É PRECISO CAMINHAR 2018-02-22 18:20:00

Domingo,25/02/2018
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NA ESCUTA DA PALAVRA DE DEUS EU ME DESCUBRO E CRESÇO COM OS OUTROS IRMÃOS RUMO À GLÓRIA DE DEUS
II Domingo Da QuaresmaAno B
Primeira Leitura: Gn 22,1-2.9a.10-13.15-18
Naqueles dias, 1 Deus pôs Abraão à prova. Chamando-o, disse: “Abraão!” E ele respondeu: “Aqui estou”. 2 E Deus disse: “Toma teu filho único, Isaac, a quem tanto amas, dirige-te à terra de Moriá e oferece-o aí em holocausto sobre um monte que eu te indicar”. 9ª Chegados ao lugar indicado por Deus, Abraão ergueu um altar, colocou a lenha em cima, amarrou o filho e o pôs sobre a lenha, em cima do altar. 10 Depois, estendeu a mão, empunhando a faca para sacrificar o filho. 11 E eis que o anjo do Senhor gritou do céu, dizendo: “Abraão! Abraão!” Ele respondeu: “Aqui estou!” 12 E o anjo lhe disse: “Não estendas a mão contra teu filho e não lhe faças nenhum mal! Agora sei que temes a Deus, pois não me recusaste teu filho único”. 13 Abraão, erguendo os olhos, viu um carneiro preso num espinheiro pelos chifres; foi buscá-lo e ofereceu-o em holocausto no lugar do seu filho. 15 O anjo do Senhor chamou Abraão, pela segunda vez, do céu, 16 e lhe disse: “Juro por mim mesmo — oráculo do Senhor —, uma vez que agiste deste modo e não me recusaste teu filho único, 17 eu te abençoarei e tornarei tão numerosa tua descendência como as estrelas do céu e como as areias da praia do mar. Teus descendentes conquistarão as cidades dos inimigos. 18 Por tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra, porque me obedeceste”.
Segunda Leitura: Rm 8,31b-34
Irmãos: 31b Se Deus é por nós, quem será contra nós? 32 Deus, que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos daria tudo junto com ele? 33 Quem acusará os escolhidos de Deus? Deus, que os declara justos? 34 Quem condenará? Jesus Cristo, que morreu, mais ainda, que ressuscitou, e está à direita de Deus, intercedendo por nós?
Evangelho: Mc 9,2-10
Naquele tempo, 2Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e os levou sozinhos a umlugar à parte, sobre uma alta montanha. E transfigurou-se diante deles. 3Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar. 4Apareceram-lhe Elias e Moisés, e estavam conversando com Jesus. 5Então Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. 6Pedro não sabia o que dizer, pois estavam todos com muito medo. 7Então desceu uma nuvem e os encobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: “Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!” 8E, de repente, olhando em volta, não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles. 9Ao descerem da montanha, Jesus ordenou que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do Homem tivesse ressuscitado dos mortos. 10Eles observaram esta ordem, mas comentavam entre si o que queria dizer “ressuscitar dos mortos”.
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No segundo Domingo da Quaresma pode se encontrar um elemento que une as distintas linhas das leituras: a cruz no horizonte, o anúncio da morte salvadora de Jesus Cristo.
O sacrifício de Isaac (Primeira Leitura:Gn 22,1-2.9a.10-13.15-18) sempre foi, em vários sentidos, a figura de Jesus Cristo. A fidelidade de Abraão lhe leva a estar disposto a entregar seu filho único, Isaac, porque ele entendia que esse era o caminho que Deus lhe convidava a seguir; como Jesus Cristo, em Getsêmani, se dispõe a seguir o caminho que o Pai lhe pede, apesar de toda a angústia daquele momento. O Salmo Responsorial anuncia que Deus (como fez com Abraão) não quer a morte e sim a vida, e se converte, assim, ao mesmo tempo, em anúncio da vitória definitiva sobre a morte.
