Mês: dezembro 2013

Superstições de Ano Novo

Quanto mais cresce o neo-paganismo, mais cresce o esoterismo, o ocultismo, as superstições, etc.  Foi assim no tempo do paganismo pré-cristão em Roma, Grécia, Egito, Babilônia, Éfeso, etc., e hoje se repete em novas metrópoles modernas. Quando o homem não encontra o Deus verdadeiro, e não se entrega a Ele, então, fabrica o seu deus, […]

YOUCAT ONLINE – Porque Jesus se deixou ser batizado se Ele não tinha pecado?

Batizar significa “mergulhar”. No Seu batismo, Jesus mergulhou simbolicamente na história do pecado de toda a humanidade. Para nos redimir dos nossos pecados, Ele seria um dia totalmente mergulhado na morte; porém, através do poder de Seu Pai seria novamente despertado para a Vida. [535-537, 565]

Vinham pecadores – soldados, prostitutas, aduaneiros – a João, o profeta batista, porque procuravam o «batismo da conversão para o perdão dos pecados» (Lc 3,3). Jesus não precisava, propriamente, deste batismo, porque Ele não tinha pecado. Por duas razões Jesus se submeteu a este batismo: Ele toma sobre si os nossos pecados e compreende o seu batismo como uma interpretação antecipada do Seu sofrimento e da sua ressurreição. Como expressão da Sua disponibilidade de morrer por nós, abre-se o Céu: «Tu és o Meu Filho amado.» (LC 3,22)

Existe uma comunhão entre pecadores e justos, porque, efetivamente, não existem justos. Gertrud von Le Fort (1876-1971, escritora alemã)

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Ano Novo, vida nova

Neste vídeo o Prof. Felipe Aquino fala um pouco sobre como devemos viver este ano que se inicia, e também explica qual o sentido da grande Festa da Maternidade de Nossa Senhora, que é comemorada sempre no primeiro dia do ano.
Vejamos a importância …

Antes de dinheiro no bolso, um pai precisa de Deus no coração

É sempre bom ir a uma festa, participar de momentos importantes, principalmente se soubermos do cardápio que será servido. Estamos vivendo a festa do Natal e, dentro desta festa, há uma outra: a da Sagrada Família, que, como uma moldura de um belo quadro, nos revela o mistério do Natal. 

Deus não quis que o Menino Jesus nascesse de um laboratório nem de uma chocadeira, Deus quis para Ele uma mãe, um pai, uma família. E a liturgia de hoje nos dá, de bandeja, uma coisa que nós amamos: cuidar de quem nós amamos, cuidar de nosso pai, de nossa mãe, de nossa família. É fácil a sabermos qual o “peso” de amor que estamos dando à nossa família, é só ver como estamos cuidando dos mais novos e dos mais velhos. 

Vamos, nesta homilia, falar do Quarto Mandamento da lei de Deus. A primeira leitura fala sobre o respeito do filho para com seus pais.“Quem respeita o seu pai, terá vida longa, e quem obedece ao pai é o consolo da sua mãe”.

Nenhum pecado dos pais nos dá o direito de os tratarmos como ”ex-pais”. Ainda que seu pai não tenha tido diploma, tenha cometido algum crime, seja o maior dos pecadores, isso não lhe dá o direito de ter vergonha dele, porque, por pior que seja um pai, ninguém pode fazer dele um “ex-pai”. A Palavra diz que, quem respeita o pai, independentemente da qualidade deste, terá vida longa. 

“Meu filho, ampara o teu pai na velhice e não lhe causes desgosto enquanto ele vive”.

