Categoria: Reflexão

É PRECISO CAMINHAR 2018-04-03 20:39:00

05/04/2018
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O SENHOR ESTÁ CONOSCO DIARIAMENTE E NOS DÁ A PAZ E ABRE NOSSA HORIZONTE E
Quinta-Feirada I Semana da Páscoa
Primeira Leitura: At 3,11-26
Naqueles dias, 11 como o paralítico não deixava mais Pedro e João, todo o povo, assombrado, foi correndo para junto deles, no chamado “Pórtico de Salomão”. 12 Ao ver isso, Pedro dirigiu-se ao povo: “Israelitas, por que vos espantais com o que aconteceu? Por que ficais olhando para nós, como se tivéssemos feito este homem andar com nosso próprio poder ou piedade? 13 O Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó, o Deus de nossos antepassados glorificou o seu servo Jesus. Vós o entregastes e o rejeitastes diante de Pilatos, que estava decidido a soltá-lo. 14 Vós rejeitastes o Santo e o Justo, e pedistes a libertação para um assassino. 15 Vós matastes o autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos, e disso nós somos testemunhas. 16 Graças à fé no nome de Jesus, este Nome acaba de fortalecer este homem que vedes e reconheceis. A fé que vem por meio de Jesus lhe deu perfeita saúde na presença de todos vós. 17 E agora, meus irmãos, eu sei que vós agistes por ignorância, assim como vossos chefes. 18 Deus, porém, cumpriu desse modo o que havia anunciado pela boca de todos os profetas: que o seu Cristo haveria de sofrer. 19 Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos, para que vossos pecados sejam perdoados. 20 Assim podereis alcançar o tempo do repouso que vem do Senhor. E ele enviará Jesus, o Cristo, que vos foi destinado. 21 No entanto, é necessário que o céu o receba, até que se cumpra o tempo da restauração de todas as coisas, conforme disse Deus, nos tempos passados, pela boca de seus santos profetas. 22 Com efeito, Moisés afirmou: ‘O Senhor Deus fará surgir, entre vossos irmãos, um profeta como eu. Escutai tudo o que ele vos disser. 23 Quem não der ouvidos a esse profeta, será eliminado do meio do povo’. 24 E todos os profetas que falaram, desde Samuel e seus sucessores, também eles anunciaram estes dias. 25 Vós sois filhos dos profetas e da aliança, que Deus fez com vossos pais, quando disse a Abraão: ‘Através da tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra’. 26 Após ter ressuscitado o seu servo, Deus o enviou em primeiro lugar a vós, para vos abençoar, na medida em que cada um se converta de suas maldades”.
Evangelho: Lc 24,35-48
Naquele tempo, 35os discípulos contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão. 36Ainda estavam falando, quando o próprio Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: “A paz esteja convosco!”37Eles ficaram assustados e cheios de medo, pensando que estavam vendo um fantasma. 38Mas Jesus disse: “Por que estais preocupados, e por que tendes dúvidas no coração? 39Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Tocai em mim e vede! Um fantasma não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho”. 40E dizendo isso, Jesus mostrou-lhes as mãos e os pés. 41Mas eles ainda não podiam acreditar, porque estavam muito alegres e surpresos. Então Jesus disse: “Tendes aqui alguma coisa para comer?” 42Deram-lhe um pedaço de peixe assado. 43Ele o tomou e comeu diante deles. 44Depois disse-lhes: “São estas as coisas que vos falei quando ainda estava convosco: era preciso que se cumprisse tudo o que está escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”. 45Então Jesus abriu a inteligência dos discípulos para entenderem as Escrituras, 46e lhes disse: “Assim está escrito: o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia 47e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48Vós sereis testemunhas de tudo isso”.
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Na Primeira Leitura, tirada do livro dos Atos dos Apóstolos, o Apóstolo Pedro pronunciou a seguinte frase para os ouvintes: “Vós matastes o autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos”. A cura do paralitico (que lemos no dia anterior) oferece a Pedro uma nova ocasião para proclamar a mensagem da salvação. Jesus, o Crucificado, ressuscitou. Deus deu cumprimento às Escrituras e convida todos à conversão. A ignorância que levou o homem ao pecado deve-se mudar no arrependimento. E nós reconhecemos que de Deus recebemos o perdão de nossos pecados e a salvação eterna. Ter em nós a salvação adquirida pela ressurreição de Jesus significa que podemos e devemos caminhar como criaturas renovadas e revestidas de Cristo. Deixemos nossa vida ser plenificada pela Vida e pelo Espirito do Senhor para que possamos proclamar a Boa Nova de salvação a todos os povos a partir de uma vida renovada em Cristo.
O Salmo Responsorial (Sl 8) nos recorda a grandeza do homem e ao mesmo tempo sua pequenez diante do universo: “Quando vejo o céu, obra de teus dedos, a lua e as estrelas que fixaste, que é o homem, para dele te lembrares?”. Diante da grandiosidade do universo o homem experimenta uma tremenda sensação de pequenez. Mas apesar de ser pequeno, o homem é o maior e mais maravilhoso ser do universo. “Que é o homem, de quem cuidas? Um ponto de poeira num cosmos de luz. … Conheço a minha pequenez e a minha grandeza, a minha dignidade e a minha insignificância” (Carlos G. Vallés: Busco Tua Face, Senhor). Diante da grandiosidade do universos ficamos perguntando sobre quem somos nós na presença de Deus para merecer a graça tão imensa de ser elevados à dignidade de filhos(as) de Deus. Tudo é posto por Deus em nossas mãos e somos chamados por Ele para que participemos eternamente de Sua Vida e de sua Glória. Por isso, não podemos escravizar nossa existência às coisas passageiras, pois somos “senhores” e “donos” de todo o criado. O universo em geral e a natureza em particular são portas para conhecer e reconhecer o Criador. A Deus, por seu amor, por sua bondade e por sua misericórdia seja dado toda honra e toda a glória agora e para sempre.
O Evangelho de hoje quer nos recordar que o Senhor jamais nos abandona, pois Ele caminha conosco diariamente (cf. Mt 28,20). Na Eucaristia o Senhor se faz presente entre nós para nos manifestar todo o amor que nos tem. A partir desse amor Ele nos concede seu perdão e sua paz. Ele nos cura de nossas escleroses que nos impedem de dar testemunho de seu amor, de sua verdade, de sua vida.  Sua presença no meio de nós e sua companhia na nossa jornada diária nos dão a paz. A paz que Cristo nos dá nasce de sabermos amados, protegidos, acompanhados, perdoados e compreendidos por Deus. Mas essa paz é um trabalho que não deve cessar na Igreja. Não basta viver na paz. É preciso ser construtor da paz.
Reconhecer-se Pecador Para Que o Poder de Deus Possa Atuar-se
Israelitas, por que vos espantais com o que aconteceu? Por que ficais olhando para nós, como se tivéssemos feito este homem andar com nosso próprio poder ou piedade?”. Assim fala Pedro aos israelitas depois que o paralítico voltou a andar. Pedro é sempre quem toma a palavra em nome dos grupo dos discípulos.
Depois da cura do paralítico (veja a Primeira Leitura do dia anterior), Pedro aproveita a boa disposição do povo para dirigir-lhes uma nova catequese sobre Jesus em cujo nome curou o paralítico. Seus ouvintes são judeus. Por isso, Pedro argumenta a partir do AT, isto é, a partir dos anúncios de Moisés e dos profetas mostrando a “continuidade” entre “Deus de nossos pais” e os acontecimentos atuais. O discurso de Pedro ajuda os ouvintes a lerem a história como História de Salvação que culmina em Cristo Jesus, e depois da vinda do Espirito Santo, na constituição da comunidade messiânica reunida em torno do Senhor Ressuscitado, Autor da vida.
O Messias anunciado já veio e é o próprio Jesus de Nazaré a quem Israel recusou. Pedro interpela com uma linguagem muito direta aos judeus: “Vós o entregastes e o rejeitastes diante de Pilatos, que estava decidido a soltá-lo. Vós rejeitastes o Santo e o Justo, e pedistes a libertação para um assassino. Vós matastes o autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos, e disso nós somos testemunhas”. Trata-se de uma coisa sínica: indultou ou perdoar a um assassino (Barrabás) e matou o Autor da Vida (Jesus de Nazaré)! Mas Pedro anuncia que através de sua ressurreição, Jesus se converteu num Salvador de todos e portanto todos têm se converter a Ele: “Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos, para que vossos pecados sejam perdoados. Assim podereis alcançar o tempo do repouso que vem do Senhor…  Após ter ressuscitado o seu servo, Deus o enviou em primeiro lugar a vós, para vos abençoar, na medida em que cada um se converta de suas maldades”.
Por que ficais olhando para nós, como se tivéssemos feito este homem andar com nosso próprio poder ou piedade?”, perguntou Pedro retoricamente aos judeus. Há pouco tempo Pedro negou ser discípulo de Jesus (Cf. Mt 26,69-75). Agora ele sabe que é pecador. Ele se reconhece pecador, nem mais piedoso nem mais santo do que qualquer pessoa. Por isso, com toda a humildade ele reconhece que o poder para fazer o paralitico voltar a andar não é seu poder. O poder que maneja procede de Cristo. Pedro está tão unido a Cristo a ponto de se tornar instrumento muito eficaz de Jesus para acontecer o milagre na vida do paralítico que voltou a andar. “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!”. Pedro sabe que com sua própria força, ele jamais poderia fazer nada de grandeza como este milagre. Ele tem somente Cristo em quem se apoia totalmente. Em nome de Jesus é que o paralítico voltou a viver uma vida de um homem normal com seu direito de ir e de vir livremente.
Até neste ponto precisamos pedir ao Senhor a ajuda para que possamos exercer qualquer tarefa na Igreja do Senhor com humildade. A humildade faz todos nós reconhecermos nossos limites e limitações. Este reconhecimento torna-nos mais responsáveis naquilo que devemos fazer. A exemplo de Pedro precisamos nos apoiar sempre no Senhor Ressuscitado para que possamos ser seus instrumento eficaz para ajudar quem se encontra paralisado na vida, isto, aquele que perdeu o horizonte desta vida. Ser intermediário da graça de Deus significa deixar passar por nossas vidas os benefícios que Deus quer por meio de nós. Isto se chama “ministério”.
Coragem De Ser Testemunha Do Cristo Ressuscitado, Autor Da Vida
Vós matastes o Autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos, e disso nós somos testemunhas”, disse Pedro aos judeus.
Neste discurso Pedro enfatiza que a morte de Jesus foi o resultado da vontade dos judeus de tirá-lo para sempre da convivência. E a ressurreição de Jesus é uma resposta de Deus à condenação feita pelos judeus para mostrar que tudo que Jesus fez e disse era a vontade de Deus.
Aqui Pedro dá a Jesus um título pouco habitual: “Autor da Vida” (cf. Jo 1,1-4). O milagre sobre o paralítico que voltou a andar é um sinal de que Jesus é o Dono da vida, isto é, aquele que conduz o povo à liberdade e às salvação. Como Autor da Vida nenhum poder humano será capaz de destruir Jesus. Jesus continua a ser o Vitorioso, o Vivente por excelência. Por isso, vale a pena crer em Jesus se quisermos viver uma vida em abundância, uma vida divina que quando encontrar a morte, a supera. Comungar o Corpo do Senhor significa entrar em comunhão de Vida. Mas esta comunhão de vida transforma o comungante em defensor e protetor da própria vida e da vida alheia em qualquer instância e circunstâncias. Se Jesus é o Autor da Vida, isto significa a vida que tem em outra pessoa pertence ao Senhor. Agredir uma vida significa agredir o próprio Autor da vida. Tratar mal a uma vida significa tratar mal ao próprio Autor da vida.
É Preciso Deixar Jesus No Centro De Nossa Vida e Convivência Para Que A Paz Do Senhor Permaneça
Ainda os discípulos estavam falando, quando o próprio Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: ´A paz esteja convosco! ´”
A cenado texto do evangelholido neste dia é a continuaçãoda cena do evangelhodo diaanterior. O relato começacomo testemunho dos discípulosde Emaús, isto é, aquelesqueemsuatrajetóriaviveram a experiênciapessoal do encontrocom o Senhorressuscitado no caminho e na fração do pão. É a experiênciaqueenche seuscoraçõese os impulsiona a anunciarem ou contarem a grande notícia de queJesus vive e vive realmente.      
Durante a partilha dessa experiência, Jesus aparece no meio deles e os saúda com o Shalom (paz): “A paz esteja convosco!”.
Em queconsiste a pazqueJesus nos oferece? A pazque o Senhor ressuscitado nosoferece não consiste na tranquilidade que se sente quandoum está plácidoe comodamente está sentado ou vive semqueninguémounada o incomode. A pazde Cristo ressuscitado quenos oferece consiste emsaberque somos amados, protegidos e compreendidos porDeus. Trata-se de uma relaçãoharmoniosacomDeus, como próximo, consigopróprio, e coma natureza. Quandocadaelementoocupa seuprópriolugar e desempenhaseuprópriopapel responsavelmente, haverá a paz. Os discípulos recebem o Shalom do ressuscitado. Masrecebera paz de Deusnão é suficiente. É precisovivero Shalom, isto é, viveremharmoniacomtodos. A harmoniasemprecria uma beleza. As coresquese colocam harmoniosamentenos apresentam uma belezaadmirável. Dizia SantoAgostinho: “Não bastaser pacifico. É necessárioserpromotor da paz. Nãobastaestardispostoa perdoarouignorar os inimigos, é preciso amá-los e tercompaixão… Deves amara pazsemodiar os quefazem a guerra” (Serm. 357,1).
Na Eucaristiao Senhor se faz presenteentrenósparanosmanifestartodo o amorqueelenos tem. A partir desse amor é queElenos concede seuperdão e suapaz. Ao participarda Eucaristia, nósdevemos nossentiramadosporele. Porisso, a participação na Eucaristianoscompromete a darmos testemunho da vidanovaqueDeusinfundiu emnós. Devemos, portanto, serconstrutores da paz. Trata-se de uma pazquebrota do amorsinceroquenos faça próximosdo nossopróximoemsuasangustias e esperanças, como Jesus queaparece, repentinamente, no meio dos discípulos.
Depois da ressurreição Jesus apareceu no meiodos discípulosqueestavam com o medo. Massemdúvida nenhuma, o assuntoentreeleserasobreJesus. E Jesus játinhaprometido aos discípulos: “Onde doisoutrêsestiverem reunidos emmeunome, ali estou Eu no meio deles” (Mt 18,20). Cadaconversasobre Jesus e assuntosligados a ele, Jesus está presenteparadar o Shalom, a paz e paraacalmarqualquersituaçãoporferventequeela pareça ser. Ele está presenteparadarajudaemcadaconversasobreelee sobre os seusensinamentos. Jesus aparece no momentoemque a experiênciaindividualcomeçaa sercoletiva, comunitáriaemJesus, semdestruira experiênciapessoal/individual. O Ressuscitado é a forçaque interpela à comunidadee é experiência de unidade. Porisso, desta vez, Jesus é reconhecido na comunidade reunida emSeunome.
A dúvidae o medo dos discípulossãoevidentes, comoemtodas as aparições do Ressuscitado. E Jesus tem que acalmá-los: “Por queestais preocupados e porque tendes dúvidasno coração?”. Paraacabarcom a dúvida dos discípulosJesus come comeles. Mas a comunidadedeve teralgoparaoferecer a Jesus, é algoque os alimenta diariamente: o peixe: “Tendes aqui alguma coisaparacomer?”, pergunta-lhe Jesus. “Deram-lhe umpedaço de peixeassado”, comenta o evangelistaLucas. Será que temos algo a oferecer a Jesus ousomente pedimos algo de Jesus? O quedevemos oferecer a Jesus é aquiloquenossustenta e dignifica diariamente. A partir daquilo queoferecemos a Jesus é que podemos alimentar a multidãofaminta de tudo.
O frutoda presença de Jesus no meiodos discípulosqueconversam sobreeleé a abertura do entendimento, o horizonte ampliado sobre a vida: “Jesus abriu a inteligência dos discípulospara entenderem as Escrituras”, assimcomenta o evangelista Lucas. A inteligência nos capacita a resolvermos os problemas, pois a inteligência é o conjunto de funçõespsíquicas e psicofisiológicas quecontribuem para o conhecimento, para a compreensãoda natureza das coisase do significado dos fatos. Estarabertoa Deus e conversarcomDeuspermanentementenosleva a compreendermos tudo na nossavida, pois o próprioDeus abrirá nossainteligência.
Nós podemos também reconhecer Jesus na fração do pão eucarístico, na Palavra bíblica proclamada, meditada e partilhada, e na comunidade reunida em Seu nome partilhando o que se tem para quem é carente em tudo. Nós necessitamos, como a primeira comunidade, de uma catequese especial para que seja aberto nosso entendimento a fim de entendermos a vida e as coisas que acontecem nela, pois nada escapa do olhar de Deus quando deixamos que ele tenha espaço nas nossas conversas e quando seu lugar está bem no meio de nós. Em cada Eucaristia ele aparece no meio de nós e é o principal alimento no qual se encontra a força necessária para nossa vida. Ao se alimentar da Eucaristia, cada um deve se converter em força para os outros, especialmente para aqueles que não têm mais ânimo para lutar, pois estão céticos em tudo e sobre tudo na vida. Estas pessoas precisam escutar novamente a promessa infalível de Jesus: “No mundo vocês terão tribulações, mas tenha coragem: eu venci o mundo” (Jo 16,33b). Cada cristão deve se converter nesta frase: “Não tenha medo! Jesus venceu o mundo”. O cristão é aquele que acalma e serena os outros, pois ele sabe que está sempre com o Jesus ressuscitado.
Com os olhos da fé na Fração do Pão e na força de sua Palavra é que saiamos da celebração para dar testemunho de Cristo na vida. Aos Apóstolos, a última palavra que lhes dirige é esta: “Vós sereis testemunhas de tudo isso”. Desde princípio, ser apóstolo é ser testemunha da ressurreição de Jesus Cristo (At 1,22). Ser cristão é ser testemunha de que viver a vida com Deus e com todas as suas consequências é uma vida vitoriosa, uma vida que não termina na morte, e sim na ressurreição com Jesus. Deus pode tardar, mas nunca falha. Atrás da cruz de Jesus está a vida sem fim. Precisamos ter um olhar penetrante além dos sentidos para entender o recado de Deus.