Isaac é o filho primogênito. Jesus é o Filho primogênito do Pai. Filho primogênito é nossa maior ilusão, aquele de quem não queremos nos desprender por nada no mundo, fruto de muitos trabalhos e de grandes sacrifícios, o ídolo secreto do coração. O drama do Monte Moriá não terminou sem uma vítima. Um carneiro apareceu lá, como se descesse do céu, para estar no lugar de Isaac. A imagem de Abraão e Isaac é uma sombra. O verdadeiro Abraão, que não poupou o seu único filho, é Deus o Pai (cf. Jo 3,16). O verdadeiro Isaac, obediente e oferecido sobre a lenha ou o madeiro é Jesus. Ou melhor, Jesus é o verdadeiro cordeiro que tira o pecado do mundo para nos resgatar. “E isso ele fez de uma vez por todas, oferecendo-se a si mesmo” (Hb7, 27).
A Segunda Leitura (Rm 8,31b-34) recolhe o tema com outras imagens: como Abraão não duvidou em entregar seu filho único, Deus amou tanto o mundo que tampouco duvidou em entregar seu próprio Filho, Jesus Cristo, por nós todos.
E o Evangelho da transfiguração é um anúncio de que a morte de Jesus Cristo será gloriosa. A cena se situa depois que Pedro confessou (que ele entendeu mal) Jesus Cristo como Messias, e que em seguida Jesus Cristo anunciou a paixão. A transfiguração será, então, uma experiência profunda de Jesus Cristo, compartilhada com o discípulos, de que aquele caminho de morte é o caminho de Deus: aquele que caminha para a morte é o Filho amado de Deus. Seu caminho é o único caminho que precisa ser escutado e seguido.
Além disso, Cristo, no Tabor, faz uma denúncia e um anúncio. Denúnciade qualquer realização humana que se compreenda como definitiva. “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias” (Mc 9, 5). Anúncio de um futuro que ainda não chegou, mas está presente na esperança, antecipando-se como um motivo para o esforço humano na história. É o Anúncio do mistério pascal: morte e ressurreição. Esta esperança, na qual o futuro é vivido, nos leva a responsabilidade e compromisso no mundo, porque este mundo não é plenamente realizado. O fim chegará, quando acontecer a vitória final de Jesus sobre os poderes deste mundo.
E o prefácio próprio deste domingo interpreta adequadamente este conteúdo, que este ano, em Marcos, apresenta um elemento peculiar: os discípulos não entendem o que poderia significar “ressuscitar dos mortos”.
O caminho pascal, o programa quaresmal, é sério. Passa pela prova e a tentação e o cansaço e a dúvida. A fé é projeto e caminho. E, às vezes, é escândalo. A Quaresma e a Páscoa nos convocam a um seguimento de um Cristo difícil porque tomou a sério a solidariedade com os homens e a fidelidade à vontade do Pai para salvar os homens. Jesus não buscou a Cruz e sim o Reino. Por buscar o Reino encontrou-se com a Cruz que ele carregou. Jesus abraçou com ternura e carinho a causa de Deus: a fraternidade dos homens, o Reino entre nós. Para os discípulos ou para os cristãos que trabalham pelo Reino passam pela mesma experiência: sempre há pessoas que levantam a Cruz para ser carregada que acaba com suas vidas. Uma cruz, uma bala, uma calunia, uma excomunhão, uma perseguição implacável. Mas Deus é quem tem a última palavra. Assim a Cruz nos põe no caminho para chegar à glória. A glória é que dá sentido à Cruz.
Para ser fieis a esta vida nova que Deus nos oferece, teremos que sacrificar algum “filho Isaac” na nossa vida. Qual é este “filho Isaac” que amamos tanto e que preferimos a ser infiéis a Deus a sacrificar aquilo que amamos, mas não nos salva?
É fácil conectar este tema com a Eucaristia que é o Sacramento desta Aliança Nova, participação no sangue do Servo, Jesus, derramado por todos nós, o sangue da Nova Aliança entre Deus e nós. Cada Eucaristia é a renovada aceitação da Palavra de Deus como critério de vida: cumpre-se o “este é meu Filho: escutai-O!”. Se a linha que se segue é o Mistério Pascal, não há momento mais privilegiado que a Eucaristia para nos integrar a esse caminho de Morte e Ressurreição de Cristo: Celebramos o memorial de sua Páscoa em cada Eucaristia. É o mistério do amor incondicional de Deus por nós!
Aprofundemos um pouco mais a cena da transfiguração neste segundo Domingo da Quaresma para dela tirarmos algumas mensagens!
O textodo Evangelho deste Domingopertence à segundaparte do Evangelhode Marcosquefala do mistériodo Filho do Homem: revelação do sofrimento de Jesus. Esta segundaparte é formada portrêsgrandesseções:
