Categoria: Reflexão

É PRECISO CAMINHAR 2018-01-17 18:41:00

18/01/2018
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É PRECISO ESTAR COM JESUS NA LUTA VITORIOSA CONTRA A FORÇA DESTRUIDORA DA HUMANIDADE
Quinta-FeiraDa II SemanaComum
Primeira Leitura: 1Sm 18,6-9;19,1-7
18,6 Naqueles dias, quando Davi voltou, depois de ter matado o filisteu, as mulheres de todas as cidades de Israel saíram ao encontro do rei Saul, dançando e cantando alegremente ao som de tamborins e címbalos.7 E, enquanto dançavam, diziam em coro: “Saul matou mil, mas Davi matou dez mil”. 8 Saul ficou muito encolerizado com isto e não gostou nada da canção, dizendo: “A Davi deram dez mil, e a mim somente mil. Que lhe falta ainda, senão a realeza?” 9 E, a partir daquele dia, não olhou mais para Davi com bons olhos. 19,1Saul falou a Jônatas, seu filho, e a todos os seus servos sobre sua intenção de matar Davi. Mas Jônatas, filho de Saul, amava profundamente Davi, 2 e preveniu-o a respeito disso, dizendo: “Saul, meu pai, procura matar-te; portanto, toma cuidado amanhã de manhã, e fica oculto em um esconderijo. 3 Eu mesmo sairei em companhia de meu pai, no campo, onde estiveres, e lhe falarei de ti, para ver o que ele diz, e depois te avisarei de tudo o que eu souber”. 4 Então Jônatas falou bem de Davi a Saul, seu pai, e acrescentou: “Não faças mal algum ao teu servo Davi, porque ele nunca te ofendeu. Ao contrário, o que ele tem feito foi muito proveitoso para ti. 5 Arriscou a sua vida, matando o filisteu, e o Senhor deu uma grande vitória a todo o Israel. Tu mesmo foste testemunha e te alegraste. Por que, então, pecarias, derramando sangue inocente e mandando matar Davi sem motivo?” 6 Saul, ouvindo isto, e aplacado com as razões de Jônatas, jurou: “Pela vida do Senhor, ele não será morto!” 7 Então Jônatas chamou Davi e contou-lhe tudo isto. Levou-o em seguida a Saul, para que ele retomasse o seu lugar, como antes.
Evangelho: Mc 3,7-12
Naquele tempo, 7Jesus se retirou para a beirado mar, juntocomseusdiscípulos. Muitagente da Galileia o seguia. 8E tambémmuitagenteda Judeia, de Jerusalém, da Idumeia, do outrolado do Jordão, dos territóriosde Tiro e Sidônia, foi até Jesus, porquetinham ouvidofalarde tudo o queele fazia. 9EntãoJesus pediu aos discípulosquelheprovidenciassem uma barca, porcausa da multidão, paraquenão o comprimisse.10Comefeito, Jesus tinha curado muitas pessoas, e todosos que sofriam de algummal jogavam-se sobreeleparatocá-lo. 11Vendo Jesus, os espíritosmauscaíam a seuspés, gritando: “Tu és o Filhode Deus!” 12MasJesus ordenava severamenteparanão dizerem quemeleera.
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A Plena Comunhão Com Deus Nos Torna Bons Amigos
Do capitulo 16 até a morte de Saul, no final do primeiro livro de Samuel, o autor do livro nos apresenta as relações entre Saul e Davi. Nestas páginas o autor coloca em evidência as qualidades que Deus exige para o rei de seu povo.
No combate entre Davi e Golias, como lemos na Primeira Leitura do dia anterior, fica evidente que Deus se serve do pequeno para ganhar dos grandes; astúcia diante da força; valentia diante do medo e confiança em Deus diante do aparato militar. Diante desta vitória e outras vitórias o povo aclama: “Saul matou mil, mas Davi matou dez mil”. Davi está cheio de qualidades. Ele é um homem inteligente e habilidoso. Sua beleza física ganha admiração das mulheres. E suas reais qualidades humanas obtêm amizades fieis entre as quais a amizade de Jônatas, filho do rei Saul.
Mas na base da aclamação popular de que Davi é objeto, Saul percebe que sua missão e seu reinado estão em jogo. Em um momento de delírio, Saul tenta matar Davi que agora vê como rival. Por duas vezes, Davi se salva da morte que Saul tenta infligir-le.  Saul, cheio de complexos e depressões psicológicas, só precisava ouvir a música das garotas a favor de Davi para ser preso ao ciúme. Por outro lado, bastante explicável, porque Davi tinha mais carisma e estava se mostrando como um bom líder militar, não só em seu duelo único com Golias, mas também em outras ações que lhe foram confiadas posteriormente.
Felizmente, seu amigo Jônatas, filho de Saul, permanece fiel a Davi e este alerta Davi sobre o que está sendo conspirado contra ele. Além disso, Jônatas consegue convencer seu pai a abandonar esse plano e promete respeitar a vida de Davi. O conflito não vai acabar por lá, porque Saul é um personagem muito inconstante.
São histórias muito humanas de amizade, inimizade e ciúmes. Deus também escreve a história através deles. Davi está sempre em boa luz, apesar de suas falhas: com qualidades humanas que atraem a amizade de homens e mulheres, com um grande coração que o levará a perdoar a Saul seu perseguidor e com grande fé em Deus, a quem, apesar de seus pecados, ele tenta lhe obedecer por sua vida inteira. No salmo, colocamos estas palavras na boca de Davi: “Eles me atacam e me perseguem o dia todo: em Deus eu confio e não tenho medo”.
A história entre Saul e Davi, muitas vezes, se repete em nossa vida familiar ou comunitária. Somos psicologicamente também tão inseguros como Saul. Muitas vezes nós nos deixamos levar por ciúmes e inveja quando outros conseguem e recebem aplausos e nos fazem uma pequena sombra. Tomemos cuidado para que nosso ciúme não se torne tôxico. A toxicidade do ciúme aprisiona a vítima e o algoz. A violência familiar, em grande porcentagem, tem a ver com o ciúme. O ciúme não tem idade: há adultos ciumentos e há crianças dominadas e amamradas pelo ciúme. Não só dentro da família, pode-se ter ciúme de uma pessoa do trabalho, dos amigos. Tudo o que temos pode ser vítima do ciúme, porque o ciúme é medo de perder o que se tem.
Mas quando você é livre de coração, você atrai oportunidades. Por isso, é preciso que cada um cuide de seu interior, seu coração, pois tudo provem dele. Quando você é livre por dentro, você se torna simples. As pessoas simples atraem, as pessoas complicadas afastam. A pessoa livre transforma u mau momento em algo divertido. A pessoa livre por dentro é uma pessoa de paz. As pessoas com paz atraem. Quando você alcança a paz interior, as portas se abrem para você.
Além disso, precisamos estar atentos e conscientes de que Deus sempre coloca ao nosso lado os verdadeiros amigos, como Jônatas para Davi, para nos recolocar no caminhão de Deus respeitando a vida do próximo. Os verdadeiros amigos são nossos anjos de Deus. A verdadeira amizade nunca nos faz mal. Os verdadeiros amigos nos alertam sobre o perigo para nossa vida como aconteceu entre Jônatas e Davi: “Saul, meu pai, procura matar-te; portanto, toma cuidado amanhã de manhã, e fica oculto em um esconderijo”, disse Jônatas para Davi, seu amigo. Os bons amigos, como Jônatas, constroem pontes para superar os obstáculos e removem a dureza das tensões, oferece soluções para os problemas. O jovem Jônatas, o filho do rei Saul, possível sucessor de Saul, poderia ter motivos para o ciúme com Davi, porque seu amigo era muito mais popular que seu pai, Saul. Mas Jônatas não se deixou levar pelo ressentimento e sim pela verdadeira amizade com Davi e respeitou a verdade: “Não faças mal algum ao teu servo Davi, porque ele nunca te ofendeu. Ao contrário, o que ele tem feito foi muito proveitoso para ti. Arriscou a sua vida, matando o filisteu, e o Senhor deu uma grande vitória a todo o Israel. Tu mesmo foste testemunha e te alegraste. Por que, então, pecarias, derramando sangue inocente e mandando matar Davi sem motivo?”, disse Jônatas para seu pai, Saul. Será que você é bom amigo? Voce tem amigo?
As histórias de Saul, Davi e Jônatas são espelhos em que podemos olhar para nós mesmos e fazer um pequeno exame de consciência sobre como nossas reações estão lidando com os outros.
O Texto Do Evangelho e Suas Mensagens
1. O BemPraticado Nos Protege Da TentaçãoDo Poder
E tambémmuitagenteda Judeia, de Jerusalém, da Idumeia, do outrolado do Jordão, dos territóriosde Tiro e Sidônia, foi até Jesus, porquetinham ouvidofalar de tudoo queelefazia” (Mc 3,8).
Segundo Marcosmuitas pessoas foram ao encontro de Jesus pelaseguinterazão: “Ao ouvir o queele fazia”. Nãodiz que “ao ouviro queeledizia” e sim “o queele fazia”. O queJesus fazia se fazia ouvir. Suaprática fazia ruído. Suasobraspara o bem das pessoassãogritantes. Provavelmente o quedizia corria de bocaemboca, porquesuapalavraeraconcreta, referida à prática. Ele acolhe e procurao bemparatodos, semexceção. Seudizer, seguramente, tambémera uma forma de fazer. Dizere fazer, simultaneamente, comoformas de práticaspara Jesus. Seufazer ultrapassa sempreseudizer.
Mesmo quese torne popular e bemconhecidoporseufazer, Jesus não se embriaga do fervorpopular, de aplausos, de triunfalismose de vanglorias. Porisso é queelesempre se retira da multidãoparamantercontatocomseuPaiparanãocair na egolatria, no egoísmoe no egocentrismo. O Reino de Deus é sempre o centrode suaatividade.
Há momentos, na nossavida, nosquaisa únicaformade dizer é fazer. E há tambémmomentos, é verdade, quehá formas de dizerquesãomaiseficazesque muitas formasde fazer. Jesus, emtodocaso, foi sempre orientado à prática, à construção do reinode Deus, à obrade dignificação de pessoas: comsuapalavra, comtestemunhopessoale comaçõesconcretas de libertação. Porisso, com Jesus tudopode mudarparamelhor. É comose nascesse de novo. Elecura. Nas primeiras páginas do evangelhoele é chamado de “o Salvador”, o que dá a saúdede corpo e de alma. Jesus sente o sofrimento dos homens. A compaixão move seucoração. EmJesus se vêumsentidoparaa dor.
Quando umcristão fizer maiso bem do queapenasfalar do bem Jesus faz presente e o bem praticado faz ruído ao redormesmoqueaqueleque o pratica nãodiga nada. O bempraticado e vividoproclamaporsipróprio. O bem praticado se tornapregadorporaqueleque o pratica. O bempraticado sempre atrai parceiros. Quenossamaneirade viver possa fazerruídonãopelomalque cometemos, maspelobemque praticamos silenciosamente.
Estamos neste mundocom o únicoobjetivo: fazero bem e porisso, nósnão podemos deixar de fazer o bememqualqueroportunidade. Mas é fácilserpego na armadilha de pensarque o dia de hojenãoimporta muito, poisainda temos outrosdiaspelafrente. Masuma grandevidanão é nadamaisqueuma seqüência de diasbemvividos, amarrados juntoscomoumbelocolar de pérolas. Cadadiaé importante e contribui paraa qualidade do resultadofinal. O passadose foi, o futurosóexiste na nossaimaginaçãoe, portanto, o diade hoje é tudoo quecadaum tem. Precisamos usá-lo sabiamente para o bem. Nossavidanãoé umensaio. As oportunidades perdidas raramente voltam.
Mas precisamos superarpermanentementea tentaçãocontrao poder, a egolatria, istoé, fazer as coisasemfunçãodo próprioegoe nãoemfunção do bemde todos. É precisonos mantermos emcontatocomDeus, o Únicoquenossalva. Porisso, precisamos imitare olharpara Jesus quesempreprocura o contatocomDeustodavezque a multidãoquerfazerdele umrei. O mundo, ao contrário, aproveita qualquermomentode popularidadeparao benefíciopróprioa custo da maioriaque vive emmiséria.  Comoseguidoresde Cristo precisamos olharparanossavidaounossamaneirade viverparasaberonde estamos a fim de saber se estamos no caminho de Cristoounão.
2. A HumanidadeFaz Caravana Ao EncontroDe Deus
Muitagente da Judéia, de Jerusalém, da Idumeia, do outroladodo Jordão, dos territórios de Tiro e Sidônia, foi atéJesus”, relatou evangelistaMarcos.
Santa Teresa de Ávila dizia: “Quero verDeus”. Todosnóstemos o mesmodesejo, como a multidãoda Judéia, de Jerusalém, da Idumeia, de Tiro, de Sidônia e de outrosterritórios quis iraté Jesus.
A humanidadeé uma imensacaravanaquecaminhaparachegaratéDeus, poissomente n’Ele se encontrao sentido de suaexistência e a plenitudede suavida. Mas no fundoela, porsiprópria, é incapaz de abriro caminho, poisa humanidade tem experiênciade seuspecados, de suasdificuldadesde amar e de rezar. Jesus, como o Caminhoporexcelência(cf. Jo 14,6), ao entrar no céucomsuahumanidade (Mc 16,19; Lc 24,51; At 1,9-10) facilita a humanidade a entrarcomEle (cf. Jo 14,2-6). Jesus nosabre a porta do céudefinitivamente.
3. ComJesus venceremos a Força Destruidora
Vendo Jesus, os espíritosmauscaíam a seuspés, gritando: “Tu és o Filhode Deus!”.  Mas Jesus ordenava severamenteparanãodizerem quemeleera”. É interessante observarquenãoé a multidãoquefaz a exclamação de queJesus é “Filho de Deus” e simsãoos possessos, istoé, as forças do mal. Diante de Jesus queé maisfortedo quequalquerforça do mundo, porser “Filho de Deus”, as forças do malnão aceitam serreduzidas no seupoder, embora se trate de umpoderdestruidordo serhumano. Porisso, elas protestam contraJesus, o Filho de Deus. A presença de Jesus desmascara as forças do malqueatéentão dominavam o serhumano, especialmenteos maisfracos. Masdiantede Jesus e na Suapresençaa força do malperde seupodere suaforça. Não é poracasoquea multidãosemprevai atrás de Jesus, poisestarcomJesus significa estarcoma força das forças.
Vale a penaparanóstambémestarmos com Jesus, poisEle é a forçade nossas forças e a vida de nossas vidas. Através do evangelistaJoão Jesus nos recorda com as seguintespalavras: “No mundotereis tribulações, mastende coragem: Euvenci o mundo!” (Jo 16,33b).
Pedimos ao Senhorquenosdê a forçaoucapacidadepara lutarmos contrao malsobtodas as suasformas: a enfermidade, a ignorância, a fome, o ódio, a indiferença, a desigualdade, a violência, a intolerância, a solidão, o pecadoe outras forças destruidoras da humanidade.
P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-01-16 18:01:00

