Mês: julho 2014

Oração de súplica no cansaço da vida

Quero deixar esta oração para você que está desanimado, cansado e abatido. Nestes momentos nada melhor a fazer do que silenciar, se colocar em oração e clamar a intercessão da Santa Mãe de Deus, a Bem-Aventurada Virgem Maria. Se você está assim, faça a experiência e reze esta oração. Se não tiver forças nem para […]

Pe. Gabriele Amorth: “Cada diocese deveria ter um exorcista”

O célebre exorcista propõe a retomada dos estudos de angelologia e de demonologia nos seminários e a extensão do ministério do exorcistado a todos os sacerdotes Por Stefano Stimamiglio Pe. Amorth, falando sobre a figura do exorcista, é verdade que cada diocese tem um? Este é um grande problema. Existem dioceses que não têm. Um bispo […]

Por que a Igreja permite o juramento se Jesus o proíbe?

Juramento mini

Nosso Senhor Jesus Cristo, em seu famoso “Sermão da Montanha”, é taxativo ao proibir juramentos. Ele diz:

Ouvistes também que foi dito ao antigos: “Não jurarás falso”, mas “cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor”. Ora, eu vos digo: não jureis de modo algum, nem pelo céu, porque é o trono de Deus, nem pela terra, porque é o apoio dos teus pés, nem por Jerusalém, porque é a cidade do Grande Rei. Também não jures pela tua cabeça, porque não podes tornar branco ou preto um só fio de cabelo. Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não. O que passa disso vem do Maligno. (Mt 5, 33-37)

Diante de uma proibição tão clara, como pode a Igreja permitir – muitas vezes exigir – o juramento de seus filhos? Ensina o Catecismo da Igreja Católica, que jurar “é invocar a Deus como testemunha do que se afirma. É invocar a veracidade divina como garantia da nossa própria veracidade”(1250).

Na época de Jesus, o juramento em nome de Deus era algo bastante rotineiro, tanto que no Livro do Eclesiástico há uma longa lista de conselhos para que as pessoas não jurassem em vão. O primeiro é este: “Não acostumes a tua boca ao juramento: muitas têm sido as quedas por causa dele” (Eclo 23, 9-17), seguido de outros na mesma linha.

Surgiu, então, a pergunta se jurar era um ato da religião. Foi Santo Tomás de Aquino, o grande Doutor Angélico, em sua Suma Teológica que esclareceu a dúvida escrevendo uma questão inteira a respeito do tema. No artigo 4, ele afirma:

Como foi dito, quem jura invoca o testemunho divino para confirmar o que disse. Nada, no entanto, é confirmado senão por algo mais certo e mais firme. Por isso, quando jura por Deus, o homem confessa que Ele é mais firme, já que as suas palavras são verdadeiras e que Deus conhece todas as coisas. (Suma Teológica, II-II, q. 89, a.4)

Portanto, o juramento é um ato de virtude: da virtude da religião (latria). A Sagrada Escritura comprova essa afirmação quando na Carta de São Paulo aos Coríntios, diz: “Por minha vida, tomo a Deus como testemunha: foi para vos poupar que não voltei a Corinto” (IICor 1, 23). Ou ainda: “Escrevendo estas coisas, afirmo diante de Deus que não estou mentindo” (Gal 1, 20). O exemplo de São Paulo retira toda dúvida acerca da liceidade de um juramento.

Sendo assim, como o juramento pode ser realizado? Santo Tomás também ensina que são necessárias três coisas: 1. necessidade, pois não é permitido jurar levianamente; 2. verdade, pois não se pode jurar em falso; 3. justiça, pois não é permitido jurar para causar uma injustiça. Os três requisitos garantem que o juramento prestado é lícito e virtuoso.

No entanto, nem todo juramento é solene como quando se põe a mão sobre os Santos Evangelhos ou se erguem os três dedos invocando a Santíssima Trindade etc., existem juramentos mais simples, os quais ensejam comprometimento da mesma forma.

Alguns dizem respeito ao presente e ao passado, afirmando uma verdade que já aconteceu ou está acontecendo. E existem também os chamados promissórios que atestam uma vontade de realizar algo no futuro.

O juramento é tão importante que já fez inúmeros mártires, dentre eles, o triste episódio ocorrido logo após a Revolução Francesa, quando os jacobinos quiseram que o clero católico assinasse uma constituição totalmente contrária a Deus e à Igreja. Os padres ‘juramentados’ eram os únicos que podiam exercer o ministério. Muitos se colocaram diante de Deus como testemunhas, mártires e, para não jurarem em falso, derramaram seu sangue.

