Categoria: Homilia

É PRECISO CAMINHAR 2018-02-16 20:46:00

20/02/2018
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PAIZINHO NOSSO QUE ESTÁ NO CÉU E NA TERRA
Terça-Feira da I Semana da Quaresma
Primeira Leitura: Is 55,10-11
Isto diz o Senhor: 10 assim como a chuva e a neve descem do céu e paralá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, 11 assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la.
Evangelho: Mt 6,7-15
Naquele tempo, disse Jesus aos seusdiscípulos: 7“Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam queserãoouvidosporforçadas muitas palavras. 8Não sejais comoeles, poisvossoPai sabe do que precisais, muitoantesquevós o peçais. 9Vós deveis rezarassim: Painossoque estás noscéus, santificado seja o teunome; 10venha o teuReino; seja feitaa tua vontade, assimna terracomonoscéus. 11O pãonossode cadadiadá-nos hoje. 12Perdoa as nossas ofensas, assimcomonósperdoamos a quemnostem ofendido, 13e nãonos deixes cairemtentação, mas livra-nos do mal. 14De fato, se vós perdoardes aos homensas faltasqueeles cometeram, vossoPaiqueestá noscéustambémvosperdoará. 15Mas, se vósnãoperdoardes aos homens, vossoPaitambémnãoperdoará as faltasquevós cometestes”.
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A Palavra De Deus É Poderosa e Eficaz Para Quem Está Aberto Diante Dela

Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la”.
Para quem vivia no Oriente Médio tão seco a chuva ou a água era bem preciosa. O povo desse lugar sabia muito bem da eficácia e do poder da água ou da chuva.  O local seco ou deserto onde a chuva cai vira um lugar cheio de plantinhas. A água ou a chuva como se acordasse as sementes escondidas de baixo da terra para se tornarem plantinhas e plantas. O local que era seco e deserto passa a ser um lugar verde cheio de vida.
O Deutero-Isaias (Is 40-55: os capítulos escritos durante o exilio na Babilônia em torno de século VI) compara o poder da Palavra de Deus com a chuva que cai do céu sobre a terra que irriga e fecunda a terra. A Palavra de Deus que entra no homem transforma este numa pessoa cheia de vida. Isto supõe que o homem, como a terra aberta para a chuva, deve estar aberto para a Palavra de Deus para torná-la eficaz e frutífera em sua vida.
O profeta Isaias nos convida, através da primeira leitura (Is 55,10-11) a crermos firmemente na força salvadora da Palavra de Deus. Porque não somente fomos salvos pelo sangue e o sacrifício de Cristo na Cruz. É verdade que a maldade do homem levou Jesus Cristo para a ignomínia da Cruz. Mas a salvação nos veio pela Palavra de Deus, empenhada um dia e cumprida na plenitude dos tempos. Deus nos ama e nos perdoa em Seu Filho encarnado. A Palavra é poderosa e eficaz, mas também perigosa. Não podemos abusar da palavra para não nos destruir e destruir os outros. Ao contrário, temos que usar a palavra para o bem e a edificação da vida dos outros.
A Palavrade Deus é a Palavra do Pai, do amigo, do confidente, do animador, do despertador da consciência. Com a autoridade ela nos convoca, ilumina, anima, consola, fortalece amorosamente. Ela não quebra liberdades nem aniquila personalidades. Ela grita na nossa consciência. Ela é como alguém que está à porta de nossa casa: espera a abertura para poder entrar. E “a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la”, assim diz Deus para nós.
Deus É Nosso Papaizinho, Nossa Abbá
E o textodo evangelho deste diafaz parte do Sermãoda Montanha (Mt 5-7) onde podemos encontrarváriosensinamentosfundamentais de Jesus paranós, seusseguidores. No evangelhode hoje Jesus nosdá seuconselhosobreoração. Jesus nos dá seu modelo de oração: o Pai Nosso. É uma oração que pode ser considerada como o resumo da espiritualidade do AT e do NT, equilibrada e educativa por seguinte. Primeiro, o Pai Nosso nos faz pensarmos em Deus que é nosso Pai: Seu nome, Seu Reino, Sua vontade. Mostramos nosso desejo de sintonizar com Deus. Por isso, logo passa para nossas necessidades: o pão de cada dia, o perdão de nossas faltas, a força para não cair em tentação e vencer o mal.
A Igreja, neste tempo da Quaresma, insiste na urgência da oração e na escuta da Palavra de Deus. Conversar, dialogar com Deus é uma fonte de luz e de força. Estar à escuta da Palavra de Deus é vital, exigente e comprometido. Nós cristão sabemos que a Palavra que Deus Pai nos dirige e propõe tem um nome próprio: Jesus Cristo (cf. Jo 1,1-3.14). Dialogar com Jesus é abrir-nos à verdade, à esperança e ao amor: à vida.
Rezar é uma nova experiência na qual entramos em relação vital com Deus. Rezar significa abrir-se para Deus. Nossa vida não pode estar centrada em nós mesmos ou só nas coisas deste mundo. Rezar é saber escutar a Palavra d’Aquele que é maior do que nosso cérebro e dirigir-lhe, pessoal e comunitariamente nossa palavra de louvor e de súplica com confiança de filhos. A oração é mais do que recitar umas fórmulas, é, sobretudo, uma convicção íntima de que Deus é nosso Pai e que quer nosso bem. A oração nos situa diante de Deus e nos faz reconhecer tal como somos já que somos criados à imagem de Deus. A oração vai nos descobrindo o que temos de ser em cada momento. A oração nos humaniza, faz-nos mais humanos, mais criaturas, e não criadores. Se não rezarmos é impossível que nos conheçamos a fundo, porque não saberemos o que poderíamos ser, não saberemos até onde vamos. A oração nos possibilita dizermos em profundidade o que somos, o que pensamos e o que vivemos e para onde vamos.
Jesus, no seuensinamentosobrea oração, quernosevitarde uma noçãomágicade Deus: “Quando orardes, nãouseis muitas palavras, como fazem os pagãos. …, poisvossoPai sabe do queprecisais”. Deus é o melhorjuiz de nossas necessidades do quenósmesmos, e Suasprioridades podem nãoseriguais às nossas. Porisso, o que Jesus quercom o PaiNosso é queconfrontemos nossavidapessoal e comunitáriacomseuprojetooriginal: quecomnossoprocederfaçamos que o Reinode Deus aconteça.
“Vós, portanto, orai assim: Painossoque estás noscéus…”, diz nos Jesus. De todas as revoluções do Evangelho, a maisprofunda e a maisradical é a revelaçãode DeuscomoPai, e consequentemente Deuscomoamor, como o Paimaiscarinhoso e entranhável. O Pai-Nossonão é uma simplesoraçãoapesarde serbreve. O Pai-Nosso é uma síntesede tudo o queJesus viveu e sentiu a propósito de Deus, do mundoe de seusdiscípulos.
Vós, portanto, orai assim: Pai Nosso…”. Em sua oração Jesus sempre se dirige a Deus chamando-O de Abbá. Para Jesus Abbá é o nome próprio de Deus. Esta expressão aramaica é um termo que era usado especialmente pelas crianças pequenas para dirigir-se ao seu pai carinhosamente. O termo Abbá tem como tradução literal “papai” ou “papaizinho”. É um tratamento de muita ternura. Ao chamar Deus de Abbá Jesus quer nos revelar sua relação íntima que ele vive com Deus. A atitude de Jesus diante de Deus é a atitude de uma criança cheia da confiança, do afeto e da ternura de uma criança. Diante do Abbá são eliminadas as preocupações.
Jesus quer que seus seguidores vivenciem a mesma experiência ao se dirigir a Deus na oração: “… orai assim: Pai nosso que estás nos céus…”. Jesus quer despertar em cada um de nós o espírito de filho, quer que cada um de nós fale com Deus com segurança, com afeto, com ternura e com confiança de filhos. Jesus quer que cada um de nós se abandone com alegria em Deus, nosso Papaizinho, pois ao chamar Deus assim todo medo desaparecerá e toda preocupação deixará de nos dominar. Deus é nosso Abbá, nosso Papaizinho que nos ama com amor incondicional e insondável e que “sabe de nossas necessidades antes mesmo de pedirmos” (Mt 6,8).
Mas devemos estar bem conscientes de que o Pai-Nosso, desde o começo até o fim, é rezado em plural: “Pai Nosso”, e não “Pai meu”. Deus é o Pai de todos nós. Ninguém deve ficar excluído. Não podemos nos apresentar diante de Deus só com os nossos problemas, alheios aos outros homens e mulheres. Rezar o Pai-Nosso é reconhecer a todos como irmãos e irmãs, é sentir-se em comunhão com todos os homens e mulheres, é ficar atentos para os problemas e necessidades dos outros, é não desprezar nenhum povo.
Mas ser filho deste Abbá não significa ser infantil. Jesus nunca foi débil e infantil. Não rezamos a Deus para que nos defenda da dureza da vida ou para que faça aquilo que devemos fazer ou para que resolva os problemas que nós mesmos devemos resolver. Pedimos, sim, ao nosso Papaizinho do céu para que saibamos atuar a partir de sua graça, de sua ternura, de sua bondade e de sua verdade e viver com responsabilidade na nossa liberdade de filhos e filhas.
Diante do mundoqueprescinde de Deus, Jesus propõe comoprimeirapetição, comoidealsupremodo discípulo, o desejoda glória de Deus: “Santificado seja teuNome”. Esta primeirapetição está orientada na linha profética quesitua Deusacimade tudo, exalta suamajestade e desejaque se proclame suaglória.
Diante do mundoondepredomina o ódio, a crueldade, a injustiça, Jesus pede que se instaure o Reinode Deus, o Reinoda justiça, do amore da paz. Recorre nesta petição o temachave de suamensagem, o Reinode Deusquese instaurará na terracomono céu.
“Vós, portanto, orai assim: Painossoque estás noscéus…”. A oração do Pai-Nossoé umconviteparaestabelecer uma relação de confiança e de intimidade de uma dimensãocomunitária (PaiNosso) e emuma disposiçãoconstantede perdão. A partirdesta dimensão os cristãossão chamados a construirespaços de oraçãoque refletem o compromissode construir o Reinode Deus, ondeDeus é Paide todosnóse nós somos filhose os filhos e irmãosque vivemos emcomunidade e fraternidade. “Pai-Nosso” querenfatizar uma novarelação dos cristãoscomDeusquenãoé somenteindividual, mastambémcomunitária. Sãoos filhos, oucidadãos do reino, os que se dirigem ao Paique é seuRei.
Chamar Deus de “Pai” é algo insólito, inimaginável que expressa a máxima confiança, proximidade e ternura. Jesus quer nos dizer que Deus é o nosso Pai que está sempre ao nosso lado, cheio de cuidados e ternura para com cada um de seus filhos e filhas. Com a palavra “Pai” abre-se um mundo novo nas relações de Deus para com o homem. A vida cristã está banhada de alegria, pois sabemos que somos filhos e filhas de Deus independentemente de nossa situação e de nosso modo de viver. 
Além do mais, ao chamar Deus de Pai precisamos estar conscientes de que precisamos viver como irmãos e irmãs, como recorda Santo Tomás de Aquino: “Ao dizermos Pai, recordemos duas obrigações que temos para com os semelhantes: Primeiro,devemos amá-los porque são nossos irmãos, pelo fato de serem filhos de Deus (cf. 1Jo 4,20). Segundo, devemos reverenciá-los, tratando-os como filhos de Deus (cf. Ml 2,10; Rm 12,10; Hb 5,9) “.
Rezar o Pai-Nosso é seguir Jesus Cristo, aprendendo dele a maneira de viver, de escolher e também o modo de enfrentar a morte; quais são as razões profundas, as raízes da própria existência. Dizer “Pai” nos torna disponíveis, nos enche de confiança, facilita a nossa entrega, pois estamos certos de sermos ouvidos, e isto nos permite superar as barreiras do medo e da incerteza. Dizer “Pai” significa que eu devo me comportar como filho (a) diante dele e como irmão diante dos outros, pois eu sou irmão de muitos outros irmãos. Dizer “Pai” faz nascer a certeza de que somos amados, isto é, nos leva a um ato de inteiro abandono em Deus.
O nome mais adequado ao Deus que reina, o nome mais sábio da teologia definitiva, o nome que exalta a transcendência da divindade e a revela próxima a nós e imanente como fonte de nossa vida, o nome que Jesus acendeu sobre o mundo e entregou às almas em busca de uma linguagem para dirigir-se a Deus, é o dulcíssimo, humaníssimo e sublime nome de Pai (…) A religião nova nasce daqui: Pai nosso, que estais nos céus. Um novo modo de ser nasce daqui: sejais perfeitos, como vosso Pai é perfeito” (Papa Paulo VI).
“Vós, portanto, orai assim: Painossoque estás noscéus…”, diz nos Jesus. De todas as revoluções do Evangelho, a maisprofundae a maisradicalé a revelação de DeuscomoPai, e consequentemente Deuscomoamor, como o Paimaiscarinhosoe entranhável. O Pai-Nossonão é uma simplesoraçãoapesar de serbreve. O Pai-Nossoé uma síntese de tudoo que Jesus viveu e sentiu a propósito de Deus, do mundo e de seusdiscípulos. Deve ser assim também a vida de cada cristão.
Dizer ´Pai nosso que estais nos céus´ significa aceitar o fato de ser filhos com o Filho, de ser filhos como o Filho, de ser transformados em Filhos” (L. Evely).
P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-02-16 20:26:00

