Mês: setembro 2014

YouCat Online – Igreja: Corpo e Esposa de Cristo

126 – O que significa dizer que a Igreja é o “corpo de Cristo”?

Sobretudo pelos Sacramentos do Batismo e da Eucaristia surge uma indissolúvel ligação entre Jesus Cristo e os cristãos. A ligação é tão forte que ela O une a nós como uma “cabeça” aos membros de um “corpo” humano. [787-795]



127 – O que significa dizer que a Igreja é a “esposa de Cristo”?

Jesus ama sua Igreja como um esposo ama a sua esposa. Ele liga-se a Ela para sempre e entrega a sua vida por ela. [796]

Quem alguma vez esteve enamorado percebe o que é o amor. Jesus sabe-o e chama-Se a Si próprio de “noivo”, que num amor apaixonado namora com a Sua “noiva” e deseja celebrar com ela a festa do amor. Nós, a Igreja, somos a Sua “noiva”. Já no Antigo Testamento o amor de Deus pelo Seu Povo era comparado ao amor entre um homem e uma mulher. Quando Jesus quer “namorar” com cada um de nós, quão frequentemente não Se torna um infeliz enamorado naqueles, de fato, que não querem saber do seu amor e não Lhe correspondem?!


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Candidato consegue defender a catedral de Campinas de profanação

Para evitar o que houve recentemente em Paris, com a profanação do templo por feministas radicais, jovens católicos providas, liderados pelo Prof. Hermes Rodrigues Nery, candidato a deputado federal (SP) e Flavia Camargo, defenderam a Catedral de Campinas, nesse passado sábado, 27 de Setembro. Na praça, tomada por petistas e integrantes do MST e feministas […]

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15 perguntas para se fazer antes do casamento (ou depois dele!)

Você acha que já está pronto(a) para casar? Faça o teste e descubra O fato de você se sentir muito apaixonado(a) e achar que já encontrou a pessoa da sua vida não significa que você está completamente pronto(a) para se casar. Falta uma parte muito importante a ser considerada: suas próprias habilidades e destrezas para […]

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Quaresma de São Miguel Arcanjo: Oração Final – Libertos de todo mal! – 29/09/2014

Finalmente chegou o grande dia: Dia dos Santos Arcanjos! Dia do Glorioso São Miguel! Antes de mais nada queremos parabenizar a você que chegou ao fim da jornada. Sabemos que não foi fácil, porém você conseguiu! E agora é a hora de celebrar a vitória de Deus pela intercessão de São Miguel Arcanjo! Hoje vamos […]

Papa Francisco: Satanás odeia o homem

Em homilia hoje, dia dos arcanjos, o Papa Francisco falou sobre a luta entre Deus e o diabo Satanás apresenta as coisas como boas, mas quer destruir a humanidade. Esta foi a principal mensagem do Papa Francisco em Santa Marta nesta segunda-feira em que a Igreja celebra os Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael. As leituras […]

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É pecado apostar na loteria?

E imoral apostar na loteria mini

Será que é pecado apostar na loteria? Algumas pessoas olham para esse e outros jogos com certo puritanismo, achando que se tratam de algo imoral. O Catecismo da Igreja Católica, no entanto, esclarece que “os jogos de azar (jogo de cartas, etc.) e as apostas não são, em si mesmos, contrários à justiça” [1].

Há nuances, no entanto, que precisam ser consideradas. Antes de mais nada, importa definir o que é a loteria. Trata-se de um contrato em que os participantes, mediante o pagamento de um valor irrisório, contratam o direito de concorrer a um prêmio muito maior do que o valor que apostaram, de modo que o número de pessoas contratantes determina o valor do prêmio a ser sorteado. A rifa, o bingo e a tômbola são jogos parecidos e o juízo moral acerca deles é praticamente o mesmo.

À parte a legislação civil e penal específica de cada país, o que dizer das loterias, sob a ótica da moral católica? Para que sejam moralmente lícitos, é preciso observar alguns pontos, primeiro, em relação a quem organiza esses jogos, depois, em relação a quem participa deles.

No que diz respeito aos organizadores, é importante: que não façam fraudes, porque isso significa enganar as pessoas que fizeram a aposta; e que não haja para eles uma recompensa muito alta, o que seria uma forma de eles se aproveitarem das pessoas e da sua vontade de ganharem um prêmio. É o que acontece, por exemplo, no “jogo do bicho”, que, ainda que fosse aceito pelas legislações locais, continuaria sendo imoral, pois enriquece ilicitamente as pessoas que o organizam. A loteria só pode ser uma fonte de alto rendimento caso, sendo realizada pela iniciativa privada, seja destinada a obras de caridade, ou, no caso de ser organizada pelo governo, funcione como uma espécie de “imposto voluntário”, pelo qual as pessoas dão o seu dinheiro ao poder público, sabendo que ele será destinado a alguma finalidade previamente estipulada.