17/01/2018
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SALVAÇÃO DO HOMEM ESTÁ ACIMA DA LEI E DA CRENÇA
Quarta-Feira da II SemanaComum
Primeira Leitura: 1Sm 17,32-33.37.40-51
Naqueles dias, 32 Davi foi conduzido a Saul e lhe disse: “Ninguém desanime por causa desse filisteu! Eu, teu servo, lutarei contra ele”. 33 Mas Saul ponderou: “Não poderás enfrentar esse filisteu, pois tu és só ainda um jovem, e ele é um homem de guerra desde a sua mocidade”. 37 Davi respondeu: “O Senhor me livrou das garras do leão e das garras do urso. Ele me salvará também das mãos deste filisteu”. Então Saul disse a Davi: “Vai, e que o Senhor esteja contigo”. 40 Em seguida, tomou o seu cajado, escolheu no regato cinco pedras bem lisas e colocou-as no seu alforje de pastor, que lhe servia de bolsa para guardar pedras. Depois, com a sua funda na mão, avançou contra o filisteu. 41Este, que se vinha aproximando mais e mais, precedido do seu escudeiro, 42 quando pôde ver bem Davi desprezou-o, porque era muito jovem, ruivo e de bela aparência. 43 E lhe disse: “Sou por acaso um cão, para vires a mim com um cajado?” E o filisteu amaldiçoou Davi em nome de seus deuses. 44 E acrescentou: “Vem, e eu darei a tua carne às aves do céu e aos animais da terra!” 45 Davi respondeu: “Tu vens a mim com espada, lança e escudo; eu, porém, vou a ti em nome do Senhor todo-poderoso, o Deus dos exércitos de Israel que tu insultastes! 46 Hoje mesmo, o Senhor te entregará em minhas mãos, e te abaterei e te cortarei a cabeça, e darei o teu cadáver e os cadáveres do exército dos filisteus às aves do céu e aos animais da terra, para que toda a terra saiba que há um Deus em Israel. 47 E toda esta multidão de homens conhecerá que não é pela espada nem pela lança que o Senhor concede a vitória; porque o Senhor é o árbitro da guerra, e ele vos entregará em nossas mãos”. 48 Logo que o filisteu avançou e marchou em direção a Davi, este saiu das linhas de formação e correu ao encontro do filisteu. 49 Davi meteu, então, a mão no alforje, apanhou uma pedra e arremessou-a com a funda, atingindo o filisteu na fronte com tanta força, que a pedra se encravou na sua testa e o gigante tombou com o rosto em terra. 50 E assim Davi venceu o filisteu, ferindo-o de morte com uma funda e uma pedra. 51 E, como não tinha espada na mão, correu para o filisteu, chegou junto dele, arrancou-lhe a espada da bainha e acabou de matá-lo, cortando-lhe a cabeça. Vendo morto o seu guerreiro mais valente, os filisteus fugiram.
Evangelho: Mc 3,1-6
Naquele tempo, 1Jesus entrou de novo na sinagoga. Havia aliumhomemcoma mãoseca. 2Algunso observavam paraver se haveria de curaremdia de sábado, para poderem acusá-lo. 3Jesus disse ao homemda mãoseca: “Levanta-te e fica aqui no meio!”  4E perguntou-lhes: “É permitidono sábadofazero bemoufazer o mal? Salvar uma vidaou deixá-la morrer?” Maselesnada disseram. 5Jesus, então, olhou ao seuredor, cheiode ira e tristeza, porque eram durosde coração; e disse ao homem: “Estende a mão”. Ele a estendeu e a mãoficou curada. 6Ao saírem, os fariseuscom os partidários de Herodes, imediatamente tramaram, contraJesus, a maneiracomohaveriam de matá-lo.
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É Preciso Estar Com Deus Para Vencer Todas As Batalhas Da Vida
Tu vens a mim com espada, lança e escudo; eu, porém, vou a ti em nome do Senhor todo-poderoso, o Deus dos exércitos de Israel que tu insultastes! Hoje mesmo, o Senhor te entregará em minhas mãos, e te abaterei e te cortarei a cabeça, e darei o teu cadáver e os cadáveres do exército dos filisteus às aves do céu e aos animais da terra, para que toda a terra saiba que há um Deus em Israel”, disse Davi ao gigante Golias.
A Primeira Leitura nos relata a vitória de Davi sobre o gigante Golias, o filisteu. A vitória do jovem Davi contra o gigante Golias é um dos episódios bíblicos mais populares e se converteu no símbolo de como o débil, o fraco diante dos olhos do mundo e não diante dos olhos de Deus é capaz de humilhar às vezes o mais forte. “Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes”, disse a Mãe do Senhor no seu Magnificat. “Se Deus é por nós, quem será contra nós …  Somos mais fortes que vencedores pela virtude daquele que nos amou”, escreveu São Paulo aos romanos (Rm 8,31.37). Não sabemos bem como entrou Davi ao serviço do rei Saul. Mas o que o relato quer sublinhar é a intervenção de Deus em sua vitória.
A tese que o autor do livro de Samuel que estabelecer, como lição para todas as gerações, é posta nos lábios: “Tu vens a mim com espada, lança e escudo; eu, porém, vou a ti em nome do Senhor todo-poderoso, o Deus dos exércitos de Israel que tu insultastes! E toda esta multidão de homens conhecerá que não é pela espada nem pela lança que o Senhor concede a vitória; porque o Senhor é o árbitro da guerra, e ele vos entregará em nossas mãos”.
O Salmo Responsorial (Sl 143) faz eco para a Primeira Leitura: “Um canto novo, meu Deus, vou cantar-vos, nas dez cordas da harpa louvar-vos, a vós que dais a vitória aos reis e salvais vosso servo Davi”.
Da Primeira Leitura aprendemos que Deus sempre tem caminhos cheios de surpresas. Ele usa o débil para derrotar o aparente forte diante dos olhos do mundo e fraco diante dos olhos de Deus por sua arrogância pelo fato de insultar Deus. Tanto no AT como no NT Deus se serve, às vezes explicitamente dos mais débeis ou fracos para conseguir seus planos e assim podemos entender que não são nossas forças que salvam o mundo e sim a misericórdia gratuita de Deus.
Infelizmente, tendemos a confiar mais na técnica, em nossas habilidades e nos nossos meios materiais. E pensamos que quanto mais modernos forem, melhor será o resultado. Mas a eficácia em todas as nossas empresas, em todos os nossos planos Deus nos dá: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5). Quantas vezes o mais débil e humilde, confiados em Deus, conseguiram o que os fortes não poderam.
Da história do pequeno jovem Davi contra o gigante Golias aprendemos que em nossa luta contra o mal ás vezes há a desigualdade entre as forças que temos e o poderoso mal que devemos superar. Mas jamais nos esqueçamos que Deus é nosso Força, nossa Rocha. Temos que pedir a Deus conscientemente no Pai-Nosso: “Livrai-nos do mal e não nos deixeis cair em tentação”. Somente assim é que ganharemos novas forças para continuar nossa luta. Com Deus nada se perde. Com Deus tudo se ganha.
Deus não está impressionado com a aparência ou com a grande estatura das pessoas ou do mundo. Deus nos salva sem usar armas feitas por nossas mãos. Deus somente quer que confiemos nele, naquele momento, Sua vitóris será nossa vitória, pois quem é como Deus? não é técnica, nem as armas complicadas que nos fortalecem, mas Deus que, apesar das nossas fraquezas, sempre estará conosco. O Senhor veio como nosso Salvador. Através de sua morte na cruz, o Senhor esmagou a cabeça do nosso inimigo. Quando confiramos no Senhor, cedo ou tarde a vitória chegará.
A Salvaçao Do Homem Está Acima Da Lei
O Reinode Deus propõe a reconstruçãodo serhumanode modointegral(de dentro e de fora). Nosevangelhosse vê simbolicamente que esta reconstruçãovai sucedendo gradualmente: uma vez, a cura de suavista, outravez, de suamão, outransformarsuasaçõesressuscitarquem se encontramorto. Porisso, para Jesus deixar de fazer o bem no dia de sábado, negando uma curaparaumpobreque necessita é pecar. Assim, a dinâmicado Reinotambémé exigente: se nãoreconstruirmos o homem, estaremos colaborando na suadestruição.
Continuamos aindaa acompanhar a controvérsiaentre Jesus, de umlado, e os fariseuse os escribas, de outrolado. O temada controvérsiaaindaestá emtornoda observância do preceitode Sábado. NovamenteJesus quermanifestarsuaconvicçãode que a leido sábado está a serviçodo homem e nãoo contrário. Porisso, diantede seusinimigosque espiam suasatuações Jesus curao homem do braçoparalisado. E Jesus o fez provocativamente dentrode uma sinagoga no diade sábado.
O quetem o valorsupremo: a leiouo bem do homeme a glória de Deus? Esta é a questão nessa controvérsia. Emsualutacontraa mentalidade legalista dos fariseus, ontemJesus disse: “O sábado foi feitopara o homem, e não o homempara o sábado”. HojeJesus aplica o principio paraumcasoconcretocontra a interpretaçãoquealgunsfaziam que preocupados maiscom uma leiminuciosado quecomo bem das pessoas, sobretudo, comos que sofrem.
É permitidono sábadofazero bemoufazer o mal? Salvar uma vidaou deixá-la morrer?”. Essa foi a pergunta de Jesus aos fariseus.
Como jásabemos que o Sábadoeraumdos preceitosdivinosmaisclarose maisindiscutíveis. O Sábadoerauma espécie de documentode identidade do Povoeleito. Suaobservânciaestava rigidamente regulada. Algumas exceções eram admitidas pormotivos de particulargravidade. Porexemplo, erapermitidosalvara vidacoma fuga, ajudarumhomememperigoou uma mulhercomdoresde partoouemcaso de incêndio e assimpordiante. Porém, de qualquerforma tratava-se semprede exceções a uma regra.
Para Jesus, ao contrario, o quemudaé a regra. A lei, sim, maso legalismo, não. A leié uma necessidade. Porém, atrás de cadalei deve respiraramor e respeitoao homemconcreto. Atrás da letraestá o espírito e o espíritodeve prevalecersobrea letra. ParaJesus o bem do homemestá acima da observânciado Sábado, e isso, nãosomenteemcaso de perigo de morte, masemqualquersituação. “Portanto, é licito fazero bemtambémno Sábado” (Mt 12,12b). Jesus proclama, assim, o valorabsolutodo amor. Jesus recorda a todosqueparaDeus o maisimportanteé o homem, o bemdo homem e nãoa regraporregraouleiporlei. Nãosomentesalvar a vida do homem e simsimplesmentefazer o bem a ele. A leisuprema da Igrejade Cristosãoas pessoas, a salvação das pessoas. Se nãoa Igreja perderia suarazão de existir. A glória de Deusestá sempre e unicamente no bem do homem. Não se trata de exaltar o homemconstituindo-lhe centro das coisas. Mastrata-se de conhecermaisfundo o coraçãode Deusqueama o homema ponto de enviarseuFilhounigênito a fimde que o homemseja salvo (Jo 3,16). O poderde Deus se manifestano amor e nisto está suahonra. Para Jesus a observânciado Sábado deve celebraresseamorfraterno e nãodesmenti-lo nem negá-lo. Assim, mais uma vez, Jesus quermanifestarsuamaneira de viverde que a leido sábado está a serviçodo homem e nãoo contrário.
“Havia, na Sinagoga, umhomemcom a mãoseca. ‘Estende a mão’, disse Jesus. O homemcom a mãoseca a estendeu e a mãoficou curada”, assim relatou o evangelistaMarcos.
Na antropologiabíblica, a mão está carregada de simbolismo. A mãoestá ligada à idéiade força e de poder. Estar na mãodo outro significa estarsob o seupoder. A mãodireitaerasinal de força, de sabedoria e de fidelidade. Como rezamos no Credo: Jesus “ressuscitou ao terceirodia, subiu aos céus; está sentado à direitade DeusPaitodo-poderoso…”. Istoquerdizerque Jesus mostrou suafidelidadeà vontade de DeusPaiatéo fim. Jáa mãoesquerdaerasinalde fraqueza, de ignorânciae de desgraça.
O homemdo texto do evangelhode hoje está coma mãoseca. É umhomemseminiciativae incapaz de lutarporseusdireitos, e porisso, é uma vitima da desumanização. Jesus é Deusquesalva. Porisso, eletomainiciativaparacurar o homem a fim de humanizá-lo novamente. Com a mãocurada, o homemvoltaa teraptidãoparafazer o bem. Ao colocar o homemno meio das pessoas, Jesus querrecordara todosquequalquerpessoadeve ser respeitada, protegida, defendida, levadaemconsideraçãoacimade qualquerleiporsagradaqueelapareça ser e acimade qualquercrença. Todareligiãodeve se preocuparcoma salvação do homem e nãocom a salvação de umas regras.
Jesus quernosrelembrarque nenhuma religiãoou nenhuma práticareligiosa pode impediro encontrofraternoe a vivência do amore do respeitomútuosnem pode impedirserviçosolidário. Ao contrário, os quepraticam religião devem tercadaveza sensibilidadehumana, devem sermaishumanos e irmãosparacom os demais. A passagemparachegar ate Deuspassanecessariamente peloirmão. O próximo é a passagemobrigatóriaparachegar ao céu. Qualquerumpode nãoencontrarDeus, masnão tem comonão se cruzarcom o próximo. O próximo é ocasiãode salvação paramimcomotambémsou uma ocasião de salvação para o outro. No sentido bíblico, será queminhamão, suamãoestá paralisada? O que deve se fazerparadeixarde ficar paralisada?
P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-01-11 00:04:00

16/01/2018
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A VIDA HUMANA É MAIS SAGRADA DO QUE QUALQUER LEI
Terça-FeiraDa II SemanaComum