  P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-04-02 20:43:00

04/04/2018
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O SENHOR NÃO NOS ABANDONA, POIS NOS ACOMPANHA DIARIAMENTE COM SUA FORÇA RESSUSCITADA
Quarta-Feira da I Semana da Páscoa
Primeira Leitura: At 3,1-10
Naqueles dias, 1Pedro e João subiram ao Templo para a oração das três horas da tarde. 2Então trouxeram um homem, coxo de nascença, que costumavam colocar todos os dias na porta do Templo, chamada Formosa, a fim de que pedisse esmolas aos que entravam. 3Quando viu Pedro e João entrando no Templo, o homem pediu uma esmola. 4Os dois olharam bem para ele e Pedro disse: “Olha para nós!” 5O homem fitou neles o olhar, esperando receber alguma coisa. 6Pedro então lhe disse: “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!” 7E pegando-lhe a mão direita, Pedro o levantou. Na mesma hora, os pés e os tornozelos do homem ficaram firmes. 8Então ele deu um pulo, ficou de pé e começou a andar. E entrou no Templo junto com Pedro e João, andando, pulando e louvando a Deus. 9O povo todo viu o homem andando e louvando a Deus. 10E reconheceram que era ele o mesmo que pedia esmolas, sentado na porta Formosa do Templo. E ficaram admirados e espantados com o que havia acontecido com ele.
Evangelho: Lc 24,13-35
13Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam para um povoado chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. 14Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido.15Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. 16Os discípulos, porém, estavam como cegos, e não o reconheceram. 17Então Jesus perguntou: “Que ides conversando pelo caminho?” Eles pararam, com o rosto triste, 18e um deles chamado Cléofas, lhe disse: “Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?19Ele perguntou: “Que foi?” Os discípulos responderam: “O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. 20Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. 21Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! 22É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo 23e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. 24Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém o viu”. 25Então Jesus lhes disse: “Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! 26Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?” 27E, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele. 28Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante. 29Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!” Jesus entrou para ficar com eles. 30Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. 31Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles. 32Então um disse ao outro: “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?” 33Naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém onde encontraram os Onze reunidos com os outros. 34E estes confirmaram: “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!”  35Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão.
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A Primeira Leitura nos relata que a força salvadora, que na vida de Jesus fluiu de si próprio, curando os enfermos e ressuscitando os mortos, é agora uma força ativa pascal: o Ressuscitado está presente, embora invisível, e age através de sua comunidade, especificamente através dos apóstolos, a quem ele havia enviado para “proclamar o Reino de Deus e curar” (Lc 9,2). Eles não terão meios econômicos, mas participam da força do Senhor: “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!”.
O Salmo Responsorial (Sl 104/105) nos convida a meditarmos sobre Deus que é sempre fiel a Sua Aliança e a Seu amor a todos nós. Deus jamais abandonará Seu povo apesar de nossas infidelidades: “Ele sempre se recorda da aliança”. Sua misericórdia é eterna e se prolonga de geração em geração. “Ensina-me, Senhor, a compreender, a lembrar. Ensina-me a dar a cada uma de tuas ações na minha vida o valor que elas tem como assistência concreta e sina permanente. Ensina-me a ler em teus atos a mensagem do teu amor, para que eu nunca me esqueça e jamais duvide de que tu sempre estarás comigo, no futuro, da mesma maneira como estiveste no passado” (Carlos G. Vales: Busco Tua Face, Senhor).
O Evangelho quer nos transmitir que Jesus Cristo não somente vive sua comunhão com Deus Pai, mas também vive com a humanidade, compartilhando conosco gozos e esperanças, nossas tristezas e angústias. Ele se faz companheiro do homem para dar-lhe sentido a seu caminhar pela vida, ilumina os acontecimentos com Sua Palavra e compartilha seu Pão. Consequentemente, a Igreja de Cristo não deve somente reunir-se para escutar seu Mestre e para partilhar e compartilhar o Pão da Vida, mas também deve pôr-se em caminho junto ao homem que sofre, para devolver-lhe a paz e a esperança, não somente com palavras que façam arder em amor seu coração, mas também partindo o próprio pão para que alivie um pouco a fome de alimento, de amor, de compreensão, de alegria, de paz que padecem muitos irmãos nossos da mesma humanidade.
O Cristão Deve Fazer Tudo Em Nome De Cristo Ressuscitado e Leva Somente Cristo Em Seu Coração
Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!”.
Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou”. Os Apóstolos não tinham meios econômicos, mas participaram na força do Senhor Ressuscitado: “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou”. Há uma evidência na pobreza dos Apóstolos. A força salvadora que estava na vida de Jesus agora atua através de sua comunidade, concretamente através dos Apóstolos.
“Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!”. Aqui percebemos que os atos dos Apóstolos são os atos de Cristo Ressuscitado. Os Apóstolos fazem tudo em nome de Jesus Ressuscitado e não em nome próprio nem em nome do próprio interesse ou vantagem própria. Os Apóstolos eram pessoas que se escondiam por medo dos judeus e eram calados cheios de medo. Por contraste, depois do Pentecostes se tornaram homens valentes, cheios de luz, de pureza, de desinteresse, de gentileza, de vida interior, de generosidade e assim por diante. A partir de então, eles levam somente Cristo Ressuscitado em seu coração e se deixam guiar por Ele. Por isso, Pedro pode dizer ao mendigo: “O que tenho eu te dou”. Pedro tem vida adentro, tem Cristo dentro de seu coração, tem força dentro dele capaz de levantar um e muitos paralíticos, um ou muitos mortos em nome de Cristo Ressuscitado que habita dentro de seu coração.
A ação de Pedro e João na “porta” do Templo contrasta com a ação dos sacerdotes judeus no interior do Templo. Enquanto os Apóstolos põem em pé um ser humano “defeituoso” e marginalizado da sociedade, os sacerdotes, no interior do Templo, sacrificam um animal perfeito.
O mendigo que pedia esmola para aliviar sua necessidade de um dia, recebeu a cura para o resto de seus dias. Esta cura permite ao mendigo recuperado de sua paralisia, que estava “à porta” do Templo a “entrar” no Templo e proclamar como os demais e junto aos demais as glórias de Deus. O excluído (“à porta”) do Templo passa a ser o incluído do Templo (“entrar”). Este paralitico era levado pelos outros (familiares) para a porta do Templo a fim de mendigar. Mas agora já curado “leva os outros” para Deus com o testemunho do milagre do amor divino na sua vida.
Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda!”.  Esta é a missão da Igreja, de cada cristão e cristã. A Igreja, cada cristão/cristã, seguindo a Jesus e levando o Cristo ressuscitado em seu coração quer e deve querer a grandeza do homem, isto é, o homem de pé, um homem ativo e criativo, um homem capaz de tomar decidir e tomar seu destino. O mendigo que estava prostrado e numa situação de dependência recupera sua dignidade. De pé, ele dá um pulo e começa a andar para dar testemunho sobre a presença da ação do Ressuscitado na sua vida através da mão de Pedro.
Será que como cristão ou cristã eu contribuo para levantar a humanidade de sua paralisia? Será que eu contribuo para libertar os outros de suas “doenças”? Será que eu me apoio na força da ressurreição para pôr-me novamente em pé toda vez caiu, ficou paralisado?
Deixar-se Guiar Pelo Cristo Ressuscitado Para Encontrar o Sentido De Tudo Que Se Passa Na Vida
Nósesperávamos…!”, disseram os doisdiscípulos de Emaús dianteda morte de Jesus.  Estas palavras estão cheias de uma esperançaperdida ou de decepção. É fácil entendermos a decepção desses homens. Emtodavidahumanaalguma vezouvárias vezes aconteceu e acontecerá uma grandeesperançaperdida, uma mortecruel, umfracassohumilhante, uma preocupação, uma questãonãosolucionada ounãosolucionável, umpecadoque faz sofrer, uma imprudênciaquecausa uma fatalidade, uma doençaincurável, uma traiçãoatrásda outra no casamento, e assimpordiante.
Os doisdiscípulos de Emaús se sentem muitofrustrados diante da situação. Frustraçãoé umsentimentode fracasso e decepçãoque aparece diantede umdesejonão realizado oudiante de uma necessidadenãosatisfeita. Quantomaiorfor o desejoquequisermos realizar, se elenão for realizado, maiorserá o grau de frustraçãoque teremos. Quandouma pessoanãoconseguirrealizarseudesejoaparecerão duas emoções opostas nela: a raiva e tristeza. Uma pessoa frustrada, muitas vezes, se tornaviolenta, brava, estúpida, grosseira, intolerante, impaciente e assimpordiante. Portrásde uma pessoabravae grosseira, muitadas vezes há uma pessoafrustrada.
Os doisdiscípulos de Jesus se afastaram de Jerusalém indo para Emaús depois da morte do Mestre. A viagemidapara Emaús é triste, em silencio, comsentimentos de derrotae desilusão: “Nós esperávamos…!”
Nisto “O próprioJesus se aproximou e começou a caminharcomeles”, comentou o evangelista Lucas. Porseucaminho Jesus vem encontrá-los. E se interessa porsuaspreocupações. Jesus jamaisnosabandonanas nossas tristezas e sofrimentos. Mas o nome dele deve sersemprenossoassuntode conversa e de oraçãoparaqueele inspire nossas conversase orações, paraqueelepossa nosacompanhar. Jesus conhece nossos sofrimentos e nossas decepções. Porisso precisamos nosdeixarolhar e interrogarpor Jesus: “O quevocêsvivem conversando no seucaminho da vida?”. Qualconteúdode nossaconversa? O que conversamos maisna vida e paraque conversamos sobreisso? Precisamos contartudoparaJesus comoexpressãode nossafénele emboraelesaiba de tudosobrenossavida.
Os doisnão reconheceram o Caminhanteque se juntaa eles: “seusolhos estavam cegos, não podiam reconhecê-lo”. Quando estivermos dominados pelas grandespreocupações, acabamos não vendo nadaa nãoseraquiloquenos preocupa. Perdemos o chãosobre o qualdevemos pisar. Perdemos nossosono. Aténão sentimos a presençade pessoas ao nossolado.
“Seusolhos estavam cegos, não podiam reconhecê-lo”. Sempre é difícilreconhecer o Ressuscitado, comono caso de Maria Madalena, sobretudo, quando os olhos estão tristese fechados. A fé dos doisse desmoronou. Não creem na ressurreiçãoapesarda informação de algumas mulheresque o túmulo estava vazio. Há umpontocomumnosrelatos das aparições do Ressuscitado: os discípulos estão poucodispostos a crer; duvidam, não esperam a ressurreição, estão desconcertados.
Somente no pãopartilhado é que os doisreconheceram queaquelehomemqueandava comelesera Jesus ressuscitado. O momento do pão partilhado é o momento de fraternidade, de familiaridade, de conversade igualparaigual, de alegria, de risos à vontade, de reconhecer a presençado outro e de ouvi-lo atentamente. Sãomomentotãohumanos e porisso, tãodivinos. Os doisdiscípulos reconhecem a presençado Divino no partir do pão. Consequentemente, a viagemde voltaparaJerusalém se tornaexatamentecontrária: os doisdiscípulos correm pressurosos, cheios de alegria, os olhos enxergam melhore a inteligência fica abertaparaentender as Sagradas Escrituras e ansiosoparacontar a experiênciapara os amigos de suacomunidadeemJerusalém. A experiênciaprofundacom o Divinocriacomunidade e faz o afastado voltarpara a comunidade. A experiênciaprofundocomDeustornaalguémevangelizador.
O ressuscitado está presente nos três grandes momentos em que os discípulos de Emaús o encontraram: na Fração do Pão, na Proclamação de Sua Palavra e na Comunidade. São precisamente os três momentos primordiais de nossa celebração: a Comunidade reunida, a Palavra proclamada e escutada e a Eucaristia recebida como alimento. Os três “sacramentos” do Senhor ressuscitado.
Em outras palavras, o relato do evangelho de Lucas foi elaborado totalmente para nos ensinar como podemos reconhecer Jesus, como podemos avançar lentamente da dúvida, do desespero para a fé.
O primeiro método, para reconhecer Jesus é preciso tomar contato, profundamente, cordialmente, com as Escrituras, com a Palavra de Deus. “Jesus, começando por Moisés e passando pelos profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele”. O AT esclarece o NT. O projeto de Deus prossegue sem ruptura. O que se realiza em Jesus Cristo é o que Deus previa desde a eternidade. Por isso, precisamos ler e reler a Palavra de Deus com a oração e com o coração, sem os quais jamais conseguiríamos a inspiração divina para entender o que está escrito nas Escrituras.
A segunda experiência para reconhecer Jesus é a Eucaristia, a fração do pão. “Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus”. A Eucaristia é o sacramento, o sinal eficaz da presença de Cristo ressuscitado. É o grande mistério da fé, embora aparentemente seja um sinal muito pobre, um sinal muito modesto materialmente: pão e vinho. Pobre, materialmente, mas são essenciais para a vida humana. Através destes dois elementos (pão e vinho), estamos diante do Sagrado que quer nos tocar para nos alimentar e salvar. É o sacramento da fraternidade onde todos se alimentam do mesmo Pão eucarístico e do mesmo Cálice. É o momento de humanização, pois todos são comensais. É a vida de Jesus sacrificada para a nossa salvação. É o nosso verdadeiro alimento na caminhada rumo ao céu, à comunhão plena no banquete eterno com Deus. A eucaristia é o céu aqui na terra. Ir à missa é ir ao céu. A Eucaristia é o banquete celeste antecipado já aqui na terra. Não vamos à missa para cumprir preceitos e sim vamos ao céu ao participarmos da Eucaristia que é o banquete celeste.
Na celebração eucarística há duas Mesas inseparáveis: a Mesa da Palavra (Liturgia da Palavra) e a Mesa da Eucaristia (Liturgia da Eucaristia). “No princípio era Palavra e a Palavra se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,1.14). As duas são da mesma importância. Na Mesa da Palavra Deus tem sua Palavra para nos alimentar. Deus sempre tem uma palavra para cada participante da celebração eucarística. E na Mesa da Eucaristia, o Senhor nos alimenta com seu Corpo e seu Sangue. Já que as duas Mesas são da mesma importância, então devemos dar-lhes a atenção de maneira igual e com a mesma reverência. Essas duas mesas se encontram no texto do evangelho de hoje. Jesus nutre, primeiro, os dois discípulos com Sua Palavra (Sagrada Escritura) para depois alimentá-los com o Pão da vida, Pão partilhado na mesa comum.
Depois desses dois sinais isto é, a Palavra e a Fração do Pão, no mesmo instante, os dois discípulos voltaram para Jerusalém para contar essa experiência para os demais discípulos. Isto nos mostra que Jesus se encontra na comunidade reunida em Seu nome e que fala de Seu nome (cf. Mt 18,20).
Além disso, a volta dos dois discípulos com tanta pressa para comunidade também tem outro nome: missão. Cada encontro pessoal com o Senhor Jesus move a pessoa a ir ao encontro dos outros para contar esse encontro, para partilhar a riqueza desse encontro. Ninguém pode somente ficar quieto em seu lugar contemplando Cristo ressuscitado. Há que pôr-se em caminho e marchar até os outros irmãos para que juntos formemos uma comunidade de irmãos baseada no amor e no respeito mútuo e anunciemos a esperança de que a vida humana tem futuro em Deus ao vivermos no presente como irmãos e irmãs, alimentados pelo Pão da Palavra e pelo Pão Eucarístico.
A experiênciados doisdiscípulosde Emaús nosmostraque a Páscoanão é uma recordação. É salvação, é vidahoje e aquiparavocê, paramim, paratodosnós. Temos, sim, nossas decepçõesemrelação à comunidade. Mas se escutarmos atentamentee profundamente a Palavrade Deus e nosalimentarmos de SeuCorpoe Sangue, nãotem comonãoformar uma comunidadede irmãos. Os doisdiscípulos de Emaús há muitacoisa a nosensinarsobrecomodevemos ser a Igreja. Paraconstruiroureconstruir uma comunidade de discipulado necessitamos fazeruma experiênciaprofundacom o Ressuscitado. Paranos tornarmos evangelizadoresdo Ressuscitado, necessitamos conversarcomElelongamente.
P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-03-31 07:42:00

02/04/2018
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SER CRISTÃO É SER ANUNCIADOR DA VIDA, DA ALEGRIA E DA ESPERANÇA
Segunda-Feira da I Semana da Páscoa
 