Por parte dos apostadores, importa: que não se privem “daquilo que é necessário para suprir suas necessidades” [2] – o que é mais comum em jogos de azar que em loterias, a menos que se apostem muitos bilhetes de uma só vez; e que vigiem para não se tornarem adictos a esses jogos. Excluídas essas duas hipóteses, é moralmente aceitável apostar na loteria.

Todavia, além da questão do moralmente permitido, é preciso perguntar se é aconselhável espiritualmente apostar nesses jogos. Por trás das apostas, muitas vezes, há uma atitude espiritual doentia que, além de alimentar a ambição pelas riquezas, faz as pessoas diminuírem o seu amor pelo trabalho e aumentarem a sua vida ociosa, na esperança de que seu sustento cairá magicamente dos céus, sem que elas façam nada para consegui-lo.

Apostar na loteria, geralmente, não é pecado. Mas isso não significa que não nos devamos precaver espiritualmente, cuidando de uma relação honesta e sadia com as riquezas. A ilusão da vida ociosa e da riqueza fácil pode fazer esquecer que o caminho da santificação passa justamente pelo trabalho e que o próprio Senhor exaltou a pobreza de espírito como uma bem-aventurança: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus” [3].

Referências

  1. Catecismo da Igreja Católica, 2413
  2. Idem
  3. Mt 5, 3

É PRECISO CAMINHAR 2014-09-28 17:28:00

 

TER NOME ESCRITO NO CÉU

 

Sábado Da XXVI Semana Comum

04 de Outubro de 2014

 

FESTA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

 

 

Evangelho: Lc 10,17-24

Naquele tempo, 17 os setenta e dois voltaram muito contentes, dizendo: “Senhor, até os demônios nos obedeceram por causa do teu nome”. 18 Jesus respondeu: “Eu vi Satanás cair do céu, como um relâmpago. 19 Eu vos dei o poder de pisar em cima de cobras e escorpiões e sobre toda a força do inimigo. E nada vos poderá fazer mal. 20 Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem. Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu”. 21 Naquele momento, Jesus exultou no Espírito Santo e disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 22 Tudo me foi entregue pelo meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho, a não ser o Pai; e ninguém conhece quem é o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. 23 Jesus voltou-se para os discípulos e disse-lhes em particular: “Felizes os olhos que veem o que vós vedes! 24 Pois eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que estais vendo, e não puderam ver; quiseram ouvir o que estais ouvindo, e não puderam ouvir”.

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FRANCISCO DE ASSIS E O RESPEITOPELANATUREZA

No dia 04 de outubro a Igreja celebra a festa de Sao Francisco de Assis. Nasceu em Assis (Itália) em 1182. Era filho de um rico comerciante de tecidos (Pedro Bernardone). Batizado com o nome de Giovanni di Pietro Bernardone. Porém, como seu pai era comerciante de tecidos preciosos comprados na França, trocaram-lhe o seu nome para Francesco, ou seja, “o francês”.


Francisco gostava de festas em companhia de outros jovens e foi coroado “rei da festa”.


No outono de 1205, Francisco em oração na capelinha de São Damião, escuta do grande Crucificado uma ordem: “Francisco, vai e repara a minha casa que está para ruir“. Esta “minha casa” era a Igreja de então. No entento, Francisco entendeu como sendo a própria capela de São Damião que estava necessitando de reparos. E ele começou a restaurá-la.


O conflito com seu pai começou quando Francisco distribuiu para os pobres tanto dinheiro como tecidos. Todos achavam, inclusive seus colegas jovens de festas, que Francisco ou um covarde, ou um louco, ou um jovem que fora muito mimado.


Um dia, indo para Roma, ao encontrar com um pobre, Francisco trocou com ele as suas ricas roupas e exprimentou o que é a vida de pobre. E ele disse aos pais e amigos: “Estou começando a enxergar uma luz no fundo do túnel”.


Com seus 25 anos Francisco abandonou sua casa (em estado de nudez) para seguir a Jesus e começou a reforma da “Casa” de Cristo, a Igreja. Pelo testemunho de sua vida muitos jovens começaram a fazer parte do grupo de Francisco. O grupo vivia de esmolas e de seu trabalho, sem receber dinheiro. E começaram a sair pelo mundo afora, de dois em dois para pregar o Evangelho. E o número do grupo foi aumentando. Francisco, sem querer fundar Ordem religosa, resolveu ir a Roma para pedir ao Papa uma aprovação de seu tipo de vida. Em maio de 1210 o Papa Inocêncio III aprovou o pedido. No dia 3 de Outubro d 1226 faleceu. Foi canonizado no dia 6 de julho de 1228.

