ações, sofrimentos, na glória; tudo isto está ancorado aqui. Se omitirmos este autêntico centro, passamos ao lado da figura autêntica de Jesus; então ela se torna contraditória e, em última análise, incompreensível. A questão que cada leitor do Novo Testamento deve levantar – aonde é que Jesus foi buscar a sua doutrina, onde é que se pode esclarecer a sua aparição -, esta questão só a partir daqui é que pode ser realmente respondida. A reação dos seus ouvintes era clara: esta doutrina não tem a sua origem em nenhuma escola. Ela é totalmente diferente do que se pode aprender nas escolas. Ela não é uma explicação à maneira da interpretação tal como é dada nas escolas. Ela é diferente; é explicação ‘com autoridade’ (…).
A doutrina de Jesus não vem da aprendizagem humana, seja ela de que espécie for. Ela vem do contato imediato com o Pai, do diálogo ‘face a face’, da visão daquele que repousa no seio do Pai.” [4]

O espanto das pessoas com a “autoridade” (“ἐξουσίαν”, em grego) de Nosso Senhor nasce de Sua humildade e de Seu rebaixamento, atingindo o seu cume no Calvário, quando o centurião vê Jesus expirar e exclama: “Na verdade, este homem era Filho de Deus!” [5]. Não importa tanto, pois, entusiasmar-se com os sinais e prodígios operados por Cristo, mas enxergar o poder que tem “humilitas Dei – a humildade de Deus”.

Percebendo esta realidade, então, estamos prontos para fazer um ato de fé verdadeiramente amoroso – já que não se pode conhecer autenticamente uma pessoa sem amá-la – e nos tornarmos discípulos de Cristo. Afinal, é para isto que o Evangelho, o Magistério da Igreja e a Tradição dos Santos existem: para nos levar à fé católica, íntegra e reta, sem mutilações.

Uma vez com esta fé, é importante fazê-la crescer. Não há melhor instrumento para isso do que a oração. Que, neste ano, tomemos o propósito de ser generosos com Deus e, à semelhança de Maria, irmã de Marta, nos coloquemos aos pés de Cristo, em adoração e escuta silenciosa. A soberba procura engrandecer o homem pelas vias erradas. Na verdade, nunca o ser humano é tão grande como quando se põe de joelhos diante de Deus.

Referências:

  1. De Civitate Dei, IX, 20: “Daemones enim dicuntur (quoniam vocabulum Graecum est) ab scientia nominati. Apostolus autem Spiritu Sancto locutus ait: Scientia inflat, caritas vero aedificat; quod recte aliter non intellegitur, nisi scientiam tunc prodesse, cum caritas inest; sine hac autem inflare, id est in superbiam inanissimae quasi ventositatis extollere.
  2. 1 Cor 8, 1
  3. De Civitate Dei, IX, 20: “Contra superbiam porro daemonum, qua pro meritis possidebatur genus humanum, Dei humilitas, quae in Christo apparuit, quantam virtutem habeat, animae hominum nesciunt immunditia elationis inflatae, daemonibus similes superbia, non scientia.
  4. Papa Bento XVI, Jesus de Nazaré: primeira parte: do batismo no Jordão à transfiguração, São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007, p. 25
  5. Mc 15, 39

Você sabe quantos abortos acontecem na China anualmente?

PEQUIM, 29 Jan. 15 / 01:59 pm (ACI/EWTN Noticias).- Em uma nota na qual também informam sobre a enorme quantia de dinheiro que utilizam para distribuir anticoncepcionais no país, o governo da China divulgou o número alarmante de abortos que se realizam nesta nação asiática: 13 milhões por ano. Conforme afirma o jornal oficial da […]

Ela insultou o Papa, mas disse que era só bom humor. Ele a insultou com bom humor e…

Apenas uma pitada de bom senso para perceber que insultar as pessoas não é uma piada. Não podemos começar a escrever este artigo sem antes pedir desculpas a todos, porque este vídeo contém palavrões. É difícil postar materiais assim, mas não podíamos perder a oportunidade que nos deu esse apresentador da televisão argentina para ilustrar […]

O valor da vocação

O valor da voca  o

Nos campos de concentração nazistas, onde o ser humano era reduzido a uma existência deplorável, Viktor Frankl descobriu algo importante: o homem, quando possui uma razão para sua vida, é capaz de suportar as piores dores e humilhações. Isso explica o porquê de tantas pessoas, mesmo sob difíceis condições, entregarem-se a uma vocação, cujos resultados nem sempre são o dinheiro ou o prazer, mas a chacota e a incompreensão da sociedade.