Primeira Leitura: At 2,14.22-32
No dia de Pentecostes, 14 Pedro de pé, junto com os onze apóstolos, levantou a voz e falou à multidão: 22 “Homens de Israel, escutai estas palavras: Jesus de Nazaré foi um homem aprovado por Deus, junto de vós, pelos milagres, prodígios e sinais que Deus realizou, por meio dele, entre vós. Tudo isto vós bem o sabeis. 23 Deus, em seu desígnio e previsão, determinou que Jesus fosse entregue pelas mãos dos ímpios, e vós o matastes, pregando-o numa cruz. 24 Mas Deus ressuscitou a Jesus, libertando-o das angústias da morte, porque não era possível que ela o dominasse. 25 Pois Davi dele diz: ‘Eu via sempre o Senhor diante de mim, pois está à minha direita para eu não vacilar. 26 Alegrou-se por isso meu coração e exultou minha língua e até minha carne repousará na esperança. 27 Porque não deixarás minha alma na região dos mortos nem permitirás que teu Santo experimente corrupção. 28 Deste-me a conhecer os caminhos da vida e a tua presença me encherá de alegria’. 29 Irmãos, seja-me permitido dizer com franqueza que o patriarca Davi morreu e foi sepultado e seu sepulcro está entre nós até hoje. 30Mas, sendo profeta, sabia que Deus lhe jurara solenemente que um de seus descendentes ocuparia o trono. 31 É, portanto, a ressurreição de Cristo que previu e anunciou com as palavras: ‘Ele não foi abandonado na região dos mortos e sua carne não conheceu a corrupção’. 32 Com efeito, Deus ressuscitou este mesmo Jesus e disto todos nós somos testemunhas”.
Evangelho: Mt 28,8-15
Naquele tempo, 8as mulheres partiram depressa do sepulcro. Estavam com medo, mas correram com grande alegria, para dar a notícia aos discípulos. 9De repente, Jesus foi ao encontro delas, e disse: “Alegrai-vos!” As mulheres aproximaram-se, e prostraram-se diante de Jesus, abraçando seus pés. 10Então Jesus disse a elas: “Não tenhais medo. Ide anunciar a meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão”. 11Quando as mulheres partiram, alguns guardas do túmulo foram à cidade, e comunicaram aos sumos sacerdotes tudo o que havia acontecido. 12Os sumos sacerdotes reuniram-se com os anciãos, e deram uma grande soma de dinheiro aos soldados, 13dizendo-lhes: “Dizei que os discípulos dele foram durante a noite e roubaram o corpo, enquanto vós dormíeis. 14Se o governador ficar sabendo disso, nós o convenceremos. Não vos preocupeis”. 15Os soldados pegaram o dinheiro, e agiram de acordo com as instruções recebidas. E assim, o boato espalhou-se entre os judeus, até o dia de hoje.
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Jesus Ressuscitou e Está Conosco
Através do livro dos Atos dos Apóstolos, são Lucas nos relata os trinta primeiros anos da Igreja até o ano 63 d.C. Nos cinco primeiros capítulos veremos o nascimento da Igreja em Jerusalém. Nos capítulos seis a onze contemplaremos a expansão da Igreja até Samaria e Síria. Finalmente, a partir do capitulo doze, graças à atividade missionaria de São Paulo, o Evangelho se estende por todo o Oriente Médio e Grécia.
Mas atrás dos “atos” dos Apóstolos há somente um “ator” principal é o Senhor vivente, glorificado, ressuscitado que atua por sua Igreja. O dinamismo extraordinário da Igreja dos primeiros tempos provem por inteiro da convicção, da Fé, que animava os primeiros cristãos: Jesus ressuscitou, Jesus está vivo, Jesus está presente entre nós.
Por esta razão o livro dos Atos dos Apóstolos é lido como prolongamento da Páscoa. Durante os cinquenta dias do tempo pascal descobrimos que a ressurreição de Jesus Cristo não é apenas um maravilhoso fato do passado e sim que esta Ressurreição é um mistério atual que perdura sempre, um dinamismo vital que atua continuamente no nosso hoje.
No dia de Pentecostes, Pedro de pé, junto com os onze apóstolos, levantou a voz e falou à multidão”.
Pedro põe-se de pé”. Esta expressão é uma expressão com alto conteúdo simbólico. Ela mostra a transformação de um estado de prostração e de temor num salto decisivo para frente. Esta expressão mostra que as situações são encaradas a partir de agora por mais difíceis que elas sejam, pois a força do Ressuscitado entrou na vida de Pedro e na dos outros Apóstolos. O Espirito do Ressuscitado é o que dá a força e inspira as palavras e as atitudes oportunas.
Anteriormente, há poucos dias, Pedro, assustado diante dos guardas e criadas do palácio de Pilatos, jura não conhecer Jesus Cristo. Mas agora, depois do acontecimento de Pentecostes, Pedro começa a dar uma série de testemunhos diante do povo e logo diante das autoridades sem nenhum medo, que lemos ao longo desta semana. Pedro e os demais apóstolos cresceram muito na fé por causa da ressurreição de Jesus e o envio de seu Espirito em Pentecostes.
Esta primeira pregação de Pedro é uma catequese clara e contundente sobre a pessoa de Jesus dirigida precisamente aos habitantes de Jerusalém, os que haviam estado diretamente implicados na morte de Jesus: “Vós matastes Jesus, pregando-o numa cruz. Mas Deus ressuscitou a Jesus, libertando-o das angústias da morte, porque não era possível que ela o dominasse”. Com valentia, Pedro proclama a ressurreição de Jesus diante do povo no dia de Pentecostes. Pedro quer recordar os israelitas o que eles fizeram com Jesus de Nazaré. Apesar do juízo injusto, a morte ignominiosa e a difamação pública de seu nome, Deus quis realizar seus desígnios em Jesus. Pela ressurreição a autenticidade da prática de Jesus é confirmada.
Quantas pessoas na história e atualmente, homens e mulheres, que seguindo o exemplo de Jesus estão dispostas a dar sua vida pelos necessitados em nome Jesus ressuscitado. A fé madura nos permite abrirmos mãos de nossos privilégios em função da salvação de outros irmãos que se encontram em séria necessidade de viver dignamente.
Viver Na Alegria Da Ressurreição Para Poder Dar Testemunho Do Amor Deus Por nós
Estamos na festada ressurreição. Atravésda ressurreição de Jesus, Deusquernosdizerquequemama, acaba semprevencendo, como Jesus; e quenão fomos feitospara as lágrimascomtristezasemfim, pois somos chamados à vida ressuscitada. Quea mortenãodestrói nossavocaçãode vidaplena, pois Jesus venceu a morte. A ressurreição é a morteda própriamorte(cf. 1Cor 15,55). Quea féemJesus Cristonãoé absurda. Queo testemunho da comunidadeprimitiva é verdadeiro. Quem ama, como Jesus amou, sabe e tem certeza de que sempre há futuro. Quenós temos umfuturocomDeusdesdequevivamos de acordocomos ensinamentos de Jesus. Que a palavrachaveparanossavidanão é a morte e sim a ressurreição; não é a violênciaouódioe sim o amorquenuncamorre, pois “Deusé amor” (1Jo 4,8.16). Queandaratrás de Jesus significa terumfuturogarantido. Deussempreprepara o melhorno fimparaquemcaminharatrás de Jesus apesardas cruzes encontradas no caminho. 
Hoje através do evangelho lido neste dia escutamos a voz do ressuscitado. São três palavras de futuro que vão ser repetidas com acentos diversos durante os próximos dias:
1. “Alegrai-vos”.
A alegria é um sinal de harmonia interior, de equilíbrio e saúde psicológica. “A alegria é sinal inequívoco de que a vida triunfa” (Henri Bérgson). Isto nos indica também que a falta de alegria é sinal de que a vida está bloqueada.  A alegria é um “sim” espontâneo para a vida que brota de dentro de nós; é um sim para aquilo que somos.
“Alegrai-vos!”. O convite de Jesus à alegria não é um conselho e sim uma ordem para ser cumprida. Na verdade, toda a mensagem de Jesus é uma mensagem de alegria. A alegria do Evangelho é o próprio Jesus crucificado-ressuscitado em que Deus se mostra como Aquele que nos ama apesar de tudo. A alegria do homem é a alegria de Deus.
No meio de nossas tristezas, o Ressuscitado nos chama à alegria. A nossa alegria consiste em ter certeza de que com Jesus tudo termina na vitória, na ressurreição apesar de tudo. Temos muita necessidade de estar conscientes desta certeza. A alegria tem uma relação com o amor. Nossa alegria correra como um riacho enquanto não deixarmos secar sua fonte, que é o amor.
Alegria! Este é o grito que atravessa os séculos e cruza continentes e fronteiras. Alegria, porque Jesus crucificado ressuscitou e o homem começa a ter um futuro seguro em e com Deus. Alegria para as crianças que acabam de nascer para começar sua jornada de vida, e para os anciãos que se perguntam para onde vão seus anos; alegria para os que rezam na paz das igrejas e para os que cantam nas discotecas; alegria para os solitários que consomem sua vida no silêncio e para os que gritam seu gozo na cidade.
2. “Não tenhais medo”.
Sentir medo não é errado porque somos criaturas expostas a perigos e ameaças. Os nossos medos são um sinal de alarme que podem nos ajudar a evitarmos o perigo. O imprudente suprime o medo e se atira inutilmente ao perigo. O covarde teme tudo, se paralisa e não se atreve a correr nenhum risco. O homem sadio sabe usar seus medos para agir prudentemente. Aqueles que, para educar e governar, despertam o medo, não educam nem governam; submetem.
Não há nada que nos paralise mais do que o medo. Muitas vezes somos dominados pelo medo. Quem pode nos transmitir a confiança da qual necessitamos? Somente o Ressuscitado: “No mundo vocês terão tribulações, mas tenha coragem: eu venci o mundo” (Jo 16,33b). Quando colocarmos nosso medo nas mãos de Jesus Ressuscitado, nos tornaremos mais prudentes do que paralisados: “Sejam prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas” (Mt 10,16). A prudência é a capacidade de ver, de compenetrar-se e de ajustar-se à realidade. Segundo sua origem latina a palavra “prudência” (prudens-entis) significa precavido, competente. A prudência oferece a possibilidade de discernir o correto do incorreto, o bom do mau, o verdadeiro do falso, do sensato do insensato, para guiar o bom rumo de nossas ações. O homem sábio é sempre guiado pela prudência.
3. “Ide anunciar…”.
A ressurreição inaugura uma urgência. Acomodados em nossas seguranças de sempre significa que cavamos nossa própria tumba. Quando nos pomos em caminho, a força do Ressuscitado nos restaura.
O evangelho nos relatou que diante do Ressuscitado as mulheres se prostraram reconhecendo a divindade em Jesus. Prostrar-se significa adorar. Jesus transformou essas mulheres em anunciadoras da Boa Notícia da ressurreição. Isto significa que a adoração e a missão, a oração e o anúncio são uma moeda de dois lados, sempre andam de mãos dadas. Aquele que adora a Deus deve ser ao mesmo tempo um anunciador e parceiro da Palavra de Deus, do bem, seja através de palavras, seja através do modo de viver, seja através das boas obras. Sejamos missionários da vida ressuscitada e vitoriosa. Não tenhamos medo das cruzes, pois a vitória já está anunciada antecipadamente. Estar consciente disso significa não faltará força para lutar até o fim em nome da vida que é o próprio Deus (Jo 11,25; 14,6).    
P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-03-28 17:29:00

Sábado Santo: Vigília, 31/03/2018

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PÁSCOA: ELE RESSUSCITOU
Evangelho: Mc 16,1-7
1 Quando passou o sábado, Maria Madalena e Maria, a mãe de Tiago, e Salomé, compraram perfumesparaungir o corpode Jesus. 2 E bemcedo, no primeirodiada semana, ao nascerdo sol, elasforam ao túmulo. 3 E diziam entresi: “Quem rolará paranós a pedra da entrada do túmulo?” 4 Era uma pedramuitogrande. Mas, quandoolharam, viram que a pedrajátinha sido retirada. 5 Entraram, então, no túmuloe viram umjovem, sentado ao ladodireito, vestido de branco. 6 Mas o jovemlhes disse: “Nãovos assusteis! Vósprocurais Jesus de Nazaré, que foi crucificado? Ele ressuscitou. Não está aqui. 7 Vede o lugarondeo puseram. Ide, dizei a seusdiscípulos e a Pedro queele irá à vossafrente, na Galileia. Lávós o vereis, comoelemesmotinhadito”.
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Os exegetasdiscutem bastantesobreMc 16,1-8. Eles perguntam se o evangelho de Mc termina comMc 16,8 ou se há outrofinal perdido no qualMc falaria mais da ressurreiçãolongamente do queneste quenosé conhecido. A maiorparte dos exegetasjulga que o evangelistaterminou o seuEvangelhono v.8; ou seja, queMc deu uma brevíssima instruçãosobre a ressurreição.
Tudo isto cabe aos especialistas. Paranós, o maisimportanteé descobrir, dentrodeste relato brevíssimo o acontecimento sobrea ressurreição de Jesus, mensagensparanóscristãoshoje através de várias perguntas. O queé queestetextofalaparamim? Será queDeustem uma palavraparamimatravésdeste relato? O que é que a fé na ressurreição implica paramimouparaminhavidadiária? O que significa celebrar a ressurreição do Senhorparamim? Mudou alguma coisaemmimduranteos quarenta dias de preparaçãopara a Páscoa? Estas perguntas e outras sãoimportantesparanós, especialmenteparanós, pregadores, pois temos sempretentação de tentardescobrirmensagenspara o povoourebanho e nãopara o própriopregador(nós) emprimeirolugar.
O relato sobre a ressurreição de Jesus neste texto, como foi dito, é bem breve, mas está cheio de riqueza de traços inesperados e densidade teológica. Tentemos descobrir o sentido do relato passo a passo.
1. Jesus É O Princípio Da Nova E Definitiva Criação
As mulheresvão ao túmulo“no primeirodiada semana, ao nascerdo sol” (v.2). “O primeirodia da semana”, isto é, no terceirodiadepoisde suamorte, o tempoqueo próprio Jesus anunciou (cf. Mc 8,31;9,31;10,34) alude ao primeirodia da criação (cf. Gn 1,5). Mc sublinha assim o começo da novacriação. Paraenfatizarmaisestesentido, Mc falatambémsobre “ao nascerdo sol”. “Ao nascerdo sol” nãoindica apenas uma novasituaçãoemcontrastecomas trêshorasde totalescuridãoque precederam a mortede Jesus (cf. Mc 15,33), massimbolicamente indica quetambém Jesus ressuscitou (Mc 16,2). Istoquerdizerque a ressurreição de Jesus é o princípioda nova e definitivacriação. Eleé o princípio do qualfluem emnossavidatoda, a força de Deusque restaura emnós a semelhançadivina. A partirde Jesus ressuscitado tudoganhaseujustovalor. Nada fica semsentidovisto a partir da ressurreiçãode Jesus. Jesus como o princípio da novae definitivacriaçãoserve como o pontode partidaparatudo. Semesteponto de partidaqueé o princípio, o serhumano perderá seurumo. Tudotem quecomeçarnele paraterminar nele, pois Jesus é aqueleque se define “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Começoe o Fim” (Ap 21,6). Comeletudo se renova: “Eis que faço novastodas as coisas” (Ap 21,5). Porisso, deixemos a luznovado Cristo ressuscitado iluminaro nossocoração, o nossoserinteiroparaque sejamos novascriaturas e estejamos cheios de todaa plenitude de Deus (cf. Ef 3,18-19).
 2. As Surpresas Das Mulheres E Seu Emudecimento Diante Da Ressurreição
As mulheresquevãoao túmulo de Jesus paraungir o corpode Jesus (v.1) sãorealmentemulheres repletas de amor e devoçãoa Jesus. Elasvãoao túmuloparareverenciar o corpode Jesus. Elas pensam apenas na morte de Jesus e não na suaressurreiçãoqueele anunciou antesde suamorte. As mulheres ficam aquémdo verdadeirosentidoda cruz de Jesus. Porisso, no caminhorumo ao túmuloelas dizem entresi: “Quem rolará a pedra da entrada do túmuloparanós?” (v.3). Foi fácilfecharo túmulo, porqueé fácilpensarque a mortevence a vida. Maspara as mulheresé impossível abri-lo e admitirque a vidavença a morte. Elasse fixam e param na hora da morte de Jesus.
Mas o túmulovazio e a presença do anjoe o anúncio deste queJesus, o Crucificado, ressuscitou, (v.6) as apanham de surpresa. “…elas viram umjovem sentado à direita, vestidocomuma túnicabranca…” (v.5). “As roupas brancas” são o sinal do mundodivino, sinal do esplendorda glória divina (cf. Mc 9,3: a transfiguração). E “sentado à direita” (cf. Sl 110,1) é uma posição do poder e a autoridadedivinos(cf. Mc 12,36;14,62), posição de dignidade, e uma posição de uma pessoajusta (serjusto biblicamente significa aqueleque vive de acordocom a leidivina). No julgamentofinal, os justosserão chamados a se sentarem à direita do Filhodo Homem(cf. Mt 25,31-46). E o próprioJesus na suaPaixãodisse: “E vereis o Filhodo Homemsentado à direita do Poderosoe vindo com as nuvensdo céu” (Mc 14,62). Todosestessímbolos descrevem a condiçãodivina de Jesus e enfatizam que Jesus é o Vencedor da morte.
Tudo istoquernosdizer, em primeirolugar, quea prova da ressurreiçãonão é túmulovazio; a ressurreiçãonão é frutode uma descobertaouelaboraçãohumana, mas é revelaçãodivina. E Deussomente pode revelar a quem é disponívela suaaçãosalvífica e escatológica manifestada emJesus Cristo. Quemestiver abertopara a vontade de Deus, a ele será revelado muitas coisas. A ressurreiçãoé a açãopoderosade Deus, quese revela vencedor da morte e salvadorna pessoahistóricae concreta de Jesus. Ao ressuscitarJesus da morte, Deusquerdizer à humanidadequeJesus tinharazão, que Jesus fazia tudoqueDeusquis: fazer o bemparatodos os homens (cf. At 10,38).
Em segundolugar, ao dizerque Jesus “ressuscitou. Não está aqui”, o textoquernosdizerque Jesus não é uma memória e simuma presença. Jesus nãoé umpersonagemparaser discutido e simparaserencontrado. A vida cristã não é uma vidaparasabersobreJesus e simparaconhecer Jesus. E paraconhecê-lo o cristão tem quefazer o encontrocomEle. Podemos atésabersobreJesus, masestesaber tem queterminar no encontrocomEleparaquenos tornemos pessoasrenovadas no Espírito de Deus. Jesus é o vivente, é uma presença. Porisso, é inútilbuscá-lo num túmulo. O encontrocom o ressuscitado não se realiza entre os túmulos, no passado, e simno presente. Comisso, a ressurreiçãoabre o novofuturoparaquemacredita no Jesus Ressuscitado.
Em terceirolugar, temos queestarconscientes de queparaondeformos, Jesus vai nospreceder: “Ide, dizei a seusdiscípulos e a Pedro queEleirá à vossafrente, na Galileia”. Galileia é o lugarondeJesus começou suamissão. Os discípulos tem quefazerencontrocom Jesus no lugarda missão. Se fizermos tudoque Jesus ensinou, tenhamos certezade queElevai abrir o caminhoparanós. Não há dificuldadequenãoseja superada quando Jesus estiver na nossafrente. Onde for feita a evangelização, Jesus é encontrado lá. Jesus se encontra no lugar das pessoasque ajudamos na suanecessidade.
Os leitoresdeste relato esperam a reação de alegria dessas mulheresao receberem a notícia da ressurreição de Jesus Cristo. Masemvez disto, elasemudecem. Elas ficam comoqueparalisadas e emseguidafala do seutemor, do seuestupor, do seumedo e do seuemudecimento: “Nada contaram a ninguém” (Mc 16,8b). Comisso, o evangelistaquernosdizerque o Evangelhocontinua abertopara o futuro. Somos convidadosparaestenovofuturoonde encontraremos Jesus ressuscitado e encontraremos também o sentidode nossavida. Paraisso, temos quelevaradiante o projetode Jesus ressuscitado. Além disto, esteEvangelhoé umconvitea abrir os olhosparaver o Senhorna nossaexperiênciadiária.
3. A Missão Confiada Às Mulheres Sobre O Novo Encontro Com Jesus
Apesar do seu emudecimento, essas mulheres são testemunhas privilegiadas dessa revelação divina e são chamadas e enviadas para anunciar aos discípulos e a Pedro sobre a ressurreição de Jesus e sobre o novo encontro com ele na Galileia: “Não tenhais medo. Vós estais procurando Jesus de Nazaré, o crucificado: ressuscitou, não está aqui… Mas ide dizer aos seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galileia: lá o vereis como vos disse” (v.7).
 Ele não está aqui. Ele ressuscitou! E ele os precedeu na Galileia”. O lugar do encontro não é num passado, mas num futuro novo. O lugar do encontro não é na contemplação de um morto, mas no seguimento de quem está vivo. Jesus ressuscitado deve ser seguido, vivendo o seu projeto. Jesus não é uma figura num livro, mas uma presença viva e vivificante. Não é suficiente estudar a história de Jesus como qualquer grande figura histórica. Nós podemos começar desta maneira, mas devemos terminá-la com o encontro com ele, pois Jesus não é uma memória, mas uma presença. Ele continua vivo entre nós. Se realmente acreditarmos nesta Presença, encontraremos sempre forças mais que suficientes para encarar qualquer tipo de dificuldade, pois o próprio Jesus venceu a morte.
Ele não está aqui. Ele ressuscitou!”, é a mensagem para todos que queiram mudar de vida para a melhor. Jesus faz uma páscoa, uma passagem da morte para a vida, para Deus. Precisamos fazer essa passagem. “Se não passamos para Deus que permanece”, dizia Santo Agostinho, “passaremos com o mundo que passa. Páscoa é passar para aquilo que não passa. Quão melhor é passar do ‘mundo’, antes que passe ‘junto com o mundo’; passar para o Pai, antes que passe para o inimigo”. Cada vez que acolhemos a inspiração da Palavra de Deus, estamos fazendo uma passagem para Deus. Cada vez que dizemos “não” a uma vontade da carne, estamos fazendo uma passagem para Deus. Não há momento ou ação da vida de um cristão que não possa se transformar em uma passagem, em uma páscoa. A páscoa deve acontecer em todos os momentos da vida de um cristão. Além disto, todo cristão vivo deve ser uma manifestação extraordinária da ressurreição do Senhor.
O evangelistaMc certamente quer transmitir, através deste relato, uma mensagem para todos os leitores e cristãos em particular que a ressurreição de Jesus manifesta uma dupla fidelidade: a fidelidade do Pai que não abandona Jesus, mas o ressuscitou, sinal da aprovação; e a fidelidade do Filho que não abandona os discípulos, que fugiram na Paixão, mas os procura e quer reencontrá-los. A primeira preocupação de Jesus Ressuscitado é a de reencontrar os seus discípulos, para retomar, novamente juntos, o seu caminho. A esperança de cada cristão repousa inteiramente nesta dupla fidelidade.
4. Jesus Nos Precede Para Onde Formos
Ele vós precederá na Galileia”. Este anúncio é cheio de significado. Os exegetas discutem sobre o significado da Galileia. A Galileia para o evangelho de Mc é importante onde se desenvolve a maior parte. Foi na Galileia que Jesus começou a proclamar a Boa Nova, anunciando a chegada do Reino de Deus (Mc 1,14-15). Foi neste lugar que Jesus chamou seus primeiros discípulos para ser “pescadores de homens” (Mc 1,16-20). Foi na Galiléia inteira que Jesus pregou o Evangelho, curando e expulsando os espíritos maus (Mc 3,13-19;6,7-13). Foi na Galileia que Jesus começou a revelar aos discípulos “o mistério” do Reino de Deus (Mc 4,11). Foi da Galileia que a Boa Nova se espalhou para todas as regiões ao redor (Mc 3,7-12). Na e da Galiléia os discípulos podem continuar sua missão de pregar o Evangelho e curar todos os povos no mundo inteiro (Mc 13,10;14,9). E foi na Galiléia que Jesus ressuscitado precedeu os discípulos (Mc 16,7). A Galiléia é, por isso, o lugar onde com os mesmos gestos, com a sua bondade e disponibilidade, os discípulos reconhecerão a presença viva daquele Senhor que conheceram. A Galiléia é o lugar em que o Senhor Ressuscitado se lhes manifestará visivelmente e onde Jesus começará a reconstrução da comunidade, aquela reconstrução que era anunciada na Paixão em que Jesus disse: “Todos vós vos escandalizareis, porque está escrito: Ferirei o pastor e as ovelhas se dispersarão. Mas depois que eu ressurgir, eu vos precederei na Galiléia” (Mc 14,27-28). E Jesus é fiel às suas promessas. A Galiléia é o lugar onde a comunidade dos Doze será reconstruída. Todo o Evangelho de Mc deve ser meditado na aceitação de que Jesus vive e fala hoje aos seus e os chama, como ele os chamou junto ao lago (Mc 1,14-20), ou junto ao monte(Mc 3,13-19) e continua a estar na Igreja, em cada cristão.
“Ele vos precederá na Galiléia”. A palavra “preceder” é usada também em Mc 10,32 quando Jesus está a caminho rumo a Jerusalém. Jesus precedeu os discípulos na Morte e na Nova Vida que o Pai lhe deu. Ele precederá os discípulos na Galiléia. “Jesus vos precederá” é uma promessa para todos nós. Para onde formos, como verdadeiros cristãos, devemos estar conscientes de que Jesus sempre nos precede. Ele sempre chega primeiro que nós. E ele nos guia para onde ele se encontra. Que saibamos reconhecer essa precedência e esta presença. Quando temos esta consciência, nenhuma dificuldade vai nos bloquear, pois Jesus nos precede e com isto, abre o caminho para nós. Mas com uma condição: que sejamos fiéis à Sua Palavra, pois a Sua Palavra nos orienta sobre o que devemos fazer.
5. Algumas Das Implicações Da Fé Na Ressurreição
a). A Páscoa cristã é a festa das festas, e o cristão é aquele que afirma: o Senhor ressuscitou verdadeiramente. O cristianismo nasce e progride desta proclamação fundamental: Jesus Cristo que foi crucificado, ressuscitou verdadeiramente. Da ressurreição de Cristo deriva todo o resto da mensagem cristã. Sem a vitória de Cristo sobre a morte, toda a pregação seria inútil e a nossa fé seria vazia de conteúdo(cf. 1Cor 15,14-17). A ressurreição do Senhor é uma realidade central da fé cristã. A importância deste milagre é tão grande que os Apóstolos são, antes de mais nada, testemunhas da ressurreição de Jesus(cf. At 1,22;2,32;3,15). O núcleo de toda a pregação é este: Cristo vive e vive no meio de nós(cf. Jo 1,14;Mt 28,20). A páscoa da ressurreição é a grande festa cristã. Este mistério é tão importante e central é que o celebramos ao longo de todos os domingos e festas do ano litúrgico e inclusivamente na Eucaristia diária. Certamente cada eucaristia que se celebra, celebra-se e proclama-se ao mesmo tempo a ressurreição do Senhor e a nossa também. A eucaristia dominical é a páscoa semanal. A eucaristia diária é a páscoa diária.
Sem dúvida nenhuma, a Páscoa é, por isso, o próprio conteúdo da fé cristã, é o coração da vida da Igreja porque ela nos revela quem é Deus, quem é Jesus Cristo e quem somos nós. A ressurreição nos mostra que o Deus revelado por Cristo é Aquele que ama e quer a vida. A Páscoa nos revela que Jesus, morto e ressuscitado, é Aquele que converge toda a história da humanidade. E ao mesmo tempo revela que a fidelidade é o caminho certo para chegar à Páscoa eterna com Deus. A Páscoa também nos revela que somos chamados a ressuscitar com Jesus, a superar com ele o drama da morte para podermos permanecer com ele na vida que não tem fim.   
b). Pela ressurreição do Senhor sabemos que Deus ama a vida. A Páscoa é a gloriosa manifestação de um Deus que ama a vida, que quer a vida e não a morte, de um Deus que, além disso, faz com que da morte surja a vida.
Crer na ressurreição implica, por isso, defender a vida, especialmente a dos mais indefesos; implica respeitar a vida alheia como a própria; implica lutar pelo que é certo e justo, pois estes predicados como outros semelhantes é que garantem a vida sem fim; implica estender a mão para levantar quem se encontra sob o peso dos problemas desta vida. Procurar o Senhor ressuscitado implica comprometer-se com aqueles que veem o seu direito à vida permanentemente violentado e violado. Acreditar na ressurreição significa afirmar a vida contra a morte.
c). A ressurreição é o gritofestivo da fé. Com a ressurreição, o grito de Jesus na Sexta-FeiraSanta “Deusmeu, Deusmeu, porquemeabandonaste?” (Mc 15,34), gritoquesintetiza todas as situações de aflição da humanidadese transforma, na noite de SábadoSanto, emgritofestivo de fé e de esperança: Cristoressuscitou. É umgritode féporqueanuncia algoqueaconteceu emCristoe permanece parasempre. É o grito de esperançaporque a partirde Jesus Cristo ressuscitado a vidahumana tem umfuturoe queninguémpode tirá-lo de nós, e que seremos ressuscitados também. A certeza deste gritode alegria e de esperançanosproclamaque a bondadesoterra a maldade, quea mortejátem o seucontrapesode vida, quetodacrisepode ser suplantada, quecomCristotodatristezaconhecerá a alegria.
Infelizmente temos que confessar que a nossa existência humana é muitas vezes dominada por uma tendência de diminuir as esperanças, reduzindo-as cada dia mais por causa das ilusões, e a nossa tristeza nos leva, com frequência, a recusarmos palavras de conforto, porque nós não temos ideia exata da libertação que nos foi concedida por Jesus ressuscitado. Precisamos estar conscientes de que a Páscoa é uma recriação, é uma nova criação da humanidade, pois Jesus, pela sua ressurreição, inaugurou um mundo novo no meio de nós.
d). A ressurreição de Cristo é uma resposta às esperanças de um destino humano aberto para o futuro novo. Quando este futuro novo for negado, a pessoa se fecha a si mesma, fica insatisfeita e chega às margens do desespero. A ressurreição nos leva a certeza de que a vida jamais acabará e de que o triunfo da vida não é mais ameaçado pela morte. O Ressuscitado está conosco, e continua vivo dentro da história e junto com ele nós estamos em condições de vencer o mal com o bem, de tirar do mal o maior dos bens. Esta é força e a novidade da Páscoa. Quem crê na ressurreição não é permitido viver triste. Somos destinados e chamados a viver plenamente com Deus, alegres na esperança com os irmãos da mesma peregrinação.
e). Da ressurreição de Jesus nasce, antesde maisnada, uma esperança. Cristoé nossaesperança(1Tm 1,1). Nessa esperançanós, cristãos, aprendemos a acreditaremDeus e a desentranharo sentidoúltimodo homem. Masa esperança de quese tratanãoé virtude de uminstanteoureação de ummomento. É uma atitudepermanente, umestilo de vida. É a forma de enfrentara vidaprópriado cristão. Se perderessa esperança, perde tudo. Deixa de sercristão. Aqueleque vive animadopelaesperança cristã põe seuolhar no futuro. Elenão fica apenascom o presente, nem vive presoao passado, masolhasempreparafrente. A esperançasempregera uma perspectiva de futuro. E esta esperançadá origem a uma novamaneira de se posicionarna vidaapesardas dificuldades, comodiz São Paulo: Somos atribulados portodos os lados, masnãoesmagados; postosemextremadificuldade, masnãovencidos pelosimpasses; perseguidos, masnãoabandonados; prostrados porterra, masnão aniquilados (2Cor4,8-9). A esperança vive da confiançaemDeus, como o profeta Isaías diz: É ele (Deus) que dá forçasao cansado, queprodigaliza vigor ao enfraquecido. Mesmo os jovensse cansam e se fatigam; até os moços vivem a tropeçar, mas os que põem a suaesperançaem Yahweh (Deus) renovam as suasforças, abrem asascomoas águias, correm e nãose fatigam, caminhar e nãose cansam” (Is 40,29-31). Que cadaum de nós seja umpequenosinal, uma pequenaprovadesse Deus da esperança! FELIZPÁSCOAPARAVOCÊ E SUAFAMÍLIA!
P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-03-28 16:29:00