 
Os contemporâneosde São Francisco falavam comfreqüênciado carinho de Francisco de Assis pelosanimais e do poderquetinhasobreeles. Porexemplo, é a famosarepreensãoquedirigiu às andorinhasquando estava pregando emAlviano: “Irmãs andorinhas, agora é minhavezparafalar. Vocêsjácantaram bastante!”. Famosatambémsão as anedotassobre os passarinhosque vinham escutarFrancisco de Assis quando cantava as grandezas do Criador, do coelhinho quenãoqueria separar-se dele no Lago Trasimeno e do lobo amansado (domesticado) peloSão Francisco.

São Francisco tratatudocomoirmão e irmã. Porqueele chegou a esta compreensãoe a estetipode tratamento? A respostaé: Porqueeletem uma fascinanteexperiênciade Deus. Qualé esta experiência?


 
Esta experiênciaconsiste, antes de tudo, numa novaaproximaçãode Deus, num olharnovosobreDeus. O DeusqueSãoFrancisco descobre não é o Deus dos senhoresda Igreja, nemo Deus das guerrassantas e das cruzadas. Nemsequer o Senhorbenfeitorque de suaposiçãodominantederramaseusbenspara os fieissubordinados. SegundoSãoFrancisco, Deus deixou suaposiçãodominante. “O Senhor da majestade se fez irmãonosso”, disse SãoFrancisco de Assis (2 Cel 198); se fez umde nós, o maispobredentrenós; caminhou conosco. Olhem, irmãos, exclamem, a humildade de Deus...” (CtaO 28). Essa visão encheu Francisco de Assis de grandefelicidade. Porisso, ele gostava de repetiro Sl 68,33: “Ó, vós, humildes, olhai e alegrai-vos!”. E ao rezaresteversículo, Francisco exultava de alegriaporquenãosomente acreditava, maso experimentava.

 

Esta humanidadede DeusnãoeraparaFrancisco umsimplesobjeto de devoção, mas inspirava todoseucomportamento, todas as suasrelações; era acolhida comoumnovoprincípio de sociedade.


 
Deus vem a nóspeloscaminhos da humanidadee pornossaparte, somentepodemos ir a Elepeloscaminhosda humanidade. O próximoé a passagemobrigatóriaparachegaratéDeus. ParaSão Francisco Deus revela verdadeiramente Seurostosomenteonde se instaura uma comunidadehumanafraterna, ondeas relações de dominaçãosão extintas. Eleescreveu: “Nunca devemos desejarestaracima dos outrose sim devemos serservos… aquelese aquelas que cumprirem essas coisas e perseverarem atéo fim, o EspíritoSanto pousará e fará neles habitação e morada”(2CtaF 47-48).


 

 

Esse novoolharsobreDeus é acompanhadode uma novavisãodo mundo. Francisco aprendeu a olharpara os seres e as coisasdeixando de ladotodavontade de apropriaçãoe de dominação. Eleolhava tudo, nãoemrelaçãoa seusinteressesousuasambições e simcomocriaturasde Deus, dignade amizade. PelanovavisãosobreDeus(humanidade de Deus) Ele descobriu o esplendore a profundaunidadedas criaturas.


 

 

Esta fascinanteexperiência do mundo, a partir da fascinanteexperiência de Deus, esta alegriapurade existiremmeio das coisas, Francisco a expressou commuitaprecisãono seuCantodo irmãoSol: “Louvado sejas, meuSenhor, com todas as criaturas, especialmenteo senhorirmãoSol, queclareia o dia e comsualuznos ilumina. E eleé belo e radiante, comgrandeesplendor: de Ti, Altíssimo, é imagem. Louvado sejas, meuSenhor, pelairmã Lua e as estrelas, que no céuformastes claras e preciosas e belas. Louvado sejas, meuSenhor, peloirmãoVento, peloaroupelonubladoousereno, e todoo tempo, peloqual às criaturasTu dás sustento. Louvado sejas, meuSenhor, pela irmã águaque é muitoútil e humilde, e preciosa e casta. Louvado sejas, meuSenhor, peloirmãoFogo, peloqual iluminas a noite, e ele é beloe jucundo e vigorosoe forte. Louvado sejas, meuSenhor, pornossa irmã a mãeTerra, quenossustenta e governa, e produz frutosdiversose coloridas flores e ervas.


 
Este Cânticomanifesta uma adesãosemreservas, entusiasta ao mundo, à mesmamatéria(somos pótambém, e voltaremos ao pó). É umsim ao universo, uma afirmação do valordos seres e das coisas, talcomoos recebemos das mãos do Criador. Poramor a Deusque se humaniza, Francisco fraterniza com todas as criaturas, escutasuavoz, admira suaformosura. E comelaselelouva ao Altíssimo Deus. Elechama a terra de “nossamãeterra”. É aquela que gera, quecuida comternura, queconserva, quenãodeixafaltarnada e quenos abriga. A mãeterraprecisasertratadacomcarinho, comrespeitoconservando-a intacta e puracomo a recebemos das mãos do Criador.


