Mês: novembro 2013

A antífona que abre o Advento

“A vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em Vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meus inimigos, pois não será desiludido quem em Vós espera” (Sl 24,1-3).
Ah, a Liturgia! Que lições, que intuições, que sentimentos inexprimíveis de tão ricos, ela nos faz experimentar!


 As palavras acima, do Salmo 24, são a antífona de entrada (o Intróito) da Missa do primeiro Domingo do Advento. Pare e pense um pouco, antes de continuar a leitura… Tente descobrir sozinho: o que estas palavras têm a ver com o Advento e com o Natal? Por que a Igreja as colocou aí? Pense um pouco… A Liturgia só pode ser saboreada se a gente aprender a pensar com o coração…


 Observe bem: o Advento é tempo de preparar a celebração da Vinda do Senhor em Belém e de preparar-se para a Vinda Dele na Parusia, na Glória final. Por isso mesmo a primeira palavra da antífona é fortíssima: “A Vós, Senhor, elevo a minha alma!” É o fiel, é a humanidade, que tira o olhar do próprio umbigo, da própria autossuficiência, e, reconhecendo-se pobre, eleva a alma, a vida ao Senhor, esperando Dele a salvação! Já aqui, se coloca a atitude fundamental com a qual devemos viver o Advento: a espera vigilante, como a amada que espera o amado, como a terra que espera o sol, como o vigia que espera a aurora… Feliz daquele que sabe erguer os olhos para o Alto, que sabe abrir-se para o Eterno, que sabe esperar no Senhor! Triste do homem fechado em si mesmo, voltado para o próprio umbigo, atolado no seu dia-a-dia, sem tirar os olhos da terra…


 Depois, a antífona nos joga em cheio no drama da vida: quantos inimigos exteriores e interiores temos, quantas contradições, quantos perigos de cair, de perder o rumo, de fracassar na existência! Somo tão pobres, tão quebrados, tão frágeis… Tão incerto é nosso caminho sobre esta terra de exílio… “Confio em Vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meus inimigos!”


 Esta consciência da nossa miséria, esta percepção de que temos um coração de águia, olhos de águia, mas umas asinhas curtas apenas como as de pardal, é a condição essencial para nos descobrirmos pobres diante de Deus e, então, gritar: Senhor, vem salvar-nos! Senhor, precisamos de um Salvador! Sem Tua presença, a humanidade se perde, o homem se destrói, seremos sempre frustrados, seres fracassados no mais profundo de sua existência! É isto que esta antífona comovente nos quer fazer compreender e experimentar.


Mas, observe como ela termina com a proclamação de uma certeza certa: “Não será desiludido quem em Vós espera”. Não será desiludido quem coloca sua esperança no Senhor, quem vigia esperando o Cristo que vem! Deus é fiel: mandou-nos o Seu Cristo e Ele estará para sempre em nosso meio! Aquele que sabe reconhecer Sua presença e vive na Sua verdade, de esperança em esperança, não ficará envergonhado no Dia da Sua Manifestação gloriosa. Lições assim, tão profundas, tão saborosas, tão verdadeiras, somente a Liturgia pode nos dar! Quem dera que soubéssemos percebê-las e saboreá-las…


Feliz Advento a todos!



É PRECISO CAMINHAR 2013-11-30 23:22:00

 
QUE SE TRADUZ NO AMORFRATERNOSEMFRONTEIRAS

Segunda-feira da I Semana do Advento

02 de Dezembro de 2013

Texto de Leitura: Mt 8,5-11

Naquele tempo, 5quandoJesus entrou em Carfanaum, umoficialromano aproximou-se dele, suplicando: 6“Senhor, o meuempregado está de cama, láemcasa, sofrendo terrivelmente com uma paralisia”. 7Jesus respondeu: “Vou curá-lo”. 8O oficial disse: “Senhor, eunão sou digno de queentresemminhacasa. Dize uma sópalavrae o meuempregadoficará curado. 9Poiseutambémsou subordinado e tenho soldadossobminhasordens. E digo a um: ‘Vai!, e ele vai; e a outro: ‘Vem!, e ele vem; e digo a meuescravo: ‘Faze isto!, e eleo faz”. 10Quandoouviu isso, Jesus ficou admirado, e disse aos que o seguiam: “Emverdade, vos digo: nuncaencontrei em Israel alguémque tivesse tantafé. 11Euvos digo: muitos virão do Orientee do Ocidente, e se sentarão à mesa no Reinodos Céus, juntocom Abraão, Isaac e Jacó”.