SEXTA-FEIRA SANTA, 30/03/2018
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ENTREGAR-SE ATÉ À MORTE
SEXTA-FEIRA SANTA
O Sentido Da Paixão (Cruz) De Cristo
A paixão e a Morte de Jesus fazem parte do mistério pascal. E Páscoa significa “passagem”, a passagem de Jesus, através da morte, para a vida nova. A Sexta-feira Santa é o primeiro ato desta passagem. O símbolo central da Sexta-feira Santa é a Cruz gloriosa e vitoriosa de Jesus Cristo.
A cruz é a grandeza e o mais impressionante constrangimento para os homens. A cruz e a dor nos incomodam. Por causa disso, os homens de ontem e de hoje preferem ficar quietos e não querem encarar a cruz de Cristo. E isso porque muitos dos nossos triunfos humanos foram alcançados à custa de levantar mil cruzes, nas quais crucificamos os outros em nome de nossos interesses e egoísmos. O triunfo do dinheiro, do poder, do lucro, da fama, do egoísmo, custou o sangue de muitos. Não nos atrevemos a olhar para a cruz de Cristo porque nele vemos muitas outras cruzes que produzimos para os outros.
O mistério que se esconde na morte de Cristo na cruz não pode ser esgotado nas explicações humanas. A cruz é o resultado da missão do Pai assumida até as últimas consequências de serviço e amor para a salvação do homem total. Cristo, assumindo a figura do Servo, dá uma resposta ao plano salvador de Deus, e o Pai, ressuscitando Jesus dentre os mortos, acolhe esta plenitude de resposta no Filho.
Esta explicação fundamental é particularizada em diferentes esquemas de interpretação da morte de Cristo:
  • Jesus, profeta e mártir glorificado: Jesus é o profeta que, como outros, é condenado à morte injustamente. Mas porque ele é o profeta escatológico que dá a vida pelos outros, ele é ressuscitado por Deus.
  • Jesus, cumpridor da vontade de Deus: a morte de Cristo não seria outra coisa senão o cumprimento das Escrituras, segundo o qual “era necessário” que alguém morresse pela salvação dos demais (1 Cor 15,6; Lc 24, 26ss; Mc 8,31; Mt 26,31).
     
  • Jesus, expiador do pecado dos homens: neste caso, o caráter esoteriológico da morte se destaca. Cristo morre “por nós”, entrega a sua vida “em resgate de muitos” (Mc 10,45), expiando nossos pecados e, assim, redimindo a humanidade perdida. “Morto por nós”, essa palavra tão familiar, corrente na linguagem cristã é, na verdade, uma das palavras mais misteriosas. A morte de uma pessoa é uma nota própria dessa pessoa, põe fim à sua vida, não dá a vida a outros. Em sua morte glorificante, Jesus é doação de si. Em comunhão com o Pai que é amor, Jesus existe para o mundo.
  • A partir da cruz de Jesus sabemos que somos amados de Deus. Amados por Deus, qualquer que seja a obscuridade e a insignificância da nossa situação atual. Somos amados de Deus é uma mensagem transformante; é uma mensagem que abre todos os nossos horizontes. Embora eu me sinta abandonado, solitário e perdido num mundo violento e sem rumo, eu sou amado por Deus. A minha história, por escura que seja, se torna uma história de salvação porque Deus me ama.  Deus se dá para mim, e ele dá para mim aquilo que ele tem de mais caro: seu Filho único, Jesus Cristo (Cf. Jo 3,16). Mas esta entrega é perene, e não é apenas um ato passado. Deus nos ama permanentemente no decorrer humano da nossa vida através de sua providência e através da eucaristia celebrada e participada.
     
  • Jesus, solidário radical para a salvação plena: a morte de Cristo seria, definitivamente, o resultado de uma assunção radical da condição humana que exige, para ser redimida, uma solidariedade até a morte. Somente na morte de Cristo pode encontrar o sentido da morte do homem.
     
  • Jesus, reconciliador para uma aliança nova: “Porque quando éramos inimigos fomos reconciliados com Deus pela morte do seu Filho” (Rm 5,10; Cf. Cl 1,20-22). A morte de Cristo rompe as barreiras da separação e nos devolve a amizade com Deus, realizando a nova aliança. O inocente, carregando nossos pecados, repara a ofensa e estabelece uma nova relação com Deus.
     
    Nossas Cruzes E A Nossa Cruz Existencial Sob A Cruz De Cristo: Um Chamado À Conversão Contínua
     
    Todos nós carregamos alguma cruz na nossa vida. Há cruzes de todos os tipos. Há cruzes em todos os caminhos. Para encará-la cada um tem seu próprio modo. Para alguns, a cruz pode ser vivida como tribulação, para os outros ela pode ser vivida como libertação. Há cruzes com Cristo, mas há também cruzes sem Cristo. Cada cruz, então, tem uma história e cada história tem uma cruz. A cruz sem Cristo é a cruz-condenação. É a cruz de quem deseja ser um deus. É a cruz que não tem finalidade em si mesmo. É a cruz sem fé, sem amor, sem sentido da vida, sem renúncia por amor. É a cruz de quem deseja viver numa liberdade sem responsabilidade. Jesus Cristo, que foi crucificado, transformou a cruz de castigo em bênção.
              
    A mãe de Jesus acompanhava o filho Jesus que estava carregando a cruz silenciosamente. A cruz do filho é a cruz da mãe. Ela também carrega esta cruz silenciosamente. A ressurreição do filho é a ressurreição da mãe. Na Mãe de Jesus podemos ver tantas mães do mundo. Sem dúvida, muitas mães carregam silenciosamente a cruz ao saber que seu filho se droga ou se perde no mundo da criminalidade. Crucificadas, essas mães acompanham a cruz de seu(s) filho(s) com o amor incondicional como a Mãe de Jesus que se encontrou ao pé da cruz com o amor incondicional.
              
    Todos nós somos convidados a refletir tais situações e outros tipos de cruz sob a cruz de Jesus ressuscitado que transformou a cruz em momento de transfiguração cujo ápice é a sua ressurreição. A partir de Cristo e somente com Cristo podemos sofrer, mas nunca sofreremos em vão. Sem Cristo é que sofreremos em vão. Este tipo de sofrimento tortura e angustia e não liberta.
     
    Carregar a Cruz Sem Ser Cruz Para Os Outros
     
    Cristo carregou uma cruz, mas nunca foi cruz para os outros nem colocou cruzes nos caminhos dos outros. Quando contrariarmos a vontade de Deus por causa do pecado que faz ninho dentro de nós, nos tornaremos cruzes para os outros e colocaremos cruzes em seus caminhos. Quando os outros contrariarem a vontade de Deus, tornar-se-ão cruzes para nós e colocarão cruzes em nossos caminhos. Assim, os outros são cruzes para nós e nós somos cruzes para os outros. Cristo quer que não sejamos cruzes para ninguém, mas imitadores de seu amor apaixonado pela humanidade.
              
    Por isso, pregar a cruz a partir de Cristo significa ter consciência do pecado que faz ninho no nosso coração que causa tantas cruzes na própria vida de quem o comete e na vida dos outros com quem convive. A presença do pecado como uma força destruidora cria muitas cruzes na convivência humana, pois nunca somente vivemos, mas sempre convivemos. Cada ato nosso, seja positivo ou negativo, sempre tem consequência direto ou indiretamente para a vida dos outros. Esta consciência de ser nosso coração a hospedagem também do pecado, nos leva a um ato de acabar com as muitas cruzes que criamos através do trabalho contínuo de arrancar o ninho do pecado dentro de nós através da conversão contínua. Não podemos esquecer que a cruz de Jesus é uma revolta contra a dignidade humana violada, contra aquilo que deveria ter evitado para não criar tantos sofrimentos na própria vida e na vida alheia. Pregar a cruz de Cristo significa convocar as pessoas para um amor e para um perdão incondicionais, para a capacidade de não permitir que o ódio e suas múltiplas manifestações reinem o coração humano onde Deus deposita seus segredos. Sem esta atitude não haverá a paz e a ressurreição; não haverá a passagem do homem velho para o homem novo criado para o céu. Que sejamos uma ressurreição e não a cruz para os outros. Que sejamos solução e não problema para os outros.
     
    Hoje adoramos a Cruz de Jesus ou Jesus crucificado. Na adoração da cruz, não é a ela sozinha que devemos adorar (o que seria idolatria). Adoramos o imenso amor de Deus, manifestado na entrega de Jesus, no amor-serviço. Por isso, ele disse: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13).
              
    Basta você amar de verdade qualquer pessoa, sem dúvida nenhuma, você vai sofrer muito por isso, como Cristo. Verifique seu coração se dentro dele existe o amor verdadeiro? Onde existe o amor verdadeiro, lá está Deus, lá está a paixão, mas lá se encontra a semente da ressurreição. Esta é a nossa esperança.
     
    “Jesus Crucificado!
    Sempre Te levo comigo,
    Preferindo-Te acima de qualquer coisa.
    Quando caio, Tu me levantas.
    Quando choro, Tu me consolas.
    Quando sofro, Tu me curas.
    Quando Te chamo, Tu me respondes.
    Tu és a Luz que me ilumina.
    O sol que me aquece.
    O alimento que me nutre.
    A fonte que me sacia.
    A doçura que me inebria.
    O bálsamo que me restaura.
    A beleza que me encanta.
    Jesus Crucificado!
    Sejas Tu a defesa de minha vida.
    Meu conforto e confiança na minha agonia.
    E repousa no meu coração
    Quando chegar a minha última hora.
    Amém!” (Dom Bruno Forte).
     
