Autor: Christo Nihil Praeponere

A Igreja precisa se abrir ao mundo?

Papa bento xvi lateral

Assistimos, há decênios, a uma diminuição da prática religiosa, constatamos o crescente afastamento duma parte notável de batizados da vida da Igreja. Surge a pergunta: Porventura não deverá a Igreja mudar? Não deverá ela, nos seus serviços e nas suas estruturas, adaptar-se ao tempo presente, para chegar às pessoas de hoje que vivem em estado de busca e na dúvida?

Uma vez alguém instou a beata Madre Teresa a dizer qual seria, segundo ela, a primeira coisa a mudar na Igreja. A sua resposta foi: tu e eu!

Este pequeno episódio evidencia-nos duas coisas: por um lado, a religiosa pretendeu dizer ao seu interlocutor que a Igreja não são apenas os outros, não é apenas a hierarquia, o Papa e os Bispos; a Igreja somos nós todos, os batizados. Por outro lado, Madre Teresa parte efetivamente do pressuposto de que há motivos para uma mudança. Há uma necessidade de mudança. Cada cristão e a comunidade dos crentes no seu todo são chamados a uma contínua conversão.

E esta mudança, concretamente como se deve configurar? Trata-se porventura de uma renovação parecida com a que realiza, por exemplo, um proprietário de casa mediante uma reestruturação ou a pintura do seu imóvel? Ou então trata-se de uma correção para retomar a rota e percorrer, de modo mais ágil e direto, um caminho? Certamente estes e outros aspectos são importantes, mas aqui não podemos tratar de todos eles. Mas, cingindo-nos ao motivo fundamental da mudança, este é a missão apostólica dos discípulos e da própria Igreja.

De fato, a Igreja deve verificar incessantemente a sua fidelidade a esta missão. Os três evangelhos sinóticos põem em evidência diversos aspectos do mandato da referida missão: esta assenta antes de tudo na experiência pessoal: “Vós sois testemunhas” (Lc 24, 48); exprime-se em relações: “Fazei discípulos de todos os povos” (Mt 28, 19); transmite uma mensagem universal: “Proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15).

Mas, por causa das pretensões e condicionamentos do mundo, este testemunho fica muitas vezes ofuscado, são alienadas as relações e acaba relativizada a mensagem. Se, depois, a Igreja, como diz o Papa Paulo VI, “procura modelar-se em conformidade com o tipo proposto por Cristo, não poderá deixar de distinguir-se profundamente do ambiente humano, em que afinal vive ou do qual se aproxima” (Ecclesiam Suam, 60). Para cumprir a sua missão, deverá continuamente também manter as distâncias do seu ambiente, deverá por assim dizer “desmundanizar-se”.

De fato, a missão da Igreja deriva do mistério de Deus uno e trino, do mistério do seu amor criador. E em Deus não está apenas mais ou menos presente o amor; mas Ele mesmo, por sua natureza, é amor. E o amor de Deus não quer ficar isolado em si mesmo, mas quer, como é próprio da sua natureza, difundir-se. Na encarnação e no sacrifício do Filho de Deus, o amor divino alcançou de um modo particular a humanidade — isto é, a nós —, e isto pelo fato de que Cristo, o Filho de Deus, saiu por assim dizer da sua esfera que é ser Deus, encarnou e fez-se homem; não apenas para confirmar o mundo no seu ser terreno, tornando-se seu companheiro e deixando-o assim como é, mas para o transformar.

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Do evento cristológico faz parte o dado incompreensível de que há — como dizem os Padres da Igreja — um sacrum commercium, uma permuta entre Deus e os homens. Os Padres explicavam-na assim: nós não temos nada que possamos dar para Deus, podemos apenas apresentar-lhe o nosso pecado. E Ele acolhe-o, assume-o como próprio e, em troca, dá-se a si mesmo e a sua glória a nós. Trata-se de uma permuta deveras desigual, que se realiza na vida e na paixão de Cristo. Ele faz-se pecador, toma o pecado sobre si, assume aquilo que é nosso e dá-nos aquilo que é seu.

Mas em seguida, à medida que se desenvolvem o pensamento e a vida à luz da fé, torna-se evidente que, devido à faculdade que Ele entretanto nos concedeu, não lhe damos só o pecado: a partir do íntimo, Ele concede-nos a força de lhe darmos também algo de positivo, o nosso amor, de lhe darmos a humanidade em sentido positivo. Naturalmente, é claro que só graças à generosidade de Deus é que o homem — o mendigo que recebe a riqueza divina — pode também dar alguma coisa para Deus; Deus torna-nos suportável o dom para nós, fazendo-nos capazes de ser doadores para com Ele.

