Mês: novembro 2014

Um profeta falou…

Palavras de quem vê na perspectiva do Eterno, com a serenidade de quem crê no Cristo, Senhor da História:

“Da crise atual surgirá uma Igreja que terá perdido muito. Tornar-se-á pequena e deverá recomeçar mais ou menos dos inícios.

Não será mais capaz de ocupar os edifícios que construiu nos tempos de prosperidade.
Com a diminuição dos seus fieis, perderá também grande parte dos privilégios sociais.
Recomeçará de pequenos grupos, de movimentos e de uma minoria que recolocará a fé no centro da experiência.
Será uma Igreja mais espiritual, que não se arrogará uma função política, flertando ora com a direita ora com a esquerda. Será pobre e tornar-se-á a Igreja dos indigentes. 

Então, as pessoas verão aquele pequeno rebanho de crentes como algo de totalmente novo: descobri-lo-ão como uma esperança para si mesmas, como a resposta que tinham sempre procurado em segredo…” (Joseph Ratzinger, em 1969)

Pensamentos sobre a antífona de Missa que abre o Advento

“A Vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em Vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meus inimigos, pois não será desiludido quem em Vós espera” (Sl 24,1-3). 

Ah, a Liturgia!
Que lições, que intuições, que sentimentos inexprimíveis de tão ricos, ela nos faz experimentar!

As palavras acima, do Salmo 24, são a antífona de entrada (o Intróito) da Missa do primeiro Domingo do Advento.

Pare e pense um pouco, antes de continuar a leitura… Tente descobrir sozinho: o que estas palavras têm a ver com o Advento e com o Natal? Por que a Igreja as colocou aí? Pense um pouco…
A Liturgia só pode ser saboreada se a gente aprender a pensar com o coração…

Observe bem: o Advento é tempo de preparar a celebração da Vinda do Senhor em Belém e de preparar-se para a Vinda Dele na Parusia, na Glória final. Por isso, mesmo a primeira palavra da antífona é fortíssima: “A vós, Senhor, elevo a minha alma!”
É o fiel, é a humanidade, que tira o olhar do próprio umbigo, da própria auto-suficiência, e, reconhecendo-se pobre, eleva a alma, a vida ao Senhor, esperando Dele a salvação! Já aqui, se coloca a atitude fundamental com a qual devemos viver o Advento: a espera vigilante, como a amada que espera o amado, como a terra que espera o sol, como o vigia que espera a aurora…

Depois a antífona nos joga em cheio no drama da vida: quantos inimigos exteriores e interiores temos, quantas contradições, quantos perigos de cair, de perder o rumo, de fracassar na existência! Somo tão pobres, tão quebrados, tão frágeis… Tão incerto é nosso caminho sobre esta terra de exílio… “Confio em Vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meus inimigos!”

Esta consciência da nossa miséria, esta percepção de que temos um coração de água, olhos de águia, mas umas asinhas curtas apenas como as de pardal é a condição essencial para nos descobrirmos pobres diante de Deus e, então, gritar: Senhor, vem salvar-nos! Senhor, precisamos de um Salvador! Vem! Sem Tua presença, a humanidade se perde, o homem se destrói, seremos sempre frustrados, seres fracassados no mais profundo de sua existência!
É isto que esta antífona comovente nos quer fazer compreender e experimentar.

Mas, observe como ela termina com a proclamação de uma certeza certa: “Não será desiludido quem em Vós espera”. Não será desiludido quem coloca sua esperança no Senhor, quem vigia esperando o Cristo que vem! Deus é fiel: mandou-nos o Seu Cristo e Ele estará para sempre em nosso meio!

Aquele que sabe reconhecer Sua presença e vive na Sua verdade, de esperança em esperança, não ficará envergonhado no Dia da Sua Manifestação gloriosa.

Lições assim, tão profundas, tão saborosas, tão verdadeiras, somente a Liturgia pode nos dar… Mas só para quem a respeita, deixa-se tomar por ela nos seus gestos, símbolos, palavras, expressões…
Quem dera que soubéssemos percebê-las e saboreá-las… Feliz Advento a todos!

I Domingo do Advento: Ah, se rasgasses os céus e descesses!

Is 63,16b-17.19b; 64,2b-7
Sl 79

1Cor 1,3-9

Mc 13,33-37

Iniciamos, hoje, com a graça do Cristo Jesus, Senhor do tempo e da eternidade, um novo ano litúrgico.

Contemporaneamente, começamos nosso caminho de Tempo do Advento, que nos ensina a preparar e desejar a Vinda do Senhor no Final dos Tempos e nos prepara para o santo Natal. O roxo, cor litúrgico destas quatro semanas, fala-nos de vigilância e de espera, espera que é esperança, pois Quem prometeu vir é fiel: não falhará. Na espera e na alegre vigilância, não cantaremos o “Glória” e enfeitaremos nossas igrejas com muita simplicidade: estamos de sobreaviso, estamos esperando: o Senhor Se aproxima!

As leituras deste primeiro Domingo são de uma intensidade enorme e nos jogam de cheio no clima próprio deste tempo: enquanto nos preparamos para o Natal, celebração da primeira vinda do Senhor, feito pobre na nossa humanidade, preparamo-nos também para a Sua Vinda gloriosa no final dos tempos. Três ideias nos chamam atenção na Palavra que ouvimos; três ideias que sintetizam maravilhosamente os sentimentos que devemos alimentar neste santo Advento.

Primeiro. Somos pobres; a humanidade toda, por mais soberba e autossuficiente que seja, é pobre, é pó! Violência, solidão, tantas feridas no coração, tanta falta de sentido para a existência, tanta descrença e superficialidade, tantas famílias destruídas, tantos corações vazios, tanta falta de paz… E o homem não se dá conta de que é pó, de que é insuficiente, de que sozinho não consegue se realizar, porque foi criado para uma Plenitude que somente um Outro, o Deus Santo, Bom, Imenso e Eterno, nos pode conceder.