19/02/2018
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AMOR A DEUS QUE SE EXPRESSA NO AMOR AO PRÓXIMO É O CRITÉRIO PARA ENTRAR NA VIDA ETERNA
Segunda-Feira da I Semana da Quaresma
Primeira Leitura: Lv 19,1-2.11-18
1O Senhor falou a Moisés, dizendo: 2“Fala a toda a Comunidade dos filhos de Israel, e dize-lhes: Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo.  11Não furteis, não digais mentiras, nem vos enganeis uns aos outros. 12Não jureis falso por meu nome, profanando o nome do Senhor teu Deus. Eu sou o Senhor. 13Não explores o teu próximo nem pratiques extorsão contra ele. Não retenhas contigo a diária do assalariado até o dia seguinte. 14Não amaldiçoes o surdo, nem ponhas tropeço diante do cego, mas temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor. 15Não cometas injustiças no exercício da justiça; não favoreças o pobre nem prestigieis o poderoso. Julga teu próximo conforme a justiça. 16Não sejas um maldizente entre o teu povo. Não conspires, caluniando-o, contra a vida do teu próximo. Eu sou o Senhor. 17Não tenhas no coração ódio contra teu irmão. Repreende o teu próximo, para não te tornares culpado de pecado por causa dele. 18Não procures vingança, nem guardes rancor aos teus compatriotas. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor”.
Evangelho: Mt 25,31-46
Naquele tempo, disse Jesus aos seusdiscípulos: 31“Quando o Filho do Homemvier emsuaglória, acompanhadode todos os anjos, então se assentará emseutronoglorioso. 32Todos os povosda terraserãoreunidos diante dele, e ele separará uns dos outros, assimcomoo pastor separa as ovelhasdos cabritos. 33E colocará as ovelhas à suadireita e os cabritosà suaesquerda. 34Então o Rei dirá aos queestiverem à suadireita: ‘Vinde benditos de meuPai! Recebei comoherança o ReinoquemeuPaivospreparou desde a criaçãodo mundo! 35Poiseu estava comfome e medestes de comer; euestava comsedee me destes de beber; eueraestrangeiro e merecebestes emcasa; 36eu estava nu e mevestistes; eu estava doentee cuidastes de mim; euestava na prisão e fostes mevisitar’. 37Entãoos justoslheperguntarão: ‘Senhor, quandofoi quetevimos comfomee tedemosde comer? Comsede e tedemos de beber? 38Quando foi quete vimos comoestrangeiroe te recebemos emcasa, e semroupa e tevestimos? 39Quando foi quete vimos doenteoupreso, e fomos tevisitar?’ 40Entãoo Reilhesresponderá: ‘Emverdadeeuvosdigo, que todas as vezesque fizestes issoa um dos menoresde meusirmãos, foi a mimqueo fizestes!’ 41Depois o Rei dirá aos queestiverem à suaesquerda: ‘Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogoeterno, preparadopara o diabo e para os seusanjos. 42Poiseu estava comfome e nãome destes de comer; euestava comsedee nãomedestes de beber; 43eueraestrangeiroe nãomerecebestes emcasa; eu estava nue nãomevestistes; eu estava doentee na prisão e nãofostes mevisitar’. 44E responderão tambémeles: ‘Senhor, quando foi quete vimos comfome, oucomsede, comoestrangeiro, ounu, doenteoupreso, e nãote servimos?’ 45Entãoo Reilhesresponderá: ‘Emverdadeeuvosdigo, todas as vezesquenãofizestes isso a umdesses pequeninos, foi a mimquenão o fizestes!’ 46Portanto, estes irão parao castigoeterno, enquanto os justosirão para a vidaeterna”.
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Somos chamados a Ser Santos Como Deus e a Ser Protetores Do Próximo
Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, Sou santo”, assim diz o Senhor para o povo de Israel através do legislador Moisés que lemos na Primeira Leitura de hoje.
Aqui não se trata somente de uma santidade ritual ou legal, mas trata-se da santidade moral, pois a maior parte das ordenações são do âmbito religioso e moral.
Depois do princípio da santidade de Deus, o legislador faz a enumeração dos preceitos morais. Em primeiro lugar, justiça com o próximo. O legislador proíbe o furto, cortando de raiz suas ocasiões ao proibir todo tipo de engano e falsidade com o próximo: “Não furteis, não digais mentiras, nem vos enganeis uns aos outros”. Também é condenada toda opressão violenta contra o próximo: “Não explores o teu próximo nem pratiques extorsão contra ele”. Em nome de Deus que sejam protegidos os pobres e débeis e por isso, é proibido maldizer o surdo e pôr obstáculos ao cego porque estes não podem contestar a sua conduta: “Não amaldiçoes o surdo, nem ponhas tropeço diante do cego, mas temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor”. Nem pode profanar o Nome de Deus através de um juramento falso: “Não jureis falso por meu nome, profanando o nome do Senhor teu Deus. Eu sou o Senhor”.
Em segundo lugar, a retidão e a caridade para o próximo. Contra toda acepção de pessoas é ordenado que pode favorecer a ninguém nem ao pobre, nem ao rico: “Não cometas injustiças no exercício da justiça; não favoreças o pobre nem prestigieis o poderoso. Julga teu próximo conforme a justiça”. A justiça é a base da ordem social, e por isso é inculcada a objetividade nas causas judiciais. O legislador acrescenta que não se deve difamar ninguém com vistas ao derramamento de sangue: “Não sejas um maldizente entre o teu povo. Não conspires, caluniando-o, contra a vida do teu próximo. Eu sou o Senhor”. E como base do sentido de justiça são proibidos os desejos adversos internos contra o próximo e é recomendada a correção fraterna: “Não tenhas no coração ódio contra teu irmão. Repreende o teu próximo, para não te tornares culpado de pecado por causa dele”. Os ódios reconcentrados no coração podem se transformar em explosões violentas contra o próximo. E por fim, o grande mandamento: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor”. Mas aqui “próximo” se refere ao israelita ou compatriota. No comentário rabínico se diz que “o próximo não é o samaritano, nem o estrangeiro, nem o prosélito”. É a interpretação que davam os judeus no tempo de Jesus. Na mensagem evangélica, o amor ao próximo é uma consequência e projeção do amor a Deus-Pai celeste que faz nascer o sol para os bons e maus e faz cair a chuva para os justos e injustos (Mt 5,43-48).
É interessante observar que se repete a frase como refrão: “Eu sou o Senhor”. Aqui Deus se faz como garantia, o Guardião, o Juiz da qualidade de nossas relações humanas. O fato de o homem explorar o outro homem, seu próximo, Deus fica indiferente, mas se encoleriza.
Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, Sou santo”. Entre homem e Deus há um certo laço. Deus não se desinteressa da conduta do homem. E Jesus dirá: “Sede perfeitos como vosso Pai é perfeito” (Mt 5,48).
“Roubo/Furto”, “Mentira”, “Exploração/Extorsão/Injustiça”, “Difamação/Calúnia”, “Maldição”, “Pedra de tropeço/Escândalo”, “Vingança/Guardar rancor”. Devo me deter em cada uma destas palavras. Qual é a minha forma de tratar o outro? Ajude-me, Senhor a amar sem cessar a todos.
O Amor Será o Critério De Nosso Julgamento Final
O texto do evangelho lido neste dia se encontra no quinto e o último discurso de Jesus no evangelho de Mateus chamado o Julgamento final (Mt 23-25). O evangelista Mateus quer nos recordar que o homem jamais se esquece de que um dia sua vida na história terminará. Um poeta espanhol escreveu: “Partimos, quando nascemos, caminhamos enquanto vivemos, e chegamos no momento em que morremos”. São Paulo nos adverte: “Todos nós teremos de comparecer manifestamente perante o tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba a retribuição do que tiver feito durante a sua vida no corpo, seja para o bem, seja para o mal” (2Cor 5,10; cf. Hb 9,27). Segundo São Paulo nós seremos julgados por Deus por aquilo que fizemos ou deixamos de fazer aqui neste mundo, durante a nossa história. E o critério de avaliação vai ser nosso amor para com os irmãos, para com todas as pessoas, principalmente para os necessitados (cf. 1Cor 13,1-13).
Sabendo do término de nossa caminhada um dia aqui neste mundo, o texto do evangelho deste diaé uma das páginasmaisincômodas de todo o evangelho. Uma das páginas do Evangelhoquesempretemos maismedoé a da parábola do “Juízofinal”. Trata-se do momentosupremo do homem, do momentoemque deverá prestarcontas ao seu Criador, porque todos Lhe pertencem e que Ele esteve presente na história de todos (cf. Mt 28,20; 25,40.45; 1Cor 3,16-17 etc.). Por isso, fala-se de condenação e de salvação, de bênção e maldição, de chamada e de repulsa: de eternidade.    Qualquerhomempode nãoencontrarDeusdurantea vida, masnão tem comoescapar do seupróximocomquem Jesus se identifica. O verdadeiropróximo é aqueleemcujocaminho eu me coloco e não apenas aquele que eu encontro no meu caminho. 
No julgamento final, Jesus nos revela um Deus que não se pode medir com os nossos cálculos matemáticos, legais ou rituais, um Deus que, apesar de ser o mais próximo de nós, também é o mais afastado porque Ele é o “diferente”, o “diverso”, o “outro”.
O critério usado no julgamento final é o AMOR ao próximo, de modo especial o bem feito aos pobres e marginalizados, pois o cerne da religião bíblica é a prática ou a vivência do amor. Todo o mais, por mais belo e importante que ele seja, como o conhecimento e a fé em Deus parecem ter valores apenas “parciais”. Mesmo o testemunho do sangue não significa nada em comparação com o amor ao próximo (cf. 1 Cor 13,1-13). Mas não se trata do bem, feito para atrair sobre si a bênção de Deus, ou com a esperança duma recompensa, servindo-se do próximo como instrumento da benevolência divina, mas trata-se do bem, feito ao homem pelo homem: o amor pelo amor. O ateu pode percorrer as ruas do mundo sem encontrar Deus, mas não pode deixar de cruzar-se com o seu próximo e com o próximo mais pobre, menos livre, mais oprimido, mais só. Jesus se identifica com eles.
No evangelhode hoje Jesus nosrecorda que no últimodia seremos julgados sobre o amor: “Todas as vezesquenãofizestes isso (caridade) a um desses pequeninos, foi a mimquenão o fizestes!”, diz o Senhor (Mt 25,45). Entreo homem e Deushá umcertolaço. Deusnão se desinteressa da conduta do homem.
As palavrasdo Senhor neste diadevem servir de examede consciênciasobreo estilo e a qualidadede nossas relaçõescomtodas as pessoasquetratamos: falta de caridade, mentira, agressão, falsidade, exploração, apatia, insensibilidadehumana e assimpordiante. Devemos nosdeteremcadauma destas palavras e nas outras semelhantes. E cadaum deve se perguntar: “Qual é o meuestilooumeumodode tratar os outros?”. Deus se faz juizda qualidade de nossas relaçõescom os outros, e nãoos comentárioshumanos.
Na Eucaristia, com os olhosda fé, nãonoscustamuitodescobrirCristopresenteno sacramento do pãoe do vinho. Masnoscustamuito descobrirmos Cristofora da Eucaristia, no sacramento do irmão. Masprecisamentea partir deste ânguloé que será feitaa perguntafinal, se descobrimos Cristo no irmãoounão. O Cristoque escutamos e querecebemos na Eucaristia é o mesmo a quemdevemos servir nas pessoascom as quaisnos encontramos duranteo dia.
Muitas vezes, e, sobretudo, emsituações de criseperguntamos: “Onde está Deus?”. Hoje, através do textode Mateus temos uma respostaclara: nosquesofrem, nospobres, nosenfermos, aindaquenão queiramos verporque é incômodo, desagradável.  Mascomprometer-se, conviver, procurarqualidadede vida, calor, não é issosersanto?
Se decidirmos realmenteseguir a Jesus, teremos queescolher o caminhoda vida. Optarpelavidaé viver na solidariedade, na compaixão, na caridade, no perdão… Masse escolhermos nossas ambições, o poder, a autossuficiência, etc., entãoestaremos escolher o caminhoda morteeterna.
Portanto, viver nãoé simplesmentesorrire simfazeralguémsorrir. Vivernão é medirajuda e simajudarsemmedida, poisDeus é o critério do bem. Vivernão é somenteajudar quem está próximo e simestarsemprepróximoparaajudar. Vivernão é somentedoarumpouco e simdoarsempre, pois nisto consiste a verdadeira vida. Vivernão é somente compadecer-se e simajudarmesmoqueporisso se torne incômodo. Viver não é somente chorar com quem chora e sim esforçar-se para levar alguém a viver a vida na alegria do Senhor. Viver não é somente doar algo para quem precisa e sim doar-se como dom de Deus para o outro. Viver é voltar aos tempos sagrados: Advento, Natal, Quaresma, Páscoa. Viver é voltar a uma devoção mais fervorosa, a uma resistência santa contra o mal, a um estilo de vida mais sincero e fraterno, a um culto mais puro em espirito e verdade, a uma comunhão mais profunda entre todos os que são chamados de cristãos.  Quemamanãosomente faz o quepode e sim faz atéo impossível, pois“Deus é amor” (1Jo 4,8.16) e “paraDeusnada é impossível” (Lc 1,37).
A quaresmaé o tempooportunopara praticar a solidariedade pela solidariedade, fazer o bem pelo bem. Dividir o que se tem com quem não tem nada para viver é uma das maneiras de viver a quaresma. Não basta fazer jejum. É preciso saber partilhar com o necessitado com quem Jesus se identifica. Não basta fazer a abstinência de carne para se controlar e sim doar a carne para quem necessita dela. O modo de amar, de abraçar, de aceitar o meu irmão mais pequeno e mais oprimido é uma participação evidente da intimidade mesma de Deus- Amor, um valor absoluto em si próprio. Tudo o que é amor já é de Deus. Um critério que servirá, então, para crentes e ateus será a lei do amor aos irmãos, escrito no interior de cada ser humano, impulso para o bem, a chamada à fraternidade. Porque alguém pode ter fé em Deus sem amar ao próximo e alguém pode se considerar ateu, mas sabe amar ao próximo.
O tempo da vida de cada um de nós neste mundo é o tempo ou momento de discernimento: cada indivíduo se revela como pertencente ao grupo das ovelhas ou ao grupo dos cabritos/cabras segundo a posição que assumiu em sua vida diante da mensagem de Jesus Cristo. Dai surge a separação efetuada pelo Pastor, Único que conhece as ações de cada um de nós em sua verdadeira profundidade.
Que no últimodia de nossavidaterrestrepossamos tirar uma notaboa neste examefinalde nossas relações e de nossotratamentoparacom os outros. O decisivoserá a atitude de amorou de indiferençaque fizemos comos irmãosmaispequenos: os famintos, sedentos, enfermos, encarcerados, imigrantes e assimpordiante. Revisarcomqueconsciêncianósatuamos é o próprio da Quaresma.
P. Vitus Gustama,SVD

É PRECISO CAMINHAR 2018-02-15 19:11:00

Domingo,18/02/2018
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JESUS QUE SE DEIXA IMPELIR PELO ESPÍRITO NOS TRAZ DE VOLTA O PARAÍSO PERDIDO
I Domingo da QuaresmaAno”B”
Primeira Leitura: Gn 9,8-15
8 Disse Deus a Noé e a seus filhos: 9 “Eis que vou estabelecer minha aliança convosco e com vossa descendência, 10 com todos os seres vivos que estão convosco: aves, animais domésticos e selvagens, enfim, com todos os animais da terra, que saíram convosco da arca. 11 Estabeleço convosco a minha aliança: nunca mais nenhuma criatura será exterminada pelas águas do dilúvio, e não haverá mais dilúvio para devastar a terra”. 12 E Deus disse: “Este é o sinal da aliança que coloco entre mim e vós, e todos os seres vivos que estão convosco, por todas as gerações futuras: 13 ponho meu arco nas nuvens como sinal de aliança entre mim e a terra. 14 Quando eu reunir as nuvens sobre a terra, aparecerá meu arco nas nuvens. 15 Então eu me lembrarei de minha aliança convosco e com todas as espécies de seres vivos. E não tornará mais a haver dilúvio que faça perecer nas suas águas toda criatura”.
Segunda Leitura: 1Pd 3,18-22
Caríssimos: 18 Cristo morreu, uma vez por todas, por causa dos pecados, o justo pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus. Sofreu a morte, na sua existência humana, mas recebeu nova vida pelo Espírito. 19 No Espírito, ele foi também pregar aos espíritos na prisão, 20 a saber, aos que foram desobedientes antigamente, quando Deus usava de longanimidade, nos dias em que Noé construía a arca. Nesta arca, umas poucas pessoas — oito — foram salvas por meio da água. 21 À arca corresponde o batismo, que hoje é a vossa salvação. Pois o batismo não serve para limpar o corpo da imundície, mas é um pedido a Deus para obter uma boa consciência, em virtude da ressurreição de Jesus Cristo. 22 Ele subiu ao céu e está à direita de Deus, submetendo-se a ele anjos, dominações e potestades.
Evangelho: Mc 1,12-15
Naquele tempo, 12o Espírito levou Jesus para o deserto. 13E ele ficou no desertodurante quarenta dias, e aí foi tentado porSatanás. Vivia entreanimaisselvagens, e os anjos o serviam. 14Depoisque João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deuse dizendo: 15“O tempojá se completou e o Reinode Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!”
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Viver Sob o Impulso Do Espirito De Deus É Um Viver Dinâmico
Nós nos encontramos diantede umtextosimbólico de Marcos. Para Marcos a tentação por parte de Satanás não é a única ideia. Marcos coloca outras ideias: estar no deserto, a convivência com as feras e o serviço dos anjos aparecem com a mesma importância. De todos os modos o “ser tentado” pertence indissoluvelmente a este tempo tranquilo.
A cenainicialnosversículos 12-13 está emestreitarelaçãocom a cenaanterioronde se relatou queo céu se rasgou na horado Batismo de Jesus e o Espírito de Deusdesceu sobreele. Em resposta ao batismo, Jesus começa o retorno ao deserto, isto é, uma existência em que ele experimenta o confronto com Satanás e, ao mesmo tempo, experimenta a ajuda de Deus (os anjos); Jesus vive na luta e ao mesmo tempo está em paz. Em suma, é o mistério habitual de Cristo: Filho de Deus, mas tentado. E é também o mistério de todos os batizados: a vida de cada batizado é constituída por lutas, mas está sob o signo da vitória e da paz. Para isso basta estar em comunhão plena com Deus.
O Espíritoque pairava sobre Jesus no Batismo agoratoma a iniciativade impelir (empurrar) Jesus para o deserto. A vida no Espíritonão é paradae simcaminho, itinerário. A vida no Espirito de Deus é uma vida dinâmica. É um êxodo permanente. Ao dizerque o Espíritoimpele Jesus ao deserto, Mc querenfatizartambémqueJesus é uma pessoa conduzida totalmentepeloEspíritode Deus. Jesus viveu tão unido ao Paiqueistomesmo o capacitou a serlivrediantede tudo. Quantomais unidos a Deuse à suavontadevivemos e sentimos mais a vidaemnósmesmos; quantomais unidos a Deus, maisnossentimos como sendo nósmesmos, maislivres e maisrealizados, como aconteceu com Jesus. Por se deixar conduzir pelo Espirito de Deus, Jesus só vive em função do bem da humanidade. Quem é conduzido pelo Espirito de Deus é incapaz de praticar o mal.
Viver conforme o Espíritode Deusnosfaz sermos filhos de Deus, irmãos de todos os homense irmãos da naturezaou do universo: “Jesusvivia entreanimaisselvagens, e os anjoso serviam” (Mc 1,13b). O Messias, que vive em comunhão com Deus (impelido pelo Espirito), reencontra a paz com os animais selvagens, perigosos para o homem (Cf. Is 11,6-8; Sl 90/91). A comunhão plena com Deus tem como consequência viver em harmonia com tudo e com todos, inclusive com a natureza.
O sinal da aliança não é um mito da origem do arco-íris e sim uma reflexão simbólica e poética acerca da natureza (veja Gn9,8-15: Primeira Leitura).  O arco-íris, formado pelos raios do sol que atravessa o firmamento (abóbada celeste) na chuva, anuncia aos homens o fim da tormenta ou da tempestade (símbolo da ira divina) e o aparecimento do sol (imagem da misericórdia de Deus). Tudo começou de novo, como se nada tivesse acontecido, pois Deus perdoa e abençoe e a alma sente uma paz alegre e repousante. Tudo isso se torna possível com a presença de Alguém no meio de nós (Jo 1,14) que se deixa conduzir pelo Espirito Divino: Ele é Jesus Cristo.
O Espirito De Deus Impele Jesus Para o Deserto
Jesus foi impelido peloEspírito de Deuspara o deserto.Em Marcos, o deserto é uma e outra vez o lugar do encontro com Deus. Na história de Cafarnaum, depois de um árduo dia de atividade pública, Jesus retirou-se para um “lugar deserto” e “ali ficou rezando” (1,35, um detalhe que só pode ser encontrado em Marcos). De acordo com Mc 6,31, convidou os discípulos a descansar com ele para um lugar solitário e não só em função do repouso externo, e sim para recuperar a nova força em sua companhia e no silêncio-comunicação com Deus. O “deserto” para o qual as multidões do povo seguem a Jesus e os discípulos (6,35), adquire um significado mais profundo: torna-se o lugar da multiplicação dos pães, e precisamente com o uma alusão, entre as linhas, ao tempo da graça de Israel no deserto, onde a comunidade do êxodo é alimentada por Deus (Cf. Ex 16). Deus chama e atua em silêncio e move a história com as forças que se recuperam em solidão com Ele. Finalmente, o “deserto” também é o lugar da decisão.
A experiênciado deserto é uma das coisasmaispróprias da Quaresma; é umsímbolograndiosoquenosfala de desapego, de austeridade, de solidão, de luta, de tentação, de decisão. Tudoisto tem a vercom a Quaresmaquenosprepara e exercita paraseguir a Jesus Cristoenfrentando as cruzes, as feras, as tentações no caminho até a Páscoa. Deserto é o momento de nos esvaziarmos de tudoquenão seja Deus.
Jesus Permanece Quarenta Dias No Deserto
O textofalatambémdo retiro de Jesus durantequarenta dias no deserto.
O número quarenta é um antigo número sagrado da Bíblia: durante quarenta anos, Israel foi testado no deserto (Dt 8,2s.15s). Quarenta dias e quarenta noites, Moisés permaneceu na montanha (Ex 24,18), rezou e jejuou (Ex 34,28). Quarenta dias e quarenta noites, Elias caminhou até o divino monte de Horeb, fortalecido com a comida que Deus providenciou (1 Rs 19,8).
Quarenta dias, quarenta anos significam toda uma vida. Istoquernosdizerque Jesus é tentado durantetodasuavida. Durantea suaatividadeJesus será tentado repetidas vezespelopoderdominador(veja Mc 1,24.34.37; 3,11; 8,11.32s; 10,2; 12,15). Porisso, Mc nãodescreve as tentaçõescomo os outrossinóticos (veja Mt 4,1-11; Lc 4,1-13). A tentaçãonãoacontece, então, apenasno fim do retirocomonosrelatam os outros sinóticos (veja Mt 4, 2b; Lc 4,2b). As tentações no desertonãosãooutracoisaque uma composiçãoliteráriaparaexpressar de uma veza lutadecisivade Jesus contra os poderesdo mal. Mas porestar unido a Deustotalmentenenhummal resiste diantede Jesus: “No mundo haveis de teraflições. Coragem! Eu venci o mundo”, recorda-nos Jesus (Jo 16,33).
No Deserto Jesus É Tentado Por Satanás
 “Satanás” significa simplesmente“adversário”. Porisso, Satanás pode seruma pessoa, umgrupo, ouuma instituição, se colocaralgumobstáculono caminho da vontadeou do planode Deus. Pedro foi chamado de “Satanás” por Jesus “porquePedro nãopensaas coisas de Deus, mas as dos homens” (Mc 8,33). E Jesus vence as tentações e vive no meio dos animaisselvagensempaz. É o paraísoreconquistado. Tudoistoindica quecomJesus começa uma novacriação (veja Gn 2,192; Is 11,1-9). A sucessão de frases lapidárias implica que todos os esforços de Satanás foram infrutíferos e que o homem impelido pelo Espírito, permanece em paz e em comunhão com Deus.
Marcos nos pretende dizerquequandovencermos as tentações, bastando deixar a vontade de Deusconduzirnossavida, o paraíso será recriado oureconquistado emnóse neste mundo.O coraçãohumano é umcampo de batalha. Aí o homemlutacontrauma multidão de inimigos. É tentado pelaavareza, injúria, gula, atépelaalegria do mundo. Todas as coisas tentam, é difícilescapar alguma. Onde, pois, haverá segurança nesta vida? Unicamente na esperança das promessas divinas”, dizia SantoAgostinho (In ps. 99,11).
Devemos estarconvencidos de quenão estamos sozinhosnesta lutacontrao maldentroe fora de nós. Jesus está conosco nesta luta, aqueleque venceu as tentaçõesno deserto. Comele e somentecomeleé que poderemos vencertodas as provas e tentaçõesnesta vida. Se no Livrode Genesis Deus diz queo dilúvionãovoltará a destruir os viventes(Gn 9,11), agora essa promessatem seucumprimentona Páscoa do Senhor, o triunfodefinitivoda vidasobrea morte, o amorsobre o ódio, pois o Senhor Jesus é fielaté o fim à vontadede Deus. A mortede Jesus na cruznosfaz descobrir a seriedadecomqueDeus cumpriu Suapalavra de nãosacrificarmaisa humanidade, e simdar-lhe a vidaemJesus Cristo: “Euvim paraquetodos tenham vidae a tenham abundantemente” (Jo 10,10).
Mc tambémnos relata queduranteessesquarenta dias os anjosfornecem alimentos milagrosamente para Jesus, de maneiracontinuada (Mc 1,13b), e nãoapenas no fimdas tentaçõescomorelata Mt (veja Mt 4,11). Porisso, segundoMc, não há nenhumjejumparaJesus duranteessesdiasnemfomecomorelatam os outros sinóticos (veja Mt 4,2; Lc 4,2b). O “serviço dos anjos” é sinalde proteçãodivinae de superação de todosos obstáculos (Sl 90,10-13). Quem estiver comDeus e viverde acordocoma vontade de Deus, tudo será providenciado pelopróprioDeus(cf. Mt 6,25-34). Aquelequeabraça o caminho de serviçodescobre-se e encontra-se numa relaçãonovacom o mundo “servido pelosanjos” (Mt 4,11).
Conversão e Fé São Inseparáveis Na Vida Do Cristão
Na segundaparte do textodo evangelho deste diafala do inícioda atividade de Jesus na Galileia (Mc 1,14-15). O conteúdo da mensagem de Jesus se expressaprogramaticamente nestas palavras: “Cumpriu-se o tempo e o Reinode Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15).
Crer no evangelho significa abrir-se ao amore à força de Deus. Se cadacristãodeixarDeusentrar na suavida, então, tudo nele mudará: da tristezaà alegria, da desesperançaà fé, do medoà fortaleza, da escravidãoà liberdade, do egoísmoao amor.
A féque Jesus exige de cadaseguidor do começode suaatividadeé umimpulsode confiança e de abandono, peloqual o homem renuncia a apoiar-se emseuspensamentose emsuasforçasparaabandonar-se à Palavra e ao poder d’Aqueleemquem crê.
O movimentológico e naturalda fé cristã é a conversão. Não é umestado adquirido e simumatopermanente. A conversãofaz o cristãoolharpara o futuroe não se detém no passadomuitomenospara chorá-lo. O errocometido jamais será corrigido, pois foi umfato. O que se pode fazer é viver de talmaneiraquenão se repita o erro cometido paraa própriarealizaçãocomopessoa. O homemqueescuta a Boa Novado Reino de Deusprecisamudarradicalmentenãosomente as aparências, mas há de mudarde coração. A partir da mudança de coração é que haverá a mudança na Igreja e na sociedade.
P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-02-12 08:33:00