Esta palavra ”amparar” não significa ser uma muleta para seu pai e sua mãe, está falando sobre o acolhimento e o cuidado que você deve ter para com ele. Não adianta querer falar de acolhimento na paróquia se a pessoa não aprendeu isso em casa. Estas coisas não podem ser compradas! Dê sustento, dê apoio ao seu pai, ainda que ele esteja doente, ainda que esteja perdendo a lucidez. Se nós crescêssemos na qualidade do acolhimento dos filhos para com os pais os asilos estariam todos em crise. Mas também como é triste ver que os casados há mais tempo estão perdendo a qualidade do relacionamento dentro de casa, perdendo a sabedoria de ficar velhos! Por isso, muitos filhos dizem: “Vou ficar velho pra viver assim?”. Os velhos não estão sabendo ficar sábios, estão cada vez mais de roupinhas curtas, curtindo as baladas, querendo ser adolescentes, trocando a esposa por duas menininhas de 20 anos… Os filhos estão colocando os pais nos asilos porque muitos destes não educaram os filhos com respeito dentro de casa. 

“[…] procura ser compreensivo para com ele; não o humilhes, em nenhum dos dias de sua vida: a caridade feita ao teu pai não será esquecida”.

Nada pode justificar a humilhação e o desrespeito de um filho a seus pais. A família é um laboratório; e se seu filho testemunhar, um dia, você humilhando os seus pais dentro de casa, provavelmente ele fará o mesmo quando você ficar velho. Existem pessoas que são uma beleza no trabalho e com os amigos, mas em casa descarregam o pior sobre o pai e a mãe. Toma vergonha na sua cara! 

“Por isso, revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se um tiver queixa contra o outro”. 

Algumas pessoas trouxeram um monte de roupas de várias cores para passar o Ano-Novo, vai até parecer uma escola de samba aqui, mas a leitura já nos dá uma lista de nossas vestes neste fim de ano: “Revesti-vos de misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência (Cl 3, 12). Quem dera se você se revestisse com essas vestas para passar o Ano-Novo! 
Quer começar o Ano-Novo com uma família renovada? Veja que não estou falando de nova família, não é para você trocar de marido ou mulher, eu estou falando de conversão, de mudança de vida dentro de sua casa. Se você quer entrar o ano com uma família renovada é preciso que você perdoe, pois se não houver o perdão vai ficar tudo do mesmo jeito. 

Que, em 2014, você não tenha o que deseja, mas o que você precisa! A Palavra diz o que você precisa: “Que a Palavra de Cristo, com toda a sua riqueza, habite em vós”.
Um pai tem que ter muito mais do que dinheiro no bolso, ele tem que ter Deus no coração! É isso que São José tinha, a riqueza da Palavra de Deus e a obediência incondicional a ela. 

Se você quer ser feliz, volte a ser família. Não existe faculdade, mestrado ou doutorado que nos ensinem a ser pai, mãe e filhos. Quer aprender a ser família? Aprenda a pedir e dar perdão. Não importa com o que vai cobrir o seu corpo na passagem do ano, importa o que você vai trazer dentro do coração.

Transcrição e adaptação: Daniel Machado


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Padre Fabrício 

Sacerdote missionário da Comunidade Canção Nova


Um Deus tão próximo e tão misterioso!

Neste tempo natalino, como não nos admirar com o surpreendente modo de agir de Deus; um modo que nos desconcerta: o surpreendente sinal de Belém: um recém-nascido envolto em faixas numa manjedoura, a visita da gentinha do povo (isto eram os pastores), o silêncio de Deus ante as inocentes e indefesas criancinhas de Belém, mortas por causa do Menino…

Quem pode compreender o pensamento do Senhor? Quem pode verdadeiramente compreender, enquadrar nos limites da própria razão um Deus assim?

Acostumamo-nos a pensar, quase que inconscientemente, que compreendemos o Senhor, que sabemos os Seus passos, que podemos calcular o proceder do Senhor Deus. Não! O Senhor nosso Deus é Santo (isto é, separado, para além de quanto possamos compreender, imaginar, circunscrever ou prever). Sabemos com certeza certa que Seu Nome é Amor, é Fidelidade (basta olhar o presépio, basta olhar a cruz), mas o modo como tal amor e fidelidade aparecem na nossa vida é, mais das vezes, desconcertante…

Então, aparece claro que o verdadeiro crente, ao fim das contas, é aquele que crê sem compreender tudo, é aquele que aceita caminhar com o Senhor ainda que tudo paraça escuro e, às vezes, sem sentido.