Mas, nós cremos, caríssimos; nós devemos ser conscientes da nossa pobreza e da pobreza da humanidade. Calha bem para nós o intenso lamento do Profeta Isaías: “Senhor, Tu és o nosso pai, nosso redentor! Como nos deixaste andar longe de Teus caminhos? Todos nós nos tornamos imundície, e todas as nossas boas obras são como um pano sujo; murchamos como folhas e nossas maldades empurram-nos como o vento. Não há quem invoque o Teu Nome, quem se levante para encontrar-se Contigo. Assim mesmo, Senhor, Tu és nosso pai, nós somos barro; Tu, nosso oleiro, e nós todos, obra de Tuas mãos”.

Tão atual, caríssimos, essa palavra da Escritura! Exprimem bem esta humanidade perdida, sem graça, que busca plenitude onde não há plenitude: na tecnologia, na ciência, no consumo, na droga, na satisfação dos próprios instintos e vontades…

Nós, cristãos, sabemos que nada neste mundo nos pode saciar. Também sentimos sede, também sentimos tantas vezes a dor de viver, mas nós sabemos de onde vem a paz, onde se encontra a verdade da vida, de onde vem a esperança.

Por isso pedimos, pensando no que veio no Natal e virá no Fim dos tempos: “Ah! Se rasgásseis os céus e descesses! As montanhas se desmanchariam diante de Ti! Nunca se ouviu dizer nem chegou aos ouvidos de ninguém, jamais olhos viram que um Deus, exceto Tu, tenha feito tanto pelos que Nele esperam!” Eis nosso brado de Advento: Somos pobres, somos insuficientes, não nos bastamos, não temos as condições de ser felizes com nossas próprias forças: Vem, Senhor Jesus! “A Vós, Senhor, elevo a minha alma! Confio em Vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meus inimigos, pois não será desiludido quem em Vós espera” (Sl 24,1-3).

E aqui temos a segunda ideia desta Liturgia santa: diante de nossa pobreza, colocamos nossa esperança no Cristo Jesus; esperamos a Sua Vinda.

O cristão vive no mundo, mas sabe que caminha para a Pátria, para Casa, para Cristo! Na segunda leitura deste hoje, São Paulo nos recorda que não nos falta coisa alguma, não nos falta esperança, não nos falta o sentido da vida, não nos falta a consolação, porque aguardamos “a Revelação do Senhor nossos, Jesus Cristo. É Ele também que vos dará a perseverança em vosso procedimento irrepreensível, até ao fim, até ao Dia de nosso Senhor, Jesus Cristo”.

Caríssimos, a grande tentação para os cristãos de hoje é esquecer que estamos a caminho, que nossa pátria é o Céu. Num mundo da abundância de bens materiais, de comodismo, de consumismo, de busca das próprias vontades e dos prazeres, o perigo imenso é esquecer o Senhor que vem e que sacia o nosso coração.

Quantos de nós se distraem com o mundo, quantos que têm o nome de cristãos estão tão satisfeitos com os prazeres e curtições da vida!

Cristãos infiéis num mundo infiel; cristãos cansados num mundo cansado, cristãos superficiais e vazios num mundo superficial e vazio! E deveríamos ser luz, deveríamos ser sal, deveríamos ser profetas!

Finalmente, o terceiro ponto.

Conscientes da nossa insuficiência para sermos felizes sozinhos, com nossas próprias forças; conscientes de que somente no Cristo está nossa plenitude; certos de que Ele virá ao nosso encontro, devemos estar vigilantes, devemos viver vigilantes. Nesta casa chamada mundo, nós somos os porteiros, aqueles que esperam o Senhor chegar.

Escutai, irmãos, a advertência do nosso Senhor e Deus: “Cuidado! Ficai tentos, porque não sabeis quando chegará o momento. É como um homem que partiu e mandou o porteiro ficar vigiando. Vigiai, portanto, para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo. O que vos digo, digo a todos: Vigiai!”

Amados em Cristo, o Senhor nos manda vigiar!

Vigiemos pela oração,

vigiemos pela prática dos sacramentos,

vigiemos pelas boas obras,

vigiemos pela vida fraterna,

vigiemos pelo combate aos vícios,

vigiemos pelo cuidado para com os pobres.

Vigia à espera de Cristo quem rejeita as obras das trevas!

“O que vos digo, digo a todos: Vigiai!”

Mais uma vez, a misericórdia de Deus nos dá um tempo tão belo e santo quanto o Advento para pensarmos na vida, para levantar os olhos ao Céu e suspirar pela plenitude para a qual o Senhor nos criou.

Não vivamos desatentamente este tempo santo Irmãos, irmãs, o Senhor vem: preparemo-nos para Ele! Amém.

É PRECISO CAMINHAR 2014-11-30 16:36:00

 
A SIMPLICIDADE É O ESPAÇOONDE DEUS SE REVELA 

 

Terça-Feira da I Semana do Advento

02 de Dezembro de 2014

 

Evangelho: Lc 10,21-24(I Leitura: Is 11, 1-10)

21 Naquele momento Jesus exultou no EspíritoSanto e disse: “Eute louvo, Pai, Senhor do céue da terra, porqueescondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porqueassimfoi do teuagrado. 22 Tudome foi entreguepelomeuPai. Ninguémconhece quem é o Filho, a nãoser o Pai; e ninguémconhece quem é o Pai, a nãoser o Filho e aquelea quem o Filhoo quiser revelar”. 23 Jesus voltou-se para os discípulos e disse-lhes emparticular: “Felizesos olhosquevêem o quevósvedes! 24 Poiseuvosdigo quemuitosprofetas e reisquiseram ver o queestais vendo, e não puderam ver; quiseram ouvir o que estais ouvindo, e nãopuderam ouvir”.