*****

Segundo Mateus, o primeiromilagreoperadoporJesus (a cura do leproso) foi paraummembro do povode Deus (cf. Mt 8,1-4). O segundomilagrefoi emfavorde umpagão. Tudo é umprograma. O movimentomissionário da Igrejajá está presentenesse segundomilagre. A salvação de Deusnãoestá reservadaparauns poucos. Deusama a todosos homens. O amorde Deus rompe as barreirasque levantamos entrenós. Jesus fez seusegundomilagreemfavor de umoficialromano, emfavor de umpagão. Os romanoseram malvistospelapopulação, pois ocupavam a Palestina.


Quando Jesus entrou em Cafarnaum, umoficialromanoaproximou-se dele, suplicando: ‘Senhor, meuempregadoestá de cama, paralitico!’ “


“Umoficialromano!”. “Umestrangeiro!”. Umestrangeiro, maisaindaumromano, nãopertenceao Povo eleito. Porserestrangeiro, ele é impurona concepção do Povoeleito. Porserimpuronãopode receber as bênçãosdo Senhor. Masserá mesmoqueele é impuro? O evangelistaMateusquersuperaressa mentalidadeseparatistae discriminatória ao colocar, no seuevangelho, a história de umoficialromanocujocoraçãoestá cheio de amorparacom o próximo.


O oficialromano do qualfala o evangelhodeste dia demonstra suagrandebondadeparacom o próximo, paracomseuempregado/escravo, apesar de nãopertencer ao Povo de Israel. Suasensibilidadehumanaousuahumanidadeé tãoaltaa ponto de elese preocuparcomseuescravo(empregado). Eletrataseuescravocomose fosse membro de suafamília.  Elenãomandanenhumsubordinadoparaprocurar Jesus, masé elepróprioquem se aproxima de Jesus parapedir a ajuda(cura) emfavor do seuescravo/empregado. É umpatrãoexemplar! É umoficialextraordinário. É umlíderqueama. Umlíderqueama, é respeitado. Umlídertemido, geralmente, nãoé respeitado.

    


Ao atenderesseoficial“pagão” Jesus quernosmostrarqueelenão aceita nossas divisões, nemnossosracismosnemnossas discriminações. O coração de cadaseguidor de Jesus deve seruniversal e missionário, como o própriocoração de seuMestre, Jesus Cristo.

        


É impressionantetambém a profundahumildade desse oficialao dizer a Jesus: “Senhor, eunãosou digno de queentresemminhacasa. Dize uma sópalavrae o meuempregadoficará curado”. Esteoficial “pagão” é muitoconscienteda leijudaicaa respeito dos pagãos. ElenãoquerpôrJesus em uma situaçãode “impurezalegal”. Porisso, elequerevitarqueJesus entreemsuacasa. “Dize uma sópalavrae o meuempregadoficará curado“, diz o oficial a Jesus. Estehomemvaloriza e acredita no poder da Palavrade Jesus, porqueelesabe que a Palavrade Jesus está cheia de autoridadee de poder, pois Jesus é a própriaPalavrade Deus (cf. Jo 1,1.14).

 


Pela féna SuaPalavraJesus elogiaessehomem: “Emverdade, vosdigo: emninguémem Israel encontrei tantafé”. É a féde quem se considera pagão. Mas se comportacomoumverdadeirocristão. Jesus elogiaquem acredita no poderde Suapalavra.


Jesus põe emcontraste a incredulidadedos seuscontemporâneoscom a fédo pagão: “Emverdade, vosdigo: emninguémde Israel encontrei tantafé”. A féque Jesus exige é umimpulso de confiança e de abandonopeloqual o homemrenuncia a apoiar-se emseuspensamentose emsuasforçasparaabandonar-se à Palavradivina e ao poder d’Aqueleemquem o homemdeve acreditar.


O oficialromanonãopertence a uma Igrejaou a uma religião, porém se comportacomoumverdadeirohomemde Deus. É umverdadeiro e autênticocristão. Podemos encontraros cristãosemqualquerreligião, crençaougrupo “Vósos reconhecereis pelosseusfrutos” (Mt 7,16.20). Comefeito, o paganismonãodepende da pertençaounão a uma religião. O paganismodepende do modo de vivere de se comportarparacom os demaishomens. Porisso, umcristão pode serumpagãoporcausa do seumodo de viver não-cristão. E aqueleque se diz pagãopode serumverdadeirocristãose comportar-se como o oficialromanoque se preocupa como bem do outro. Em outras palavras, existem cristãospagãoscomo existem tambémpagãoscristãosa partir do modode viver e de conviver.