Infelizmente, a autossuficiência, a soberba, a ilusão de tudo poder engaiolar na razão – taras do homem atual – fazem que seja tão custosa a atitude de entrega, de confiança, de abandono nas mãos do Senhor! Se não compreendo, então Deus não existe; se não cabe na minha lógica, então não há um Deus; se não serve para resolver os meus problemas, então mudo de Senhor… Olhando bem, até mesmo boa parte dessas pregações pentecostais leva consigo esse germe maldito de ateísmo, enquanto propugnam um deusinho tapa-buracos, feito sob medida para resolver nossas questões…

Vamos a Belém! Prostremo-nos, admirados, ante a surpresa desse Deus-Conosco tão pequeno e misericordioso, tão meigo e encantadoramente criativo nos Seus modos de agir…

Ó Senhor meu, não Te compreendo não!

Custa-me crer num Deus tão pequenino no presépio,

Tão pobrezinho, envolto em faixas,

Tão dependente, nos braços da Virgem Mãe,

Tão indefeso, sob o olhar de José…

Deus-conosco, Conselheiro Admirável,

Por que deixaste morrer assassinadas tantas criancinhas em Belém?

Príncipe da Paz, por que já entraste no mundo trazendo guerra,

No morte de inocentes, nos pais que viram seus filhos arrancados de seus braços violentamente,

Em José e Maria, por Tua causa fugindo para o Egito, como exilados?

Não! Não Te compreendo não!

Mas, vejo-Te feito homem e Te adoro com todo o Meu coração,

Vejo-Te pequenininho e me comovo Contigo,

Penso-Te no frio da noite de Belém e minha vontade é de abandonar-me totalmente nas Tuas mãos fofinhas,

Contemplo-Te no aperto da penosa fuga para o Egito e morro de vontade de Te acolher no meu coração, na Minha vida!

Como é difícil crer em Ti, Deus-Menino!

Como é impossível viver sem Ti!

Como é medonho não Te amar, não esperar em Ti, não fazer de Ti o horizonte, o consolo, o sentido, a esperança dos meus dias!

Menino pequenino, Deus meigo,

Deus tremendo, Santo de Israel,

Esperança de Abraão,

Terror de Isaac,

Adversário de Jacó,

Saudade de Moisés,

Herança de Davi,

Sonho e consolo de Israel,

Jesus,

Em Ti creio,

Por Ti espero,

A Ti quero amar por toda a minha vida!

Deus nascido da Virgem,

Salva-me, pela graça do Teu santo Natal!



A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 19

Autor: Pe. Juan Carlos Sack Fonte: http://www.apologetica.org Tradução: Carlos Martins Nabeto [Dando continuidade a esta Série, abordaremos hoje São Gregório Magno, Eulógio de Alexandria, Isidoro de Sevilha e Bráulio de Saragoza]. GREGÓRIO MAGNO Outro dos grandes Padres da Igreja ocidental. Nasceu em torno de 540. Chegou a ocupar o cargo de Prefeito ou Alcaide da cidade de […]

A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 18

Autor: Pe. Juan Carlos Sack Fonte: http://www.apologetica.org Tradução: Carlos Martins Nabeto [Dando continuidade a esta Série, abordaremos hoje Remígio de Reims, Cesário de Arles, Eusébio da Gália e Venâncio Fortunato]. REMÍGIO DE REIMS Apóstolo dos francos, Bispo de Reims na primeira metade do século VI. Mandou esculpir a seguinte inscrição em um cálice que consagrou: – “Que […]

A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 17

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A Presença Real de Cristo na Eucaristia – Parte 16

Autor: Pe. Juan Carlos Sack Fonte: http://www.apologetica.org Tradução: Carlos Martins Nabeto [Dando continuidade a esta Série, abordaremos hoje Isaac de Antioquia, Jacó de Sarub, Procópio de Gaza e Leôncio de Jerusalém]. ISAAC DE ANTIOQUIA Prolífico escritor e poeta do século V. Escreveu um belíssimo poema sobre a fé e a Eucaristia: – “A fé me convidou a […]