    P. Vitus Gustama,SVD

É PRECISO CAMINHAR 2018-03-24 18:38:00

29/03/2018
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QUINTA-FEIRA SANTA
Jo 13,1-15
O texto Jo 13,1-15 faz parte do discurso da despedida de Jesus (Jo 13,1-17,26). Na realidade, o discurso de despedida se encontra apenas nos capítulos 13,31-14,31. A continuação lógica de Jo 14,31 encontramos em Jo 18,1, no relato da paixão. Jo 15-17(três capítulos) havia sido introduzido neste espaço aberto por evangelista-redator para incluir no evangelho o material precioso que até agora não tem encaixado dentro do esquema do evangelista.
O texto começa com esta frase: “Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”. Este primeiro versículo do capítulo 13 é muito solene; e é uma abertura e uma espécie de síntese de toda a segunda parte do Evangelho de João (Jo 13,1-20,29). Fala-se neste versículo a chegada da hora de Jesus que vinha sendo preparado passo a passo na parte anterior (Jo 2,4;7,6.30; 8,20;9,3-5;12,23).
Fala-se também da pasço a(passagem).  A páscoa do Senhor se caracteriza pelo amor: “Ele, que tinha amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”. Jesus vai passar ao Pai (páscoa, passagem). É uma passagem nova e diferente. Mas para chegar ao Pai ele tem que passar pela cruz onde ele se entrega para dar a vida ao homem por amor. O seu amor se expressa no máximo grau dando a vida por seus amigos (Jo 15,13). Por isso, Jo usa o termo ágape, aqui, quando se fala do amor. Ágape é o amor divino cujas características são estas: gratuita, total, imutável e definitiva. Estas características nos mostram que Jesus está totalmente com Deus, a ponto de ele amar como Deus ama. Jesus ama sem medida. Um ser humano que ama desta maneira significa que ele foi modelado por Deus de amor. Este é a última etapa passada por Jesus. O que vem a seguir é explicação e aprofundamento do que significa “amar até o fim”.
Jesus querque façamos esta páscoa(passagem). É uma passagem, na linguagem de SãoPaulo, do homemvelhoao homemnovo, do fermento da malíciaaos pãesnãofermentados de pureza e de verdade (cf. 1Cor5,8). Esta passagem é ummodo de viver a umoutro, do viverpara o mundo e conforme o mundo, ao viverpara o Pai. É uma passagemdo “eu” paraDeus e do “eu” para o outro. A páscoa é caminharemdireção de Deus. É deixar-nos iluminarpelaluzde Deus e expornossavidaao SeuJulgamentoe ao seuperdão. É preciso abrirmos “as janelas” de nossocoraçãoparadeixar a luzdivinaentrar nele. Porisso, é uma passagem à liberdadee à alegria. Se formos sinceros, somos aindaescravos de tantas coisas. E Deusnosconvida a sairmos de tudoisto. Isto se chama a páscoa, uma passagem. Comoé bomserlivre!
A expressão“os seus” é característicanesta passagem. Elaindica a intensidade do amor, a predileçãoe a pertença a Cristo. Esta expressão é unida a outra: “queestavam no mundo” parasublinhar a situaçãode solidão, de perseguição e de estranheza dos discípulosno mundo. A relação“discípulo-mundo” aparece com frequência noscapítulos13-17. Aexpressão “atéo fim” (eistelos), que significa duplamente: “total, absolutamente” e “atéo últimomomentoda vida, atéa plenitudeouno maisaltograu”, preparaa exclamação de Jesus na cruz: “Está consumado” (Jo 19,30; 19,28). Jesus amasemmedida. Em Jo 15,13 se apresenta a mortevoluntáriacomoa expressãosupremado amor: “Ninguémtem maioramordo queaqueleque dá a vidaporseusamigos”.
Depois da soleneaberturasegue-se a últimaceia. Para a mentalidadesemítica, partilharuma ceianãoé apenascomerjuntosummesmoalimento. Mais do queisto, é tera ocasião de trocarideias e de entrarprofundamenteemcomunhãode sentimentos; sublinha-se uma relaçãoíntima; assim, a convivialidade assume umvalorsocial e espiritual. As aliançasentreas pessoas eram, na maioriadas vezes, firmadas duranteumbanquete(cf. Gn 26,30;31,54; Ex 24,9-11).
Em meioao jantar, Jesus se levanta, tirao manto, pegauma toalha e a amarrana cintura e começaa lavar os pésdos discípulos. “Tiraro manto” significa abrirmão de todoprivilégioouposiçãosocial. O ato de “lavaros pés” (nosvv. 5-14 ocorre 8 vezes o verbo “niptein”, “lavar”, num totalde 13 vezes no NT) eracomum no AntigoOrienteparahonrarumhóspedequeviera porcaminhospoeirentos. Estegesto fazia parteda hospitalidade. Quemprestava esseserviçopodiam ser, comuma conotação de carinho, os filhosoua esposa, ou, comomanifestaçãode dedicação, o próprioanfitrião (cf. Lc 7,44), masnormalmenteerafeitoporalgumescravo. O gestotinha uma conotaçãode humilhaçãotãoforteatécertosrabinosproibiam que os escravosjudeus fossem obrigadosa prestaresseserviço a seuspatrões. Jesus se põe a fazero que faziam os escravosnão-judeus ou as mulheres. Jesus garante que a felicidadenão está nostítulos, honra, ouposiçãosocialqueas pessoa ocupam, masestá emdescobriro caminho do serviçoqueentregaa vidaporamor.
 O evangelho não diz quem foi o primeiro a ter os pés lavados. Isso é sinal de que Jesus não privilegia ninguém. Todos recebem seu amor-serviço de modo igual e imparcial, inclusive o traidor, Judas.
Simão Pedro reage com energia. Ele viu no gesto de Jesus lavar os pés um mero gesto de humilhação; Jesus, porém, a dedicação da própria vida. Ele continua acreditando que é muito normal que numa comunidade alguns sejam senhores e outros sejam servos, os primeiros cheios de direitos e privilégios e os segundos cheios de deveres. Ele crê piamente numa sociedade de desiguais. Por isso, ele representa aquelas que seguem a Jesus mas ainda não se encontraram.
Diante da reação de Pedro Jesus disse: “Se nãotelavo os pés, nãoterás partecomigo” (v.8). A resposta de Jesus a Pedro querlheafirmarque o sacrifício da cruzpurifica muitomaiseficazmentequeas abluções antigas. O lava-pés simboliza todaa missão de Jesus: a entrega de suavida; nãosomente o serviçoprestado aos demais, e sim o serviçosupremo prestado aos homenspeloServo de Deusporexcelência. Jesus diz quesemlavar os pés, Pedro não terá partecom Jesus. “Terparte” é uma expressãosemítica. A parteé a herançaqueDeus concede ao seupovo (Gn 31,14;2Sm 20,1;1Rs 12,16). Na meditaçãojudaica, o temada herança aprofundou-se emtrêsdireções: individual, espiritual e escatológica. A herança, porisso, não é maissimplesmentea Terra Prometida, masa comunhãocomDeus, a salvação ou a vida, na linguagem de João; e nãomais uma realidadepresente, masfutura. O gestode Jesus, então, deve sercompreendido no sentido de participar do domescatológico. E não é possívelcomungar da vida de Jesus semaceitarsualógica do serviçoradical.
No diálogocom Pedro, Jesus afirma: “Tambémvós estais limpos, masnãotodos” (v.10b). Jesus está falando do traidor(Judas). Porisso, é bomler o v.21 logodepoisdo v.11 paraversua sequência lógica. Cristonãoexclui o traidor do benefício do ritodo lava-pés. Todavia, o ritonãoterá paraelenenhuma utilidade. Masmesmodiantedaquele que o trairá, o Senhorse abaixa. Ao dizer” nem todos estão limpos” Jesus se refere à purezaque nasce do coraçãoda acolhida à Palavra e que cresce na fé. No relato maisadiante, Jesus identificará o traidorcom estas palavras: “É aquelea quemeuder pãoquevou umedecer no molho” (Jo 13,26). O ato de Jesus de oferecer o pão umedecido no molho a Judas é o sinal de carinhoespecial. Istoquerdizerqueaté o traidor Jesus amaaté as últimas consequências, de maneiraextraordináriae quersuasalvação. MasDeuscontinua respeitando a liberdade de escolha do homem. Deussempreprovoca as pessoas à tomada de decisão. A únicacoisaqueDeusfaz é oferecer o seuamor ao serhumanoaté o fim, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). E infelizmente, Judasnãoaceita esta oferta de amor. É duronãoquererseramado. É incompreensívelnãoquereraceitar o carinho. Aqueleque é capaz de receberamor do Outro e dos outros, é capaztambémamaros outros.
Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus retoma o manto e senta de novo à mesa, ou seja, volta à condição de pessoa livre pois os dois gestos “retomar as vestes” e “sentar-se” indicam a condição da pessoa livre (os escravos permaneciam de pé, prontos para executar as ordens do seu senhor). Aqui há um detalhe importante: o evangelho não diz que Jesus tenha tirado a toalha, símbolo do serviço por amor. Esse pormenor é muito significativo, pois o serviço de Jesus continuará até a cruz.
A Vida Cristã É Uma Vida Dedicada Ao Serviço Fraterno
A toalhaou o aventalé o símbolo do serviçoao irmão. O serviçoao irmão é o distintivoque o cristãojamais pode depor, deve vesti-lo vinte quatrohoraspordia, pois a todomomento pode haverumirmãoqueprecisadele e ele deve estarsempreprontoa prestar-lhe o seuserviço. Se não aceita gastara vida no humildeserviço aos necessitados, nada tem emcomumcomJesus: “Dei-vos o exemplo, paraquefaçais a mesmacoisaqueeufiz” (v.15). É umindicativo e umimperativo ao mesmotempo. O quedevemos fazer (imperativo) está fundadosobrealgoquenos foi dadoporCristo(indicativo), algoque é anteriorà nossaobrigação. Antes da obrigaçãomoral vem o domde DeusemJesus. Importa “deixarlavaros pés (sersalvo) porJesus, mas devemos também“lavar os pésuns dos outros” (serviço fraterno). Jesus amou primeiro (cf. 1Jo 4,10.19), mas a partir daí é nossavez. Continuar as ações de Cristonãoé repetirritosmasatitudes: amor e serviço. O amorsinceroe o serviçoalegre, ao estilo de Jesus, há de sero modo de presençade cadacristãoneste mundo.
A chamada de Deus, a vocação pessoal é sempre uma missão, um serviço aos homens. Servir a Deus significa servir aos homens com o intuito de salvá-los e de torná-los parceiros do bem. Quanto mais alto “cargo” que se tem na Igreja/comunidade, mais profunda se torna consciência da vocação para servir. “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos”, disse Jesus de si mesmo (Mc 10,45).  O serviço de Jesus é redentor, pois Ele serve para salvar os homens. Jesus dá sua vida para resgatar os homens.  Aquele que se preocupa com a própria fama na Igreja em vez de procurar meios adequados para melhorar a vida do próximo e salvar o próximo não está seguindo a Jesus Cristo.
Servir é aquele ato em favor do outro sem esperar nada em troca. É a prontidão para ajudar como um servo que está pronto para servir seu senhor. Servir é uma adoração em ação. O culto que prestamos a Deus (adoração) se prolonga no serviço para ser completo (missão). Seguir a Jesus não significa dominar, e sim servir. O serviço equivale ao seguimento.Por isso, o serviço não é somente um conjunto de boas obras, pequenas ou grandes, de ajuda aos demais. O que conta é a atitude de serviço como atitude de vida. Servir é, para o cristão, um estilo de vida, e não é apenas uma atividade em determinado momento da vida diante dos demais.
O serviçopode seranimadopeloamordevotado (o dos paispelosfilhos). Mas muitas vezesessemesmoamor pode sercorrompido pelavontadede poderquese aninha no coração do homem, tornando-se o serviçoprestado uma maneira de levaro outro a dependerda pessoaemquestão. Não podemos esquecerque a morte de Jesus é umgrandedomparanósporquenosliberta. Sóquando tivermos assimilado essefato de esvaziamento de Deusparanós, seremos capazesde “lavar os pés” uns aos outrossemnos tornarmos importantesou impormos nossa“caridade”. ImitarJesus é imitarDeusque se esvazia pornós.
De que modo podemos traduzir em gestos concretos o lava-pés na nossa vida cotidiana e o amar até o fim? Não poderemos exercer o amor até o fim, se nosso coração não estiver despojado.
QUINTA-FEIRA SANTA É O DIA DA INSTITUIÇÃO DA EUCARISTIA
A Igreja recebeu a Eucaristia de Cristo seu Senhor, não como um dom, embora precioso, entre muitos outros, mas como o dom por excelência, porque dom d’Ele mesmo, da sua Pessoa na humanidade sagrada, e também da sua obra de salvação. Esta não fica circunscrita no passado, pois « tudo o que Cristo é, tudo o que fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente(João Paulo II: Carta Encíclica Ecclesia De Eucharistia, no. 11b).
A Igreja vive da Eucaristia. Esta verdade não exprime apenas uma experiência diária de fé, mas contém em síntese o próprio núcleo do mistério da Igreja. É com alegria que ela experimenta, de diversas maneiras, a realização incessante desta promessa: « Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo » (Mt 28, 20); mas, na sagrada Eucaristia, pela conversão do pão e do vinho no corpo e no sangue do Senhor, goza desta presença com uma intensidade sem par. Desde o Pentecostes, quando a Igreja, povo da nova aliança, iniciou a sua peregrinação para a pátria celeste, este sacramento divino foi ritmando os seus dias, enchendo-os de consoladora esperança (idem no.1).
Neste dia celebramos também o dia da instituição da eucaristia. Em Jo não se fala da instituição da eucaristia. No lugar disto, ele coloca um discurso longo sobre o Pão da vida (veja Jo 6).
Os relatos da Instituição da Ceia chegaram até nós segundo quatro recensões diferentes: a de Mt 26,26-28, a de Mc 14,22-24, a de Lc 22,19-20 e a de Paulo em 1Cor 11,23-25. Não analisaremos estes textos. Tiraremos apenas algumas mensagens da Instituição da Ceia ou a importância da Eucaristia na nossa vida como cristãos. Cada um pode tirar outras mensagens que não se encontraram nesta reflexão. Assim nos enriquecemos uns aos outros.
1. A eucaristia é uma refeição compartilhada e antecipação do banquete celeste
Nenhum dos outros sacramentos instituídos por Cristo supera a este em virtude e excelência. Os outros conferem a graça, mas este contém o próprio Autor da graça, é origem e fim dos outros; como esplendoroso sol do meio-dia em torno do qual giram e são iluminados os outros satélites (Paulo VI: Carta ao Cardeal Landázuri).          
A refeição sempre foi e ainda é um momento importante na vida de qualquer família. Comer juntos significa repartir os dons, as alegrias e os sofrimentos. É o momento sagrado, principalmente para o mundo oriental. Convidar alguém para almoçar ou jantar é sinal de hospitalidade e de amizade, pois ninguém convida qualquer pessoa para um almoço ou jantar na família. Para o mundo oriental, convidar alguém para a própria mesa é sinal de paz, de confiança, de fraternidade, de perdão (cf. alguns exemplos: Gn 26,30s;31,54;2Rs 25,27-29;Jr 52,31-33).
Jesus certamenteinstituiu a eucaristiadentro de uma refeição, a ceia. Na ceiaJesus nãosomenteoferece alimento, masdeu-se comocomidae bebida sagradas: seuCorpo e Sangue. Sabemos que a vidaé uma caminhadaparaa casa do Paionde participaremos do banquete do Reinoeternamente (cf. Lumen Gentium VII, 48-50; SC 8). Se a nossavida é uma peregrinaçãorumo à casado Pai, necessitamos de duas coisas: o caminhoe o alimento. Jesus certamenteé o Caminho (Jo 14,6). Ele se faz o caminhoparaquenão fiquemos perdidos no mundocheio de outroscaminhosquenos levam à perdição. Além do caminho, paraquepossamos chegar à casado Pai nesta peregrinaçãoprecisamos também de alimento. Quem quiser andarlongecomforçanecessária, precisateralimentosuficienteparanãomorrer de fome no meio do caminho. Jesus sabe disto e porissoele se faz alimentoparatodos os peregrinosdesta vida: “Tomam e comam, isto é o meucorpoque é dadoporvocês” (Mt 26,26; Lc 22,19). Com Jesus que é o Caminhoe o alimento chegaremos atéa casa do Pai.
Mas o banquete eucarístico da qual participamos nesta terra não é somente o alimento na nossa peregrinação para a comunhão plena com o Pai. O banquete eucarístico também é “o céu na terra. E a liturgia que celebramos na terra é misteriosa participação na liturgia celeste”, diz o Papa João Paulo II. Como a própria Constituição Sacrosanctum Concilium do Concílio Vaticano II afirma: “Na liturgia da terra nós participamos, saboreando-a já, da liturgia celeste, que se celebra na cidade santa de Jerusalém, para a qual nos encaminhamos como peregrinos, onde o Cristo está sentado à direita de Deus...” (SC 8). Por isso, vamos realmente ao céu quando vamos à missa, independentemente da qualidade da música ou do fervor da homilia. A missa é realmente o céu na terra. No céu agora mesmo! Na missa você e eu temos o céu na terra. Não podemos obter mais na terra do que o próprio céu. Que maravilhoso Jesus que instituiu a eucaristia.
O significado fundamental da Eucaristia é muito claro: ela é o sacramento de a vida compartilhada, isto é, a Eucaristia é o símbolo sacramental que expressa e produz a solidariedade com a vida que Jesus levou (“Tomai todos e comei. Isto é o meu Corpo; Tomai todos e bebei. Ito é o meu Sangue”); e a solidariedade também entre os fiéis que participam do mesmo sacramento e a solidariedade com os demais irmãos fora dessa comunhão (amor sem fronteiras).
O mais importante no dom da partilha não é o ato de dar e de partilhar e sim o doar-se. Não é somente dar o que é meu, mas dar-me a mim mesmo (“Corpo e Sangue”). É dar, doando-se; é converter-se em dom que se doa; é oferecer-se a si mesmo na oferenda. Quando o dom envolve e compromete o doador, chega à sua máxima verdade de dom.
Já que a Eucaristia é um sacramento da vida compartilhada, consequentemente, não há mais lugar para a indiferença, nem para o egoísmo, nem para a objetivação, nem para o individualismo, nem para o ódio, nem para vingança (cf. Mt 5,23-24), nem para disputas para saber quem é melhor e maior. A melhor oferenda a Deus é o próprio oferecimento de si mesmo ao irmão. Os outros necessitam de nossos bens, mas, sem dúvida nenhuma, necessitam muito mais de nosso amor, de nossa compaixão, de nossa solidariedade, de nossa compreensão… Se por trás de uma oferenda está a atitude de amor, então a nossa oferenda se torna autêntica. Oferecer-se a si mesmo é colocar diante de Deus, com simplicidade, o que somos e o que temos: nossas alegrias e nossas dores, nossos desejos e nossas esperanças, nossas lutas e nossos fracassos juntamente aos outros irmãos.
De tudo que foi Dito percebemos que o significado fundamental da Eucaristia está em relação à comida compartilhada. Compartilhar a mesma comida é compartilhar a mesma vida. Como na Eucaristia a comida é Jesus (Tomai todos e comei. Isto é o meu Corpo. Tomai todos e bebei. Isto é o meu Sangue), daí se segue que a Eucaristia é o sacramento no qual os crentes se comprometem a compartilhar a mesma vida que levou Jesus e a compartilhar também a mesma vida entre eles no amor e na solidariedade.
Por conseguinte, pode-se dizer, com toda certeza e com todo direito, que onde não há amor e vida compartilhada não há Eucaristia.
2. Na eucaristia Jesus é o Cordeiro sacrificado para a nossa salvação
Jesus morre na mesmahoraemque os judeusmatavam o cordeiro da suapáscoa. Istoquernosdizerque o verdadeiroCordeironão é o animale sim o Cristoque morre na cruz. O sacrifício de Jesus, comocordeiro, realizou o quetodo o sangue de milhõesde ovelhas e tourose bodesjamaisconseguiu. “Pois é impossívelque o sanguede touros e bodeselimine os pecados” (Hb 10,4). Paraexpiar as ofensascontraumDeusque é bom, infinito e eterno, a humanidade precisava de umsacrifícioperfeito. E esseera Jesus, o únicoque podia “abolir o pecadocomseuprópriosacrifício” (Hb 9,26). A eucaristiaé a manifestação do amorapaixonado de Jesus pelohomem.
A verdadeira páscoa é a Ceia do Senhor, onde se come e se bebe o Corpo e o Sangue de Cristo. A verdadeira páscoa é a de Jesus que está morrendo na cruz, entregando seu corpo e derramando seu Sangue para a nossa salvação. E na missa repetimos e atualizamos com ele, sua paixão, morte e ressurreição.
3. A eucaristia, o Corpo e o Sangue do Senhor, é a expressão do amor de Jesus por todos e é o alimento para todos
Na primeiracarta aos Corinthians, São Paulo diz: “…na noiteemque foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão…” (1Cor 11,23). É a fraseconhecidaportodos, poisemcadaEucaristiaquecelebramos pronunciamos ou ouvimos esta mesmafrase na hora da consagração. O que se refere aquié Judasquetraiu Jesus e todosnós, pecadores. Jesus dá o seuCorpo e o seuSangueparatodostantopara os que o traem, os quefogem e os que o renegam tantopara os que o seguem fielmente. As nossas traições, as nossas fugas e as nossas infidelidadesnão podem senãoexaltar a grandezae a profundidade do o amor de Jesus pormim, porvocê, portodosnós. Eleama o pobre, o infeliz, o pecador, comouma mãequeamaseufilhosimplesmenteporque é seufilho e se estefilho se tornarumdesgraçado, a mãe o amará aindamais, poissomente amando-o elese sente amadoqueo levará a serumbomfilhonovamente. Atravésda eucaristiaqueJesus instituiu, Deus faz da misericórdia a realidadequenos envolve do alto a baixo. Na nossamiséria, Deusderramasuamisericórdia.
4.  A Eucaristia Faz A Comunidade
Deus desejacomunhão: uma unidadeque é vital, umlaçoque é verdadeiramente mútuo, pois o próprioDeus é uma comunidade da SantíssimaTrindade. A comunhãocria a comunidade. Deus faz tudoparatornar esta comunhãopossível: “…que elessejam um, comonós somos um…” (Jo 17,11.21-23). Deusdesejaestarplenamente unido a nósparaquenós possamos estar unidos num amorduradouro. Toda a históriada salvação é uma história de uma comunhãoentreDeus e os homenscadavezmaisprofunda, uma história na qualDeusbuscacaminhossemprenovosparacomungar intimamente comos homenscriadosà própriaimagemde Deus. E o desejointenso de Deusemcriar esta comunhãoformaa essência da celebraçãoeucarística e da vida eucarística. Jesus se transforma empãopartilhado paratodosnós. Nãopodemos realmenteviver, comocristãos, semumpãoque seja tomado, abençoado, partido e dado. SemestePãonão há fraternidade à mesa, não há comunidade, nenhumlaçode amizade, nãohá paz, amore esperança. Comeletudose transforma.
A comunhãocria a comunidade, pois o Deusque habita emnós faz comque reconheçamos o Deusemnossossemelhantes. Somenteo Deusdentrode nós é capazde verDeusna outrapessoa. Nossa participação na vidaíntima de Deusnos conduz a umnovomodo de participação na vidadas outras pessoas. De formaretóricaSãoPaula pergunta: “O cálice de bênçãoque abençoamos nãoé comunhãocomo sangue de Cristo? O pãoquepartimos não é comunhãocom o corpode Cristo? Jáque há umúnicopão, nós, emboramuitos, somos umsócorpo, vistoquetodos participamos desse únicopão” (1Cor 10,16-17).
5.  A Eucaristia Faz A Missão
Na Eucaristiacelebramos o “sim” totale fiel de Jesus ao Paie aos homens. Ao celebrarmos a Eucaristianósqueremos dizer o nosso“sim” ao Paie a todos os irmãose irmãs semexcluiraquelesquenos criticam, quenos desprezam, quese opõem a nós. A Eucaristiase tornaria vazia, se elanão se transformasse numa força de amorpelopróximo. As palavras pronunciadas por Jesus dirigidas a todosnós: “Fazei istoemminhamemória!” (Lc 22,19) sãoumpedidoparaquenós façamos também a doação, umpãopartilhado para os outros.
Por isso, a comunhão não é o fim. A missão é. A eucaristia é sempre uma missão. A vida vivida eucaristicamente é sempre uma vida de missões. Na Eucaristia somos solicitados a deixar a mesa para procurar os outros e os nossos amigos para descobrirmos com eles que Jesus está verdadeiramente vivo e ao mesmo tempo nos chama para que juntos no tornemos um novo povo, o povo da ressurreição. Somos chamados e enviados para que formemos um corpo de amor, moldar o novo povo da ressurreição. Nossa experiência da comunhão com o Senhor nos envia aos nossos irmãos e irmãs para partilharmos com eles nossas histórias e construirmos ao seu lado um corpo de amor. O movimento que brota da eucaristia é o movimento da comunhão à comunidade e da comunidade à missão e da missão à eucaristia, formando um círculo sem fim.
PARA REFLETIR
·        «Quereshonraro Corpo de Cristo? Não permitas queseja desprezado nosseusmembros, istoé, nospobresquenãotêm quevestir, nem O honres aquino templocomvestes de seda, enquantoláfora o abandonas ao frioe à nudez. Aqueleque disse: « Istoé o meuCorpo», […] também afirmou: « Vistes-Me comfome e nãome destes de comer », e ainda: « Na medidaemque o recusastes a umdestes meusirmãosmaispequeninos, a Mim o recusastes. […] De que serviria, afinal, adornar a mesade Cristocomvasos de ouro, se Ele morre de fomena pessoa dos pobres? Primeiro dá de comer a quem tem fome, e depoisornamentaa suamesacom o quesobra» (S. João Crisóstomo, Homiliassobreo Evangelho de Mateus, 50, 3-4: PG 58, 508-509)
·        Na Eucaristia, Jesus não dá umpedaço de pão, mas o pão da vidaeterna, dá a Simesmo, oferecendo-se ao Paiporamor a nós. Masnós temos queir à Eucaristiacomaquelessentimentos de Jesus, ouseja, a compaixão e aquela vontade de compartilhar. Quem vai à Eucaristiasemtercompaixão dos necessitados e semcompartilhar, nãose encontrabemcom Jesus (Papa Francisco: Homilia, Roma, 03 de Agosto de 2014).
·        A Eucaristia, emboraconstitua a plenitude da vidasacramental, não é umprêmiopara os perfeitos, masumremédiogeneroso e umalimentopara os fracos. Estas convicçõestêm também consequências pastorais, quesomos chamados a considerarcomprudência e audácia. Muitas vezes agimos comocontroladores da graça e nãocomofacilitadores. Mas a Igrejanão é uma alfândega; é a casapaterna, ondehá lugarparatodoscoma suavidafadigosa(Papa Francisco: Evangelii Gaudium n.47).
·        A naturezasacramental da féencontra a suamáximaexpressãona Eucaristia. Esta é alimentoprecioso da fé, encontrocomCristopresentede maneirarealno seuatosupremo de amor: o dom de Simesmoquegera vida. Na Eucaristia, temos o cruzamento dos doiseixossobreos quais a fépercorre o seucaminho. Porumlado, o eixoda história: a Eucaristiaé ato de memória, atualização do mistério, emque o passado, comoumevento de mortee ressurreição, mostraa suacapacidadede se abrir ao futuro, de antecipar a plenitudefinal; no-lo recorda a liturgiacom o seuhodie, o « hoje» dos mistérios da salvação. Poroutrolado, encontra-se aquitambém o eixoque conduz do mundovisível ao invisível: na Eucaristia, aprendemos a ver a profundidade do real. O pão e o vinho transformam-se no Corpo e Sanguede Cristo, queSe faz presente no seucaminhopascalpara o Pai: estemovimentointroduz-nos, corpo e alma, no movimentode toda a criaçãopara a suaplenitudeemDeus (PapaFrancisco: CartaEncíclicaLumen Fidei n.44)
P. Vitus Gustama,svd