Primeira Leitura: 1Sm 16,1-13

Naqueles dias, 1 o Senhor disse a Samuel: “Até quando ficarás chorando por causa de Saul, se eu mesmo o rejeitei para que não reine mais sobre Israel? Enche o chifre de óleo e vem, para que eu te envie à casa de Jessé de Belém, pois escolhi um rei para mim entre os seus filhos”. 2 Samuel ponderou: “Como posso ir? Se Saul o souber, vai me matar”. O Senhor respondeu: “Tomarás contigo uma novilha da manada, e dirás: ‘Vim para oferecer um sacrifício ao Senhor’. 3 Convidarás Jessé para o sacrifício. Eu te mostrarei o que deves fazer, e tu ungirás a quem eu te designar”. 4 Samuel fez o que o Senhor lhe disse, e foi a Belém. Os anciãos da cidade vieram-lhe ao encontro, e perguntaram: “É de paz a tua vinda?” 5 “Sim, é de paz”, respondeu Samuel. Vim para fazer um sacrifício ao Senhor. Purificai-vos e vinde comigo, para que eu ofereça a vítima”. Ele purificou então Jessé e seus filhos e convidou-os para o sacrifício. 6 Assim que chegaram, Samuel viu a Eliab, e disse consigo: “Certamente é este o ungido do Senhor!” 7 Mas o Senhor disse-lhe: “Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei. Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”. 8 Então Jessé chamou Abinadab e apresentou-o a Samuel, que disse: “Também não é este que o Senhor escolheu”. 9 Jessé trouxe-lhe depois Sama, e Samuel disse: “A este tampouco o Senhor escolheu”. 10 Jessé fez vir seus sete filhos à presença de Samuel, mas Samuel disse: “O Senhor não escolheu a nenhum deles”. 11 E acrescentou: “Estão aqui todos os teus filhos?” Jessé respondeu: “Resta ainda o mais novo, que está apascentando as ovelhas”. E Samuel ordenou a Jessé: “Manda buscá-lo, pois não nos sentaremos à mesa, enquanto ele não chegar”. 12 Jessé mandou buscá-lo. Era ruivo, de belos olhos e de formosa aparência. E o Senhor disse: “Levanta-te, unge-o: é este!” 13 Samuel tomou o chifre com óleo e ungiu Davi na presença de seus irmãos. E a partir daquele dia, o espírito do Senhor se apoderou de Davi. A seguir, Samuel se pôs a caminho e voltou para Ramá.
Evangelho: Mc 2,23-28
23Jesus estava passando por uns camposde trigo, emdia de sábado. Seusdiscípuloscomeçaram a arrancarespigas, enquanto caminhavam. 24Entãoos fariseus disseram a Jesus: “Olha! Porqueeles fazem emdia de sábado o quenão é permitido?” 25Jesus lhes disse: “Poracaso, nuncalestes o queDavi e seuscompanheirosfizeram quando passaram necessidade e tiveram fome? 26Comoele entrou na casade Deus, no tempoemqueAbiatar erasumosacerdote, comeu os pãesoferecidos a Deus, e os deu também aos seuscompanheiros? No entanto, só aos sacerdotesé permitidocomeressespães”. 27E acrescentou: “O sábado foi feitopara o homem, e não o homempara o sábado. 28Portanto, o Filho do Homemé senhortambémdo sábado”.
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Deus Olha Para o Coração Humano e Não Sua Aparência Física
“Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei. Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”, disse Deus a Samuel.
Depois que Saul foi rejeitado por Deus por seus atos de desobediência (1Sm 15,26), hoje o texto da Primeira Leitura nos conta, em uma das várias versões que existem nos livros históricos da época, a eleição e a unção de Davi como rei. Samuel é encarregado para preparar o sucessor de Saul, que ainda estará no cargo por um tempo. A grande novidade é que, ao contrário de Saul, a eleição de David será irrevogável. Mas essa irreversibilidade também será um presente imerecido, que decorre da misericórdia gratuita do coração de Deus.
Começa, então, a história de Davi, “o rei ideal”, carismático por excelência. Davi era o mais novo dos oito filhos de Jessé. Jessé era descendente da tribo de Judá e bisneto de Boaz e Rute. Na juventude, Davi cuidava dos rebanhos da família. Como pastor dos rebanhos, Davi aprendeu a cuidar dos animais, inclusive contra os predadores (cf. 1Sm 17,37). Davi era o nome do maior rei de Israel e o ancestral humano do Senhor Jesus e era um dos personagens mais importantes de todo o AT, junto a Abrão e Moisés (cf. Mt 1,1-17: genealogia). Sua história, suas realizações e seus problemas receberam um tratamento extensivo de 1Sm 16 a 2Rs 1 e em 1Crônicos 2 a 9. Davi era notável, tanto por seu amor a Deus como por sua aparência física (1Sm 16,12).
O que mais se destaca é que, independentemente da intervenção que os homens e as circunstâncias tiveram, Davi foi uma escolha feita por Deus para ser guia de seu povo. Como o Salmo Responsosrial (Sl 88) de hoje diz: Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor, e o ungi, para ser rei, com meu óleo consagrado. Estará sempre com ele a minha mão onipotente e meu braço poderoso há de ser a sua força”. O fracasso de Saul é interpretado como castigo de Deus pela sua desobediência. O sucesso de David, como um presente gratuito de Deus.
“Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei. Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”, disse Deus a Samuel.
A simpática cena de Samuel em casa de Jessé para saber de Deus qual seria o futuro rei entre os filhos de Jessé nos dá a entender que os caminhos de Deus não são como os nossos (Cf. Is 55,8).
Todos tinham apostado em irmãos mais velhos, mais fortes e experientes. Ninguém contava com Davi. Seu pai Jessé quase se esqueceu que Davi existisse. Eles começariam a comer sem ele. Mas Samuel espera que chegue o mais jovem entre os filhos de Jessé, o menino Davi, e o unge por ordem de Deus e “a partir daquele dia, o Espírito do Senhor se apoderou de Davi”.
Muitas vezes nós julgamos alguém por aparências, por valores externos. O mundo de hoje aplaude em seus concursos, em seus campeonatos e em seus meios de comunicação, os mais fortes, os sãos, os que têm êxito. Mas Deus aplaude outros valores. Nada se vê em Davi uma pessoa forte, mas Deus vê seu coração.
A sabedoria de Deus dita a Samuel continua valendo para todas as pessoas e todos os lugares e tempos: “Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei. Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”.
O coração é o centro de nosso ser, a fonte de nossa personalidade, o motivo principal de nossas atitudes e escolhas, o lugar da misteriosa ação de Deus. O coração representa o ser humano em sua totalidade; é o centro original da pessoa humana, aquilo que lhe dá a unidade. Ter coração equivale para o homem antigo a ser uma personalidade íntegra.
Se vivermos a partir do coração puro, seguramente levaremos a vida de honestidade cheio de amor fraterno, e pararemos do pôr nossas ilusões e confiança em ídolos humanos e em instituições efêmeras que só sabem explorar a vida do mais humilde e inocente. Pela aparência, Davi é pequeno. Mas Deus usa outros critério: Ele escolhe os meios mais pobres e as pessoas mais débeis e humildes, segundo o critério do mundo, capazes de fazer grandes coisas. Como disse a Mãe do Senhor, Maria: “O Senhor olhou para a pequenez de sua serva e fez em mim maravilhas” (Lc 1,46-49).
A Vida e a Salvação Do Homem São Sagradas e Estão Acima De Qualquer Por Sagrada que apreça Ser
A controvérsiaentre Jesus e os fariseuscontinua. No diaanteriora controvérsiaerasobre o jejum. Hoje a discussãoou a controvérsiaestá emtornodo Sábado e suaobservação.
O sábadoeraumdos principaismandamentospara os judeus.  A finalidadede suaobservaçãoera, inicialmente, para o descansohumanoparacelebrar a libertaçãohumana (Dt 5,12-15). Na linha sacerdotal (cf. Ex 20,8-11) a finalidade do sábadoeraparaimitar o repousode Deus ao findar-se a obra da Criação. O sábado tornou-se comodiaparaser dedicado a Deus e ao culto. A partirdo exílio na Babilônia a valorização do sábado se tornou exagerada. Observaro sábadoentreos pagãos, duranteo exílio, eraumsinalda identidadeisraelita. Eratãoimportantecomotodos os mandamentosjuntos. Todotrabalhoeraproibido (234 atividadesproibidas).  Transgrediro sábado podia levaro acusado à condenação dependendo da gravidade do atoaté a penade morte (cf. Ex 31,12-17; 35,1-3). O sábado se tornou, então, algo pesado parao povo. A instituiçãodo sábadoquetinhacomofinalidadeasseguraro homem o tempode repousonecessáriopara a realizaçãoda vida foi esquecida.
Os discípulosde Jesus arrancavam espigasdurante o caminhocom Jesus. Tirarespigaserauma das trinta e noveformas de violar o sábado, segundoas interpretações exageradas que algumas escolasdos fariseus faziam da lei na época. Porisso, os fariseus se escandalizam quandopercebem que os discípulosde Jesus arrancam as espigasparamatar a fome no dia de sábado. “Quemnão sabe julgar o que merece créditoe o que merece seresquecido presta atenção ao quenão tem importância e se esquece do essencial” (Buda).
Diante dessa crítica Jesus aplica umprincípiofundamentalpara todas as leis: “O Sábado foi feitopara o homeme não o homempara o Sábado”.
O homemestá sempre no centroda doutrina de Jesus. Jesus olhapara a necessidaderealdo homem e se oferece comosolução. Emnome do serhumano nas suasnecessidadesbásicas, principalmentequando se tratade salvarouproteger a vida, Jesus é capaz de “transgredir” a Leiporsagradaqueela pareça ser. Porcausa de mim, serhumano, Deusaceitou se encarnaremJesus paramedizerquenão estou sozinhona minhalutapelavidadigna. Deusquervidaemabundânciaparatodos(Jo 10,10). Para Jesus, o serhumano é maissagrado do quequalquerlei. Suapreocupaçãoé fazer o bempara o homem, mesmo no dia de Sábado. A leido Sábado foi dadaprecisamente a favorda liberdade, do beme da alegria do homem(Dt 5,12-15).
Por isso, o espírito da leideve estarsempreao serviço de Deuspara glorificá-Lo, e ao serviçodo serhumanopara dignificá-lo. A glóriade Deus é a vidae a felicidade de seusfilhos, os sereshumanos. ParaJesus, as leisaindaque sejam sagradas, nãopodem estarporcima da vida, das necessidadesvitais, da felicidade, da plenarealização dos sereshumanos. Porisso Jesus tem coragemde afirmar: “O Sábadofoi feitoparao homem e nãoo homemparao Sábado”.
Nós quecremos emCristodevemos saberdarculto a Deusmanifestando-Lhe, assim, nossoamor, masnão podemos deixar de amarnossopróximo ajudando-lhe a remediarsuasnecessidades. Se nãoo nossocultoe nossoamora Deus seriam inúteis e hipócritas.
A fidelidadeàs tradições religiosas deve favorecer ao direitoà vida. As tradiçõesreligiosas, quenãoapóiam o direito à vida, perdem suarazãode existir. Para Jesus a finalidade de qualquerleireligiosadeve ajudar o serhumano a ter uma verdadeira experiência de encontrocom a vontade de Deusresumida no mandamento do amorfraterno. Praticar as leisreligiosas semlevaremconta o respeitopelavida seria inútil. Jesus é o Senhor do Sábado. Se o Sábado devia significar“libertação”, Jesus é o Senhorda libertação. Se o Sábadodevia significar “santificação”, Jesus é o Senhor da santidadee da santificação. Uma libertaçãosemJesus será opressão reeditada de outromodo. Uma santificaçãosemJesus será egoísmo, orgulhoouvaidade, editados de outrosmodos.
Não podemos viversemleis, normasouregrasquenos ajudem a dirigirougovernarnossavida. A liberdadesempre supõe a existênciade regras. Da nossaprópriacasa(família) atéas ultimas instituições necessitam de leis, normasouregras. Masaquelesquesãoencarregados da aplicaçãodessas devem tersempreemconta o “espírito” queas inspirou e queemultima instância é o bemdos indivíduos e da comunidade.
A leié boa e necessária. A lei é, na verdade, o caminhoparalevarà prática do mandamentodo amor. Somentea lei do amorrompe fronteiras, divisões, prejuízos e escravidões. Porissomesmo, a leinão pode serabsolutizada. O Sábado, paranós o domingo, está pensado para o bemdo homem. É umdiaemquenosencontramos comDeus, com a comunidade, com a naturezae comnósmesmos. O descansoé umgestoproféticoquenos faz bem a todosparafugirouescapar da escravidãodo trabalhoouda carreiraconsumista. O dia do Senhoré tambémdiado homem, coma Eucaristiacomomomento privilegiado.
“O sagradodo sábado” comenta o rabinoNilton Bonder, “não é o descansoemsi, mas o ritmomágico do trabalho ao descansoe ao trabalhonovamente. É essa entrada e saídaque é sagrada. (…) Sem as pausashá apenasilusão; sem os silêncioshá apenasilusãoda música; sema luz-transparência há apenasilusão da cor” (cf. Código PenalCeleste).
A partir do ensinamento de Jesus no evangelhodeste dia precisamos nosperguntar: “Não somos, às vezes, demasiados legalistas? Não julgamos nossosirmãosquandocremos quenãocumprem as leisouas regras, sejam as leishumanas, as leis da Igrejaou as leisconsideradas como divinas? Se para Jesus o homemestá sempre no centrode seuensinamento, será que colocamos o serhumanocomocentro de nossas atividadesdiárias e pastorais?”. A denúncia da escravidãoao sábadonosconvida a nos libertarmos da religião da observânciaformal e segui-la peloscaminhos do amorlibertador. Quandoas coisasmateriaisourituaismandam, e não a leido amor, o homemse faz escravo. Somentea lei do amorrompe fronteiras, divisões, prejuízos e escravidões.
P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-01-10 01:28:00

15/01/2018
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O MELHOR JEJUM É FAZER A VONTADE DE DEUS
Segunda-Feirada II SemanaComum

Primeira Leitura: 1Sm 15,16-23

Naqueles dias, 16 Samuel disse a Saul: “Basta! Deixa-me dizer-te o que o Senhor me revelou esta noite”. Saul disse: “Fala!” 17 Então Samuel começou: “Por menor que sejas aos teus próprios olhos, acaso não és o chefe das tribos de Israel? O Senhor ungiu-te rei sobre Israel 18 e te enviou em expedição, com a ordem de eliminar os amalecitas, esses malfeitores, combatendo até que fossem exterminados. 19 Por que não ouviste a voz do Senhor, e te precipitaste sobre os despojos e fizeste o que desagrada ao Senhor?” 20 Saul respondeu a Samuel: “Mas eu obedeci ao Senhor! Realizei a expedição a que ele me enviou. Trouxe Agag, rei de Amalec, para cá, e exterminei os amalecitas. 21 Quanto aos despojos, o povo reteve, das ovelhas e dos bois, o melhor do que devia ser eliminado para sacrificar ao Senhor teu Deus em Guilgal”. 22 Mas Samuel replicou: “O Senhor quer holocaustos e sacrifícios, ou quer a obediência à sua palavra? A obediência vale mais que o sacrifício, a docilidade mais que oferecer gordura de carneiros. 23 A rebelião é um verdadeiro pecado de magia, um crime de idolatria, uma obstinação. Assim, porque rejeitaste a palavra do Senhor, ele te rejeitou: tu não és mais rei”.

Evangelho: Mc 2,18-22

Naquele tempo, 18os discípulos de João Batistae os fariseus estavam jejuando. Então, vieram dizer a Jesus: “Porqueos discípulos de João e os discípulos dos fariseusjejuam, e os teusdiscípulosnão jejuam?” 19Jesus respondeu: “Os convidados de umcasamento poderiam, poracaso, fazerjejum, enquanto o noivo está comeles? Enquanto o noivo está comeles, os convidadosnãopodem jejuar. 20Mas vai chegar o tempoemque o noivo será tirado do meio deles; aí, então, elesvãojejuar. 21Ninguémpõe umremendode panonovonuma roupavelha; porque o remendonovo repuxa o panovelho e o rasgão fica maiorainda. 22Ninguémpõe vinhonovoemodresvelhos; porqueo vinhonovoarrebenta os odresvelhose o vinho e os odresse perdem. Porisso, vinhonovoemodresnovos”.
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Entre Os Costumes Humanos e a Vontade de Deus
Mais de uma semana temos acompanhado a leitura do livro de Samuel. O texto da Primeira Leitura de hoje nos apresenta a ambiguidade profunda dos comportamentos e dos princípios morais. O essencial é descobrir suas profundas significações. 
Na época de Saul um princípio moral reconhecido por todos os povos é o seguinte: terminada uma guerra santa, o povo vencedor jurava o extermínio total do povo vencido: homens, mulheres, crianças e os bens conquistatados. Isto era considerado como uma homenagem a Deus, Doador da vitória.
É claro que tais princípios nos horrorizam. Além disso, o que mais nos surpreende é que Deus dá a impressão de “seguir” esse costume dos homens. É como se Ele reconhecesse a regra moral que a consciência humana elaborou num momento dado de sua evoluição.
É verdade que Saul não exterminou totalmente os amalecitas, pessoas e bens, mas por causa da fraqueza ou simplesmente porque ele não viu a necessidade de ser tão cruel, ele permitiu que seus soldados tomassem parte dos despojos, presumivelmente para oferecê-los em sacrifício a Deus. Agora, não pensamos que o comportamento de Saul seja ruim, aplicando de forma flexível uma lei tão sangrenta.
Mas profeta Samuel reprova o comportamento do rei Saul. Samuel disse a Saul: “O Senhor quer holocaustos e sacrifícios, ou quer a obediência à sua palavra? A obediência vale mais que o sacrifício, a docilidade mais que oferecer gordura de carneiros”. O profeta Samuel concluiu: “Assim, porque rejeitaste a palavra do Senhor, ele te rejeitou: tu não és mais rei”.
Talvez seja uma maneira para o autor do livro interpretar a história, dando uma certa justificativa religiosa ao fracasso de Saul: ele não conseguiu porque não agiu de acordo com a vontade de Deus. Saul não falhou porque Deus o abandonou, mas porque primeiro ele abandonou Deus. O que deve ser considerado como uma lição para os reis seguintes ou futuros.
Aqueles que persistem em seu mau caminho, que querem justificar sua maldade e não o se arrependem, serão rejeitados por Deus. Não nos esqueçamos que somos pó, inclinados ao mal desde a nossa adolescência. Se estivermos em comunhão com Deus, seremos objetos da misericórdia divina apesar de nossos pecados e da presença de seu Espírito em nós para que, a partir de então, não sejamos mais dominados pela maldade e sim que vivamos na liberdade de filhos e filhas de Deus.
Segundo o profeta Samuel, o que conta é fazer a “vontade de Deus”: “A obediência vale mais que o sacrifício, a docilidade mais que oferecer gordura de carneiros”. Obedecer a Deus é mais importante do que oferecer um culto. Isto é sempre atual. Na ambiguidade das evoluições morais (o bem e o mal estão cada vez mais mesclados) é preciso ir ao essencial: a busca constante da vontade de Deus que consiste no maior mandamento do Senhor: o amor fraterno que expressa o amor a Deus.
A tese que é defendida aqui é repetida muitas vezes pelos profetas: o que conta diante de Deus é a obediência, o sacrifício interior e pessoal e não a oferta de sacrifícios materiais.
Jesus repetiu frases semelhantes: “Eu quero a misericórdia e não o sacrifício” (Mt 9,13; Os 6,6). Seguindo todos os profetas, Jesus insistiu várias vezes sobre a necessidade de “interiorizar” a lei e o culto, isto é, entender o espírito da lei.
Saul, com seus defeitos: insegurança, desconfiança, depressão, fraqueza, poderia ter sido um rei melhor se alguém o ajudasse. Muitas pessoas que estão do nosso lado ou ao nosso redor, poderiam ter um pouco mais de sucesso na vida se nós soubéssemos ajuda-las e se não estivéssemos sempre prontos para criticá-las, e sim para compreendê-las e ajudá-las. A ajuda fraterna é sempre decisiva para crescimento e sucesso de qualquer ser humano.
A obediência vale mais que o sacrifício, a docilidade mais que oferecer gordura de carneiros”, disse Samuel a Saul. É um pensamento digno de ser meditado. Sejam também nossa preferência diante de Deus: a vida vale mais que palavras; a obediência vale mais do que sacrifícios; compromisso de amor e serviço valem mais do que ritos oficiais; sinceridade e fidelidade valem mais do que aparências de bondade.
JejumNa Vida Do PovoEleito
Na semanapassada acompanhamos o começo da pregaçãoe da ação de Jesus. Jesus escolheu cincoprimeirosdiscípulos. Na suaação, Jesus impôs silêncioaos que reconheciam comoFilho de Deus.
Esta semana, encontraremos Jesus e seusdiscípulosqueformam umgrupoabsolutamentesolidárioe unido diante de seusadversários (fariseuse escribas etc.).
Observaremos que, emcadacontrovérsia, Jesus semprese apresenta comoumindependentediantedas regras e das observânciaslegaisconformeas tradições. A independênciade Jesus choca os queestão apegados ao pé da letra todas as leise as tradições. Jesus entra no espírito da lei, naquilo que possa edificaro serhumano. Porisso, emoutraocasiãoelediz: “O sábado existe parao homem e nãoo contrário”. No evangelhode hojeelefaz uma declaraçãoquetem o mesmoconteúdo: “Ninguém põe o vinhonovoemodresvelhos”.
O temada discussãoentreJesus e os fariseu no evangelho de hojeé o do jejum. Jejum fazia partedas praticas maisimportantesda piedadejudaicae eraumdos maisfortessímbolos de integraçãono sistemasocial(cf. Lc 18,11-12). E, porisso, marcava a separaçãoentre “justos” e “pecadores”. Erasímboloreligioso, ideológico da divisãosocialfundamental. O jejumeracomosinaldistintivo.
Além disso, o jejumeraassociado à oraçãoe à esmola, e caracterizava a pessoapiedosa (cf. Mt 6,1-18).  A Leiestabelecia somenteumjejum, no diada Expiação, parapenitência e perdãodos pecados a fimde preparar-se ao encontrocomDeus, o únicoque pode perdoar o pecado (cf. Lv 16,29-34; 12,24; 23,27-32; Nm 29,7; At 27,9). Moisés jejuava durante 40 diase 40 noitesparaconseguirqueDeus perdoasse o pecadode seupovo(Dt 8,18). Depois surgiram muitosoutrosmotivosparajejuar(cf. 1Samuel 31,17; Zacarias 8,18; 2Rs 25,1-4; Ester 4,16; Judite 8,6 etc.). As pessoas piedosas adotavam jejunsfacultativosemsinalde penitênciapelasalvação de Israel e paraacelerara vinda do Messias. Os fariseus faziam o jejum duas vezesporsemana, na segunda e na quinta-feira(cf. Lc 18,12; Mt 6,16-18). Os discípulosde João conservam a prática do jejumcomo lemos no textodo evangelho de hoje.
De modogeral, a práticado jejum está ligada, no AT, à espera da vindado Messias. A prática do jejum aceleraria a chegadado Messias. Os fariseuse os discípulos de João Batista praticam o jejum. Porisso, questionam o comportamento dos discípulos de Jesus quenão o praticam.
A respostade Jesus aqui é bemclara: se seusdiscípulosnãopraticam o jejum é porquenão tem nadaqueesperarporque o Messiasjá chegou e está comeles. O tempochegou, o Reino de Deusestá próximo (Mc 1,15), o banquetemessiânico começou. O tempo de Jesus é comparado a uma festa de bodas. É umtempo de festejar, semjejum. O “noivo” neste textodesigna claramente a Jesus. O que se esperava de Deusnosúltimostempos faz-se presenteno interior da históriaatravés da açãode Jesus. O momento escatológico se inicia no coração do tempohistórico, no tempo cronológico. O tempo cronológico e o tempoda graça (kairós) se fundem. Deusencarnadoem Jesus se aproxima e acolhe o povocarinhosamentecomoo marido faz parasuaesposa.
E os sinaissãoestes: os leprosos ficam purificados (Mc 1,40-45), os paralíticos andam (Mc 2,1-12), a Boa Nova se anuncia (Mt 11,5). Jesus é Aqueleque deve vir.  Os discípulosde Jesus estão vivendo esta intimidade. Esta intimidade será rompida no momento da paixãoe da morte de seuMestre. No diaemqueJesus deixar de estar, a comunidade cristã, atravésdo jejum, fará a memóriada morte de Cristo, anunciará ao mundoqueJesus morreu porcausados pecados dos homense pornossospecados.
Consequentemente “Ninguémpõe umremendode panonovonuma roupavelha; porque o remendonovo repuxa o panovelho e o rasgão fica maiorainda. Ninguém põe vinhonovoemodresvelhos; porque o vinhonovo arrebenta os odresvelhos e o vinhoe os odres se perdem. Porisso, vinhonovoemodresnovos”.  Isto significa quea plenitude do novonão é suportável ao velhosistema. É necessárioterumnovoespaçoparaacolher o novo. Renovar é colocaralgonovo no espaço adequado. O códigodum mundo de desenvolvimentoé a transformação e renovação.  Só o novo pode acolher a novidade. Jesus não teme afirmar, desde o iníciode suavidapública, a novidaderadical de suamensagem. O evangelhonão é um“remendo” e simé algonovo, poissalvaporamor e nãopelaobediênciacegaà lei.
JejumNa NossaVidaCotidiana
Estamos emoutrocontexto. Porisso, o jejumganhaseunovosignificado. Quandosoubermos daroupreparar o espaçoparaDeus na nossavida, esteespaçonão será ocupadoporoutracoisa. Ao darmos esseespaçoparaDeus o restoganhaseujustovalor e suajustaperspectiva. Porisso, ao praticarmos o jejum estamos manifestando nossavontade de nãodeixar nenhuma coisamaterialdominarnossavidaoumandar na nossavida. Podemos possuir as coisas, mas as coisasjamais podem nospossuirparanão perdermos nossaliberdade. Mesmonão querendo, umdia largaremos tudo. É precisoqueaprendamos a serlivrestodos os dias, desdejá.
Tanto cristã comohumanamenteo jejum faz bema todos. Fazerjejum significa saberrenunciar a algoe dá-lo aos demais, especialmentepara os necessitados; é sabercontrolar nossas apetências; é sabernosdefendercomliberdadeinteriordas contínuas urgências do mundo de consumismo. Jejuar é purificadore libertador. Jejuaré o caminho de libertaçãodas garras da ganância. É voltar a sermos comosomos, poisnãohá nadaquepossa impedirnossaliberdade de filhose filhas de Deus. Jejuarnão seria privar-se de tudo e simusar moderação emtudo, isto é, sersóbrios. Jejum supõe umgrandedomíniode si, de disciplinade olhos, de mentee da imaginação. A faltade sobriedade é uma das causas pelas quaisse obscurecem e se debilitam as melhoresiniciativas e decisõesde umcristão. A sobriedade é certamenteuma garantia da capacidadede orar e de apreciar o EspíritoSanto. Com a renúnciaàs coisasCristonoschamaà alegria, a uma alegriaprofunda, nascidada paz da alma. Fazerjejum é renunciar a algopara dá-lo aos necessitados. O jejumcom uma dimensãode solidariedadenostira do egoísmo, da ganânciamortale nostirade uma vidavazia. Paradoxalmente a vidavazia é pesadaparaquem a tem.
P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-01-09 08:37:00