Senhor, meuempregadoestá de cama, paralitico”. A oração desse homemserve de exemploparanós. Eleexpõe simplesmente a situação; descreve a doença. E o maisnotávelé queelepede emfavordo outro, de seuempregado. É uma oraçãode intercessão. Será queeu rezo somentepormimmesmo, somentepelaminhafamília? Será que tem lugarna minhavidauma oração de intercessão?


Antes de recebero Corpo do Senhorna comunhão, repetimos a frase desse oficialromano: “Senhor, eunãosou digno de queentresemminhamorada. Dize uma sópalavra, serei salvo”. A Eucaristiaquercurarnossas debilidades. O próprioSenhorJesus se faz nossoalimentoe nos comunica suavida: “O Pãoqueeudarei é a minhacarnepara a vidado mundo. Quemcome minhacarnee bebe o meusanguetem a vidaeterna” (Jo 6,51.54). Emcadaverdadeira Comunhão do Corpo do Senhor acontece uma verdadeira transfusão de vida: a vida de Jesus passa a sera vida de quema recebe na comunhão. Quandoissoacontecer, será cumprido tudoaquiloqueSão Paulo escreveu: Eu vivo, masjánão sou eu; é Cristoquevive emmim” (Gl 2,20).

Para refletir:

 

Jesus não encontrou a fénaqueles que se acham “crentes”. “Emverdade, Euvos digo: emninguémemIsrael encontrei tantafé”. Será que o Senhor encontrou a fé em mim?

P. Vitus Gustama,svd

O Santo Advento

Neste Domingo a Igreja começa a celebrar o santo tempo do Advento, que abre o novo ano litúrgico e nos prepara para o Natal. Trata-se de um período composto por quatro semanas nas quais a Igreja pode muito bem exprimir seus sentimentos com as palavras da esposa do Cântico dos Cânticos: «Eis a voz do meu Amado! Ele vem correndo pelos montes… Meu Amado é meu e eu sou Dele!» (2,8s.16). Ele vem vindo, o Amado, «porque Deus amou tanto o mundo que entregou o Seu Filho único» (Jo 3,16) para ser o Esposo da humanidade, o Salvador do mundo. O Autor da Epístola aos Hebreus exprimiu isso de modo muito profundo: «Muitas vezes e de modos diversos falou Deus, outrora, aos Pais pelos profetas; agora, nestes dias que são os últimos, falou-nos por meio do Seu Filho, a Quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e pelo Qual fez os séculos» (1,1-2).Efetivamente, Deus já não nos manda um mensageiro, um intermediário, um presente… Ele vem pessoalmente no Seu Filho, vem Ele mesmo ser o Emanuel, o Deus-conosco! Por isso o homem pode ter a certeza que não mais está só, que não mais pode se sentir desamparado, esquecido, perdido… Apesar de tanta dor e sofrimento ainda existentes no nosso mundo!

Mas, aprofundemos um pouco mais. O Advento insiste e celebra e espera do Salvador. Ele foi esperado ansiosamente, de modo que não é somente o Enviado do Pai, mas também o Desejado por nós! Mais que o vigia pela aurora, mais que a terra pelo sol nascente, mais que a flor pelo orvalho, nós o esperamos.