17/02/2018
Resultado de imagem para se destruíres teus instrumentos de opressão, e deixares os hábitos autoritários e a linguagem maldosa; 10 se acolheres de coração aberto o indigente e prestares todo socorro ao necessitado, nascerá nas trevas a tua luz e tua vida obscura será como o meio-dia.
Resultado de imagem para se destruíres teus instrumentos de opressão, e deixares os hábitos autoritários e a linguagem maldosa; 10 se acolheres de coração aberto o indigente e prestares todo socorro ao necessitado, nascerá nas trevas a tua luz e tua vida obscura será como o meio-dia.
Resultado de imagem para se destruíres teus instrumentos de opressão, e deixares os hábitos autoritários e a linguagem maldosa; 10 se acolheres de coração aberto o indigente e prestares todo socorro ao necessitado, nascerá nas trevas a tua luz e tua vida obscura será como o meio-dia.
CONVERTER-SE É TORNAR-SE DOME IRMÃO PARA OS DEMAIS HOMENS
 
Sábado depois das Quarta-Feira de Cinzas 

Primeira Leitura: Is 58,9b-14
Assim fala o Senhor, 9b se destruíres teus instrumentos de opressão, e deixares os hábitos autoritários e a linguagem maldosa; 10 se acolheres de coração aberto o indigente e prestares todo socorro ao necessitado, nascerá nas trevas a tua luz e tua vida obscura será como o meio-dia. 11 O Senhor te conduzirá sempre e saciará tua sede na aridez da vida, e renovará o vigor do teu corpo; serás como um jardim bem regado, como uma fonte de águas que jamais secarão. 12 Teu povo reconstruirá as ruínas antigas; tu levantarás os fundamentos das gerações passadas: serás chamado reconstrutor de ruínas, restaurador de caminhos, nas terras a povoar. 13 Se não puseres o pé fora de casa no sábado, nem tratares de negócios em meu dia santo, se considerares o sábado teu dia favorito, o dia glorioso, consagrado ao Senhor, se o honrares, pondo de lado atividades, negócios e conversações, 14 então te deleitarás no Senhor; eu te farei transportar sobre as alturas da terra e desfrutar a herança de Jacó, teu pai. Falou a boca do Senhor.

Evangelho: Lc 5,27-32

Naquele tempo, 27Jesus viu umcobrador de impostos, chamado Levi, sentado na coletoria. Jesus lhedisse: “Segue-me”. 28Levi deixou tudo, levantou-se e o seguiu. 29Depois, Levi preparou emcasaumgrandebanquetepara Jesus. Estava aígrandenúmero de cobradoresde impostos e outras pessoas sentadas à mesacomeles. 30Os fariseus e seusmestres da Lei murmuravam e diziam aos discípulos de Jesus: “Porquevóscomeis e bebeis com os cobradores de impostose com os pecadores?” 31Jesus respondeu: “Os quesãosadiosnão precisam de médico, massimos que estão doentes. 32Eunãovim chamar os justos, massimos pecadoresparaa conversão”. 
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1. Smos Chamados a Ser Irmãos Dos Outros

Se destruíres teus instrumentos de opressão, e deixares os hábitos autoritários e a linguagem maldosa; se acolheres de coração aberto o indigente e prestares todo socorro ao necessitado, nascerá nas trevas a tua luz e tua vida obscura será como o meio-dia”.

Como a Primeira Leitura do dia anterior, as palavras do profeta Isaias na Primeira Leitura de hoje são umas sugestões muito concretas que podem nos ajudar no esforço que a Quaresma nos pede: pôr suavidade e bondade em todas as nossas falas, conversas e relações: “Uma palavra amena multiplica os amigos e acalma os inimigos; uma língua afável multiplica as saudações” (Eclo 6,5), e estar atentos aos desejos dos demais e às necessidades dos indigentes para torná-los mais felizes.

Só se chega a Deus pela justiça praticada para com os irmãos, pelo compromisso de fazer os irmãos mais livres, pela aceitação de todos como irmãos e pela comunicação ou partilha dos bens. Somente desta maneira é que a pessoa é transformada e se realiza de acordo com os desígnios de Deus. É a maneira de reconstruir o povo do Senhor.

Temos várias ocasiões para exercer a luta pela justiça. Não vale a pena protestar contra as injustiças cometidas em qualquer lugar, se nós próprios em casa ou na comunidade, exercemos sutilmente racismo ou discriminação e ficamos inibidos quando vemos alguém que precisa da nossa ajuda. Não cometemos injustiça com as pessoas com quem vivemos e trabalhamos? Seria muito mais confortável para as leituras de Quaresma para nos convidar apenas para rezar mais ou para fazer algumas esmolas extras. Mas eles nos pedem atitudes de caridade fraterna, que custam muito mais.

A partir das sugestões do profeta Isaias nós podemos lançar perguntas: A quem eu posso dar uma alegria? Quem do meu redor está esperando minha ajuda?

Nas palavras do profeta Isaias podemos dizer que é necessário esquecer um pouco nossas preocupações, nossos assuntos, demasiado humanos e egocêntricos para considerar os assuntos de Deus que são assuntos para o bem da humanidade. É abandonar nossa vontade de mandar nos outros para começar a dialogar sobre o que é digno para ser vivido em conjunto como irmãos e irmãs da mesma família de Deus. É parar de explorar o outro, pois faço parte também da humanidade. É parar de cobrar dos outros tudo que não devia ser cobrado para aprender a viver na honestidade. É ser “novo Levi” capaz de ver a vida num horizonte novo, de ver o outro como irmão.

De acordo com Isaías, as exigências de Deus têm que ter a ver com a ação de abandonar (opressão, arrogância e calúnia) e compartilhar (compartilhando o pão com o faminto e satisfazendo a alma afligida). Na conversão, o ponto de partida é a conversão pessoal, mas o ponto de chegada é um serviço para o irmão necessitado. Somente através da solidariedade é que um dia alcançará o sonho evangélico da justiça social. Ser cristão significa ser homens e mulheres com o coração e as portas abertos, que não discriminam ou excluem os outros irmãos, mas que são bem-vindos, compartilham e repartem com os necessitados, porque na partilha do pão é aí que reconhecemos o Senhor. A parte difícil de ser cristão vem quando percebemos que o seguimento de Jesus exige e se concretiza na partilha com os irmãos, especialmente com os mais necessitados. Muitos quando chegam a este ponto, começam a criar as desculpas e as justificativas injustificáveis.

No evangelhodeste dia, Jesus convida o publicano Levi (Mateus) a segui-Lo. Convidar aqui tem um sentido de abandonar a vida passada escura para viver uma vida com sentido sendo parceiro do bem. O coração de Levi sente tocado pelo convite de uma pessoa que o quer bem: o convite do próprio Salvador, Jesus Cristo.  E o publicano se levanta, abandona tudo e vai seguir Jesus. Levi oferece um grande banquete para celebrar sua conversão. Conversão e alegria andam juntas. É a alegria de ser livre dos apegos. É a alegria de ser libertado das garras do poder e da ganância. E o tema que é enfatizado pelo profeta Isaias na primeira leitura (Is 58,9-14): “Se destruíres teus instrumentos de opressão, e deixares os hábitos autoritários e a linguagem maldosa; se acolheres de coração aberto o indigente e prestares todo socorro ao necessitado, nascerá nas trevas a tua luz e tua vida obscura será como o meio-dia. Essas palavras se tornaram realidade para Levi.

2. Jesus Chama Cada Um Para Levar Adiante Tudo Que Salva a Humanidade

No evangelhodeste dia Jesus convida o publicano Levi (Mateus) a segui-Lo: “Segue-me”.  E o publicano se levantou, deixou tudo e seguiu a Jesus.

Seguir significa “iratrás”. Este “iratrás” significa adotar a atitude do Mestre. É viver uma dedicada para o bem de todos. É escutar as lições do Mestree imitarseuexemplo de vida. Paraisso, o discípulo tem queestar ligado totalmenteao Mestre. É preciso estar no lugar de discípulo (atrás) para poder aprender.  Simão Pedro chamado de Satanás (tentador) porque estava querendo ficar na frente do Mestre, isto é, atrapalhar o projeto de Deus em Jesus (cf. Mc 8,32b-33). É preciso aderir a Jesus e ao seu projeto. Essa adesãototal ao Mestresó pode serchamada de “fé” inseparável da conversão. Ser verdadeiro seguidor é aquele que sempre deixa Jesus na frente para não ficar perdido na vida e na missão. No momento em que deixamos Jesus de lado ou de trás, perderemos o horizonte de nossa vida e missão. Devemos estar conectados permanentemente a Jesus.

Jesus chamacadaumno lugarondese encontra, no lugarondetrabalhacomo Levi. Jesus chamaas pessoasnormais. Levi não é uma pessoaperfeitanemumsuper-homem. Ele é umcobrador de impostose porisso, é umladrãopúblico. Umpublicano é uma pessoa desclassificada e considerada comopecador. Porisso, ele é excluídoda vidasocial. Todos odiavam essa profissão, pois explorava o povopara se enriquecerilicitamente.

Mas Jesus é o Deus-Conosco. Ao chamar Levi parasegui-lo, Jesus se apresenta comoAquelequeveionão para os justos, mas para todos os que pecaram para que estes se convertam. Jesus é Aquele que vai ao encontro dos que são excluídos por causa do seu presumível pecado. Não só vai ao encontro deles, mas também come com eles. Comer junto significa nivelar os relacionamentos. Porque Jesus veio para os pecadores, em vez de se afastar de Levi Jesus se aproxima dele, poisparaDeusnãohá filhos de segundaclasse. Todossãoiguais. Deus se aproxima de cadaum, poisparacadaumde nósDeustem alguma propostaoualguma missão neste mundo.

Ao ouviratentamente a Palavrada vidaeterna(cf. Jo 6,68) Levi não resiste, pois a salvação é muitomaisimportantedo quequalquerriqueza e profissãono mundo. Levi deixao poder divino operar na sua fraqueza de pecado sem temor. Aqui se traça o caminho do verdadeirodiscípulo: encontrar-se pessoalmentecomo Senhor, ouviratentamentesuaPalavra e iratrás do Senhorincondicionalmente que supõe o abandono da maneira de viver anterior. Levi abandonou tudo, pois encontrou tudo e permaneceu com o Tudoque é o Senhordo Universo. Levi ganhou tudoem Jesus Cristo. Depoisque conheceu Jesus Cristo, São Paulo escreveu: Poreletudodesprezei e tenho emcontade esterco, a fimde ganharCristo” (Fl 3,8b).

3. Banquete É O Momento Da Comunhão, Do Amor Fraterno

Levi oferece umgrandebanqueteparacelebrarsuavoltapara o caminho da felicidadecomDeus (conversão). O banquete é o momento familiar onde todos se igualam e se alimentam da mesma refeição. É o momento de fraternidade e de alegria em conjunto.

Para a mentalidadejudaica, o banqueteé o lugar do encontro, da fraternidade, da igualdadeonde os convivasestabelecem laços de família e de comunhãomaisprofundose íntimos. Para os judeus, como para os orientais, em geral, na época, comer juntos constituía o sinal evidente e mais valioso de amizade e comunhão, não somente num nível simplesmente humano, mas também no plano religioso. Por isso, os judeus evitavam o contato na refeição com os membros pecadores de seu povo.

Jesus se comportou de forma diferente: não somente chamou Levi, o publicano; não somente ofereceu o perdão aos que, até então, eram pecadores, mas também fez refeição com eles e compartilhou sua amizade.

Mas por muito humana que pareça a atitude de Jesus, por misericordioso que seu gesto possa apresentar-se, constitui diante dos olhos dos seus contemporâneos causa de escândalo. Na verdade, ao fazer isso, Jesus se colocou no lugar de Deus, levando o sinal de sua graça e comunhão aos perdidos e culpáveis deste mundo: “Os que são sadios não precisam de médico, mas sim os que estão doentes. Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores para a conversão”.

É preciso nos recordar que as refeições de Jesus com os homens, especialmente com os pecadores convertidos são um sinal e antecipação do banquete pleno no Reino.