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O textodo evangelho lido neste dia se encontrano contexto do envio dos setenta (e dois) discípulospara a missão e suavolta da mesma (Lc 10,1-24). Elesvoltaram da missão, conscientesde terem libertado os homens do mal, moral e físico (Lc 10,17) pelouso do nome de Jesus (poder messiânico). A chegadade Jesus abole o estado de escravidão e permite ao homemteracessopara a verdadeira liberdade. Jesus louva a Deusportodoesteêxito.

O textocomeça com a oração de louvor e de ação de graças de Jesus: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra…”. Jesus experimentou umgozoexultante, provindo do fundo de seu coração e que se transborda nas suas palavras ou na oração de ação de graças. A ação de graças, a oração de Jesus surge da contemplação do trabalho que o Pai está fazendo no coração dos homens através de seus apóstolos. Deus trabalha no coração de cada homem, inclusive no coração dos que se dizem ateus. Toda vez que uma pessoa se supera e faz o bem, nós devemos reconhecer que Deus está nessa pessoa. E ajudar essa pessoa a dar um passo adiante significa trabalhar com Deus e acompanhá-Lo.

Mas quais são os homens em cujos corações Deus está fazendo sua obra de salvação? A quemDeus revela seussegredos? Quemé capaz de conhecere reconhecer os mistériosde Deus neste mundo? Estas são as perguntaslançadas implicitamente no texto do evangelho de hoje. A resposta é esta: Deusse revela aos simples, aos pequeninos, aos que não têm nenhuma pretensão, aos que se entregam totalmenteà ação de Deusna sua vida: “Eute louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos”. Nestas pessoas a graça se frutifica em boas obras para o bem de todos. Essas pessoas produzem algo de bom para a humanidade, pois a graça de Deus flui nelas como a seiva flui do tronco aos ramos a fim de produzirem mais frutos (cf. Jo 15,1-5).

Por queDeus se revela aos simples/pequeninos, e porque os simples/pequeninos têm facilidadede captar as coisasde Deus?

Porque o simplesnão se louva nemse despreza. Eleé o que é, simplesmente, semdesvios, semafetação. É a vidasemexageros. O simplesnão simula nada, poissimular a humildade e a simplicidadesignifica uma grandearrogânciade quempuxatudoparaseuladoparasercentrode atenção. “É mais fácil simular virtudes que possuí-las. Por isso, o mundo está cheio de farsantes” (Santo Agostinho: De mor. Eccl. cath. 1,12). O simplesé capaz de reduziro maiscomplexoao maissimples. O presente é suaeternidade, e o satisfaz. “A simplicidade é o ultimo degrau da sabedoria (Kahlil Gibran).

A simplicidadeaprende a se desprender, acolhero que vem semnadaguardarcomocoisasua, poisparaeletudoé dom e vive no mundode gratuidade. Simplicidade é nudez, despojamento, pobreza. Simplicidade é liberdade, leveza, transparência. A simplicidade é a transparênciado olhar, purezado coração, sinceridadedo discurso, retidãoda alma e do comportamento. A simplicidade é a espontaneidade, a improvisaçãoalegre, desprendimento, desprezodo prevalecer. A simplicidadeé o esquecimento de si, é nisso queeleé uma virtude. É porissoquea simplicidade é a virtudedos sábios e a sabedoriados santos.

De fato, conhecer Deus não é primordialmente uma operação intelectual, reservada a uma elite. Os pequenos, os simples podem descobrir coisas sobre Deus que os entendidos não conseguem compreender.

Aqueles queaceitarem Jesus Cristo e suamensagemserãocapazesde ver as coisasde outromodoe poderão construir uma convivênciahumanabaseadana equidade, poiselesse deixam invadirpelaação do Espíritocomo Jesus se deixava conduzirtotalmentepeloEspírito. No textode hoje o Espíritoinvade Jesus comsuaalegria. A açãodo Espírito ocupa, certamente, o centro da liturgiade hoje.

Celebrar o Adventonão é outracoisaquedeixar-nos modelarinteriormentepelapresençado Espírito, criarespaçoemnossavidaparaquepossamos receberseusdons de sabedoria, de discernimento e assimpordiante, necessáriosparadescobrir o caminhoporondeElequerque caminhemos neste mundo. A celebraçãoda liturgia do Adventotambémnosconvida à alegria e à esperança. Nãopodemos cair no desânimo ouna frustraçãoquenãosãodons do Espírito.

 “Naquele momentoJesus exultou no EspíritoSanto e disse: “Eute louvo, Pai, Senhor do céue da terra, porqueescondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos”.

Ao colocarestas frases no seuevangelho o evangelistaLucas quercolocaro máximopossívelemdestaqueos fatosqueaconteceram pelaprimeiravez. Finalmente, há umgrupode discípulosquefoi capaz de expulsaras falsas ideologiasque tornavam as pessoasescravas das mesmas. Através da missãobemfeitalevada ao términoporestespersonagensdesconhecidosatéentãona sociedade e da reaçãoexultante de Jesus, o evangelista Lucas antecipa sobrecomo deverá ser a missãoideal: aberta, universal e libertadora.

É precisoque sejamos personagensconhecidosporDeusemboranão sejamos reconhecidos pelasociedadeque adora ao poder e ao exibicionismo. Sejamos sábiose inteligentes de Deus! O homem que é firme, paciente, simples, natural e tranquilo está perto da virtude”, dizia o sábio chinês, Confúcio.

P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2014-11-29 21:17:00

 
UM “PAGÃO” QUE CRÊ E AMA

Segunda-Feira da I Semana do Advento

01 de Dezembro de 2014
Evangelho: Mt 8,5-11

Naquele tempo, 5quandoJesus entrou em Carfanaum, umoficialromano aproximou-se dele, suplicando: 6“Senhor, o meuempregado está de cama, láemcasa, sofrendo terrivelmente com uma paralisia”. 7Jesus respondeu: “Vou curá-lo”. 8O oficial disse: “Senhor, eunão sou digno de queentresemminhacasa. Dize uma sópalavrae o meuempregadoficará curado. 9Poiseutambémsou subordinado e tenho soldadossobminhasordens. E digo a um: ‘Vai!, e ele vai; e a outro: ‘Vem!, e ele vem; e digo a meuescravo: ‘Faze isto!, e eleo faz”. 10Quandoouviu isso, Jesus ficou admirado, e disse aos que o seguiam: “Emverdade, vos digo: nuncaencontrei em Israel alguémque tivesse tantafé. 11Euvos digo: muitos virão do Orientee do Ocidente, e se sentarão à mesa no Reinodos Céus, juntocom Abraão, Isaac e Jacó”.

