As exigências do Pai-Nosso

oracao-do-painossoCrer que Deus é nosso Pai tem consequências enormes para toda a nossa vida, e exige de nós algumas atitudes!

Sabemos que esta é a “Oração perfeita”, pois saiu do coração de Jesus quando um dos discípulos pediu-lhe que os ensinassem a rezar (Lc 11,1). São sete pedidos perfeitos ao Pai. Saudamos a Deus como Pai – uma ousadia de amor – e lhe fazemos três pedidos para a Sua Glória e realização de Sua santa vontade, e mais quatro pedidos para nossas necessidades.

O Pai-Nosso é o resumo de todo o Evangelho, como disse Santo Agostinho, “Percorrei todas as orações que se encontram nas Escrituras, e eu não creio que possais encontrar nelas algo que não esteja incluído na Oração do Senhor”.

No Sermão da Montanha e no Pai-Nosso a Igreja ensina que o Espírito Santo dá forma nova aos nossos desejos, o que anima a nossa vida. De um lado Jesus nos ensina uma “vida nova”, por palavras, e por outro lado nos ensina a pedi-la ao Pai na oração, para a podermos viver.

É a oração dos filhos de Deus, que deve ser rezada com o coração, na intimidade com o Pai, para que se torne em nós “espírito e vida”. Isto é possível porque o Pai enviou aos nossos corações o Espírito do Seu Filho que clama em nós Abba, Pai. (Gal 4,6), e nos fez seus filhos adotivos em Jesus Cristo.

De pecadores que somos, mas perdoados em Cristo, podemos levantar os olhos para o Pai e dizer “Pai-Nosso”.

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A Oração do Senhor: Pai Nosso

“Pai-Nosso”: Deus é nosso Pai!

Crer que Deus é nosso Pai tem consequências enormes para toda a nossa vida, e exige de nós algumas atitudes:

1 – Conhecer a majestade e a grandeza de Deus. “Deus é grande demais para que o possamos conhecer”(Jó 36,26). Santa Joana D`Arc disse, “Deus deve ser o primeiro a ser servido”.

2 – Viver em ação de graças. Tudo o que somos e possuímos vem Dele. “Que é que possuis que não tenhas recebido?”(1Cor 4,7). “Como retribuirei ao Senhor todo o bem que Ele me fez?”(Sl 116,12).

3 – Confiar em Deus em qualquer circunstância, mesmo na adversidade. “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça e tudo o mais vos será dado por acréscimo”(Mt 6,33).

4 – Conversão continua e vida nova. Desejo e vontade de assemelhar-se a Ele, pois fomos criados a sua semelhança.

5 – Se comportar como filho e não como mercenário que age por interesse ou escravo que obedece por temor.

6 – Contemplar sem cessar a beleza do Pai e deixá-la impregnar a alma.

7 – Cultivar um coração de criança, humilde e confiante no Pai, pois é aos pequeninos que Ele se revela.

8 – Conversar com Deus como seu próprio Pai, familiarmente, com ternura e piedade.

9 – Ter a esperança de alcançar o que lhe pede na oração. Como Ele pode nos recusar alguma coisa se nos aceitou adotar como filhos.

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10 – Conhecer a unidade e a verdadeira dignidade de todos os homens, todos criados a imagem e semelhança de Deus (Gen 1,27).

11 – Desapegar-se das coisas que nos desviam Dele. “Meu Senhor e meu Deus, tirai de mim tudo o que me afasta de vós. Meu Senhor e meu Deus, dai-me tudo que me aproxima de vós. Meu Senhor e meu Deus, desprendei-me de mim mesmo para doar-me inteiramente a vós.” (S. Nicolau de Flue).

O Pai nos ama tanto que não nos quer perder de forma alguma para os deuses falsos que querem lhe roubar a glória e o nosso coração. Por isso o Pai nos corrige com “correção paterna”(cf. Hb 12,4s). Nem sempre entendemos os seus mistérios, mas Ele sabe o que precisamos e conduz a nossa vida com amor.

Santa Catarina de Sena, doutora da Igreja disse, `Tudo procede do amor, tudo está ordenado a salvação do homem, Deus não faz nada que não seja para esta finalidade”.

Prof. Felipe Aquino

Sexta-feira da 3.ª Semana do Tempo Comum (P) – A dinâmica da graça

A dinamica da graca vimeo

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc
4, 26-34)

Naquele tempo, Jesus disse à multidão: "O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece.

A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou".

E Jesus continuou: "Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra".

Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo.

São duas as parábolas que ouvimos hoje da boca de Nosso Senhor. A primeira nos fala da sementinha que, uma vez jogada na terra, cresce sem que nos demos conta; a segunda é a famosa comparação da semente de mostarda que, embora seja ainda pequenina, torna-se a maior das hortaliças quando desabrocha e chega à plenitude de seu desenvolvimento. A linguagem destas duas parábolas é, por um lado, bastante simples e compreensível; a dificuldade para as entendermos, por outro, reside no conceito de Reino de Deus, que Cristo põe com chave de leitura para ambas. Afinal, o que na prática essas histórias significam para a nossa vida? Como se dá, efetivamente, o reinado de Deus em nossos corações?