 
Diante do mundoque tem comopaixão o dinheiroestecantodo irmãoSolse eleva comoumprotesto e uma chamadade atenção. A fraternidadeuniversalquecanta Francisco de Assis é uma tarefaquetemos querealizare construir, pois nisto está o sentido do mundo. Fraternizarcomtodas as criaturas, comofez Francisco de Assis significa convertertoda a hostilidadeem uma fraternidadeondetudoe todossãotratadoscomrespeito e comcuidadocarinhoso.


 

 

No mínimo, cadadomingo, renovamos essenossocompromissoquandoprofessamos nossoCredoondeencontraa seguintefrase: “Creio emDeus, Paitodopoderoso. Criadordo céu e da terra”. Se professamos queDeusé o Criador da terra, logo temos quetratar a naturezacomrespeito, pois é de Deus. Se uma pessoaconstruiruma casacommuitosuore de repenteoutrapessoa derruba, gratuitamente, a mesma, qualserá a reação do donoda casa?

 


 

Somos tambémda natureza, poisfomos feitos de barro(Gn 2,7). Agredir a Terraé agredir a nósmesmos. Quandoumdianãosobrarnenhuma árvore, nenhumpássaro, nenhumpeixeouanimal, nenhuma planta, nenhuma gota de águanesta Terra, todosvãoentenderque o dinheironão pode ser comido e que o ouro e pedras preciosas nãopodem ser comidos. Assimdesaparecerá o serhumanoda face da terra.

 


 

A degradaçãocrescente de nossamãeterra, que é nossacasacomum é o fruto da faltade respeito ao Criador. Cuidar e sabercuidar faz parte do amor e do respeito. Porisso, faz parte do serdo cristão, poiselenãosomente acredita emDeus, masemDeusde amor (1Jo 4,8.16; Jo 3,16) cujomandamentoé o amor (Jo 13,34-35; 15,12).

 

P. Vitus Gustama,svd

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O texto do evangelho de hoje se encontra no contexto da volta dos setenta (e dois) discípulos da missão que o Senhor lhes tinha confiado anteriormente (Lc 10,1-12). Os discípulos voltaram da missão alegres, entusiasmados, empolgados por ter sido capazes de libertar os homens do mal, moral e físico pelo uso que fizeram do poder messiânico (o nome) de Jesus: “Senhor, até os demônios nos obedeceram por causa do teu nome”, relataram os discípulos a Jesus.  Todas as forças do mal considerados como inimigos de Deus e dos seres humanos tinham sido desarticulados pelos discípulos através do uso do poder recebido de Jesus. Isto significa que o poder sobre o mal que os discípulos têm é o fruto de sua comunhão plena com Jesus. Estar em plena comunhão com Jesus significa estar em pleno poder de Jesus, poder que liberta e não escraviza. Somente a fé em Jesus, isto é, estar nele e com ele, é que se pode derrotar qualquer poder que escraviza.

E Jesus lhes explica que uma vitória semelhante é o sinal da derrota das forças do mal que dominavam os homens até então: “Eu vi satanás cair do céu como um relâmpago” (Lc 10,18). Trata-se de uma queda brusca e rápida (relâmpago) e de uma grande altura (do céu). Altura de onde inicia a queda de uma coisa ou de uma pessoa determina o impacto sobre o que caiu ao chegar à terra.

Por que caiu do céu (satanás caiu do céu)? O tema da queda de satanás do céu pertence ao mito apocalíptico judaico, em que se alude à presença de satanás sobre o céu. Certamente, segundo esse mito, seu lugar e sua função se diferenciam do lugar e da função de Deus, porém pensa-se que satanás põe o trono nas esferas superiores e domina desde ali toda a marcha dos homens sobre o mundo. Mas a chegada de Jesus abole o estado de escravidão que permite o homem ter acesso à liberdade. A presença de Jesus é a derrota do poder do mal. Basta estar com Jesus e estar nele, o triunfo do poder do mal (satanás) termina seu reinado.

Mas para não cair na ilusão do poder e na idéia de domínio, para não ficar apenas na empolgação, Jesus alerta aos discípulos que o mais importante é ter os nomes escritos no céu. Ter nome escrito no céu é mais importante do que qualquer poder ou domínio na terra. Esta afirmação nos leva ao Livro do Êxodo onde encontramos uma explicação: somente são aqueles que participam do Reino de Deus e vivem conforme as suas exigências têm nome escrito no céu (cf. Ex 32,32). Não há nada que seja melhor para um ser humano do que ter seu nome escrito no céu, no livro da vida: “O vencedor será assim revestido de vestes brancas. Jamais apagarei o seu nome do livro da vida, e o proclamarei diante do meu Pai e dos seus anjos”, diz-nos o Livro de Apocalipse de São João (Ap 3,5). Esta é a grande mensagem do evangelho de hoje. Em outras palavras, os discípulos devem ficar alegres por pertencer a Deus ou participar da grande família do Reino (nome escrito no céu), por estar a serviço de Deus (libertar os homens da escravidão do mal), por gozar da proteção divina (nenhum mal consegue vencê-los), e por ter neles o germe da vida eterna que acaba com as forças da morte.