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Segundo Mateus, o primeiromilagreoperadoporJesus (a cura do leproso) foi paraummembro do povode Deus (cf. Mt 8,1-4). O segundomilagrefoi emfavorde umpagão. Tudo é umprograma. O movimentomissionário da Igrejajá está presentenesse segundomilagre. A salvação de Deusnãoestá reservadaparauns poucos. Deusama a todosos homens. O amorde Deus rompe as barreirasque levantamos entrenós. Jesus fez seusegundomilagreemfavor de umoficialromano, emfavor de umpagão, poisele amava o próximo. Os romanoseram malvistospelapopulação, pois ocupavam a Palestina.

 

Quando Jesus entrou em Cafarnaum, umoficialromanoaproximou-se dele, suplicando: ‘Senhor, meuempregadoestá de cama, paralitico!’ “

“Umoficialromano!”. “Umestrangeiro!”. Umestrangeiro, maisaindaumromano, nãopertenceao Povo eleito. Porserestrangeiro, ele é impurona concepção do Povoeleito. Porserimpuronãopode receber as bênçãosdo Senhor. Masserá mesmoqueele é impuro? O evangelistaMateusquersuperaressa mentalidadeseparatistae discriminatória ao colocar, no seuevangelho, a história de umoficialromanocujocoraçãoestá cheio de amorparacom o próximo.

O oficialromano do qualfala o evangelhodeste dia demonstra suagrandebondadeparacom o próximo, paracomseuempregado/escravo, apesar de nãopertencer ao Povo de Israel. Suasensibilidadehumanaousuahumanidadeé tãoaltaa ponto de elese preocuparcomseuescravo(empregado). Eletrataseuescravocomose fosse membro de suafamília.  Elenãomandanenhumsubordinadoparaprocurar Jesus, masé elepróprioquem se aproxima de Jesus parapedir a ajuda(cura) emfavor do seuescravo/empregado. É umpatrãoexemplar! É umoficialextraordinário. É umlíderqueama. Umlíderqueama, é respeitado. Umlídertemido, geralmente, nãoé respeitado.

Ao atenderesseoficial“pagão” Jesus quernosmostrarqueelenão aceita nossas divisões, nemnossosracismosnemnossas discriminações. O coração de cadaseguidor de Jesus deve seruniversal e missionário, como o própriocoração de seuMestre, Jesus Cristo.

       

É impressionantetambém a profundahumildade desse oficialao dizer a Jesus: “Senhor, eunãosou digno de queentresemminhacasa. Dize uma sópalavrae o meuempregadoficará curado”. Esteoficial “pagão” é muitoconscienteda leijudaicaa respeito dos pagãos. ElenãoquerpôrJesus em uma situaçãode “impurezalegal”. Porisso, elequerevitarqueJesus entreemsuacasa. “Dize uma sópalavrae o meuempregadoficará curado“, diz o oficial a Jesus. Estehomemvaloriza e acredita no poder da Palavrade Jesus, porqueelesabe que a Palavrade Jesus está cheia de autoridadee de poder, pois Jesus é a própriaPalavrade Deus (cf. Jo 1,1.14).

Jesus elogiaessehomemporque acredita no poderda palavra de Jesus: “Em verdade, vos digo: emninguémemIsrael encontrei tantafé”. É a féde quem se considera pagão. Mas se comportacomoumverdadeirocristão. Jesus elogiaquem acredita no poderde Suapalavra.

Jesus põe emcontraste a incredulidadedos seuscontemporâneoscom a fédo pagão: “Emverdade, vosdigo: emninguémde Israel encontrei tantafé”. A féque Jesus exige é umimpulso de confiança e de abandonopeloqual o homemrenuncia a apoiar-se emseuspensamentose emsuasforçasparaabandonar-se à Palavradivina e ao poder d’Aqueleemquem o homemdeve acreditar.

O oficialromanonãopertence a uma Igrejaou a uma religião, oficialmente, porémse comportacomoumverdadeirohomem de Deus. É umverdadeiroe autênticocristão. Podemos encontrar os cristãosemqualquerreligião, crençaougrupo“Vós os reconhecereis pelosseusfrutos” (Mt 7,16.20). Comefeito, o paganismonão depende da pertençaounãoa uma religião. O paganismodepende do modo de vivere de se comportarparacom os demaishomens. Porcausa do modo de viver há cristãos- pagãoscomo há tambémpagãos- cristãos. Umcristão pode serumpagãoporcausa do seumodo de viver não-cristão. E aqueleque se diz pagãopode serumverdadeirocristãose comportar-se como o oficialromanoque se preocupa como bem do outro.

Senhor, meuempregadoestá de cama, paralitico”. A oração desse homemserve de exemploparanós. Eleexpõe simplesmente a situação; descreve a doença. E o maisnotávelé queelepede emfavordo outro, de seuempregado. É uma oraçãode intercessão. Será queeu rezo somentepormimmesmo, somentepelaminhafamília? Será que tem lugarna minhavidauma oração de intercessão?