Ora, se bem consideradas, as duas parábolas do Evangelho de hoje nos falam, antes de mais, da dinâmica da graça, ou seja, do modo como Deus vai aos poucos — com suas próprias mãos — fazendo com que a nossa vida sobrenatural cresça, se desenvolva e dê, ao fim e ao cabo, os frutos que ele deseja colher. Trata-se de um ação maior do que nós, que opera em nós mudanças que permanecem, para nós mesmos, profundamente misteriosas. É, pois, o próprio Deus que, enquanto dormirmos, vai implantando o seu reinado em nossa alma, vai-nos moldando segundo o seu beneplácito, vai fazendo germinar no terreno do nosso coração as sementes que ele mesmo quis ali fossem semeadas.

Por isso, se desejamos converter-nos, se desejamos que Deus seja tudo em nós, precisamos dar-lhe espaço, permitir que ele realize em nós uma obra de que nós mesmos não somos capazes. Daí a necessidade de cultivarmos uma vida de oração que nos leve a deixar o Senhor agir e fazer conosco o que bem lhe aprouver. Esta é a nossa cooperação com a graça: deixá-la fazer o seu trabalho. Mortos para nós mesmos, permitamos que a graça do Reino de Deus, implantada em nossa alma por ocasião do Batismo, cresça e desabroche como um grãozinho de mostarda. Deixemos o Senhor transformar-nos desde dentro; demos espaço e tempo para que ele, reinando no nosso íntimo, viva em nós como em sua mais querida morada.

Pai de família é agredido na Inglaterra por ser cristão

Câmeras flagraram o momento em que dois jovens encapuzados, com uma picareta na mão, atacaram um homem com socos e pontapés. Nissar Hussain e sua família estão sendo perseguidos sistematicamente por terem se convertido do Islã ao Cristianismo. Um pai de família foi brutalmente atacado por vândalos encapuzados, em frente de sua casa, em Bradford, […]

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Mais de 4 bilhões de horas foram gastas com pornografia em 2015

Internet

4.392.486.580 é o número de horas que foram gastas com pornografia no ano de 2015. Isto significa que em um ano, internautas do mundo todo passaram 501.425 anos assistindo pornografia em algum site pornô. Em apenas um site, os acessos chegaram a escandalosos 87.849.731.608 — ou seja, para cada uma pessoa no planeta, 12 vídeos pornôs foram vistos. Os dados são do LifeSiteNews.com.

O fascínio pelo sexo explícito é antigo. Mesmo para algumas religiões de rígida moral, o paraíso é descrito como um lugar de sortilégio. Os muçulmanos, por exemplo, creem em um Céu cheio de virgens para eles. Na antiga Grécia, o sexo era venerado como um deus: estátuas fálicas decoravam as casas e partes da grande Atenas, onde surgiu a palavra "pornografia" para definir os escritos sobre prostitutas da época. Com o tempo, o termo passou a designar "tudo o que descrevia as relações sexuais sem amor", como explica o historiador francês Sarane Alexandrian.

Na Idade Média, a influência do cristianismo ordenou a sexualidade para a vida conjugal, sacralizando-a no matrimônio. Isto desenvolveu uma nova visão acerca do corpo humano. Ele deixou de ser idolatrado como um objeto de prazer para converter-se no Templo do Espírito Santo. Com a purificação da sexualidade, não mais governada pela concupiscência, homem e mulher passaram a tratar-se como uma só carne, dois indivíduos unidos definitivamente pelos laços matrimoniais. Foi apenas com o Renascimento que a sexualidade voltou a ser banalizada como nos tempos da Grécia e de Roma.

A nossa era assiste a uma onda pornográfica inigualável. O que antes estava restrito às salas discretas das locadoras e das bancas de jornais, tornou-se agora acessível a todos os públicos pela democratização da internet. Desde a mais tenra idade, os jovens já são expostos à pornografia. Embora haja quem considere isso um progresso, inúmeros estudos têm classificado a pornografia como uma nova espécie de droga, tendo como um de seus efeitos mais malignos o aumento da agressividade. Eis o que nos diz este estudo publicado no Journal of Communication:

[...] 22 estudos de sete diferentes países foram analisados. O consumo (de pornografia) foi associado com agressão sexual nos Estados Unidos e internacionalmente, entre homens e mulheres [...] Associações foram mais fortes para agressões sexuais verbais do que para físicas, apesar de ambas serem significantes.

Sejamos francos: esses resultados não são nenhuma novidade. Quando se cresce em uma cultura que não valoriza a sexualidade em todas as suas dimensões, mas, ao contrário, defende a ideia de que o corpo humano seja apenas um instrumento do qual se pode obter prazer incontrolável, não deveríamos nos assustar com o aumento de estupros, gravidezes indesejadas, violência doméstica etc. Na verdade, essas coisas nada mais são do que a consequência mais grave de uma mentalidade que, como dizia Bento XVI na encíclica Deus Caritas Est, ensina o homem a considerar "o corpo e a sexualidade como a parte meramente material de si mesmo a usar e explorar com proveito". O ser humano se torna uma mercadoria, "uma 'coisa' que se pode comprar e vender" (n. 5).

A crítica que geralmente fazemos aos movimentos feministas deve-se justamente ao que expusemos acima. A "cultura do estupro", como dizem, não é gerada pelo patriarcalismo cristão e europeu. Sociólogos não religiosos admitem a contribuição imprescindível do cristianismo, em especial, da Igreja Católica, para a emancipação feminina [1]. A "cultura do estupro" tem a ver como uma noção deturpada a respeito do homem e da mulher, que encontrou eco na chamada Revolução Sexual e se propaga por meio da pornografia. Trata-se de uma noção que reduz a intimidade do casal a apenas uma noite de prazer e nada mais. E as feministas que defendem esse tipo de mentalidade alimentam o monstro que pretendem combater.