Domingo,14/01/2018
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PERMANECER COM JESUS PARA SER VERDADEIRAMENTE SUA TESTEMUNHA
II Domingodo TempoComumB


Primeira Leitura: 1Sm 3,3b-10.19
Naqueles dias, 3b Samuel estava dormindo no templo do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus. 4 Então o Senhor chamou: “Samuel, Samuel!” Ele respondeu: “Estou aqui”. 5 E correu para junto de Eli e disse: “Tu me chamaste, aqui estou”. Eli respondeu: “Eu não te chamei. Volta a dormir!” E ele foi deitar-se. 6 O Senhor chamou de novo: “Samuel, Samuel!” E Samuel levantou-se, foi ter com Eli e disse: “Tu me chamaste, aqui estou”. Ele respondeu: “Não te chamei, meu filho. Volta a dormir!” 7 Samuel ainda não conhecia o Senhor, pois, até então, a palavra do Senhor não se lhe tinha manifestado. 8 O Senhor chamou pela terceira vez: “Samuel, Samuel!” Ele levantou-se, foi para junto de Eli e disse: “Tu me chamaste, aqui estou”. Eli compreendeu que era o Senhor que estava chamando o menino. 9 Então disse a Samuel: “Volta a deitar-te e, se alguém te chamar, responderás: ‘Senhor, fala, que teu servo escuta!’” E Samuel voltou ao seu lugar para dormir. 10 O Senhor veio, pôs-se junto dele e chamou-o como das outras vezes: “Samuel! Samuel!” E ele respondeu: “Fala, que teu servo escuta”. 19 Samuel crescia, e o Senhor estava com ele. E não deixava cair por terra nenhuma de suas palavras.
Segunda Leitura: 1Cor 6,13c-15a.17-20
 
Irmãos: 13cO corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor, e o Senhor é para o corpo; 14e Deus, que ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará também a nós, pelo seu poder. 15aPorventura ignorais que vossos corpos são membros de Cristo? 17Quem adere ao Senhor torna-se com ele um só espírito. 18Fugi da imoralidade. Em geral, qualquer pecado que uma pessoa venha a cometer fica fora do seu corpo. Mas o fornicador peca contra o seu próprio corpo. 19Ou ignorais que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que mora em vós e que vos é dado por Deus? E, portanto, ignorais também que vós não pertenceis a vós mesmos? 20De fato, fostes comprados, e por preço muito alto. Então, glorificai a Deus com o vosso corpo.
Evangelho: Jo 1,35-42
Naquele tempo, 35João estava de novocomdois de seusdiscípulos36e, vendo Jesus passar, disse: “Eis o Cordeirode Deus!”37Ouvindo essas palavras, os doisdiscípulos seguiram Jesus. 38Voltando-se paraeles e vendo que o estavam seguindo, Jesus perguntou: “O que estais procurando?” Elesdisseram: “Rabi (o quequerdizer: Mestre), ondemoras?” Jesus respondeu: “Vinde ver”. Foram, pois, verondeele morava e, nesse dia, permaneceram comele. Eraporvolta das quatroda tarde.40André, irmão de Simão Pedro, eraum dos doisque ouviram a palavrade João e seguiram Jesus. 41Elefoi encontrarprimeiroseuirmão Simão e lhe disse: “Encontramos o Messias” (quequerdizer: Cristo). 42EntãoAndré conduziu Simão a Jesus. Jesus olhou bemparaele e disse: “Tu és Simão, filhode João; tu serás chamado Cefas” (quequerdizer: Pedra).
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O textodo Evangelho deste domingotirado do quartoEvangelhose encontra na unidadeliterária de Jo 1,35-51 que relata a vocaçãodos primeirosdiscípulosde Jesus. Se compararmos com a vocação dos primeirosdiscípulos na versãodos Evangelhos sinóticos (Mt 4,18-22; Mc 1,16-20;Lc 5,1-11) percebemos a diferençacom a mesmana versão do quartoEvangelho. Nãofaremos umestudode comparação textual. Refletiremos apenassobre o própriotexto de João.
O textopodemos dividiremtrêspartes: os vv.35-39 falam do encontro de doisdiscípulos de João BatistacomJesus; os vv.40-42: o encontrocom Simão Pedro; e porfim, o encontrocom Filipe e Natanael (vv.43-51).
1. EIS O CORDEIRO DE DEUS
Neste textoJoão Batista é apresentado como uma figuraestática. Está no mesmolugar do diaanterior (v.35: “…estava lá de novo”). Isto significa queele permanece no seupostoenquantodurasuamissão o que indica a fidelidade, compromissoe responsabilidade. Sóse retiraquandocomeça a missãode Jesus. Jesus é, pelocontrário, apresentado emmovimento. Não se sabe de ondevem nem é ditoparaondevai. Mas João Batista, que sabe da origemde Jesus, volta a olhá-lo e repete seutestemunho: “Eis o Cordeiro de Deus” (vv.29.36). “O Cordeirode Deus” é umdos 16 títulos cristológicos de Jesus no primeirocapítulodo quartoEvangelho. Cadaumdesses títulos dá umacesso ao mistériode Jesus através de uma ótica. Essestantostítulosnos querem dizerque a riqueza de Jesus Cristo é inesgotável. Temos uma impressãoquasecerta de queo autor do quartoEvangelho escreveu o primeirocapítulo do seuevangelhoporúltimo, pois escreve logo o que vem a ser. Comoquem escreve uma teseoulivro, a introdução se escreve sempreporúltimo.
O próprio Jesus sabe de onde vem e paraonde vai (Jo 8,14), o que fará (Jo 6,6), o quelhe acontecerá (Jo 18,4), quando chegará e quandonão chegará aindasuahora(Jo 2,4;13,1;17,1), que conhece os pensamentos e o futurodos homens (Jo 1,42.47.48), quenãonecessita das informações dadas peloshomens, pois conhece o que há no homem (Jo 2,25;cf. 4,17-19.29;6,61.64.71;13,11.27;16,30;18,4).
João Batista“fixa o olharem Jesus” ao dizer“Eiso Cordeiro de Deus”. Saberolhar faz parte da fé. O olhar do coraçãoou o olhar da fé ultrapassa a realidadesensívelemquepenetra. O olharsuperficial, ao contrário, jamaisenxerga alguém, poiselesomentequer se olhar. Quem se olharsomenteparasi, jamais perceberá a presençado outronema de Deus. O olharsuperficial reflete, na verdade, a nossapobrezaespiritual.
João BatistaquevêJesus que vem nãoguardaparasicomopropriedadeprivada o que viu. Elequerque os outros vejam o queelevê. Ele indica aos outroso Messias e aceita desaparecer, pois João Batistaé apenas uma “voz” quepreparao caminho do Messias(Jo 1,23). “Essa é a minhaalegria e ela é completa. É necessárioqueele cresça e eu diminua” (Jo 3,29-30), afirma João Batistacomtoda a humildadee com a plenaconsciência.
A frase“Eis o Cordeirode Deus” sópode ser compreendida se for contemplada   a partir da fépascal (cf. Ex 12,13; Is 53,7). “Cordeiro de Deus” refere-se à morte de Jesus pelospecadosdo mundo. Jesus, comoo Servo (Is 53,7; At 8,32), carrega sobresi o pecado de todosnós (humanidade). A partir dessa visãoinicial de Jesus Cristo, podemos ver o significadode toda a suavida. Eleé o Cordeiropascalque, entregando-se voluntariamente à morteportodos e cadaum dos homensinstitui a NovaAliançade Deuscoma humanidade. Ao tiraro pecado do mundoJesus une novamente o céu e terra. Se o pecadofecha o céu, o perdãotrazido peloCordeiro de Deus abre novamenteo céu fechado atéentão.
Toda vezque participamos da Eucaristiaouvimos ou contemplamos a frase de João Batista: “Eis o Cordeirode Deusquetira o pecadodo mundo”. Quemcomunga o Cordeiro de Deusdeve estarconscienteda missão de se identificarcom o Cordeiroque se doa poramorparasalvar os irmãos. Quando a missa(a palavra “missa” paradesignar a celebração eucarística entreos fiéis encontramos pelaprimeiraveznosescritos de Santo Ambrósio de Milão) era celebrada emlatim ouvia-se esta frase, certamente, no fimda mesma: “Ite, missaest!”, “Ide, sois enviados!”. Enfatiza-se, assim, o compromisso de cadaparticipante comoenviadode Deus ao sairda igrejaoutemplodepoisque comungou o Cordeirode Deus.
O testemunhode João sobre Jesus comoo Cordeiro de Deus, é umconvitevelado ao seguimento de Jesus. A expressão “seguir Jesus” é repetida trêsvezesno relato (vv.37.38.40). “Seguir” literalmente significa “iratrás de alguém, pisando nas suas pecadas”. “Seguir Jesus” significa rompercomtodo o passado, abandonartudo (Mt 4,18-22), submetendo-se comfé e obediênciaà salvação oferecida emCristo (Mt 19,16-30); é unir-se comCristo numa comunhãode vida e de destino, modelar-se segundo o seuexemplo (cf. 1Ts 1,6;1Cor 11,1; Rm 15,7;Fl 2,2-8 etc…). No Evangelho de João “seguir Jesus” significa aceitarsuadoutrina(ensinamentos), entregar-se incondicionalmente à suapessoa, colaborar na suamissão e partilhar do seudestino, que inclui a morte e a glorificação” (Jo 12,26;14,3;17,24).
A partir desse significado, será queeu e vocêpodemos nosconsiderarseguidores(as) de Jesus Cristo?
2. O QUE ESTAIS BUSCANDO? (A busca do essencial)
O testemunhode João Batista provoca uma inversão no rumoda vida dos seusdoisdiscípulos. Eles começam a seguirJesus. “Seguir” Jesus é uma maneirabíblica de dizer “tornar-se discípulo”; e Jesus será chamado de Rabbi, Mestre(v.38). Ao perceberqueos dois estão O seguindo, Jesus os interroga: “O queestais buscando?”. É interessante comparar a pergunta de Jesus queaqui no iníciodo Evangelho de João é feitapara os doisdiscípulos (Jo 1,38) coma mesmaperguntafeitaporJesus no fim do mesmoEvangelhoparaMaria Madalena (Jo 20,15). Mas existe a diferença. No iníciodo caminho Jesus pergunta: “O queestais buscando”, ao passoque no fim de todo o caminhoa pergunta de Jesus é: “A quem estais buscando” . Comisso, Jesus quer sublinhar que a salvação é uma pessoa (a quem) e não uma coisa(o que) e que essa pessoa está sempre ao nossolado, poisela é Emanuel, Deusconosco (Mt 1,23;18,20;28,20). Essa pessoa chama-se Jesus Cristo, Aquelequesalva.
“O queestais buscando/procurando?” são as primeiras palavras de Jesus no quartoEvangelho. A perguntafeitapor Jesus aos doisprimeirosdiscípulosque começam a segui-lo é dirigida pessoalmente a cadaum de nós. O que estamos procurando na curtavidaneste mundo? Quesentido tem nossavida? Quesentidonósdamos à nossavida? Paraonde a vida vai noslevar? O quebuscamos, essencialmente, emtudoque fizermos, falarmos, comentarmos, projetarmos, planejarmos? Jesus quersabero quemaisbuscamos emnossavida. É uma perguntaao mesmotempoexistencial e essencial. Jesus provoca os seusprimeirosdiscípulos a respeitode suabuscafundamental, aquela buscaque vai darsentido à suavida. Ela é dirigida a pessoasqueestão embusca, que andam inquietas, que se interrogam sobreo essencial nesta vida. No fundo, todosnós estamos sempreembuscade algomaise porissosempre insatisfeitos. Conscienteouconscientemente somos todosgarimpeiros à procurado diamante da felicidade, andarilhos à procurada pérolapreciosa, pelaqualestamos dispostos a vender, comalegria, tudo o quepossuímos (cf. Mt 13,44.46). Jesus conhece nossosdesejosmaisprofundos e sabe muitomelhor das nossas necessidadesfundamentaismaisdo quenósmesmos sabemos. Quandonos interpela coma perguntaessencial, “o que estais procurando?”, é para obrigar-nos a expressarsuaresposta. Jesus querqueseusseguidoresexplicitem, diante dele, os motivos da suabusca e do seuseguimento. Esta explicitação é necessáriaporque as motivações nossas podem ser equivocadas, precipitadas, semmotivosprofundos, imaturas ou ilusórias.
Se neste momentoJesus lheperguntar: “O que estais procurando e porque?” Qual será suaresposta?
3. MESTRE, ONDEMORAS?(Pergunta essencial é respondida comperguntaessencial)
A pergunta, que Jesus faz aos primeirosdiscípulos é tãoexistencial e essencial, faz os doisnão darem conta de respondê-la. Emvez disso, elesrespondem comoutrapergunta. Quandoos doisdiscípulosrespondem à pergunta de Jesus comoutrapergunta,” Mestre, ondemoras”, nãoestão dando uma respostaevasiva. A resposta à perguntaessencial e existencial feitapor Jesus sobrenósmesmos, só pode ser a perguntaessenciale existencial feitaporcadaumde nóssobreJesus Cristo. Sórespondendo à pergunta de Jesus, podemos encontrar o quebuscamos, o sentidoúltimoe pleno da própriavida, assimcomo os caminhos, os meios e os modosde viveressesentido, no encontrocom Jesus, encontrando a Jesus que é o Caminho, a Verdade e a Vida(Jo 14,6).
O queo discípuloquersaber é ondeJesus mora. A partirdo verbo “menein” (permanecer/morar) a pergunta se refere à vidade Jesus, ao seumodode existir, ao mistériode suapessoa.  E acabará sabendo queo seu “lugar” está ondeseuPai e nossoPai está (Jo 14,1-6); que a morada de Jesus e nossamoradaé o Amor do Pai. Não é poracasoqueo verbo “morar” é repetido trêsvezesseguidas: “Ondemoras”, “eles foram e viram ondemorava e permaneceram (de-moraram). A repetiçãoaponta para a intimidadecom Jesus Cristo, para o conhecimentomaisprofundodo mistério de Jesus; sobretudopara o temada comunhãopermanentecomele, que será umdos temasdominantesdo Evangelho de João.
4. VINDE E VEREIS e eles FORAM,VIRAM e PERMANECERAM
A respostade Jesus à pergunta dos doisdiscípulos é todoumprojetode vida: “Vinde e vereis”. Não é uma ordem. É umconviteconciso, diretoque vai ao essencial, masquerespeita a liberdadee o ritmo do itineráriode cadaum. A busca de Deusé umandaremliberdade. “Vinde e vereis” é o começo de uma chamada, cujas conseqüênciassãosimplesmenteimprevisíveis, poisescondidos no mistério do amorde Deusporse revelar. “Verondeelemora” é o inícioda divinaaventuraque exige-se de cadaseguidor uma féfirme, confiando totalmentenaquele que está na frente. “Vinde e vereis” é umconviteparafazer a experiênciapessoale o respectivo engajamento. A intençãode seguir a Jesus e a adesãopelaféé uma decisãobempessoal, livree voluntário.
Para tornar-se discípulo de Jesus sãonecessárias duas condições: a primeira, ir ao seuencontro; e a segunda, “ver” no sentido de fazera experiênciapessoaldo encontrocomo Senhor, de permanecercomele, de conviverlongamentecomeleparaconhecer a fundosuapessoa e suamissão, atravésde umdiálogocomtempoe espaçoparatodas as perguntas.
Por isso, tornar-se discípulo de Jesus não consiste emestudarsuadoutrina, emaderir ao conteúdo de uma tradiçãoformalmenterecebida ou a umsistema de verdadesquedêsegurança e dispense a buscapermanente. Nãoé possívelconhecerJesus teoricamente ou estaticamente. Só é possívelconhecê-lo convivendo comele, através de uma experiência de comunhãoe de compromissoquedesinstalam.
Por isso, a vida e o itineráriode Jesus Cristonãosãoparaespectadores, masparaatoresdispostos a tomarcontinuamente decisõesnovas ao longodo caminho, a partirda opçãofundamentalde segui-lo. Paraconhecer“seuamore suaverdade” é necessárioacamparondeeleacampou e do jeitoqueele acampou (1,14.17).