O símbolomaisapropriadodo Reino de Deusé o banquete, poisse estabelecem a fraternidade, a comunhão e o amorsemlimites. Não é por acaso que um dos sacramentos instituídos por Jesus é o Sacramento da Eucaristia (da refeição). A Eucaristia é a celebração da comunhão, da fraternidade, da igualdade, da família. É um dos momentos de nossa humanização, isto é, para nos tornarmos mais humanos, mais fraternos, mais familiares. Somente por este caminho é que podemos entrar no processo da divinização de nossa vida.  Ao sair de cada celebração eucarística devemos ser mais humanos, mais fraternos a ponto de sermos reflexos de Deus e devemos pensar mais no outro, pois o outro é o nosso irmão, ovelha do Senhor que devemos apascentar (cf. Jo 21,15-17).

Os fariseusnão entendem issoe criticam o comportamento de Jesus que se aproxima do publicano e faz banquetecomele. Como os fariseusnóstambém podemos ficar numa atitude de autossuficiência, achando quenão precisamos do domde Deusporquecumprimos os mandamentos, as regras rituais e achamos queDeusnãotenha outrasoluçãosenão salvar-nos. E nosesquecemos de que a conversãoé uma carreirainacabada. Além disso, quemnão tem o amorfraterno no coração, como os fariseus, jamais entende o queé o Reino de Deuse desprezará a importância da conversão. A conversãoé o encontro de doisamores: o amoreterno de Deuspormime eu voltei a amaresseAmoreternoqueme faz felizneste mundo e medevolve na minhadignidadecomofilhoamado de Deus. A conversão é o iníciodo caminho da felicidade.

A quaresmaé o tempoforteliturgicamente paradedicarumtempopara a reflexãoe a oração. É o tempoparaouvirumpouco nossas preocupações, nossosassuntosdemasiadoshumanosparalevar em consideração os assuntos de Deusparanossaprópriasalvação.

“Ensinai-me os vossos caminhos e na vossa verdade andarei” é o refrão do Salmo Responsorial de hoje. Sempre temos algo a aprender na vida. Dentro do contexto da Palavra de Deus sabemos que somos débeis e nunca estamos prontos completamente para estar no caminho da Páscoa. A conversão é uma tarefa inacabada e silenciosa de cada dia e somente terminará no momento em que nossa respiração terminar aqui neste mundo. Quem deixar de aprender nunca será um bom evangelizador.

“Ajude-me, Senhor, a destruirmeusinstrumentosde opressão, e a deixaros meushábitosautoritários, a linguagem maldosa que sempre eu emiti, e o meu olhar que condena. Dê-me um pouco de Sua força paraacolher de coração aberto o indigente e prestar todo socorro ao necessitado, para que possa nascer na minha vida a Vossa Luz. Que minha mão seja Sua mão estendida para todas as pessoas em cujo caminho eu me coloco. Que Seu convite para abandonar tudo que não presta para o bem comum ressoe permanentemente no meu coração, e que não perca tempo nem demore em seguir Sua voz, Senhor. Dê-me, Senhor, a força para seguir adiante atrás de Seus passos para que um dia possa experimentar também Sua Ressurreição. Amém!”.
P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-02-11 21:45:00

16/02/2018
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O JEJUM QUE DEUS QUER PARA NÓS 
Sexta-Feira Depois Da Quarta-Feira De Cinzas


Primeira Leitura: Is 58,1-9
Assim fala o Senhor Deus: 1“Grita forte, sem cessar, levanta a voz como trombeta e denuncia os crimes do meu povo e os pecados da casa de Jacó. 2Buscam-me cada dia e desejam conhecer meus propósitos, como gente que pratica a justiça e não abandonou a lei de Deus. Exigem de mim julgamentos justos e querem estar na proximidade de Deus: 3“Por que não te regozijaste, quando jejuávamos, e o ignorastes, quando nos humilhávamos?”“. É porque no dia do vosso jejum tratais de negócios e oprimis os vossos empregados. 4 É porque, ao mesmo tempo que jejuais, fazeis litígios e brigas e agressões impiedosas. Não façais jejum com esse espírito, se quereis que vosso pedido seja ouvido no céu. 5 Acaso é esse jejum que aprecio, o dia em que uma pessoa se mortifica? Trata-se talvez de curvar a cabeça como junco, e de deitar-se em saco e sobre cinza? Acaso chamas a isso jejum, dia grato ao Senhor? 6 Acaso o jejum que prefiro não é outro: quebrar as cadeias injustas, desligar as amarras do jugo, tornar livres os que estão detidos, enfim, romper todo tipo de sujeição? 7 Não é repartir o pão com o faminto, acolher em casa os pobres e peregrinos? Quando encontrares um nu, cobre-o, e não desprezes a tua carne. 8 Então, brilhará tua luz como a aurora e tua saúde há de recuperar-se mais depressa; à frente caminhará tua justiça e a glória do Senhor te seguirá. 9ª Então invocarás o Senhor e ele te atenderá, pedirás socorro, e ele dirá: “Eis-me aqui”.

Evangelho: Mt 9, 14-15
Naquele tempo, 14os discípulos de João aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Porquerazãonóse os fariseus praticamos jejuns, mas os teusdiscípulosnão?” 15Disse-lhes Jesus: “Poracaso, os amigosdo noivo podem estar de lutoenquanto o noivo está comeles? Diasvirão emqueo noivo será tirado do meiodeles. Então, sim, eles jejuarão”.
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As leiturasde hojenosfalam do jejum. O jejumsempre tem sentidode “privação” oude “renúncia”. Jejuarconsiste essencialmenteemnosprivar de alimentopelosentido da palavra, masemgeral é referido a qualquertipo de privação. O jejumcomeçaa reentrar na nossaculturaatualporrazõesde dieta e de estética, ou aconselhado porcertasformasde religiosidade, comorigem no Oriente. 

O jejumé um dos componentesfundamentais da Quaresma. Mas podemos entendermal as suasmotivações ouatécair no egoísmoe no orgulho. Porisso, a Igrejanosalertapara duas dimensõesessenciais do jejum: a suareferênciaa Cristo e a suadimensão de solidariedade. Maisquea privação de alimentos, é o espíritocomque se realiza o jejumque determina o verdadeiro sentido do jejum. O jejum deve seruma expressão do desejoprofundo de conversão. Santo Agostinho dizia: “Para jejuar deveras há que abster-se, antes de mais, de todo pecado”.

Fazer jejum significa saber renunciar a algo e dá-lo aos demais; é saber controlar nossas apetências; é saber nos defender com liberdade interior das contínuas urgências do mundo de consumismo. Jejuar é purificador. Jejuar não seria privar-se de tudo e sim usar moderação em tudo, isto é, ser sóbrios. Jejum supõe um grande domínio de si, de disciplina de olhos, da mente e da imaginação. A falta de sobriedade é uma das causas pelas quais se obscurecem e se debilitam as melhores iniciativas e decisões de um cristão. A sobriedade é certamente uma garantia da capacidade de orar e de apreciar o Espírito Santo. Com a renúncia às coisas Cristo nos chama à alegria, a uma alegria profunda, nascida da paz da alma. Fazer jejum é renunciar a algo para dá-lo aos necessitados. O jejum com uma dimensão de solidariedade nos tira do egoísmo, nos tira de uma vida vazia. Paradoxalmente a vida vazia é pesada para quem a tem. Sou livre quando a graça pesa mais do que as regras e não o contrário.

O profetaIsaias descreve qual é o verdadeirojejumqueagradaa Deus (Is 58,6-9).  Deusnãoquer o jejumformalistaquenãotem emcontaa vida do outro, e muitomenosa justiça. Nadavalem as açõesqueexcluem o amor ao próximo. O verdadeirojejum, no pensamento do profeta, remete ao comportamentocapaz de renunciar à ganância, à avarezaparacomeçar a sergeneroso e solidário; capaz de renunciar ao tempopessoalparairao encontro do necessitado (doente, prisioneiro, idoso etc.) paraestarcomele a fim de aliviar uma parte de suador. O jejumverdadeiroconsiste emquebrartodas as cadeias injustas, emrepartir o pãocom o faminto. Segundoo profeta Isaias, o cultodeve estar unido à solidariedadecom os necessitados. Caso contrário, não agrada a Deus e é estéril. As manifestações exteriores de conversão têm a sua prova real na caridade e na misericórdia para com os necessitados, com os pobres, com os carentes do essencial como um ser humano para viver. O verdadeiro jejum é um verdadeiro compromisso com os irmãos necessitados e empobrecidos ou injustamente são presos.

Segundo o profetaIsaias, o culto deve estarunido à solidariedadecom os necessitados. O jejumqueDeusquer é a conversãoa Ele e ao amordos irmãos; é o jejumdo egoísmo, partilhando com os necessitados o quese tem. Jejuar é bom, diz Deus, masnão é o essencial. O essencial é respeitar o próximo, não explorá-lo, não considerá-lo como um objeto para nosso proveito. Jejum sem amor carece de sentido, não agrada a Deus e é estéril. As manifestações exteriores de conversão têm a sua prova real na caridade e na misericórdia para com os necessitados, com os pobres, com os carentes do essencial como um ser humano para viver.

Tendo presentesestas dimensões, entendemos melhor o sentido do jejum que nos é recomendado e pedido pela Igreja, e mais facilmente evitamos cair na busca de uma perfeição individualista e fechada, sem nos preocuparmos com Cristo presente nos outros irmãos necessitados (Mt 25,40.45).

Em outras palavras, o verdadeiro jejum consiste em que cessam as palavras, mas que falem os fatos e as obras de caridade; que cale o entendimento, mas que grite o coração. Não há nada que seja mais eloquente do que um minuto de silêncio. Um minuto de silêncio pode ser um minuto de escuta, um minuto de reflexão, um minuto de compromisso, um minuto de amor, um minuto de solidariedade, um minuto de ação compassiva para o necessitado. Um dia de jejum deve ser também um dia de amor e uma semente de esperança. Cada dia de jejum deve ser traduzido em um passo contra o egoísmo, um esforço de compreensão, um compromisso pela justiça, um trabalho pela paz, uma força irresistível de amor para amar quem não merece ser amado.

Um dia de jejum não nos converte, mas nos faz conscientes da necessidade de nos convertermos; não soluciona o problema da fome, mas nos solidariza com os famintos; não nos liberta do consumo, mas nos inicia no exercício da liberdade. É protesto contra a injustiça e o consumismo desenfreado; é chamada à conversão, é grito profético. Se alguém se castiga a si mesmo através do jejum é para que os outros não sejam castigados de fome pelo básico. Quando fazemos parar o estomago é para que o espírito trabalhe em nós. Quando nos privamos de alimentos é para que nos privemos dos vícios. 

Por isso, o jejumcristãonão consiste apenasem abster-se de alimentos. Consiste, sobretudo, emdesejar o encontrocom Jesus Salvador e o encontrocomirmão, especialmentecomirmãocarente do básicoparaviver e sobrevivercomoumserhumano. Jejuamos paranostornarmos sensíveis à fome e à sedede tantosirmãose para assumirmos a nossaresponsabilidade na resoluçãodos problemas dos pobrese carentes. A memóriada paixão de Jesus nãoé umsimplesritual, masumatode misericórdia, no sentidoda palavra do Senhor: «Prefiro a misericórdia ao sacrifício» (cf. Mt 9, 13). A suapaixão é obediênciaao Pai, mastambémumgesto de extremacaridade, de solidariedadecomtodosnós. Nãopodemos restringir o jejumemnãocomer a carne. A maioria de nossagentenemarroz tem e muitomenos a carne. O verdadeirojejumé dividir o quetemos paraoferecer a quemnada tem paraviver. É darnossas roupasnãomais usadas paracobrirquemestá semnadapara se vestir (cf. Mt 25,31-46). Sabemos quejamais podemos arrancartotalmente o sofrimento alheio, mas uma partedele pode ser aliviada comnossasolidariedadee compaixão. Ninguémpode entrar no céufeliz deixando o irmãopassando fome e outras necessidades básicas paraumserhumanoviverdignamente.

Por isso, podemos dizerqueo que importa no jejumnão é somentea privação de alimentoe sim a seriedadeda fé nas tarefasda vidaparaque sejam a expressãomaisvivado serviço de Deuse dos homens ao mesmotempo. O jejumnão se concebe semcaridade e semuma mudança de vidapara uma vidamaisfraterna. O jejumqueDeusqueré o cumprimento dos deveresmorais e humanoscom o próximona vivência do amorfraterno.

A febredo consumismo hoje em dia é um grande desafio para praticar um profundo jejum, isto é, o verdadeiro encontro com Deus e com o próximo. Jejum é um dos caminhos da libertação. 

Não podemos nos esquecer que a Quaresma que agrada a Deus e que nos traz a paz é:

·      Quebrar as cadeias injustas
·      Libertar os oprimidos
·      Repartir o pão com o faminto
·      Acolher em casa os pobres e peregrinos
·      Cobrir ou vestir os nus
·      Não desprezar o próximo.

Somos chamados a jejuar de julgar os outros para descobrir Cristo neles; a jejuar de palavras que ferem para descobrir palavras que curam; a jejuar de murmurações para viver na gratidão; a jejuar de intolerância para viver a paciência no Espirito de Deus; a jejuar de pessimismo para nos encher de esperança cristã; a jejuar de preocupações demasiadas para nos plenificar da confiança em Deus; a jejuar de queixas para começar a apreciar a maravilha que é a vida; a jejuar de amargura para nos encher de perdão e de misericórdia.

O jejum tem como objetivo esvaziar nosso coração para enchê-lo de algo mais valioso. O jejum é uma necessária limpeza da alma para que a grandeza do Criador tenha nela seu lugar. Por isso, jejuar não significa aguentar fome e sim oferecer a Deus um sacrifício convertido no amor, mas não no amor carnal e sim no amor divino onde compartilhamos com os que mais carentes ou com os mais desprezados da sociedade tudo que somos e temos. 

Além disso, o melhor jejum é reconciliar-se com o irmão a quem insultamos, é aceitar seu perdão e dar-lhe o perdão e apoiá-lo em suas necessidades. O melhor jejum que podemos oferecer neste tempo da Quaresma é voltar os olhos para Deus amando o próximo e perdoando de coração a quem nos fez o mal, pois não há sacrifício de amor que este: perdoar nossos inimigos (Cf. Lc 23,34).

Portanto, vivamos esta e sempre Quaresma com muito respeito para as coisas sagradas, com amor e humildade e compartilhamos nossos conhecimentos com os ignorantes, com aqueles que não sabem ou pouco sabem. Somente então, “invocarás o Senhore eleteatenderá, pedirás socorro, e ele dirá: “Eis-me aqui” (Is 58,9ª). É precisolevarà oração essas palavrasquenosqueimam como as brasas.
P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-02-11 20:45:00

15/02/2018
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ESCOLHA A VIDA PARA QUE SEJA FELIZ E SALVO
Quinta-feira, após Quarta-feira de Cinzas

 
Primeira Leitura: Dt 30,15-20
Moisés falou ao povo dizendo: 15 “Vê que eu hoje te proponho a vida e a felicidade, a morte e a desgraça. 16 Se obedeceres aos preceitos do Senhor teu Deus, que eu hoje te ordeno, amando ao Senhor teu Deus, seguindo seus caminhos e guardando seus mandamentos, suas leis e seus decretos, viverás e te multiplicarás, e o Senhor teu Deus te abençoará na terra em que vais entrar, para possuí-la. 17 Se, porém, o teu coração se desviar e não quiseres escutar, e se, deixando-te levar pelo erro, adorares deuses estranhos e os servires, 18 eu vos anuncio hoje que certamente perecereis. Não vivereis muito tempo na terra onde ides entrar, depois de atravessar o Jordão, para ocupá-la. 19 Tomo hoje o céu e a terra como testemunhas contra vós, de que vos propus a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e teus descendentes, 20 amando ao Senhor teu Deus, obedecendo à sua voz e apegando-te a ele — pois ele é a tua vida e prolonga os teus dias —, a fim de que habites na terra que o Senhor jurou dar a teus pais Abraão, Isaac e Jacó”. 

Evangelho: Lc 9, 22-25
Naquele tempo, disse Jesus aos seusdiscípulos: 22“O Filho do Homem deve sofrermuito, ser rejeitado pelosanciãos, pelossumossacerdotes e doutoresda Lei, deve sermorto e ressuscitarno terceirodia”. 23Depois Jesus disse a todos: “Se alguémmequerseguir, renuncie a simesmo, tome suacruzcadadia e siga-me. 24Poisquem quiser salvar a suavida, vai perdê-la; e quemperder a suavidaporcausa de mim, esse a salvará. 25Comefeito, de queadianta a umhomemganhar o mundointeiro, se se perde e se destrói a simesmo?”
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ViverDe Acordo Com Mandamentos De Deus Para Encontrar a Felicidade e a Vida Eterna

“Hojeteproponho a vida e a felicidade, a morte e a desgraça. Se obedeceres aos preceitosdo SenhorteuDeus, queeuhojete ordeno, amando ao SenhorteuDeus, seguindo seuscaminhose guardando seusmandamentos, suasleise seusdecretos, viverás e te multiplicarás, e o SenhorteuDeusteabençoará na terraemque vais entrar, para possuí-la”. É o discursode Moisés para os israelitasque lemos na PrimeiraLeitura.

O temados doiscaminhos, o da vida e o da morte, é muitotípicodas literaturas religiosas da antiguidade. A vidae a felicidade dependem da obediência aos mandamentosdo Senhor. Enquantoque o caminhoda morteou o da desgraçapartedo coração desviado dos mandamentos do Senhorque resulta na idolatria. O homem tem a totalliberdadeparaescolherentrea bênçãooumaldição de Deus.

Vivemos a vidade cadadiaescolhendo. Entramos numa lojaou num supermercadoparaescolher o que é melhor. Ninguémlevanadaparacasasemantesescolher o que é melhor. Emtudo na vida temos queescolher. Na escolhaestá decididanossavida e nossofuturo. Ninguémé nem pode serespectador da própriavida. A vidaé paraservivida a partir da escolhafeita. Nãoreclamenem se lamente pelosresultados, e simpelaescolhafeitaanteriormente. Como disse uma canção: “Eunãochoropeladespedida e simpeloencontro”. Porcausa do encontro tem comoconsequência a despedida. A morte supõe o nascimento. A alegriae a tristeza vivem ladoa lado.