O machismo nunca será vencido com "Marchas de Vadias". Embora não queiram aceitar, a melhor maneira de domar a fera dentro do homem é ensinando-o a viver a continência pré-matrimonial. A castidade não é simplesmente não fazer sexo, como pensam as mentes vulgares desta época, mas enxergar a pessoa humana como uma criatura amada por Deus. Os pais têm o dever de inculcar isso na mente dos filhos para que a sedução do sexo fácil não os escravize. Os pais precisam tornar-se amigos de seus filhos, companheiros de jornada, agindo com paciência, compreensão, sem medo de perguntas embaraçosas, para que os jovens não busquem na pornografia aquilo que eles poderiam aprender corretamente em casa. Este é o caminho: educar para o Céu.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Cf. STARK, Rodney. O crescimento do cristianismo: um sociólogo reconsidera a história. São Paulo: Paulinas, 2006, p. 119.

Quinta-feira da 3.ª Semana do Tempo Comum (P) – Santo Tomás de Aquino, uma alma de oração

Santo tomas de aquino vimeo

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc
4, 21-25)

Naquele tempo, Jesus disse à multidão: "Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de um caixote, ou debaixo da cama? Ao contrário, não a põe num candeeiro? Assim, tudo o que está em segredo deverá ser descoberto. Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça". Jesus dizia ainda: "Prestai atenção no que ouvis: com a mesma medida com que medirdes, também vós sereis medidos; e vos será dado ainda mais. Ao que tem alguma coisa, será dado ainda mais; do que não tem, será tirado até mesmo o que ele tem".

O Evangelho não foi feito para permanecer escondido nas sacristias. Pelo contrário, assim o ordenou o próprio Senhor Jesus, ele deve brilhar diante de todos, como uma lâmpada num candeeiro que, com sua luz, ilumina todos os lugares a que é conduzida. Essa luz vivificante da Palavra de Deus, doutrina firme e admirável, fê-la brilhar e resplandecer na imensidade de suas riquezas e detalhes o grande santo que a Igreja hoje celebra: Tomás de Aquino. Considerado o maior dos teólogos católicos, Santo Tomás — de luminosa e iluminada inteligência — é ainda hoje o guia seguro para os que se querem dedicar ao estudo seja da filosofia, seja da teologia sagrada.

Reconhecido como mestre da doutrina cristã pelo Vaticano II, Santo Tomás é, contudo, alvo de inúmeros preconceitos e incompreensões. Há quem o julgue demasiado "cerebral", "árido", "pouco apaixonado", se comparado aos doutores que, como Santo Agostinho, o precederam e inspiraram. Trata-se, é claro, de uma leitura superficial deste espírito imenso, cujo estilo conciso e parcimonioso conseguiu exprimir com precisão e delicadeza espantosas as mais sublimes e profundas verdades. De fato, quem quer que se detenha a lê-lo com vagar e atenção, logo descobre por detrás de sua linguagem técnica e à primeira vista intrincada uma alma enamorada da verdade, um coração que, dizendo muito com tão pouco, pulsava de amor por Cristo, luz e sabedoria infinitas.

Isto nos deve motivar a redescobrir, em seus próprios escritos, a grandeza de sua pessoa, o fervor de sua oração, as profundezas de sua espiritualidade. Aprendamos de Santo Tomás a querer apenas o amor de Jesus. Foi este, aliás, o desejo do Aquinate no fim da vida. Podendo ele pedir o que quisesse a Cristo, nada lhe exigiu senão: "Somente a vós mesmo, Senhor". Eis a resposta que apenas um intelecto santo e um coração cheio de sabedoria conseguiria dar. Aprendamos, pois, de Tomás a ouvir a Palavra de Deus como uma mensagem dirigida especialmente a nós: envolvamo-nos com ela, alimentemo-nos dela, façamos dela o sangue que corre em nossas veias e alimenta a nossa pequenina inteligência. Que Santo Tomás de Aquino nos abençoe neste dia e seja para nós luz nos estudos e na vida de oração!

As misericórdias de Deus são de sempre e para sempre

misericc3b3rdiaOnde abundou o delito, superabundou a graça…Conheça essa belíssima meditação de São Bernardo, doutor da Igreja:
Onde encontrar repouso tranquilo e firme segurança para os fracos, a não ser nas chagas do Salvador? Ali permaneço tanto mais seguro, quanto mais poderoso é ele para salvar. O mundo agita, o corpo dificulta, o demônio arma ciladas; não caio, porque estou fundado sobre rocha firme. Pequei e pequei muito; a consciência abala-se, mas não se perturba, pois me lembro das chagas do Senhor. Ele foi ferido por causa de nossas iniquidades. Que pecado tão mortal que a morte de Cristo não apague? Se vier à mente tão poderoso e eficaz remédio, não haverá mal que possa aterrorizar.

breviariodaconfiancaPor isso, muito errou quem disse: Tão grande é o meu pecado que não merece perdão. Mostra com isso não ser membro de Cristo nem lhe interessar o mérito de Cristo, por apoiar-se no próprio merecimento, declarar coisa sua o que pertence a outro, como acontece com um membro em relação à cabeça.