Quem se dedica a uma vocação — seja ao sacerdócio ou à vida religiosa, seja ao matrimônio ou ao celibato laical —, dedica-se a um chamado interior. Não se trata de uma escolha arbitrária, pautada em interesses econômicos ou sentimentais. É, antes, uma entrega total, uma resposta ao projeto de Deus para aquele indivíduo. Por isso, no exercício de sua vocação, ele não procurará tanto o sucesso pessoal — embora isso também possa existir —, mas a perfeita realização de seu chamado.

O mundo moderno, marcado por uma mentalidade particularmente materialista, já não crê na vocação e, por esse motivo, escandaliza-se quando um jovem recém-formado ou uma bela moça decidem abandonar tudo (família, emprego, namoro etc.) para viverem o sacerdócio ou a vida religiosa. Inúmeros seminaristas, ao revelarem sua vocação para outras pessoas, tiveram de ouvir estas perguntas: “Você é assexuado?”, “vai apenas estudar e depois sair, né?”, “não gosta de trabalhar?”. Na verdade, o que se esconde por detrás dessas questões é a indignação de quem não consegue buscar outra coisa, a não ser dinheiro e prazer. Não se concebe que alguém, sobretudo um jovem, possa renunciar ao sexo e ao bem-estar econômico por um projeto que, na concepção neopagã, já não tem espaço dentro da civilização. É justamente o que Bento XVI explicava aos sacerdotes, durante o Ano-Sacerdotal: “O celibato é um grande escândalo, porque mostra precisamente que Deus é considerado e vivido como realidade” [1].

O mesmo vale para o matrimônio quando vivenciado segundo o projeto originário de Deus, isto é, homem, mulher e filhos. Notem: quantos casais desejam, hoje, gerar muitos filhos, ter relações abertas à vida, lutar contra o fim da lei do divórcio e outras distorções perniciosas do casamento? Uma família numerosa gera tanto escândalo quanto um jovem celibatário, porque apesar de viverem suas vocações em diferentes estados, expressam uma única e verdadeira adesão vocacional. Ambos deram um “sim” definitivo, entregando-se de todo coração ao projeto de Deus. O casal, na fidelidade e vivência indissolúvel do matrimônio; o seminarista, no amor casto e, ao mesmo tempo, fecundo pela Igreja e Nosso Senhor Jesus Cristo. Por esta razão, ensina o Catecismo da Igreja Católica, matrimônio e ordem são dois sacramentos de missão [2]. Importa, em primeiro lugar, salvar as almas dos que estão ao nosso lado do que alcançar a própria satisfação.

E é nesta doação incondicional de si mesmo que se revela e se experimenta a graça vocacional. “Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, recobrá-la-á” (
Mt 16, 25). Dinheiro e prazer, os dois grandes bezerros de ouro de todas as épocas, são incapazes de trazer a felicidade plena. Ao contrário, aquele que se deixa levar por suas seduções, torna-se um escravo. Escravo das dívidas, das trapaças, da prostituição, escravo do pecado e da corrupção. É como naquele diálogo entre Jesus e a samaritana sobre a água do poço: “Todo aquele que beber desta água tornará a ter sede” (Jo 4, 13). A pessoa que vive sua vocação, porém, encontra a face de Cristo em todas as circunstâncias, mesmo que venha a padecer sofrimentos, “dores de cabeças”, perseguições e desprezo — “Mas o que beber da água que eu lhe der jamais terá sede”.