1). O Caminho do Filhodo Homem (8,31-10,52) na qual Mc enfatiza claramentesuaTeologiada Cruz. Fala-se nesta partetrêsanúncios da paixãode Jesus quesempretermina com o anúncioda ressurreição. ParaMarcosimitarJesus significa seguirseucaminho. A expressão“no caminho” ocorre comorefrão nesta seção. Jesus e seusdiscípulosestão “no caminho” (cf. Mc 8,27), e no fim, quandoestão perto de Jerusalém, Bartimeu, depoisquevoltou a enxergar, segue a Jesus “no caminho” (10,52). “No caminho” os discípulos discutem sobrequem será maior (9,33-34). Jesus continua a “retomarseucaminho” (Mc 10,17) e conduz seusdiscípulos “no caminho” rumo a Jerusalém (Mc 10,52).
2). Na segundaseção Jesus se encontraemJerusalém(Mc 11,1-13,37). Nesta seção falam-se das discussõesmaisoumenospolêmicasentreJesus e os círculosdirigentesde Jerusalém: sumossacerdotes, escribas, fariseusherodianos, saduceus. Nesta seção Mc querantecipar as motivações da condenação de Jesus. Esta seção termina com o discurso escatológico (Mc 13,1-37).
3). A terceiraseçãofala da paixãoe ressurreição de Jesus (Mc 14,1-16,8).                                         
 Mistério Da Transfiguração
O evangelhodeste diafalasobre a transfiguraçãode Jesus. O relato da transfiguraçãopodemos encontrartambémemoutrosdoisevangelhossinóticos (Mt 17,1-13; Lc 9,28-29), e numa versãoindependente dos evangelhos, massomentefragmentária, quese encontraem2Pd 1,16-18.
A transfiguraçãode Jesus é a resposta de Deus ao escândalocausado nosdiscípulos, mostrando-lhes antecipadamente, aindaque seja só num momentorápido, a glória de Jesus Cristoe a glóriafuturados que seguem pelocaminho da cruzporcausa de Jesus Cristo.
A transfiguraçãotem como finalidade animar os discípulosa seguirem Jesus no seucaminhoapesardos sofrimentos, pois a vitóriaestá garantida para os queperseverarem até o fim(cf. Mt 10,22). A transfiguração é, então, a glorificaçãoantecipada de Cristo na presençade seustrêsmaisíntimos(Pedro, Tiago e João). Os discípulossomente superarão o escândaloda “necessidade” da Paixãodepois da Páscoae de Pentecostes: depoisde verem Jesus na suaglória de ressuscitado e de serem fortalecidos peloEspíritoSanto (cf. At 2,1-13).
Com a transfiguração os discípulosencontram em Jesus as duas faces do mistério da salvação. De umlado, mostra-se a facequecausamedo, pois falam-se do sofrimento, da humilhaçãoe da morte. Ninguémquersofrer. Todos lutam contrasofrimento, pois o sofrimento sempresignifica umprenúncioda morte. Porisso, todosfazem qualquercoisaparaficarlonge do sofrimento. Nãoé de admirarquemaistardePedro preferirá negar Jesus a confessar-se discípulo do mesmopormedo de sermorto (cf. Mc 14,66-72).
Do outrolado, mostra-se a facegloriosa de Jesus: a ressurreição e a glória. Por essa razão, emcadaum dos trêsAnúncios da Paixãoacrescenta-se o anúncio da ressurreição “ao terceirodia” (cf. Mc 8,31;9,31;10,34). O Deus de Jesus é Aquelequemostralogo no inícioo finalfeliz, e mostralogoa vitóriafinallogo no inícioda luta. Elemostralogoa vitóriafinalde Jesus. A vitória garantida anima qualquerum a lutaraté o fimsem se cansar. A vitória garantida lhe dá forçaparalutaratéo fim.
Jesus levaconsigo os trêsdiscípulosmaisíntimospara“uma altamontanha” (v.2). A tradição cristã, desde, maisoumenos, o século III, identifica essa “altamontanha” como Tabor. Na verdade, Mc nãose preocupa com o sentidotopográfico da “altamontanha” (de fato, o monte Tabor sótem 400 msobre o níveldo Mediterrâneo, e 780 msobreo lago de Tiberíades). ParaMc “montanha” significa lugar do encontrocomDeus. E nãoprecisade lugarbemalto, no sentidoliteral da palavra, paraalguémse encontrarcomDeus, poisDeus está dentroda própriapessoa(cf. Mt 25,40.45; 1Cor 3,16-17). Mascomoparaescalar uma montanha é difícil, do mesmomodoé difíciltambémparanósentrarmos dentro de nósmesmos, na profundeza de nossoserondeDeushabita (cf.1Cor 3,16-17). O homemjá chegou até a lua. Mas será queele conseguiu entrardentro de sipara se descobrirquemele é?