A históriados doiscaminhosé, portanto, a históriado homem diariamente: beme mal, maldiçãoe bênção, fidelidadee idolatria, vidae morte, obediênciae traição, sendalarga e sendaestreita. Qualquerescolhaqueo homem faz oufizer, se jogarão seufuturo e suavida. Cadaescolha na vidasempre tem suasconsequências seja para o bem, seja para o mal. Nãofazernenhuma escolha é tambémuma escolha, e o futuroe a vidasãodecididostambéma partir desta atitude de indiferença.

Na vida, então, nosencontramos com duas realidadesbem definidas: o caminho da vida, peloqualtodosnósaspiramos; e o caminho da morte, contratudoque lutamos. Contemplando nossarealidade, percebemos que há algunsoumuitosladosescurosde nossavidacomofrutodo egoísmo do serhumano. Muitosconfundiram a felicidadecom o possuir o passageiro. Elesse tornaram, muitas vezes, compradorescompulsivosde coisasquefinalmente continua deixando paraeles o coraçãovazio.

O textodo livro de Deuteronômio que lemos na PrimeiraLeituranosconvida a começarmos a Quaresma optando entre a vida e a morte, a bênçãoou a maldição. Optarpelavida é optarporDeus e optarporDeus significa levantar-nos cadadiacoma alegria e o compromissode voltarparanossaTerra prometida (família, comunidade, país etc.) parareconstruir ou reconstruir a fraternidade, a esperança, a justiça, a paz.

A Quaresmaé tempo de renovação cristã, retomando o caminhoiniciadopornossoBatismo, de darumnovopasso a uma maiorperfeição cristã no seguimentode Cristo. É fazer um passo adiante cada dia rumo à nossa vida glorificada em Jesus ressuscitado. Isto significa que o cristãodeve se converterpermanentemente. No momentoemque o cristãose converte, ele se abre paraDeus, se compromete comEle e assume a responsabilidadede lutarcontrao mal, e tudoo quecausa a morte, a destruição, a injustiça, a violênciae assimpordiante.

Ser Verdadeiro Cristão É Uma Opção Fundamental

Dentro da reflexãosobrea PrimeiraLeitura, o texto do Evangelhode hojequernosdizerquesercristãonão é uma pequenaopçãoe sim uma opçãofundamental. Sercristãonãoé umcargohonorífico nemumdoutoradohonoris causa. Há condiçõesclaras resumidas emtrêslinhas: “Se alguémmequerseguir, renuncie a simesmo, tome suacruzcadadia e siga-me. Poisquem quiser salvara suavida, vai perdê-la; e quemperdera suavidaporcausa de mim, esse a salvará”. Seguir a Jesus e carregara cruz, perdera vidaporCristo e ganhá-la sãointerligados.

O fracasso livremente aceito, a exemplo de Jesus Cristo, em função da missão para salvar o próximo, é a única maneira que pode ajudar os cristãos a mudarem suas atitudes em relação aos sacrossantos valores de sucesso e eficácia. Jesus encarna o modelo do homem querido por Deus. Ele ensina os discípulos para que mudem sua maneira de pensar e se acostumem a ser eles próprios uns fracassados na sociedade judaica, aceitando até uma morte infame para cumprir sua missão. Mas o fracasso não será definitivo. A ressurreição do homem marcará o início da verdadeira libertação. O êxodo do Messias através de uma morte ignominiosa permitirá a entrada numa terra prometida onde nenhum tipo de poder que domine o homem pode ser instalado.

No seguimento de Jesus é necessário assumir e assimilar que as coisas não irão bem para nós; devemos aceitar que nossa tarefa não tem eficácia, às vezes. Ser discípulo de Jesus significa aceitar que as pessoas, muitas vezes, não falem bem de você, inclusive, elas consideram você como um desgraçado ou um excluído das fontes do poder seja na esfera política, religiosa ou científica.

A glóriade Cristopassa, primeiro, pelacruz. E passapelacruzcomo consequência de suamaneira de viver a missãocujaalma é o amor. Porisso, a cruz de Jesus não é umacidente, tampoucouma equivocação. Quando Jesus anuncia suamorte, não está dizendo outracoisaqueassumirá consequentemente suavidajusta e solidária. Masnãosomente anuncia suamorte, anuncia tambémsuaressurreição. É a ressurreiçãoquesomentevirá como consequência de suamorte na cruzpelavidajusta e solidaria queeleviveu. O ressuscitado é o crucificado.

“Tomar a cruz”, porisso, não é outracoisaqueassumir o projeto de vidaque Jesus nosmostrou. A cruz é o resultadode decisões voluntárias e compromissos escolhidos ao quererseguir a Jesus. Carregara cruz é umestilo de vidacotidianacomoresultado da vivênciados valores do Reino, da escolha de uma éticade justiça e de solidariedadee de compromissocomo projeto de Deusna transformação de ummundomaisfraterno.

Jesus Cristo nos ensina, não somente com palavras, e sim com seu próprio exemplo que o caminho da felicidade, o caminho da vida se encontra na capacidade de nos relacionarmos com os demais e de vivermos fraternalmente unidos pelo amor. Por isso, temos de ir atrás das pegadas de Cristo, carregando nossa cruz de cada dia. Quem for por um caminho diferente ao de amor que Cristo nos mostrou, em lugar de dar vida, dará morte, ele próprio se converterá em destruidor da vida alheia.

O caminhode Jesus se resume emtrêspalavras: sofrimento, morte, ressurreição(mistériopascal). Nossocaminhoconstitui trêsaspectos: negar-nos a nósmesmos, tomarcadadia a cruz e acompanhar Jesus. “Negar-se a simesmo” é renunciara nossosgostos, desejosparaestarcom Jesus. O problema de nossocristianismohojeé que queremos levaras vantagens de sercristãosemtomar as responsabilidadesque estas implicam (benefíciossemobrigações). A Quaresma pode seruma boa oportunidadeparainiciarmos no exercício da renúncia. Pensemos bem de quemaneirautilizaremos nossaQuaresmaparaque a Páscoa seja verdadeiramente uma “Páscoade Ressurreição”.

Portanto, as leituras de hojenos falam, porumlado, de umcoraçãoresistente diante de Deus e poroutrolado, de umcoraçãoque se adere a Deus. Meucoraçãoé resistente diante de Deusquandonão quero verSuagraça, quandonãoquero verSuaobra na minhavida, quandonão quero verSeucaminhosobre a minhaexistência. Meucoração se adere a Deus, quandoemmeio de milinquietudes e vicissitudes, emmeiode mil circunstâncias, eu vou sendo capazde descobrir, de encontrar, de amar, de pôr-me dianted’Ele e Lhedizer: “Aquiestou, Senhor! Pode contarcomigo!”. EscutarDeus será o esforçode todaminhaquaresma, será a minhaescolha da vidae da felicidade. O céue a terrasãotestemunhas da minhaopção de cadadia: “Tomohojeportestemunhascontravós o céue a terra; ponho diantede vós a vidae a morte, a bênção e a maldição. Escolhe a vidaparaviveres, tu e a tua descendência, amando o SENHOR, teuDeus, escutando a suavoz e apegando-te a Ele, porqueEleé a tua vida e prolongará os teusdiasparahabitares na terra, que o SENHOR jurou quehavia de dar a teuspais, Abraão, Isaac e Jacob”.
P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-02-10 12:43:00