Primeiramente, esperado por Israel, o Povo eleito, porque Deus O prometera a Abraão, aos Patriarcas, a Moisés, a Davi, aos Profetas. E quando Deus promete, não falha jamais! Tantas páginas das Escrituras de Israel falam deste Esperado! Como esquecer as palavras do velho Jacó, no leito de morte, já cego? “Judá, teus irmãos te louvarão, tua mão está sobre a cerviz de teus inimigos e os filhos de teu pai se inclinarão diante de ti. O cetro não se afastará de Judá nem o bastão de chefe de entre seus pés até que venha Aquele a Quem pertencem e a Quem obedecerão os povos” (Gn 49,8-10). E as palavras de Deus a Davi? “O Senhor te diz que Ele te fará uma casa. E quando os teus dias estiverem completos, farei permanecer a tua linhagem após ti, gerada das tuas entranhas e estabelecerei para sempre o seu trono. Eu serei para Ele um pai e Ele será para mim um filho” (2Sm 7,11ss).Deus prometeu, jurou a Israel pela Sua fidelidade: “A virgem vai conceber e dará à luz um filho e Seu nome será Deus-conosco!” (Is 7,14). Até pela boca de um feiticeiro pagão, um tal de Balaão, Deus prometeu: “Eu vejo, mas não para já, eu contemplo, mas não para perto: uma Estrela sai de Jacó e um cetro se levanta de Israel” (Nm 24,17). Por isso mesmo, Israel esperou, acreditou, implorou: “Céus, deixai cair o orvalho das alturas, e que as nuvens façam chover a justiça; abra-se a terra e germine a salvação!” (Is 45,8); “Senhor, Tu és o nosso redentor; Eterno é o Teu Nome! Ah! se rasgasses os céus e descesses! As montanhas se desmanchariam diante de Ti!” (Is 63,19). Nos momentos de alegria, Israel esperou; e esperou também nos momentos de trevas e de dor! É esta espera comovente, insistente, teimosa, que a Igreja celebra e revive no Advento!

Mas o Salvador que Deus nos enviou foi também esperado pelos pagãos, por todos os povos! É uma idéia que nem sempre recordamos e, no entanto, é um aspecto importante do Advento: os pagãos desejaram o Salvador! Eles não conheciam as promessas de Deus, não conheciam o Deus verdadeiro; não sabiam nada a respeito do Messias… Mas tinham e têm ainda no coração um desejo louco de paz, de verdade, de vida, de amor… Sede que Deus mesmo colocou nos seus corações para que sem saberem, às apalpadelas, buscassem Aquele único que pode dar repouso ao coração humano. É isso que Mateus quer dizer quando nos conta a visita dos Magos: eles vêm de longe, seguindo a estrela do Menino; esperavam e agora o procuram: “Vimos a Sua estrela e viemos adorá-Lo!” (Mt 2,2)! Esses Magos representam os pagãos todos, todos os homens e mulheres de boa vontade que, seguindo sua consciência, sem saber, procuravam o Salvador. Pensemos em tantos santos pagãos do Antigo Testamento: Noé, Melquisedec, Jó… Pensemos em tantos sábios das várias culturas: Buda, Confúcio, Maomé, Sócrates e tantos outros, tão numerosos que somente Deus pode contá-los… Todos esperam Aquele que é a verdade, a luz que ilumina todo homem que vem a este mundo! Também estes a Igreja recorda neste tempo do Advento.

Esperado por Israel, esperado pelas nações, o Salvador também foi esperado pela criação toda! É admirável e sublime! Se tudo foi criado através Dele e para Ele (cf. Cl 1,15), tudo traz em si Sua marca, a saudade do encontro com Ele! A Mãe católica, num êxtase emocionado, canta assim, nas vésperas do Natal: “Saúdam Vossa vinda /o céu, a terra, o mar /e todo ser que vive /entoa o seu cantar!” É toda a criação que o espera! Tudo, desde o início, caminha para Ele! Desde quando explodiu o universo, iniciando a festa, o baile da existência; desde quando as galáxias se formaram; desde quando nosso sistema solar, nosso planeta foram delineados… Tudo caminha para Ele… Passo a passo, lentamente, aos olhos da eternidade de Deus: e a vida surgiu na terra, tímida, pequena, frágil… Depois, a vida animal; depois o homem… Tudo caminhando para Ele, para noite de Belém e, um dia, que será o Dia, caminhando para o Cristo Ressuscitado, que virá em glória! É porque tudo caminha para Ele que o botão se abre em flor, que a vida teima em brotar, que o universo se expande! Também esta espera cósmica é celebrada pela Igreja nestes dias de Advento! Que também nós entremos na festa, na espera, na esperança… E abramos o coração para Aquele que vem – o Enviado, o Esperado, o Rei que vai chegar!



Preferir a morte para entrar na vida

Na batalha diária para fazer a vontade de Deus, os cristãos são chamados a imitar o testemunho dos mártires e trilhar o caminho do Céu Uma sentença do século III, de Orígenes, diz que “diante de uma tentação, um cristão sai mártir ou idólatra”. Todos os dias os homens são confrontados pela tentação demoníaca que […]

Rito para o Natal em família

Noite de Natal


O pai: Hoje todo o mundo alegra-se pela vinda do Salvador à terra, na nossa pobre condição humana.