É PRECISO CAMINHAR 2013-12-28 23:58:00

 
FÉ E AMOR SE ALIMENTAM

Tempo do Natal- Epifania

 

Segunda-feira, 06 de Janeiro de 2014

 
Primeira Leitura: 1Jo 3,22-4,6

Caríssimos: 22 qualquer coisa que pedimos recebemos dele, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é do seu agrado. 23 Este é o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, de acordo com o mandamento que ele nos deu. 24 Quem guarda os seus mandamentos permanece com Deus e Deus permanece com ele. Que ele permanece conosco, sabemo-lo pelo Espírito que ele nos deu. 4,1 Caríssimos, não acrediteis em qualquer espírito, mas examinai os espíritos para ver se são de Deus, pois muitos falsos profetas vieram ao mundo. 2 Este é o critério para saber se uma inspiração vem de Deus: todo espírito que leva a professar que Jesus Cristo veio na carne é de Deus; 3 e todo espírito que não professa a fé em Jesus não é de Deus; é o espírito do Anticristo. Ouvistes dizer que o Anticristo virá; pois bem, ele já está no mundo. 4 Filhinhos, vós sois de Deus e vós vencestes o Anticristo. Pois convosco está quem é maior do que aquele que está no mundo. 5 Os vossos adversários são do mundo; por isso, agem conforme o mundo, e o mundo lhes presta ouvidos. 6 Nós somos de Deus. Quem conhece a Deus, escuta-nos; quem não é de Deus não nos escuta. Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro.

Evangelho: Mt 4,12-17.23-25

Naquele tempo, 12 Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galileia. 13 Deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia, 14 no território de Zabulon e Neftali, para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 15 “Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galileia dos pagãos! 16 O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz”. 17 Daí em diante, Jesus começou a pregar, dizendo: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. 23 Jesus andava por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo. 24 E sua fama espalhou-se por toda a Síria. Levaram-lhe todos os doentes, que sofriam diversas enfermidades e tormentos: endemoninhados, epilépticos e paralíticos. E Jesus os curava. 25 Numerosas multidões o seguiam, vindas da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia, e da região além do Jordão.

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Nos dois primeiros capítulos de seu Evangelho, Mateus narrou o nascimento de Jesus, e no terceiro nos apresentou a atividade de João Batista: o Batismo. No capitulo quarto, sem se preocupar em satisfazer a curiosidade dos que quiseram saber de todo o itinerário formativo de Jesus, nos apresenta Jesus atuando na Galileia, uma região ao norte de Palestina onde conviviam, com dificuldade, judeus e pagãos. Por isso, Mateus evoca o texto do profeta Isaias que fala da iluminação dos que “viviam nas trevas e nas sombras de morte”. A festa da Epifania nos mostra que a vinda de Jesus é em favor de todos os homens, sem distinção nem de etnia, nem de condições nem de crenças.

O evangelho deste dia nos relata que quando fica sabendo da prisão de João Batista, Jesus vai para a Galileia. Galileia era um território longe de Jerusalém, do poder central legalista e intransigente. Galileia tinha fama de região pagã contaminada pelos pagãos, desinteressada da Lei e da oficialidade do Templo.

Na Galileia Jesus pode andar com liberdade, junto aos empobrecidos e marginalizados. Toda a história dos pobres gravitava sobre os pobres do tempo de Jesus: a fome, a carência de trabalho, a opressão política e militar dos Herodes e de Roma, opressão religiosa do Sinédrio (Sanedrin), o abandono e a marginalização. Esse povo pedia e exigia ser redimido. O que o povo esperava era respostas concretas para suas necessidades. Por isso, a figura de um rei poderoso, como Davi, continuava a alimentar o sonho do povo para libertá-lo de toda essa situação.

