O Ocidente: sem Cristo, na tolice e na escuridão

Casualmente, vi na televisão um programa sobre a Chapada dos Veadeiros. Surpreso, fiquei sabendo de quantas pessoas vivem ali à espera de um contato com extraterrestres. Um desses devotos dos ETs vive numa verdadeira disciplina ascética, preparando-se para o encontro com os seres de outros planetas; é vegetariano, vive na pobreza e fez voto de…

Um pecado mortal, sete anos de Purgatório

Francisca romana lateral

Aprouve a Deus mostrar em espírito as sombrias moradas do Purgatório a algumas almas privilegiadas, as quais revelariam os mistérios dolorosos que aí se passavam para a edificação dos fiéis [1].

Foi deste número a ilustre Santa Francisca, fundadora das Oblatas, que morreu em Roma, a 9 de março de 1440. Deus a favoreceu com grandes luzes a respeito do estado das almas na outra vida. Ela viu o Inferno e os seus horríveis tormentos; viu também o interior do Purgatório e a ordem misteriosa — quase como uma “hierarquia de expiações” — que reina nesta parte da Igreja de Jesus Cristo.

“Santa Francisca Romana dando esmolas”, de Giovanni Battista Gaulli.

Em obediência a seus superiores, que se viram obrigados a lhe imporem esta obrigação, ela deu a conhecer tudo quanto Deus lhe havia manifestado; e suas visões, escritas a pedido do venerável cônego Matteotti, seu diretor espiritual, gozam de toda a autenticidade que se pode desejar nessas matérias.

A serva de Deus declara que, depois de ter suportado com horror indescritível a visão do Inferno, saiu daquele abismo e foi conduzida por seu guia celestial até as regiões do Purgatório. Ali não reinava nem o terror nem a desordem, nem o desespero nem a escuridão eterna; ali a esperança divina difundia sua luz, de modo que, como lhe disseram, este lugar de purificação também era chamado de “estadia de esperança”. Ela viu ali almas que sofriam cruelmente, mas anjos as visitavam e assistiam em seus sofrimentos.

O Purgatório, ela dizia, é dividido em três partes distintas, que são como que as três grandes províncias daquele reino de sofrimento. Elas estão situadas uma abaixo da outra, e são ocupadas por almas de diferentes ordens, estando estas mais profundamente submersas quanto mais contaminadas e distantes estiverem da hora de sua libertação.

A região mais baixa é repleta de um fogo violento, mas não tão obscuro quanto o do Inferno; trata-se de um vasto mar de fogo, do qual são expelidas chamas imensas. Inumeráveis almas encontram-se mergulhadas nessas profundezas: são aquelas que se tornaram culpadas de pecados mortais, devidamente confessados, mas não suficientemente expiados em vida. A serva de Deus então aprendeu que, por cada pecado mortal perdoado, resta à alma culpada passar por um sofrimento de sete anos [2]. Esse prazo não pode evidentemente ser encarado como uma medida definitiva, mas como uma pena média, já que pecados mortais diferem em enormidade. Ainda que as almas estejam envoltas pelas mesmas chamas, seus sofrimentos não são os mesmos: eles variam de acordo com o número e a natureza dos pecados cometidos.

Neste Purgatório mais baixo a santa notou a presença de leigos e de pessoas consagradas a Deus. Os leigos eram aqueles que, depois de uma vida de pecado, tiveram a alegria de se converterem sinceramente; as pessoas consagradas a Deus eram aquelas que não haviam vivido de acordo com a santidade do seu estado de vida.

Naquele mesmo momento, ela viu descer a alma de um sacerdote conhecido dela, mas cujo nome ela não revela: o padre tinha a face coberta com um véu que escondia uma mancha. Embora tenha levado uma vida edificante, este padre não havia sempre observado com rigor a virtude da temperança, tendo procurado mui ardentemente as satisfações da mesa.

A santa foi conduzida então ao Purgatório intermediário, destinado para as almas que haviam merecido um castigo menos rigoroso. Aí havia três distintos compartimentos: um que lembrava um imenso calabouço de gelo, cujo frio era indescritivelmente intenso; o segundo, ao contrário, era como um grande caldeirão de óleo e massa fervente; o terceiro tinha a aparência de um lago de metal líquido semelhante a ouro ou prata fundidos.

O alto Purgatório, que a santa não descreve, é a morada temporária das almas que menos sofrem — com exceção da pena de perda [3] —, e estão muito próximas do feliz momento de sua libertação.

Tal é, em substância, a visão de Santa Francisca Romana relativa ao Purgatório.

O que segue, agora, é um registro de Santa Maria Madalena de Pazzi, uma carmelita de Florença, tal como vai relatado em sua biografia, escrita pelo pe. Cepare. Sua revelação dá uma figura mais completa do Purgatório, ao passo que a visão precedente não faz senão traçar os seus contornos.

Santa Maria Madalena de Pazzi, em uma pintura de Pedro de Moya.

Algum tempo antes de sua morte, que aconteceu em 1607, a serva de Deus, M.ª Madalena de Pazzi, estando uma noite com várias outras religiosas no jardim do convento, foi arrebatada em êxtase e viu o Purgatório aberto diante de si. Ao mesmo tempo, como ela deu a conhecer depois, uma voz lhe fez o convite para visitar todas as prisões da Justiça divina e contemplar como são verdadeiramente dignas de compaixão todas as almas detidas neste lugar.

Neste momento, ouviu-se ela dizer: “Sim, eu irei”, consentindo em empreender esta dolorosa jornada. De fato, ela caminhou por duas horas em torno do jardim, o qual era muito grande, fazendo pausas de tempos em tempos. A cada vez que interrompia o passo, ela contemplava atentamente os sofrimentos que lhe eram mostrados. Ela foi vista, então, apertando com força as mãos e pedindo compaixão, seu rosto tornou-se pálido e seu corpo curvou-se sob o peso do sofrimento, em presença do terrível espetáculo com o qual ela se confrontava.