Ora, a Igreja deve todo o seu ser a esta permuta desigual. Por si mesma nada possui diante d’Aquele que a fundou, de modo que possa dizer: fizemo-lo muito bem! O sentido dela é ser instrumento da redenção, deixar-se permear pela palavra de Deus e introduzir o mundo na união de amor com Deus. A Igreja insere-se na atenção condescendente do Redentor pelos homens. Quando é verdadeiramente ela mesma, a Igreja sempre se sente em movimento, deve colocar-se continuamente ao serviço da missão que recebeu do Senhor. E por isso deve abrir-se incessantemente às inquietações do mundo, do qual ela mesma faz parte, e dedicar-se a elas sem reservas, para continuar a fazer presente a permuta sagrada que teve início com a Encarnação.

Entretanto, no desenvolvimento histórico da Igreja manifesta-se também uma tendência contrária, ou seja, a de uma Igreja satisfeita consigo mesma, que se acomoda neste mundo, que é autossuficiente e se adapta aos critérios do mundo. Assim não é raro dar à organização e à institucionalização uma importância maior do que dá ao seu chamamento a permanecer aberta a Deus e a abrir o mundo ao próximo.

Para corresponder à sua verdadeira tarefa, a Igreja deve esforçar-se sem cessar por distanciar-se desta sua secularização e tornar-se novamente aberta para Deus. Assim fazendo, segue as palavras de Jesus: “Eles não são do mundo, como também Eu não sou do mundo” (Jo 17, 16), e é precisamente assim que Ele se entrega pelo mundo. Em certo sentido, a história vem em ajuda da Igreja com as diversas épocas de secularização, que contribuíram de modo essencial para a sua purificação e reforma interior.

De fato, as secularizações — sejam elas a expropriação de bens da Igreja, o cancelamento de privilégios, ou coisas semelhantes — sempre significaram uma profunda libertação da Igreja de formas de mundanidade: despoja-se, por assim dizer, da sua riqueza terrena e volta a abraçar plenamente a sua pobreza terrena. Deste modo, partilha o destino da tribo de Levi, que, segundo afirma o Antigo Testamento, era a única tribo em Israel que não possuía um patrimônio terreno, mas, como porção de herança, tinha tido em sorte exclusivamente o próprio Deus, a sua palavra e os seus sinais. Com esta tribo, a Igreja partilhava naqueles momentos da história a exigência duma pobreza que se abria para o mundo, para se destacar dos seus laços materiais e assim também a sua ação missionária voltava a ser credível.

Os exemplos históricos mostram que o testemunho missionário de uma Igreja “desmundanizada” refulge de modo mais claro. Liberta dos fardos e dos privilégios materiais e políticos, a Igreja pode dedicar-se melhor e de modo verdadeiramente cristão ao mundo inteiro, pode estar verdadeiramente aberta ao mundo. Pode de novo viver, com mais agilidade, a sua vocação ao ministério da adoração de Deus e ao serviço do próximo. A tarefa missionária, que está ligada à adoração cristã e deveria determinar a estrutura da Igreja, torna-se visível mais claramente.

A Igreja abre-se ao mundo, não para obter a adesão dos homens a uma instituição com as suas próprias pretensões de poder, mas sim para os fazer reentrar em si mesmos e, deste modo, conduzi-los a Deus — Àquele de quem cada pessoa pode afirmar com Agostinho: “Ele é mais interior do que aquilo que eu tenho de mais íntimo” (cf. Conf. III, 6, 11). Ele que está infinitamente acima de mim, todavia está de tal maneira em mim que constitui a minha verdadeira interioridade. Através deste estilo de abertura da Igreja ao mundo, é conjuntamente delineada também a forma em que se pode realizar, eficaz e adequadamente, a abertura ao mundo por parte do indivíduo cristão.

Não se trata aqui de encontrar uma nova tática para relançar a Igreja. Trata-se, antes, de depor tudo aquilo que seja apenas tática e procurar a plena sinceridade, que não descura nem reprime nada da verdade do nosso hoje, mas realiza a fé plenamente no hoje vivendo-a precisa e totalmente na sobriedade do hoje, levando-a à sua plena identidade, tirando dela aquilo que só na aparência é fé, pois na verdade não passa de convenção e hábito.