É PRECISO CAMINHAR 2018-03-24 18:31:00

28/03/2018
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TRAIÇÃOMORTAL SEMPRE VEM DE UMA PESSOA AMIGA
Quarta-Feira da Semana Santa
Primeira Leitura: Is 50,4-9a
4 O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. 5 O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. 6Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba: não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. 7Mas o Senhor Deus é o meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado. 8A meu lado está quem me justifica; alguém me fará objeções? Vejamos. Quem é meu adversário? Aproxime-se. 9aSim, o Senhor Deus é meu Auxiliador; quem é que me vai condenar
Evangelho: Mt 26,14-25
Naquele tempo, 14um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes 15e disse: “Que me dareis se vos entregar Jesus?” Combinaram, então, trinta moedas de prata. 16E daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus. 17No primeiro dia da festa dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?” 18Jesus respondeu: “Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a Páscoa em tua casa, junto com meus discípulos’”. 19Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a Páscoa. 20Ao cair da tarde, Jesus pôs-se à mesa com os doze discípulos. 21Enquanto comiam, Jesus disse: “Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair”. 22Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: “Senhor, será que sou eu?” 23Jesus respondeu: “Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato. 24O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Contudo, ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido!” 25Então Judas, o traidor, perguntou: “Mestre, serei eu?” Jesus lhe respondeu: “Tu o dizes”.
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No texto da Primeira Leitura temos, como visão profética, um fragmento daquilo que vai ser a paixão de Jesus Cristo estação por estação com todo sua dor. O servo de Javé do qual se relata na Primeira Leitura é capacitado por Deus para sua missão de consolar os aflitos. A Palavra de Cristo, Servo de Deus, devolve ao homem a confiança na salvação. É a prefiguração da Paixão de Cristo. Injustamente condenado, flagelado sem misericórdia e ultrajado com grande desprezo, Jesus é o Servo de Javé, que realiza a obra de redenção anunciada pelos profetas.
O tema do Salmo 68 (Salmo Responsorial) é o intenso sofrimento de um homem justo perseguido por causa de seu zelo por Deus. Sabemos que esse homem justo é justamente Jesus Cristo: “Por vossa causa é que sofri tantos insultos, e o meu rosto se cobriu de confusão; eu me tornei como um estranho a meus irmãos, como estrangeiro para os filhos de minha mãe. Pois meu zelo e meu amor por vossa casa me devoram como fogo abrasador; e os insultos de infiéis que vos ultrajam recaíram todos eles sobre mim!”.
E no texto do Evangelho se põe em destaque a consciência sobre o perigo da traição, a advertência pública de Jesus sobre a gravidade da traição e a persistência de Judas no mal que quer praticar.
Servo de Deus Consola e Conforta Os Abatidos
O texto da Primeira Leitura faz parte do terceiro cântico do Servo de Deus. A pessoa do servo de Deus, assim como seu ministério, são interpretados de forma profética: vocação ou missão, sofrimentos que leva consigo sua missão, assim como sua total confiança em Deus.
Como o profeta, o servo de Deus escuta e prega a mensagem de Deus, mas esta missão se tornará impossível ser levado até o fim se o Senhor não lhe der uma “língua adestrada”, para poder “dizer palavras de conforto à pessoa abatida”, pois a missão sempre nasce de uma vocação de Deus. O servo de Deus se deixa reconfortar por Deus para, por sua vez, saber reconfortar os abatidos. Deus modela inteiramente seu profeta ou seu enviado: dá-lhe uma língua para instruir e abre-lhe ouvido. O profeta ou o enviado não opõe resistência à chamada de Deus. No desempenho de sua missão aceita plenamente o sofrimento como consequência de sua fidelidade à Palavra de Deus. Como não resiste à Palavra do Senhor tampouco resiste às injúrias. No meio do sofrimento experimenta a ajuda de Deus que o faz mais forte que a própria dor.
A mensagem que se proclama da parte do Senhor para o servo de Deus não é de denúncia profética e sim de esperança e é que sua palavra se dirige a pessoas concretas com sua problemática específica. O abatido é necessário ser reanimado e dirigir-lhe uma palavra de consolo, de esperança no Senhor: “O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida” (Is 50,4ª; cf. Is 40,28ss).
Esta foi a sorte que o servo de Deus e Jesus viveram. Jesus transmitiu a mensagem do Pai (Jo 8,28.40), deu respiro, esperança aos aflitos e sobrecarregados (Mt 11,28), mas acabou sofrendo pelo bem que fez (cf. At 10,38) sem vingar-se, mas perdoa a todos (Lc 23,34). Ele sabe que seu Pai fará justiça (Jo 8,29.50).
Será que assim também é nossa atuação como cristãos, seguidor de Jesus, Servo de Deus? Muitas vezes nossas palavras, em lugar de consolar, somente servem para abater, desanimar e ferir, e diante da primeira dificuldade ou incompreensão ficamos revoltados como víboras prontos para injetar veneno. Ainda temos muita coisa a aprender do Servo de Deus.
Somos Chamados a Ser Fieis Ao Senhor e Alertados Sobre a Possível Traição
Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair. Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato.”.
Traição! Mistério da liberdade e da culpabilidade humanas. O homem foi salvo para ser livre. Mas nem todos os homens sabem lidar com a própria liberdade. Muitos ainda não entendem que “A verdadeira liberdade é um ato puramente interior, como a verdadeira solidão: devemos aprender a sentir-nos livres até num cárcere, e a estar sozinhos até no meio da multidão” (Massimo Bontempelli). “A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência”, dizia Mahatma Gandhi.
Todos os evangelistas sublinham queJudas Iscariotes semprevai atrás de dinheiro. Esta é a explicação do porquê da traiçãode Judas. Lembremo-nos quequandoescolhermos alguémporcausa de seudinheiro, acabaremos nostornando uma mercadoria. O alerta de Voltaire valeparatodos ao escrever: ”Quando se trata de dinheiro, todos têm a mesmareligião”. Muitas das brigasdentrodas famílias e foradelas, dentro da Igrejae fora dela, dentroda política e foradela estão emtornodo deus- dinheiro. Emnome do dinheiroJudas vendeu seuMestre, Jesus.
Como no diaanterior o evangelho deste diafalanovamenteda traição de Judas, mas desta vezna versão do evangelhode Mateus. Os detalhesprecisossãodiferentes, porémo sentido é o mesmo. PrecisamentequandoJesus quercelebrara Páscoa de despedidados seus, comosinal entranhável de amizade e comunhão, um dos discípulosvai trair Jesus Cristocomapenastrinta moedas de prata, o preço de umescravosegundoEx 21,32. Será que é verdadeaquiloqueo pensador Victor Hugo dizia: “A metadede umamigoé a metade de umtraidor”? A tentaçãoparatrairsemprenosacompanha. “Quantomaior a confiança, maior a traição” (Luthor). Mas “Quem é homemde bem, nãotrai o amorquelhequerseubem” (Vinicius de Moraes). Quemnão se entregainteiramente, abre a porta da traição.
“Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato”, disse Jesus aos discípulos. “Por a mão no mesmo prato” durante a refeição para um hebreu é um gesto de comunhão, um gesto simbólico de amizade. Pode-se dizer que, da parte de Jesus há oferecimento de uma amizade para Judas. Jesus também fez refeição com os pecadores para oferecer-lhes seu amor. 
A Eucaristia é uma refeição na qual Jesus nos oferece a comunhão com Ele: “Quem come minha carne e bebe meu sangue, permanece em mim e eu nele”. Cada Eucaristia é um gesto de amor de Jesus para os pecadores que somos nós quando não recusamos seu amor.
Judas se condena ao recusar a tentativa de Jesus de ser seu amigo. Judas prefere dinheiro ao oferecimento de amor e de salvação. Ele vendeu o Mestre por trinta moedas de prata.
A traição de Judas é sempre impressionante por ter lugar precisamente no círculo mais intimo e próximo do Senhor. É exemplo arrepiante que nos revela a profundidade do coração humano, capaz de mais nobre como o amor, a amizade, o sacrifício pelo bem dos outros, a solidariedade etc., mas também é capaz do mais vil: o ódio, a traição, a maldade e assim por diante. Tudo isto é fruto da liberdade do homem que Deus respeita totalmente, mas o próprio homem é que carrega as consequências, pois Deus nunca faz mal para o homem.
Quando o homem emenda o plano de Deus, quando crê que sabe de tudo mais do que o próprio Deus, quando decide em nome de Deus, o homem cai em pecado. É igual àquele que não viveu nem sofreu a conversão, será muito difícil poder dar frutos bons. O demônio nunca quer coisas más e sim coisas boas, porém pelo caminho inadequado. Pecado procura conseguir coisas boas pelo caminho equivocado: por exemplo, pelo roubo ou furto. Matamos Jesus Cristo toda vez que o trairmos, atuando por nossa conta e risco, solidarizando-nos com o pecado.
O caso de Judas deve nos fazer refletir, porque no fundo de nosso coração mora um possível santo ou um possível traidor ou criminoso. Há amigos incondicionais de Cristo e há também falsos amigos, sem contar, obviamente, os inimigos declarados.
A traição jamais estará ausente do cristianismo. Somos seres humanos. Mas a comunidade cristã deve cuidar que os ensinamentos de Jesus sejam claros e explícitos para todos os seus participantes. Assim não haverá surpresas. O fato de ser cristãos pela tradição (ou pela herança de nossos pais) e não pela luta, trará sempre o risco de não nos identificarmos com as exigências do Reino. Se começarem a aparecer os interesses pessoais ou os de grupo, necessariamente aparecerá a traição. Um cristianismo sem claridade e sem o processo de assimilação com os ensinamentos de Cristo, será um campo fértil para a traições, desilusões e amarguras. Na medida em que qualquer cristão deixar de estar de acordo com os ensinamentos ou com o projeto de Jesus, ele trairá Jesus, seu Salvador. Ainda que possamos justificar nossas traições, mas nossa alma ficará sempre ferida.
Portanto, precisamos sempre estar vigilantes para que o traidor dos valores não faça sua moradia em nosso coração. Sem vigilância e oração seremos novos Judas na convivência com os demais e venderemos a dignidade dos outros por interesses baratos. Como verdadeiros cristãos, devemos respeitar sempre a dignidade dos outros, pois eles também são Templos de Deus e por isso, são sagrados.
Ao vender seu Mestre, Jesus, com algumas moedas de prata, Judas se vendeu. Uma traição fatal acaba fatalizando a vida de quem a comete, como aconteceu com Judas Iscariotes. Judas “atirando as moedas no Templo, retirou-se e foi enforcar-se” (Mt 27,5).
P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-03-24 12:11:00