A santa começou a lamentar em alta voz: “Misericórdia, meu Senhor, misericórdia! Descei, ó Sangue Precioso, e libertai estas almas de sua prisão. Pobres almas! Sofreis tão cruelmente e, no entanto, estais tão contentes e alegres. Os cárceres dos mártires, em comparação com estes, eram jardins de deleite. Não obstante, existem outros ainda mais profundos. Quão feliz sorte seria a minha, se não fosse obrigada a descer para estes lugares!”

Ela desceu, no entanto, porque foi forçada a continuar seu caminho. Tendo dado alguns passos, porém, ela parou aterrorizada e, suspirando, gritou: “Quê? Até religiosos nesta morada sombria! Bom Deus, como eles são atormentados! Ah, Senhor!” A santa não explica a natureza dos sofrimentos que tinha diante dos olhos, mas o horror que ela manifestava ao contemplá-los fazia com que ela suspirasse a cada passo que dava.

Daí ela passou a lugares menos obscuros. Eram as prisões das almas simples e de crianças nas quais a ignorância e a falta de razão extenuaram muitas faltas. Seus tormentos pareciam à santa muito mais suportáveis que os das outras pessoas. Nada havia ali a não ser gelo e fogo. Ela notou que estas almas tinham consigo seus anjos da guarda, os quais as fortificavam enormemente com sua presença; mas ela também via demônios cujas formas pavorosas faziam aumentar seus sofrimentos.

Avançando um pouco mais o passo, ela viu almas ainda mais desafortunadas, e ouviu-se ela gritar: “Ó, quão horrível é este lugar! Ele é cheio de demônios horrendos e tormentos inacreditáveis! Quem, ó meu Senhor, são as vítimas dessas cruéis torturas? Ai! Elas estão sendo perfuradas com espadas afiadas, elas estão sendo cortadas em pedaços.” Foi-lhe revelado, então, que aquelas eram as almas cuja conduta havia sido contaminada pela hipocrisia.

Avançando um pouco, ela viu uma grande multidão de almas que eram feridas, por assim dizer, e esmagadas sob uma prensa; e ela entendeu que aquelas eram as almas que se haviam apegado à impaciência e à desobediência durante suas vidas. Ao contemplá-las, os olhares, os suspiros e toda a atitude da santa exprimiam compaixão e terror.

Um momento depois sua agitação aumentou, e a santa soltou um grito terrível. Era o cárcere dos mentirosos que agora se abria diante dela. Depois de o considerar atentamente, ela gritou bem alto: “Os mentirosos são confinados em um lugar na vizinhança do Inferno, e seus sofrimentos são excessivamente grandes. Chumbo fundido é derramado dentro de suas bocas; eu os vejo queimar e, ao mesmo tempo, tremer de frio.”

Ela foi então à prisão daquelas almas que haviam pecado por fraqueza, e ouviu-se ela exclamar: “Ai! Eu havia pensado que os encontraria entre aqueles que haviam pecado por ignorância, mas eu me enganei; vós queimais com um fogo mais intenso.”

Mais adiante, ela observou almas que se haviam apegado demais aos bens deste mundo e haviam pecado por avareza. “Que cegueira”, ela disse, “ter buscado tão ardentemente uma fortuna perecível! Aqueles a quem as riquezas não puderam saciar o suficiente aqui são devorados com tormentos. Eles se fundem como metal na fornalha ardente.”

Daí ela passou ao lugar onde as almas aprisionadas haviam se manchado com a impureza. Ela as viu em um cárcere tão sujo e pestilento que a visão lhe deu náuseas, e ela imediatamente deu as costas àquele espetáculo repugnante. Vendo os ambiciosos e os orgulhosos, ela disse: “Vede aqueles que quiseram brilhar diante dos homens! Agora estão condenados a viver nesta escuridão pavorosa.”

Foram-lhe mostradas, então, aquelas almas que haviam sido culpadas de ingratidão para com Deus. Elas eram vítimas de tormentos indescritíveis e afogadas, por assim dizer, em um lago de chumbo fundido, por haver feito secar, com sua ingratidão, a fonte da piedade.

Finalmente, em um último cárcere, foram-lhe mostradas as almas que não se tinham dado a nenhum vício em particular, mas que, por falta da devida vigilância sobre si mesmas, cometeram todo tipo de faltas triviais. A santa notou que estas almas tomavam parte nos castigos de todos os vícios, em um grau moderado, porque as faltas que elas cometeram apenas de tempos em tempos tornaram-nas menos culpadas do que aqueles que as tinham cometido habitualmente.

Após esta última estação, a santa deixou o jardim, implorando a Deus que nunca mais a fizesse testemunha de um espetáculo tão desolador: ela sentia que não tinha forças para suportá-lo.

Seu êxtase continuou, no entanto, e conversando com Jesus ela falou: “Dizei-me, Senhor, qual era o vosso desígnio em descobrir-me aquelas terríveis prisões, das quais eu sabia tão pouco e agora compreendo ainda menos? Ah, agora eu vejo: quisestes dar-me o conhecimento de vossa infinita santidade e fazer-me detestar cada vez mais a mínima mancha de pecado, tão abominável aos vossos olhos.”

É PRECISO CAMINHAR 2018-01-21 21:28:00

25/01/2018
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CONVERSÃO DE SÃO PAULO