Assim, quando Deus é invocado como testemunha, a palavra do homem é elevada e o nome se coloca diante de Deus como mártir e testemunha da verdade divina.

É PRECISO CAMINHAR 2014-07-31 11:34:00

 
SER PROFETA E MÁRTIR

Sábado da XVII Semana Comum

02 de Agosto de 2014

 

Evangelho: Mt 14,1-12

1 Naquele tempo, a fama de Jesus chegou aos ouvidos do governador Herodes. 2 Ele disse a seus servidores: “É João Batista, que ressuscitou dos mortos; e, por isso, os poderes mira­culosos atuam nele”. 3 De fato, Herodes tinha mandado prender João, amarrá-lo e colocá-lo na prisão, por causa de Herodíades, a mulher de seu irmão Filipe. 4 Pois João tinha dito a Herodes: “Não te é permitido tê-la como esposa”. 5 Herodes queria matar João, mas tinha medo do povo, que o considerava como profeta. 6 Por ocasião do aniversário de Herodes, a filha de Herodíades dançou diante de todos, e agradou tanto a He­ro­des 7 que ele prometeu, com juramento, dar a ela tudo o que pedisse. 8 Instigada pela mãe, ela disse: “Dá-me aqui, num prato, a cabeça de João Batista”. 9 O rei ficou triste, mas, por causa do juramento diante dos convidados, ordenou que atendessem o pedido dela. 10 E mandou cortar a cabeça de João, no cárcere. 11 Depois a cabeça foi trazida num prato, entregue à moça e esta a levou a sua mãe. 12 Os discípulos de João foram buscar o corpo e o enterraram. Depois foram contar tudo a Jesus.
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Na passagem do Evangelho deste dia fala-se da identidade de Jesus, relacionada à de João Batista. O motivo dessa colocação é sempre o mesmo: para entender Jesus há que entender antes quem é João Batista, pois João Batista é o Precursor de Jesus. O destino de João Batista preanuncia o de Jesus.

O evangelho nos relatou que a fama de Jesus estava cada vez mais espalhada ao seu redor. Por isso chegou também aos ouvidos de Herodes que já tinha mandado decapitar João Batista. A presença e a fama de Jesus incomodam a consciência de Herodes: “É João Batista, que ressuscitou dos mortos; e, por isso, os poderes miraculosos atuam nele”, pensou Herodes. Herodes que já tinha mandado decapitar João Batista, por instigação de Herodiades, ficou sem a consciência tranqüila.

A partir da reação de Herodes é que se conta o drama da vida de João Batista que denunciou Herodes por ter se casada com Herodíades, ex-mulher de seu irmão, pois era proibido pela Lei (cf. Lv 18,16).

A adúltera Herodíades não gostou da denúncia de João Batista em nome de seu prazer e interesse pessoal, e procurava algum meio para surpreender João Batista e esperava momento certo para vingar-se. Quando chegou o momento oportuno ela pediu, através de sua filha (como meio), a cabeça de João Batista (vingança).

João Batista é o último profeta do Antigo Testamento. Ele enfrenta abertamente os governantes da nação para chamá-los à mudança e para exigir um comportamento ético. O deserto, lugar de sua pregação, é símbolo de sua oposição à cidade e ao templo. Ele quer reviver a experiência do êxodo e recordar seu povo que o destino depende completamente da fidelidade a Deus. No entanto, como qualquer profeta, João Batista pagou o preço alto de sua denúncia: a própria vida. Herodes, ainda que tivesse respeito pelo João Batista, se submeteu diante das pressões da adúltera Herodíades que pediu a cabeça de João Batista.

A morte de João Batista antecipa a morte de Jesus como mártir. Ambos são encarcerados injustamente, ambos rubricam com seu sangue a verdade de Deus. Jesus espera o mesmo destino de João Batista. Um profeta autêntico não é somente recusado em sua própria pátria (cf. Mt 13,57), mas também essa recusa termina, muitas vezes, com sua morte.

A denúncia de João Batista nos mostra que o Evangelho não é neutro. Diante de certos grandes problemas, o Evangelho toma posição com o risco de conduzir os crentes para o martírio pelo fato de defender a verdade, a justiça, a honestidade e assim por diante.

A figura de João Batista é admirável em sua coerência, na lucidez de sua pregação e de suas denúncias. João Batista é valente e comprometido. Diz a verdade ainda que desagrade. É figura também de tantos cristãos que morreram vitimas da intolerância pelo testemunho que davam contra situações injustas e insuportáveis do ponto de vista da justiça e da honestidade. Os “profetas mudos” prosperam, mas os autênticos terminam pagando tudo com a própria vida.