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Quanto a mim, vou buscar o que me falta confiadamente nas entranhas do Senhor, tão cheias de misericórdia, que não lhe faltam fendas por onde se derrame. Cavaram suas mãos e seus pés, traspassaram seu lado; por estas fendas é-me permitido sugar o mel da pedra, o óleo do rochedo duríssimo, quero dizer, provar e ver quão suave é o Senhor.

Ele alimentava pensamentos de paz e eu não sabia. Pois quem conheceu o pensamento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Mas o cravo que penetra tornou-se-me a chave que abre a fim de ver a vontade do Senhor. Que verei através das fendas? Clama o cravo, clama a chaga que Deus está em Cristo reconciliando o mundo consigo. A espada atravessou sua alma e tocou seu coração; é-lhe agora impossível deixar de compadecer-se de minhas misérias.


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 Abra-se à Misericórdia!

Amar a Deus pelo que Ele é

Milagres da Confiança

socorrodedeusAbre-se o íntimo do coração pelas chagas do corpo, abre-se o magno sacramento da piedade, abrem-se as entranhas de misericórdia de nosso Deus que induziram o Oriente, vindo do alto a visitar-nos. Qual o íntimo que se revela pelas chagas? Como poderia brilhar de modo mais claro do que em vossas chagas, que vós, Senhor, sois suave e manso e de imensa misericórdia? Maior compaixão não há do que entregar sua vida por réus de morte e condenados.

Em vista disso, meu mérito é a misericórdia do Senhor. Nunca me faltam méritos enquanto não lhe faltar a comiseração. Se forem numerosas as misericórdias do Senhor, eu muitos méritos terei. Que acontecerá se me torno bem consciente dos meus muitos pecados? Onde abundou o delito, superabundou a graça. E se as misericórdias de Deus são de sempre e para sempre, também eu cantarei eternamente as misericórdias do Senhor. Acaso é minha a justiça? Senhor, lembrar-me-ei unicamente de vossa justiça. Vossa, sim, e minha; porque vós vos fizestes para mim justiça de Deus.

Dos Sermões sobre o Cântico dos Cânticos, de São Bernardo, abade (Séc. XII)

(Sermo 61,3-5: Opera omnia 2,150-151)

A água benta é uma superstição?

Agua benta vimeo

Para quem não conhece a teologia católica, a água benta pode parecer, com certa razoabilidade, uma espécie de superstição. Afinal, qual o sentido de que uma pessoa fique se aspergindo com um punhado de água? Não existe outra forma de ser abençoado por Deus, ao invés de ficar "atribuindo poderes mágicos" a seres inanimados?

A resposta católica para essa questão encontra-se no sadio equilíbrio da "economia sacramental". A Santa Igreja, no decorrer dos séculos, sempre ensinou aos seus filhos o apreço das coisas sensíveis, sob o risco de que se obscurecessem os próprios mistérios de nossa redenção. O Verbo, para descer ao mundo, não rejeitou "vir na carne" e tomar uma forma verdadeiramente humana (cf. 1 Jo 4, 2); não desprezou o matrimônio (cf. Mt 19, 3-9; Jo 2, 1-11), nem se furtou de tomar alimentos para conservação de seu corpo físico (cf. Mt 11, 19; Jo 21, 9-14); ao instituir os sacramentos, foi além e transformou realidades visíveis, como a água, o pão e o vinho, em verdadeiros instrumentos de salvação, de onde Ele dizer, por exemplo, que "se alguém não nascer da água e do Espírito, não poderá entrar no Reino de Deus" (Jo 3, 5), ou mesmo: "Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós" (Jo 6, 51. 53). O respeito dos católicos pelas coisas materiais, portanto, foi aprendido do próprio Jesus, o qual, para salvar o ser humano inteiro – corpo e alma –, quis sabiamente distribuir a Sua graça invisível através de instrumentos tangíveis e perceptíveis aos olhos humanos. "Oportet nos per aliqua sensibilia signa in spiritualia devenire – Convém que por sinais sensíveis cheguemos às realidades espirituais" (S. Th., III, q. 61, a. 4, ad 1), diz Santo Tomás de Aquino.

Para investigar como a água benta se insere nessa economia, é preciso entender como os sacramentos atuam na vida dos cristãos. Embora estes realizem o seu efeito, que é a graça, ex opere operato (ou seja, automaticamente), os fiéis colhem frutos na medida em que se dispõem interiormente para recebê-los. Assim, por exemplo, quem se arrepende de seus pecados e é absolvido pelo sacerdote na Confissão, certamente recebe a graça santificante; mas aquele que teve uma contrição maior receberá uma porção de graça também maior. Quem se aproxima dignamente da Eucaristia, do mesmo modo, certamente recebe a graça do Cristo, mas, quanto mais devotamente comungar, tanto maior será o seu grau de comunhão com Deus.

Os chamados "sacramentais" – dos quais a água benta é um tipo –, embora não levem ao efeito do sacramento, que é a obtenção da graça, agem dispondo a pessoa para a sua recepção. A água benta, por exemplo, explica o Doutor Angélico, atua de modo negativo, dirigindo-se (1) "contra as insídias do demônio e (2) contra os pecados veniais" (cf. S. Th., III, q. 65, a. 1, ad 6).