14/02/2018
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QUARTA-FEIRA DE CINZAS
Primeira Leitura: Joel 2,12-18
12“Agora, diz o Senhor, voltai paramimcomtodo o vossocoração, comjejuns, lágrimase gemidos; 13rasgai o coração, e nãoas vestes; e voltai parao Senhor, vossoDeus; eleé benigno e compassivo, paciente e cheiode misericórdia, inclinado a perdoar o castigo”. 14Quem sabe, se elese voltaparavós e vosperdoa, e deixaatrásde si a bênção, oblação e libaçãopara o Senhor, vossoDeus? 15Tocai trombetaemSião, prescrevei o jejumsagrado, convocai a assembleia; 16congregai o povo, realizai cerimôniasde culto, reuni anciãos, ajuntai crianças e lactentes; deixe o espososeuaposento, e a esposa, seuleito. 17Chorem, postosentreo vestíbulo e o altar, os ministrossagradosdo Senhor, e digam: “Perdoa, Senhor, a teupovo, e não deixes queesta tua herança sofra infâmia e queas nações a dominem”. Porque se haveria de dizerentreos povos: “Ondeestá o Deus deles?” 18Então o Senhor encheu-se de zeloporsuaterra e perdoou ao seupovo.
Segunda Leitura: 2Cor 5,20-21.6,1-2
Irmãos: 20Somos embaixadores de Cristo, e é Deusmesmoqueexorta através de nós. Emnomede Cristo, nósvos suplicamos: deixai-vos reconciliarcomDeus.  21Aquelequenão cometeu nenhumpecado, Deuso fez pecadopornós, paraque nele nósnos tornemos justiçade Deus. 6,1Comocolaboradores de Cristo, nósvosexortamos a não receberdes emvão a graça de Deus, 2poiselediz: “No momentofavorável, euteouvi e, no dia da salvação, eute socorri”. É agora o momentofavorável, é agorao dia da salvação.
Evangelho: Mt 6,1-6.16-18
Naquele tempo, disse Jesus aos seusdiscípulos: 1“Ficai atentosparanãopraticar a vossajustiça na frentedos homens, sópara serdes vistosporeles. Casocontrário, não recebereis a recompensado vossoPaique está noscéus. 2Porisso, quandoderes esmola, nãotoques a trombetadiante de ti, comofazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados peloshomens. Emverdadevosdigo: elesjáreceberam a suarecompensa. 3Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mãoesquerdanãosaiba o que faz a tua mãodireita, 4de modoquea tua esmola fique oculta. E o teuPai, quevê o queestá oculto, tedará a recompensa. 5Quandoorardes, não sejais comoos hipócritas, quegostam de rezar de pé, nas sinagogas e nas esquinasdas praças, paraserem vistospeloshomens. Emverdadevosdigo: elesjáreceberam a suarecompensa. 6Ao contrário, quandoorares, entra no teuquarto, fecha a porta, e reza ao teuPaique está oculto. E o teuPai, quevêo que está escondido, te dará a recompensa. 16Quando jejuardes, nãofiqueis com o rostotristecomoos hipócritas. Elesdesfiguram o rosto, paraque os homensvejam que estão jejuando. Emverdadevos digo: elesjá receberam a suarecompensa. 17Tu, porém, quandojejuares, perfuma a cabeçae lava o rosto, 18paraqueos homensnãovejam quetuestás jejuando, massomenteteuPai, que está oculto. E o teuPai, quevêo que está escondido, te dará a recompensa”.
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Com a Quarta-feira de Cinzasiniciamos a nossaQuaresma. Quaresma é umprograma, umcaminho, umesforçopararevisar e renovarnossoser de cristãos, queconsiste radicalmenteemviver a vida de Cristojádesdeagora, enquantosomos peregrinos e testemunhasdo Reino de Deus. Quaresma é um caminhada da penitência feita por cada cristão, seguidor de Cristo. Esta caminhada vai durar quarenta dias a partir da Quarta-feira de Cinzas até a Ceia do Senhor exclusiva (sem contar os domingos que são dias da ressurreição).
Hoje o sinal identificador do inícioda Quaresma é a Cinza. Na imposição das cinzastemos duas fórmulas, igualmente tradicionais: “Convertei-vos e Crede no Evangelho” ou“Lembra-te que és pó, e ao pó hás de tornar”. O sentido da conversãopenitencial (Convertei-vos) e o da caducidade(és pó) sãoigualmente predicáveis ao homem de hoje. Nesta vidabreveo homemvelhohá quealcançaro fogo e a luzdo homemnovo, ressuscitado na Páscoa. Mortee vida, cinzae água convivem na Quaresma.
O gesto simbólico deste dia é aquele que penetrou na comunidade cristã e pode ser muito pedagógico se for feito com autenticidade, sem precipitação; com sobriedade, mas de forma expressiva. A imposição da cinza facilmente comunica sua mensagem de humildade e conversão.
As três leituras de hoje expressam claramente o programa de conversão que Deus quer de nós durante Quaresma: converte-se e acredite no Evangelho; converte-me com todo o meu coração.
Cada um de nós, a comunidade e toda a sociedade, precisa ouvir este chamado urgente para a mudança pascal, porque somos todos fracos e pecaminosos e porque, sem perceber, estamos sendo derrotados pelo critério deste mundo.
O caminhoda conversãopascalcomeçacomo símbolo da Cinzae terminará na VigíliaPascalcom o símbolo do fogo, a água e a luz. É uma unidadedinâmicaquequercomprometer a cadacristãoemseuseguimentode Cristo e comunicar-lhe a graçapascal. Com a renúnciade tudoquenão é de Deuschegaremos à novaexistênciade ressuscitados. O homemvelho deve darlugarpara o homemnovo.
A cinzanosfalade nossafragilidade, de nossacondiçãohumana: mortale pecadora. Mas as palavrasque acompanham iluminam o rito e elevam nossoolhar: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. Assimpois, a cinzanos convence da necessidadedo Evangelho, da necessidadede aceitar e crer na Boa Notícia. É umEvangelhoquenossalvada fragilidade e da morte. Por isso é Boa Notícia. É um Evangelho capaz de transformar nossa cinza em luz. Hoje nos impomos a cinza para propiciar nossa conversão e para nos ajudar a crer mais no Evangelho. Hoje nos impomos a cinza para nos convencer de que nossa própria cinza pode ser redimida e ressuscitada, cinza iluminada, cinza consagrada. A imposição da cinza eleva nosso espirito para a realidade eterna, para Deus que é o princípio e o fim, o Alfa e o Ômega de nossa existência (cf. Ap 21,6).
Neste sentido a Quaresma nos convida a praticar o espirito da penitência no sentido de elevar nosso espirito, libertando-nos do mal e fazendo passos para a plenitude da vida. Penitência serve, então, como remédio, como reparação, como mudança de mentalidade para nos dispor à fé e à graça. Portanto, a penitência expressa nosso compromisso no seguimento de Cristo.
As três leituras de hoje expressam claramente o programa de conversão que Deus quer de cada um de nós na Quaresma: convertei-vos e crede no Evangelho; convertei-vos a Mim de todo coração; misericórdia, Senhor, porque pecamos; deixai-vos reconciliar com Deus; Deus é compassivo e misericordioso…
Cada um de nós, a comunidade e a sociedade inteira, necessita ouvir esta chamada urgente à mudança pascal, porque todos nós somos débeis e pecadores, e porque sem nos dar conta, nós vamos continuar sendo vencidos pelos critérios deste mundo que não são precisamente os de Cristo.
Há a triple direçãodesta conversãoqueaponta o Evangelhoparanosajudara reorientarmos nossavidapara a Páscoa. Primeiro, é a abertura aos demaisatravés da esmolaque é, antesde tudo, caridade, compreensão, amabilidade, perdão e assimpordiante. Segundo, a abertura a Deus, que é escutada Palavra, oraçãopessoal e familiar, participação maisativae frequente na Eucaristia e o sacramento da Reconciliação. Terceiro, o jejum, queé autocontrole, buscade umequilíbrioemnossaescala de valores, renúncia à coisassupérfluas, sobretudo, se expressana ajuda aos necessitados.
Cinza E Seu Significado Para Nossa Vida
O significadosimbólico da cinza está ligado comsuasemelhançacom o pó e com o fato de queela é o resíduofrio e ao mesmotempo purificado da queimaapós a extinçãodo fogo. Porisso, emmuitas culturaselaé símbolo da morte, da transitoriedade, do arrependimento e da penitência, mastambém da purificaçãoe da ressurreição. Paraexpressarluto, os gregos, os egípcios, os judeus, os árabese as tribos primitivas espalhavam cinzassobre a cabeçaouassentavam-se ou rolavam-se sobre as cinzas(algunstextosbíblicos paraentender o que foi dito: Gn 18,27; Jó 2,8;13,12; Is 44,20;61,3; Jr 6,26;Ez 27,30;Lm 3,16;2Sm 13,19;Jn 3,6;Mt 11,21). O homemexpressacomisso (cf. Gn 18,27) a consciênciada relativa nulidade da criaturadiantedo Criador. 
Ao recebermos as cinzasouvimos uma das fórmulas usadas: “Tu és pó, e empóte hás de tornar” (Gn 3,19). A cinza recorda ao homem o reconhecimentode suaorigem. A cinza é levee porisso, ela é a imagemdas coisas frágeis e efêmeras. Tudo é caduco. E toda a vaidade, todo o brilhofalso e esta vidamortal, umdia conhecerão umfim. Recebemos as cinzasparanosrelembrar de quesomos pó; é uma lembrançade que somos pó, de quenãotemos moradacertaneste mundo, de quea morte é a únicarealidadeinevitávelno futuro de nossaexistência. Na verdade, não é a morteque é absurdae sim a vidasem a morte. Muitos se esquecem da mortee porisso, acabam vivendo absurdamente e acabam vivendo somenteemfunção do prazer. Como foi ditouma vez, quemvive emfunçãodo prazer, nãotem prazer de viver. O prazer deve serresultado de umviverbem. E paranóscristãosviverbem significa viver de acordocom os valorescristãos. A cinza é uma lembrançaincômodaparaquem acredita queo presentehistóricoé absoluto. Masesta lembrança, na verdade, nosajudaa vivermos bem, a colocarmos as coisasno seudevidolugarparaganharseujustovalor e suajustaperspectiva.
Com as cinzas recebidas o homemexperimenta o próprionada. Paraexpressá-lo, cobre-se de cinza. Quando o homemexperimenta o seunada, nãohá lugar nele paraa arrogância. Ao contrário, elevoltaa serhumilde: humus, pó, criaturadependente de Deus. Quando vivemos a humildadeque é a nossaprópriaexistênciao poder e a glóriamundanosnãovãonosatingir. Masquando o homemdeixar de reconhecersuacondição de criatura, querendo igualar-se a Deus, ele se tornará umpómorto e porisso, terá quevoltar à terra de queforatirado, “porque és pó, empóte hás de tornar” (Gn 3,19).
E somentequando o homemreconhece que é pó, que faz parteda terra, e quetudo o maisprovém de Deus, brotará novamente a vidadesse pó. E certamenteas cinzas usadas na Quarta-feira de Cinzas provêm das palmasdo Domingo de Ramosdo anoanterior, palmastriunfaisdo Cristovitoriososobre o pecadoe a morte. Cristo, morrendo, deu novavidaà terra, conquantoo homem se reconheça comoterra, pó. A quemassim confessa o próprionada faz-se ouvir a promessa de Jesus Cristoque vem triunfardo pecado e da morte, consolar os aflitose dar-lhes, emlugarde cinzas, umdiadema, uma coroade umrei.
Ao receber as cinzas, o cristãotestemunha o absolutode Deusemsuavida. E como consequência da profissãosobreo absoluto de Deus, o cristão relativiza todas as coisas. Istoquerdizerque as coisassomente têm seuvaloremrelação ao seuCriador. Sob o sinal das cinzas, o cristão reafirma hojea sualiberdadede filho de Deuse ao mesmotemporeafirma suacondiçãocomopóoucriaturae quesópode sobrevivercomotalporcausa da misericórdiade Deus. E Deusnão tem comonão ajudá-lo, poiso serhumanofoi feito de acordocom a própriaimagem de Deus(cf. Gn 1,26). Devemos ler, portanto, as trêspráticasde piedade apresentadas através do evangelhodeste diaqueabre nossacaminhadaquaresmal.
Hoje, todos nós somos convidados a reconhecer nossa fraqueza. Quanta distância existe entre nós e o Evangelho, entre nós e a vida de fidelidade, totalmente entregues, de Jesus! Hoje somos convidados a ser sinceros, de verdade, com nós mesmos. Se nos colocarmos diante de Deus, não podemos nos gloriar em nada.
Hoje, somos convidados a ser sinceros. Neste começo da Quaresma, temos de ter um olhar introspectivo e reconhecer o nosso pecado. E, ao mesmo tempo, olhemos para Deus, nosso Pai, e reafirmemos nossa confiança em seu amor. Hoje, a imposição das cinzas em nossa cabeça será esse sinal de reconhecimento. Será como dizer: somos fracos, somos pecadores, mas nosso Deus é o Pai misericordioso e por isso, posso voltar a Ele.
A leiturado Evangelhoquerresponder a seguintepergunta: “Comoagradar a Deus?”. A prática da esmola, da oração e do jejumtem finalidade de sintonizar-nos com a vontadedo Pai, de formaa preparar-nos da melhormaneirapossível, para a celebraçãoda Páscoa.
Jesus enuncia o princípiogeralsobrea prática dessa piedade. Estas obras de piedadenão se devem praticarparaganharprestígiodiantedos homens e comisso, adquirirposição de poderouprivilégio. Os que fazem assimprivam-se da comunicaçãodivina, cessa a relaçãode filho-Pai comDeus. Segundo Jesus, ninguémmerece a graça de Deusse ele finge executaraçãoquenão corresponde à atitudeinteriorqueelechama de hipocrisia.
 Esmola (vv.1-4)
A linguagemutilizada por Mt nesta passagem e nas outras duas seguintesrevela uma fortepolêmicaentrecristãose judeus. Os hipócritassão os fariseusdo tempo do evangelistaque praticavam e queriam imporaos outrosumcumprimentoexternoda Lei de Moisés. SegundoJesus aos quer querem entrarno Reino dos céusdevem cumprir a vontadedo Paisemostentação.
A expressãoutilizada por Mt paradescrever esta atitude e comportamento (praticar a justiça) somenteaparece neste evangelho (setevezes. Cinco delas se encontram emMt 5-7) e tem uma grandeimportânciapara a teologia de Mt. Masnão se tratada justiçacomoa entendemos. Quando se fala da justiçanoscírculosjudaicos trata-se do conjunto de atosque fazem o homemmerecedor da salvação. Entre os fariseusdo tempo de Jesus estesatos de piedadeeram fundamentalmentetrês: a esmola, a oração e o jejum. Masparamuitos estas práticasse tornavam uma questãopuramenteexterna e ummotivo de orgulho, até o pontode quealgunsfaziam exibiçãopúblicade sua religiosidade (justiça).
Os profetasdo AT falam frequentemente do dever da compaixãoparacom o pobre, maselesacentuam muitomaisa justiça do quea caridade. O mendigoou o pobreé acusação de umsistemainjustoque gera pobrese miseráveis, dependentesda “bondade” alheia.  Mendigo é o fruto de uma sociedadequenãoquerpartilharseusbenspara os outros (Mas de outralado, certomendigo é aquelequequer uma vidafácil, poispelaexperiência, muitosnão querem trabalhar, apesar de alguémoferecer-lhe trabalho. Maselessãoapenasumgrupopequeno).
A esmola deve serexpressão da misericórdiaqueexiste no coração de quem se faz solidáriocom a carênciaalheia. A solidariedadeacontece quando o homemtem compaixão, quandosente na própriapeleo sofrimento alheio. O quesobraparanós, porpoucoque seja, semprefaz faltaparaos outrosquenão tem nada. Massempreficamos incomodados, pois sabemos queissonunca resolverá completamenteo problema do mendigoou do pobre. Mas a esmolaé umsinal, umlembretede que devemos lutarporumsistemaeconômicoquerealmentefaça uma partilha justa dos bens. Reflitamos as palavrasde São Basílio (+ 379): Ao famintopertenceo pãoqueguardas. Ao homemnu, o mantoqueguardasaténosteuscofres. Ao queandadescalço, o calçadoque apodrece emtua casa. Ao miserável, o dinheiroqueguardas escondido. É assimque vives oprimindo tantagenteque poderias ajudar”. E Santo Agostinho acrescenta: “O Senhorte fez servobom, mastu criaste emteucoraçãoummausenhor. Ficas alegresporcausa da riqueza do cofre e nãote lamentas pelapobrezade teucoração? Há acréscimoemtua arca, masobserva bem o quediminui emteucoração”.
O próprio Jesus menciona a esmolaparacensurar a ostentação(cf. Mt 6,22ss). Isso devemos começardentro de nossafamília. Enquantoissonão acontece, ficamos incomodados.
Ao dar a esmola Jesus pede a separaçãoda pessoaquema dá do seugesto: “…a tua mãoesquerda ignore aquiloque faz a direita…E o teuPai…dar-te-á a recompensa” (vv.3-4). O resultadodo bem fica escondido ao homemque recusa de sero juiz de seusatos.  O únicocapazde apreciar é umDeusinvisívelque habita no segredoe não presta contaa ninguém. Umditopopulardiz: “Se você fizer umbenefício, nuncase lembre dele; se receberum, nunca se esqueça dele”. A vidavividaapenasparasatisfazera própriapessoanunca satisfaz ninguém. Não há melhorexercícioparafortalecer o coraçãodo queestendero braçoparabaixo e erguerpessoas. A bondadeé o únicoinvestimentoquenuncafalha.
 Oração (vv5-6)
A instruçãosobre a oração(vv.5-15) é a maisextensadas trêspráticasde piedadejudaicae está situada no centroliterário do Sermãoda Montanha. Esta instruçãoestá compostaporuma introduçãosobrea forma de orar (vv.5-8), o Pai-Nosso (vv.9-13) e uma conclusãoquefala do perdão (vv.14-15).
Através deste texto Mt querfazer uma catequesesobre a oraçãocristã, semelhante a de Lc (Lc 11,1-11), mascadaum dos doisevangelistas se dirige a umgrupodistinto. Lc escreve para uma comunidadeque necessita aprendera orar. Mt, ao contrário, escreve para uma comunidadequejásabe orar, masnecessita aprender a fazera oração de outramaneira (“Quando orardes, nãosejais como os hipócritas…” v.5.7). Lc tem diante de si uma comunidadede origem pagã quenão tem hábitode orar (será queviraremos pagãos se pararmos de orar?). Mt, ao contrário, está diante de uma comunidadeonde há bastantesjudeusquehaviam aprendido a orartrêsvezespordiadesdesuainfância.
Mt enfrenta umproblemaemrelação à práticade oração. A oraçãocomo as demaispráticas religiosas os fariseus convertem emummotivode ostentação e emuma práticapuraexterna. A oraçãonão é maisummomentode falarcomDeus, masserve de instrumentoparaalcançarhonrae prestígiodiantedos homens.
Mt convida os cristãosa recuperar o sentidoreligioso da oração, purificando-a daquilo que há desviado a oração de seufim. Para Mt a oração do cristãodeve estabelecerumrelacionamento íntimocom o Pai: “…entra no teuquarto, fechaa porta, e reza ao teuPai” (v.6a), num clima de abandonoe confiançaemDeus: “O Pai de vocêsjá conhece as necessidadesquevocêstêm” (v.8). Os cristãos devem orarcomo Jesus orava. E o estilo desta oração é condensado na oraçãodo Pai-Nosso (vv.9-13).
Uma das principaisraízes da vida cristã quenosajuda a sugar a energiainesgotáveldo amordivinoé a prática da oração. Nossaoraçãodeve serdiscreta, vivida na intimidadede nossocoração, repleta de silênciocapaz de perceberas insinuações do EspíritoSanto. Massó se cresce na vidade oração, reservando a ela, diariamente, o mesmotempo, pelomenos, quereservamos às refeiçõesque nutrem o nossocorpo.
Jejum
Sobre o jejum Mt utiliza o mesmoesquemaliterárioque há utilizado nas duas instruçõesanteriores(quando…nãofaçam como os hipócritas: v.2.5.16). Comojáfoi refletido no domingoanterior, o jejumera uma práticaestendida entre os gruposreligiosos ao redorde Jesus (Mt 9,14). Os fariseus jejuavam duas vezesporsemana (Lc 18,12).
Mt relata queJesus praticou o jejumparapreparar-se antes de exercersuamissão(Mt 4,12). E a comunidade de Mt praticava o jejum (Mt 9,15), mas Mt querdarumsentidonovo a esta prática, evitando todaa ostentaçãoexterior.   
Com o jejum evitamos queos bens deste mundonãonosescravizem. Faz uso deles parao bempróprio e do próximo, e neles degusta o Bemmaiorque é Deus. Jejuar, então, significa abster-se de alimento, tomar uma atitude de respeito e de liberdadediante das coisas, fazerespaçopara os outros e paraDeus, confiar na providência de Deus; constituirumatode conversão a Deusatravés das coisas. Neste tempo quaresmal devemos aprender a morrercomCristopararenascercomele. Com a ajuda de suagraça, devemos combatertudoaquiloque, na nossavida, impede o nascimento do homemnovo anunciado peloEvangelho: nossas tendênciasburguesas, nossospequenosapegos, o comodismo ouo medoquenos impedem uma atuaçãomaiseficaz, nossofarisaísmoemsóquererfazeraquiloquenos dá vantagemouprestígio, nossovício/nossadependênciada TV ou do mundovirtualcomoa internet etc.
Muita genteachaque a quaresma é apenasumtempoemquenão se come carneàs sextas-feiras. No Brasil a grandemaiorianãocome carneemdianenhumnãoporcausa de dietaouporquestão de saúde, masporquenão tem condiçãoparatercarne. Porisso, aquelesquenão passam necessidade, devem mesmopor uma questãode solidariedade aos necessitados, privam-se de carneoude outras coisas.
O jejumqueagradaa Deus, diz o profetaIsaías (Is 58,1-14) é quebrar as cadeias injustas, libertaros oprimidos, realizara justiça.
A quaresma, neste sentido, é o tempoemquereassumimos a nossavidacristã comumengajamento efetivo de transformação do mundoemvista do Reinode Deus.
Vitus Gustama,SVD

É PRECISO CAMINHAR 2018-02-10 00:07:00

13/02/2018
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SEJAMOS BONS FERMENTOS DO SENHOR
Terça-Feira Da VI Semana Comum
Primeira Leitura: Tg 1,12-18
12 Feliz o homem que suporta a provação. Porque, uma vez provado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu àqueles que o amam. 13 Ninguém, ao ser tentado, deve dizer: “É Deus que me está tentando”, pois Deus não pode ser tentado pelo mal e tampouco ele tenta a ninguém. 14 Antes, cada qual é tentado por sua própria concupiscência, que o arrasta e seduz. 15 Em seguida, a concupiscência concebe o pecado e o dá à luz, e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. 16 Meus queridos irmãos, não vos enganeis. 17 Todo dom precioso e toda dádiva perfeita vêm do alto; descem do Pai das luzes, no qual não há mudança, nem sombra de variação. 18 De livre vontade ele nos gerou, pela Palavra da verdade, a fim de sermos como que as primícias de suas criaturas.
Evangelho: Mc 8,14-21
Naquele tempo, 14os discípulos tinham se esquecido de levar pães. Tinham consigo na barca apenas um pão. 15Então, Jesus os advertiu: “Prestai atenção e tomai cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes”. 16Os discípulos diziam entre si: “É porque não temos pão”. 17Mas Jesus percebeu e perguntou-lhes: “Por que discutis sobre a falta de pão? Ainda não entendeis e nem compreendeis? Vós tendes o coração endurecido? 18Tendo olhos, não vedes, e tendo ouvidos, não ouvis? Não vos lembrais 19de quando reparti cinco pães para cinco mil pessoas? Quantos cestos vós recolhestes cheios de pedaços?”Eles responderam: “Doze”. 20Jesus perguntou: E quando reparti sete pães com quatro mil pessoas, quantos cestos vós recolhestes cheios de pedaços? Eles responderam: “Sete”. 21Jesus disse: “E ainda não compreendeis?”
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Quem Está Com Deus Não Pratica o Mal
Novamente São Tiago nos fala sobre as provas ou as tentações da vida. Para São Tiago um cristão, diante das tentações, não tem que jogar culpa para Deus nem a algum fator de fora como fonte de suas tentações. As tentações saem de nós mesmos: “Ninguém, ao ser tentado, deve dizer: ‘É Deus que me está tentando’, pois Deus não pode ser tentado pelo mal e tampouco ele tenta a ninguém. Antes, cada qual é tentado por sua própria concupiscência, que o arrasta e seduz. Em seguida, a concupiscência concebe o pecado e o dá à luz, e o pecado, uma vez consumado, gera a morte”, assim lemos na Primeira Leitura. Trata-se de uma analise psicológica e religiosa de nossa debilidade humana. De Deus somente nos vem dons e força. Deus somente sabe ajudar e nos destinou a ser “as primícias de suas criaturas”.
Para São Tiago Deus não é responsável da tentação para o pecado, porque Deus, por sua essência, não somente está livre de toda tentação, mas que é totalmente bom. Deus é tão bom que não pode querer algo mau. Ele é a causa de todo o bom, o Senhor e Criador do bem. Portanto, o Deus santo, o Deus do bem não pode ser a causa da tentação ao mal. Consequentemente, quem ama a Deus, quem acredita verdadeiramente nele é incapaz de praticar o mal.
Deus não pode ser tentado pelo mal e tampouco ele tenta a ninguém”, escreveu São Tiago. Somos nós mesmos que nos tentamos, porque somos débeis, porque não sabemos nos defender das astúcias do mal e fazemos caso de nossas apetências: o orgulhos, a avareza, a sensualidade. Às vezes com as ideias claras de saber por onde teremos que ir, mas com poucas forças e a tentação constante de fazer o mais fácil. É preciso nos esforçarmos sempre, isto é, usar toda nossa força com a ajuda da graça de Deus.
Todos os dias no Pai-Nosso pedimos a Deus: “Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”. Esta força de Deus é que fará possível que se cumpra seu plano sobre nós: “Que sejamos como as primícias de suas criaturas”. E que não somente nos salvamos, mas que ajudemos os outros a seguirem o caminho que Deus quer. Deus vai nos educando através de nossos fraquezas e fracassos ao longo de nossa vida. Quem supera a prova “receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu àqueles que o amam”.
Deus quer que sejamos os melhores frutos que o Evangelho gerou. Assim unidos a Cristo, seremos as primícias de suas criaturas. Sem Cristo nada podemos produzir o que é bom (Cf. Jo 15,5).
Certamente somos frágeis e inclinados ao mal; no entanto, não podemos nos esconder atrás dessa fraqueza para justificar nossas ações ruins; porque Deus nos deu o seu Espírito de modo que em tudo podemos sair mais do que vitoriosos. Se muitas vezes a tentação gera pecado e o pecado é a morte em nós, é porque não sabemos como orar e pedir a Deus que nos conceda a sabedoria necessária para sempre ser fieis. A vigilância e a prudência devem ser uma parte ativa de nossa vida, de modo que não nos deixemos surpreender, superar ou vencer pelo pecado.
Sejamos Fermentos Da Bondade
A partir de um episódio de pouca importância, isto é, o esquecimento de os discípulos levarem pães suficientes no barco, Jesus aproveita a ocasião para dar uma lição sobre o fermento que eles devem evitar. “Cuidado! Guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermentode Herodes”.
O fermento é um elemento pequeno, simples, humilde, mas que é capaz de fermentar para o bem ou para o mal toda a massa de farinha de trigo. Ele trabalha silenciosamente e imperceptível, mas o resultado é bem notável.
No AT a festa da Páscoa implicava, entre outras coisas, o rito de comer pães não fermentados. O fermento era considerado como sinal e causa de corrupção. A Páscoa era a festa da novidade, da renúncia ao velho, da busca de um Deus que se revela no novo. O NT aprofunda este sentido da novidade e vê em Jesus o homem novo diante do homem velho (1Cor 15,20-23; Rm 6,1-11). Assim fica patente como o fermento se põe em relação com a maldade e a bondade (cf. 1Cor 5,7-8).
Na literatura judeu-helenista a metáfora do fermento se aplicava freqüentemente não a qualquer “corrupção” moral e sim muito concretamente ao orgulho/à arrogância, à soberba, à hipocrisia. Na passagem paralela o evangelista Lucas acrescenta expressamente: “Acautelai-vos do fermento, isto é, da hipocrisia dos fariseus” (Lc 12,1).
Jesus alerta, então, a todos os seus seguidores sobre o perigo do orgulho e da soberba. O orgulhoso/arrogante não se preocupa em conhecer a verdade, mas apenas em ocupar uma posição em que ele possa ser o centro de atenção e a norma para o resto. O orgulhoso tem todos os vícios como o egoísmo, a injustiça, a ingratidão, a imoralidade, a hipocrisia. Normalmente o orgulho encontra o abrigo nas pessoas desequilibradas ou de pouca personalidade. A arrogância é uma forma de não aceitar as próprias fraquezas e defeitos.
É preciso que estejamos conscientes de que somos criaturas dependentes da graça de Deus para viver e conviver em harmonia com os demais, com a natureza e com o próprio Criador. Por isso, são Paulo diz: “Eu sou o que sou pela graça de Deus” (1Cor 15,10). A graça é a razão principal de nossa alegria e de nossa coragem: “Basta-te a minha graça”, responde o Senhor quando são Paulo se queixa do aguilhão em sua carne (2Cor 12,9).
Há fermentos e fermentos. O bom fermento faz crescer a massa e a converte em pão, alimento básico. Na época de Jesus era difícil entender a vida diária sem o pão feito com trigo ou com cereais. Para fazer o pão é necessário o fermento. Uma pequena quantidade de fermento é suficiente para transformar uma quantidade maior de farinha de trigo. Mas existem outros fermentos, capazes de estragar a massa, de empobrecê-la. O bom fermento transforma a massa de trigo em pão saboroso. Mas o mau fermento estraga a massa e o pão já não será fonte de vida, mas será fonte de enfermidade e de morte.
Um fermento bom ou mau dentro de uma comunidade pode enriquecê-la ou destruí-la. Jesus quer que todos os seus seguidores evitem o fermento dos fariseus e de Herodes isto é, o orgulho/arrogância, a soberba, a hipocrisia.
O orgulhoso não se preocupa em conhecer a verdade, mas apenas em ocupar uma posição em que ele possa ser o centro e a norma. Ele pretende que tudo esteja sujeito a si próprio. O orgulhoso gosta de desprezar, maltratar e colocar os outros na parede. Seus atos não precisam respeitar moral nenhuma, mas impõe aos outros normas morais e éticas.
Um hipócrita gosta de simular virtudes, sentimentos nobres e boas qualidades que não existem nele, com o intuito de conquistar a estima dos outros e obter louvores. Ele julga seus atos a partir da aprovação dos outros e não a partir do valor moral e ético. Ele é tão habilidoso em camuflar-se a ponto de nós o admirarmos. O hipócrita não tem consciência de que a dignidade da pessoa humana não consiste em parecer bom e sim em ser bom. “Foge por um instante do homem irado, mas foge sempre do hipócrita”, dizia Confúcio, sábio chinês.
Estes fermentos têm uma força suficiente para destruir uma comunidade por dentro. Uma atitude interior de vaidade, de hipocrisia e do legalismo (como os fariseus), de rancor, de egoísmo, de arrogância, de superficialidade interesseira e de sensualismo (como Herodes), pode destruir nossa própria vida e a vida de uma comunidade.
Mas quando dentro de nós e de uma comunidade há fé e amor fraterno tudo se transforma em fermento bom. Nossos atos visíveis têm sua raiz em nossa mentalidade e em nosso coração. O coração é de cada um de nós, mas o nosso rosto é dos outros, isto é, aquilo que tem no nosso coração passa a ser visível no nosso rosto e no nosso comportamento. Por isso, São Paulo nos dá o seguinte conselho: “Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda? Purificai-vos do velho fermento, para que sejais massa nova, porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, nossa Páscoa, foi imolado. Celebremos, pois, a festa, não com o fermento velho nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os pães não fermentados de pureza e de verdade” (1Cor 5,6-8).
O fermento bom transforma a massa de trigo em pão saboroso, alimento básico para o ser humano. O fermento mau/ruim estraga a massa de trigo e o pão se torna fonte de enfermidade e de morte. Que tipo de fermento sou eu na minha comunidade, no meu grupo ou na minha família? O que tem na sua mão diante da “massa” da comunidade: fermento bom ou fermento mau/ruim? “O espírito se enriquece com aquilo que recebe; o coração com aquilo que dá” (Victor Hugo).
P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-02-09 20:36:00