A verdade continua sendo a verdade, embora o pregador da verdade possa ser eliminado por aqueles que vivem na mentira e na falsidade. E por isso é que a verdade não pode ser eliminada ou enterrada. O tempo vai mostrar que a verdade vencerá tudo e todos.

Toda vez que celebramos o martírio de um discípulo de Cristo tocamos o próprio núcleo de nossa fé. A Igreja de Cristo é a Igreja dos profetas e dos mártires. Por ser profeta o cristão se torna mártir, isto é, aquele que testemunha a verdade e paga com seu sangue a verdade proclamada. A função profética é uma das funções de qualquer batizado. No dia em que é ungido com o óleo de crisma no momento de seu batismo, o cristão recebe as três funções: profética, sacerdotal e real. Ele é batizado para proclamar a verdade, praticar o bem e não para compactuar o mal e a maldade. O cristão se santifica vivendo de acordo com a verdade e o bem. Ele vive e prega os valores do Evangelho como a verdade, a honestidade, a justiça, a caridade, a solidariedade, partilha, igualdade e assim por diante.

Mas o que acontece é que estamos tão acostumados com o comodismo. Muitas vezes nos sentimos instalados comodamente no acampamento capitalista ou nas avenidas do hedonismo. Ninguém vai nos perseguir se não vivermos nosso martírio, nosso verdadeiro testemunho dos valores ensinados por Jesus Cristo.

A vida do cristão deve ser iluminada e conduzida pela verdade. A vida iluminada pela verdade ameaça quem está na sombra da desonestidade, da corrupção e da falsidade, e este reage violentamente diante da verdade em nome da defesa dos seus interesses e prazeres individuais. Toda vez que os cristãos se arriscarem para adentrar-se nos territórios obscuros, eles vão pagar o preço com sua própria vida, como João Batista. Toda vez que a Igreja abrir a boca contra a injustiça, a desonestidade, a corrupção, a exploração do ser humano, ela será perseguida. Mas dar a vida é a única maneira de dar vida. Ser verdadeira Igreja de Cristo não dá para parar de sofrer enquanto ela viver seu verdadeiro martírio, seu profundo testemunho de valores. A verdadeira Igreja de Cristo é a Igreja dos mártires, das testemunhas de Cristo.

Jesus nos diz que devemos ser luz, sal e fermento deste mundo (cf. Mt 5,13-14). Ou seja, profetas. Ser cristão é estar disposto a tudo. Profetas são os que interpretam e vivem as realidades deste mundo a partir da perspectiva de Deus e denunciam quando há injustiça ou desonestidade nelas. Ele faz tudo isso não para eliminar os pecadores e sim o pecado, pois o próprio Deus ama o pecador e odeia o pecado. Deus não quer a morte do pecador, mas que se converta (Ez 18,19-32).

Geralmente não gostamos de escutar as críticas que nos recordam o lado escuro de nossa vida. Sempre temos dificuldade para escutar um profeta. Mas mesmo que não gostemos de ouvir o profeta, suas palavras continuam a conter a verdade e a verdade nos liberta (cf. Jo 8,31-32), e torna nossa vida mais leve e nosso sono mais sadio. Mesmo que eliminemos o profeta, mas suas palavras continuam a ressoar ou a incomodar nossa consciência, como aconteceu com Herodes. Viver na verdade ou de acordo com a verdade, com a justiça, com a desonestidade, etc. é viver na serenidade.

O Senhor nos reúne em torno d’Ele nas nossas celebrações não para celebrar alguns ritos mágicos e sim para que renovemos diante d’Ele nossa aliança de amor, aliança com a verdade e voltemos a fazer nosso o compromisso de viver e de proclamar Seu Evangelho e construir Seu Reino de amor e de fraternidade entre nós.

Herodes ouvia com agrado João Batista, mas não lhe obedecia. Seu coração estava dividido. Herodes ouvia João Batista que despertava sua consciência, mas, ao mesmo tempo, ouvia Herodíades, sua amante e se embriagava em paixão por ela. Herodes estava na encruzilhada entre a lucidez e a paixão cega; entre o prazer mortal e a paz da consciência. Ele estava totalmente dividido dentro de si próprio. Da divisão de seu coração nasce a morte de João Batista. De sua divisão saiu a divisão entre o corpo e a cabeça de João Batista. Herodes foi incapaz de obedecer para aquele que pregava a verdade e a salvação, mas o matou; incapaz de escutá-lo, o silenciou para sempre neste mundo; incapaz de segui-lo, mas o deteve na prisão para depois eliminá-lo em nome do prazer passageiro.

