Mês: outubro 2014

É Deus (e só Ele) quem cuida de nós!

O título deste texto resume toda a história da humanidade: É Deus quem cuida do homem! Se você pegar a Bíblia e fizer uma fria análise da relação entre Deus e o homem, você perceberá que em todos os momentos da história, Deus sempre proveu as necessidades do ser humano: Sua obra-prima, sua imagem e […]

É PRECISO CAMINHAR 2014-10-31 19:56:00

 
DIA DE FINADOS

02 de Novembro

A vida é um mosaico de tempos diversos. Cada momento é assinalado por algo que se deixa ou por algo que se descobre. Cada momento comporta a separação daquilo que se era, para se aventurar em direção do que se pode vir a ser. Nesta dinâmica universal e constitutiva da vida, relação e separação, encontro e despedida, nascimento e morte, não se excluem, mas se atraem. A relação atrai a separação. O encontro atrai a despedida. O nascimento atrai a morte. Aquele que é capaz de acolher, saberá também se separar, assim como a separação é pré-requisito de qualquer encontro. Talvez na linguagem bíblica possamos dizer: “Tudo tem seu tempo. Há um momento oportuno para cada coisa de baixo do céu: tempo para nascer, e tempo para morrer… Tempo para chorar, e tempo para rir… Tempo para dar abraços, e tempo para afastar dos abraços” (Ecl 3,1-2.4.5b). Cedo ou tarde chegará o momento de dizer “adeus”: o amor ganha, então, as feições da dor. E repentinamente o passado reaparece com suas recordações, o presente se impregna de solidão e o futuro se desdenha repleto de incertezas para quem não se prepara e não sabe lidar com tudo isso. Um poeta espanhol escreveu: “Partimos, quando nascemos, caminhamos enquanto vivemos, e chegamos no momento em que morremos”.

Dia de Finados é o dia especial em que todos nós somos chamados a voltar para a raiz familiar. É o dia em que todos nós voltamos a sentir, de uma maneira especial, a presença de todos os membros de nossa família que já partiram. Por algum instante visitamos, na memória, o passado no qual convivíamos e que no presente estão ausentes fisicamente. É um dia de saudade dos que conviveram conosco, mas partiram antes de nós. É o dia de saudade porque quando a morte atinge nossos entes queridos, uma parte de nós se vai com eles. Nós nos unimos à sua entrega total e sabemos que também nós estamos partindo (morrendo). Algo de nós se vai para sempre quando uma pessoa amada morre.

O Dia de finados quer nos relembrar que a vida é sempre uma partida. Há uma partida para os olhos que se fecham, para os ouvidos que se cansam e para o corpo que envelhece.  A condição humana é ser passageiro, ser transitório, ser limitado. Estamos sempre na saudação dos que chegam, no nascimento, e da despedida dos que partem sem volta para este mundo fisicamente, na morte. Em tudo há um adeus. E ninguém tem poder de parar o tempo. Todo nascimento é uma referência existencial à morte que é seu termo. Em outras palavras, a chegada será sempre uma partida. Um encontro será sempre uma despedida. Em cada nascimento esconde-se a morte.

Para nós que acreditamos no Deus da Vida a morte é o caminho que termina em Deus, de onde, um dia, saímos. Isto significa que nós pertencemos ao Senhor: “Se vivemos, é para o Senhor, que vivemos; se morremos, é para o Senhor que morremos. Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor” (Rm 14,8). A vida que nos foi dada não pertence ao homem, mas a Deus.  Essa pertença a Deus é o que torna a vida algo sagrado. E para todos os homens, a vida temporal é dada como semente de vida eterna (cf. 1Cor 15,35-58). Por isso, morrer significa entregar totalmente a vida a Deus. O mesmo Senhor que nos criou por amor, nos acolhe também para um amor infinito, para uma perfeita comunhão com Ele, para uma eternidade (cf. Jo 14,1-6). É uma partida com chegada definitiva. São Pedro expressa esta realidade nestas palavras: “Fugindo da corrupção, nos tornamos participantes da natureza divina” (2Pd 1,4). Para nós, morrer é entregar a vida para Deus a exemplo de Jesus Cristo, que ao entregar a vida totalmente à vontade de Deus, ele experimentou a ressurreição. A ressurreição de Jesus é a mensagem mais clara sobre o futuro do homem (cf. 1Cor 15,12-19).

A Igreja sempre acredita na imortalidade da alma. Por isso, no Credo professamos: “Creio na comunhão dos santos… Creio na ressurreição da carne… Creio na ressurreição da carne…Creio na remissão dos pecados”. Este Credo se baseia sobre a ressurreição de Jesus. Até São Paulo chegou a dizer que se Cristo não ressuscitasse, seria vã a nossa pregação e seria vã também a nossa fé (cf. 1Cor 15,14). A ressurreição do Senhor vem nos dizer que o homem não nasce para morrer, mas nasce para ressuscitar, para viver. A vida não pertence à morte e sim a morte pertence à vida. Por isso, um cristão nunca morre, e sim ele nasce duas vezes: nasceu do ventre materno pela primeira vez e nasce para a vida eterna pela segunda vez. A morte é considerada como uma passagem para a vida. O destino do homem, então, não é o cemitério. Não estamos caminhando para o cemitério, mas para a Casa do Pai que está pronto para nos acolher e abraçar (cf. Jo 14,1-6).