Primeiro, portanto, a água benta funciona como um "exorcismo", com a diferença de que este é aplicado contra a ação demoníaca desde dentro, enquanto "a água benta é dada contra os assaltos dos demônios que vêm do exterior" (S. Th., III, q. 71, a. 2, ad 3). Para este fim específico, trata-se de um instrumento verdadeiramente eficaz, amplamente comprovado pelo uso dos santos. Santa Teresa d'Ávila, por exemplo, recomendava a suas irmãs que nunca andassem sem água benta e que se servissem dela com frequência. "Vocês não imaginam o alívio que se sente quando se tem água benta", ela dizia. "É um grande bem fruir com tanta facilidade do sangue de Cristo" [1].

Segundo, quanto aos pecados veniais, a água benta age enquanto "desperta um movimento de respeito em relação a Deus e às coisas divinas" (S. Th., III, q. 87, a. 3). Diferentemente de outras práticas devotas que, realizadas com fervor, também apagam as faltas veniais – como a oração do Pai-Nosso ou um ato de contrição –, a água benta traz consigo o poder da bênção sacerdotal, o que dá maior eficácia ao seu uso.

A água benta não se trata, portanto, de uma superstição, mas de um recurso extremamente útil e piedoso para quem quer se santificar através da oração da Igreja. O Catecismo da Igreja Católica adverte que "atribuir só à materialidade das orações ou aos sinais sacramentais a respectiva eficácia, independentemente das disposições interiores que exigem, é cair na superstição" (§ 2111). Por isso, acompanhado da aspersão da água benta deve sempre ir um grau cada vez maior de fervor a Deus, sem o qual qualquer prática religiosa, por mais piedosa que seja, perde o seu sentido último.

Referências

  1. Escritos de Teresa de Ávila. São Paulo: Loyola, 2001, p. 205, nota 2.

Quarta-feira da 3.ª Semana do Tempo Comum (P) – A parábola do semeador

Semeador vimeo

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc
4, 1-20)

Naquele tempo, Jesus começou a ensinar de novo às margens do mar da Galileia. Uma multidão muito grande se reuniu em volta dele, de modo que Jesus entrou numa barca e se sentou, enquanto a multidão permanecia junto às margens, na praia.

Jesus ensinava-lhes muitas coisas em parábolas. E, em seu ensinamento, dizia-lhes: "Escutai! O semeador saiu a semear. Enquanto semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; vieram os pássaros e a comeram. Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; brotou logo, porque a terra não era profunda, mas, quando saiu o sol, ela foi queimada; e, como não tinha raiz, secou. Outra parte caiu no meio dos espinhos; os espinhos cresceram, a sufocaram, e ela não deu fruto.

Outra parte caiu em terra boa e deu fruto, que foi crescendo e aumentando, chegando a render trinta, sessenta e até cem por um". E Jesus dizia: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça". Quando ficou sozinho, os que estavam com ele, junto com os Doze, perguntaram sobre as parábolas. Jesus lhes disse: "A vós, foi dado o mistério do Reino de Deus; para os que estão fora, tudo acontece em parábolas, para que olhem mas não enxerguem, escutem mas não compreendam, para que não se convertam e não sejam perdoados".

E lhes disse: "Vós não compreendeis esta parábola? Então, como compreendereis todas as outras parábolas? O semeador semeia a Palavra. Os que estão na beira do caminho são aqueles nos quais a Palavra foi semeada; logo que a escutam, chega Satanás e tira a Palavra que neles foi semeada. Do mesmo modo, os que receberam a semente em terreno pedregoso, são aqueles que ouvem a Palavra e logo a recebem com alegria, mas não têm raiz em si mesmos, são inconstantes; quando chega uma tribulação ou perseguição, por causa da Palavra, logo desistem.

Outros recebem a semente entre os espinhos: são aqueles que ouvem a Palavra; mas quando surgem as preocupações do mundo, a ilusão da riqueza e todos os outros desejos, sufocam a Palavra, e ela não produz fruto. Por fim, aqueles que recebem a semente em terreno bom são os que ouvem a Palavra, a recebem e dão fruto; um dá trinta, outro sessenta e outro cem por um".

Ouvimos no Evangelho de hoje a conhecida parábola do semeador. Nela, Jesus nos identifica com o terreno em que a Palavra de Deus é semeada. O coração humano, de fato, se vê obrigado a reagir à Palavra santa do Senhor; ele não pode manter-se neutro, indiferente ao Evangelho de Cristo. E é aqui, neste contato pessoal com Jesus, que se podem aferir as qualidades do nosso "terreno". A primeira possibilidade aventada por Cristo é a de uma intervenção demoníaca: assim que a Palavra é semeada em certos corações, vêm as aves do céus — as "potestades do ar" de que fala São Paulo (cf. Ef 2, 2) — e levam consigo a semente recém caída no chão. Daí a necessidade de o nosso apostolado vir sempre acompanhado de uma verdadeira vida de oração; precisamos, pois, que os anjos do Senhor preparem a alma daqueles que, mais sujeitos ao poder do diabo, pretendemos chamar à fé em Cristo Jesus.