Antes de recebero Corpo do Senhorna comunhão, repetimos a frase desse oficialromano: “Senhor, eunãosou digno de queentresemminhamorada. Dize uma sópalavra, serei salvo”. A Eucaristiaquercurarnossas debilidades. O próprioSenhorJesus se faz nossoalimentoe nos comunica suavida: “O Pãoqueeudarei é a minhacarnepara a vidado mundo. Quemcome minhacarnee bebe o meusanguetem a vidaeterna” (Jo 6,51.54). Emcadaverdadeira Comunhão do Corpo do Senhor acontece uma verdadeira transfusão de vida: a vida de Jesus passa a sera vida de quema recebe na comunhão. Quandoissoacontecer, será cumprido tudoaquiloqueSão Paulo escreveu: Eu vivo, masjánão sou eu; é Cristoquevive emmim” (Gl 2,20).

Podemos tambémpedir a Jesus da seguintemaneira: “SenhorJesus, mesmo que eu não seja digno de recebê-Lo na minha vida, na minha família, mas pode entrar para que minha vida, minha família seja digna de receber sua bênção. Se em Belém o Senhor não encontrava nenhum abrigo para seu nascimento, entre na minha família e renasça entre nós para que minha família esteja cheia de luz para depois irradiá-la para os demais.

Jesus nãoencontrou a fé naqueles que se acham “crentes”. “Em verdade, Euvosdigo: emninguémem Israel encontrei tantafé”. Eleencontrou a fé naquele é considerado “pagão”. Será queo Senhor encontrou a fé em mim ou apenas naqueles que não pertencem a nenhuma Igreja, mas acreditam? Será o Senhor encontrou o amor em mim ou somente naqueles que não freqüentam Igreja nenhuma?

P. Vitus Gustama,svd

1º Domingo do Advento – Convertei-nos, para que sejamos salvos!

Jesus rezando mini

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo
Marcos (Mc 13, 33-37)

Diante das infidelidades do povo de Israel, o pedido do profeta Isaías para que Deus “volte atrás” mostra a consciência de que, sem a Sua graça, nada podemos. “Deus é fiel”, e é Ele mesmo quem vai garantir, com a Sua graça, que alcancemos a santidade. Para tanto, resta-nos clamar, com o salmista: “Convertei-nos, Senhor, para que sejamos salvos!”

É PRECISO CAMINHAR 2014-11-28 22:04:00

I

ADVENTO: O SENHOR VEM MEVISITAR. O QUEPRECISOFAZER?

Sabemos que, civilmente, o anonovocomeçano diaprimeirode janeiro. Mas, na liturgia, o anonovo (umnovoanolitúrgico) começano primeirodomingodo Advento e termina no XXXIV domingo do TempoComum, na festado Cristo, Reido Universo. Na liturgia, há trêsanos: o ano “A”, duranteo qual refletimos sobreo evangelho de Mateus; o ano “B”, o evangelhode Marcos; e o ano“C”, o evangelho de Lucas. O evangelho de João é refletido duranteas festas, comono Natal, no tempoda páscoa e emalgunsdomingosdo AnoMarcos, pois o evangelhode Marcos é curto, só tem 16 capítulos.

O termo“Advento” significa “vinda” ou “chegada”. O “Advento” indicava, na linguagem pagã, a vindaperiódicade Deus e suapresença teofânica no templo. Equivale a “retorno” ou “aniversário”. Do ponto de vistacristão, Adventoera a últimavinda do Senhorno final dos tempos. Mas, ao se instaurarem as festas do Natale da Epifania, o Adventosignificou também a vindade Jesus na humildade da carne.

A partirdesse sentido, o Adventoé tempo de féna esperança, quenospreparapara a duplavinda do Senhor: a vindahistórica, na encarnação, pormeio de Maria (Natal), e a vinda escatológica, ao final dos tempos(Parusia). Essas duas vindassão consideradas comouma só, desdobrada emduas etapas. Essa dupladimensão caracteriza todo o Advento. São Bernardo acrescentou uma vinda: a vindado Senhor às almaspelagraça. Essa é a vindaprincipal, sem a qualas outras duas nos resultariam inúteis ou perigosas. Sema graça na alma, torna-se inútil a primeiravinda de Cristoparanosredimir, pois a graça é o frutoda redenção. E sema graça na alma, será terrível a segundavinda de Cristoparanosjulgar, porque seria, então, comouma vindaparanoscondenar.

Quando se falada vinda, fala-se tambémda espera. Esperar é situar-se emestadode receptividade. Mas a nossaespera deve ser acompanhada comesperança. Esperarcomesperança é estarconvencidode que, pelafidelidade de Deus, vai noschegaralgoquesupera nossas forças e que deve vir: o Reino de Deusemsuaplenitude. O estadode receptividade exige outraatitude: vigilância. “Vigiar” equivale a velarsolicitamente sobrealgoousobrealguémduranteumtempo, atéalcançaro final desejado. A vigilânciadiante da chegadade Deus equivale a estardesperto, emdisposiçãode serviço, comuma atitudeatentadiante do futuro, semevasãodo presente, apesarda indiferença encontrada neste mundo. A vigilância consiste emdiscernir os sinais dos temposparareconhecer a presença de Deus e do seureinonosacontecimentos. Precisodescobriro queDeusquer de mime o queElequermefalaratravésde tudoisso. Mas, se converterumprocessoreligioso da esperaemalgocomercialquelogo pode converter-se emqualquercoisa, o cristãonãoesperamaisemnada e a esperança cristã será uma palavravazia e que, precisamenteporisso, segue a leido vazio de deixar-se preencherpor outras esperançascaducas.

É precisoesperar a chegadado Senhorcomhumildade. Serhumilde significa aceitara parteterrenaquetodostemos; significa descer, buscare encontrartudoo que somos, aceitando-nos talcomo somos. Quando o coraçãose faz humilde, eleé capaz de amaremabundância. Serhumilde é deixar a luzde Deusentrarno nossocoraçãoparafazerdesapareceros maussentimentosque produzem nossas misérias. Nunca serei compassivo, se eunãoadmitirminhadurezainterior. Nunca chegarei a sercriativo, se eunão for capazde reconhecertodaa minha mesquinhez quese esconde no meucoração. “Humildade é a honestaconfissão do serpecador. É melhorumpecadorhumildequeumbeatoorgulhoso” (SantoAgostinho).