E nós que ainda nos resta a vida, o que devemos fazer?

Em primeiro lugar, precisamos valorizar a presença, pois ela é um dom. Muitas vezes sentimos a importância de uma pessoa somente na sua ausência. Precisamos estar conscientes de que como é bom estarmos juntos enquanto for dado a nós o dom de convivência, pois vai chegar um dia em que seremos obrigados a viver de outra maneira.

Em segundo lugar, não precisamos acumular as flores para formar um dia uma coroa de flores para um caixão, pois uma flor oferecida para uma pessoa viva vale muito mais do que uma coroa de flores para um morto. Que a coroa de flores oferecida na morte de alguém represente todas as flores dadas durante a vida daquele que já se foi.

Em terceiro lugar, não precisamos esperar alguém morrer para elogiá-lo ou para falar de suas virtudes. É bom elogiarmos quem merece ser elogiado enquanto ele estiver convivendo conosco. Pois um elogio sincero dado para um vivo vale muito mais do que um elogio triste para um caixão. Perdoemo-nos mutuamente enquanto estivermos vivos, pois como é bom experimentarmos o que é que a ressurreição ou a libertação enquanto para nós é dado o dom de viver um pouco mais.

Em quarto lugar, como é triste morrer sem ter sabido viver e ao mesmo tempo como é triste viver sem aprender a morrer. Para vivermos melhor e com outra intensidade precisamos aprender a morrer. É o paradoxo da vida: para viver precisamos morrer.

Precisamos aprender a morrer de nosso egoísmo, de nossa prepotência, de nosso rancor, de nossa falta de perdão, de nossa vingança, de nossa soberba que mata a caridade e a fraternidade, de nossa preguiça de rezar e de participar do banquete celeste aqui na terra que é a eucaristia. Em outras palavras, precisamos aprender a morrer de nossa morte para que possamos ressuscitar para uma vida com Deus.

Para olhar o mundo, a nós mesmos e todos os acontecimentos na plenitude da verdade não há ponto de observação melhor que o da morte. A partir dali tudo é visto em sua justa perspectiva. Visto a partir desse ponto, tudo ganha seu justo valor. Olhar a vida a partir da morte nos ajuda extraordinariamente a vivermos bem e a valorizarmos cada segundo de nossa vida. A morte nos impede que nos prendamos às coisas, e nos impede que fixemos aqui embaixo a morada de nosso coração esquecendo que “não temos aqui residência permanente”(cf. Hb 13,14). Não é a morte que é absurda, mas a vida sem a morte.

Que os que nos precederam descansem em paz (RIP) e que nós, que ainda estamos peregrinando neste mundo, vivamos em paz para que possamos alcançar a morada eterna, a casa do Pai do céu. Assim seja.

 

Para Refletir

 

Prefiro que partilhes comigo uns poucos minutos,

Agora que estou vivo,


E não uma noite inteira quando eu morrer.

Prefiro que apertes suavemente a minha mão,

Agora que estou vivo,


E não apóies o teu corpo sobre mim quando eu morrer.



Prefiro que faças uma só chamada,

Agora que estou vivo,


E não faças uma inesperada viagem, quando eu morrer.


Prefiro que me ofereças uma só flor,

Agora que estou vivo,


E não me envies um formoso ramo e uma coroa de flores


Quando eu morrer.


Prefiro que elevemos juntos ao céu um oração,

Agora que estou vivo,


E não uma oração poética quando eu morrer.

Prefiro que me digas umas palavras de alento,

Agora que estou vivo,


E não um dilacerante poema quando eu morrer.

Prefiro que um só acorde de guitarra,

Agora que estou vivo,


E não uma comovedora serenata quando eu morrer.

Prefiro que me dediques uma leve prece,

Agora que estou vivo,


E não um político epitáfio sobre minha tumba quando eu morrer.

Prefiro desfrutar de todos os mínimos detalhes do tempo de nossa convivência,

Agora que estou vivo,


E não de grandes manifestações quando eu morrer.

Prefiro escutar-te e ver-te um pouco nervos@

Dizendo o que sentes por mim,


Agora que estou vivo,


E não um grande lamento porque não o disseste no tempo certo, e agora estou mort@….

Aproveitemos a convivência fraterna e amorosa com os nossos seres queridos

Agora que estão entre nós…

Valorize as pessoas que estão à tua volta.


Ama-as, respeita-as e lembra-te delas,


Enquanto estão vivas.

Deus te abençoe!

 

Pe. Vitus Gustama, SVD

“O diabo não é um mito – ele é real e devemos lutar contra ele”, diz o Papa

Cidade do Vaticano, 30 de outubro de 2014 / 08:53 (CNA / EWTN Notícias) .- Em sua homilia, na quinta-feira, o Papa Francisco disse que o diabo é mais do que uma idéia, e, a fim de lutar contra ele, devemos seguir as instruções de São Paulo e vestir a armadura de Deus que nos […]

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A rebeldia de um monge

A rebeldia de um monge

Tratado o doloroso tema da separação entre Cristo e a Igreja, que não poucas pessoas realizam em nossos tempos, é hora de voltarmos o olhar ao século XVI, quando um monge agostiniano se tornou pioneiro em talhar um “cristianismo” à sua própria medida, desvinculado da autoridade do Papa e da mediação sacerdotal, querida pelo próprio Senhor.