Os filhos: Nós, como família, alegramo-nos e festejamos este extraordinário acontecimento.

Coloca-se o Menino Jesus no presépio e canta-se “Noite feliz”.

A Mãe: Adoremos o Cristo que desceu para nos salvar!

Todos: O Verbo se fez carne e habitou entre nós! Jesus por nós nasceu, vinde todos adoremos!

A Mãe: Jesus, vós que fostes criança como todos nós, concedei-nos nesta Noite Santíssima um coração de criança para que possamos ser sempre felizes, confiantes e cheios de ternura e afeto para com todos. Ó vós, que sois Deus com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.

Todos: Pai nosso e Ave-Maria.

O pai, estendendo as duas mãos sobre a família, sem fazer o sinal da cruz, enquanto a mãe coloca a mão sobre o ombro do esposo:

Meus filhos, em nome do Senhor, nesta Noite Santa eu abençoo! Abençoe-vos o Deus todo-poderoso, Pai e Filho e Espírito Santo!

Todos: Amém.

Pode-se cantar um canto de Natal.



Rito para o Advento em família – 2

Rito para a celebração em família

A Coroa pode ser colocada na sala de visitas ou na sala de jantar. Antes do jantar do domingo, a família reúne-se me torno dela.

Primeiro Domingo

O pai: Pai santo, hoje começa o tempo de preparação para a festa do nascimento do Vosso Filho. Suplicamo-vos que abençoeis esta Coroa e concedais graças abundantes a todos nós que, com alegria e esperança, vigiamos nos preparando para o Santo Natal. Que este ano seja para nós uma nova oportunidade para buscar a coroa que nos aguarda no céu. Por Cristo, nosso Senhor. Amém

O pai de família acende a primeira vela.

A mãe: Senhor, despertai em nós o desejo de nos preparar para a vinda do Cristo através da prática das boas obras, para que, colocados um dia à sua direita, mereçamos possuir o Reino dos Céus. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Os filhos: Senhor Pai Santo, com a luz do vosso Filho que veio em nossa carne mortal, abençoai a nossa família, dai-nos todo bem e toda graça e conservai-nos sempre na vossa paz, para que nosso lar seja sinal e fermento do Reino dos Céus. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Todos: Pai-nosso e Ave-Maria…

Pode-se cantar um canto de Advento.

Segundo Domingo

O pai: Preparemos o caminho do Senhor! Pai santo, fazei que não sejamos frios e indiferentes em relação aos nossos irmãos e amigos. Fazei-nos encontrar tempo para escutar os nossos filhos. Fazei que os filhos obedeçam e acolham seus pais. Tornai-nos generosos para com os pobres. Senhor Deus, dai-nos um coração disponível e capaz de vos servir nos nossos irmãos. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Os filhos: Que o Senhor nos ajude a crescer no nosso amor por todos os irmãos para que nos encontremos unidos quando vier o Dia da vinda do Nosso Salvador Jesus Cristo!

Um filho acende a segunda vela.

A mãe: Senhor nosso Deus, que a nossa bondade seja um testemunho do vosso amor por todos, vós que nos amastes até nos enviar o vosso bendito Filho. Ele que vive e reina para sempre. Amém.

Todos: Pai-nosso e Ave-Maria

Pode-se cantar um canto de Advento

Terceiro Domingo

O pai: Senhor, fazei resplandecer a esperança de um futuro de paz para nós e para toda a humanidade. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Os filhos: Pai santo, agora que se aproxima o Natal do Cristo Jesus, fazei-nos viver de maneira digna da vocação cristã, com toda humildade, mansidão e paciência, suportando-nos uns aos outros com amor, procurando conservar a unidade no vínculo da paz. Fazei-nos mansos, castos, puros e conservai-nos piedosos para o Dia da Vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. Pelo mesmo Cristo nosso Senhor. Amém.

A mãe: Senhor nosso Deus, guardai esta família que espera com fé a celebração do Natal do vosso Filho bendito e concedei-nos festejar o grande mistério da nossa salvação com um coração novo e imensa alegria espiritual. Por Cristo nosso Senhor. Amém.

A mãe acende a terceira vela.

Todos: Pai-nosso e Ave-Maria.

Pode-se cantar um canto de Advento

Quarto Domingo

O pai: Vós, Senhor nosso Deus, falastes ao coração da Virgem Maria e ao humilde José. Não vos dirigistes aos grandes do mundo. Não houve meios de comunicação para divulgar a notícia da vinda do vosso Filho ao mundo.