As outras duas possibilidades dizem respeito diretamente às nossas disposições interiores. Se, por um lado, pode o demônio impedir que a semente cresça, também nós, por outro, a podemos sufocar, impedindo-a de dar os frutos que Deus espera de nós. O "terreno pedregoso" refere-se às almas que pensam ser possível seguir um Cristo sem Cruz; são almas que desejam Jesus, mas não desejam renunciar a si mesmas e ao egoísmo que só a dor e o sofrimento podem extinguir. Pois a dinâmica do verdadeiro amor exige que cresçamos na caridade ao mesmo tempo em que diminuímos no orgulho. O "terreno espinhoso" representa os que querem ser cristãos e mundanos, querem pertencer a Deus e também ao príncipe deste mundo; trata-se de almas que, sob a aparência de um cristianismo piedoso e fiel às "obrigações" de domingo, rejeitam a radicalidade de vida do Evangelho: querem conciliar terços e pecados, missas e festanças, orações e vulgaridades.

Sejamos generosos com Nosso Senhor; tenhamos a santa audácia de cortar os vínculos e as preocupações que nos atam a este mundo de misérias e iniquidades. Tomemos, pois, nossas cruzes diárias, rejeitemos a mentalidade mundana e, com um coração todo aberto qual terra fértil, sigamos a Cristo Jesus. Que Deus faça de nossas almas um terreno sadio, que possa dar todos os frutos que ele tão carinhosamente deseja colher.

Pai de família é agredido na Inglaterra por ser cristão

Nissar hussain blog 1

Um pai de família foi brutalmente atacado por vândalos encapuzados, em frente de sua casa, em Bradford, pelo simples fato de ter se convertido do Islã ao Cristianismo. A agressão aconteceu no fim da tarde do dia 17 de novembro de 2015, na região de Manningham.

O paquistanês Nissar Hussain, de 49 anos, teve um joelho quebrado, uma fratura no antebraço e uma concussão. O episódio, que foi flagrado pelas câmeras do circuito interno de TV, está sendo avaliado pela polícia do condado de West Yorkshire como crime de ódio religioso.

Ele saiu de casa por volta das 5h da tarde, para levar o seu carro para a delegacia, quando foi atacado por dois homens, que repentinamente o pararam do outro lado da pista e começaram o ataque. Um deles usava uma picareta de mão, enquanto o outro atingia Hussain com vários socos e pontapés. Os agressores, que a vítima não foi capaz de identificar, só pararam quando alguns vizinhos poloneses chegaram e mandaram-nos para longe.

"Eu senti como se estivesse lutando para sobreviver. Tudo aconteceu tão rápido que eu fui incapaz de reagir. Só me lembro de ter saído pelo portão e atravessado o meio-fio. Depois, só vi uma picareta vindo em minha direção. Instintivamente, tentei cobrir minha cabeça com os braços, mas a força do golpe me jogou para trás, meu calcanhar bateu na calçada e lançou-me ao chão. Também bati minha cabeça na parede, o que fez eu ter uma concussão, mas eu ainda estava consciente. Enquanto estava no chão, continuei com os braços bloqueando os chutes deles à minha cabeça, mas assim que eles perceberam, simplesmente começaram a atingir minhas pernas."

O senhor Hussain conta que a sua família vive aterrorizada desde 2008, quando eles apareceram em um programa de TV – o documentário Unholy War, exibido no Channel 4, que fala sobre os maus tratos a ex-muçulmanos que se converteram à fé cristã. Desde então, ele, a mulher e os seis filhos têm sido submetidos a inúmeros abusos e ameaças às suas vidas, bem como a um enorme prejuízo financeiro, devido aos danos físicos às suas propriedades. Só no período de um ano, por exemplo, o seu veículo foi alvo de vândalos por mais de seis vezes. Ele também já tinha sido agredido anteriormente na rua e acusa a polícia britânica de não ajudar a sua família. "Este país é uma sociedade civilizada e nós não estamos no Paquistão", ele diz. "Temos o direito de seguir com as nossas vidas diárias e não sermos ameaçados por causa de nossa religião."

Embora já tivesse sido contactada em outras ocasiões, é a primeira vez que a polícia estuda classificar o incidente como crime de ódio religioso. A família se mudou para o antigo endereço depois de experimentar problemas na nova residência, em Bradford, de onde eles reclamam terem sido expulsos por moradores muçulmanos.

Hussain diz que, a princípio, eles foram bem acolhidos na vizinhança, mas tudo mudou depois que eles apareceram na TV revelando a sua conversão ao Cristianismo. "Esse último ano tem sido o mais aterrorizante", ele conta. "Minha família tem que ser corajosa quando resolve sair pela porta da frente de casa. Somos chamados de blasfemadores por alguns membros da comunidade muçulmana. Chamam-nos de escória e tratam-nos como cidadãos de segunda categoria."

Estatísticas de novembro de 2015 estimam que haja aproximadamente 3 milhões de muçulmanos em território britânico. Em algumas áreas do país, a concentração é tão alta, que os residentes chegam a pedir a implantação da lei islâmica. Das famílias cristãs perseguidas pelo Islã, as de ex-muçulmanos são as que mais sofrem, pois são considerados "apóstatas" e indignas de viver.

Mesmo diante da perseguição, o pai de família diz não estar arrependido pela denúncia pública que fez em cadeia nacional de TV. "Ainda não me arrependo de participar do documentário, já que esse é um problema para os cristãos convertidos em todos os cantos do país", afirma Hussain. " Essas pessoas estão nos deixando sem nenhuma dignidade humana. Já faz tempo que saímos à procura de um lugar, mas não deveríamos estar sujeitos a um abuso desse tipo."