Acontecerá a divisão dentro de nós mesmos e entre nós toda vez que estivermos desunidos de Cristo. E essa divisão pode produzir morte nosso próximo como aconteceu com Herodes. Estamos divididos todas vez que aplaudimos um corrupto, pois fazemos parte da corrupção. Estamos divididos toda vez que admiramos Cristo e seus ensinamentos, no entanto não fazemos caso de tudo isso. Estamos divididos se pregamos uma moral para o uso próprio em nome de nossos prazeres. O caso de Herodes nos chama a sermos vigilantes. Em qualquer momento podemos perder a razão para agir em nome do prazer e da emoção. O espírito de Herodes não morre.

P. Vitus Gustama,svd

Pedra do Mar Morto, ou “Pedra de Gabriel”, apontava que o Messias viria como Jesus veio e ainda como virá no fim dos tempos

Está sendo exposta em Jerusalém uma lápide do fim do século I a.C. cujo texto – considerado “misterioso” pelos especialistas – foi escrito com tinta em caracteres hebraicos, noticiou o “Boston Herald”. É a chamada “Pedra de Gabriel”, ou “Visão de Gabriel”, segundo o Prof. Ada Yardeni, pelo fato de o arcanjo aparecer como figura central. […]

Pornografia: Como vencer este vício?

A pornografia é um problema sério, que poucos evangelizadores tem o hábito de falar. É quase um tabu. Quando se trata das drogas já existem movimentos católicos que combatem este problema. Existem folders, cartazes, grupos de ajuda… Mas a pornografia também é um ato que vicia (e talvez até de forma mais dura e cruel […]

A profanação da obra-prima de Deus

A Obra-prima de Deus, por excelência, é a pessoa humana. A única “criada à imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,26). Esta  revelação bíblica, meditada devidamente, deveria levar-nos ao êxtase. É nos atributos da alma imortal, dada ao homem por Deus no instante da sua concepção, que se encontram os aspectos dessa “imagem e semelhança” […]

Reze conosco a oração de São Bernardo a Santíssima Virgem Maria

A tradicionalíssima e belíssima oração de São Bernardo a Santíssima Virgem Maria concede indulgência parcial a todos os fiéis que estando em estado de graça, rezá-la com devoção (clique no áudio abaixo para ouvir a oração): Lembrai-Vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que recorrem à vossa proteção, imploram […]

Guardar como um tesouro

Os quatro evangelistas

O dever de guardar e ensinar a doutrina cristã tal qual a recebemos dos apóstolos constitui uma tarefa fundamental para a Igreja,
porque é por meio da fé em Jesus Cristo que o homem pode chegar à salvação. Esse ministério, por sua vez, encontra sua justificativa nas próprias palavras do Evangelho: foi Cristo quem primeiro prometeu o repouso para as almas de todos aqueles que tomassem seu jugo e recebessem sua doutrina [1]. É por isso que, desde o princípio de sua missão, a Igreja procurou defender o conteúdo da fé de todo e qualquer possível desvio. A tutela do depositum fidei corresponde àquela parábola do Evangelho que compara o Reino dos Céus a um tesouro [2]. Assim como o homem que o encontra e o mantém escondido, também a Igreja guarda a fé, a fim de que ela chegue aos ouvidos dos fiéis com toda a sua integridade.

Ao longo de sua história, a Igreja foi inúmeras vezes instada a professar “a razão de sua esperança” [3], sobretudo quando se punha em risco a verdade sobre Nosso Senhor Jesus Cristo. Fala-nos mais alto o testemunho de tantos mártires que, postos à prova pelos poderes seculares, preferiram o derramamento do próprio sangue a negar um artigo sequer das disciplinas sagradas: Beato José Sanchez del Río que, negando-se a blasfemar contra Deus, morreu pelas mãos de seus algozes com o grito de “Viva Cristo Rei” nos lábios; Edith Stein, a santa filósofa, morta pelos sequazes de Hitler, como forma de vingança pelas condenações dos bispos holandeses aos crimes do nazismo; São Tomás More, o “maior de todos os ingleses”, que, diante do sanguinário Henrique VIII, não hesitou a expor os erros do soberano da Inglaterra – “
a Igreja é una e indivisível, e vós não tendes autoridade alguma para fazer uma lei que quebre a unidade cristã” –, antes que sua cabeça rolasse sobre o cepo [4]. De fato, no trabalho apostólico exercido pela Igreja, frequentemente atormentada pelas tentações do mundo, irrompe-se o alerta de São Josemaría Escrivá aos seus filhos espirituais:

Assim também é a Igreja, não toca em nada, em nenhuma coisa essencial, de forma nenhuma; os sacramentos são os mesmos, os mandamentos são os mesmos, o sacrifício do altar é o mesmo.