“O queestais procurando? A Quem estais procurando?” É Cristoque estamos procurando, “pois temos tudoemCristo. Quetodaalmachegue a ele, seja a que está doente dos pecados do corpo, seja a que foi viradapelospregosde algumdesejodeste século, seja aindaa imperfeita, contantoque progrida numa meditaçãoperseverante, seja a perfeitaem múltiplas virtudes: estas todas dizem respeito ao poder do Senhor, e Cristo é tudoparanós. Se querescurar tua ferida, ele é médico; se queimasde febre, eleé a fonte; se és acusado de iniqüidade, ele é a justiça; se necessitas de socorro, ele é a fortaleza; se temes a morte, eleé a vida; se desejas o céu, ele é o caminhoparalá; se foges das trevas, ele é a luz; se procurassustento, ele é o alimento. ‘Provai e vede comoeleé bom. Felizo homemquetem nele o seurefúgio!’(Sl 34,9)”( Santo Ambrósio de Milão, + 397).
5. SER TESTEMUNHA (Discípulo- missionário)
A experiênciada convivênciacomJesus é irradiante, contagiosa. Ela faz deslancharummovimentoquenuncatermina. O testemunho dos encontroscomJesus põe emmovimentotodos os personagens.  Os verbosusados indicam o movimento: “seguir”, “voltar-se”, “ir”, “vir”, “partir”.
Por isso, o critérioparasaber se o encontrocom Jesus foi ounãoautênticobastaverificarse ao encontro se seguiu ounão o testemunho. Quemfez experiência de encontrarJesus nãoguardaegoisticamente parasi, não pode calarsobre o queviu e ouviu, mas sente a necessidade de sairembusca de outras pessoasqueaindanãoo encontrara, para comunicá-lhes a própriaexperiênciae conduzi-las a Jesus, começando pelosmaispróximos. Foi exatamenteissoo que fizeram todosos convertidos, todos os que encontram Jesus oumelhor, foram encontrados por Jesus. Se depoisde havermos encontrado Jesus, não vamos ao encontro das pessoaspara levá-las a Jesus, é sinalde queaindanão o encontramos verdadeiramente.
No relato, Simão Pedro se deixaconduzir ao encontrocomJesus pelotestemunhodo irmão André. Simão Pedro é o primeirodiscípulo a quem Jesus dirige uma palavraúnica: “Tués Simão, filho de João; tu serás chamado Cefas” (v.42). “Kéfas” emaramaicosignifica rocha, rochedoque evoca solidez, segurança, estabilidade. Sobre esta rochaé que Jesus edificará a suaIgreja (cf. Mt 16,17-18). “Rocha” que dá solideze coesão à comunidadeedificada por Jesus.
Todos e cadaum dos que aceitam ir ao encontro de Jesus, levadosporaquelesquejáo encontraram, sãotambémolhados por Jesus comumolharsingular e contemplados compalavras dirigidas pessoalmentea eles. Emboranão seja tãoespecialcomoaconteceu com Simão Pedro.
Portanto, nossaúltimapergunta é esta: Você encontrou Jesus Cristo? Será quevocê, comoSimão Pedro, deixa-se conduzirpelosoutros ao encontro de Jesus? 
P. Vitus Gustama,SVD

É PRECISO CAMINHAR 2018-01-07 23:34:00

13/01/2018
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O SENHOR NOS CHAMA PARA NOS TRANSFORMAR E TRANSFORMAR OS OUTROS EM NOME DELE
Sábado da I Semana do Tempo Comum

Priemeira Leitura: 1Sm 9,1-4.17-19; 10,1a

9,1 Havia umhomemde Benjamin, chamado Cis, filho de Abiel, filho de Seror, filho de Becorat, filhode Afia, um benjaminita, homemforte e valente. 2 Eletinhaumfilho chamado Saul, de boa apresentação. Entre os filhosde Israel não havia outromelhor do queele: dos ombrosparacimasobressaía a todo o povo. 3 Ora, aconteceu quese perderam umas jumentas de Cis, pai de Saul. E Cis disse a seufilho Saul: “Tomacontigoumdos criados, põe-te a caminho e vai procurar as jumentas”. Eles atravessaram a montanha de Efraim 4 e a regiãode Salisa, masnãoas encontraram. Passaram tambémpelaregião de Salim, semencontrarnada; e, aindapelaterra de Benjamin, semresultadoalgum. 17 QuandoSamuel avistou Saul, o Senhorlhedisse: “Este é o homemde quemtefalei. Ele reinará sobreo meupovo”. 18 Saul aproximou-se de Samuel, na soleira da porta, e disse-lhe: “Peço-te quemeinformesonde é a casado vidente”. 19Samuel respondeu a Saul: “Sou eumesmoo vidente. Sobe na minhafrente ao santuárioda colina. Hojecomereis comigo, e amanhãde manhãtedeixarei partir, depoisde ter revelado tudoo que tens no coração”. 10,1ª Na manhãseguinte, Samuel tomou umpequenofrasco de azeite, derramou-o sobre a cabeçade Saul e beijou-o dizendo: “Comisto o Senhorte ungiu comochefe do seupovo, Israel. Tugovernarás o povo do Senhore o livrarás das mãos de seusinimigos, que estão ao seuredor”.

Evangelho: Mc 2,13-17

Naquele tempo, 13 Jesus saiu de novopara a beirado mar. Todaa multidão ia a seuencontro, e Jesus os ensinava. 14 Enquanto passava, Jesus viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me!” Levi se levantou e o seguiu. 15 E aconteceu que, estando à mesa na casa de Levi, muitoscobradoresde impostos e pecadorestambém estavam à mesacom Jesus e seusdiscípulos. Comefeito, eram muitosos que o seguiam. 16 Algunsdoutoresda Lei, queeram fariseus, viram que Jesus estava comendo compecadores e cobradoresde impostos. Entãoeles perguntaram aos discípulos: “Porqueelecome com os cobradoresde impostos e pecadores?” 17 Tendo ouvido, Jesus respondeu-lhes: “Nãosão as pessoas sadias queprecisam de médico, masas doentes. Eunão vim parachamarjustos, massimpecadores”.
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Todo Ungido Deve Se Deixar Guiar Pelo Espírito De Deus

O texto do livro de Samuel que lemos hoje na Primeira Leitura dá lugar à introdução da realeza na estrutura sociopolítico-religiosa do povo de Israel com a apresentação de uma figura humana: Saul (=pedido), um jovem bem forte que ganha prestígio nas lutas e obtém uma benção do alto para que seja ungido rei pela escolha de Deus.
Para designar unção como um rito religioso, o hebraico usa a palavra mašah, da qual vem mašiah = “messias, ungido” (grego christós). A unção se aplicava no AT a objetos, lugares e pessoas.
A unção real ocupa um lugar separado e muito principal. O rei em virtude da unção de azeite, que simboliza sua penetração pelo Espirito de Deus (1Sm 9,16; 10,1-10; 16,13) é consagrado para uma função que o torna representante ou tenente de Deus em Israel. Esta unção é um rito importante da coroação do rei. Assim se menciona o caso de Saul (1Sm 9,1-10; 10,1-10), de Davi (2Sm 2,4), de Salomão (1Rs 1,39) e também de outros reis descendentes (2Rs 11,12; 23,30). A unção real era aplicada por um homem de Deus, profeta ou sacerdote. Saul e Davi foram ungidos por Samuel (1Sm 10,1; 16,13), e Joás foi ungido pelo sacerdote Jojada (2Rs 11,12).
O sentido dessa unção real, como rito religioso, consistia em marcar com um sinal exterior que estes homens foram escolhidos por Deus para governar o povo em Seu nome. O rei era ungido de Deus (2Sm 19,22). Com a unção o rei passava a ser partícipe do Espírito de Deus, como se diz no caso de Davi: “Samuel tomou o corno de óleo e ungiu-o no meio dos seus irmãos. E, a partir daquele momento, o Espírito do Senhor apoderou-se de Davi. Samuel, porém, retomou o caminho de Ramá” (1Sm 16,13). O rei, pois, como “ungido de Deus”, era constituído em personagem sagrado a quem todo fiel devia manifestar um respeito religioso (1Sm 24,7.11; 26,9.11.16.23; 2Sm 1,14-16).
Samuel, apesar de sua resistência, porque ele se opõe ao pedido do povo, unge o primeiro rei de Israel, Saul. Nesse gesto de unção existe a conjunção do humano e o divino. A unção é o símbolo religioso para transmitir a uma pessoa a ajuda e força de Deus. A partir do momento em que o óleo (unção) penetra nos poros da pele da pessoa ungida, Deus quer dar sua fortaleza, seu Espírito aos que Ele escolheu para uma missão.
O jovem Saul, embora parecesse dotado de qualidades de líder (no texto se fala de sua estatura, superior aos demais homens) e prometia muito, no entanto, ele não era exatamente um grande rei, tampouco era uma grande pessoa. Ele estava cheio de complexos, ciúmes e depressões.  Seu sucessor, David, será muito mais famoso e decisivo.
A eleição de Saul por Deus para ser rei assim como qualquer vocação de Deus é um mistério. Deus escolhe pessoas fortes e pessoas débeis. Muitas vezes depende do temperamento e da atitude de abertura ou de fechamento dessas pessoas é que as pessoas escolhidas cumprem bem a missão que a elas é confiada.
Saul, por um lado, pertencia à tribu menor, a de Benjamin. Deus elege segundo critérios surpreendentes (por certo, esta tribu será também famosa por outro Saul, Saulo de Traso, São Paulo). Por outro lado, Saul era um bom rapaz, alto e parecia forte. Por sua estatura é que o povo parecia pedir em vista da luta contra os filisteus. Mas logo falhou, porque seu temperamento não o acompanhava nem ele se esforçou em ser fiel e tampouco os demais o ajudaram.
Deus continua chamando. Nas circunstancias familiares e sociais de cada época, Deus se serve de pequenos acontecimentos ou de palavras que parecem intrascendentes para semear sua vocação. Tudo depende de como nós mesmos respondemos a esta vocação e da ajuda dos outros para nos dirigir a palavra amiga capaz de reconhecermos a voz de Deus que nos chama. Mas sejam quais forem nossas forças e qualidades, quando Deus nos chama é porque Ele confia em nós. Deus é quem nos dá seu Espírito que nos unge para a missão.
Colocemos-nos nas mãos de Deus! Fiquemos sempre em sua presença, sabendo que Deus tem um plano de salvação para nós. Fiquemos abertos para reconhecer a vontade de Deus e viver de acordo com ela, para que Deus realize sua obra de salvação em nós e através de nós, pois a Igreja não pode inventar seus próprios caminhos, mas caminhe com um amor fiel no maravilhoso desígnio de Deus, que quer que todos conheçam e alcancem a salvação, especialmente, através da comunidade dos crentes.
O Senhor Nos Chama Para Ser Seu Discípulo Independentemente Da Circunstância Em Que Nos Encontramos
Ao perdoar os pecados do paralítico, no evangelho do diaanterior, (Mc 2,1-12) Jesus rompeu a distânciaentreo pecador e Deus. Masqueimplicação tem issona sociedade? Queexige da Igrejaquese diz portadora de perdão e de reconciliação entre os homens? (cf. Mt 16,19;18,18;Jo 20,22-23).
O textodo evangelho de hojefala da vocaçãode Levi. Levi é o quintodiscípulo de Jesus segundoo evangelho de Marcos (cf. Mc 1,16-20). Jesus se apresenta diante dele como o Senhorque ordena: “Segue-me!”. Aquihá novidade! Nãoé maispescadorque Jesus chama, mas é umcobrador de impostosparaserseudiscípulo, e porisso, é umpecadorpúblico (publicano) quepara a suaépoca, eramalvistopelapopulação. Levi é descrito comoumhomemque “estava sentado”. Masao ouvir a chamadade Jesus para segui-lo, Levi se levantou. A partir daquele dia, Jesus será quem dará sentidopara a vida de Levi. E Levi aprenderá de Jesus uma novaforma de vivercomsentido.
Olhando para Levi e para o comportamentode Jesus diante deste, cadaum de nós pode dizeremsilêncio ao Senhor: “Senhor, eu sou tambémumpecador. Obrigado, Senhor, pornãomejulgar, comonão julgou Levi. O Senhormeconhece e meamae porisso, nãomedespreza”.
Os escribase os fariseus, vendo o comportamento de Jesus, perguntaram aos discípulos de Jesus: “Porqueelecome com os cobradoresde impostos e pecadores?”. Fazerrefeiçãocom os demaiseraumreconhecimento da igualdadee da dignidade. Os cobradoresde impostos eram considerados ladrões do dinheiropublico, e porisso, eram excluídos e considerados impuros.  Os escribase os fariseus, puritanosfechados emsuaauto-suficiência e convencidos de serem os perfeitos, nãose relacionavam comestetipo de pessoasparanãocomprometersuapurezalegal.
Há aquiuma revelação de Deusquechamanossaatenção. Jesus não julga os quedele se aproximam; não faz diferençaentreos homens (cf. At 10,34-35). Não entra nas classificações habituaisda opinião de seutempo. Jesus é umhomem de idéiasamplas, umhomemtolerante e compreensivo, é umhomemmuitohumanoparacomtodos. Eleeratãohumano a ponto de se tornartãodivino. Paraserverdadeirocristãoo homem tem quesermuitohumanoprofundamente. Na profundavivênciada humanidade é quechegaremos à divindade. Paradoxalmente, o caminho da subidaatéDeuspassapelocaminho da descidaaté a nossahumanidade.
Diante da crítica dos escribase fariseus Jesus diz: “Não sãoas pessoas sadias queprecisam de médico, masas doentes. Eunão vim parachamarjustos, massimpecadores” (Mc 2,17).
A respostade Jesus é um dos melhoresretratos do amormisericordioso de Deus, manifestado emCristoJesus. Com uma liberdadeadmirável, Jesus vai peloseuprópriocaminho, anunciando a Boa Novaaos pobres, chamando os “pecadores” apesardas reações dos puritanosque afastam os outrose fazem isso, emnome de umsupostoDeusemquemacreditam. Jesus continua a salvar os débeis e os enfermos. Continua fazendo o bemapesar dos comentáriosnegativos a respeito. Jesus, emvezde se afastar dos “pecadores”, se aproxima deles. Elenão tem medo de sentar-se à mesacomaquelesquea sociedade considera comopessoasnão“certinhas”.
O evangelistaMarcosnosrelatou que, comofruto da aproximaçãotãohumanada parte de Jesus “Comefeito, eram muitosque o seguiam”. Esta frase tem umpesoporqueprepara uma melhorcompreensão de Mc 3,13-16. Aqui tomamos consciênciade que os queseguem a Jesus sintonizam seuatuarcom o do Mestre e tambémeles se aproxima dos pecadores. Estefatoerade grandeatualidadeno tempo da comunidadede Marcos (cf. Gl 2,11-14). Paraumcristão de origemjudaicanãoerafácilconvivercomquem havia sido conhecidoanteriormentecomoumpecadorpublico oucomquem provinha do mundopagão. Somenterecordando o comportamento de Jesus tudo se superava.
Nãosão as pessoassadias que precisam de médico, mas as doentes. Eunão vim parachamarjustos, massimpecadores”. Paratodosnósquenão somos santosestas palavras de Jesus nos consolam. Cristonos acolhe e noschamaapesarde nossas debilidades e da má famaque possamos ter e nos transforma emseusdiscípulosparacontinuarsuaobra neste mundo. Como a Eucaristia, nãoé para os perfeitos. Porisso, sempre começamos nossacelebraçãocomumatopenitencial e na hora de recebero Corpo do Senhor, na comunhão, continuamos a reconhecernossaindignidade de comungar o Corpotãosanto do Senhor ao dizer: “Senhor, eunão sou digno de que entreis emminhamorada, masdizei uma sópalavra, serei salvo!”.
Temos queviverrealmentea espiritualidade da Eucaristiaporquea estrutura da Eucaristianosmostraque somos todospecadores. Começamos semprenossacelebraçãocomumatopenitencial. E antes de nosaproximar da comunhão, pedimos no Pai-Nosso: “Perdoai-nos as nossas ofensas”. Ao receber o Corpoe sangue do Senhornós acreditamos queEle é Aquelequetirao pecado do mundoe aquelequenosalimentaa fim de vivermos paraele e para os demais. Conscientesde sermos pecadores rezamos antes de receber o Corpo do Senhor: “Senhor, eunão sou dignode que entreis emminhamorada, mas dizei uma sópalavra, serei salvo”. Se realmente vivermos profundamente a espiritualidadeeucarística jamais julgaremos os outros. Ao contrário, devemos rezarmuitomais do quecomentamos. “No falarmuitoestá o pecado”, diz a Palavra de Deus.
Infelizmente temos os olhosmuitoabertospara os defeitos dos demaise fechados paranossosprópriosdefeitose para o bem praticado pelosoutros. Portanto, o evangelhodeste dia deve nosestimular a nãosermos como os fariseus, a não crermos melhores, escandalizando-nos pelosdefeitosquevemos nosdemais. 
Para RefletirMais
É muitointeressante observarcomoJesus não aprova as catalogações correntesquena suaépocaoriginavam a marginalização de tantas pessoas. Quando marginalizamos alguém é porquenos achamos melhoresdo que os outros. Porisso, marginalizar os outrosnãodeixade ser uma manifestaçãoda arrogânciaoude umsentimentode superioridade. E a arrogânciaé uma maneira de admitiros própriosdefeitos. É interessante refletirquetodosnósnascemos iguais, maslogo no diaseguinte criamos catalogações. E umdiatodosvãoentrar na cova (morrer) de igualmaneira, mesmoalguns enfeitem a cova.
No evangelhode anteontemlemos que Jesus tocou e curou umleproso. No evangelho de hoje, Jesus se aproxima e chamacomoseuseguidornadamenosqueum arrecadador de impostos, um publicano, umpecadorpúblico. Trata-se de um “pecador” segundo todas as convençõesda época. É chocantetantopara a época de Jesus e, creio que, tambémparanossaépoca. Mas Jesus Levi, o publicano, e esteO segue imediatamente.
A graçade Deusnãoadmite nenhuma demora. Elachega e nósnão podemos demoraremcorrespondercomela, comoLevi que se levantou e seguiu a Jesus imediatamente.
Jesus encontrou Levi “sentado” e o chama. E estese levantou e seguiu a Jesus. O quetornanossavidasemdinamismo? O quenos faz “sentados” na vidaquenos faz semhorizonte, semesperança e semsentido? É precisorepetirmos sempre a frasedo Senhor: “Levanta-te e andae tu verás maiscoisas na tua vida!”
Além disso, o textoquernosdizerque, na vida, não há nadaque seja perdido. A opiniãoda maioria pode noscondenarcomoperdidos. Mas temos queterumaudiçãoseletiva: selecionar o quenecessitamos escutar e abandonaro quenãoprecisamos escutar. Alémdisso, tenhamos a esperançaemDeus, poisumdiaEle vai se aproximar de nós. Fiquemos atentosparaDeusquese aproxima de Deus. Fiquemos atentospara os sinais de Deusna nossavida.
É umdos melhoresretratosdo amor misericordioso de Deusencarnadoem Jesus Cristo. Com uma liberdadeadmirável Jesus vai peloseucaminhoanunciando a Boa Nova aos pobres (cf. Lc 4,18-19; Is 61,1-2), chamando “pecadores” para segui-Lo apesar das reaçõesdiante de suaatitude. Elecumpre suamissão: Veioparasalvar os débeis/ pecadorese os enfermos.
P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-01-06 21:44:00