Na “altamontanha” Jesus se transfigurou (metamorfoseado) diante dos trêsdiscípulos. Embora seja tirado poralgunsmomentoso véu e as máscarasque ocultam o esplendorda glória de Jesus, os discípulos podem vercomseusolhos o queconstitui a realidademaisprofunda da pessoade Jesus. A narração é ricaemalusões ao AT. A “transfiguração” eraumtema da LiteraturaApocalíptica (Dn 12,3; cf. 1Cor15,40-44;2Cor 3,18). As vestes brancas e resplandecenteseram símbolo da glóriados justos no céu(Dn 7,9). A brancura deslumbrante simboliza a glória da condiçãodivina(cf. Mc 16,5).
Durante a transfiguração entram emcena duas figurasdo AT: Moisés e Elias. Moisés representa a Leido AT. Elias representa os profetas. Em outras palavras, os dois (Moisés e Elias) representam o AT na suatotalidade. Daqui emdiante, a validade do AT se julga a partirde Jesus, pois Jesus é o pontode chegada e a metade todas as profecias e revelações do AT. Poristo, maisadiante, vai teruma ordem da nuvemparaqueJesus seja escutado.
Diante desta teofania Pedro reage dizendo: “Rabbi, é bom estarmos aqui. Façamos, pois, trêstendas…” (v.5). O termo “Rabbi” emMc somente sai da bocade Pedro (Mc 9,5;11,21), e de Judas (Mc 14,45). Rabbi era o títulohonorífico dos Mestresda Lei, fiéis à tradiçãojudaica. IstoquernosdizerquePedro ainda está apegado à tradiçãoantiga. Além disto, Pedro quercolocar os trêsno mesmonívelao quererfazertrêstendaspara os três (Jesus, Moisés e Elias). Pedro se esquece de queem Jesus realiza-se tudoque foi profetizado no AT e ao mesmotempoquer mostrar-lhe queJesus inicia uma novaetapaemque o Reino de Deus entrou definitivamentena históriahumanae com Jesus o homemdeve caminharparasuarealizaçãoplena (Mc 1,15).
A vontadede Pedro de quererfazertrêstendas é interpretada com frequência como uma novatentativa de Pedro de deter Jesus emseucaminhorumoà Paixão, quaseuma repetição daquilo que Mt relata (cf. Mt 16,22). Quemquerconstruiruma tenda, porqueestá cansado de caminhar. E porisso, querfixarsuamorada num lugar e nãoquer mudar-se dali. Pedro querperpetuaralegriano montesozinhocom Jesus e outrosdoiscolegas. Jesus, ao contrário, sempre está a caminhoe querqueos seus façam a mesmacoisa. É precisocaminharparavermaisapesar das dificuldadesda vida, massemprecomo olharfixona esperada vitória. A glóriade Jesus é inseparável da cruz, aindaque seja porumsóinstante. É a revelaçãode umnovogênero de glóriae de poderqueexige muitarenúncia, especialmenterenúnciado poderqueaterroriza e escraviza os outros.
Cristo é o espelho no qualcontemplamos a glóriadivina. E nós, pornossavez, devemos ser o espelhoque, contemplando Cristo, reflete a glóriadivinapara os outros. Masnão podemos somenterefletir o que contemplamos. Precisamos nostransformar naquilo quecontemplamos (cf. 2Cor 3,18; Rm 12,2). E todossãochamados a transformar o mundoatualemsuacondiçãoprimordialondesomente havia a harmoniatotal. Caminharcom Jesus significa deixaras nossas seguranças, e optarpelavidaatravés da morte.
A vontadede Pedro de quererfazeras trêstendasrecebe uma respostaquesai da nuvem. ”E da nuvem sai uma voz: ‘Este é o meuFilho, o amado; escutai-O’” (v.7). A nuvem é o sinalda presença de Deusnas teofanias do AT (cf. Ex 16,10;19,9;24,15-16;40,35). A declaraçãosobrea filiaçãodivinae a amabilidade de Jesus repete a mesmarevelaçãoque aconteceu no momentodo Batismo de Jesus (cf. Mc 1,11). Mas na transfiguraçãoé acrescentada a exortação “escutai-O” (cf. Dt 18,15). O título “Filhoamado” (cf. Is 42,1; Sl 2,7; Gn 22,2.12.16 comoinspiração do título) apresenta Jesus como o Messiasesperado. Estetítuloconstitui a confirmaçãodivina da confissãode Pedro em Mc 8,29. Daqui emdiante Jesus é o único a quemos discípulos devem escutar(cf. Dt 18,15.18). Ao escutar Jesus, o discípulo chegará à vitóriafinal.
MistérioDa Escuta
Queremos aprofundarumpoucomaissobreo mistério da escuta. A voz ressoa da nuvem, dizendo: “Este é o meuFilho, o amado, escutai-O”.