Essa santa intransigência vista nos santos deve-se à consciência de que a
religião católica não é uma invenção humana, manipulável ao sabor das modas, mas uma revelação divina confiada à Igreja. Trata-se de um caminho designado por Deus; Ele é o único autor da fé. Não por menos o Papa João XXIII, ao início do Concílio Vaticano II, declarou que a tarefa mais importante daquele evento era guardar e ensinar o depósito sagrado da doutrina cristã de forma mais eficaz [5]. João XXIII vislumbrava, neste discurso, o apelo de seu predecessor, Pio XII, na Encíclica Summi Pontificatus [6]:

Quem quer que pertença à milícia de Cristo – eclesiástico ou leigo – não deveria acaso sentir-se estimulado e incitado a maior vigilância, a mais decidida defesa, ao ver que as fileiras dos inimigos de Cristo cada vez aumentam mais, ao perceber que os porta-vozes dessas tendências, renegando ou praticamente descurando as verdades vivificadoras e os valores contidos na fé em Deus e em Cristo, partem sacrilegamente as tábuas dos mandamentos de Deus para substituí-las com tábuas e normas que excluem a substância ética da revelação do Sinai, o espírito do Sermão da montanha e da cruz?

Não obstante o aviso dos dois grandes pontífices, não faltou à Igreja quem, em nome de um suposto “espírito do Concílio”, ousasse partir as tábuas dos mandamentos de Deus, como condenava Pio XII, para substituí-las por falsos conceitos modernos [7]. Tamanha foi a crise que se desenvolveu entre os fiéis, que o próprio Papa Paulo VI, na missa de quinze anos de seu pontificado, se viu obrigado a admoestar tais teólogos a que deixassem de perturbar a Igreja:
“chegou o momento da verdade e é necessário que cada um reconheça as suas responsabilidades perante as decisões que devem concorrer para a salvaguarda da fé” [8]. E ainda hoje esse pedido se faz ressoar. Se a fé se torna um canteiro de obras, onde qualquer um pode retirar ou acrescentar o que lhe aprouver, ela deixa de constituir um caminho de salvação. Torna-se, ao contrário, uma celebração vazia e autorreferencial.

O que distingue o cristianismo das demais religiões é justamente a encarnação do Verbo Divino. Reza o credo Niceno-Constantinopolitano sobre Jesus: “
Deus de Deus, Luz da Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado, não criado, consubstancial ao Pai” [9]. Esse mesmo Verbo Encarnado confiou à sua Igreja a tarefa de ensinar a todos os povos a doutrina imutável de Deus, que conduz o gênero humano à salvação. “Daí ser necessária uma santa astúcia para guardar a fé”, conclui o Papa Francisco [10]. Eis, portanto, o que deve fazer todo católico com sua fé: guardá-la como um tesouro.


Por
Christo Nihil Praeponere

Referências:

  1. Mt 11, 29.
  2. Mt 13, 44.
  3. I Pd 3, 15.
  4. Daniel-Rops, A Igreja da Renascença e da Reforma I – Coleção: História da Igreja. Vol. IV. São Paulo: Quadrante, 2013, pág. 451.
  5. João XXIII, Discurso de abertura do Concílio Vaticano II (11 de outubro de 1962), n. 5.
  6. Pio XII, Carta Enc. Summi Pontificatus (20 de outubro de 1939), n. 5.
  7. O verdadeiro “espírito” do Concílio Vaticano II.
  8. Paulo VI, Homilia de Sua Santidade na Missa de aniversário pelo XV ano de coroação pontifícia, Solenidade de São Pedro e São Paulo (29 de junho de 1978).
  9. Catecismo da Igreja Católica, n. 184.
  10. Francisco, Meditações matutinas na Casa Santa Marta (6 de janeiro de 2014).

Tribunal determina permanência de uma cruz no museu de 11 de setembro nos EUA

NOVA IORQUE, 30 Jul. 14 / 02:04 pm (ACI/Europa Press).- Um tribunal federal dos Estados Unidos sentenciou que a cruz construída depois dos atentados de 11 de setembro na Zona Zero poderá continuar exposta no Museu Nacional e Memorial, pois, segundo o tribunal, não é um símbolo discriminatório, pelo contrário, é “um símbolo da esperança […]