Os filhos: Senhor nosso Deus e Deus de nossos pais, fazei-nos compreender e admirar o “sim” da Virgem Maria e, como ela, saibamos aceitar a vossa vontade. Nós vo-lo suplicamos por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Um filho acende a quarta vela. Enquanto acende, o pai e a mãe colocam a mão direita sobre o ombro do mesmo.

A mãe: Senhor, infundi a vossa graça em nosso coração, para que conhecendo a Encarnação do vosso Filho pelo anúncio do Anjo, cheguemos, por sua paixão e cruz, à glória da Ressurreição. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Todos: Pai-nosso e Ave-Maria.

Pode-se cantar um canto de Advento.


Rito para o advento em família – 1

Caro Internauta, ofereço-lhe este rito para a Coroa do Advento. Que você e sua família possam ter um santo tempo de preparação para o Natal, como é de se esperar de uma família cristã.

A coroa do Advento faz parte da antiga tradição católica. Todavia não se conhecem bem as suas verdadeiras origens. Sabe-se que as populações germânicas pré-cristãs usavam guirlandas com velas acesas durante os frios e escuros dias de dezembro, inverno duro no hemisfério norte, como sinal de esperança da volta dos dias quentes e claros da primavera. Na Escandinávia, durante o inverno, colocavam-se, durante o inverno, velas acesas ao redor de uma roda e se ofertavam orações ao deus da luz para girar a roda da terra para o lado do sol com o objetivo de prolongar os dias e fazer voltar o calor.

Na Idade Média, os cristãos adaptaram essa tradição e usavam as guirlandas de Advento como parte da preparação espiritual para o Natal. Afinal, Cristo é a luz do mundo que afugenta as trevas do pecado e faz resplandecer a luz da verdade e do amor. No século XVI, tanto entre católicos como entre protestantes havia muitos ritos em torno da coroa de Advento.

Seu simbolismo é muito belo. A coroa é feita de ramos verdes de plantas que no inverno europeu não perdem as folhas, significando a continuidade da vida e a esperança. A forma circular da coroa simboliza a eternidade de Deus, que não possui início nem fim, a imortalidade do cristão e a vida eterna em Cristo. Também os pinhões e as nozes usadas para decorar a coroa representam a vida e a ressurreição.

As quatro velas representam as quatro semanas do Advento. Há uma tradição muito bela, segundo a qual cada semana representa mil anos; as velas representam, portanto, os quatro mil anos que vão de Adão e Eva até o nascimento de Jesus, nosso Salvador. A cor roxa desse tempo significa a vigilância na busca da conversão. Podem-se usar as velas de cor natural ou, então, três roxas e uma rosa, que deve ser acesa no terceiro domingo, o Domingo da Alegria pela alegria de chegar à metade do Advento, fazendo-se próximo o Santo Natal. A progressiva iluminação da coroa significa a espera e a esperança que marcaram a primeira vinda do Cristo e a nossa esperança e desejo da sua segunda vinda para salvar, julgando os vivos e os mortos.

No primeiro domingo do Advento acende-se a primeira vela e se recita juntos a oração. A cada domingo seguinte acender-se-á uma vela a mais. Pode-se também colocar uma vela maior ao centro da coroa, simbolizando o Cristo. Esta vela é acesa na noite do vinte e quatro de dezembro.



Rito para a Coroa do Advento

A bênção da Coroa do Advento, bem como o ato de acender a vela de cada domingo, acontecem após o ato penitencial da Santa Missa.

I Domingo

Comentarista:

Vemos hoje, no Presbitério, a Coroa do Advento. Trata-se de um simples arranjo de ornamentos verdes e velas que nos recorda o significado deste sagrado tempo que agora iniciamos.

A Coroa do Advento teve sua origem entre os pagãos do norte da Europa, que preparavam uma roda de carroça, enfeitada com ramos e luzes, para agradar a um deus pagão, o deus do sol, que se escondia durante as longas noites do inverno do norte europeu.

Os cristãos, também no inverno, no mês de dezembro, celebravam o Natal. Assim, adotaram o mesmo costume dos pagãos, mudando-Ihe porém, completamente, o significado. Para eles, a Coroa do Advento lembra a preparação para o Natal, festa da luz e da vida, quando veio ao nosso mundo o Cristo, Sol que não tem ocaso. Colocavam, então, na Coroa, quatro velas, representando os quatro domingos do Advento. A cada domingo uma vela a mais ia sendo acesa, recordando a luz de Cristo que se aproxima com o seu santo nascimento.