12/02/2018
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SABER LER SINAIS E SER SINAL DE DEUS É VIVER COM SABEDORIA
Segunda-Feira da VI Semana Comum
Primeira Leitura: Tg 1,1-11
1 Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos que vivem na dispersão: Saudações. 2 Meus irmãos, quando deveis passar por diversas provações, considerai isso motivo de grande alegria, 3 por saberdes que a comprovação da fé produz em vós a perseverança. 4 Mas é preciso que a perseverança gere uma obra de perfeição, para que vos torneis perfeitos e íntegros, sem falta ou deficiência alguma. 5 Se a alguém de vós falta sabedoria, peça-a a Deus, que a concede generosamente a todos, sem impor condições; e ela lhe será dada. 6 Mas peça com fé, sem duvidar, porque aquele que duvida é semelhante a uma onda do mar, impelida e agitada pelo vento. 7 Não pense tal pessoa que receberá alguma coisa do Senhor: 8 o homem de duas almas é inconstante em todos os seus caminhos. 9 O irmão humilde pode ufanar-se de sua exaltação, 10 mas o rico deve gloriar-se de sua humilhação. Pois há de passar como a flor da erva. 11 Com efeito, basta que surja o sol com o seu calor, logo seca a erva, cai a sua flor, e desaparece a beleza do seu aspecto. Assim também acabará por murchar o rico no meio de seus negócios.
Evangelho: Mc 8,11-13
Naquele tempo:  11Os fariseus vieram e começaram a discutir com Jesus. E, para pô-lo à prova, pediam-lhe um sinal do céu. 12Suspirando profundamente em seu espírito ele disse: “Por que esta geração procura um sinal? Em verdade vos digo, a esta geração nenhum sinal será dado”. 13E, deixando-os, Jesus entrou de novo na barca e se dirigiu para a outra margem.
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Viver Com Sabedoria Diante De Deus Para Viver Na Glória de Deus
Durante dois dias vamos acompanhar a Primeira Leitura tirada da Carta de São Tiago. Voltaremos a ler esta Carta na 7ª Semana do Tempo Comum por causa da Quaresma e do Tempo pascal.
O autor da Carta de Tiago é atribuído a Tiago, irmão do Senhor, embora falta muita fundamentação para defender esta tese. Porque a boa qualidade do grego nesta Carta é bastante difícil de entender se fosse escrita por uma pessoa de origem semítica, como Tiago. Além disso, o autor não se apresenta no início da Carta como “irmão do Senhor”. Também não se trata nesta Carta dos temas referentes a Jesus, especialmente da paixão e da ressurreição de Jesus Cristo. Por fim, o espirito de liberdade do autor não corresponde ao legalismo judaico que Tiago reflete em At 15,19-21; 21,25 (cf. Gl 2,12).
Literalmente os destinatários da Carta são as Doze tribos da diáspora (Tg 1,1), expressão que alude às Doze tribos de Israel, isto é, a todo o povo de Israel do Antigo Testamento que se encontra em várias regiões e culturas (na diáspora). Por isso, trata-se de uma carta de valor encíclica de Jerusalém para as várias comunidades judeu-cristãos dispersas. A dispersão judaica ou a diáspora aconteceu depois do ano 70 d.C (Tg 1,1). Por isso, a data da composição da Carta é posterior ao ano 70 d.C.
Nesta Carta encontramos mensagens didáticas e éticas vindas de um mestre da comunidade cristã. O autor pede a todos os cristãos que vivam no espirito cristão dentro e fora da comunidade.
A carta é composta à maneira de um “livro de sabedoria” do Antigo Testamento (Provérbios, Eclesiastes, livro da Sabedoria, Eclesiástico) e expõe uma série de advertências, instruções e normas, enfocadas para a vida prática cotidiana dos judeus-cristãos da diáspora. Utiliza o tesouro das ideias contidas no Antigo Testamento e tradições judaicas, que constituía a base do ensino éticoreligioso da época, mas também inspirou intencionalmente pela tradição cristã primitiva, tal como existia na Igreja primitiva e as Igrejas judaico-cristãs.
Portanto, mais do que uma Carta, é uma exortação homilética sobre o estilo de vida que os seguidores de Jesus devem seguir. Suas intruções ou orientações são muito concretas, sacodem a conformidade ou conformismo excessivo e são de uma evidente atualidade para nossas comunidades de hoje, como veremos: a fortaleza diante das provas ou provações, a relatividade das riquezas, a não ascepção de pessoas. Portanto, o autor da Carta é um cristão muito conhecedor e amante da espiritualidade judaica-cristã.
Hoje iniciamos a leitura desta Carta através do prólogo com uma série de conselhos práticos: saber aproveitar as provas da vida que nos vão fazer amadurecer na fé; dirigir com confiança e perseverança nossa oração a Deus; não estar arrogantes da riqueza, pois se as temos, devemos estar conscientes de que “há de passar como a flor da erva. Com efeito, basta que surja o sol com o seu calor, logo seca a erva, cai a sua flor, e desaparece a beleza do seu aspecto”.
Somente onde existe a verdadeira fé é possível que a fé se submeta à prova. E somente no meio da prova a fé demonstra sua autenticidade, e sua plena submissão à vontade de Deus. Isso já foi ensinado pelo Antigo Testamento (veja Eclo 2,1-6). É por isso que São Tiago pode limitar-se a afirmar que a prova da fé produz constância. A tentação é o meio para provar a fé. Esta é a atitude fundamental que deve ter o cristão que vive neste mundo e muitas vezes têm de viver entre compatriotas descrentes ou icrédulos. Só pode produzir frutos abundantes quem demonstra sua fé firmemente no meio de todas as adversidades. Quando isso é realmente alcançado, há motivos para se alegrar.
Precisamos meditar profundamente estes conselhos de sabedoria cristã.  Devemos aceitar as provas da vida com elegância espiritual, porque elas nos ajudam a nos purificar, a crescer na fé e a dar froça para nosso seguimento de Cristo. Evidentemente, não buscamos sofrimentos nem adotamos uma postura passiva e resignada e sim buscamos fortalecer nossa fé para evitar posturas trágicas e depressivas exegeradamente. O Salmo Responsorial (Sl 118) recolhe o valor das provas de nossa vida: “Para mim foi muito bom ser humilhado, porque assim eu aprendi vossa vontade! Sei que os vossos julgamentos são corretos e com justiça me provastes, ó Senhor!”.
Além disso, o autor da Carta quer nos transmitir também que uma das coisas que mais podemos pedir a Deum em nossa oração é a verdadeira sabedoria: “Se a alguém de vós falta sabedoria, peça-a a Deus, que a concede generosamente a todos, sem impor condições; e ela lhe será dada. Mas peça com fé, sem duvidar, porque aquele que duvida é semelhante a uma onda do mar, impelida e agitada pelo vento”.
Quantas vezes em nossa vida devemos tomar decisões, pessoais e comunitárias, e experimentamos a dificuldade de um bom discernimento. O autor da Carta nos convida, neste caso, quando tivermos as provas, a orarmos com fé sem titubear. Recordemos a cena de Pedro que andou sobre as águas para se aproximar de Jesus, mas duvidou e começou a afundar. Saiu de Pedro, então, uma oração espontânea, breve e humilde: “Senhor, Salva-me!” (Cf. Mt 14,28-32).
Outra verdadeira sabedoria que o autor da Carta quer nos chamar a atenção é o tema sobre a riqueza que será repetido depois. Os ricos, segundo o autor, não tem porque estar orgulhosos demasiadamente porque não há coisa mais efêmera que a riqueza.
Segundo São iago, não devemos valorizar um homem pelos bens que ele possui neste mundo, sim pelos bens que o tornam rico aos olhos de Deus, porque apenas o que conta diante de Deus é que tem um valor duradouro. Não é homem e sua vida terrena que ocupa o centro, mas Deus e seus bens. Somente aquele que é perfeito diante de Deus tem razão para se gloriar; não por seus próprios méritos, mas pela graça e os presentes que recebeu da misericórdia divina. É por isso que devemos nos gloriar mesmo nas tribulações: nelas, a fé é refinada, como o ouro.
Evangelho e Sua Mensagem Para Nós
Jesus entra novamente na controvérsia com os fariseus. Os fariseus não querem abrir os olhos, muito menos o coração para reconhecer as obras de Jesus pelo bem da humanidade. A arrogância impede os fariseus de reconhecerem a bondade praticada por Jesus. A arrogância é como o mau hálito: todos o percebem, exceto quem dele padece. Os fariseus se preocupam com o próprio prestigio e poder. Por isso, eles sempre querem derrubar Jesus de qualquer modo, pois não admitem a existência de rivais. No evangelho de hoje “Para pôr Jesus à prova os fariseus pediam-lhe um sinal do céu”.
Segundo os fariseus, Jesus deve oferecer provas de suas pretensões de ser profeta esperado ou de um Messias sonhado. Quando reclamaram um sinal do céu, os fariseus exigiam que Deus desse diretamente uma prova da messianidade de Jesus. Tudo isso quer mostrar, na verdade, a incredulidade dos fariseus. Na verdade Jesus já lhes tinha dado um sinal ao expulsar demônios (Mc 3,23), e suas obras mostravam que nele se cumpriu aquilo que foi anunciado pelo profeta Isaias: os paralíticos, os surdos, e os mudos são curados e os mortos ressuscitam (Is 35,5-6).
Diante da incredulidade dos fariseus Jesus fica indignado. Para falar desta indignação, Mc usa a seguinte expressão: “Suspirando profundamente em seu espírito, Jesus disse: ‘Por que esta geração procura um sinal?’” (Mc 8,12). “Suspirando profundamente” expressa uma grande pena e tristeza de Jesus. É a contrariedade baseada no dom do Espírito que o une a Deus (cf. Mc 7,34).
Jesus também usa a expressão “Esta geração”. No NT a expressão “esta geração” denota sempre um juízo negativo (Mc 8,38; 9,19; Mt 12, 39-45; 16,4, 17,17; Lc 9,41; 11,29; Fl 2,15).  No AT a palavra “esta geração” é um termo de condenação que faz a alusão à “geração do deserto” que contestou Deus, que pus Deus à prova reclamando sempre novas provas ou mostras do poder divino (cf. Ex 15,22-17,7; Sl 95,9-10). O poder de Deus não se manifesta através do exibicionismo, e sim através da simplicidade. E a simplicidade não faz nenhum barulho. Para Deus tudo é simples e para o simples tudo é divino.
“Em verdade vos digo, a esta geração nenhum sinal será dado”. É a primeira vez que Jesus é tão duro. Na expressão “Em verdade” ou “eu asseguro” escuta-se a voz do juiz que condena.
Jesus sempre recusa sinais que possam ser interpretados apenas como atos exibicionistas (cf. Mc 4,5-7 e Lc 4,9-12). Os atos exibicionistas são pedidos por quem não tem fé (cf. Mc 3,22-30).
Quando buscamos ou damos outro sinal, como os fariseus, é prova de que vivemos ainda na imaturidade da fé ou na incredulidade, pois ainda precisamos de muletas para poder nos mover. Os milagres são um presente que Deus nos faz e não se podem converter em uma manipulação dos demais. Jesus quer que nós mesmos sejamos esse sinal através das boas obras que fazemos. As boas obras que fazemos são provas de nossa união com Cristo e por isso, elas sempre apontam para Cristo, pois fazemos tudo no espírito do Senhor. Os milagres supõem uma fé básica. Mas nossa verdadeira fé não depende de milagres, pois sabemos que Deus nos ama e cremos no Seu amor. A consciência plena do amor de Deus por nós é o grande milagre para nossa vida diariamente. O amor nos tranqüiliza, nos serena e nos faz crescer como filhos e filhas de Deus e nos faz mais humanos e irmãos.
Os fariseus pedem a Jesus um sinal ou uma prova do céu para comprovar a Sua messianidade, esquecendo-se da prova que está tão perto deles: o próprio Jesus. É preciso nós dirigirmos nosso olhar para duas direções: para o céu e para a terra, simultaneamente. Olhar para o céu é olhar para Deus, origem de todas as coisas; é reconhecer nele a fonte de onde saiu tudo de bom para o mundo: “Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia vida e a vida era a luz dos homens” (Jo 1,3-4). Olhar para a terra é olhar para a obra de Deus. Antes de qualquer um ter nascido, já tinha tudo na terra e no universo. Vivemos, realmente, no mundo de gratuidade e por isso, no mundo do amor divino. Justamente, a maior prova de que Deus nos ama consiste em que, sendo nós pecadores, nos enviou seu próprio Filho (Jo 3,16) que entregou sua vida para nos libertar da morte e da escravidão do pecado. Deus nos ama. Deus é o Deus-Conosco (Mt 1,23;18,20;28,20). Deus não somente se fez próximo de nós em Jesus Cristo, mas ele fez sua morada em nós mesmos ao vivermos seus mandamentos, resumidos no amor fraterno (Jo 14,23; 1,14; cf. Jo 13,35; 15,12).
Por isso, Jesus é o próprio retrato de Deus, pois ele ama até o fim (Jo 13,1), ele perdoa, ele faz todo mundo irmão, ele ressuscita, ele entrega sua vida para o bem de todos. Se Jesus é o próprio retrato de Deus, cada cristão deve ser o próprio retrato de Jesus Cristo. O cristão, através de seu modo de viver deve ser sinal ou reflexo de Deus no mundo (Cf. Mt 5,14-16). Deus se reconhece na vida do homem, pois o homem é a imagem e semelhança de Deus (Gn 1,26). A vida do cristão deve brilhar de tal modo que os outros percebam algo de Deus nele.
Em outras palavras podemos dizer que a prova maior de que Deus nos ama consiste em que, sendo pecadores, Ele nos enviou Seu próprio Filho, o qual entregou Sua vida para nos libertar da morte e da escravidão do pecado. Isto é o que celebramos na Eucaristia. Deus nos ama. Deus é o Deus-Conosco. Deus não somente é próximo de nós e sim fez Sua morada em nós. Apesar disso, nossa vida de cristãos constantemente está submetida a uma serie de tentações que só poderemos superá-las permanecendo no Senhor (cf. Jo 15,5) para que o mal não nos domine. “Sabemos que nunca conhecemos Deus se não combatermos o mal, mesmo ao preço de nossas vidas. Quanto mais tentarmos nos purificar, mais nos aproximaremos de Deus” (Mahatma Gandhi).
Em outras palavras, nós precisamos estar conscientes de que, apesar de o Senhor habitar em nós e caminhar conosco, as provas jamais desaparecerão de nossa vida como aconteceu com o nosso Senhor, Jesus Cristo. O próprio Jesus foi tentado até a morte, como foi tentado também no evangelho deste dia. Ser tentado é ser predileto de Deus, pois é sinal de que alguém está caminhando com o Senhor. Nossa vida está submetida a uma série de tentações que, ao serem vencidas pela força do Espírito Santo, nos tornaremos mais maduros na fé e mais humanos na convivência fraterna. Por isso, é preciso que abramos nosso coração à Sabedoria de Deus para que, na nossa atuação como filhos e filhas de Deus, sejamos guiados pelos critérios do bem, do amor, da verdade, da solidariedade, da justiça, da honestidade e assim por diante. Nossa fé não pode ser movida por qualquer vento.
P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-02-07 17:34:00