Martinho Lutero, nascido em 1483, na Saxônia, era um rapaz de inteligência aguçada, característica que seus pais e professores identificaram muito cedo, quando ele recebeu o
trivium, em Mansfeld. Foi com 21 anos, mal acabara de começar os seus estudos de direito, que o rapaz decidiu fazer-se religioso. Em viagem a Erfurt, onde frequentava a universidade, Lutero foi surpreendido por uma tempestade bastante violenta. Em meio aos raios e trovões que o assustavam, ele invocou o auxílio de Santa Ana e fez uma promessa irrefletida: “Se me ajudares, far-me-ei monge”.

De fato, apenas duas semanas depois do incidente, ele batia à porta do convento dos eremitas de Santo Agostinho. Levava uma vida de disciplina e oração, mas, aflito por escrúpulos e por uma ideia muito severa de Deus, não conseguia obter a paz da alma. Escreve Daniel-Rops que “Lutero era um ser intensamente dominado pelo sentimento trágico do pecado” [1]. A sua luta, mais que contra a sensualidade da carne, era contra a soberba da vida. “Os pensamentos hediondos, o ódio a Deus, a blasfêmia, o desespero, eis as grandes tentações”, escrevia [2].

Um versículo bíblico em particular inquietava o monge da Saxônia: “Nele [no evangelho] se revela a
justiça de Deus, que vem pela fé e conduz à fé, como está escrito: ‘O justo viverá pela fé’” [3]. Por muito tempo, Lutero não conseguia ver na “justiça de Deus” senão a justitia puniens, a ira divina pelas faltas do homem. Até que ele descobre que Deus não apenas julga o homem, como também o justifica. Essa visão – que, até aqui, nada tem de errada – levou-o a formular, no entanto, uma nova doutrina. Para responder ao que o atormentava dia e noite, Lutero firma a salvação somente pela fé, eliminando a necessidade da penitência e do combate contra o pecado e deturpando toda a doutrina da graça: se o são ensinamento católico lembrava que a amizade de Deus não pode conviver com o pecado, a sua heresia concebia uma graça pela qual “todas as manchas da alma são como que cobertas por um manto de luz” [4]. O cristianismo deixava de ser a religião da santidade para se transformar num disfarce sutil, uma máscara para cobrir as faltas do homem.

Com o passar do tempo – e o advento da famosa e difícil questão das indulgências –, Lutero uniu à sua sola fide a rejeição do poder pontifício e, em 1520, no auge de sua rebeldia, o livre exame, o pedido de extinção do celibato eclesiástico e a crítica aos próprios Sacramentos, dos quais ele só reconhecia a validade de três. Em 1521, estava assinada a sua excomunhão, mas a cristandade já estava dividida.

Antes de qualquer coisa, é preciso lembrar a gravidade do ato de Lutero, um ato de desobediência que não pode ser desculpado por nenhuma contingência histórica.
Ainda que muitas vezes os erros dos membros da Igreja gritem – como gritavam no século XVI e gritam também hoje –, a sua santidade, forjada com o sangue do Cordeiro, fala muito mais alto. Por isso, não se pode olhar para a rebelião dos chamados “reformadores” senão com desconfiança e desaprovação.

Só que, ao mesmo tempo, “como Deus é o criador soberanamente bom das naturezas boas, também é o ordenador soberanamente justo das vontades más, de tal forma que, quando usam mal das naturezas boas, Ele faz bom uso até mesmo das vontades más” [5]. Da vontade má de Lutero, que cedeu às “grandes tentações”, caindo no pecado da soberba, o Senhor suscitou a Companhia de Jesus, na qual floresceram homens da estirpe de Santo Inácio de Loyola, São Francisco Xavier e São José de Anchieta, apóstolo do Brasil; suscitou almas como Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz, que levaram a cabo a reforma do Carmelo; suscitou São João de Ávila, São Filipe Néri, São Carlos Borromeu e outros numerosos homens de fibra, que podem com razão ser chamados de “reformadores”.

É nas grandes provações que agitam a barca da Igreja que se revelam os fiéis. Se a rebelião de Lutero conseguiu dividir a cristandade, a providência de Deus foi muito mais eficaz em Seus santos.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Henri Daniel-Rops. A Igreja da Renascença e da Reforma (I). Quadrante, São Paulo. p. 273
  2. Henri Daniel-Rops. A Igreja da Renascença e da Reforma (I). Quadrante, São Paulo. p. 274
  3. Rm 1, 17
  4. Henri Daniel-Rops. A Igreja da Renascença e da Reforma (I). Quadrante, São Paulo. p. 277
  5. Santo Agostinho, De Civitate Dei, XI, 17
  6. 1 Cor 11, 19

Todos os Santos e Finados – A Igreja, comunhão e mediação dos santos

Todos os santos mini

Neste fim de semana, a Igreja celebra duas festas litúrgicas, intimamente ligadas ao mistério da comunhão dos santos: são a Solenidade de Todos os Santos, no dia 1º de novembro, e a Comemoração dos Fiéis Defuntos, no dia 2. São festas que nos recordam que “todos os que somos filhos de Deus (…) constituímos uma única família em Cristo” [1], na qual nos amamos e nos auxiliamos mutuamente.