Esta luz vem chegando aos poucos: primeiro, na promessa do Salvador, depois, no anúncio dos profetas, na escolha da Virgem Maria e, finalmente, no nascimento do Cristo Senhor, Deus-Conosco, Emanuel.

A Coroa circular, sem início e sem fim recorda a eternidade do Filho de Deus Pai que vai nascer no tempo. O verde simboliza a vida e a esperança. As velas recordam a luz do Senhor, cada vez mais próximo, até fazer-se Sol nascente que nos vem visitar no Natal.

Agora o sacerdote irá abençoar nossa Cora e, em seguida, acender a primeira vela. É a luz de Cristo que já começa a despontar; que ela brilhe em nosso coração!

Celebrante:

V. O nosso auxílio está no nome do Senhor.

R. Que fez o céu e a terra.

Senhor nosso Deus, sois o doador de toda bênção

e a fonte de todo dom perfeito.

Abençoai + esta Coroa em honra do Advento do Cristo, vosso Filho,

e dai-nos esperar solícitos a sua vinda.

Que ele, ao chegar, nos encontre vigilantes na oração

e proclamando o seu louvor.

Pelo mesmo Cristo, nosso Senhor.

O sacerdote asperge com água benta a Coroa e acende a primeira vela. Enquanto acende, pode dizer:

A vós, meu Deus, elevo a minha alma.

Confio em vós, que eu não seja envergonhado!

Não se riam de mim meus inimigos,

pois não será desiludido quem em vós espera (SI 24,1.3)

II Domingo

Comentarista:

Eis que vem o Desejado das Nações, e toda a terra se encherá de sua luz! Mais uma vela brilhará hoje em nossa Coroa. Aproxima-se mais o Natal, celebração do nascimento do Cristo segundo a carne Ele é a luz do alto, o Sol nascente que nos vem visitar. Preparemos os nossos caminhos!

Sacerdote:

Ó Deus onipotente,

ao acendermos mais esta vela em honra do Advento do vosso Cristo,

dai ao vosso povo esperar vigilante a sua chegada,

para que, instruídos pelo próprio Salvador,

corramos ao seu encontro com nossas lâmpadas acesas.

Por Cristo, nosso Senhor.

Já estando uma vela acesa, o sacerdote acende a segunda vela. Enquanto o faz, pode dizer:

Povo de Sião, o Senhor vem para salvar as nações!

E na alegria do vosso coração,

soará majestosa a sua voz (Is 30,19.30)

III Domingo

Comentarista:

Celebremos mais um domingo do Advento e acendamos mais uma vela da nossa Coroa. Assim reconheceremos que o Senhor está mais próximo de nós. Recordemos que a luz destas velas deve afugentar as trevas do pecado em nossas vidas e conduzir-nos a uma conversão total. Deste modo, estaremos prontos para celebrar o nascimento dAquele que é luz para iluminar as nações e guia de nossos passos no caminho da paz.

Sacerdote:

Ao acendermos esta vela,

concedei-nos, ó Deus todo-poderoso,

que desponte em nossos corações o esplendor da vossa Glória,

para que, vencidas as trevas do pecado,

a vinda do vosso Unigênito revele que somos filhos da luz.

Por Cristo, nosso Senhor.

Já estando acesas as duas velas, o sacerdote acende a terceira. Enquanto o faz, pode dizer:

Alegrai-vos sempre no Senhor.

De novo eu vos digo: alegrai-vos!

O Senhor está perto! (FI 4,4.5)

IV Domingo

Comentarista:

Ainda uma última vez acenderemos uma vela da Coroa do Advento. O Senhor agora está mais próximo. Neste Quarto Domingo toda a Coroa será iluminada!

O Senhor Jesus vem ao nosso encontro. Mas ele não vem sozinho: é nos braços da Virgem Mãe que iremos encontrá-lo. Olhemos para ela e saberemos como se cumpre a vontade do Pai, como se recebe Cristo Jesus e como poderemos colocar nossa vida a serviço dos irmãos! Celebremos com alegria o Natal próximo, recordando as palavras do Apóstolo: “Aproximai-vos do Senhor e sereis iluminados e não haverá sombra em vossas faces!”