Portanto, aproveitemos o Adventoparadarumbompasso ao nossointerior. Façamo-nos humildes e teremos a grandefelicidade de viverplenamente o Natal. FELIZ ADVENTO!!!   SHALOM !!!

P. Vitus Gustama,svd

II

VIGILÂNCIA CRISTÃ É ESTAR PREPARADO PARA ACOLHER O SENHOR QUE VEM NOS SALVAR

I DOMINGO DO ADVENTO DO ANO “B”

30 de Novembro de 2014

Evangelho: Mc 13,33-37

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 33 Cuidado! Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento. 34 É como um homem que, ao partir para o estrangeiro, deixou sua casa sob a responsabilidade de seus empregados, distribuindo a cada um sua tarefa. E mandou o porteiro ficar vigiando. 35 Vigiai, portanto, porque não sabeis quando o dono da casa vem: à tarde, à meia-noite, de madrugada ou ao amanhecer. 36 Para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo.
37O que vos digo, digo a todos: Vigiai!

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Mc 13,1-37, onde se encontra o texto evangélico deste domingo primeiro domingo do Advento do Ano litúrgico “B”, é conhecido como “Apocalipse de Marcos” ou “discurso escatológico”. É um discurso mais amplo de Jesus de todo o evangelho de Mc. Mc abre a seção com a admiração dos discípulos pelo esplendor do Templo(v.1), que  recebe a resposta de Jesus sobre o desaparecimento iminente de todo esse esplendor(v.2). Por isso, surge a pergunta dos discípulos sobre o tempo em que  tudo isso acontecerá e os sinais que anunciarão isso(vv. 3-4). Percebemos na seqüência da narrativa que a pergunta não se faz a respeito da destruição do templo, e sim a respeito dos últimos dias, pois o discurso vai falar dos acontecimentos dos últimos dias e dos sinais que precederão, e não da destruição de Jerusalém e do templo.

  

Neste capítulo 13, Mc une diversas matérias: algumas são propriamente apocalípticas que descrevem os acontecimentos dos últimos dias e a atitude requerida perante os mesmos(vv.7-8.14-20.24-27; e outro bloco: vv.5-6.21-23); outras têm o tom de consolação e conforto para os cristãos nos momentos de perseguição(vv.9-13). E no fim do discurso encontram-se outras matérias diversas: a parábola da figueira(vv.28-29); o momento da parusia(vv.30-32) e termina com a exortação para a vigilância(vv.33-37).

    

Apesar das matérias diversas, Mc consegue colocar todas elas dentro duma inclusão literária constituída pelos vv.5 e 37 que enfatiza a importância da vigilância. Na exortação inicial fala-se do perigo dos falsos messias que surgem sempre quando a sociedade passa por uma crise profunda o que leva a tomar uma atitude de vigilância(vv.5-6). E na última exortação fala-se da falsa segurança. Daí percebemos a intenção de Mc em alertar os cristãos para que estejam vigilantes constantemente, pois ninguém sabe quando chegará o “momento”(v.33). O que o mais importante, então, não é o momento em que isso acontecerá, e sim o que deve-se fazer para que ninguém  se pegue de surpresa.

   

O ensinamento que nos oferece esta unidade narrativa tem como destinatários a um grupo restringido de discípulos(cf. Mc 13,3). Esta unidade se situa imediatamente antes dos acontecimentos da paixão e da morte de Jesus que pode nos induzir a pensar que nos encontramos diante de um discurso de despedida. Em seus últimos dias em Jerusalém, Jesus revelaria aos mais íntimos os sofrimentos e perigos que lhes aguardavam, exortando-lhes a fidelidade e a perseverança na missão que lhes havia confiada.. Sem dúvida, neste discurso faltam as marcas características dos discursos de despedida(cf. Jo 13-17). Por isso, este discurso deve-se considerar muito mais como um discurso escatológico, do que um simples discurso de despedida, que com uma linguagem profético- apocalíptica, descreve a missão da comunidade cristã no período intermédio , isto é, no presente.

  

A missão confiada à comunidade cristã não é fácil. Ela tem que seguir fielmente os ensinamentos de Jesus Cristo a ponto de ser crucificada como ele. Da comunidade cristã exigem-se a fidelidade, a coragem e a vigilância no presente, sublinhando o futuro que lhe aguarda. A vitória que lhe aguarda faz a comunidade lutar sem medo apesar de dificuldades que ela encontra no caminho.

Mensagem do texto de Mc 13,33-37

  

Não é difícil descobrir o tema central do Evangelho deste Domingo: basta observar qual é a palavra que aparece mais vezes. É o verbo “vigiar” que em cinco versículos é repetido com uma insistência quase excessiva.

Por que temos que vigiar?

  

Jesus nos dá este motivo: “Prestai atenção, vigiai, pois não sabeis quando será o tempo/momento”(v.33). “Tempo” ou “momento” é uma tradução da palavra grega “kairós”. “Kairós” indica um tempo determinado e tem aqui uma conotação escatológica de tempo determinado por Deus para a vinda gloriosa do Cristo. Esse “tempo determinado” é desconhecido dos homens. Daí a necessidade de estar sempre vigilante à espera desse tempo determinado por Deus.

  

A exortação de Jesus à vigilância visa criar no nosso coração a atitude correta de quem deseja acolher o Senhor que vem ao nosso encontro. A exortação não fornece o temor e a angústia, pois, de fato, nós esperamos o que já temos garantido pela fé que é o fundamento de nossa esperança. E por sua vez, a esperança mantém e reaviva o nosso amor por Cristo que vem. Por isso, a espera cristã deve ser produtiva, alegre e serena.

  

Mas o que é vigiar?