O Catecismo da Igreja Católica, citando a constituição Lumen Gentium, ensina que, atualmente, a Igreja existe em “três estados”: “Até que o Senhor venha em sua majestade e, com ele, todos os anjos e, tendo sido destruída a morte, todas as coisas lhe forem sujeitas, alguns dentre os seus discípulos peregrinam na terra” – trata-se de nós, Igreja militante; “outros, terminada esta vida, são purificados” – são as almas do purgatório, Igreja padecente; “enquanto outros são glorificados, vendo ‘claramente o próprio Deus trino e uno, assim como é’” – são todos os santos e santas de Deus, que já estão no Céu, Igreja triunfante [2]. Assim como a alma está para o corpo, o Espírito Santo está para a Igreja, Corpo Místico de Cristo, unindo os fiéis do Céu e da Terra e santificando-os com os mesmos tesouros espirituais.

No dia primeiro, festeja-se a Solenidade de Todos os Santos. Infelizmente, as pessoas têm perdido a noção do que seja um “santo”, porque não sabem diferenciar entre uma pessoa santa e uma pessoa salva. Quem está no purgatório, por exemplo, está salvo, mas ainda não está totalmente santificado, no sentido pleno da palavra. Os santos canonizados – principalmente “os de moradas superiores”, para fazer uma referência a Santa Teresa de Jesus –, ao contrário, como já completaram toda a sua purificação nesta vida, com certeza foram diretamente para o Céu.

Este é o grande abismo que separa católicos e protestantes. Os primeiros creem que a santidade é possível nesta terra e acreditam firmemente que, por auxílio da graça – mas também por mérito próprio –, uma pessoa pode chegar a dizer com São Paulo: “Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim” [3]. Os santos, na Igreja Católica, são pessoas que alcançaram tal grau de perfeição e se configuraram de tal modo a Cristo que Ele mesmo se faz presença viva neles. Como ensina Santo Irineu de Lion, padre da Igreja, “gloria Dei vivens homo – a glória de Deus é o homem vivo” [4], isto é, o homem que vive em Cristo. Por isso, depois que morrem, os santos, vendo Deus face a face, podem interceder por nós junto a Ele.

Mas, para os protestantes, Deus operaria as coisas “diretamente”, sem precisar de ninguém. Sem dúvida – e os católicos também reconhecem isto –, Deus não precisa de Suas criaturas, mas toda a história da salvação testemunha que, mesmo não precisando, Ele quer precisar delas. Deus não precisava, por exemplo, servir-se de um homem e de uma mulher para gerar novas vidas no mundo. Num estalar de dedos, os seres humanos podiam simplesmente brotar da grama, como os cogumelos. Todavia, Ele quis depender da ação de um pai e de uma mãe para tanto. A beleza da fé católica está justamente na ação de Deus que ama as Suas criaturas, mas por meio dessas mesmas criaturas, fazendo-as participar de Sua bondade e de Seu amor: é o caso dos santos no Céu e dos anjos da guarda, por exemplo.

No entanto – pode objetar algum protestante –, está escrito: “Há um só mediador entre Deus e a humanidade: o homem Cristo Jesus” [5].– Sim, é verdade. Mas, nos Atos dos Apóstolos, é narrado o episódio de São Pedro que, estando no cárcere, foi libertado pela ação de um anjo de Deus e da Igreja – que “orava continuamente a Deus por ele” [6]. Isso mostra como a mediação de Cristo diz respeito à mediação de Seu Corpo todo, seja nos anjos, que estão no Céu, seja nos fiéis militantes, que estão na terra. Se se admite a intercessão dos anjos e dos vivos, por que não se admite a dos que estão mortos em Cristo, já que nada pode nos separar do amor de Cristo, nem mesmo a morte [7]? Quer dizer que os membros do Corpo Místico de Cristo, uma vez mortos, estão “excomungados”? É claro que não. A comunhão na Igreja é muito mais forte do que a morte. Portanto, os santos, que já estão com o Senhor, rezam por nós.

Além disso, é muito agradável a Deus a intercessão de Seus amigos. É claro que Martinho Lutero e seus seguidores não aceitam que alguém mereça, por seu amor a Deus, ser atendido por Ele. É assim porque o protestantismo nega a doutrina do mérito. Para eles, “tudo é graça”. Os católicos reconhecem que, realmente, tudo – inclusive o mérito – é graça. Os santos receberam muitíssimas graças de Deus, entre as quais está a própria graça de merecer. Por isso, eles, porque amaram muito ao Senhor, merecem ter as suas preces ouvidas por Ele.

Mas, não existem apenas os fiéis que estão no Céu. A Comemoração dos Fiéis Defuntos recorda que nem todos os que se salvam vão diretamente para a vida eterna. Infelizmente, nos últimos tempos, por influência protestante, muitos teólogos têm negado a existência do purgatório, alegando que ele foi uma “invenção medieval” e que, com vistas a um malfadado ecumenismo, a Igreja deveria parar de pregar sobre isso.