Sacerdote:

Acendendo esta vela, nós vos pedimos, ó Deus,

que a luz da vossa graça sempre nos preceda e acompanhe

para que, esperando ansiosamente

a vinda dAquele que a Virgem concebeu,

possamos obter a vossa ajuda nesta vida e na outra.

Por Cristo, nosso Senhor.

Já estando acesas as três velas, o sacerdote acende a quarta. Enquanto o faz, pode dizer:

Céus, deixai cair o orvalho; nuvens, chovei o Justo;

abra-se a terra e brote o Salvador! (Is 45,8).



Pensamentos sobre o Ano Litúrgico – 2

No Ano Litúrgico a Igreja celebra sempre e em todo lugar a mesma coisa: o Cristo morto e ressuscitado que nos salvou. Em cada sacrifício da Missa (nunca esqueça que a Missa é um sacrifício, o sacrifício de Cristo em forma de banquete) o próprio Cordeiro imolado e ressuscitado coloca-Se nas mãos de Sua Esposa, a Igreja, para que ela O ofereça ao Pai num Espírito eterno. Assim, nós prestamos ao Pai, pelo Filho no Espírito o culto perfeito, santo, completo e totalmente eficaz para a nossa salvação, porque é o culto do próprio Cristo, sumo e eterno Sacerdote.

Mas, como nós vivemos no tempo e tempo é sequência, é duração, esse Mistério salvífico de Cristo é celebrado na Liturgia de modo extenso, como se alguém tomasse  um papel dobradinho feito sanfona e o fosse desdobrando, esticando. Assim é na Liturgia: na Páscoa de Cristo toda a história da salvação está presente, está concentrada – e a Missa é a celebração da Páscoa do Senhor; no entanto, durante o Ano Litúrgico vamos desdobrando este mistério pascal em toda a sua riqueza: o Tempo do Advento, que nos faz celebrar já a Segunda Vinda de Cristo e também a espera de Israel e da humanidade pela Salvação que enche a vida de sentido e nos livra da morte; o Tempo do Natal, que nos coloca no próprio coração da Encarnação do Verbo e nos dá verdadeiramente a graça da Sua Vinda; o Tempo da Quaresma, que nos faz entrar na experiência de Israel no deserto e nos purifica realmente para celebrar a santa Páscoa; o Tempo Pascal, que nos dá a graça de mergulhar com toda a intensidade e verdade na oferta que Cristo fez de Si, na Sua gloriosa vitória sobre a morte e no dom do Espírito que Ele concedeu à Sua Igreja e Se faz presente nos santos sacramentos; o Tempo Comum, que coloca o nosso dia-a-dia no coração do Sacrifício de Cristo e coloca o Sacrifico pascal de Cristo no nosso dia-a-dia, enchendo nossos tempos pequenos com a eternidade de Cristo.

Além disso, durante o Ano Litúrgico celebramos as solenidades, festas e memórias dos Santos – a começar pela Toda Santa Sempre Virgem Maria Mãe de Deus -, que são imagens vivas da glória de Cristo, que é admirável nos Seus Santos e neles mostrou todo o poder e eficácia da Sua vitória pascal sobre o Diabo e sobre o pecado. Cada santo é o mistério pascal de Cristo celebrado na vida dos Seus fiéis, é a Liturgia celebrada no Altar que foi prolongada e efetivada na vida; cada santo é o Evangelho explicado e a Eucaristia vivenciada! Por isso, o melhor lugar para recordar os santos de Cristo é no Sacrifício eucarístico.

Eis, portanto! Estamos iniciando mais um Ano Litúrgico: Deus coloca a Sua luz nas nossas trevas, a Sua graça nas nossas misérias, a Sua vida nas nossas mortes. Vivamos intensamente este tempo santo, pois todo Ano Litúrgico é tempo de salvação. Não participemos das santas celebrações com um coração preso às coisas do mundo, não participemos dispersos e desatentos, sem unção e sem devoção. Cansados ou restaurados, serenos ou agitados, tristes ou alegres, fervorosos ou frios, participemos sempre com fé, com sereno e profundo respeito das celebrações litúrgicas, como Moisés, que tirou as sandálias dos pés pela santidade do lugar da sarça. Nunca brinquemos com a Liturgia, nunca tenhamos uma atitude de quem está na própria casa (a igreja não é nossa casa; é Casa de Deus e ali somos hóspedes feitos filhos). Se assim procedermos, iremos aprendendo a saborear os sagrados ritos e nossa existência neste mundo será inundada pela presença de Deus. Que assim seja. Amém!