UM OLHAR PARA DENTRO DE MIM A PARTIR DA EXPERIÊNCIA DE SÃO PAULO

25 de Janeiro

Primeira Leitura: At 22,3-16

Naqueles dias, Paulo disse ao povo: 3″Eusou judeu, nascido emTarso da Cilícia, mas fui criadoaqui nesta cidade. Comodiscípulode Gamaliel, fui instruído emtodo o rigor da Lei de nossosantepassados, tornando-me zelosoda causa de Deus, como acontece hojeconvosco. 4Persegui atéà morte os queseguiam esteCaminho, prendendo homens e mulherese jogando-os na prisão. 5Disso sãominhastestemunhaso SumoSacerdotee todo o conselhodos anciãos. Elesderam-me cartas de recomendaçãopara os irmãosde Damasco. Fui paralá, a fimde prendertodosos que encontrasse e trazê-los para Jerusalém, a fimde serem castigados. 6Ora, aconteceu que, na viagem, estando jápertode Damasco, pelomeiodia, de repente uma grandeluzquevinha do céubrilhou ao redor de mim. Caí porterrae ouvi uma vozqueme dizia: `Saulo, Saulo, porqueme persegues?’ 8Euperguntei: `Quem és tu, Senhor?’ 7Eleme respondeu: `Eusou Jesus, o Nazareno, a quemtu estás perseguindo’. 9Meuscompanheirosviram a luz, masnão ouviram a vozquemefalava. 10Então perguntei: `Que devo fazer, Senhor?’ O Senhorme respondeu: `Levanta-te e vai paraDamasco. Alite explicarão tudoo que deves fazer’. 11Comoeunão podia enxergar, porcausa do brilho daquela luz, cheguei a Damasco guiado pelamão dos meuscompanheiros. 12UmcertoAnanias, homempiedosoe fiel à Lei, com boa reputaçãojunto de todosos judeusqueaí moravam, 13veioencontrar-me e disse: `Saulo, meuirmão, recupera a vista!’ No mesmoinstante, recuperei a vista e pude vê-lo. 14Ele, então, me disse: `O Deusde nossosantepassadosescolheu-te paraconheceresa suavontade, veres o Justoe ouvires a suaprópriavoz. 15Porquetuserás a suatestemunhadiante de todosos homens, daquilo queviste e ouviste. 16E agora, o que estás esperando? Levanta-te, recebe o batismo e purifica-te dos teuspecados, invocando o nome dele!'”
Evangelho: Mc 16,15-18
Naquele tempo, Jesus se manifestou aos onze discípulos, 15e disse-lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! 16Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado. 17Os sinais que acompanharão aqueles que crerem serão estes: expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas; 18se pegarem em serpentes ou beberem algum veneno mortal não lhes fará mal algum; quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados”.
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No dia 25 de janeiro a Igreja celebra a conversão de São Paulo. A conversão de São Paulo é um dos maiores acontecimentos da época apostólica. Ele, chamado de Saulo, nasceu em Tarso, na região da Cilícia, Ásia menor, atual Turquia (At 9,11; 21,39; 22,3; cf. 9,30; 11,25). Foi educado dentro das exigências da Lei de Deus e das tradições paternas (Gl 1,14). Aos 18 anos ele se mudou para Jerusalém para ter aulas com o escriba Gamaliel (At 22,3).
Paulo sempre foi umhomemprofundamentereligioso, judeupraticante, irrepreensívelna maisestritaobservância da Lei (Fl 3,6;At 22,3).Eleeracheio de zelo pelas tradições paternas (Gl 1,14). Paradefende-las chegou a perseguir os cristãos. MasDeusquerlibertar Paulo deste caminho. Na estrada de DamascoPaulo, emvezde perseguir, elefoi perseguido porCristo. A entrada de Jesus na suavidanão foi pacífica, massimde uma maneiraviolenta.A Bíblianosdiz que Paulo caiu porterra (At 9,1ss). A queda de Paulo na estrada de Damascofoi a linhadivisóriaparasuavidaentreantes e depois. Essa queda é a chavegeralparaentender Paulo e todaa sualutaincansável.
Deus nãopediu licença a Paulo. Ele entrou e o derrubou (At 9,4;22,7;26,14). Caído no chão, Paulo se entregou. Lucas não diz que Paulo cai do cavalo, mas “cai porterra”, porqueessa é a fraseologia usada emalgunstextos bíblicos paradescrever a reaçãohumanadianteda manifestação divina (cf. Ez 1,28;cf. 43,3; 44,4; cf. Dn 10,7.9; 8,17-18).