A verdade é que o purgatório faz parte do “depósito de fé” e do ensinamento da Igreja de dois mil anos. Os primeiros cristãos, nas catacumbas, por exemplo, já rezavam pelos mortos. Ora, sabendo que depois da morte não existe uma “segunda chance” de salvar-se, essa prática só pode indicar a existência de uma purificação, após a morte, para aqueles que já se salvaram, mas, em vida, não amaram a Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento [8]. Infelizmente, esse é o estado em que se encontram muitos de nós, por conta de nossos pecados e de nossa falta de generosidade com Deus. Se não nos purificarmos nesta vida, seremos purificados na futura. Para os protestantes, no entanto, a fé seria uma espécie de “véu”, que encobriria o fato de que o homem é ontologicamente pecador, perverso e desordenado. Os salvos, portanto, entrariam no Céu como que “disfarçados”.

Os católicos, ao invés, creem que só se entra no Céu totalmente santo. Por isso, é importante que, em um ato de caridade, sufraguemos as almas dos fiéis defuntos, a fim de que se purifiquem logo e entrem na posse eterna de Deus.

Referências

  1. Catecismo da Igreja Católica, 959
  2. Ibidem, 954
  3. Gl 2, 20
  4. Adversus haereses, IV, 20, 7
  5. 1 Tm 2, 5
  6. At 12, 5
  7. Cf. Rm 8, 35-39
  8. Cf. Dt 6, 5; Mt 22, 37

Papa Francisco celebrará missa de Todos os Santos no maior cemitério de Roma

VATICANO, 30 Out. 14 / 02:19 pm (ACI/EWTN Noticias).- O Papa Francisco celebrará uma missa pela festa de Todos os Santos no próximo sábado, 1º de novembro, no maior e mais antigo cemitério de Roma, o Cemitério Monumental “de Verano”. Conforme informou a diocese de Roma, a cerimônia começará às 16h, hora local, e terminará […]

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É PRECISO CAMINHAR 2014-10-30 23:19:00

 

TODOS OS SANTOS

SOLENIDADE

 Sábado, 01 de Novembro de 2014

Evangelho: Mt 5,1-12

Naquele tempo, 1 vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2 e Jesus começou a ensiná-los:

3  “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.

4 Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.

5 Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.

6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

7 Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.

8 Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.

9 Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.

10 Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus!

11 Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim.

12 Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.          
________________

Neste dia celebramos a festa de todos os santos. O culto aos santos é a conseqüência de nosso Credo, conhecido como Símbolo Apostólico, onde professamos: “Creio… na comunhão dos santos…”. Esta pequena frase nos indica e afirma que a nossa relação com os santos é contínua porque acreditamos na não–interrupção da comunhão eclesiástica pela morte e ao mesmo tempo acreditamos no fortalecimento da mútua comunicação dos bens espirituais (LG no 49; compare com Rm 8,38-39). A Igreja dos peregrinos (todos nós mortais na história) sempre teve e continua tendo perfeito conhecimento dessa comunhão reinante em todo Corpo Místico de Jesus Cristo que é a Igreja (LG 50). A Igreja venera os santos como exemplos, pois eles são reflexos da santidade de Deus. Eles contemplam tanto o Deus santo a ponto de transformá-los em verdadeiros reflexos do Deus santo. Os santos nos ensinam a trilharmos o caminho da santidade que termina na comunhão com Deus. O Culto aos santos une-nos a Igreja celestial, pois acreditamos na vida sem fim, na vida eterna.

 

Os santos no Céu não se tornam uns egoístas que gozam a merecida felicidade. Como irmãos que nos precederam, eles ainda se lembram de nós, seus irmãos, como Cristo sempre se lembra de nós. Os santos no Céu e os cristãos na terra são uma família única. Assim como uma família, um irmão ajuda o outro irmão. Por isso é que pedimos a ajuda dos santos. Se acreditamos na vida sem fim, então não há separação entre nós e os santos. Como irmãos nossos que nos precederam para a eternidade, sem dúvida nenhuma, eles continuam nos ajudando como eles nos ajudavam quando estavam conosco neste mundo.

 

Entendemos aqui por “santos” todos os que já estão no céu e vêem o próprio Deus face a face porque viveram a vida de acordo com os ensinamentos de Cristo que se resumem no amor a Deus e ao próximo. São aqueles que estão na paz e na felicidade suprema (GS 93); aqueles que estão na comunhão perpétua da incorruptível vida divina (GS 18). Esta vida perfeita chama-se “o Céu”. O Céu é, certamente, o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado supremo e definitivo de felicidade. O céu é o estado em que todos alcançam a maturidade no amor, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). O Céu é o desejo de todos nós que estamos peregrinando ainda nesta terra. Participar da vida divina, a vida em sua plenitude, a vida cheia de amor é o que queremos todos os dias, tanto para nós e nossos familiares como para aqueles que nos precederam. Sobre o Céu, conforme as palavras de São Paulo, citando Is 64,4, podemos dizer de outra maneira: “O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que O amam” (1Cor 2,9). O céu é onde os cristãos e as pessoas de boa vontade se encontram com Cristo (cf. Jo 14,3; Mt 25,31-45). O céu é para as pessoas que vivem as atitudes básicas assinaladas pelas bem-aventuranças (cf. Mt 5,1-12). A única coisa que interessa a Deus é o nosso bem e o bem que praticamos em favos de nossos irmãos.