Vigiar, no sentido próprio, significa renunciar ao sono da noite; pode-se fazê-lo para prolongar o trabalho(Sb 6,15) ou para evitar ser apanhado de surpresa por um inimigo(Sl 127,1s). Daí o sentido metafórico: vigiar é lutar contra o torpor e a negligência a fim de se chegar à meta visada(Pv 8,34). Para o crente/cristão a meta é estar pronto para receber o Senhor, quando chegar o seu Dia; é por isso que ele vigia e está vigilante, a fim de viver na noite sem ser da noite.

   

Nos evangelhos sinôticos, a exortação à vigilância é a principal recomendação de Jesus a seus discípulos como conclusão do seu discurso escatológico . A vigilância caracteriza, portanto, a atitude do cristão/discípulo que espera e aguarda a volta do Senhor: ela consiste antes de tudo em manter-se em estado de alerta, e com isso mesmo exige o desprendimento dos prazeres e dos bens da terra(Lc 21,34ss). A Igreja é a assembléia que sempre deve estar em estado de vigilância, lendo a vinda do Senhor nos acontecimentos, para permitir-lhe um encontro feliz com o Senhor glorioso.

   

Concretamente podemos dizer que vigiar significa pôr em prática as palavra de Jesus, especialmente o mandamento do amor. Significa enfrentar a tentação do egoísmo, que nos leva a convencer-nos da inutilidade de fazer o bem. Significa acreditar que vale a pena lutar para construir o Reino de Deus, a exemplo de Jesus, num mundo onde a injustiça e a maldade parecem falar mais alto. Significa estar sempre disposto a perdoar e a se reconciliar, revertendo a espiral da violência que assume proporções sempre maiores. Significa ser capaz de detectar tudo quanto possa desviar nossa atenção do convite de Deus para o encontro definitivo com Ele. Significa estar vigilante no que se deve falar e no que não se deve: ser vigilante nos comentários, nos julgamentos etc….Vigiar é aprender a falar o necessário.  É aprender a ficar em silêncio para avaliar as palavras soltas sem reflexão para não repeti-las novamente.

  

A vigilância é a atitude própria do amor que vela. O amor sempre mantém o coração alerta. A chegada de Cristo exclui todo temor, pois não há temor no amor. A vigilância nos ensina a ler a vinda do Senhor nos acontecimentos e nas pessoas.

  

Para manter este estado de vigilância é necessário lutar porque temos a tendência de vivermos de olhos cravados nas coisas da terra. O dono da casa, na parábola, é Jesus Cristo. Isto quer dizer que Ele é o sentido da nossa vida. É a razão de ser da Igreja. Trabalhemos para que na chegada do Senhor a justiça, a misericórdia, o perdão e obras de caridade estejam bem cultivados entre nós.

  

Mas a vigilância cristã é sempre perseverante e se alimenta da esperança. Por isso, a pessoa vigilante não se abate, ainda que a realidade seja desesperadora porque ele sabe em quem acredita: em Deus que transforma o impossível no possível. Um cristão vigilante sabe olhar para além da História do horizonte material e contemplá-la na perspectiva de Deus, segundo o ensinamento de Jesus. A vigilância permite o cristão descobrir nela uma lógica inacessível para quem não tem fé. Por isso, um cristão verdadeiro nunca será esmagado pelo peso da história e pela situação desesperadora.

     

Portanto, celebrar o Advento não significa celebrar só as coisas do passado, pois este Advento está sempre em andamento. É o Filho de Deus que continuamente visita e freqüenta o coração daqueles que sabem crer, amar e esperar. Cristo está em contínuo advento, sempre e incansavelmente a caminho de nossa casa. E o lugar que Ele mais ambiciona é um coração convertido, que tenha a coragem de se “reformar” e de se abrir ao amor, à fraternidade, à justiça e ao perdão. Por isso, não tenhamos medo de oferecer-lhe nosso ódio, amargura, desapontamento, mágoa, rancor, tristeza, desespero etc. porque o Senhor se revela como AMOR. Só criando espaço para Cristo num coração convertido é que conseguiremos chegar à meta e Cristo virá morar conosco.

   

Por isso, o Advento é o tempo de purificação, de revermos nossa vida: nossos gestos, nosso lar pois é Deus que se aproxima. Mais do que de flores, de lâmpadas coloridas ou de pinheiros verdes, vamos enfeitar o nosso coração  daquilo que não se encontra nas lojas: a paz  e a alegria no lar  e o amor no coração: o amor é uma “carta” aberta, um presente sem embalagem, pois o amor é a abertura para com os outros. Vamos fazer presépio vivo no nosso coração, um presépio construído com toda a sensibilidade, com a arte de amar, de perdoar, um presépio de carinho. E este presépio vivo dentro de nosso coração se expressa através de amor e de alegria nos cartões, nas cartas e nos telefonemas. Este presépio vivo dentro de nós deve ser eterno, não é preciso acabá-lo dentro de alguns dias durante o Natal. Temos uma vida para aperfeiçoá-la. Vamos fazer de nossa vida um eterno Natal de amor e de alegria.

 

Portanto, a palavra “vigiar” que aparece várias vezes no Evangelho deste primeiro Domingo do Advento é para a gente vigiar mesmo. Porque quando chega o Natal, as propagandas comerciais, a arrumação da casa e a preocupação dos cartões e dos presentes podem desviar nossa atenção do dono da festa: Jesus Cristo.

  

Que cada um de nós seja capaz de dizer e de viver esta frase: “Quero neste Natal ser rico por dentro. Não quero ter apenas embalagem, quero ter um coração como o de Cristo, cheio de amor e de justiça e de perdão.”

P. Vitus Gustama,svd

Buscar primeiro o Reino de Deus – (Mt 6 , 24-34)

Jesus ensina que não se pode servir a dois senhores, a Deus e a riqueza. Não é preciso se preocupar, com o que comer ou vestir, Deus alimenta os pássaros e reveste de beleza os lírios do campo, muito mais fará com nós homens. Essa é preocupação dos pagãos, Deus sabe do que precisamos , primeiro devemos buscar o Reino de Deus e o resto virá por acréscimo. A cada dia basta a sua preocupação.