“Porquevocême persegue?” (v.4). AquelequefalacomPaulo se identifica comaquelesquePaulo está perseguindo (v.5). A identificaçãode Jesus com os seusdiscípulos perseguidos coloca Paulo diante de uma escolhasemalternativas. Eleprecisamudarradicalmenteos seusprojetos.
Uma luz o envolveu (v.3) e eratãoforteque Paulo ficou cego. EmcontatocomDeusqueé a Luz, o homemse reconhece que é a treva. A cegueira na Bíbliaé claramente relacionada com o pecado, com a desorientação do homem, com o seuandartrôpegoe incapaz de encontraruma direção (cf. At 13,9-11). Elevia as mesmas coisasde sempre: a vida, as pessoas, a Bíblia, o povo, a sinagoga, o trabalho e tudoque pertencia ao seumundo. Elecomeçou a enxergaratéque Ananias interveio paradar-lhe o sentido da suaaceitação na Igreja e da certezade caminhar na viaqueleva a Deus. Paulo ressuscitou no exatomomentoemque foi acolhido na comunidadecomoirmão (v.18). Esta novaexperiência do amorde DeusemJesus (Rm 8,39) mudou os olhos de Paulo, e o ajudou a descobrirnovosvaloresqueantesnãovia.
A partir da experiênciade Damasco, Paulo nãoconsegue confiar naquilo queele faz porDeus, massó naquilo queDeus fez porele. Jánão coloca suasegurança na observância da Lei, massimno amor de Deuspor ele (Gl 2,20s; Rm 3,21-26). Essa experiência chama-se Gratuidade. Essa foi a marcade experiência de Paulo na estrada de Damascoque renova pordentrotodoo seu relacionamento comDeus. Essa experiência da gratuidade do amorde Deus vai darrumo à vidade Paulo e vai sustentá-lo nas coisasque virão. Elecresce tanto no amorde Cristo, a pontode dizer: “não sou euque vivo, masé Cristoquevive emmim” (Gl 2,20). Essa experiêncianãolhetira a liberdade. Pelocontrário, ele diz: “É paraa liberdadequeCristonoslibertou” (Gl 5,1;2,4). A experiênciada gratuidade do amor de Deus faz Paulo suportarlutas e perseguições, viagense canseira, o pesodo dia-a-dia (2Cor 11,23-27); sofrercomaquelesquesofrem (2Cor 11,29). Realizou, assim, o únicodesejo de suavida: estarcomseuSenhor e Mestre Jesus Cristo.
Se nunca realizamos a fundoesta mudança de mentalidadeque é essencialpara a vidacristã, aindanãochegamos a compreender o queé a novidade do caminhocristão. Se nãocompreendo bem as coisasditas sobre Paulo, provavelmente é difícilquecompreenda o que aconteceu emmim.
Nós necessitamos de uma conversão pessoal para que nos transformemos em instrumentos dóceis e eficazes na tarefa da nova evangelização. Todos nós temos nosso caminho de Damasco. E de cada um o Senhor se aproxima porque ele nos ama e quer que seja instrumento deste amor para o mundo no qual muitos perderam a consciência de ser irmãos dos outros. Sem a verdadeira conversão cada um virará um novo Saulo que tem espírito perseguidor da dignidade da vida alheia. O homem que não se converter, se julgará totalmente senhor, e não servo, da verdade e cometerá as mais graves aberrações da violência. Através da conversão entenderemos que o Deus do Evangelho e da misericórdia é Aquele que no instante me faz compreender que errei completamente com relação a ele e ao meu próximo e me dá confiança ao chamar-me ao seu serviço, confiando-me a sua própria Palavra a ser anunciada para todos. Se nunca realizamos a fundo esta mudança de mentalidade que é essencial para a vida cristã, ainda não chegamos a compreender o que é a novidade do caminho cristão. Se não compreendo bem as coisas ditas sobre Paulo, provavelmente é difícil que compreenda o que aconteceu em mim.
Para ser refletido: Ondetu estavas quandoa Palavra de Deuste alcançou? Paraquedireçãote levou o Senhor? Que existe emti de parecido, diferenteouanálogo à experiência de Paulo? Comoe de quemaneirao Senhor, quefoi para Paulo a revelaçãoda misericórdiadivina, é para ti o ponto de referênciafundamentalparacompreenderquem és, o queés, de onde vens, paraquetufoste chamado?  
P. Vitus Gustama,SVD