O Concílio Vaticano II, meditando sobre “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem” [3], foi firme ao afirmar que “todos na Igreja, quer pertençam à Hierarquia quer por ela sejam pastoreados, são chamados à santidade” [4]. Trata-se de um chamado universal. A santidade é, prestem atenção, o horizonte para o qual todos devemos caminhar. É a nossa verdadeira vocação. Neste sentido, é urgente uma redescoberta do valor vocacional, a fim de que todos experimentem dessa água que o próprio Cristo tem a oferecer-nos: “Mas a água que eu lhe der virá a ser nele fonte de água, que jorrará até a vida eterna” (
Jo 4, 14). Maria é o melhor modelo de confiança no projeto divino, dizendo o seu fiat.

Diante das provações do mundo, é preciso coragem para assumir o chamado de Deus. Meditemos sempre nesta exortação de um santo que muito pregou sobre vocação: “Por que não te entregas a Deus de uma vez…, de verdade…, agora!?” [5].

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências:

  1. Bento XVI, Vigília por ocasião do Encontro Internacional de Sacerdotes (10 de junho de 2010).
  2. Catecismo da Igreja Católica, n. 1534.
  3. Concílio Vaticano II, Constituição Pastoral Gaudium et spes (7 de dezembro de 1965), n. 1.
  4. Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática Lumen Gentium, n. 39.
  5. São Josemaria Escrivá, Caminho, n. 902.