26/03/2018
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SOMOS CHAMADOS A PASSAR A VIDA FAZENDO O BEM
Use O Dinheiro Para Valorizar As Pessoas (humanização-Divinização) e Não Use As Pessoas Para Valorizar O Dinheiro (materialismo Mortal)
Segunda-Feira da SemanaSanta  
Primeira Leitura: Is 42, 1-7
1“Eis o meu servo — eu o recebo; eis o meu eleito — nele se compraz minha alma; pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações. 2Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. 3Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; mas proverá o julgamento para obter a verdade. 4Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos”. 5Isto diz o Senhor Deus, que criou o céu e o estendeu, firmou a terra e tudo que dela germina, que dá a respiração aos seus habitantes e o sopro da vida ao que nela se move: 6“Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, 7para abrires os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas.
Evangelho: Jo 12,1-11
1Seis diasantes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde morava Lázaro, queele havia ressuscitado dos mortos. 2Ali ofereceram a Jesus umjantar; Marta servia e Lázaroeraumdos que estavam à mesacomele. 3Maria, tomando quasemeiolitro de perfume de nardo puroe muitocaro, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os comseuscabelos. A casainteira ficou cheiado perfume do bálsamo. 4Então, falou Judas Iscariotes, umdos seusdiscípulos, aquelequeo havia de entregar: 5“Porquenão se vendeu esteperfumeportrezentas moedas de prata, para dá-las aos pobres?” 6Judas falou assim, nãoporque se preocupasse comos pobres, masporqueeraladrão; eletomava conta da bolsacomum e roubava o quese depositava nela. 7Jesus, porém, disse: “Deixa-a; ela fez istoemvista do dia da minhasepultura. 8Pobres, sempreos tereis convosco, enquantoa mim, nemsempremetereis”.9Muitosjudeus, tendo sabidoque Jesus estava emBetânia, foram paralá, nãosóporcausa de Jesus, mastambémpara verem Lázaro, que Jesus ressuscitara dos mortos. 10Então, os sumossacerdotesdecidiram matartambémLázaro, 11porqueporcausa dele, muitosdeixavam os judeus e acreditavam em Jesus.
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Abrimos, hoje, a última semana da Quaresma. Os Evangelhos nos fazem reviver hora após hora, os últimos momentos de Jesus: a unção em Betânia, na casa de seus amigos, Lázaro, Marta, Maria … e logo a última Ceia com seus apóstolos … e a traição de um dos Os Doze.
A primeira leitura vem da segunda parte do livro de Isaías. Há quatro poemas nela que, segundo os especialistas, são as mais belas profecias sobre Jesus. Ele se apresenta a um personagem misterioso: de modo algum um rei messias, mas um pobre messias. Humilde, manso, perseguido, salva seu povo com sua morte. Ele é um perfeito servo de Deus.
Servo De Deus: Sua Eleição e Missão
“Eis o meu servo — eu o recebo; eis o meu eleito — nele se compraz minha alma; pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações”.
O texto da Primeira Leitura é o primeiro cântico do Servo de Deus (outros cânticos: Is 49,1-6; 50,4-9; 52,13-53,12).
Neste primeiro cântico, o autor usa uma linguagem velada e obscura: Quem é o servo? Para quem ele é apresentado? Qual é sua missão?
A missão do servo de Deus encontra suas raízes na eleição ou na chamada do Senhor (vv.1-6). Por vontade divina o servo é equipado com o dom do Espirito semelhante aos chefes carismáticos e profetas de Israel (Jz 6,34; 1Sm 11,6; Is 11,2ss). Mas a eleição destes não era feita publicamente como ocorre com o servo: “Eis o meu servo!” (Is 42,1). Esta afirmação exige umas testemunhas e nos recorda a apresentação pública dos reis diante do povo (cf. 1Sm 16: Davi é equipado com o dom do Espirito e é proclamado rei). Assim, pois, o servo é mediador carismático e possui, além disso, prerrogativas reais.
A missão do servo (de Deus), porém, é muito dura, pois ele deve “estabelecer a justiça na Terra”. Insistentemente o autor repete esta ideia: trazer, promover, implantar a justiça. E este reinado de justiça, e não de violência, deve ser traduzido em obras concretas: abrir os olhos dos cegos, libertar os cativos da prisão e tirar os que habitam nas trevas: “… abrir os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas” (Is 42,7). Cegueira, prisão, trevas evocam realidades negativas que devem ser transformadas através de atuações libertadoras: abrir, tirar. É um trabalho de libertação. Todo ser humano com vocação de redentor deve ser necessariamente libertador, pois ambos términos se identificam.
A forma de atuar do servo (de Deus) em nada é parecida à forma de atuar dos mortais: “não gritará, não clamará”: “Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas” (Is 42,2).  O servo de Deus atua por encargo do Senhor guiado por seu Espirito. Ele atua à maneira que Deus atua. O servo de Deus não pronuncia grandes discursos.  Sua linguagem são os fatos. E estas não consistem em “quebrar uma cana rachada nem apagar um pavio que ainda fumega”. O servo de Deus não faz propaganda eleitoral nem busca compensação nenhuma. Ele só quer libertar as pessoas de uma situação de escravidão. Muitas vezes seu prêmio será o sofrimento, mas não lhe importa, pois não vacilará nem quebrará nada: “Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; mas proverá o julgamento para obter a verdade. Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra…” (Is 42,3-4). A postura do servo de Deus é firme, inquebrantável no cumprimento de seu dever. Este servo de Deus se encontra sua plena concretização em Jesus Cristo.
Nosso mundo está repleto de vozes que pregam aos quatro ventos seus pontos de vista, sejam políticos sejam religiosos. Lutam para apoderar-se dos meios de comunicação para que ganhem um maior número de adeptos, discípulos, eleitores. São donos de púlpitos e tribunas. Não admitem vacilação alguma de opção nos demais. Eles gritam, insultam e até anatematizam. Passam muitas horas discutindo sobre a ortodoxia ou heterodoxia de uma determinada doutrina. Mas quantos “olhos cegos” voltam a enxergar a realidade como ela é? Quanto foram libertados dos laços da escravidão ou das densas trevas? Em nada são parecidos com o servo de Deus! Estão longe da figura de um servo de Deus que tem o dever de estabelecer a justiça neste mundo.
Jesus Cristo, Servo de Deus, a quem seguimos é um verdadeiro libertador. Ele passou por este mundo fazendo o bem (At 10,38), deu ânimo aos desesperados e medrosos, curou os doentes, aproximou-se dos publicanos e das prostitutas, ressuscitou os mortos e assim por diante. A forma de atuar de Jesus deve ser a forma de atuar dos cristãos. Cada cristão deve passar por este mundo fazendo o bem. Fora disso, o cristão não serve mais para nada!
Mistério da Unção De Jesus
Maria, tomando quase meio litro de perfume de nardo puro e muito caro, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. A casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo”.
Os nardos que Maria de Betânia derramou sobre Jesus são imagem e símbolo de que o óleo celeste e invisível, da força vital divina da qual nos é dito profeticamente no Salmo: “O Senhor, vosso Deus, vos ungiu com óleo de alegria, preferindo-vos aos vossos iguais” (Sl 44,8). Esse óleo da alegria celestial é aquele que o Deus Pai derramou sobre a cabeça sangrenta e coroada de espinhos do Filho crucificado; por isso, leva o nome de: Cristo, o Ungido. Os nardos Maria exalam o aroma gozoso da vida, da próxima glória real e da dignidade do sacerdócio de Cristo, e, ao mesmo tempo, servem como um alerta para a luta e a morte, o sepultamento e amortalhamento (isolamento).
E como o caminho que leva a esta unção passa por sua morte e sepultamento, Jesus também pode dizer com um duplo significado: “Deixa-a; ela fez isto em vista do dia da minha sepultura”. A unção da amada Maria já indica antecipadamente a morte e o sepultamento de Jesus, bem como a glória subsequente de seu sacerdócio e reinado. Aquela que “desperdiçou”, portanto, se mostra como uma verdadeira crente cristã.
Não podemos nos esquecer, além disso, que os gladiadores da arena ungiam seu corpo antes da luta. Cristo também enfrenta sua paixão como um lutador. É o grande combate, a luta até a morte com o inimigo de Deus, Satanás.
Entre Amor e Dinheiro
·        O cofre do banco contém apenas dinheiro; frustra-se quem pensar que lá encontrará riqueza (Carlos Drummond de Andrade).

·        A medida do amor é amar sem medida(Santo Agostinho)
 
·        Um coração feliz é o resultado inevitável de um coração ardente de amor (Madre Teresa de Calcutá)
O evangelho deste dia está cheio de significados. O jantar de Jesus, em Betânia, é prelúdio da Última Ceia. A refeição, tomada em grupo, era um gesto sagrado porque indicava comunhão de sentimentos e de vida, e era uma oportunidade preciosa para dar graças a Deus por todos os Seus dons, a começar pela vida.
Jesus foi convidado para uma refeição na casa de Lázaro (que foi “ressuscitado” por Jesus), Marta e Maria. Lázaro era entre os comensais, Marta estava servindo e Maria era a mulher que ungiu Jesus.
Essa refeiçãoouceia é uma ação de graças a Jesus pelodomda vida. Recuperada de suatristeza, a comunidade celebra a vidarecebida, reconhecida em Jesus comofonte da vida e emLázarocomo o beneficiado. Essebanquetequeeraemmemóriade ummorto(Lázaro) se converte emação de graçasparacelebrara presença do autorda vida e a vitóriasobre a morte. Estebanquete, como a própriaEucaristia, antecipa também, emcertomodo, o banquetefinal, cujoscomensaisserãotodosos que receberam a vidadefinitiva. Maria mostraseu agradecimento pelodom da vida; o preço do perfumeé símbolo de seuamorsemmedida e é símbolodo amor da comunidadepor Jesus queresponde ao amorqueEle mostrou, comunicando-lhe a vida. O amorplenifica e enche a vida das pessoascomo o aroma do perfumeque encheu a casainteiraemBetânia. ”Somos paraDeus o perfumede Cristoentreos que se salvam e entreos que se perdem” (2Cor 2,15). A mensagemdo amor de Jesus devolve a alegriapara as pessoas.
Mas nemtodos os discípulosaceitam a mensagem de Jesus. Judas prefere o dinheiro ao amor; prefere bensmateriais a Jesus, seuSalvador. Judasnão crê no amorgeneroso. Paraele o dinheiroé o valorsupremo. “O dinheiro é uma felicidadehumanaabstrata; porissoaquelequejánãoé capaz de apreciara verdadeira felicidadehumana, dedica-se completamentea ele”, dizia o filósofo Arthur Schopenhauer.  Porisso é queMahatma Gandhi escreveu: “Algemas de ourosãomuitopioresquealgemas de ferro”.  Se acreditamos emDeus, entãonãopodemos colocar o ouro e a prataacimade Quem os criou queé o próprioDeus. O ganancioso se encontraentre as coisase nãoentreas pessoas. Quandoo homem se deixardominarpelosbensmateriais, ele se afastará dos outroshomens e viverá solidãodas coisas. Quandoo número de nossosbensmateriaisaumentar, precisamos verificarse o tamanho de nossocoração diminui. “Nãoandes averiguando quanto tens, mas o quetu és”, dizia SantoAgostinho (Serm. 23,3). Se nosencontrarmos entre as coisas, perderemos aténossasensibilidadehumana e viveremos isolados dos demaishomensno fim de nossaperegrinação nesta terra(cf. Lc 16,19-31).” O Orgulho, soberba, egoísmo, poder, ganância e ignorância, faz comquenósnão vejamos e nosafastemos do próximo” (João Paiva).
Maria, a comunidade cristã usa o dinheiro para valorizar o amor e as pessoas. Jamais um cristão usa as pessoas para valorizar o dinheiro. Judas desvaloriza o amor para valorizar o dinheiro. Judas usa os pobres como o pretexto para sua própria ganância: “Por que não se vendeu este perfume por trezentas moedas de prata para as dar aos pobres?”. Mas João acrescentou: “Judas falou assim não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão”. A comunidade não se distingue dos pobres; é uma comunidade de pobres que se amam e que, através do compartilhar, expressão do amor, superam sua condição de oprimidos.
A unção feita por Maria em Jesus antecipa a sepultura de Jesus. Maria, ungindo os pés de Jesus, representa a comunidade em sua relação íntima com Jesus. O gesto de Maria de ungir os pés de Jesus mostra seu agradecimento pelo dom da vida. O perfume que Maria derramou sobre Jesus é símbolo do amor da comunidade por Jesus que responde ao amor que Jesus mostrou à comunidade, comunicando-lhe a vida. E o alto preço do perfume usado na unção, que equivalia a 10 meses de salário de um trabalhador rural, é símbolo do amor sem limites e sem mancha por Jesus. E a aroma que enche a casa inteira antecipa a fragrância do amanhecer do domingo da Páscoa em que Jesus matou a morte para que todos tenham vida abundantemente em Jesus Cristo (Jo 10,10).
Mas, poroutrolado, o evangelhonosmostraoutrotipode comportamentodiantede Jesus representado porJudas Iscariotes. O comportamentode Judas é opostoao gesto de Maria. Judasinterpretou a unçãocomumperfumecarocomodesperdício. Paraele, seria bomvender o perfumeparaajudar os pobres. Mas, na verdade, elenão estava pensando empobres e simemroubar o dinheiroparaaumentarseuprópriopatrimônio. “A ganânciainsaciávelé um dos tristesfenômenosqueapressam a autodestruição do homem” (TextosJudaicos). O próprioevangelho denunciou a má intenção de Judas. De fato, Judastinha os olhoscobiçosos e corruptos. “Se careces de riquezas, não as busques pormeiosilícitos. Se tens riqueza, deposita-a no céupor tuas boas obras. Quem se entusiasmacom a aquisiçãode bens, deprime-se comsuaperda” (Santo Agostinho: Epist. 189,7).
Para a crítica de Judas, Jesus dá a seguinte recado: “Pobres, sempre os estareis convosco, enquanto a mim, nem sempre me tereis” (Jo 12,8). Por um lado, o Pobre, por excelência, é Jesus, que nos dá tudo quanto possui, tudo quanto é. Por isso, só Ele deve ser o centro da nossa vida, sem qualquer espécie de cálculos. O Mestre dá-nos tudo! Há que dar-lhe tudo, sem cálculos nem reservas. A nossa entrega total a Cristo acaba por beneficiar toda a Igreja: “a casa encheu-se com a fragrância do perfume”. Por outro lado, se lermos esta frase à luz das palavras que Jesus disse em Mt 25,40.45: “Tudo que você fizer para um dos pequeninos, você fará isso para mim”, entenderemos o sentido da frase. O que fizermos para qualquer pobre e necessitado, faremos isso para Jesus. Apesar de aumentar o número dos ricos, os pobres continuam a ser a maioria neste mundo: “Os pobres estarão sempre convosco”.
Portanto, o nosso seguimento de Jesus pode desenrolar-se como caminho da morte à vida, como aconteceu a Lázaro, ou como solicitude atenta e cuidadosa no serviço ao Mestre e aos seus, como aconteceu com Marta; pode também assemelhar-se a um caminho de amor adorante, como aconteceu com Maria, ou a um caminho de resistências e de calculismos materiais, que acabam por sufocar quem os segue, como aconteceu com Judas. Judas prefere o dinheiro ao amor e não crê no amor generoso. E o próprio dinheiro o sufocou e o matou. Maria colocava o dinheiro no devido lugar para valorizar o amor.
Judas desvaloriza o amor para valorizar o dinheiro, usa as pessoas para valorizar o dinheiro. E morreu sem amor e sem dinheiro. Maria, a comunidade dos discípulos de Jesus, usa o dinheiro para valorizar o amor fraterno, pois onde há partilha, expressão do amor fraterno não haverá famintos. Amar alguém equivale a lhe dizer que nunca morrerá, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). É bom cada um tentar se colocar: no lado de Judas ou no lado de Maria?
P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-03-22 21:13:00