À luz desta experiência se situa a função dos discípulos missionários. Sua vitória sobre satanás se traduz no fato de que são capazes de vencer (superar) o mal do mundo (Lc 10,19) desde que mantinham sua pertença ao Reino e usem o poder conferido para libertar os outros e não para escravizá-los. Por isso, são declarados felizes: “Felizes os olhos que vêem o que vós vedes. Pois eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que estais vendo e não puderam ver; quiseram ouvir o que estais ouvindo e não puderam ouvir” (Lc 10,23-24). Os discípulos são felizes porque estão experimentando aquela plenitude messiânica que os antigos profetas e os reis de Israel sonhavam experimentar. No entanto, mais uma vez, sua autentica grandeza está no fato de seu encontro pessoal com Deus: seus nomes pertencem ao Reino dos céus (Lc 10,20).

Quem mantiver sua pertença à Família de Deus não estará fadado a ser escravo do poder do mal, mas será revestido do poder de Deus para superar todo mal no mundo e libertar os outros escravizados pelo mal. E quem mantiver unido a Deus, mesmo que seja frágil, ele será um instrumento eficaz nas mãos de Deus para pôr fim ao reino do mal e fazer triunfar o amor fraterna, a solidariedade fraterna, a bondade, compaixão e assim por diante. O espaço totalmente ocupado pelo bem, o mal não tem vez. Quem se mantiver assim até o fim, seu nome estará escrito no céu.

Que seu nome e meu nome estejam escritos no livro da vida, no céu. Para isso, é preciso que aprendamos a ser pequenos e simples diante de Deus. Os pequenos e os simples se mantém abertos ao mistério de Deus e compreendem a verdade de Jesus Cristo: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos” (Lc 10,21ª). A missão se estrutura como expansão do amor em que se unem Deus e o Cristo (Filho). Nesse amor, revelado aos pequenos e escondido para todos os grandes deste mundo, se fundamenta a derrota das forças destruidoras da história. “Com o amor não somente avanço, mas vôo. Um só ato de amor nos fará conhecer melhor Jesus. O amor nos aproximará dele durante toda a eternidade. Eu não conheço outro meio para chegar à perfeição a não ser o amor”, dizia Santa Tereza do Menino Jesus e da Sagrada Face, cuja festa é celebrada no dia 01 de outubro.

P. Vitus Gustama,svd

Quaresma de São Miguel Arcanjo: 45º Dia – Rezamos pelas eleições 2014 – 28/09/2014

Chegamos ao 45º dia da Quaresma de São Miguel Arcanjo e nós não poderíamos terminar esta Quaresma de São Miguel Arcanjo sem rezar pedindo uma intervenção dos Santos Anjos sobre os nossos governantes e políticos. Uma das missões do católico é rezar sempre pelos seus governantes, independente da religião dele. Pedimos em primeiro lugar sua […]

É PRECISO CAMINHAR 2014-09-27 23:15:00

 
SER CONVERTIDO DIARIAMENTE

Sexta-Feira Da XXVI Semana Comum

03 de Outubro de 2014

 

Evangelho: Lc 10,13-16

Naquele tempo, disse Jesus: 13 “Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque se em Tiro e Sidônia tivessem sido realizados os milagres que foram feitos no vosso meio, há muito tempo teriam feito penitência, vestindo-se de cilício e sentando-se sobre cinzas. 14 Pois bem: no dia do julgamento, Tiro e Sidônia terão uma sentença menos dura do que vós. 15 Ai de ti, Cafarnaum! Serás elevada até o céu? Não, tu serás atirada no inferno. 16 Quem vos escuta a mim escuta; e quem vos rejeita a mim despreza; mas quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou”.

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As cidades à beira do lago de Tiberíades (Corozaim/Corazim, Betsaida e Cafarnaum) tiveram mais ocasiões de ouvir Jesus e de presenciar os milagres operados por ele. Os milagres de Jesus são sinais que anunciam a chegada do Reino de Deus.  Os milagres são a assinatura de Deus sobre Sua existência. E a resposta do ser humano deve ser a conversão e a fé. No entanto, ninguém se converteu nessas três cidades. Continuavam a viver na injustiça e na arrogância.