                

Como filhos de Deus, também estamos conscientes de que Deus é o Único Santo e fonte de toda santidade. Por isso, conseqüentemente, Ele é o Único que faz santos os participantes em sua vida por fruírem de sua santidade, por cumprirem seus desígnios, por entrarem na esfera vital de seu reinado, por viverem os ensinamentos de Jesus Cristo na vida diária. A santidade é uma forma normal de viver conforme os ensinamentos de Cristo. Quando o homem já participa em plenitude da vida de Deus no Reino dos céus, então é santo por sua comunhão de vida com Deus, o Único Santo (cf. 1Jo 3,2).

  

Sabemos também que somente Deus pode receber o verdadeiro culto de adoração.  Dá-se, porém, o culto de veneração aos servidores de Deus que já estão unidos a Ele plenamente na glória e pela comunhão que mantém conosco, nos atraem para Deus e nos ajudam a percorrermos o caminho que trilharam e que nos conduzem à meta na qual nos precederam. Eles são prova evidente do amor de Deus e neles Deus nos fala. Eles são reflexos da santidade de Deus. Quando veneramos os santos é porque descobrimos neles mais vivamente a presença e o rosto de Deus; neles se manifesta a imagem de Deus, o Único Santo.

  

Por isso, o culto aos santos não rebaixa nem diminui a adoração a Deus, pelo contrário, enriquece-a intensamente porque nos aproxima mais da única santidade de Deus que devemos imitar pessoalmente como o fizeram homens como nós enquanto percorriam o mesmo caminho que estamos percorrendo.

Do ponto de vista cristológico nós sabemos também que Cristo é o Santo de Deus (Mc 1,24). Ele é a imagem do Deus invisível (Cl 1,15). A santidade do homem consiste em sua perfeita união com Jesus (LG 50). A santidade cristã é uma forma normal de viver segundo os ensinamentos de Cristo. Os santos são santos porque imitaram e viveram os ensinamentos de Jesus, Senhor de todos os santos. Eles produziram em si mesmos, de forma significativa, o mistério pascal de Jesus. Eles contemplam Cristo profundamente e por isso, se tornam reflexos de Cristo para os outros. Por isso, a união com os santos e seu culto unem-nos a Jesus, de quem dimana toda a graça santificadora; eles são seus amigos e co-herdeiros. Enfatiza-se muito, por isso, esse valor cristológico do culto aos santos na celebração eucarística.

É evidente que os santos, cuja festa celebramos neste dia, não são somente aqueles que estão na lista oficial da Igreja. O livro de Apocalipse (Ap 7,2-14) fala de um desfile de 144 mil servos de Deus no céu. 144 é um número simbólico (12 x 12) significa a unidade e totalidade do povo eleito. Entende-se, por isso, uma grande multidão de pessoas de todos os povos e religiões, culturas, de antes e depois de Cristo. Por isso, nunca podemos esquecer que há exemplos de santidade e heroísmo cristão em outras Igrejas, religiões, povos e culturas. Reconhecer essa presença é uma ajuda para superar os nossos seculares preconceitos e para acolher com alegria esses parceiros na construção do Reino de Deus ou do mundo mais fraterno.          

Quando nós veneramos os santos, portanto, não somos idólatras. Se nós admirarmos e louvarmos um quadro de valor, por acaso o pintor deste quadro se sentirá ofendido? Ao contrário, ele não ficará feliz? Os santos são as obras artísticas de Deus, Aquele que esculpiu e pintou o seu semblante na alma deles. Se admirarmos ou louvarmos os filhos, por acaso o pai se ofenderá? O pai não ficará feliz pela admiração dada aos seus filhos por outras pessoas? Os santos são os filhos prediletos do Senhor, aqueles que mais se lhe assemelham.

     

Mas devemos reconhecer que há pessoas que amam o santo ou a santa, mas não a sua santidade. São muitos cristãos que recorrem aos santos somente para os interesses materiais ou só para alcançar determinada graça e não para pedir a graça de seguir o exemplo desses santos que viveram até o fim os ensinamentos de Jesus Cristo. Não podemos abusar dos santos só para atender nossos desejos materiais, esquecendo-nos de que precisamos seguir seus exemplos de santidade.  Devemos saber que não há devoção mais eficaz do que a imitação das virtudes dos santos. Para que, seguindo o exemplo dos santos que viveram segundo os ensinamentos de Cristo durante sua vida terrena, possamos também alcançar a santidade para a qual todos nós somos chamados. 

     

A vocação à santidade é universal. Todos são chamados à santidade, segundo diz S. Paulo: “Pois esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (cf. 1Ts 4,3;Ef 1,4). E o fundamento de nossa santidade ou da nossa perfeição é Jesus Cristo, cumpridor fiel da vontade de Deus. Como dizia Santa Teresa do Menino Jesus: “…Quem aspira à santidade deve fugir à tentação de querer santificar-se ao seu modo, conforme a própria vontade, seu ponto de vista, seus planos humanos, mas entregar-se inteiramente à vontade de Deus. Deus traça o caminho e o homem deve segui-lo” (Fd.5-10). E na mesma perspectiva São João da Cruz ensinou: “A santidade, ou seja, a união autêntica com Deus consiste na total transformação de nossa vontade na vontade de Deus, de tal modo que, em nós, nada contrarie a vontade do Altíssimo, mas nossos atos dependem totalmente do beneplácito divino” (Subida I-II,2).