12/01/2018
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APROXIMAR-SE DE JESUS NOS CURA E NOS CAPACITA A SUPERAR OS PROBLEMAS DA VIDA
Sexta-Feira da I Semana Comum

Primeira Leitura: 1Sm 8,4-7. 10-22ª
Naqueles dias, 4 todos os anciãos de Israel se reuniram, foram procurar Samuel em Ramá, 5 e disseram-lhe: “Olha, tu estás velho, e teus filhos não seguem os teus caminhos. Por isso, estabelece sobre nós um rei, para que exerça a justiça entre nós, como se faz em todos os povos”. 6 Samuel não gostou, quando lhe disseram: “Dá-nos um rei, para que nos julgue”. E invocou o Senhor. 7 O Senhor disse a Samuel: “Atende a tudo o que o povo te diz. Porque não é a ti que eles rejeitam, mas a mim, para que eu não reine mais sobre eles”. 10 Samuel transmitiu todas as palavras do Senhor ao povo, que lhe pedira um rei 11 e disse: “Estes serão os direitos do rei que reinará sobre vós: Tomará vossos filhos e os encarregará dos seus carros de guerra e dos seus cavalos e os fará correr à frente do seu carro. 12 Fará deles chefes de mil, e de cinquenta homens, e os empregará em suas lavouras e em suas colheitas, na fabricação de suas armas e de seus carros. 13 Fará de vossas filhas suas perfumistas, cozinheiras e padeiras. 14 Tirará os vossos melhores campos, vinhas e olivais e os dará aos seus funcionários. 15 Das vossas colheitas e das vossas vinhas ele cobrará o dízimo, e o destinará aos seus eunucos e aos seus criados. 16 Tomará também vossos servos e servas, vossos melhores bois e jumentos, e os fará trabalhar para ele. 17 Exigirá o dízimo de vossos rebanhos, e vós sereis seus escravos. 18 Naquele dia, clamareis ao Senhor por causa do rei que vós mesmos escolhestes, mas o Senhor não vos ouvirá”. 19 Porém, o povo não quis dar ouvidos às razões de Samuel, e disse: “Não importa! Queremos um rei, 20 pois queremos ser como todas as outras nações. O nosso rei administrará a justiça, marchará à nossa frente e combaterá por nós em todas as guerras”. 21 Samuel ouviu todas as palavras do povo e repetiu-as aos ouvidos do Senhor. 22ª Mas o Senhor disse-lhe: “Faze-lhes a vontade, e dá-lhes um rei”.
Evangelho: Mc 2,1-12
1 Algunsdiasdepois, Jesus entrou de novoemCafarnaum. Logo se espalhou a notíciade queeleestava emcasa. 2 E reuniram-se ali tantas pessoas, quejánão havia lugar, nemmesmodiante da porta. E Jesus anunciava-lhes a Palavra. 3 Trouxeram-lhe, então, umparalítico, carregadoporquatrohomens. 4 Masnãoconseguindo chegaratéJesus, porcausada multidão, abriram então o teto, bememcima do lugarondeele se encontrava. Por essa abertura desceram a camaemque o paralítico estava deitado. 5 Quando viu a fédaqueles homens, Jesus disse ao paralítico: “Filho, os teuspecadosestão perdoados”. 6 Ora, algunsmestresda Lei, queestavam ali sentados, refletiam emseuscorações: 7 “Comoestehomempode falarassim? Ele está blasfemando: ninguém pode perdoarpecados, a nãoserDeus”. 8 Jesus percebeu logo o queeles estavam pensando no seuíntimo, e disse: “Porquepensais assimemvossoscorações? 9 O que é maisfácil: dizerao paralítico: ‘Os teuspecados estão perdoados’, oudizer: ‘Levanta-te, pega a tua cama e anda’? 10 Poisbem, paraquesaibais que o Filhodo Homem tem, na terra, poder de perdoarpecados, — disse eleao paralítico: 11 eute ordeno: levanta-te, pega tua cama, e vai para tua casa!” 12 O paralíticoentãose levantou e, carregando a suacama, saiu diante de todos. E ficaram todosadmirados e louvavam a Deus, dizendo: “Nunca vimos uma coisaassim”.
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Liderar No Espirito De Deus Salva a Humanidade
Olha, tu estás velho, e teus filhos não seguem os teus caminhos. Por isso, estabelece sobre nós um rei, para que exerça a justiça entre nós, como se faz em todos os povos”. É o pedido dos anciãos para Samuel.
A cena narrada na Primeira Leitura de hoje é um momento crucial na história de Israel. Depois de uns duzentos anos sob a guia dos juízes, o povo de Israel pede um rei.
Até então as doze tribos iam por sua conta própria, não muito bem coordenadas. Agora se dão conta de que seria melhor para eles que houvesse uma força unificadora tal como os povos vizinhos. Por isso, pedem a Samuel um rei. Os pretextos invocados pelos anciãos para instituir um rei baseiam-se no fato de que Samuel já é velho e que seus filhos não seguiram seus caminhos. Eles desejavam que houvesse um rei que, em um momento de perigo, reunisse as pessoas ao seu redor e conduzisse o povo à vitória contra os inimigos. Eles querem uma autoridade estável, não de circunstâncias, como aconteceu no tempo dos juízes.
Mas Samuel não gosta nada desta ideia, pois, na realidade, o rei se absolutizará e não se sentirá mediador entre Deus e o povo e consequentemente tiranizará o povo. Samuel interpreta esse pedido como uma ofensa a Deus. Mesmo assim, Samuel “consulta” Deus sobre esta ideia. Apesar de tudo, Deus concorda.
A exemplo de Samuel, jamais tomaríamos qualquer decisão sem “consultar” Deus na nossa oração e meditação. Para escutar melhor precisamos criar o silêncio dentro de nós e ao nosso redor. O silêncio, para escutar melhor, é um dos gestos simbólicos menos entendidos quase por nós todos. A virtude de escutar é dispensável ao discípulo, quer ele esteja dialogando com o mestre, quer ele esteja dialogando com outro discípulo ou com alguém mais simples no critério da sociedade.
Em segundo lugar, a corrente monárquica começou a cristalizar a partir do momento em que Samuel instituiu como seus sucessores no governo civil e militar seus dois filhos (nepotismo). Mas os filhos de Samuel não têm nenhuma moral para liderar o povo de Israel. O comportamento venal ou corrupto de seus filhos possibilita a instituição de um rei representativo da nação. Com seus atos, os filhos de Samuel transgrediram a lei de Dt 16,18-19. Samuel também não tinha força para corrigi-los. A fraqueza de Samuel deve ser atribuída a sua velhice.
Esse tipo de nepotismo e favoritismo, que o primeiro Livro de Samuel nos dá hoje, continua a ser válido entre os governantes atuais? Deus não rejeita os governantes legalmente constituídos. Mas rejeita os abusos que eles frequentemente cometem. Estar à frente de um povo como governante é tornar-se um servo de todos para buscar o bem de todos. O poder não pode ser usado para os próprios interesses, caso contrário o governante se tornaria um opressor de seu povo. Toda autoridade vem do alto. O exemplo maravilhoso é preservado em algumas nações, quando no começo do mandato, o novo líder faz o juramento colocando a mão sobre Bíblia (Livro Sagrado), para que possa servir o seu povo dentro da justiça e da igualdade ou sob a luz e a orientação da Palavra de Deus! A Palavra da Sagrada Escritura acompanha o novo líder na sua tomada de decisão e em projetos a favor do povo, como projetos de vida e não morte. Que a Palavra de Deus nos acompanhe todos os cristãos, para que, mesmo no ambiente familiar, estejamos ao serviço do Evangelho e da salvação de todos.
Monarquia ou república ou qualquer outro sistema politico: tudo pode ser bom e mau. O importante em qualquer regime político é buscar o bem-estar da comunidade segunindo fielmente os valores de Deus.
Certamente, o estilo de autoridade que nos ensinou Jesus é diferente deste que teme Samuel. Jesus diz aos apóstolos que não façam como os chefes deste mundo que tiranizam e dominam sem que entendam a autoridade como um serviço, imitando Jesus que não veio para ser servido e sim para servir e dar sua vida pelos demais.
Crer Em Jesus Tira Todas As Nossa Paralisias e Nos Capacita Superar Os Problemas Da Vida
Quando viu a fé daqueles homens, Jesus disse ao paralítico: ´Filho, os teus pecados estão perdoados´”.
Sabemos queo evangelho de Marcosfoi escritopararesponder a esta pergunta: “Quem é Jesus?”.
O evangelhode hojenoslevaumpassoadianteno conhecimento de Jesus. Aquinão se falasomente de Jesus queensina e cura; na se apresenta somentecomo o portadorde umbem-estar. Suaação vai emprofundidade. Jesus rompe a barreiraque havia entreo homem e Deus, entre o SantoDeus e o homemrealmenteimpuroporserpecador. Com o perdão de Deus, Jesus une novamente a terrae o céu.
Quando os quatrohomensapresentaram a Jesus o paralitico paraser curado, Jesus percebe queaquelehomemnão é somenteum paralitico e simque tem ummalbastantegrave: eleestá empecadoe o pecadofechao céu.
A curado paralitico é, porisso, uma válidasíntese da Palavraproclamada por Jesus Cristo. O Reinode Deus se aproxima porqueDeus decidiu oferecerseuperdão, poramor, aos homens: “Filho, os teuspecadosestão perdoados!”. Elechama o paralitico de: “filho”. Jesus, o Deus-Conosco, se faz voz do Paique está no céu ao dizer: “filho”. Jesus é o Paiencarnado, o Emanuel, o Deus-Conosco. E acrescenta: “Os teuspecados estão perdoados”. Elenão diz: “Eute perdôo” e sim“os teuspecadosestão perdoados”, isto é, porDeus.
Disposto a demonstrara força salvadora do “Evangelho do Reinode Deus”, Jesus começaa comunicar ao paralíticoa Boa Notícia da reconciliação comDeus. Não há notíciaque seja melhordo que a notíciada reconciliação comDeus. Fora da reconciliação comDeusque se expressana reconciliação com o próximonão há salvação. Onde há amor, há tambéma reconciliação. Cada reconciliação feita é o céuque se abre e quese ganha. O céuficará aberto, todavezqueprocurarmos a reconciliação comDeus e com o próximo simultaneamente, comorezamos no PaiNosso: “Perdoai-nos as nossas ofensasassimcomonós perdoamos a quemnos tem ofendido”.
Os escribasnão estão de acordo: somenteDeuspoderiacomunicarestegozosoanúncio do perdãodos pecados, segundoeles. Tambémsegundo os hebreus, perdoar os pecadosnãoerauma tarefa do Messias. Jesus, pelo contrario, se comportade fatocomose estivesse no lugar de Deus. Neste caso, Jesus chama a simesmo de “Filhodo Homem”, paraevitar o conceitotradicionalmente vinculado à expressão “Messias”. Aos poucosJesus vai se revelando comoMessias, Filho de Deuscomo Mc colocou logo no inicio de seuevangelho: “Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Mc 1,1). Mc vai colocar o títulode “Filho de Deus” bem no finaldo seuevangelhona boca de umcenturião: “Verdadeiramente estehomemerafilho de Deus” (Mc 15,39), no momentoemqueJesus morreu na cruz. A cruzquesalva faz o centuriãoenxergar a salvação oferecida porDeus.
Com a discussãode hoje Mc dá inicio a uma série de cincodiscussõesentreJesus e os escribas. Todas elas têm umdenominadorcomum: Jesus questiona os pressupostos religiososde uns homensprofundae honestamentereligiosos. A de hoje questiona uma imagemsentidae familiar de Deus: umDeusquetirao mal de pessoas. Os escribas vivem discutindo o que pode e o quenão pode. Jesus, ao contrário“passa a vidafazendo o bem” (At 10,38), mostrando paranósumDeusqueé Paiquese preocupa com a salvação de seusfilhos, todosnós.
Jesus foi sempreexperimentado pelosprimeiroscristãoscomoalguémquelhes questionava e quebrava as imagens religiosas maisprofundamente sentidas. O Livro dos Atosé o melhordocumentodesta dinâmicaquefalacomprofundidade uma religiosidade rígida e intolerantedos contemporâneos dos apóstolos. “Zelo” é o termotécnicoem Paulo e emAtosparadesignara rigidez e a intolerânciareligiosas.
Diante deste textocadaum, se for honesto, tem que se perguntarse emseusencontroscomJesus sente quesuaimagem de Deusfica questionada.
Ao contráriodos letrados, a fédo povo e suaconfiança no poder de Jesus continuam crescendo. Boa prova disto é o esforçoque os quatrohomens fazem paraalcançar Jesus. Ao encontrara porta fechada pelamultidãoquese aglomera diante dela, emvez de ficar desesperados e paralisados, os quatrohomens sobem parao teto da casaparaque o paralítico possa encontrar-se comJesus. E Jesus valoriza a fé desses homens e do enfermoa quemlhedá o perdão e sãocompensadospelacura do paralítico. Jesus não se contentacom o perdoaros pecados e simque tenhamos consciênciade que o perdãoé real e curatambém as enfermidadesfísicas. Elesalva o homemtotalmente. Jesus é o Deusquevê o pecado, masnão condena ounãojulga o pecador, maso perdoa.
Creio que, a exemplo do paralitico, muitas coisasnãofuncionam na nossavidaporquenãoestamos embomrelacionamento comnossoPai do céu. Estemaurelacionamento com o céu faz comquenostornemos paralíticos e paralisemos o crescimento de nossavida. É precisonos aproximarmos de Jesus paraqueeleabra novamente o céufechado comseuperdãoparaque possamos voltar a viver na felicidadecaminhando com nossas próprias pernas.
Além disso, aquelequenãoquerperdoar vive atacando o outroe é vítima de umressentimento. E o ressentimento roubasuaalegria de viver. Paravoltara vivercomalegria e dignidadehá que se perdoare perdoar o outro. O perdão é a expressãomáxima do amore o amor é quefaz alguémviverna paz e na alegria. Somenteaqueleque está unido profundamentecomCristoé capaz de perdoar. Porisso, devemos nosperguntarse estamos unidos comCristoounão. A prova disso é a capacidade de amar e de perdoar e de se perdoar.
P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-01-05 22:03:00