A soberba humana construiu uma sociedade injusta que se resiste diante da mensagem libertadora de Deus. O soberbo ou o orgulhoso possui todos os vícios: egoísta, injusto, ingrato, imoral e fanfarrão. Como egoísta, ele sempre se coloca como centro de tudo. Como injusto, ele não quer reconhecer os direitos dos outros, somente seu próprio direito. Como ingrato, ele não permite compartilhar com os outros os seus merecimentos. Como imoral, ele não precisa respeitar moral alguma, mas ele impõe aos outros normas morais. Como fanfarrão, ele está sempre falando de si mesmo, atribuindo a si mesmo elogios por façanhas jamais realizadas. Santo Agostinho dizia: “A simulação de uma virtude é sacrilégio duplo: une à malícia a falsidade” (In ps. 63,12). O soberbo ou o orgulhoso é prepotente, insolente e violento.

Jesus não agüentou mais a dureza do coração dos habitantes das cidades citadas (Corozaim/Corazim, Betsaida e Cafarnaum), e por isso, pronunciou as maldiçoes. O que tem por trás dessas maldições é o convite de Jesus para a conversão. Converter-se significa deixar de praticar a injustiça e começar uma vida baseada na justiça; deixar de se vestir de orgulho para viver na humildade e simplicidade. A verdadeira conversão deve mudar a qualidade das relações humanas. Não pratiquemos a justiça para que sejamos perfeitos, mas para que nosso irmão, nosso próximo não seja tratado injustamente. Não procuremos protestar contra as injustiças sociais, se ignorarmos nossas injustiças pessoais.

Às vezes a Palavra de Jesus é ameaçadora, porque a vida humana não é um “jogo”; é algo muito sério onde há lugar para o juízo de Deus: nossa vida cotidiana é uma correspondência a Deus ou é uma recusa a Deus. Em todo momento nossos atos são uma escolha pró ou contra Deus. Infelizmente nem sempre pensamos nisso. Em todo momento Deus quer algo de nós. E em todo momento podemos saber qual é a vontade de Deus sobre nós. Quando pensarmos realmente em Deus em todo momento, e não só em algum momento de nossa vida, poderemos viver com Ele em correspondência à Sua vontade e saberemos ser irmãos dos outros.

As maldições pronunciadas por Jesus no evangelho de hoje são as terríveis advertências para os que se gloriam de ser cristãos, mas não vivem os ensinamentos de Jesus. Basta substituir o nome das cidades amaldiçoadas por seu nome e ouvir estas palavras atentamente, creio que, logo você dá a vontade de fazer o sinal da cruz e se benzer. E você diria: “Deus me livre!”.

As ameaças pronunciadas por Jesus as três cidades devem ser escutadas hoje por todos nós. As riquezas espirituais, de nenhum modo constitui uma segurança para nós. Quanto mais abundantes são as graças recebidas, tanto mais há que fazê-las frutificar.

Hoje temos que avaliar nossa atitude diante do Reino de Deus. Também fomos eleitos pela graça de Deus. Não temos mérito algum para ser escolhidos. Porém temos que responder a este chamado de Deus com altura e com responsabilidade. É uma exigência e temos que cumpri-la. Não percamos o tempo nem as oportunidades que nos oferece a vida para que a soberania de Deus se torne uma realidade nos corações das pessoas. Quanto mais abundantes são as graças recebidas, tanto mais há que fazê-las frutificar. Não basta estender a mão para receber os dons de Deus. É necessário esforçar-se por viver conforme os dons recebidos para não nos tornarmos um terreno estéril neste mundo.

Em nossa vida Deus continua fazendo milagres e continua falando em nosso coração, mas às vezes nossa resposta é a indiferença e continuamos com o coração endurecido como as pessoas de Corazim, Betsaida e Cafarnaum. Pode ser que Jesus no juízo final nos recuse porque nosso coração esteve sempre endurecido por nosso egoísmo e por nossa falta de amor (cf. Mt 7,21-23). Pior ainda, cremos que já temos solução, nos cremos salvos e convertidos definitivamente. A conversão é uma carreira inacabada. É um trabalho silencioso de cada dia.

Precisamos estar conscientes de que é bem verdade que os defeitos dos outros são os nossos enxergados nos outros. Por isso, não julguemos que a conversão seja somente para os grandes pecadores. A conversão é para todos, pois o “homem velho” dentro de nós sempre se opõe permanentemente ao “homem novo” libertado por Cristo. Nunca somos convertidos definitivamente, pois o amor cristão é para ser vivido diariamente. Que quiser amar continuamente, deve se converter diariamente, pois o egoísmo, a soberba, a agressividade, a violência, a hipocrisia, a luxuria etc. não estão mortos, mas apenas estão adormecidos. Estejamos vigilantes. Seria muito perigoso não se converter diariamente, pois o pecado pode fazer seu ninho dentro de nosso coração. Santo Agostinho dizia: “Quem não reconhecer seus pecados ata-os às costas como uma mochila e põe em evidência os pecados dos outros. Não por diligência, mas por inveja. Acusando o próximo, procura esquecer a si mesmo (In ps. 100,3).