A pregação de Jesus se inicia, então, na “Galileia dos pagãos”, isto é, numa região onde a situação do povo é mais precária devido a uma grande quantidade de população pagã. Isto nos mostra que os primeiros destinatários da pregação de Jesus são para os que mais necessitados dela e aos que não conhecem a “Luz” da revelação porque vivem nas “sombras” do paganismo. É claro que o paganismo é muito mais no sentido do modo de viver do que no sentido de não pertencer a uma crença ou religião. Por isso, existem “pagãos” que se comportam como homens de Deus, por exemplo, o oficial romano (cf. Mt 8,5-13). Como também são muitos os que se dizem crentes (do Povo de Deus), mas se comportam como “pagãos”, sem nenhuma vivência da fraternidade, por exemplo, o sacerdote e o levita na parábola do bom Samaritano que não querem ajudar que está sofrendo (cf. Lc 10,31-32).

A mensagem de Jesus se resume nesta frase: “O Reino de Deus está próximo”. O Reino de Deus, expressão já existente no povo de Israel, se contrapõe a todos os demais reinos ou poderes humanos que pretendem um domínio total sobre o povo de Israel e este mesmo poder é oferecido a Jesus em suas tentações (cf. Mt 4,8-10). O Reino que Jesus prega já começou nele, pois ele veio para fazer reinar o amor fraterno (cf. Mt 23,8). Para que isso possa acontecer há uma exigência: convertei-vos!

O menino de Belém, adorado pelos magos, agora se manifesta como o Messias e o Mestre enviado de Deus que ensina, proclama o Reino de Deus, que cura os enfermos e liberta os possessos. A proposta do Reino de Jesus é diferente: tem que descobrir e destruir o egoísmo e as estruturas que o fomentam.

Para isso, Jesus exige para todos os lados (dos poderosos e das vitimas do poder) que se convertam: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. Os pobres, as vítimas, precisam construir um projeto de humanização sem ódio e por isso, Jesus coloca o amor como o maior mandamento (Jo 13,35; 15,12). Para os poderosos, que devolvam e respeitem a dignidade do povo, respeitando seus direitos. Em outras palavras, para Jesus o problema do Reino era um problema de transformação do coração. Trata-se de uma transformação real que deve se demonstrar na prática e se experimentar em todos os setores da vida.

O estilo da atuação de Jesus Cristo que ama e se sacrifica pelos homens deve ser o estilo de cada cristão: ajudando, curando feridas, libertando os outros de suas angústias e seus medos, anunciando a Boa Notícia do amor de Deus. E que somente o amor salva, enquanto que o egoísmo destrói e mata. O egoísmo mata a fraternidade e uma convivência mais humana. É preciso aprender a ver Deus nos demais (cf. Mt 25,40.45), sobre tudo nos pobres e nos débeis, nos marginalizados e excluídos da sociedade. Trata-se de que esse amor fraterno que aprendemos de Jesus Cristo nós o traduzamos em obras concretas de compreensão e de ajuda. O amor não é dizer palavras solenes, bonitas e comovedoras, e sim imitar o amor de um Cristo que se entregou pelos demais. Este é o caminho da salvação. Por este caminho não há outro que possa nos salvar e nos levar para o Céu, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). A fé em Jesus Cristo e o amor aos irmãos são provas de autenticidade da fé que professamos.

Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. A conversão, dentro do contexto das leituras de hoje consiste em crer em Deus e amá-Lo amando o próximo. Crer e amar são duas atitudes básicas de cada cristão e são inseparáveis: Este é o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, de acordo com o mandamento que ele nos deu” (1Jo 3,23). Quem crê verdadeiramente em Deus, ama o próximo. Quem ama o próximo, é porque pertence a Deus, mesmo que ele não tenha consciência disso. A fé e o amor coexistem e fecundam mutuamente. A linha vertical (fé) se expressa na linha horizontal (amor fraterno). A fé que salva é a fé que atua pela caridade. Por isso, a fé e o amor devem configurar a vida de cada cristão. Não existe a fé sem o amor fraterno. E não existe o amor fraterno que não leve a pessoa que ama até Deus.

P. Vitus Gustama,svd