11/01/2018
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A VERDADEIRA FÉ SE TRADUZ NA VIVÊNCIA DO AMORFRATERNO
Quinta-Feira da I SemanaComum
Primeira Leitura: 1Sm 4,1-11
1 Naqueles dias, os filisteus reuniram-se para fazer guerra a Israel. Israel saiu ao encontro dos filisteus, acampando perto de Eben-Ezer, enquanto os filisteus, de sua parte, avançaram até Afec 2 e puseram-se em linha de combate diante de Israel. Travada a batalha, Israel foi derrotado pelos filisteus. E morreram naquele combate, em campo aberto, cerca de quatro mil homens. 3 O povo voltou ao acampamento e os anciãos de Israel disseram: “Por que fez o Senhor que hoje fôssemos vencidos pelos filisteus? Vamos a Silo buscar a arca da aliança do Senhor para que ela esteja no meio de nós e nos salve das mãos dos nossos inimigos”. 4 Então o povo mandou trazer de Silo a arca da aliança do Senhor todo-poderoso, que se senta sobre querubins. Os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, acompanhavam a arca. 5 Quando a arca da aliança do Senhor chegou ao acampamento, todo Israel rompeu num grande clamor, que ressoou por toda a terra. 6 Os filisteus, ouvindo isso, diziam: “Que gritaria é essa tão grande no campo dos hebreus?” E souberam que a arca do Senhor tinha chegado ao acampamento. 7 Os filisteus tiveram medo e disseram: “Deus chegou ao acampamento!” E lamentavam-se: 8 “Ai de nós! Porque os hebreus não estavam com essa alegria nem ontem nem anteontem. Ai de nós! Quem nos salvará da mão desses deuses tão poderosos? Foram eles que afligiram o Egito com toda espécie de pragas no deserto. 9 Mas coragem, filisteus, portai-vos como homens, para que não vos torneis escravos dos hebreus como eles o foram de vós! Sede homens e combatei! 10 Então os filisteus lançaram-se à luta, Israel foi derrotado e cada um fugiu para a sua tenda. O massacre foi grande: do lado de Israel tombaram trinta mil homens. 11 A arca de Deus foi capturada e morreram os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias.
Evangelho: Mc 1,40-45
Naquele tempo, 40umleprosochegou perto de Jesus, e de joelhos pediu: “Se querestens, o poder de curar-me”. 41 Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele, e disse: “Eu quero: fica curado!” 42 No mesmoinstante, a lepradesapareceu, e ele ficou curado. 43 EntãoJesus o mandou logoembora, 44 falando comfirmeza: “Nãocontes nada disso a ninguém! Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua purificação, o que Moisés ordenou, comoprovaparaeles!” 45Ele foi e começou a contare a divulgarmuitoo fato. Porisso Jesus nãopodia maisentrarpublicamente numa cidade: ficava fora, emlugaresdesertos. E de todapartevinham procurá-lo.
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Não Nos Esqueçamos De Deus Para Não Encontrar Um Desastre Maior Na Nossa Vida

A Primeira Leitura nos relata a batalha entre os israelitas contra os filisteus em que os israelitas perderam. Nessa batalha muitos israelitas, inclusive os filhos do sacerdote Eli, morreram.
Além do mais, os inimigos (os filisteus) roubaram a Arca da Aliança, uma das coisas que os israelitas mais apreciaram, pois nela continha as duas tábuas da lei. A Arca da Aliança era para os israelitas, especialmente durante o período nômade no deserto, um dos símbolos da presença de Deus entre eles. É por isso que o desastre ficou maior, pois os israelitas depositaram sua confiança na Arca.
Dentro da guerra entre os israelitas e os filisteus podemos falar sobre dois tipos de guerras que ocorrem quase continuamente entre os homens e no interior do homem.
A guerra entre os homens acontece por ambições de poder, de terra, de domínio, de privilégio, de egoísmo, de superioridade, de interesses não nobres e assim por diante.
A guerra dentro dos homens acontece porque dentro do homem lutam as forças do bem, inclinadas à virtude, ao amor e ao serviço, e as forças do mal que se recusam a obedecer aos mandamentos e à vontade de Deus expressados nos gritos da consciência.
Para que no mundo exterior exista paz, solidariedade, amor compartilhado, igualdade nos direitos fundamentais, é indispensável que o mundo interior das pessoas (governantes, administradores, advogados, trabalhadores, sacerdotes e pais) esteja em perfeita harmonia: querendo apenas o honesto, sentindo a felicidade do outro que faz conosco o caminho da vida, tendo Deus no horizonte da existência, contentando-se com uma suficiência digna que não força situações extremas de bem-estar que são adiquiridas com violência e com a injustiça ou corrupção e assim por diante.
Em segundo lugar, podemos aprender da derrota dos israelitas na batalha contra os filisteus. Há dias, também em nossas vidas, quando parece ter um eclipse de Deus em que Deus não se vê no horizonte de nossa vida, sentindo-nos abandonados. Percebemos que tudo vai mal, vemos tudo escuro e as confianças que nos alimentaram entram em colapse.  São dias em que com o salmista (Sl 43: Salmo Responsorial de hoje) gritamos: “Levantai-vos, ó Senhor, por que dormis? Despertai! Não nos deixeis eternamente! Por que nos escondeis a vossa face e esqueceis nossa opressão, nossa miséria?”.
Talvez a culpa seja que não sabemos ainda como adotar uma verdadeira atitude de fé. Pode acontecer-nos como os israelitas, que eles tinham a Arca da Aliança como uma apólice de seguro, como um talismã ou um amuleto mágico que os liberaria automaticamente de todos os perigos. Eles não deram lugar à atitude de fé, não querem mais ouvir Deus nem vivem conforme os mandamento do Senhor. Mais do que servir a Deus, eles usaram Deus. Gostavam das vantagens da presença da Arca, mas não das suas exigências.
E nós, cristãos, também não consideramos os sacramentos e a nossa fé, como uma segurança automática e mágica … como se nos dispensassem de atuar, de nos esforçar para nos converter? O Senhor Jesus nos alerta no Sermão da Montanha: “Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21).
Jesus Quer Nos Curar De Nossas “Lepras” Que Discriminam e Excluem As Pessoas
Lepra! Que horrível é a lepra. Ainda hoje o leproso fica marginalizado da sociedade, fechado numa leprosaria. Mas há uma vantagem: a medicina se interessa por ele; a investigação cientifica busca sua cura. Na época de Jesus não era assim.
O evangelhodeste diafala, certamente, da curade umleproso(cf. Mt 8,2-4; Lc 5,12-16). Naquela época, lepranão se restringia apenas à doençaque a medicinamodernachamade lepra, masqualquerdoençada peleeraconsiderada comolepra. E todas as doenças eram consideradas comoumcastigo de Deus, mas a lepraera o própriosímbolo do pecado. A lepraeraconsiderada como a própriamorte, pois dificilmente podia ser curada. A curada lepraera, porisso, considerada ummilagre, como se fosse uma ressurreiçãode ummorto. IstoquerdizerquesomenteDeus podia curá-lo dessa lepra. Acreditava-se, além disso, quea lepraerauminstrumentoeficaz usado porDeusparacastigar os invejosos, os arrogantes, os ladrões, os assassinos, os responsáveisporfalsosjuramentos e porincestos.
Os leprososeram considerados no AT comoimpuros (cf. Lv 13,3), porisso eram excluídos de quaisquer direitossociaise eram marginalizados do convívio da comunidadeatéa suacura(eles deviam ficarfora dos povoados), pois a lepraera considerada comouma impurezacontagiosa(cf. Lv 13,45-46). Qualquerjudeupiedosoevitava o contatocomumleprosoparanão se tornarimpuro. Porisso, umleproso, além de sofrer a dor da lepra (fisicamente), sofria também o preconceito(psicologicamente e socialmente), poiseraexcluído da comunidadeporserimpuro. Alémdisso, era acusado comoumgrandepecador, porquea lepraeraconsiderada comoumgrandecastigode Deus. O leprosoé o protótipo da marginalização religiosa e socialimpostapelaLei (Lv.13,45-46).
Apesar de terconsciência de serleproso (leprosodeve ficardistantedo resto, cf. Lc 17,12), essehomemleproso se aproxima de Jesus, de joelhos(prostração). A prostraçãodo leprosoempedir a purificaçãoindica todo o fervordo seupedidoe de suafé. Suasúplicaé uma confissão da suafé: “Se queres, podes purificar-me”. Todos os pedidosquefizermos a Deus devem tersemprecomofundamento a nossafé. Nãosomentecrer na cura, mascrersempre na grandeza, na misericórdiae na soberania de Deus.
E Jesus, emborasaiba da proibiçãode fazercontatocomqualquerleproso, estende a mãoe o tocou: “Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele, e disse: ‘Eu quero: fica curado! ’” (Mc 1,41). Porque Jesus tocou o leproso? Porcompaixão: “Jesus cheio de compaixão…”. As misérias humanas tocam Jesus profundamente. Se no Batismo, Jesus se solidarizou com a multidão de pecadores, também o faz aquinessa cenacomo leproso. AquiJesus não se limita apenasnas palavras, masEle se aproxima e tocano leproso, poisquertransmitirtodaSuasolidariedade. ParaJesus, o leprosonãoeraummarginalizado e sim uma pessoadigna de Suabondade, capazde se abrir à misericórdiadivina.
O leproso“foi e começou a contar e a divulgarmuito o fato”. É assimqueMarcos concluiu o episódio. Mc apresenta o leproso curado comoumverdadeiro anunciador do Evangelho. O leproso purificado se converte emapóstolo e anuncia Jesus a todos. E porisso, “de todapartevinham procurar Jesus”.
O atodos dois (do leprosoe de Jesus) era verdadeiramente audaciosopara a suaépoca. Os dois quebram o costume de longadata. O leproso tem grandevontade de ficarcurado e acredita no poder de Jesus. E Jesus, porsuavez, tem compaixãopelamisériado homem, e, porisso, se aproxima do homem e querintegrá-lo à vidanormalcomoqualquerserhumano.
O Reinadode Deusnãoexclui ninguém da salvação (cf. At 10,34-35; Mt 5,45). Neste contexto, o leproso personifica a multidãode marginalizados embusca da salvação. E Deussempre acolhe quemo buscacomsinceridade e fé. Deusnãodecepciona quem o procurapermanentemente. O gestoexterior de Jesus de estendera mão e de tocarno leproso é suaidentificaçãointeriorprofundacomo sofrimento do leproso.
Como foi dito, a lepraera a piorenfermidade na época de Jesus. Ninguém podia tocarnem aproximar-se dos leprosos. Jesus toca o leprosocomoprotestocontraas leisquemarginalizam as pessoas.
O evangelhode hojenosconvida a fazermos o exame de consciênciasobrecomotratamos os marginalizados da sociedade, os “leprosos” de nossasociedade. O exemplode Jesus é claro. Elenunca permaneceu indiferentediante do sofrimento humano. Nós, comocristãos, devemos imitar Jesus. Devemos afastar “as lepras” de nosso coração, “lepras” que discriminam, que excluem as pessoas de nossa convivência, lepras de falta de perdão e de benevolência e de misericórdia e assim por diante. Quem tem um coração pura, ama o outro de verdade e com liberdade.
O atode Jesus de se aproximar do leprosoe de tocá-lo noslevaa nos perguntarmos: “Comovocê se posiciona perante “os leprosos” (marginalizados) da humanidade: fugir, aproximar-se ouprocurar erguê-los comoJesus fez?” Ou o nossocoração está cheiode “lepra” faz comquenosafastemos dos outros e afastemos os outros? A “lepra” quemata é a vidasemamorpelopróximo: mataquemvive semamore mataquemprecisa deste amor.
Não contes nada disso a ninguém! Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua purificação, o que Moisés ordenou, como prova para eles!”, assim disse Jesus ao homem curado da lepra.
Mas como pode o homem que foi tocado pelo amor de Deus permanecer calado? É impossível! Muitos cristãos permanecem calados para dar testemunho sobre o amor de Deus, o amor que cura e salva. Será que ainda não foram tocados pelo amor de Deus que cura? Muitos cristãos permanecem calados cheios de medo, vivendo como faziam os leprosos, isolados da comunidade. É necessário que peçamos a Jesus: “Senhor, se queres, podes purificar-me”. Ao mesmo tempo é necessário que Jesus nos diga outra vez: “Eu quero: fica curado!”. Creio que Jesus vai fazer toda vez que lhe fizermos o mesmo pedido. Só assim ficaremos cheios de vida no Espirito. Assim uma vez tocados pelo amor de Deus que cura, nos converteremos em verdadeiras testemunhas deste amor no mundo.
P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-01-05 11:07:00

10/01/2018
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DEUS NOS CHAMA PARA SERVIR O POVO DE DEUSNO SEU ESPÍRITO
Quarta-Feira da I SemanaComum
Primeira Leitura: 1Sm 3,1-10.19-20
Naqueles dias, 1 o jovem Samuel servia ao Senhor na presença de Eli. Naquele tempo, a palavra do Senhor era rara e as visões não eram frequentes. 2 Aconteceu que, um dia, Eli estava dormindo no seu quarto. Seus olhos começavam a enfraquecer, e já não conseguia enxergar. 3 A lâmpada de Deus ainda não se tinha apagado e Samuel estava dormindo no templo do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus. 4 Então o Senhor chamou: “Samuel, Samuel!” Ele respondeu: “Estou aqui”. 5 E correu para junto de Eli e disse: “Tu me chamaste, aqui estou”. Eli respondeu: “Eu não te chamei. Volta a dormir!” E ele foi deitar-se. 6 O Senhor chamou de novo: “Samuel, Samuel!” E Samuel levantou-se, e foi ter com Eli e disse: “Tu me chamaste, aqui estou”. Ele respondeu: “Não te chamei, meu filho. Volta a dormir!” 7 Samuel ainda não conhecia o Senhor, pois, até então, a palavra do Senhor não se lhe tinha manifestado. 8 O Senhor chamou pela terceira vez: “Samuel, Samuel!” Ele levantou-se, foi para junto de Eli e disse: “Tu me chamaste, aqui estou”. Eli compreendeu que era o Senhor que estava chamando o menino. 9 Então disse a Samuel: “Volta a deitar-te e, se alguém te chamar, responderás: ‘Senhor, fala que teu servo escuta!’” E Samuel voltou ao seu lugar para dormir. 10 O Senhor veio, pôs-se junto dele e chamou-o como das outras vezes: “Samuel! Samuel!” E ele respondeu: “Fala, que teu servo escuta”. 19 Samuel crescia, e o Senhor estava com ele. E não deixava cair por terra nenhuma de suas palavras. 20 Todo Israel, desde Dã até Bersabéia, reconheceu que Samuel era um profeta do Senhor.
Evangelho: Mc 3,29-39
Naquele tempo, 29 Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André. 30 Asograde Simão estava de cama, comfebre, e eleslogo contaram a Jesus. 31 E ele se aproximou, segurou suamão e ajudou-a a levantar-se. Então, a febredesapareceu; e ela começou a servi-los. 32 À tarde, depoisdo pôr do sol, levaram a Jesus todos os doentes e os possuídos pelodemônio. 33 Acidadeinteira se reuniu emfrente da casa. 34 Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças e expulsou muitosdemônios. E não deixava queos demônios falassem, poissabiam quemeleera. 35 De madrugada, quandoaindaestava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugardeserto. 36 Simão e seuscompanheiros foram à procura de Jesus. 37 Quandoo encontraram, disseram: “Todos estão te procurando”. 38 Jesus respondeu: “Vamos a outroslugares, às aldeias da redondeza! Devo pregartambémali, pois foi paraissoqueeu vim”. 39 E andava portodaa Galileia, pregando emsuassinagogase expulsando os demônios.
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Deus Nos Chama Para Ser Solução, Em Nome Dele, Para muitos Problemas Nas Circunstâncias Em Que Nos Encontramos
’Samuel! Samuel!´ E ele respondeu: ‘Fala, que teu servo escuta’. Samuel crescia, e o Senhor estava com ele. E não deixava cair por terra nenhuma de suas palavras”. Assim lemos na Primeira Leitura sobre a vocação inicial de Samuel.
Samuel é um dos poucos personagens bíblicos dos quais o nascimento e a infância são nos informados. Outros personagens destacados dos quais também nos são contados de maneira privilegiada as circunstâncias de seu nascimento e infância são: Isaac e Moisés, no Antigo Testamento; João Batista e Jesus, no Novo Testamento. Nos dois primeiros capítulos do Primeiro Livro de Samuel se sublinha com ênfase como Samuel é um dom de Deus. Samuel é certamente um fruto da oração, vem acender a vida de Elcana e Ana através de uma providência especial de Deus. Samuel, portanto, já é de sua infância consagrado a Deus.
Samuel foi o elo de ligação entre a época de Moisés/Josué e a de Davi/Salomão. Depois da morte de Moisés, Isarel foi liderada por Josué. Pouco antes de sua morte, Josué exortou os líderes de Israel a permanecerem fieis ao Senhor (Js 23,1-11). No entanto, no período que se seguiu à morte de Josué, Israel se rebelou contra o Senhor e muitas vezes experimentou o abandono divino. Deus levantou Samuel nesse período de crise na história de Israel. Ele serviu ao povo como juiz, sacerdote e profeta. Samuel foi o instrumento escolhido por Deus, cuja linhagem espiritual está ligada a Josué, Moisés e Abraão. Samuel estabeleceu o nome de Deus diante de seu povo, na maneira como lembrava a Israel sobre seus caminhos pecaminosos e a bondade do Deus Todo-poderoso durante todas as crises nacionais e pessoais.
O texto da Primeira Leitura fala da vocação inicial do menino Samuel. Ele já tinha sido consagrado a Deus por sua mãe, e em seu coração de menino, se entregou a Deus. Mas aqui Deus intervem chamando Samuel pelo nome. Já não é somente uma oferenda de si mesmo, por bonita que essa entrega seja. Sua entrega é uma resposta. Alguém toma a iniciativa, e Samuel há de responder: será “Sim” ou “Não”.
Deus teve que chamar Samuel “três vezes” para ser ouvido, para provocar a tomada de consciência. Isso significa que a escuta de Deus não é fácil, nem absulatamente evidente. É preciso ter um silêncio profundo dentro de nós e não somente ao nosso redor. Por ser difícil, muitas vezes, a chamada de Deus passa pela mediação de um homem, como aconteceu com Samuel passa pelo Sumosacerdote.
A escuta de Deus é algo que se aprende como aprendemos a escutar um ser humano. Na escuta se estabelece uma certa familiaridade com o pensamento habitual de alguém, e isto faz com que conheçamos alguém.
Será que temos a simplidade e a humildade para aceitar a mediação de meus irmãos, da Igreja para me ajudar na interpretação da Palavra de Deus?
Samuel crescia, e o Senhor estava com ele. E não deixava cair por terra nenhuma de suas palavras. Todo Israel, desde Dã até Bersabéia, reconheceu que Samuel era um profeta do Senhor”, assim terminou o texto da Primeira Leitura.
A chamada de Deus, a vocação muito pessoal de cada um de nós é sempre uma missão, um serviço aos homens. O profeta é chamado a realizar uma tarefa no seio do povo de Deus. Servidor de Deus é também servidor dos homens. Deus chama cada um de nós para ser solução para as circunstâncias em que cada um se encontra. Deus nos chama como solução para certas circunstancias, pois Deus ama a humanidade e quer sua salvação.