O Reino de Deus certamente começa em nós pela nossa conversão aos valores do Reino de Deus tais como à verdade, à veracidade, à honestidade, à justiça, à paz, à fraternidade, ao respeito pela vida e dignidade dos outros e assim por diante. No coração de cada cristão deve germinar a semente dos valores do Reino de Deus, porque do coração humano brota tudo o que é bom e mau que vemos no mundo. Temos que lutar contra a armadilha do velho egoísmo que quer perpetuar o desamor e a falta de respeito pela dignidade dos outros. Viver em estado permanente de conversão é a lei de crescimento.

P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2014-09-27 17:54:00

 
SANTOS ANJOS DA GUARDA

02 de Outubro

SER IRMÃO E FAZER-SE PEQUENO

 

Primeira Leitura: Êx 23,20-23

Assim diz o Senhor: 20“Vou enviar um anjo que vá à tua frente, que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que te preparei. 21Respeita-o e ouve a sua voz. Não lhe sejas rebelde, porque não suportará as vossas transgressões, e nele está o meu nome. 22Se ouvires a sua voz e fizeres tudo o que eu disser, serei inimigo dos teus inimigos, e adversário dos teus adversários. 23O meu anjo irá à tua frente e te conduzirá à terra dos amorreus, dos hititas, dos ferezeus, dos cananeus, dos heveus e dos jebuseus, e eu os exterminarei”.

Evangelho: Mt 18,1-5.10

Naquela hora, 1os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos céus?” 2Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles 3e disse: “Em verdade vos digo, se não vos converterdes, e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos céus. 4Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos céus. 5E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe. 10Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus”.

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SANTOS ANJOS DA GUARDA

No dia 02 de Outubro a Igreja celebra a festa dos Santo Anjos da Guarda. Por que se fala, especificamente de uns anjos que nos acompanham pessoalmente, que nos protegem na caminhada cotidiana?

Poderíamos responder, em primeiro lugar, que trata-se de símbolos para falar do amor providente de Deus que cuida de sua criatura para que esta chegue à sua plena realização quando houver colaboração da própria criatura ou das circunstâncias na quais se encontra. Era normal expressar, através de recursos literários provenientes de um contexto, as realidades misteriosas usando uma linguagem figurativa.

Em segundo lugar, os anjos são um reflexo misterioso do rosto de Deus e de sua bondade em nossa realidade. De fato, quando alguém nos trata bem, nos ajuda sem reservas etc. logo lhe dizemos: “Você é um anjo!”. Isto significa que a bondade de Deus se reflete naqueles que fazem o bem, chamados de mensageiros de Deus ou anjos de Deus no nosso dia a dia.

Em terceiro lugar, Os anjos da guarda nos revelam a presença transcendente de Deus em cada pessoa, especialmente nos mais pobres. O maior no Reino de Deus é a criança e quem se faz pequeno como criança, porque representa em forma paradigmática o despojamento de todo poder. O despojamento da soberba e da prepotência do poder é a condição para entrar no Reino de Deus. Alguém entra nele, quando descobre o poder de Deus: o poder de seu amor, o poder de sua Palavra e o poder de seu Espírito. Reino de Deus é Poder de amor de Deus. Esta presença de Deus nos mais pobres, que são os maiores no Reino, é o que dá aos pobres essa transcendência.

Cada pessoa, cada família, cada comunidade, cada povo, tem seu próprio anjo da guarda. O Livro de Êxodo ( cf. Ex 23, 20-23) nos ostra o Povo de Deus conduzido diretamente pelo anjo de Deus. O povo deve comportar-se bem na sua presença, escutar sua voz e não ficar rebelde. No anjo está o Nome de Deus. O Nome é o que Deus é. O anjo é essa presença de Deus no Povo de Deus.

Também cada um de nós deve descobrir nosso próprio anjo da guarda, sentir sua presença e escutar sua voz. Devemos viver conforme a esta presença transcendente em nós e refleti-la continuamente em nosso rosto. Para isso, é preciso ler, meditar e colocar em prática a Palavra de Deus. Estar em sintonia com a Palavra de Deus nos faz sensíveis para a presença de Deus na nossa vida cotidiana e nos torna conscientes de nossa tarefa como mensageiros de Deus na convivência com os demais.

Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, me guarda, me governa me ilumina. Amém

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O texto do evangelho lido neste dia é escolhido em função da festa dos santos anjos da guarda. É tirado de Mt 18.

O capítulo 18 do evangelho de Mateus é o quarto dos cinco grandes discursos de Jesus neste evangelho. E este quarto discurso é conhecido como “discurso eclesiológico” (discurso sobre a Igreja) ou “discurso comunitário” onde se acentua a vida na fraternidade, isto é, cada membro da comunidade é considerado como irmão. Este capítulo (Mt 18,1-35) foi escrito para responder aos problemas internos das comunidades cristãs: Quem é o primeiro na comunidade? O que fazer se acontecem escândalos? E se um cristão se perde ou se afasta da comunidade, o que fazer? Como corrigir um irmão que erra? Quando é que uma oração pode ser chamada de comunitária e partilhada? E quantas vezes se deve perdoar?