25/03/2018
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DOMINGO DE RAMOS
O sexto Domingo da Quaresma recebe o nome especial de Domingo de Ramos ou o Domingo da Paixão, e constitui o pórtico solene da Semana Santa que culminará na celebração do Tríduo Pascal que é o mistério pascal.
Efetivamente a celebração do mistério pascal (Paixão, Morte e Ressurreição) contém os dois aspectos: morte e vida, fracasso e triunfo. Da mesma maneira, os ritos do Domingo de Ramos se estruturam ao redor dos dois eixos: a procissão aclamatória em honra de Cristo Rei e a leitura solene de sua Paixão na missa. Estes dois aspectos não são contemplados independentemente um do outro e sim intimamente entrelaçados: na procissão triunfal aclamamos Cristo Redentor, que se dispõe a iniciar o caminho que O conduzirá à Cruz, e a leitura da Paixão é inserida na celebração eucarística, memorial da ressurreição do Senhor.
A liturgia do Domingo de Ramos abre, então, as celebrações da Páscoa. Estamos entre a multidão festiva que veio para acompanhar a entrada de Jesus na cidade santa, Jerusalém, através da procissão, e nos convida, em seguida, a ouvirmos a paixão dolorosa na versão do Evangelho de Marcos pela qual o próprio evangelista dá a resposta definitiva para a pergunta que atravessa o seu Evangelho: Quem é Jesus? O evangelista Marcos coloca a resposta na boca do centurião que estava diante de Jesus crucificado: “Verdadeiramente este homem era filho de Deus!” (Mc 15,39), o título que Marcos já tinha antecipado no início do seu evangelho (cf. Mc 1,1).
Neste dia, o Rei dos reis, Jesus Cristo, mostrou sua profunda humildade simbolizada pelo uso de um jumento e não de um cavalo de guerra na sua entrada para a cidade santa, Jerusalém, que no relato da paixão a cidade que pelo nome é uma cidade da paz passa a ser uma cidade que condena à morte um justo inocente, Jesus Cristo. A humildade de Cristo vence o inimigo arrogante e o diabo que separa o homem de seu Salvador, libertando seu povo com seu próprio sangue. Por essa razão Ele não vem com ostentação, mas como Salvador humilde para proclamar a paz aos homens tirando-os do amor do mundo para levá-los ao amor de Deus que salva.
E nós também devemos nos pronunciar em favor dele com verdade e franqueza para não passar – como a multidão – do hosana ao crucifica-O! Devemos nos perguntar se nós também estamos realmente dispostos a encarar o caminho do amor com o Mestre e nosso Senhor. É um caminho que se manifesta, em sua aparente fraqueza e inutilidade, em um abandono incondicional à vontade do Pai para salvar a humanidade.
Hoje cada um de nós é convidado a contemplar a beleza do Rei. Somente contempla e olha com proveito para a própria alma o verdadeiro Rei que é Cristo. Neste dia, o Rei dos reis mostrou a sua profunda humildade para que aprendamos a viver na humildade. Não se pode abordar a vida de Jesus friamente, porque ai se joga o destino do homem: Jesus se apresenta como o Mestre da vida.
A humildade, que constitui o alicerce de outras virtudes, é uma virtude tão importante que Jesus sempre aproveita qualquer circunstância para pô-la em destaque. A humildade é o comportamento que atrai a simpatia dos homens e as bênçãos de Deus: “Filho, na medida em que fores grande, deverás praticar a humildade, e assim, encontrarás graça diante do Senhor… pois é aos humildes que Ele revela seus mistérios e é glorificado pelos humildes” (Eclo 3,20s).
Uma sociedade que se apoia no poder mundano, na violência, na opressão e exploração dos mais indefesos e dos inocentes gera ódio, insegurança, sede de vingança e a lei do mais forte que é a lei da selva. Para criar um reino de justiça e de igualdade, de amor e de verdade e de fraternidade Jesus nos apresenta somente um caminho: doar a própria vida.
Ramos De Mártir e De Vitória
O domingode Ramoscomsuaprocissãoé paranósumdiaemquepublicamente confessamos nossafé. A procissãoque fazemos nãoé outracoisaque uma gozosamanifestação da féque professamos. Podemos dizerque nesta celebraçãosomos consagrados comocombatentes e mártires. A palmaouo ramo é símbolode martírio. Ao levaros ramos queremos manifestara Cristoqueestamos dispostos a dar-Lhe testemunhocomoos mártires, se nãocomnossavida, pelomenoscomnossas boas obras, como bemquepraticamos cadadia.
A palma ou o ramo também é símbolo de luta e de vitória. Com a palma ou o ramo em nossas mãos queremos manifestar que vencemos o mal, o comodismo, a preguiça, o ódio, o rancor, a violência, a agressão. Queremos dizer que somos livres de todo o mal como pedimos no Pai-Nosso. Isto quer nos dizer que para sermos lógicos, coerentes com nossa fé é necessário que a realidade se ajuste ao simbolismo; é necessário que o que expressamos exteriormente o possuamos interiormente.
Seguir Um Messias Humilde
Jesus veio como o Messias humilde, simbolizado pelo uso do jumento na sua entrada em Jerusalém. No patíbulo da cruz, a humildade divino-humana de Jesus desmascara a escravidão culpável da arrogância. Arrogância é uma maneira de não admitir os próprios defeitos e fraquezas.
Pela virtude da humildade, Deus nos incute coragem para reconhecer a verdade que nos engrandece e liberta (cf. Jo 8,32), ao mesmo tempo, que nos faz perceber que a arrogância amesquinha e degrada o ser humano. O olhar simples de uma fé humilde nos permite recordarmos a nossa criação do nada, como pura graça, e participar na comunhão d’Aquele que é a origem de toda a vida e de toda a felicidade. O olhar simples de uma fé humilde nos permite reconhecermo-nos como pó, como terra cuja salvação depende do Criador com a própria colaboração humilde do homem.
Daqui brota para nós aquela humildade forte e corajosa que nos permite olharmos com serenidade para os nossos aspectos menos claros e para o peso dos nossos pecados, sem nos esquecermos de louvar o poder humilde, purificador e santificador de Deus. Ser humilde é aceitar as próprias qualidades e os defeitos. Ser humilde é aceitar os próprios limites e respeitar os próprios limites e, ao mesmo tempo, aceitar o Infinito que está nesses limites. Quanto mais sábia for uma pessoa, tanto mais humilde ela será. Um sábio tem consciência em relação ao que não sabe. Por isso, “simular humildade é a maior das soberbas” (Santo Agostinho). Ser humilde é ser você mesmo com suas qualidades e seus defeitos. O orgulhoso, ao contrário, julga ser o que não é. O orgulhoso vive na ilusão em relação a si mesmo. O orgulhoso tenta preencher sua carência com vaidade. O vaidoso é alguém inseguro, que tem necessidade de exagerar, de inventar histórias para conferir consistência a seu ego. No fundo o orgulhoso e o vaidoso são fruto de uma vida de angústia. São angustiados porque não se aceitam como são. Não admitem seus limites e defeitos. Por isso, vivem na ilusão. O mundo cultiva o orgulho e por isso, que existe um número crescente de angustiados.
Jesus é o Amor que se rebaixa até nós para nos exaltar. Esta humildade real e divina que habita em Jesus nos enobrece e nos oferece a incomparável dignidade de filhos e de filhas de Deus. Por isso, a humildade em seu grau mais perfeito não está em ser pequeno, mas em fazer-se pequeno para engrandecer os outros. De fato, Deus não é pequeno, mas faz-se pequeno para salvar a humanidade por amor.
Hoje Jesus quer também entrar triunfante na vida dos homens, em cada coração, em cada família, na sua família, e quer que demos testemunho dele com a simplicidade do nosso trabalho bem feito, com a nossa preocupação pelos outros, com nosso respeito pelos outros. Um precisa cuidar do outro na ternura. Não sujemos nossa vida com os valores mundanos, pois somos cidadãos do céu (Ef 2,19-20). Jesus quer fazer-se presente em nós através das circunstâncias do viver humano vividas na simplicidade e na humildade. Deus criou tudo porque ele é generoso. E os mais humildes costumam ser mais generosos. E a generosidade é uma forma de prolongar o ato criador de Deus que criou tudo gratuitamente.
O homemhumilde é ateude si, é aquelequenãose considera deusnemsuper-homem; a humildadeé o ateísmo de simesmo. Quesejamos ateus de nósmesmosparaqueDeus seja verdadeiroDeusna nossavida. Somente assim podemos vencertudo na vida, pois lutaremos comCristo, nossoRei e Salvador.
1.Se tu estás preocupado com tua própria glória, como poderás interessar-te seriamente pelo bem dos demais? (Santo Agostinho: In ps. 37,8).
2.Não levantarias tão orgulhosamente a cabeça se não a tivesses vazia (Santo Agostinho: In ps. 37,8).
3.Para tu alcançares as alturas necessitas de uma escada. Para alcançares a altura da grandeza, usa a escada da humildade (Santo Agostinho: Serm. 96,3).
4.Como tu podes ser tão orgulhoso a não ser que estejas vazio? Se tu não estiveres vazio, não poderás inflar-te” (Santo Agostinho: In ps. 95,9)
5.Simular humildade é a maior das soberbas (Santo Agostinho: De sanc. virg. 43,44).
P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-03-21 20:12:00

24/03/2018
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A UNIÂO COM A DEUS RESULTA NA UNIÃO ENTRE AS PESSOAS
Sábado da V Semana da Quaresma
Primeira Leitura: Ez 37, 21-28
21 Assim diz o Senhor Deus: “Eu mesmo vou tomar os israelitas do meio das nações para onde foram, vou recolhê-los de toda a parte e reconduzi-los para a sua terra. 22 Farei deles uma nação única no país, nos montes de Israel, e apenas um rei reinará sobre todos eles. Nunca mais formarão duas nações, nem tornarão a dividir-se em dois reinos. 23 Não se mancharão mais com os seus ídolos e nunca mais cometerão infames abominações. Eu os libertarei de todo o pecado que cometeram em sua infidelidade, e os purificarei. Eles serão o meu povo e eu serei o seu Deus. 24 Meu servo Davi reinará sobre eles, e haverá para todos eles um único pastor. Viverão segundo meus preceitos e guardarão minhas leis, pondo-as em prática. 25 Habitarão no país que dei a meu servo Jacó, onde moraram vossos pais; ali habitarão para sempre, também eles, com seus filhos e netos, e o meu servo Davi será o seu príncipe para sempre. 26 Farei com eles uma aliança de paz, será uma aliança eterna. Eu os estabelecerei e multiplicarei, e no meio deles colocarei meu santuário para sempre. 27 Minha morada estará junto deles. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. 28 Assim as nações saberão que eu, o Senhor, santifico Israel, por estar o meu santuário no meio deles para sempre”.
Evangelho: Jo 11,45-56
Naquele tempo, 45muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele. 46Alguns, porém, foram ter com os fariseus e contaram o que Jesus tinha feito. 47Então os sumos sacerdotes e os fariseus reuniram o Conselho e disseram: “Que faremos? Este homem realiza muitos sinais. 48Se deixamos que ele continue assim, todos vão acreditar nele, e virão os romanos e destruirão o nosso Lugar Santo e a nossa nação”.  49Um deles, chamado Caifás, sumo sacerdote em função naquele ano, disse: “Vós não entendeis nada. 50Não percebeis que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?” 51Caifás não falou isso por si mesmo. Sendo sumo sacerdote em função naquele ano, profetizou que Jesus iria morrer pela nação. 52E não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos. 53A partir desse dia, as autoridades judaicas tomaram a decisão de matar Jesus. 54Por isso, Jesus não andava mais em público no meio dos judeus. Retirou-se para uma região perto do deserto, para a cidade chamada Efraim. Ali permaneceu com os seus discípulos. 55A Páscoa dos judeus estava próxima. Muita gente do campo tinha subido a Jerusalém para se purificar antes da Páscoa. 56Procuravam Jesus e, ao reunirem-se no Templo, comentavam entre si: “Que vos parece? Será que ele não vem para a festa?”
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O chamado para a salvação não é apenas para um grupo ou para um povo, mas para toda a humanidade, de todos os tempos e lugares. Jesus, o Filho de Deus feito homem, veio para reunir todos os filhos de Deus que o pecado havia desunido. Deus edificou seu templo em nossos corações. Ele é nosso único Pastor e Rei, que nos une não apenas como seu Povo Sagrado, mas que nos reconhece como seus filhos por nossa união com seu único Filho, Jesus Cristo. Na história, que parte de Cristo e chega à Parusia, a Igreja é o sacramento da salvação e da unidade para toda a humanidade, porque através dela o Senhor continua sua obra salvadora no mundo e em sua história. Deus quer todos nós unidos fraternalmente em torno dele, reconhecido como nosso Pai. Não devemos romper mais essa unidade, e sim que devemos trabalhar para que o Reino do amor, da santidade, da justiça e da paz se torne uma realidade já desde agora em diante entre nós.
Deus É O Fator Essencial Da União Entre As Pessoas
Dentro de uma semana estaremos jáno coração da páscoa: estaremos meditando sobre a Paixão e morte de Jesus. Mas o sepulcronão é a última palavrapara o homem. Hojeatravésdo profeta Ezequiel Deusnos apresenta seuprojeto de reunirnuma naçãosótoda a humanidadeatravés de Jesus Cristoqueveioparaunir e reunirtodoscomo uma comunidadede irmãos. “Unir” ou “reunir” é umtermoteológicoquetem comosinônimosalvação. A fraternidade é uma consequência da fé no DeuscomoPai-Nosso. Mas o poder é sempre o verdadeirocâncerpara a fraternidade e semquerer querendo apagar da vidaDeuscomoPai de todos.
Eu mesmo vou tomar os israelitas do meio das nações para onde foram, vou recolhê-los de toda a parte e reconduzi-los para a sua terra. Farei deles uma nação única no país…. Nunca mais formarão duas nações, nem tornarão a dividir-se em dois reinos”, disse Deus na visão do profeta Ezequiel.
Depois de anunciar solenemente na visão anterior sobre a repatriação dos exilados, o profeta anuncia que no futuro desaparecerá a tradicional divisão das dez tribos do Norte e duas do Sul. Juntas constituirão um só povo sob um só rei: o rei Davi. Esta visão surge no meio do império de Nabucodonosor que parecia onipotente e sua opressão aparentemente duraria por séculos.
O profeta Ezequiel une sempre a repartição dos exilados à inauguração dos tempos messiânicos. De fato, o retorno dos exilados foi o princípio da nova comunidade nacional na qual havia de aparecer o Messias. Com estes anseios de levantar os ânimos, o profeta idealiza o futuro e pensa na nova era em que reinará a paz e equidade como consequência de uma nova aliança. Deus voltará a ser centro dos corações dos israelitas, pois voltará a estabelecer Sua morada entre eles em Santuário de Jerusalém.
Tudo isto quer nos dizer que quando Deus ocupar o lugar central na comunidade, ou em qualquer tipo de convivência, haverá a união e a paz entre as pessoas, haverá a compreensão mútua e mútua ajuda, haverá o crescimento em conjunto. Mas quando alguém começar a querer ser destacado, expulsando Deus do seu lugar central, haverá a divisão e a desarmonia entre as pessoas. Onde há divisão, o inimigo toma conta das pessoas para causar mais a desunião para que ele possa sufocar todos.
O inimigo é um grande manipulador. E os manipuladores estudam as pessoas em busca de sua vulnerabilidade, de sua debilidade. O manipulador trabalha para adormecer sua vítima e lentamente vai isolá-la das pessoas de que gosta para depois dominá-la. O manipulador tem vida dupla: diz uma coisa e faz outra. Ele sempre se sente grande e poderoso e tenta demonstrar que sabe de tudo, mas quando fizer, deixará pela metade ou menos da metade. A vida de um manipulador é improdutiva. O manipulador só quer ter controle sobre a vida alheia.
Cada Cristão Deve Ser o Fator De União Entre As Pessoas, Pois Cristo Une e Reúne As Pessoas Para Salvá-las
“´Não percebeis que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?´ Caifás não falou isso por si mesmo. Sendo sumo sacerdote em função naquele ano, profetizou que Jesus iria morrer pela nação. E não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos”.
O textodo evangelho deste diaé uma continuação da cenasobre a “ressurreição” de Lázaro. No texto de hojenarra-se a reação dos judeusperantea ressurreição de Lazaro. Quem fez Lázarovoltar a viver foi Jesus. Muitos começaram a acreditarem Jesus porcausa disso. Masoutros decretam a mortede Jesus. Jesus é perseguido pelobemque pratica. AquiJesus representa todos os justosquesão perseguidos permanentementeporaquelesque vivem na injustiçae na desonestidadepormedo de suasmás obras serem reveladas.
Por queessa perseguição da parte dos judeus, principalmentedos fariseus e dos sumossacerdotes? A razãoé tãosimples: porque Jesus faz o bematravés de tantossinais (= “milagres”) queeleopera emfavordo homem: “Estehomem realiza muitossinais. Se deixamos queele continue assim, todosvãoacreditar nele, e virão os romanose destruirão o nossoLugarSanto e a nossanação”.Para os dirigentesdo povo os “muitosmilagres” (sinais) operados por Jesus representam uma grandeameaçacontra o poder instituído. Eles se sentem ameaçados, enquantoque Jesus nãoameaçaninguém. Elesimplesmentepratica o bem. Nuncapodemos entenderqueos chefesreligiosos, que deveriam protegero serhumano, querem matar Jesus. Quetipo de Deusemquemacreditam? Pode matar os outrosemnomeda religião? Quereligião é esta? “Provocara violênciaemnome de Deuse do Evangelho é umsacrilégio. Nãoacabará a violênciaquandohouver menosarmas, e simquandohouver maisamor… Atente paraquea suapráticareligiosanãoseja maisimportantedo queseuDeus e seupróximo. A recitação de umcredo e a práticado culto, semo compromisso de uma condutacoerenteé uma paródiaqueengana os outrose umópioque adormece a própriaconsciência” (René Juan Trossero).
Os dirigentes estão com uma inveja mortal de Jesus. A inveja é a filha de uma soberba machucada. O invejoso não tolera os sucessos dos outros e não admite que os outros possuam qualidades iguais ou superiores às suas ou gozem de sorte melhor. O medo de que os outros tenham êxito em suas atividades é maior nele do que os esforços que emprega para ser mais bem-sucedido. O invejoso ficará alegre quando a boa sorte de seus rivais se transformar em azar. Os invejosos serão sempre pessoas próximas de nós, familiares, colegas de trabalho ou de profissão com os quais eles são obrigados a conviver conosco. Eles são tão maldosos que frequentemente se mostram desconfiados, melindrosos e equivocados. O invejoso só conseguirá eliminar este vicio quando não mais se preocupar com o poder e o valor dos outros, cuidando unicamente de melhorar a si mesmo para melhorar a convivência.
A origem da inveja é a soberba ou a arrogância. O orgulhoso/arrogante não se preocupa em conhecer a verdade, mas apenas em ocupar uma posição em que ele possa ser o centro e a norma. Ele pretende que tudo esteja sujeito a si próprio. A arrogância não encontra abrigo em uma pessoa de inteligência equilibrada. A realidade de nossas próprias limitações é o mais eficaz dos convites à humildade. Essa humildade é que não tem no arrogante. A arrogância é uma maneira de não admitir as próprias fraquezas e limitações. Ele quer aparecer forte para esconder suas fraquezas.
Sendo sumo sacerdote em função naquele ano, Caifás profetizou que Jesus iria morrer pela nação. E não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos”, assim relatou o evangelista João.
O Sumo sacerdote Caifás pensava que com seu conselho salvaria a existência de seu povo, quando, na verdade, ao proclamar que “É melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?”, estava anunciando profeticamente, sem sabê-lo nem querê-lo, o sentido e o fim da morte de Jesus: salvar o povo da perdição eterna e reunir os filhos de Deus dispersos pelo mundo para formar uma família de Deus cujo pai comum é Deus: uma só Igreja, um só rebanho sob um só Pastor.
Jesus veio, então, parareunir na unidadetodos os filhosde Deuscomoprofetizava o profeta Ezequiel (Ez 37,21-28). Deus se apresenta comoAquelequeprocura a união: “Farei deles uma únicanação…” (Ez 37,22). O próprioDeus é, emsimesmo, ummistériode unidade: Trêsconstituídos emum: SantíssimaTrindade. E o homem foi criadoà imagem de Deus, e porissoele deve viveressa imagem na convivênciacom os demais: união e unidadea exemplo da SantíssimaTrindade. Essa imagemdeve fazer os homensviverem maissolidárioscom os demais, ajudarem-se mutuamente, protegem-se, tratam os outroscomoirmãos. Comoimagemde Deus, o homemjamais pode sercausador do racismo, da discriminação, do separatismooude qualquerespéciede divisão, poisfilhos do mesmoPaicelestesãoamadospelomesmoPaiincondicionalmente.
Qualquer homemque acredita emDeus deve aspirarà unidade: estarjuntos, estarde acordo, estarno mesmocoração, estaremconcórdia, amar e seramado. Qualquerpaioumãequerverseusfilhosunidos. Qualquerfilhooufilhaquerverseuspaisunidos até a morte. No entanto, a humanidadese desgarrou e os conflitos de hojesãocadavezmaisprofundos. Mas a aspiraçãopelaunidadesubsiste comoumanseio de felicidade.
Vivemos numa épocado paradoxo. Construímos mais computadores para armazenar mais informações, mas nos comunicamos cada vez menos e nos relacionamos friamente e vivemos anestesiados da sensibilidade humana. Estamos na era do homem grande, mas de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias. Estamos na era de casas chiques, mas de lares despedaçados acompanhados de solidão mortal. Precisamos passar mais tempo com as pessoas que amamos, pois elas não estarão aqui para sempre, assim como não estaremos aqui para sempre com elas. Precisamos dar mais abraço carinhoso em nossos pais, irmãos, amigos, pois não nos custa um centavo sequer. Um beijo e um abraço curam a dor, quando vêm de lá de dentro de nosso coração.
Geralmente toda ruptura entre irmãos começa por desgarrar o coração de Deus. A humanidade desgarrada tem sempre a mesma necessidade de sacrifício: racismo, oposições, lutas de interesse pessoal e violência. Toda divisão entre os homens começa por serem contrários ao projeto de Deus. E para a Igreja toda divisão é um escândalo, pois ela é contrária ao que Jesus pede ao Pai: “Que todos sejam um para que o mundo creia” (cf. Jo 17) e ao mandamento do Senhor: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12). Por isso, a desunião entre os próprios cristãos, a recusa do diálogo e do bem comum impedem o mundo de reconhecer Deus através dos cristãos.
Cristo deu suavidaparaque n’Ele a humanidadechegue a serumCorpoúnicocujacabeçaé o próprioCristo. “Deste modo, o únicosalvador de seucorpo, nossoSenhor Jesus Cristo, é o mesmoqueorapornós, oraemnóse recebe a nossaoração. Eleorapornóscomonossosacerdote; oraemnóscomonossacabeça e recebe a nossaoraçãocomonossoDeus” (Santo Agostinho: Sl 85,1: CCL 39,1176-1177). Quandonão houver maislugarparaJesus no seucoração, o cristão se tornará umescândalopara os demais e haverá espaçomaiorparatodos os tipos de disputade poderparasaberquemmandamais, emvez de quemama e serve mais. Umcoraçãonãounido a Cristocausaa divisãoentreas pessoas. “Quetodos sejam um” é a oraçãoquedeve serfeitaportodos os seguidores de Cristo.
P. Vitus Gustama,svd