O episódioda transfiguração ilustra bemo papelcentralda escuta: da escutada Palavra e, emgeral, da escutade Deus e da escutado seuEspírito. Escutar significa tornar-se ouestaratentoparaouvirouaplicar o ouvidocomatençãoparaperceberououvir(Dicionário Aurélio).
A escutaé uma palavra–chaveque caracteriza todaa tradição do povohebraico.  O piedosoisraelitaparase compenetrar da vontadede Deus repete diaa dia esta frase: “Escutai, ó Israel” (Dt 6,4; Mc 12,29). Segundoo sentido hebraico da palavra, escutar, acolher a Palavra de Deusnão é somente prestar-lhe ouvidosatentos, masabrir-lhe o coração (At 16,14), pô-la emprática(Mt 7,24ss) e obedecer-lhe (Lc 1,38: “Faça-se emmimsegundoa SuaPalavra”). Essa é a obediência da féque a pregaçãoouvidaexige. Como diz SãoPaulo: “A fé procede da audição e a audiçãoda Palavra de Cristo” (Rm 10,14-17). O drama do homem, na verdade, consiste emnãoescutar a Deuse a SuaPalavra. Ele diz no livrode Deuteronômio: “Eu, Deus, pedirei contasa quemnãoescutar as palavrasde quempronunciaremmeunome” (Dt 18,16.19). Porisso, Jesus declara felizquemescuta a Palavrade Deus e a observa: “Felizes os queescutam a Palavra de Deus e a observa” (Lc 11,28).
A riqueza, o valor nutritivo da escutade Jesus, vividosporqualquerumde nós é uma escutaquenosfaz tremer, quenos arrebata porquediz respeito a nós, nos explica. Nãoé uma escutapassiva, umregistroaborrecidocomo uma ata, ou uma aulaseminteresse. Escutarsignifica descobrir o mistériode nósmesmosna escuta da Palavrade Quem é maiordo quenós, que é o mesmoque criou o nossocoração, aqueleque nele deposita seussegredos. Atravésda escuta da Palavradivina, a pessoachega a tera autocompreensão, a autenticidade, até a clarezado processo cognitivo de sie que ao mesmotempo o tomaporinteiro.
O mistério da escuta é, pois, uma revelação: revelaçãoquenóssomos chamados a aceitar, da condiçãohumana. Quandonos abrirmos parao discursodivino, gratuito, cheiode benevolência, aprendemos quenós somos escuta, dom e quenósnos realizamos na gratuidade.
A escutade Deus é a rochada nossacerteza(Sl 89,27). A Boa Notícia consiste no fato de queDeus tem uma palavraparamim, paraminhafamília, parameucasamento, parameutrabalho, parameusproblemas, paraminhaangústia etc. e euposso escutar esta palavrano silêncio e na paz. Eumealimento desta escuta, eu cresço na fée me realizo comopessoa. Eu cresço junto a tantosoutrosque, comoeu, formam a Igrejaquecaminha, escutando a Palavra de Deus.
Mas paratermos a capacidadee uma atitude de escuta, temos quesaberprimeirocriar o silêncio. O silêncionosajuda, de fato, a calarmos emnós a fantasia, o nossoser, e a limparmos da almatudoquantonos possa perturbar. É umsilêncioqueescuta, que acolhe, quese deixaanimar. O silênciocriaressonância à Palavrade Deus. Depoisde se fazersilêncio, escuta-se melhor.
A pessoaqueexpulsa de seuspensamentoso Deusvivo, Aquelequeé o únicocapazde enchertodosos espaços, o Únicocapaz de satisfazerseusanseiosnão consegue suportaro silêncio. Paraessa pessoa, o silêncioé a marcaterrificantedo vazio. Paraela, qualquerpalavraatéa maisinsípidaparece ter o domde libertá-la de uma prisão, de umvazio. Na verdade, cadaumde nós é vítimada agressãoexternade hordas de palavras, de sons, de clamoresque ensurdecem o nossocoração, o nossodia e atémesmo, às vezes, a nossapróprianoite.
Quem querescutar a Deusdeve lutarparaassegurar ao céu da suaalmaaqueleprodígiode umsilêncio. Sódepoisde amor ao silêncioé que despertará a nossacapacidade de escuta.
Deus tem uma únicapalavra: Jesus Cristo. Numa únicaPalavra podem desabrocharoutras. Bastacadaum de nósescutar, elevai amadurecendo. A Palavra vai à nossaprocura. No silêncio a Palavrade Deusnosencontra.
O imperativo“Escutai-O!” dirige-se a todos os discípulos e para todas as pessoasquequerem seguir Jesus. Paravivercomocomunidade dos eleitos de Deusé necessárioescutar a Palavra de Jesus Cristoe viver dela.
Que tenhamos ouvidosatentose coraçãoabertoparaacolher a Palavra de Jesus. “Escutai-O, poisele é o MeuFilhoamado”. De quemodovocêescutaJesus Cristo diariamente? Quaissãoseusmomentosde silêncio e de escutada Palavra de Deusno seudiaa dia?
P. Vitus Gustama,svd