Fonte: Daily Mail | Tradução e adaptação: Equipe CNP

YouCat Online – Como é celebrado o Batismo?



A forma clássica da celebração batismal é a tripla submersão do batizando na água. Muitas vezes, porém, a água é derramada três vezes sobre a cabeça do batizando. O ministro do Batismo diz as palavras: "Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo." [1229-1245, 1278]

A água simboliza a purificação e a vida nova, que já fora expressa pelo batismo de penitência de João Batista. O Batismo que é celebrado "em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" implica mais do que um sinal de conversão e penitência; é vida nova em Cristo. Isso torna-se claro nos ritos explicativos da unção, da veste branca e da vela batismal.

As devoções da Igreja para cada mês do Ano

orandoA Igreja procura santificar o ano todo celebrando a cada dia os Santos do dia, ou as festa e solenidades especiais. Mas também a cada mês do ano a Igreja dedica uma devoção particular. A escolha dessa devoção mensal é feita com base em algum acontecimento histórico ou alguma celebração litúrgica especial.

Essas devoções surgiram espontaneamente ao longo da vida da Igreja, e nem sempre é possível se determinar exatamente a data e o local de sua origem. E isto pode mudar de um país para o outro, dentro da unidade da Igreja respeitando a saudável diversidade; especialmente as diferenças culturais do Ocidente e do Oriente católicos. No livro “Orações de todos os tempos da Igreja” (Ed. Cléofas, 1998) você encontra orações para todas essas devoções.

Conheça algumas delas:

Em JANEIRO a devoção é dedicada o Santíssimo Nome de Jesus, porque oito dias após o Natal, São José o circuncidou dando-lhe o sagrado nome. A Igreja celebra oito dias após o Natal, em 2 janeiro, de acordo com o “Diretório da Liturgia” da CNBB, a festa do Santíssimo Nome de Jesus. O anjo disse a Maria: “Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus” (Lc 1, 30-31). Por causa das festas em Janeiro que pertencem a infância de Cristo, Janeiro também se tornou o mês dedicado a Santa Infância de Jesus.

FEVEREIRO é o mês da Sagrada Família porque após as celebrações do Natal, a Igreja a venera. Foi na Sagrada Família que Jesus viveu toda a a sua vida antes de começar a sua vida pública para a salvação a humanidade. Ali ele aprendeu as coisas santas, trabalhou com mãos humanas, obedeceu a Seus pais e se preparou para a grande missão. Olhando para a Sagrada Família a Igreja deseja que os casais e filhos aprendam a viver segundo a vontade de Deus. “O mundo seria bem melhor se o Natal não fosse um dia, se as mães fossem Maria e os pais fossem José”. Embora o começo da Quaresma mude de acordo com o calendário civil, uma boa parte de Fevereiro nos dá um espaço de tempo entre as celebrações do Natal e do foco maior na vida pública e no ministério de Jesus, que ocorre na Quaresma.

cpa_para_entender_e_celebrar_a_liturgia_1MARÇO é o mês da devoção a São José, porque a sua festa maior é no dia 19 de março: São José, o esposo da Virgem; o homem justo que teve a honra e a glória de se escolhido por Deus para ser o pai legal, nutrício, de Seu Filho feito homem. Coube a José dar-lhe o nome de Jesus. Neste mês a Igreja nos convida a olhar para este modelo de pai amoroso, esposo fiel e casto, trabalhador dedicado; pronto a fazer, sem demora a vontade de Deus. A Igreja lhe presta um culto de “protodulia” (primeira veneração).

Há muitas orações dedicadas a São José, a Ladainha em sua honra, o Terço de São José, etc.. Santa Teresa de Ávila disse que sempre que lhe fazia um pedido a São José, em uma de suas festas (19 de março ou 1 de maio), nunca deixou de ser atendida. Todos os seus Carmelos renovados tiveram o nome de São José.

O mês de ABRIL é dedicado a Eucaristia e ao Divino Espírito Santo. Quase sempre o Dia da Páscoa cai em abril; e, mesmo quando cai em Março, o período pascal de 40 dias continua em abril. A Eucaristia é o centro da vida da Igreja. Ela é o Sacrifício de Cristo que se atualiza (torna-se presente) no altar, na celebração da santa Missa; e Alimento (banquete) do Cordeiro que se dá como alimento espiritual. É a maior prova de amor de Jesus para conosco. Além da Missa, Ele permanece em estado de vítima oferecida permanentemente ao Pai em nossos Sacrários, para nos socorrer em todas as necessidades e estar sempre conosco. “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1).

MAIO é o mês da Virgem Maria porque é repleto de Suas Festas: 13 de maio (Na. Sa. de Fátima), Visitação (31 de maio); e por ser ela Mãe de Deus e nossa, o mundo cristão comemora o Dia das Mães no segundo domingo de maio, rogando-lhe que defenda, proteja e auxilie todas as mães em sua difícil missão. A devoção a Virgem Maria quer destacar o papel fundamental dela de Medianeira de todas as graças, intercessora permanente do povo de Deus, modelo para as mães cristãs, pura e santa, sempre pronta e disposta a fazer a vontade de Deus. É o mês por excelência para as noivas se casarem e consagrarem seus casamentos a Ela, é o mês de rezar o Rosário e a Sua bela Ladainha lauretana.