É PRECISO CAMINHAR 2018-01-21 16:39:00

23/01/2018
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PERMANECERNA FAMÍLIA DE JESUS PARA VIVER NA PAZ DO SENHOR
Terça-feiraDa III SemanaComum
Primeira Leitura: 2Sm 6,12b-15.17-19
Naqueles dias, 12 Davi pôs-se a caminho e transportou festivamentea arca de Deusda casa de Obed-Edom paraa cidade de Davi. 13 Acadaseispassosquedavam, os que transportavam a arca do Senhor sacrificavam umboie umcarneiro. 14 Davi, cingido apenascomum efod de linho, dançava comtodas as suasforçasdiante do Senhor. 15 Davi e toda a casa de Israel conduziram a arcado Senhor, soltando gritosde júbilo e tocando trombetas. 17 Introduziram a arca do Senhor e depuseram-na emseulugar, no centro da tendaque Davi tinhaarmado paraela. Emseguida, ele ofereceu holocaustose sacrifíciospacíficosna presença do Senhor. 18 Assimqueterminou de oferecer os holocaustose os sacrifíciospacíficos, Davi abençoou o povoemnome do Senhortodo-poderoso. 19 E distribuiu a toda a multidão de Israel, a cadaum dos homense das mulheres, umpão de forno, umbolo de tâmaras e uma tortade uvas. Depoistodo o povofoi paracasa.
Evangelho: Mc 3,31-35
Naquele tempo, 31chegaram a mãe de Jesus e seusirmãos. Elesficaram do lado de forae mandaram chamá-lo. 32Havia uma multidão sentada ao redordele. Entãolhedisseram: “Tua mãe e teusirmãosestão láforaà tua procura”. 33Elerespondeu: “Quem é minhamãe, e quemsãomeusirmãos?” 34E olhando para os queestavam sentados ao seuredor, disse: “Aquiestão minhamãee meusirmãos. 35Quemfaz a vontade de Deus, esse é meuirmão, minhairmã e minhamãe”.
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Jerusalém e a Arca Da Aliança: Deus Está No Meio Do Povo
Davi pôs-se a caminho e transportou festivamente a arca de Deus da casa de Obed-Edom para a cidade de Davi. Davi, cingido apenas com um efod de linho, dançava com todas as suas forças diante do Senhor. Davi e toda a casa de Israel conduziram a arca do Senhor, soltando gritos de júbilo e tocando trombetas”. É o que lemos na Primeira Leitura de hoje.
Coroado rei de Judá e de Israel, Davi conquista Jerusalém, onde constrói seu palácio e transforma Jerusalém em capital política. Vencidos os filisteus, a Arca da Aliança (que estava nas mãos dos filisteus-1Sm 4) é traslada para a cidade de Jerusalém. Com esta trasladação Davi transforma também Jerusalém em capital religiosa. A trasladação da Arca tem uma finalidade religiosa: transformar a nova capital em cidade santa (2Sm 5-6).
Todo o povo de Israel sabia que a Arca era sinal visível da presença de Deus no meio do povo. E para a religião javista a Arca da Aliança era símbolo mais qualificada. Por isso, eles fizeram uma grande festa na trasladação da Arca. Consequentemente, ao depositar a Arca da Aliança em Jerusalém, por iniciativa de Davi, essa cidade transformou-se em cidade santa por excelência. A Arca era especialmente significativa para as tribos do Norte, visto que recordava as tradições do êxodo, do Sinai e do deserto, particularmente amadas e veneradas essas tradições pelas tribos do centro e do norte do país. De alguma maneira, a trasladação da Arca da Aliança para Jerusalém significava a fusão e a fraternidade entre as antigas tradições do êxodo e do deserto, próprias das tribos do norte e as novas tradições hierosolimitanas (tradições de Jerusalém) e davídicas, próprioas de Judá, a tribo do sul. Com a trasladação da Arca para Jerusalém percebemos muito bem a grande inteligência do rei Davi capaz de unir todas as tribos para formar uma só nação. Essa união é a chave geral e principal para muitas conquistas para a nação israelita.
A partir de Davi, o tema da cidade santa se une, como um novo artigo de fé, como um objeto de promessas e fonte de esperança (e uma vez destruída, como tema da oração), ao conjunto das tradições religiosas de Israel. Jerusalém! A cidade de Deus: o próprio símbolo da vontade de Deus de ser “presente” na humanidade, implantar-se, encarnar-se, “plantar sua tenda entre nós”.
Para Jerusalém é que Jesus subirá. Jerusalém, Cidade da paz! É lá – naquela cidade que Davi escolheu – que o Senhor instituirá a Ceia Eucarística para simbolizar sua presença entre nós. Jerusalém! Nessa cidade é que Jesus será morto e ressuscitado. Através da eleição histórica de Davi, não podemos deixar de pensar que toda a humanidade tem, no futuro, uma capital, um símbolo de sua unidade: aquele lugar, a colina onde se plantou uma cruz … essa rocha, esse túmulo onde o corpo de Jesus descansou … esse ponto de gravidade da humanidade, aquele momento em que a história mudou quando a morte foi derrotada, ali mesmo pela primeira vez. Em Jerusalém nascerá a Igreja e a partir de Jerusalém o evangelho se espalhará para todas as nações, e com a visão da nova Jerusalém que desce do céu fecha a Bíblia (Ap 21).
Jerusalém, uma cidade constantemente rasgada e desgarrada, e que permanece como um sinal da busca da humanidade: viver juntos … viver com Deus. Jerusalém, que volte a ser como seu nome: Cidade da paz. Que Jerusalém seja para nós uma recordação que todos nós somos chamados a ser construtores da paz. Onde houver a justiça, a honestidade, a igualdade, a fraternidade, ali haverá a paz. Antes de sua morte o Senhor não somente nos deixou o mandamento de amor (Jo 13,34-35), mas também a paz: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá” (Jo 14,27ª).
Viver De Acordo Com a Palavra de Deus Nos Torna Membros Da Família de Jesus
O evangelistaMarcos vai relatarmaistardeem Mc 4,1-9 aparábolada sementequecai emdiferentesterrenos. Masde antemãoeleilustra dizendo-nos que a família de Jesus nãoé necessariamente o idealterreno. A fénão se pode confundircom o contextosociológico nem se pode reduzira sentimentoshumanosaindaquesejam fraternosoufamiliares.
Pela segundavez, atéagora, Jesus é procurado pelosparentesseus (cf. Mc 3,21). “Tua mãee teusirmãosestão láforaà tua procura”, disse alguémpara Jesus. Aqui, a mãe, semnome, representa a origem de Jesus onde se criou; seusirmãos sãoos membros dessa comunidadeligados à instituiçãojudaica.