Como amar o próximo?

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A ninguém devemos excluir da nossa oração nem do campo da nossa benevolência, porque quem diz a seu irmão: “Patife!”, já está se excluindo do amor e da amizade com o Senhor.

Pode haver milagres fora da Igreja Católica?

D. Estevão Bettencourt, osb, monge beneditino falecido, respondeu essa pergunta em um dos seus artigos da Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS” (Nº 6, Ano 1958, Página 223). Aqui coloco um resumo do seu artigo. Ele explica que o milagre propriamente dito “é um fenômeno estranho ao curso natural das coisas, fenômeno que Deus produz como sinal…

Precisamos acreditar em “tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica”?

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Antigamente, quando as crianças recebiam as primeiras instruções na fé católica, elas aprendiam a rezar uma fórmula denominada “ato de fé”. As versões da oração variam um pouco, mas uma delas, indulgenciada pela Igreja e facilmente encontrada na internet, diz o seguinte:

Eu creio firmemente que há um só Deus, em três pessoas realmente distintas, Pai, Filho e Espírito Santo. Creio que o Filho de Deus se fez homem, padeceu e morreu na cruz para nos salvar e ao terceiro dia ressuscitou. Creio em tudo o mais que crê e ensina a Santa Igreja Católica, porque Deus, Verdade infalível, o revelou. Nesta crença quero viver e morrer.