  

Portanto, o culto verdadeiro de veneração que prestamos aos santos não deve terminar neles. Ao contrário, deve acabar em Cristo como fonte da missão, grandeza, dignidade e privilégios destes santos. Os santos nos ajudam a termos fé firme em Jesus Cristo, mesmo que nos encontremos numa situação sufocante.

 

Os santos são um grande exemplo de santidade e de cumprimento da vontade de Deus para nós. Não pensemos que não podemos resistir às tentações. Também os santos tiveram carne e sangue como nós; experimentaram as tentações como as nossas tentações, contudo eles venceram. Basta ler a história da vida dos santos, como Santo Agostinho, São Francisco de Assis, São João da Cruz, Santa Teresa de Ávila e muitos outros santos, saberemos as lutas sem tréguas deles contra as paixões desordenadas, contra as tentações e outros problemas, no entanto venceram. Apesar de tantas dificuldades, os santos viveram os ensinamentos de Cristo até o fim de sua vida. Se eles venceram, será que nós não podemos vencer também?

Ser santo é viver com a pureza de coração sem segundas intenções, oferecendo sinceridade e confiança. Ser santo é ter confiança, esperança, alegria, porque Jesus está conosco. Ser santo é solidarizar-se com aqueles que sofrem para aliviar sua dor. Santo na perspectiva de Jesus é quem decide construir um mundo novo onde os homens se amam, se querem e se ajudam, onde não se recusam uns aos outros por sua cor, dinheiro, poder e assim por diante. Por isso, a santidade não é um modo excepcional de viver e sim a forma normal de ser cristãos.

Por esta razão, a festa de Todos os Santos deve ser para nós a ocasião para perceber melhor a natureza profunda da santidade que recebemos no Batismo e que devemos fazer frutificar ao longo de nossa vida para que um dia possamos, pela misericórdia de Deus, estar na comunhão dos santos eternamente.

  

Alcançar a santidade é descobrir o espírito da bem-aventurança e da paz que deve animar toda a existência. É buscar o bom sempre o bom, o certo, o justo, o verdadeiro, o honesto. É defender a bênção no meio das maldições. A santidade é a totalidade do espírito das bem-aventuranças que se lêem no evangelho deste dia. A totalidade é pobreza do espírito para que a graça de Deus possa ocupar o coração. A totalidade é mansidão, justiça, pureza, paz e misericórdia. É abertura e doação que tem como símbolo a confiança de uma criança.

  

Santidade é plural no sentido de que cada um deve seguir a Cristo a partir de sua própria circunstância e dos talentos, a partir de sua nação e língua, nos dias felizes e quando a tribulação arranca lágrimas do coração, no silêncio de um convento ou na vertigem da cidade. “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (1Ts 4,3a).

Pedimos a ajuda dos santos que viveram os ensinamentos de Cristo até o fim, para que possamos também viver segundo os ensinamentos de Cristo até o fim de nossa vida terrestre para que um dia, pela misericórdia de Deus, mereçamos ser chamados de santos para estar na comunhão de todos os santos de Deus.

P. Vitus Gustama,svd

Por mais sensibilidade ao sofrimento do outro

Ao ler hoje o trecho inicial do Compêndio da Doutrina Social da Igreja, fui tomado por um súbito momento de reflexão. Sabe quando você lê um livro e de repente uma frase te leva para longe dali e te faz pensar em coisas que você viu ou fez? Pois é, hoje aconteceu comigo. O trecho […]

Donny Pauling: de produtor pornográfico a pregador e missionário católico

Viciado em pornografia

A melhor forma de ajudar as pessoas dependentes da pornografia a abandonar este vício terrível é rasgar a máscara bonita que o encobre e exibir toda a sua podridão, sem meias palavras.

É essa a opinião de Donny Pauling, que, depois de trabalhar como produtor de filmes pornográficos por nove anos, teve um encontro pessoal com Deus e decidiu renunciar à sua vida de pecado. Hoje, pregador e blogueiro católico, Pauling viaja por todos os Estados Unidos, compartilhando a sua edificante história e alertando principalmente a juventude para a grande ameaça da pornografia.

Assim como São Paulo, antes de sua conversão, Pauling não simpatizava nenhum pouco com a fé cristã. Criado em um lar protestante, Deus parecia para ele “uma lista de regras e normas, ao invés de alguém com quem se tem um relacionamento”. “Ele era a razão pela qual eu não podia ir às danças da escola ou a um encontro, ou mesmo passar a noite com os meus amigos”, conta Donny. Observando o comportamento daqueles que simplesmente o ameaçavam com o inferno, ele decidiu que “não queria nada com aquilo” e começou a “ter ódio de Deus”.

Com o passar do tempo, o rapaz foi se envolvendo com o mundo da pornografia e, por conta disso, acabou destruindo até mesmo o seu casamento. “Eu amava o dinheiro. Eu amava o estilo de vida. Eu amava ser o ‘cara’ na cidade”, diz. Em discussões na Internet, chamava os cristãos de “hipócritas” e “reprimidos sexuais”, em uma tentativa patética de legitimar o seu trabalho.