Como respostaJesus disse: “Quem faz a vontade de Deus, esse é meuirmão, minhairmã e minhamãe”. Para Jesus os laçosde sangue, os laçosfamiliares, os laçossociaissãoindispensáveis e reais, porémnãoé licito encerrar-se neles. Aprendemos da afirmação de Jesus que o Reino é um agrupar-se, comoirmãos e companheiros, unidos agoraporuma força “familiar” que é distintada “carne e o sangue”: a opçãoconvencidapelaCausa de Jesus como a Causaabsoluta da própriavida. Se essa Causase converter verdadeiramente emmeuidealmáximo, entãoeu vou sentire considerartodosos que lutam pelamesmaCausacomo “minhamãe e meusirmãos”.
No Reinode Deus, a fraternidadecristã não se fundanosvínculosde carne e sanguee sim no espíritocomum: fazera vontade do Pai. Levaram o nome de Jesus os que vivem emseucoração o que foi para Jesus a razão de ser de suavida: “Nisto todos conhecerão quesois meusdiscípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,35). O amorfraternoouo amormútuoé a norma de vidado cristão.
É surpreendente o tamanho do coraçãode Jesus: universal e grandecomo o universo, pois é abertoparatoda a humanidade: “Quemfaz a vontade de Deus, esse é meuirmão, minhairmã e minhamãe”.  Jesus se sente irmãode todosaquelesque fazem a vontadedo Paiquese resume no amorfraterno(ágape). Graçasao coração de Jesus quenos possibilita a fazermos parte da famíliade Jesus ao fazermos a mesmavontade de Deus. Graças a Jesus, cadacristão tem umnumero grande de irmãos, de irmãs, de mães e de pais no mundointeiro ao fazeralgocomum: a vontade de Deus. É uma felicidadesemlimiteter Jesus comonossoirmão. Tudoissonos enche de alegria. Somos filhose filhas de DeusemJesus e somos irmãosentrenós, como rezamos no PaiNosso (Mt 6,9-15). Ao aceitarmos Jesus Cristo e ao vivermos seusensinamentos, entramos na comunidadenovado Reino.
E nesta comunidadenova temos comoMãecomum: Maria, a Mãe de Jesus, o grandeexemplona vivência da Palavrade Deus. Elaé a mulhercrentetotalmentedisponívelpara e diantede Deus. Maria acolheu antes o Filhode Deus, o Verbode Deus (Jo 1,1-2) emseucoraçãopormeioda fé e depoisela acolheu-O emseuseioporsuamaternidade. ElaO educou a ponto de seufilhocrescer“na sabedoria e na graçadiante de Deuse dos homens” (Lc 2,52). Neste sentido, Maria é duplamentea Mãe de Jesus: dela ele nasceu e elaé a primeiradiscípulade Jesus porcausade seu “Fiat”: “Eisaqui a servado Senhor. Faça-se emmimsegundoa VossaPalavra” (Lc 1,38). Maria, antes de serMãe fisicamente foi a Mãeespiritualmente. Antes de o Anjodo Senhorlheanunciar a grandemensagem, elavivia aberta a Deus. Ela colaborou ativamentedurantetodasuavidano plano de salvação. “Quem faz a vontadede Deus, esseé meuirmão, minha irmã e minhamãe”.  Porisso, Maria é, paranós, nossa boa Mestra porque foi a melhordiscípula na escolade Jesus. Elanosassinala o caminho da vida cristã: escutar a Palavra de Deus, meditá-la no coração e levá-la à prática.
Por isso, cadacristãojamais pode se sentirsolitário, poisele tem, no mundointeiro, seusirmãos e irmãs, paise mãesquerezam poreleemqualquercelebração eucarística e em outras celebrações. Conseqüentemente, cadacristão deve terumcoraçãouniversal e do tamanhodo universo no qualpossam cabertodos. Umcoraçãoqueamaé sempreespaçoso. Quantomaiso cristãoama, maisespaçoele terá no seucoraçãoparatodoscomo o coração de Jesus.
Será quefaço parte da famíliade Jesus? Será eu estou consciente de quetodohomemé meuirmão? Será que tenho consciênciade quetodamulher é minhairmã, minhamãeporcausa de Deusque é o Pai de todos? Será que a fidelidadeà vontade de Deusocupa primeirolugarna minhavidae em todas as minhasdecisões? Será queposso afirmarqueeu sou membroda família de Jesus?
Para RefletirMais
“Quemé minhamãe, e quemsãomeusirmãos? Quem faz a vontade de Deus, esse é meuirmão, minhairmã e minhamãe”.
É certoque a famíliaé a célulabásicada sociedadeaindaqueelasempre se encontre emcrises. É certotambémquena família recebemos normalmenteamor, cuidados, educaçãoe apoio. Porém, não é menoscertoqueabramos nossafamíliapara uma famíliamaisextensa, se quisermos amadurecer e assumirnossaprópriaexistência: transformarnossafamíliaemfamíliade Jesus ondecadaum de seusmembros vive de acordocom os ensinamentosde Jesus. A famíliadefinitivaé a família dos filhose filhas de Deus, os homens e as mulheresque querem construiruma famíliajustae pacífica, solidáriae compassiva de acordocom o quererdivino. A porta de entradapara a casa de Jesus, para a novafamília de Jesus é fazer a vontadede Deus. Tudoo mais fica relativizado: a família, propriedades, pátria, estadoatémesmoa própriavida. Porisso, no evangelho de MateusJesus disse: “Quem amapaioumãemais do que a mim, não é digno de mim. Quemamafilhooufilhamais do que a mim, não é digno de mim” (Mt 10,37).
No circulo de Jesus somentehá lugarparaa fraternidade, a notacaracterística dos membrosdessa sociedadealternativaque Jesus vem implantarcom a Judá de seusnovos “irmãos, irmãs e mãe”. Da “sociedadealternativa” oucomunidade de seguidoresde Jesus somente podem fazerparte dela aquelesque cumprem o desígniode Deus, Seuprojeto, Suautopiaquenão é outraquefazer do mundo uma família, uma fraternidadeuniversal. Parafazer do mundo uma família, temos queviverprofundamente a espiritualidadefamiliar: umse preocupa com o outro, um protege o outro, um se solidariza como outro, umama o outroincondicionalmentecomouma mãeouumpaide uma famíliaqueamaseusfilhosgratuitamente, semméritoalgum. Se o Deusemquemacreditamos é Uno e Trino, logoessemesmoDeusquerquetodos formem uma família. Todafamíliahumana tem, então, emDeusUno e Trinoseuespelhoperfeito. A própriafamíliahumanade Jesus, conhecidocomoa SagradaFamíliade Nazaré é umgrandeexemploparaqualquerfamíliahumana. Todosna famíliahumanade Jesus vivem de acordocom a vontadede Deus: Maria obedeceu totalmente à vontadede Deus (cf. Lc 1,38) e exemplocomouma mãe educadora, pois“Jesus crescia emestatura, emsabedoriae graça, diantede Deus e dos homens” (Lc 2,52); José, paiadotivo de Jesus nãomostrou nenhuma resistênciadiantedo plano de Deus(cf. Mt 1,18-25; 2,13-23; e o próprio Jesus faz da vontade de Deusseualimentodiário (cf. Jo 4,34). E no fimde suavidaterrestre, Jesus rezou tantopelaunião e unidade de todos(cf. Jo 17,20-23).
P. Vitus Gustama,svd