Trata-se de uma oração simples e em plena conformidade com o que professamos no “Creio”, mas, tragicamente, muitos de nossos católicos não seriam mais capazes de fazê-la, pelo menos não de coração sincero e acreditando realmente em tudo o que ela diz.

Afinal de contas, muitos de nós aprendemos no colégio que uma coisa é Jesus Cristo, que veio ao mundo e, como adoram dizer, “não fundou religião nenhuma”; e outra coisa é a Igreja Católica, que apareceu muito tempo depois e que está “cheia de erros”, “de pecados” e de não se sabe mais o quê.

Para boa parcela de nossos católicos hoje, crer em “tudo o mais que crê e ensina a Santa Igreja Católica”, assim, sem mais nem menos, sem saber detalhadamente do que se está falando, soará como “fé cega”, obscurantismo medieval ou até coisa pior.

Mas não tem nada a ver com isso. O problema da “pulga atrás da orelha” de muitos católicos deve-se a um fator chamado ignorância. Infelizmente, nossas catequeses não têm sido muito eficazes em ensinar, tanto a crianças e jovens quanto a adultos, o que seja realmente a realidade da fé.

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Por isso, vamos explicar, primeiro, com um exemplo do nosso mundo. Suponhamos que você não tenha ido jamais à Dinamarca. Um grande amigo seu já foi e dá testemunho: ela existe. O seu atlas geográfico, produzido por gente bem mais entendida que seu amigo, também retrata a Dinamarca no mapa da Europa: ela existe. Há por que duvidar? Certamente não. Ainda que nunca tenha posto os pés em território dinamarquês, você é capaz de admitir sem muita dificuldade: “Sim, eu creio, a Dinamarca existe”.

Com a fé católica acontece algo semelhante. Quando dizemos todos os domingos na Missa: “Creio”, o que estamos dizendo é que acreditamos nas verdades reveladas por uma pessoa muito mais confiável que seu melhor amigo e muito mais sábia que o mais competente cientista: Deus.

A comparação com a Dinamarca, como se pode ver, tem seus limites. A fé que prestamos a Deus é de natureza totalmente diferente da que temos na Dinamarca:

  1. Primeiro, porque, como visto, quem nos revela a existência da Dinamarca são seres humanos, falíveis e capazes de enganar (imagine, por exemplo, que todos os geógrafos estivessem “conspirando” em relação à Dinamarca); na fé católica, porém, quem nos revela as coisas é a própria Verdade, Deus, “o qual não pode enganar-se nem enganar” a ninguém [1].
  2. Segundo, porque a Dinamarca é uma realidade humana; as verdades que dizem respeito a Deus, no entanto, todas superam a própria natureza criada, são sobrenaturais.
  3. Como consequência desta segunda diferença, temos de admitir a dificuldade que existe, de nossa parte, em crer nas verdades sobrenaturais, que transcendem a nossa capacidade racional. Por essa razão, mais do que um simples esforço humano, todo ato de fé que o homem realiza só pode acontecer por ação da graça divina. Todo católico que diz com sinceridade: “Creio”, é tocado invisivelmente pela mão de Deus, que ajuda a sua inteligência e fortalece a sua vontade a dar um “sim” a tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica.

Mas a expressão “tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica” ainda permanece difícil e insiste em incomodar. É necessário aceitar tudo mesmo, sem restrições? E a Igreja mesma, como entra nessa “equação” da fé?

“Cristo entregando as chaves do Céu a São Pedro”, por Pedro Paulo Rubens.

Para responder a essa questão, é preciso recordar o modo escolhido por Deus para nos revelar as suas verdades. O princípio da Carta aos Hebreus diz que, “muitas vezes e de muitos modos, Deus falou outrora a nossos pais, pelos profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio do Filho” (1, 1-2). Depois de todas as revelações que vemos contidas no Antigo Testamento, então, Deus “selou” seu contato com a humanidade, por assim dizer, enviando-nos seu Filho, Jesus Cristo.