Por outras palavras, podemos dizer: a fé cristã constitui sempre, e não apenas no nosso tempo, um escândalo para o homem. Que o Deus eterno se preocupe conosco, seres humanos, e nos conheça; que o Inatingível, num determinado momento e num determinado lugar, se tenha colocado ao nosso alcance; que o Imortal tenha sofrido e morrido na cruz; que nos sejam prometidas a nós, seres mortais, a ressurreição e a vida eterna — crer em tudo isto não passa, aos olhos dos homens, de uma real presunção.

Este escândalo, que não pode ser abolido se não se quer abolir o cristianismo, foi infelizmente encoberto, mesmo recentemente, por outros tristes escândalos dos anunciadores da fé. Cria-se uma situação perigosa, quando estes escândalos ocupam o lugar do skandalon primordial da Cruz tornando-o assim inacessível, isto é, quando escondem a verdadeira exigência cristã por trás da incongruência dos seus mensageiros.

Esta é mais uma razão para pensar que seja hora novamente de encontrar a verdadeira separação do mundo, de tirar corajosamente o que há de mundano na Igreja. Isto naturalmente não significa retirar-se do mundo, antes pelo contrário. Uma Igreja aliviada dos elementos mundanos é capaz de comunicar aos homens, precisamente no âmbito sóciocaritativo — tanto aos que sofrem como àqueles que os ajudam —, a força vital particular da fé cristã. “Para a Igreja, a caridade não é uma espécie de atividade de assistência social que se poderia mesmo deixar a outros, mas pertence à sua natureza, é expressão irrenunciável da sua própria essência” (Deus Caritas Est, 25).

Certamente também as obras caritativas da Igreja devem continuamente prestar atenção à necessidade duma adequada separação do mundo, para evitar que, devido a um progressivo afastamento da Igreja, se sequem as suas raízes. Só a relação profunda com Deus torna possível uma atenção plena ao homem, tal como sem a atenção ao próximo se empobrece a relação com Deus.

Portanto, ser aberta às vicissitudes do mundo significa, para a Igreja “desmundanizada”, testemunhar segundo o Evangelho, com palavras e obras, aqui e agora a soberania do amor de Deus. E esta tarefa remete ainda para além do mundo presente: de fato, a vida presente inclui a ligação com a vida eterna. Como indivíduos e como comunidade da Igreja, vivemos a simplicidade dum grande amor que, no mundo, é simultaneamente a coisa mais fácil e a mais difícil, porque requer nada mais nada menos que o doar-se a si mesmo.

Queridos amigos, resta-me implorar para todos nós a bênção de Deus e a força do Espírito Santo, a fim de podermos, cada um no próprio campo de ação, reconhecer e testemunhar sempre de novo o amor de Deus e a sua misericórdia. Obrigado pela vossa atenção!

O afresco de São João Paulo II

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Todos os anos, cinco milhões de turistas vão à Capela Sistina, em Roma, para visitar os mais de 450 metros quadrados que albergam os afrescos de Michelangelo, nos quais estão retratadas inumeráveis cenas bíblicas, desde a Queda de Adão até o Juízo Final. A Capela Sistina é um dos grandes patrimônios da humanidade. Ela fala por si mesma, envolvendo com sua portentosa beleza quem quer que a contemple.

Hoje, dia 2 de abril, aniversário da morte de S. João Paulo II, eu gostaria de sugerir que uma das obras deste Papa pode ser comparada, em sua importância e valiosas intuições, ao teto da Capela Sistina, ainda que se trate de um “afresco em palavras”, e não de uma pintura em sentido próprio. Nela estão corajosamente traçadas as “luzes e sombras” da dignidade humana, ou seja, da nossa capacidade para o realizar o bem ou o mal.

Desde a morte do Papa polonês em 2005, diversos aspectos de suas conquistas vêm sendo reconhecidos. Eles incluem a política (a ascensão de “Solidariedade” em sua terra natal e a queda do Império Soviético), as artes (suas reflexões sobre a beleza, seu trabalho prévio na poesia e na dramaturgia), a filosofia (seus escritos sobre o relacionamento entre fé e razão) e, naturalmente, a teologia (seu tríptico de Encíclicas sobre a natureza de Deus). João Paulo teve uma vida longa,  ativa e enraizada na oração, e os resultados, embora não tenham sido perfeitos, estão aí à vista de todos. Ao menos para os que abrirem os olhos para ver. E ler.

De todas as conquistas que marcam sua longa existência, creio que a principal contribuição do Papa filósofo para o mundo seja a sua reflexão a respeito da natureza do ato moral. Trata-se, sem dúvida, de um assunto pouco atraente para muitos, mas que se refere, no fundo, ao modo como nos tornamos quem somos, desde as profundezas mais íntimas do nosso ser.