É PRECISO CAMINHAR 2018-01-21 11:05:00

22/01/2018
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UNIR-SE A JESUS CRISTO PARA ELIMINAR O PODER DO MAL
Segunda-FeiraDa III SemanaComum
Primeira Leitura: 2Sm 5,1-7.10
Naqueles dias, 1 todas as tribos de Israel vieram encontrar-se com Davi em Hebron e disseram-lhe: “Aqui estamos. Somos teus ossos e tua carne. 2 Tempos atrás, quando Saul era nosso rei, eras tu que dirigias os negócios de Israel. E o Senhor te disse: Tu apascentarás o meu povo Israel e serás o seu chefe”. 3 Vieram, pois, todos os anciãos de Israel até o rei em Hebron. O rei Davi fez com eles uma aliança em Hebron, na presença do Senhor, e eles o ungiram rei de Israel. 4 Davi tinha trinta anos quando começou a reinar, e reinou quarenta anos: 5 sete anos e seis meses sobre Judá, em Hebron, e trinta e três anos em Jerusalém, sobre todo o Israel e Judá. 6 Davi marchou então com seus homens para Jerusalém, contra os jebuseus que habitavam aquela terra. Estes disseram a Davi: “Não entrarás aqui, pois serás repelido por cegos e coxos”. Com isso queriam dizer que Davi não conseguiria entrar lá. 7 Davi, porém, tomou a fortaleza de Sião, que é a cidade de Davi. 10 Davi ia crescendo em poder, e o Senhor, Deus todo-poderoso, estava com ele.
Evangelho: Mc 3, 22-30
Naquele tempo, 22os mestres da Lei, que tinham vindo de Jerusalém, diziam queele estava possuído por Beelzebu, e quepelopríncipe dos demôniosele expulsava os demônios. 23Então Jesus os chamou e falou-lhes emparábolas: “Como é queSatanás pode expulsar a Satanás? 24Se umreino se divide contrasimesmo, elenão poderá manter-se. 25Se uma família se divide contrasimesma, elanão poderá manter-se. 26Assim, se Satanás se levanta contrasimesmoe se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído. 27Ninguém pode entrar na casa de umhomemfortepararoubarseusbens, semantes o amarrar. Sódepois poderá saquearsuacasa. 28Emverdadevos digo: tudoserá perdoado aos homens, tanto os pecados, comoqualquerblasfêmiaquetiverem dito. 29Masquemblasfemarcontra o EspíritoSanto, nunca será perdoado, mas será culpado de umpecadoeterno”. 30Jesus falou isso, porque diziam: “Eleestá possuído porumespíritomau”.
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A União Com Deus e Com Os Irmãos Vencem Qualquer Batalha
Aqui estamos. Somos teus ossos e tua carne. Tempos atrás, quando Saul era nosso rei, eras tu que dirigias os negócios de Israel. E o Senhor te disse: Tu apascentarás o meu povo Israel e serás o seu chefe”, disseram todas as tribos de Israel para Davi, o novo rei de Israel.
As tribos do Norte de Iasrel e as do Sul se reúnem para determinar Davi como rei de todos elas. Este pedido já mostra as dificuldades politicas as quais todos eles têm que enfrentar. O povo não está unificado. Esta divisão é causa de uma grande fragilidade, de uma falta de força diante dos inimigos filisteus. Todas as tribas sob a liderança de Davi querem se unificar para poder derrotar qualquer inimigo.
A unidade, a união, a solidariedade, a comunhão e assim por diante são aspirações de todos os tempos. O homem em comunhão, em solidariedade, em união com Deus e com os demais homens de boa vontade aspira a paz, a concordia, a felicidade. “Oh, como é bom, como é agradável para irmãos unidos viverem juntos.  É como um óleo suave derramado sobre a fronte, e que desce para a barba, a barba de Aarão, para correr em seguida até a orla de seu manto. É como o orvalho do Hermon, que desce pela colina de Sião; pois ali derrama o Senhor a vida e uma bênção eterna” (Sl 132/133,1-3). Esse desejo ideal de comunhão procede do mais íntimo do homem, do ponto central onde Deus habita: o coração de cada homem, pois cada ser humano é a “imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,26). O próprio Deus não é “solidão”, Deus não é “divisão”. “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). Deus é um mistério de comunhão entre três que somente fazem um. Deus é uno trino. A Verdade está na comunhão, na solidadriedade, na união, na compaixão.
Consciente ou inconscientemente todas as tribos de Israel contemplam o Deus-Amor nessa vontade de viver juntos das doze tribos de Israel até aqui separadas em outros tantos pequenos Estados.
A partir da unificação das doze tribos sob a liderança de Davi, preciso fazer um exame de consciência sob as seguintes perguntas: O que acontece HOJE na minha vida famíliar, eclesial, profissional e social? Há aspirações para a solidariedade, a partilha, a comunhão, a união? Onde houver a divisão o inimigo, a amldade tem oportunidade para dominar, oprimir explorar. O princípio do inimigo é “Divide et impera”: Divida e reine!
A unidade não se faz só. Inclusão é um grande largo processo histórico com seus progressos e seu retrocessos. Hoje me dia, graças a Deus, o nível de solidariedade se amplia consideravelmente: já não é somente entre irmãos da mesma etnia (entre os hebreus), nem entre província próximas (Palestina). Hoje em dia amplia a solidariedade a nível da humanidade inteira: há médicos sem fronteiras, há ajudas humanitárias internacionalmente para os imigrantes, para os que sofrem por causa da força da natureza (terremoto, maremorto etc.). Hoje em dia, todo homem, ainda que se creia muito isolado e muuto protegido no seu cantinho, sofre as consequências de todas as decisões internacionais. É preciso que cada ser humano participe com ação e oração nesse grande movimento de solidariedade local e global para que a humanidade possa adquirir a paz e a prosperidade. É mais ainda para todos os cristão cujo Deus é uno e trino. Cada cristão é chamado à solidariedade, à união, à comunhão, à compaixaço. O cristão não somente acredita em Deus e sim ao Deus-Família, ao Deus-Comunhão, à Santíssima Trindade. Consequenteme, o cristão não pode se isolar da humanidade. Ao contrário, ele tem que se envolver conscientemente na solidariedade com toda a humanidade. É o desejo do próprio Jesus para todos os seus seguidores, para todos os cristãos: “Que todos sejam um como nós somos um” (Jo 17,11).
Somos Chamados Por Jesus Para Unir As Forças Contra O Mal Que Afeta a Humanidade
Voltamos novamentea acompanhar as controvérsiasentre Jesus, de umlado e seusadversários (fariseuse escribas), de outrolado.