A verdade é que o seu sucesso profissional era bancado pela exploração cruel e impiedosa das mulheres. Nem os seus lucrativos contratos, nem os milhares de dólares que fazia por dia podiam trazer-lhe paz à consciência. “Eu recebia telefonemas de garotas chorando e me implorando para remover o conteúdo que tínhamos produzido delas, porque estava destruindo suas vidas”, revela Donny. “Você via essas garotas com brilho nos olhos que vinham para fazer um trabalho que elas pensavam ser legal. Nossa sociedade hoje diz para elas que isso está certo. Mas, com o passar do tempo, você vê o brilho sumindo de seus olhos. (…) Os olhos brilhantes se turvam, porque essa é a realidade da pornografia”.

Depois de conhecer um corajoso projeto cristão para restaurar pessoas imersas na pornografia, Donny decidiu mudar de vida e, em 2006, abandonou tudo para se tornar cristão. Na Vigília Pascal deste ano, ele deu mais um passo em direção a Cristo e, após conhecer a fé católica, recebeu o Sacramento da Confirmação, entrando em plena comunhão com a Igreja de Roma.

Donny Pauling gerencia um ótimo blog na página pró-vida Life Site News, no qual compartilha tanto suas “confissões de ex-produtor pornográfico”, quanto suas preocupações como pregador do Evangelho. Ele alerta que “a pornografia está devorando o nosso mundo, e a juventude é o alvo mais atingido por ela”.
“De todos os jovens com que conversei acima da idade de 12 anos, eu consigo lembrar apenas um que me disse nunca ter visto pornografia”.

Para convencer os jovens da maldade da pornografia, ele recorre a uma parábola:

“Imaginem, por um momento, que vocês estão profundamente apaixonados por uma garota e que fariam qualquer coisa por ela. (…) Agora, imagine que, nessa mesma escola, há um outro jovem que, para atingir você, decide que vai seduzir a garota que você ama, usá-la, abusar dela e destruí-la, até que se reduza a nada. Ele conta a você que vai fazer tudo isso, deixando claro que tudo não tem nada a ver com a garota, mas só com você.”

“Você se dirige à sua amada e a avisa dos planos do outro rapaz. Adverte que ele vai fingir se preocupar com ela, apenas para subjugá-la. Mas, não importa o quanto você tente alertar e insistir com ela para não o escutar, ela, de fato, cai em suas seduções e as coisas se desenrolam exatamente como o seu inimigo disse que aconteceriam. No fim, ela termina destruída e usada.”

“Isso é exatamente o que Satanás faz em relação à pornografia e à sexualidade. Deus concebeu o sexo para ser uma experiência bela e gratificante. Uma forma de Satanás distorcere perverter isso é através da pornografia. (…) Ele zomba de Deus, dizendo que somos alvos fáceis e que, não importa o quanto tenhamos sido avisados, cairemos na mentira que a pornografia apresenta em relação à sexualidade. Nós estupidamente permitimos que Satanás faça exatamente o que tinha planejado fazer, destruindo o belo presente que o sexo deveria ser, substituindo-o por uma asquerosa falsificação e ‘jogando na cara’ de Deus o fato de que ele pode facilmente nos extraviar do Seu caminho.”

“Assim como partiria o seu coração ver a garota do meu exemplo destruída, do mesmo modo parte o coração de Deus ver que permitimos a beleza desse dom que é a intimidade sexual ser pervertida de modo tão terrível pela pornografia.”

Ele também insiste no fato de que “somos chamados a ter um relacionamento com nosso Criador” e que “não há nada que façamos que pode fazer o Seu amor por nós diminuir”, nem as nossas quedas. Para ilustrar essa verdade, Pauling faz outra comparação:

“Estou certo de que todos já vimos uma criança aprendendo a andar. Quando ela dá aquele primeiro passo, os pais, orgulhosos, divulgam nas redes sociais, ligam para os amigos e agem como se fosse o primeiro passo do homem na lua. Mas você já ouviu falar de algum pai que, depois de levantar o seu filho, após mais uma queda no chão, diz a ele: ‘Sabe… essa é a terceira ou quarta vez que você cai hoje. Eu não acho que esse negócio de andar seja para você. Talvez você deva ficar aí mesmo, no chão!’? É claro que não. Isso é absurdo.”

Do mesmo modo, Deus, porque nos ama, não nos quer ver caídos no pecado. Por isso, está sempre estendendo a mão para nos levantar e nos colocar de novo no caminho da graça. A vida de Donny Pauling é mais um fruto da misericórdia divina, assim como a de tantos de nós, que muito ofendemos a Deus, mas, justamente porque muito fomos perdoados, devemos a Ele amor maior (cf. Lc 7, 47).


Por
Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Donny’s Escape from Pornography
  2. ‘Help! I can’t sleep, go to school or even the bathroom without watching porn’ | Donny Pauling

Porta-voz da associação de exorcistas adverte: a astúcia do diabo está em parecer que ele não existe

ROMA, 30 Out. 14 / 12:50 pm (ACI/EWTN Noticias).- O psiquiatra Valter Cascioli, porta-voz da Associação Internacional de Exorcistas, recordou que “a astúcia do diabo está em fazer-nos acreditar que ele não existe” e assim consegue separar-nos de Deus e dos outros. “Sabemos que o que divide, o diabo, não só nos separa de Deus, […]

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