Na comunidade de Mt (como também em qualquer comunidade cristã) cresce a ambição e se cultivam sonhos de grandeza dos membros que se acham mais importantes do resto. Há pouca consideração para com os pequenos, até são desconsiderados ou desprezados. Estes pequenos correm risco de se tornarem incrédulos e de afastar-se da atividade comunitária. Na comunidade de Mt suscitam também pecadores notórios, inclusive as ofensas  e os ressentimentos que abalam a convivência fraterna.

Nesse capítulo, são dadas diversas orientações e algumas normas que têm por objetivo desenvolver o amor e favorecer a harmonia entre os membros da comunidade. Para isso, Mt coloca em ordem o material transmitido pela tradição para regular as relações internas da comunidade. Contra os sonhos de grandeza e de orgulho, Mt coloca a atitude de humildade que agrada a Deus e aos outros (18,1-4). Para os pequenos, os fracos na fé, é necessário ter uma acolhida cheia de caridade e de desvelo (18,6-7). O desprezo é inadmissível para uma boa convivência. Para enfatizar mais este tema, Mt fala dos anjos que sempre estão do lado dos pequenos (18,10). Se um dos membros da comunidade afastar-se ou desviar-se do caminho reto, em vez de condená-lo, a comunidade toda deve esforçar-se para que esse irmão volte para a comunidade, pois Deus não quer que nenhum deles se perca (18,12-14). E para o irmão pecador, a comunidade inteira deve usar todos os meios para recuperá-lo (18,15-20). E para as ofensas, deve haver perdão, pois uma comunidade só pode sobreviver se existe o perdão mútuo (18,21-35).

Ser Irmão e Fazer-se Pequeno

“Quem é o maior no Reino dos céus?”. “Quem é o maior diante de Deus?”. “Quem vale mais diante de Deus?”. Assim inicia o quarto discurso de Jesus sobre a vida comunitária baseada na fraternidade. A pergunta é feita pelos discípulos para Jesus. Maior aqui significa proeminente, superior aos outros por força de uma qualidade ou de um poder.

Atrás desta pergunta se esconde a ambição ou a mania de grandeza dos discípulos. É a ambição de grandeza que pode ser encontrada em qualquer comunidade cristã. É admirável a ambição de alguém que deseja redimir sua humilde condição, valorizando todas as suas capacidades de inteligência e de luta, pois um dos sentidos lexicais da palavra ambição é anseio veemente de alcançar determinado objetivo, de obter sucesso; aspiração, pretensão. A ambição só se transformará em vício quando a afirmação de si mesmo for exagerada e os meios adotados para atingir a glória forem desonestos. Uma pessoa de alma nobre não sai à procura das honras, e sim do bem. Ao contrário, o ambicioso se sente totalmente envolto pela espiral da glória que o transforma em vítima da própria tirania. O ambicioso, quando dominado pelo vício, não suporta competidores, nem admite rivais. Quem desejar ser a todo o custo o primeiro, dificilmente se preocupar com ser justo. “A soberba gera a divisão. A caridade, a comunhão” (Santo Agostinho. Serm. 46,18).

Como resposta para a pergunta dos seus discípulos Jesus faz um gesto muito simbólico: Ele chamou uma criança e a colocou no meio dos discípulos. Ao ser colocada no meio de todos, a criança chamada se torna um centro de atenção de todos. Imaginamos que todos os olhares são dirigidos a essa criança e os ouvidos prontos para ouvir a palavra sábia do Mestre Jesus. “Em verdade vos digo, se não vos con­ver­terdes, e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. Quem se faz pequeno como esta criança, este é o maior no Reino dos Céus. E quem recebe em meu nome uma criança como esta é a mim que recebe”, disse Jesus aos discípulos (Mt 18,3-5). Ser criança: frescor, beleza, inocência, não se basta a si mesma!

Esta é a primeira regra da vida comunitária: cuidar dos pequenos e tratá-los como irmãos. E fazer-se pequeno. Fazer-se pequeno, como exigência para viver a vida comunitária, significa renunciar a toda ambição pessoal e a todo desejo de colocar-se acima dos demais para estar em destaque e para oprimir os demais. Fazer-se pequeno é uma forma de “renegar-se a si mesmo” para colocar a vontade de Deus acima de tudo. A grandeza do Reino consiste no serviço humilde e gratuito ao próximo, na solidariedade para com os necessitados, na partilha do que se tem para com os carentes do básico para viver dignamente como ser humano e no esforço para construir uma convivência mais fraterna. Trata-se de viver a espiritualidade familiar onde cada membro se preocupa com o outro membro e sua salvação. Vivendo desta maneira estaremos testemunhando para o mundo que estamos no Reino de Deus já neste mundo.

P. Vitus Gustama,svd