Domingo,11/02/2018
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COMPADECER-SE É REVESTIR-SE DOS SENTIMENTOS DIVINOS

VI DomingoComumDo Ano B
Primeira Leitura: Lv 13,1-2.44-46
1 O Senhor falou a Moisés e Aarão, dizendo: 2 “Quando alguém tiver na pele do seu corpo alguma inflamação, erupção ou mancha branca, com aparência do mal da lepra, será levado ao sacerdote Aarão ou a um dos seus filhos sacerdotes. 44 Se o homem estiver leproso é impuro, e como tal o sacerdote o deve declarar. 45 O homem atingido por este mal andará com as vestes rasgadas, os cabelos em desordem e a barba coberta, gritando: ‘Impuro! Impuro!’ 46 Durante todo o tempo em que estiver leproso será impuro; e, sendo impuro, deve ficar isolado e morar fora do acampamento”.
Segunda Leitura: 1Cor 10,31-11,1
Irmãos: 10,31 Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus. 32 Não escandalizeis ninguém, nem judeus, nem gregos, nem a Igreja de Deus. 33 Fazei como eu, que procuro agradar a todos, em tudo, não buscando o que é vantajoso para mim mesmo, mas o que é vantajoso para todos, a fim de que sejam salvos. 11,1Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo.
Evangelho: Mc 1,40-45
Naquele tempo, 40umleproso chegou pertode Jesus e, de joelhos, pediu: “Se queres, tens o poder de curar-me”. 41Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero: fica curado!”. 42No mesmoinstante a lepra desapareceu e ele ficou curado. 43Então Jesus o mandou logoembora, 44falando comfirmeza: “Não contes nadadisso a ninguém! Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece, pelatua purificação, o que Moisés ordenou, comoprovaparaeles!”45Elefoi e começou a contar e a divulgarmuito o fato. PorissoJesus não podia maisentrar publicamente numa cidade; ficava fora, emlugaresdesertos. E de todapartevinham procurá-lo.
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I. Sobre Lepra e Leproso
O evangelho deste domingo fala da cura de um leproso (cf. Mt 8,2-4; Lc 5,12-16). Naquela época, lepra não se restringia apenas à doença que a medicina moderna chama de lepra, mas qualquer doença da pele era considerada como lepra.
Na época todas as doenças eram consideradas como um castigo de Deus, mas a lepra era o próprio símbolo do pecado. E a lepra era considerada como a própria morte, pois dificilmente podia ser curada. A cura da lepra era, por isso, considerada um milagre, como se fosse uma ressurreição de um morto. Isto quer dizer que somente Deus podia curá-lo dessa lepra. Acreditava-se, além disso, que a lepra era um instrumento eficaz usado por Deus para castigar os invejosos, os arrogantes, os ladrões, os assassinos, os responsáveis por falsos juramentos e por incestos.
Os leprosos eram considerados no AT como impuros (cf. Lv 13,3), por isso eram excluídos de qualquer direitos sociais e eram marginalizados do convívio da comunidade até a sua cura (eles deviam ficar fora dos povoados), pois a lepra era considerada como uma impureza contagiosa (cf. Lv 13,45-46). Qualquer judeu piedoso evitava o contato com um leproso para não se tornar impuro. Um leproso, além de sofrer a dor da lepra(fisicamente), sofria também o preconceito (psicologicamente e socialmente), pois era excluído da comunidade por ser impuro. Além disso, era acusado como um grande pecador, porque a lepra era considerada como um grande castigo de Deus. O leproso é o protótipo da marginalização religiosa e social imposta pela Lei (Lv.13,45-46).
Sendo estes os costumes e mentalidade naquela época, percebemos no relato da cura do leproso uma grande novidade tanto da parte do próprio leproso como também da parte de Jesus que o curou. Qual novidade?
Apesar de ter consciência de ser leproso (leproso deve ficar distante do resto, cf. Lc 17,12), esse homem leproso se aproxima de Jesus, de joelhos. E Jesus, embora saiba da proibição de fazer contato com qualquer leproso, estende a mão e o tocou. Era um ato verdadeiramente audacioso para a época de Jesus. Os dois quebram o costume de longa data. O leproso tem grande vontade de ficar curado e acredita no poder de Jesus. E Jesus, por sua vez, tem compaixão pela miséria do homem, por isso, quer integrá-lo à vida normal como qualquer ser humano.
II. O Leproso e Jesus
O leproso, de joelho, se aproxima de Jesus para pedir a purificação: “Se queres, podes purificar-me” (v.40). Qualquer leproso era obrigado a manter-se a distância das pessoas sãs, mas esse homem, violando a Lei, se aproxima de Jesus para pedir a purificação. Ao longo do evangelho de Marcos os enfermos insistem em tocar o corpo de Jesus em busca nele a força que os cure (cf. Mc 3,10;5,27-31; 6,56;8,22). A angústia o leva a arriscar tudo.
O leproso se aproxima de Jesus com a coragem porque ele percebe na pessoa de Jesus o poder divino de purificar (de joelho em gesto de adoração). E esse poder só depende da vontade de Jesus. Por isso, o leproso diz: “Se queres”. Através da expressão “se queres” sublinha-se uma relação estreita entre o poder e a vontade (cf. Jó 10,13;42,2; Sb 1,23;12,18). Basta Jesus querer (vontade), a cura acontecerá (pois ele tem o poder de curar).
O que se pede é a purificação: “Se queres, podes purificar-me”. No NT o verbo “purificar” é usado para designar a purificação do pecado (cf. At 15,9;2Cor 7,1;1Jo 1,7.9). Se a lepra era considerada um castigo de Deus, então, para tornar uma pessoa novamente salva e curada, Deus teria que apagar primeiro o castigo. O leproso, por isso, em vez de pedir a cura primeiro, ele pede para ser purificado, pois a cura vem depois. Purificar significa restaurar a pessoa para possibilitar-lhe uma vida nova, em harmonia com os desígnios de Deus no meio da comunidade.
Diante do pedido da purificação do leproso, onde se acentua a coragem e o reconhecimento do leproso pelo poder divino de Jesus, Jesus dá uma resposta positiva. Mas temos no v.41 uma dupla interpretação a partir do verbo que se emprega: “Compadecer-se” ou “encolerizar-se”.
Na versão que recebemos, o verbo que se emprega é “compadecer-se” (comovido): “Comovido de compaixão, estendendo a mão, tocou-o e diz-lhe: ‘Quero, fica purificado’”. O verbo “Comover-se” se usava no judaísmo somente ao falar de Deus (cf. Is 63,15; Jr 31,20); e no NT somente de Jesus. Compadecer-se é o comportamento próprio de Deus. Sabemos que a compaixão significa sentir com (pati + cum, em latim). A compaixão é uma resposta natural ao sofrimento humano. Ela representa uma imersão total da condição do ser humano. Ela nos pede para irmos até onde o sofrimento existe. O ápice da compaixão é identificar-se com o outro. Jesus se comoveu diante do sofrimento do leproso, pois em Jesus se manifesta o amor entranhado de Deus pelos homens. Isto significa que Deus não marginaliza ninguém. Jesus liberta o leproso de seu sofrimento. Ao libertá-lo, Jesus o arranca da morte social e da morte religiosa.
Quem se fecha em seu cômodo egoísmo não se preocupa com a sorte dos outros. Mas quem tem um coração misericordioso experimenta muitas vezes a compaixão. A compaixão que é nascida do amor, nos leva a assumir a causa dos outros e nos obriga ao empenho social.
O Reinado de Deus não exclui ninguém da salvação. Neste contexto, o leproso personifica a multidão de marginalizados em busca da salvação. E Deus sempre acolhe quem o busca com sinceridade e fé. Deus não decepciona quem o procura permanentemente. O gesto exterior de Jesus de estender a mão e de tocar no leproso é sua identificação interior profunda com o sofrimento do leproso.
Podemos também fazer outra leitura do v.41 a partir do verbo usado, que provavelmente mais original: “Encolerizar-se”. O versículo 41 seria, então: “Encolerizando-se, estendeu a mão e o tocou, dizendo: ‘Quero, fica purificado!’”.
Mas qual é o motivo da cólera ou indignação de Jesus? Temos duas respostas. Primeiro, o ato de Jesus de tocar no leproso (v.41) causa a marginalização de Jesus (quem toca um leproso se torna impuro) descrita no v.45: “…de modo que Jesus já não podia entrar publicamente numa cidade: permanece fora, em lugares desertos”. Em segundo lugar, a cólera de Jesus acontece por causa da insensibilidade do centro religioso (instituição oficial), um sistema que exclui e marginaliza as pessoas. Essa ira se manifesta através do ato de tocar no leproso com as próprias mãos para unir-se a ele fisicamente. Jesus faz questão de tocar o leproso como um gesto mais corajoso diante da coragem do leproso de se aproximar de Jesus. O que se enfatiza aqui é a solidariedade que provoca unir-se corajosamente com o marginalizado sem medo de enfrentar as normas do sistema estabelecido. A palavra que segue, “Quero, fica purificado” tem apenas a função de explicitar o gesto.
A prostração do leproso em pedir a purificação indica todo o fervor do seu pedido e de sua fé. Sua súplica é uma confissão da sua fé: “Se queres, podes purificar-me”. Todos os pedidos que fizermos a Deus devem ter sempre como fundamento a nossa fé. Não somente crer na cura, mas crer sempre na grandeza e na soberania de Deus. Se não existir a fé nos pedidos de qualquer um de nós, ele não estará rezando, mas estará conversando consigo mesmo e não com Deus. Além de expressão de fé, pedir de joelho expressa a humildade do leproso. O humilde não tem dificuldade em pedir ajuda dos outros, pois ele reconhece e aceita seus limites. O orgulhoso ou o auto-suficiente normalmente tem dificuldade e vergonha de pedir ajuda.
No relato diz-se também que Jesus estende a mão para tocar o leproso.  Estender a mãorecorda o gesto típico de Deus para salvar seu povo. No AT Deus manda Moisés para estender a mão por ocasião da libertação do povo (cf. Ex 4,4;7,19;8,5;9,22-23;14,16.21.26-27). Encontramos também nos salmos as referências que falam continuamente da mão de Deus como símbolo de sua ação salvífica (cf. Sl 18,36;37,24;73,23;80,18). O gesto de Jesus de estender a mão significa, então, comunicar a salvação e a libertação do homem. O evangelista apresenta Jesus como o novo Moisés.
O ato de Jesus de se aproximar do leproso e de tocá-lo nos leva a nos perguntarmos: “Como você se posiciona perante “os leprosos” (marginalizados) da humanidade: fugir, aproximar-se ou procurar erguê-los como Jesus fez?” Ou o nosso coração está cheio de “lepra” faz com que nos afastemos dos outros e afastemos os outros? A “lepra” que mata é a vida sem amor pelo próximo: mata quem vive sem amor e mata quem precisa deste amor.      
Depois da cura do leproso, Jesus dá uma dupla ordem ao homem curado. A primeiro ordem, Jesus adverte severamente o homem curado para não espalhar a notícia da cura. A proibição é dada para que a multidão não faça uma interpretação errada sobre o messianismo de Jesus, pois o tipo de Messias que o povo esperava era um homem forte, guerreiro valente e libertador no sentido político, um messias nacionalista. Jesus é, ao contrário, um Servo sofredor que se doa e se doa até o fim para salvar a humanidade. Para compreendê-Lo como tal, deve-se caminhar os passos da fé. Para compreender Jesus, precisamos segui-Lo, aprender os seus gestos e assumir o Seu destino. A segunda ordem, Jesus manda o homem a se apresentar aos sacerdotes para examinar a sua cura e para, depois, oferecer algo pela purificação (cf. Lv 14). Somente os sacerdotes têm a autoridade competente para identificar a lepra e reconhecer publicamente sua cura.
O texto não diz que o homem curado da lepra se apresenta aos sacerdotes (é um rompimento do sistema vigente?). Diz-se apenas que ele partiu para anunciar o fato extraordinário de sua cura. O fato é tão inédito que é impossível ficar calado (cf. At 4,20;1Jo 1,1-4). Nota-se, aqui, a intenção teológica de Mc na escolha do verbo “keryssein” em grego que significa “pregar’, “anunciar”, “proclamar” para descrever a ação do curado. E excluído se torna testemunha válida e seu testemunho contagia a todos.
O anúncio feito pelo homem curado da lepra traz conseqüências para Jesus. Ele não pode mais aparecer publicamente nas cidades. Assumir a condição de marginalizado é o que se exige de quem se solidariza profunda e efetivamente com os excluídos deste mundo.
Além da conseqüência acima mencionada, há também uma conseqüência positiva teologicamente que o evangelista quer transmitir que se resume na conclusão do relato. Jesus se encontra “fora da cidade”, mas “de toda parte vinham procurá-lo” (v.45). Jesus se torna, assim, o centro da peregrinação, já não mais a cidade e o templo de Jerusalém. Jesus se torna o ponto de referência para todos. Jesus se torna o novo Templo de Deus (cf. Jo 2,13-22; Hb 8-9). E por causa de Jesus, os seguidores formam um só corpo (cf. 1Cor 6,15-20) e se tornam um santuário de Deus (cf. 1Cor 6,15-20).
A proclamação feita pelo homem curado da lepra resulta na procura de Jesus pela grande multidão. A multidão não julga Jesus impuro, mas como o Messias esperado. Hoje, nós somos portadores do Evangelho de Jesus. Será que pelo nosso anúncio, seja através da pregação, seja através de testemunho da vida cristã, as pessoas são movidas para procurar Jesus como seu único Salvador?
III. Pecado e Misericórdia Divina: Pecado É Nossa Lepra
Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus. Não escandalizeis ninguém, nem judeus, nem gregos, nem a Igreja de Deus”, escreveu são Paulo na Segunda Leitura.
O maior mal não é a lepra e sim o pecado. O pecado não é um progresso, mas todo o oposto, porque reduz o homem e impede que ele alcance sua plenitude, a que ele é chamado. O pecado escurece e enfraquece a inteligência, enerva a vontade, suja-a, desfigura-a, enfraquece-a e cria traumas que amargam toda a vida do homem. O homem, que queria ser autônomo e independente de Deus, apressou-se em falência e falha total. Isso causou um cataclismo. Quando desprezamos o princípio de Deus, que criou o bem e deixou o joio no meio, respeitar a liberdade, cometeu um erro notável.
Mas a misericórdia divina sempre se relaciona com o pecado. Deus não odeia o pecador e sim o pecado. O pecado traz o sofrimento para nós mesmos e para os que nos querem bem ou nos amam. Nenhum pecado que não tenha efeito social e familiar.
Assim como todas as outras perfeições de Deus são infinitas, também é a sua misericórdia. Deus resolveu manifestar a imensa bondade de seu coração para os homens pecadores de maneira extraordinária, pois a misericórdia é o amor gratuito sem motivo: Perdoar por amor; Salvar por amor.
Porque a natureza humana é tão fraca e miserável, é por isso que Deus acolhe o homem pecador para mostrar-lhe a grandeza de sua misericórdia. Os outros atributos de Deus, como a sua sabedoria e onipotência, estão igualmente a serviço da sua misericórdia. O inferno não é o centro do cristianismo, mas o amor de Deus, cuja misericórdia dá o seu próprio caráter. A bondade de Deus também se mostra através de sua misericórdia.  A misericórdia é o meio eficaz para penetrar na infinita bondade de Deus.
Quando a humanidade se perde cada vez mais diariamente como um filho ingrato, Deus não a perdeu de vista nem a descartou de seu coração. Como um bom pastor, ele procurou a ovelha perdida, convidando-a a retornar. E quando o filho pródigo voltou para a casa paterna, o Pai abraçou-a nos braços.
A Igreja, com todos os seus meios para a santificação, é mostrada de forma eminente como encarnação da misericórdia divina. No sacramento da penitência, os pecados são perdoados.
Pensando na misericórdia divina, temos que olhar com fé nosso passado. Se pertencemos aos grandes pecadores, também pertencemos àqueles a quem Deus invoca especialmente e procura salvá-los e recriá-los.
No que diz respeito ao nosso futuro, devemos também confiar em Deus e temê-Lo, ao mesmo tempo, sem ter medo d´Ele, pois Deus é nosso Paizinho (Abbá). Deus que tem piedade de mim até agora, para não me perder, mas para me salvar, Ele me concederá generosamente as graças necessárias para a minha salvação. Assim seja!
P. Vitus Gustama,SVD