Tudo isso pode ser encontrado na Encíclica Veritatis Splendor, “Esplendor da Verdade”, publicada em 1993, há cerca de um quarto de século. No Concílio Vaticano II (1962-1965), os padres conciliares tentaram, mas não conseguiram produzir um documento sobre teologia moral antes de irromper a tempestade da década de 1960. Com a ajuda de Joseph Ratzinger (que se tornaria mais tarde Papa Bento XVI) e outros cooperadores, João Paulo II pôde elaborar um dos documentos oficiais mais significativos da Igreja sobre teologia moral dos últimos 400 anos.

Teto da Capela Sistina.

Qual é a necessidade de um documento assim? Quando o Papa Paulo VI, em 1968, confirmou o ensinamento constante da Igreja sobre a imoralidade da contracepção, o dissenso entrou na ordem do dia para os católicos, enquanto o resto do mundo abraçava alegremente a chamada Revolução Sexual. Os resultados trágicos dessas escolhas — famílias desestruturadas, de um lado, e o fácil acesso à pornografia, de outro — continuam surtindo efeito até os dias de hoje.

Algumas fórmulas tradicionais da doutrina católica, de meio século ou menos de idade, se revelaram incapazes de convencer as gerações da “era de Aquarius” e seus descendentes (nós, em suma). João Paulo II sabia, desde a época em que foi professor universitário na Polônia, da urgente necessidade de oferecer aos homens uma sólida formação em antropologia cristã, iluminada pela fé. Por isso, ele mesmo tratou de nos proporcionar essa base, elaborada com fidelidade às SS. Escrituras e ao Magistério perene e bimilenar da Igreja.

Veritatis Splendor faz ecoar o grito de rebelião e de esperança de toda alma que, mais do que praticar o mal, sofre a sua ação. A Encíclica fala a partir da consciência moral do que de melhor tem a nossa humanidade, iluminada pela graça. Ela frustra as esperanças de todo governo que pretenda fazer do oportunismo e da comodidade o seu “evangelho”, à custa da verdade e da luz da consciência, dada a todas as almas, criadas à imagem de Deus.

O Papa polonês queria nos lembrar de que existem atos que não devem ser praticados nunca. Há, gostemos ou não, atos intrinsecamente maus, sempre e em si mesmos, ainda que tenhamos as melhores intenções, independentemente das circunstâncias.

Àqueles que defendem que essa doutrina carece de “sensibilidade pastoral” cabe perguntar: como vamos ajudar realmente as pessoas, se escondermos delas a verdade sobre problemas humanos tão fundamentais? Como vamos conduzi-las das trevas do pecado à luz da graça, isto é, à amizade íntima com Deus, Nosso Senhor, se abandonarmos o legado moral dos santos, dos mártires e dos santos doutores da Igreja? Desse ponto de vista, a exortação do Concílio Vaticano I é de uma relevância permanente: “Sempre se deve ter por verdadeiro sentido dos dogmas aquele que a Santa Madre Igreja uma vez tenha declarado, não sendo jamais permitido, nem a título de uma inteligência mais elevada, afastar-se deste sentido.” [1]

Muitos católicos parecem ter perdido de vista esse precioso ensinamento. E isso é terrível em vários níveis. Passa-se a impressão, por exemplo, de que a Igreja teria o poder de ser arbitrária em todas essas matérias, como se ela pudesse definir o bem e o mal, ao invés de simplesmente reconhecê-los inscritos na natureza humana. No entanto, como escrevia o Beato John Henry Newman, “ainda que o papado pertença ao depósito da Revelação, o Papa não tem jurisdição alguma sobre a natureza” [2].

Alguns estudiosos afirmam que a imagem de Deus Pai estendendo a mão para Adão no teto da Capela Sistina tem a forma de um cérebro humano. É como se Deus estivesse concedendo à humanidade a luz da inteligência, em um toque íntimo e singelo. Se nós levarmos em conta o ensinamento de S. João Paulo II, veremos com igual clareza como cada pessoa com que cruzamos na rua está chamada a ser uma obra-prima de Deus, um “afresco” para a eternidade, onde as sombras dos pecados arrependidos e perdoados só tornará ainda mais radiante a luz de sua glória no Céu.

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A Ressurreição de Nosso Senhor nos dá a ocasião de refletir sobre o mistério central de nossa fé. O cristianismo é o mistério de uma presença real, embora escondida e secreta. Mesmo que a minha fé seja tão pobre que eu não consiga reconhecê-la…

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Cristo nos amou até o fim, e a sua Ressurreição deve ser para nós motivo de grande alegria: fomos salvos, e a morte finalmente derrotada.

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