Ausência paterna – Catequese do Papa sobre os pais

brasão do Papa Francisco
CATEQUESE
Sala Paulo VI – Vaticano
Quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Retomamos o caminho das catequeses sobre família. Hoje nos deixamos guiar pela palavra “pai”. Uma palavra mais que qualquer outra querida a nós cristãos, porque é o nome com o qual Jesus nos ensinou a chamar Deus: pai. Hoje o sentido deste nome recebeu uma nova profundidade justamente a partir do modo em que Jesus o usava para se dirigir a Deus e manifestar a sua especial relação com Ele. O mistério abençoado da intimidade de Deus, Pai, Filho e Espírito, revelado por Jesus, é o coração da nossa fé cristã.
“Pai” é uma palavra conhecida por todos, uma palavra universal. Essa indica uma relação fundamental cuja realidade é tão antiga quanto a história do homem. Hoje, todavia, chegou-se a afirmar que a nossa seria uma “sociedade sem pais”. Em outros termos, em particular na cultura ocidental, a figura do pai seria simbolicamente ausente, dissipada, removida. Em um primeiro momento, a coisa foi percebida como uma libertação: libertação do pai-patrão, do pai como representante da lei que se impõe de fora, do pai como censor da felicidade dos filhos e obstáculo da emancipação e da autonomia dos jovens. Às vezes, em algumas casas, reinava no passado o autoritarismo, em certos casos até mesmo a opressão: pais que tratavam os filhos como servos, não respeitando as exigências pessoais do crescimento deles; pais que não os ajudavam a empreender o seu caminho com liberdade – mas não é fácil educar um filho em liberdade – ; pais que não os ajudavam a assumir as próprias responsabilidades para construir o seu futuro e o da sociedade.
Isto, certamente, é uma atitude não boa; porém, como acontece muitas vezes, se passa de um extremo a outro. O problema dos nossos dias não parece mais ser tanto a presença invasiva dos pais quanto a sua ausência, a sua falta de ação. Os pais estão, por vezes, tão concentrados em si mesmos e no próprio trabalho e às vezes nas próprias realizações individuais a ponto de esquecer a família. E deixam sozinhos os pequenos e os jovens. Já como bispo de Buenos Aires senti o sentido de orfandade que vivem os jovens; muitas vezes eu perguntava aos pais se brincavam com os seus filhos, se tinham a coragem e o amor de perder tempo com os filhos. E a resposta era ruim, na maioria dos casos: “Mas, não posso, porque tenho tanto trabalho…” E o pai era ausente daquele filho que crescia, não brincava com ele, não, não perdia tempo com ele.
Ora, neste caminho comum de reflexão sobre família, gostaria de dizer a todas as comunidades cristãs que devemos ser mais atentos: a ausência da figura paterna na vida dos pequenos e dos jovens produz lacunas e feridas que podem ser também muito graves. E, de fato, os desvios de crianças e de adolescentes podem, em boa parte, ser atribuídos a esta falta, à carência de exemplos e de guias autoritárias em suas vidas de cada dia, à carência de proximidade, à carência de amor por parte dos pais. O sentido de orfandade que tantos jovens vivem é mais profundo que aquilo que pensamos.
São órfãos na família, porque os pais muitas vezes são ausentes, mesmo fisicamente, da casa, mas sobretudo porque, quando estão ali, não se comportam como pais, não dialogam com os seus filhos, não cumprem o seu papel educativo, não dão aos filhos, com o seu exemplo acompanhado de palavras, aqueles princípios, aqueles valores, aquelas regras de vida de que precisam como precisam do pão. A qualidade educativa da presença paterna é tanto mais necessária quanto mais o pai é obrigado pelo trabalho a estar distante de casa. Às vezes parece que os pais não sabem bem qual posto ocupar na família e como educar os filhos. E, então, na dúvida, se abstém, se retiram e negligenciam suas responsabilidades, talvez refugiando-se em uma improvável relação “em pé de igualdade” com os filhos. É verdade que você deve ser “companheiro” do teu filho, mas sem esquecer que você é o pai! Se você se comporta somente como um companheiro em pé de igualdade com o filho, isto não fará bem ao menino.
E vemos este problema também na comunidade civil. A comunidade civil, com as suas instituições, tem uma certa responsabilidade – podemos dizer paterna – com os jovens, uma responsabilidade que às vezes negligencia ou exerce mal. Também essa muitas vezes os deixa órfãos e não propõe a eles uma verdade de perspectiva. Os jovens permanecem, assim, órfãos de caminho seguros a percorrer, órfãos de mestres em quem confiar, órfãos de ideais que aquecem o coração, órfãos de valores e de esperanças que os apoiam cotidianamente. São preenchidos, talvez, por ídolos, mas se rouba o coração deles; são impelidos a sonhar com diversão e prazer, mas não se dá a eles o trabalho; são iludidos com o deus dinheiro, e se nega a eles as verdadeiras riquezas.
E então fará bem a todos, aos pais e aos filhos, escutar novamente a promessa que Jesus fez aos seus discípulos: “Não vos deixarei órfãos” (Jo 14, 18). É Ele, de fato, o Caminho a percorrer, o Mestre a escutar, a Esperança de que o mundo pode mudar, que o amor vence o ódio, que pode haver um futuro de fraternidade e de paz para todos. Alguém de vocês poderá me dizer: “Mas, padre, hoje o senhor foi muito negativo. Falou somente da ausência dos pais, o que acontece quando os pais não são próximos aos filhos…” É verdade, quis destacar isso, porque na quarta-feira que vem prosseguirei esta catequese colocando o foco na beleza da paternidade. Por isso escolhi começar pelo escuro para chegar à luz. Que o Senhor nos ajude a entender bem estas coisas. Obrigado.

Meditando o Pai-Nosso

“A oração dominical (Pai-Nosso) é a mais perfeita das orações. Nela não só pedimos tudo quanto podemos desejar corretamente, mas ainda segundo a ordem em quem convém deseja-lo. De modo que esta oração, não só nos ensina a pedir, mas ordena também todos os nossos afetos”. (Santo Tomás de Aquino) De pecadores que somos, mas […]

A Sabedoria do silenciar

“Quem é atento à palavra encontra a felicidade” (Eclo 16,20) Sócrates, o sábio filósofo grego, dizia que a eloquência é às vezes uma maneira de exaltar falsamente o que é pequeno e de diminuir o que é de fato grande. A palavra pode ser mal usada, mascarada e empregada para a dissimulação. É por isso […]

Cientista ateu garante que viu anjo no espaço e diz: “Eles estavam indo para a Terra”

O cientista Mark Kelly da estação espacial garante que viu anjos no espaço enquanto trabalhava ao lado de fora na manutenção de um satélite da NASA emprestado a um grupo Japonês. “ Nunca acreditei em Deus e anjos, até que olhei e ví oito passando a 50mt de mim no espaço. Eles olharam pra mim e […]