O evangelhodeste dianosrelata que Jesus encara seusadversáriosvindos de Jerusalém, cidadeondeelesofrerá a Paixão. Na discussãoJesus é considerado como uma pessoa “fora de si” (=louco) pelosparentes(Mc 3,21), e “Ele está possuído porBelzebu, chefedos demônios”, pelosescribas (Mc 3,22). Emoutras palavras, Jesus é recusado “pelosseus” e “pelas autoridades religiosas”. Jesus é recusado, desconhecido e ignorado. Jesus é contestado, não é escutado, não é seguido. Jesus é deixado de lado.
Até esteponto precisamos entrar no nossoíntimoparacadaum se perguntar: “Qual é a minhamaneirapessoal de recusar Jesus na minhaprópriavida? Quandofoi queeudeixei de ladoesseJesus Salvador nas minhasdecisões, no meumodo de mecomportar? Quandofoi que ignorei Jesus na minhavida e na convivênciacomos demais?”. Se Jesus que é a Luz do mundo (Jo 8,12) nãoocuparseudevidolugar na minhavida, então a minhavida vai sermuito desorientada e escura. Emnossavida temos queconjugar os esforçoshumanoscoma confiançaemDeus e a docilidade aos seusplanos.
Jesus começou a serconhecidopelamultidão (Mc 1,28), poisEle “falacomoquemtem autoridade e nãocomo os escribas” (Mc 1,22), poisElese preocupa com a dignidadede todas as pessoas, especialmentecomos excluídos. A fama de Jesus tambémchegou aos ouvidos das autoridades. E estas começaram a fazeruma campanha de difamaçãocontra Jesus. “Eleestava possuído por Beelzebu, e quepelopríncipe dos demôniosele expulsava os demônios”, dizem elessobreJesus. Ao chamar Jesus de “chefedos demônios”, as autoridadesquerem dizer a todosque Jesus é o inimigode Deus (gentede demônio) e porisso, nãomerece nenhuma credibilidade.  Ao desqualificarJesus, eles querem desqualificarsuaobra. Desta maneiraelespoderiam impedir a crescentepopularidade de Jesus. Trata-se de umjogo das autoridadesparanãoperder o podersobre o povo. Todojulgamentoesconde a arrogância de quemse achadonoda verdade e tambémrevela grandeinsegurança. Aquelequejulga se comportacomosoberano e críticodas ações alheias. Num mundo de trabalhointeresseiro, num mundode lutapelopoder, os bons, os justos, os honestossãosemprevitimas e são excluídos ou eliminados, maso bemvividoganhará reconhecimento de Deus (cf. Mt 25,40.45; 7,21-27).
Se aprofundarmos maisesseassunto, perceberemos que o queestá emjogona discussãocomos adversários de Jesus é a lutaentre o espírito do male o espírito do bem. Porisso, merece o duríssimo ataque de Jesus. O queeles fazem é considerado como uma blasfêmiacontrao EspíritoSanto. Pecarcontrao EspíritoSantosignifica negar o queé evidente, negara luz de Deuspermanentemente, tapar-se os olhosparanãover, paranegar a verdade, paranegar a salvação definitivamente. Porisso, enquantolhesduraressa atitudeobstinadae esta cegueiravoluntária, elesmesmosse excluem do perdão e do Reino. O Reinode Deus está abertoparaquemquiser entrar nele.
Creio quenósnãosomos certamente dos que negam a Jesus permanentemente. Ao contrário, nãosomente cremos nele e simque seguimos a Jesus e celebramos seussacramentose meditamos suaPalavrailuminadora. E nós cremos que Jesus é maisforte e porisso, Elenosajudana nossalutacontra o mal. E paraafastar o mal precisamos viver e praticar o bem, masnãosimplesmenteparaafastar o mal. Fazer o bem é o verdadeirocaminhodivino e porisso, precisamos optarporestecaminho. Sercristãonão é apenasaqueleque evita o mal, masprincipalmentefazendo o bemeleafasta o mal. Se Jesus que é maisforte do quequalquermaljá está entrenós, entãoprecisamos estarcomelepermanentemente, colocando-o no centro de nossavidapara ganhemos tambémSuaforça.
Mesmo assim, podemos nosperguntar se alguma veznos obstinamos emnãovertudo o queteríamos queverno evangelhoounossinaisdos temposquevivemos. Ao olharpara os escribasquejulgaram Jesus sempiedade, não temos certatendência a julgardrasticamente os quenão pensam comonós, na vidade família, no trabalho, na comunidadeouna Igreja?
Na VigíliaPascal, quandorenovamos o nossocompromissobatismal, fazemos cadaano uma duplaopção: renunciar ao pecado e ao male professarnossaféemDeus. Hojeo EvangelhonosmostraCristocomoLibertadordo malparaquedurantetodajornadacolaboremos comeleemtirar o mal de nossomeio.
Para RefletirMais:
Comoé que Satanás pode expulsara Satanás? Se umreinose divide contrasimesmo, elenão poderá manter-se. Se uma família se divide contrasimesma, elanãopoderá manter-se”.
A divisãooudesunião é causa de uma grandefragilidade, de uma faltade forçadiantede qualquerdesafiooudificuldade. Dividirparadominar é uma das táticasde quemquerpoder, de qualquerjeito. Comoos fariseus e os escribasfazem com Jesus: difamarparadividir o povo. Ondetiver espaçoparaa desunião haverá entradapara o inimigo. Ondeprevalecero egoísmo, a soberba, a arrogância, nãohaverá espaçoparao bem, e o maltomará conta de tudo. Quem for na direçãodo mal, elese afastará de Deus, poiso caminhoqueconduz paraDeusé o caminho ao bem, à prática da justiçae do amor. “Deus, de quem separar-se é morrer, a quemretornaré ressuscitar, comquemhabitaré viver”, dizia SantoAgostinho (Solil. 1,1,3).
A unidade, a solidariedade, a comunhão, a concórdia e assimpordiantesãoaspiraçõesde todos os tempose paraqualquerfamíliahumana. O homem aspira a paz, a concórdia, a fraternidade, a felicidade. “Vede: como é bom, como é agradávelhabitartodosjuntos, comoirmãos”, assimreza o salmista (Sl 133,1). Essedesejoideal de comunhãoprocede do maisíntimoe profundo do homem, do pontocentralondeDeushabita: o coração de cadapessoa. Cadaserhumano é imagemde Deus. Deusnão é divisão, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). Deusé ummistériode comunhãoentretrêsquesomente fazem umsó.
O amormútuoentretodos os irmãosque habitam emuma casa é a maiorbênção. A unidadeé força e ao mesmotempo, é felicidadena famíliaounum grupoemquetodosvivem juntosemharmonia. Se todas as pessoas têm o mesmosanguequecorre emsuasveias, porqueumirmão persegue, maltrata outroirmão?; porqueumirmãodiscrimina outroirmão?; porqueumirmãodifama outroirmão?; porqueumirmãodestrói outroirmão?
Será quena minhavidafamiliar, matrimonial, profissional, eclesial há aspiraçõespara a solidariedade, a unidade, a partilha, a comunhão?
Para participarna vitória de Cristosobre as forçasdo malquenos querem dominartemos queserdóceis ao EspíritoSantoe temos quereconhecero poderqueatua emCristo.
P. Vitus Gustama,SVD