O Senhor hoje nos recorda que ele é o nosso sustento , ele sabe do que precisamos e ele nos concederá, nunca nada falta, somos filhos de Deus ele como nosso Pai nos sustenta , provê o necessário.

Que tenhamos um coração grato a Deus por ser o nosso sustento , que busquemos intensamente o Reino de Deus. 

Música Litúrgica

Musica liturgica mini

O que a Igreja ensina a respeito do canto na liturgia? O que pode e o que não pode tocar e cantar na Santa Missa? Descubra a natureza da verdadeira música sacra e as orientações objetivas da Igreja a respeito do canto litúrgico. Como ensinava o Papa Paulo VI, nem tudo o que está fora do templo é apto para atravessar as suas portas.

Recomendações

Ataques à família são suicídio da humanidade, diz Cardeal

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A Congregação para a Doutrina da Fé foi a principal responsável pelo colóquio internacional e inter-religioso
Humanum, que, por três dias, falou sobre a complementaridade de homem e mulher no casamento.

O prefeito da Congregação, Cardeal Gerhard Müller, falou com o Register no dia 18 de novembro, perto do fim da conferência, para avaliar como o encontro foi conduzido, discutir o que mais pode ser feito para defender o matrimônio e prever como o colóquio poderá complementar o Sínodo dos Bispos sobre a família.

National Catholic Register: Como aconteceu esse colóquio? Ele correspondeu às suas expectativas?

Cardeal Müller: Ele tem ido muito bem até agora. Todas as nossas expectativas foram correspondidas e até superadas! É algo extraordinário que tantas comunidades cristãs e 14 religiões do mundo possam se reunir para dar testemunho de convicções básicas a respeito do matrimônio. Mesmo vindo de diferentes tradições, entendimentos, categorias e concepções, houve uma notável unidade sobre a natureza do matrimônio.

(…)

O que todos nós compartilhamos é um ponto de referência comum na natureza humana, o essencial da existência humana e o relacionamento entre homem e mulher como uma célula, como um ponto de partida para o bem do casal e também das crianças.

(…)

Register: Parece estranho que essa conferência não tenha acontecido antes, que não tenha havido essa ênfase no matrimônio, dado que ele tem estado sob constante ataque pelos últimos 50 anos. Você gostaria de ter visto um evento como esse acontecer mais cedo?

Müller: De fato! Durante este período de mais de um ano em que estivemos preparando o colóquio, nós na Congregação para a Doutrina da Fé ouvimos várias vezes: “Isso é novo” ou “Nós nunca fizemos algo assim antes!”. Talvez esse evento devesse ter acontecido antes, mas agora a crise que enfrenta a família aguçou o nosso senso para o quanto esse tipo de testemunho internacional e inter-religioso é necessário.

O modo como a família é desvalorizada ou ameaçada em vários lugares é como estar à beira de um precipício. Nós devemos parar – e não dar o último passo, que não tem volta. Nos ataques ao matrimônio enquanto união complementar entre homem e mulher, estamos vendo como que um suicídio da própria humanidade, especialmente no Ocidente secularizado – na Europa, nos Estados Unidos, na América do Norte. A diferença entre homem e mulher é uma realidade positiva porque reflete a vontade de Deus na criação, e a vontade de Deus é boa e visa o desenvolvimento humano!

Register: O que pode ser feito, além de uma conferência como essa, para que a maioria silenciosa seja ouvida e para reagir à minoria falante que tenta redefinir o casamento?

Müller: Isso é fundamental. Muitas pessoas têm dado ênfase aos esforços para redefinir o matrimônio ou têm focado os problemas na família. As pessoas pensam que o relacionamento entre homem e mulher é discutido todo o tempo… mas não é. A discussão é sobre sexo ou relações fracassadas, mas não sobre por que homem e mulher foram designados para viver juntos ou como eles complementam e completam um ao outro. É nisto que a vasta maioria das pessoas está interessada: em como tornar o seu casamento melhor, mais forte, mais satisfatório e vivificante.

A maioria silenciosa até agora não entendeu o que está acontecendo na sociedade ou tem sido silenciada pelo uso da palavra ‘discriminação’, aplicada àqueles que querem defender a família tradicional. Mas não podemos dizer que a relação básica entre homem e mulher é apenas um produto social ou cultural, um ‘presente’ de um governo ou um constructo humano. Mais do que isso, ela é uma base. Do mesmo modo, dignidade pessoal e liberdade não são produtos sociais e culturais, mas estão inscritos na nossa própria natureza, como homem e mulher, criados à imagem de Deus.

As crianças, também, não são um produto da sociedade ou um mero objeto do Estado, do governo. Os governos não podem substituir a responsabilidade primordial dos pais para os seus filhos, nem negar às crianças o direito de crescer com uma mãe e um pai.

Register: Em seu discurso, você falou sobre homem e mulher caminhando rumo ao divino, por meio do casamento. Você pode falar mais sobre isso?

Müller: Na tradição católica, o matrimônio é baseado na criação, e essa criação expressa a vontade de Deus. Na história da salvação, Deus enviou o Seu Filho, Jesus Cristo, que é a vontade de Deus encarnada, para a nossa salvação. Em Cristo, o estado natural do casamento, o vínculo natural entre homem e mulher no matrimônio, é elevado a um sacramento, a um sinal e instrumento de Sua graça e de Sua própria relação com a Igreja.

O vínculo de unidade entre o homem e a mulher que se amam, no matrimônio, é expresso pelo amor de Jesus Cristo à Sua Igreja. E esse é um amor de doação, um amor crucificado: que poder há no sagrado matrimônio dos cônjuges para realmente perceber que eles estão diante de um meio, um instrumento, não só para a própria santificação, mas para a divinização de todas as pessoas que entram em contato com o amor divino da Trindade através de sua vida de casados.

Fonte: National Catholic Register | Tradução: Christo Nihil Praeponere