Ora, já que com isso Ele quis salvar todos os homens, e não só os de dois mil anos atrás, era necessário que fosse instituído um meio, visível e do qual as pessoas pudessem facilmente se servir, para sua mensagem permanecer preservada ao longo das gerações. Esse instrumento, como ficará claro a quem estudar as Escrituras e investigar a transmissão dos ensinamentos dos primeiros cristãos, é nada mais nada menos do que a Igreja.

A Igreja:

  • presente na pessoa dos Apóstolos, a quem foi dito: “Tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu” (Mt 18, 18), e ainda: “Quem vos ouve, a mim ouve; quem vos rejeita, a mim rejeita, e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou” (Lc 10, 16); e
  • presente especialmente na pessoa do Papa, o único a quem foi dito: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado no céu” (Mt 16, 18-19), e ainda: “Confirma teus irmãos” (Lc 22, 32), e enfim: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21, 16).

Ao instituir a Igreja, Nosso Senhor quis dar aos homens a segurança de que aquilo que Ele tinha ensinado a seus discípulos seria propagado fielmente. Para isso, Ele mesmo cuidou de dar aos Apóstolos a assistência do Espírito Santo (cf. Jo 16, 7-15) e de garantir-lhes sua presença até a consumação dos séculos (cf. Mt 28, 20).

De fato, até o presente, o único grupo de cristãos que crê nas mesmas coisas e rejeita as mesmas coisas, como acontecia na Igreja primitiva, é a Igreja Católica. O protestantismo, desde que nasceu, dividiu-se em um sem-número de filiais sem uniformidade alguma de fé nem de culto.

São Pedro, Príncipe dos Apóstolos, rogai por nós!

O problema da Igreja, como se vê, não é muito difícil de confrontar. Quem quer que se dedique a um estudo sério e desapaixonado de sua história e de sua doutrina, verá que não é possível haver verdadeiro cristianismo fora da religião católica. Nas breves palavras de um filósofo citado certa feita pelo Pe. Leonel Franca: “Se o Messias já veio, devemos ser católicos; se não veio, judeus; em nenhuma hipótese, protestantes”.

Vejamos agora, então, o porquê do “tudo”. Por que só é realmente católico quem aceita “tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica”?

Nada que Santo Tomás de Aquino não resolva [2]. Sim, é preciso aceitar tudo. E a razão é muito simples. Se o que Deus quis revelar à humanidade para a sua salvação está confiado de uma vez por todas à Igreja Católica, com segurança inabalável, garantida pelo próprio Senhor, alguém ainda duvida que devemos crer em “tudo o que ela crê e ensina”?

É evidente que não se trata de defender todo e qualquer ato ou declaração feito por um Apóstolo, por um bispo ou mesmo por um Papa. Pedro, por exemplo, “negou” Jesus três vezes. Quem ousaria dizer que essa sua atitude seria um modelo a se seguir ou, pior ainda, uma parte do Magistério infalível da Igreja?

Quando nos referimos às coisas que se devem crer, estamos falando daquilo que ficou definido, desde os tempos apostólicos, no Credo; das verdades de fé que foram solenemente proclamadas pelos Pontífices Romanos ao longo da história [3]; e das realidades que foram incontestavelmente definidas por Nosso Senhor nos próprios Evangelhos.

Porque, se Deus nos revelou tudo o que é necessário à nossa salvação e confiou este “depósito da fé” à Igreja, não nos é lícito pegar uma ou duas verdades e dizer: “Aceito todo o resto, mas com isto eu não posso concordar”.

Não, o nome disso é heresia. É o pecado de quem quer “escolher”, das verdades que foram reveladas por Deus, aquela que lhe desagrada ou que não lhe cai bem. Ou acreditamos tanto na virgindade perpétua da Virgem Maria quanto na indissolubilidade do Matrimônio ou, então, somos católicos à nossa própria medida, e não à medida de Cristo.

Wikileaks: Papa Conservador foi forçado a renunciar pelo “Deep State”

George Soros, Barack Obama e Hillary Clinton orquestraram um golpe no Vaticano para derrubar o Papa Conservador Bento XVI em Fevereiro de 2013, de acordo com e-mails do Wikileaks. Papa Bento se tornou o primeiro papa a renunciar desde o Papa Gregório XII em 1415 e o primeiro a fazê-lo por iniciativa própria desde o […]

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