Jesus veioparanosgarantira vidaeterna

O textodo Evangelho de hojeé chamado pelosestudiosos“a jornada de Cafarnaum”. Curar, entrar na casa, orar, pregar, curar… sãoas ações de Jesus emsuajornada. E sabemos que Jesus pregao Reino de Deus, Suavontadede salvação e de felicidadeparatoda a humanidade. Depoisque libertou umhomem endemoninhado na sinagoga da aldeia, Jesus vai à casa de Simão Pedro comseusdiscípulos. AliJesus cura a sograde Simão Pedro quetinhafebre e elapode lhesservir.
Ao sair da sinagoga, comorelatou o evangelho do diaanterior, Jesus foi à casa de Pedro e curou suasogra. Jesus segurou a mão dela e a ajudou a se levantar. Nãodeve sercasuala utilização do verbo“levantar” aquipeloevangelistaMarcos. Esteverbo (“levantar”) será usado para a ressurreiçãode Jesus Cristo (grego: “egueiro”). IstoquerdizerqueCristo vai comunicando suavitóriacontrao mal e a morte, curando os enfermos, libertando os possuídos e devolvendo a dignidade às pessoas.
O existencialismodo filósofo Heidegger define o serhumanocomo o “ser-para-a-morte”. Paraele, o serhumanoé o únicoserquenãosomente morre e simque sabe quevai morrer, e queneste sentido, se sabe “condenado à morte”.
Para nóscristãos, quandosemfé, o serhumanose sabe reduzido ao espaço de suavidamortal, a perspectivada morte, o medo da morteque se aproxima diaapósdia. Pelocontrário, a féem Jesus, a féna vidaeternadestrói a morte e a transforma simplesmenteempassagempara a vidaeterna. Ao confiarna vitória de Jesus sobrea morte, somos libertados do temorou do medo da morte. “Eusou a ressurreição e a vida. Aqueleque crê emmim, aindaque esteja morto, viverá. E todoaqueleque vive e crê emmim, jamaismorrerá” (Jo 11,25-26).
Servir ComoEstilo de Vida
A atitude da sogra de Pedro quedepoisqueficou curada, logo se pôs a servir Jesus e seusdiscípulos é uma atitudefundamental do mesmoCristo. Jesus a curou paraamar, paraservir. Servir é aqueleatoemfavor do outrosemesperarnada de troca. É a prontidãoparaajudarcomoumescravoqueestá prontoparaservirseusenhor. Servir é uma adoraçãoemação. O cultoque prestamos a Deus(adoração) se prolonga no serviçoparasercompleto (missão). Seguir a Jesus nãosignifica dominar, e simservir. O serviçoequivale ao seguimento.
Por isso, o serviçonãoé somenteumconjunto de boas obras, pequenasougrandes, de ajudaaos demais. Estas boas obras, porsi mesmas, nãosãonadaporque muitas vezesas realizamos como “méritos” paraobterumbompostooudeterminadoprivilégio. O queconta é a atitude de serviçocomoatitude de vida. Servir é, para o cristão, umestilo de vida, e não é apenasuma atividadeemdeterminadomomentoda vidadiantedos demais. Ao serviro outro, o cristãoestará participando da vida e da missão de Jesus. CristoServodesejaviver e estaremmeio de uma comunidade de servos.
Para os cristãosservir, então, não é opcional e sim é lei constitutiva da comunidadecristã. Poressecaminho e vivendo esteestilo de vida, cadacristãoserá umsinalvivo de Cristopara os outros.
Colocar o ServiçoNa Oração e a OraçãoNo Serviço
O quechamanossaatenção é que a atividade de Jesus emlibertar os homensnão interrompe seucontatocomDeus. No meiode suaatividadeele consagra determinadotempoparaestaremcontatopermanentecomDeusPai a fimde nãoserdominado poroutrospoderes e influências. Com o mesmoamor Jesus se dirige a seuPai e também aos demais, sobretudo aos quenecessitam de suaajuda. Na oração Jesus encontraa força de suaatividademissionária. Podemos dizerquea vida, antesde servivida, precisaserrezada. Quem sabe rezarbem, sabe tambémviverbem.Quemnãosabe rezarbem, tambémnão sabe viverbem. É precisocolocar a vida na oraçãoe a oração na vida. Se pararmos de rezar, erraremos o caminho, poisrezar é estarcomDeus e seuespírito.
Jesus se retirava cadavezquepodia (Mc 1,35;Lc 5,16;6,12;9,18.28;Jo 6,3 etc.) paranosdarexemplo e nosensinarque o homemquequerdescobrir e entender as coisas de Deus tem quecultivar a solidãocomDeus. Não se pode atender a umassuntoimportantequandoestá se distraídopormilbagatelas, coisassemvalor (cf. Sb 4,12). As maravilhas de Deus, que consistem no amorquenostem, não podem servistassema solidãointerior.
P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-01-04 10:19:00

09/01/2018
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TEM AUTORIDADE AQUELE QUE É CAPAZ DE FAZER O OUTRO CRESCER
Terça-Feira da I Semana Comum

Primeira Leitura: 1Sm 1,9-20 

Naqueles dias, 9 Ana levantou-se, depois de ter comido e bebido em Silo. Ora, o sacerdote Eli estava sentado em sua cadeira à porta do templo do Senhor. 10 Ana, com o coração cheio de amargura, orou ao Senhor, derramando copiosas lágrimas. 11 E fez a seguinte promessa, dizendo: “Senhor todo-poderoso, se olhares para a aflição de tua serva e te lembrares de mim, se não te esqueceres da tua escrava e lhe deres um filho homem, eu o oferecerei a ti por todos os dias de sua vida, e não passará navalha sobre a sua cabeça”. 12 Como ela demorasse nas preces diante do Senhor, Eli observava o movimento de seus lábios. 13 Ana, porém, apenas murmurava; os seus lábios se moviam, mas não se podia ouvir palavra alguma. Eli julgou que ela estivesse embriagada; 14por isso lhe disse: “Até quando estarás bêbada? Vai curar essa bebedeira!” 15 Ana, porém, respondeu: “Não é isso, meu senhor! Sou apenas uma mulher muito infeliz; não bebi vinho, nem outra coisa que possa embebedar, mas desafoguei a minha alma na presença do Senhor. 16 Não julgues a tua serva como uma mulher perdida, pois foi pelo excesso da minha dor e da minha aflição que falei até agora”. 17 Eli então lhe disse: “Vai em paz, e que o Deus de Israel te conceda o que lhe pediste”. 18Ela respondeu: “Que tua serva encontre graça diante dos teus olhos”. E a mulher foi embora, comeu e o seu semblante não era mais o mesmo. 19 Na manhã seguinte, ela e seu marido levantaram-se muito cedo e, depois de terem adorado o Senhor, voltaram para sua casa em Ramá. Elcana uniu-se a Ana, sua mulher, e o Senhor lembrou-se dela. 20 Ana concebeu e, no devido tempo, deu à luz um filho e chamou-o Samuel, porque – disse ela – “eu o pedi ao Senhor”.

Evangelho: Mc 1,21b-28

21b Estando com os seusdiscípulosemCafarnaum, Jesus, num diade sábado, entrou na sinagoga e começou a ensinar. 22 Todos ficavam admirados com o seuensinamento, pois ensinava comoquem tem autoridade, nãocomo os mestresda Lei. 23 Estava entãona sinagogaumhomem possuído porumespíritomau. Elegritou: 24 “Quequeresde nós, Jesus Nazareno? Vieste paranosdestruir? Eusei quemtués: tu és o Santode Deus”; 25 Jesus o intimou: “Cala-te e sai dele”! 26 Então o espíritomausacudiu o homemcomviolência, deu umgrandegritoe saiu. 27 E todos ficaram muito espantados e perguntavam uns aos outros: “Que é isso? Umensinamentonovodadocomautoridade: Elemandaaténosespíritosmaus, e elesobedecem!” 28 E a fama de Jesus logose espalhou portodaparte, emtoda a regiãoda Galileia.
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Deus Não Se Esquece De Seus Fiéis Servos  
Eli (sacerdote) disse a Ana: ‘Vai em paz, e que o Deus de Israel te conceda o que lhe pediste’.  E ela respondeu: ‘Que tua serva encontre graça diante dos teus olhos’”.
É um belo preámbulo que o texto nos apresenta a concepção de um filho, Samuel, como presente providencial de Deus. Em muitas tradições literárias e em livros religiosos há uma espécie de esquema teológico-literário, segundo o qual, a vinda ao mundo de um personagem importante se apresenta sob o olhar provodeincial de Deus, de um Deus de amor. Assim nos acontecerá com Samuel. O relato de hoje é um modo belo e religioso de ler as coisas, porque o crente não pode se esquecer que uma oração humilde e confiante, como a de Ana, sempre é atendida por Deus. As lágrimas de Ana frutificarão pela graça de Deus.
O texto da Primeira Leitura nos conta a concepção de Samuel de uma mulher estéril, Ana, que foi dom de Deus. Há um claro paralelismo com o caso de Abraão cuja esposa Sara é estéril.
Ana (mãe do futuro menino Samuel), a esposa de Elcana, era uma mulher extraordinária em sua integridade, fé e compromisso com Deus apesar de sua esterilidade que para sua época era sinal da maldição.
O próprio Deus toma a iniciativa, como fez tantas vezes na história: no caso de Isaac ou de Moisés ou de João Batista. Agora vai nascer Samuel, o filho que parecia impossível, mas que vais er providencial para a história de Israel. Deus se serve de pais estéreis ou de cisrcunstâncias impensadas ou impossíveis, do ponto de vista humano, para levar a cabo seus planos de salvação. Assim percebemos que não é pelas forças humanas é que o mundo pode ser salvo e sim pelo dom amoroso de Deus.
Diante da história de Ana que superou sua esterilidade entregando-se nas mãos de Deus, o que faremos quando fracassarmos, quando não virmos resultados a curto prazo e nos encontrarmos tristes na nossa solidão? Que atitude adotaremos quando nos sentirmos estéreis, ou quando virmos que a Igreja não é como teria que ser segundo os ensinamentos de Cristo, ou quando nossa comunidade, pastoral etc., não funcionar, ou quando nossa família estiver passando por momentos difíceis, ou quando não virmos com clareza nosso próprio futuro? Será que, como Ana, confiamos em Deus e dirigimos nossa oração a Ele?
O exemplo de Ana nos pode ajudar. Parecia impossível, e foi mãe nada menos que a de Samuel, o grande juiz de Israel que consagrou os primeiros reis de Israel. Não nos esqueçamos que não somos nós que conduzimos a história da Igreja e da humanidade e sim o próprio Deus que é amoroso na sua providência.
Teríamos que fazer nosso o hino de Ana que rezamos como o Salmo Responsorial (1Sm 2,1s). É um cântico de alegria e de gratidão, predecessor do Magnificat de Maria: “Meu coração se alegrou em Deus, meu Salvador. Exulta no Senhor meu coração, e se eleva a minha fronte no meu Deus… Muitas vezes deu à luz a que era estéril, mas a mãe de muitos filhos definhou… Senhor ergue do pó o homem fraco, e do lixo ele retira o indigente, para fazê-lo assentar-se com os nobres num lugar de muita honra e distinção”.
O homem não pode nada por si mesmo. Ele necessita da oração na qual o homem se abre à ação de Deus. Somente, então, é fecunda a ação do homem, a exemplo de Ana.
Deus sempre está disposto a ouvir a simples e humilde oração de seus servos. Ele nos concederá o que pedimos e isso não nos servirá para nos separar dele, mas para que seja consagrado a Ele, porque, em primeiro lugar, será um dom de Deus colocado em nossas mãos. Sempre que levantamos nossos pedidos, tenhamos fé que Deus nos escute; saibamos que Deus nos ama e nos dá mais do que pedimos. Mas não peçamos algo que possa nos destruir ou destruir os outros. Tendo feito nosso pedido, devemos nos tornar felizes, pois Deus saberá, em sua vontade salvadora para nós, o que é melhor para nós recebermos. E aceitemos com amor a vontade de Deus em nós.
É Preciso Se Vestir Da Autoridade De Jesus
O Evangelhofala do inícioda vida publica de Jesus. Ele e seusseguidores chegaram a Cafarnaum, numa população ao redordo lago Galiléia. Esta regiãovai se converteremcentro da atividadede Jesus.  Num Sábadoentrou numa sinagoga e teve oportunidade de comentar as leituras do dia.
Sem dúvida, Jesus apóia seuensinamentonosfatos, dá uma novadimensãoà lei e valoriza as pessoasdiante das instituiçõesdominantes de seutempoparaque sejam reconhecidas a dignidadee a vocação de cadapessoapara a vidacomunitária(semexclusão). As regrassãofeitasparavalorizarmais as pessoas e nãopara oprimi-las. O focoda atividade de Jesus são as pessoas. Porisso, surgiu o comentário: “Todosficavam admirados com o seuensinamento, poiseleensinava comoquemtem autoridade, nãocomo os mestresda lei” (Mc 1,22).
“Jesus ensinava comoquem tem autoridadee nãocomoos mestres da Lei”. A novaformade ensinar de Jesus “comautoridade” apelapara os valorese atitudesfundamentaisdo serhumano: para a capacidadede convivência, para o reconhecimentorespeitosoe tolerante do outroe da outra, e parao desenvolvimento da autoestima comocondiçõespara uma autênticalibertação da situaçãoda marginalização emque vivia a grandemaioria do povo. Porisso, o ensinamento de Jesus desperta uma grandeadmiraçãoda parte do povona sinagoga: “Todosficavam admirados com o seuensinamento, poiseleensinava comoquemtem autoridade, nãocomo os mestresda lei”.
A autoridade de Jesus não está a serviçode uma instituição, masestá a serviço do serhumanoparaqueestereconheça suaprópriadignidade, suavocação à vidacomunitária. A novaforma de Jesus ensinar “complenaautoridade” apela a valores e atitudesfundamentais do serhumano: apelaà capacidade de convivência, ao reconhecimentorespeitosoe tolerante do outro, ao desenvolvimento da auto-estima comocondiçõesparaumautênticalibertaçãoda situação de marginalização emque vive a grandemaioria. Ondenãohouver ummútuorespeito, nãohaverá espaçoparaa mútuaadmiração.
Por isso, o episódio do homempossuído porumespíritoimpuro, mais do quedemonstrarautoridadede Jesus sobre as forçasdo mal, quermostrarcomoJesus integra ao seio da comunidadeaquelequeeraexcluído e recusado comomuitosoutrosemnome de umpoderque desumaniza. Na verdade, Mc coloca aquio possuído como representante dos fanáticospelopoder. Paraassinalaro fanatismo Mc usaa expressão “estarpossuído porumespíritoimpuro” emoposiçãoao EspíritoSantoque dá vida, que anima, quecapacita o serhumanoa amar. A forçaque despersonaliza o homem e impede todoespíritocríticoé uma ideologiacontráriaao plano de Deus.

O possuído nãopode negar a autoridadede Jesus (profeta), masnão admite quesuaautoridadese oponha à instituiçãoreligiosa e a suadoutrinaquedespersonaliza o serhumano. Para o possuído a autoridadede Jesus deve estar a serviçodo sistema. Apesarde suaresistência, Jesus o liberta de seufanatismoouconvence este possuído do errode suapostura. Ao aceitar o Espíritode Deus o homemse liberta de suasescravidões.
A autoridade está ligada ao crescimento. A própriapalavravem do latim “augere”, quequerdizer “crescer”. Porisso, exercer a autoridade é sentir-se realmenteresponsávelpelosoutrose porseucrescimento, sabendo queelesnãosãonossapropriedade, nossosobjetos, maspessoasque têm umcoração, nas quaisexiste a Luz de Deus, e quesãochamadas a crescerna liberdade da verdadee do amor. O maiorperigoparaaqueleque tem autoridade é manipular as pessoas e dirigi-las paraseusprópriosobjetivos e suanecessidade de poder. Se for assim, eledeixará de ser uma pessoacomautoridade.
Jesus falacomoquemtem autoridade. Há palavrasquenosaproximam de Jesus. Quaissão estas palavras? Semprequepronunciarmos uma palavraviva, aquela quenão é fingida, aquela que sabe detectaremcadamomento o que o outro está necessitando, aquela que faz o outromelhorar e crescer, aquela quenãosemeia a discórdia, a palavraquehumaniza, estaremos falando comautoridade. Sempreque pronunciarmos uma palavracompassiva, aquela queconsolanosmomentos de dificuldade, a palavraque anima quemestá desesperado, a palavrasincera de quererajudar, estaremos falando comautoridade. Sempreque pronunciarmos uma palavrasolidária, aquela que coloca as coisas no seudevidolugar, aquela que sai do coraçãoparaaliviar a dor do outro, aquela queserena, estaremos falando comautoridade. Semprequepronunciarmos uma palavra de esperança quediz quenemtudo está perdido, queo melhor está paravirporqueDeus está conosco, estaremos falando comautoridade.
É bomcadaumfazerumexame de consciênciaparasaber se falacomautoridadecomo Jesus ounão? Se esta próximo de Jesus no modode viver e de tratar os demais?
P. Vitus Gustama,svd