JUNHO é o mês do Sagrado Coração de Jesus. Uma devoção que começou por volta do ano 1620 quando Jesus a pediu a Santa Margarida Maria Alacoque. Foi divulgada no mundo por São Claudio de La Colombiere, que era diretor espiritual da Santa. Era um tempo em que havia uma perigosa heresia chamada jansenismo, que impedia os católicos de Comungarem com frequência e incutia medo de Deus nas pessoas. A devoção ao Sagrado Coração quer mostrar um Jesus humano, misericordioso, pronto a perdoar como o Pai do filho pródigo; e que encoraja a participação na Adoração a Eucaristia e a receber a Sagrada Comunhão na primeira sexta-feira de cada mês. Conhecemos a bela Ladainha do Sagrado Coração de Jesus e inúmeras orações compostas pelos santos.

JULHO é dedicado ao Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor; e a festa específica é no primeiro Domingo do mês. O Sangue de Jesus é o “preço da nossa salvação”. A piedade cristã sempre manifestou, através dos séculos, especial devoção ao Sangue de Cristo derramado para a remissão dos pecados de todo o gênero humano, e atravessando a história até hoje com Sua presença real no Sacramento da Eucaristia. O Papa São João Paulo II, em sua Carta Apostólica “Angelus Domini”, frisou o convite de João XXIII sobre o valor infinito daquele Sangue, do qual “uma só gota pode salvar o mundo inteiro de qualquer culpa”.

AGOSTO é o mês dedicado às vocações no Brasil. Em cada semana do mês a Igreja destaca uma modalidade delas: a vocação sacerdotal, matrimonial, religiosa e os leigos. A vocação define a vida religiosa da pessoa, e é dada por Deus a cada um. Em Sua bondade e sabedoria, Deus distribui Seus dons a cada um como lhe apraz; o importante é que cada um descubra a sua vocação, e nela se realize fazendo o bem a todos. Especialmente é tempo dos jovens rezarem pedindo a Deus o discernimento para o caminho a seguir. De modo especial os leigos devem assumir a sua missão no mundo, como “sal da terra e luz do mundo”; fiéis aos ensinamentos da Igreja, levando o Evangelho a todas as realidades temporais.

SETEMBRO no Brasil é o mês da Bíblia, com a finalidade de que o povo católico se aproxime mais dela, a leia e medite, a conheça e aprofunde os seus conhecimentos bíblicos, promovendo cursos bíblicos, etc.. Não é sem razão que São Pedro disse: “Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus” (2 Pd 1,20-21). A Carta aos Hebreus nos lembra de que que “a palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes, e atinge até à divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4,12).

cpa_ora_es_de_todos_os_tempos_da_igrejaOUTUBRO é o mês do santo Rosário e das Missões. Santo Rosário porque a Europa cristã se viu livre da ameaça muçulmana que queria destruir o cristianismo, no ano 1571; mas foram vencidos pelas forças cristãs na Batalha de Lepanto, no mar da Grécia. O Papa São Pio V pediu aos exércitos cristãos que levassem a “arma do Rosário”. Como a grande e milagrosa vitória se deu no dia 7 de outubro, o Papa instituiu neste dia a Festa de Nossa Senhora do Santo Rosário. O mês das missões é um devoção para estimular ainda mais a missão evangelizadora que Cristo confiou à Igreja. Mandou que seus discípulos fossem pelo mundo todo, pregando o Evangelho e batizando a todos.

NOVEMBRO é mês dedicado às almas do Purgatório. O Dia de Finados, no dia 2 de Novembro, é dedicado às orações por todos os fiéis falecidos. O Papa Paulo VI, na “Constituição das Indulgências”, de 1967, estabeleceu indulgências parciais e plenárias pelas almas do purgatório, e determinou a semana de 1 a 8 de novembro como a semana das almas, em que podemos lucrar indulgências plenárias a elas mediante uma visita ao cemitério para rezar por elas, tendo se confessado, comungado e rezado pelo Papa (Pai Nossa, Ave Maria, Glória ao Pai). As almas, por elas mesmas não podem conseguir sua purificação; dependem de nossas orações, missas, esmolas, penitências, etc., por elas.

DEZEMBRO é o mês do Advento e do Natal. São quatro semanas de preparação para a vinda de Cristo no Natal. Arma-se a “coroa do Advento”, com uma vela acessa a cada domingo, meditando esse tempo de graça. É um tempo propício para preparação espiritual e piedosa para celebrar o Natal e também a segunda e definitiva vinda do Senhor. É o tempo do Presépio, que nos ajuda a meditar este grande mistério da Encarnação do Verbo, que “se fez pobre para nos enriquecer”, como disse São Paulo.

Prof. Felipe Aquino

São Timóteo e São Tito, Bispos

Bispo vimeo

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc
10, 1-9)

Naquele tempo, o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. E dizia-lhes: "A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita. Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: 'A paz esteja nesta casa!' Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. Permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa. Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: 'O Reino de Deus está próximo de vós'".

Comemoramos hoje dois fiéis companheiros de Paulo, São Tito e São Timóteo. Por ocasião de duas tão gratas memórias, o Evangelho desta 3.ª-feira nos narra a missão dos setenta e dois discípulos de Nosso Senhor. De acordo com uma antiquíssima tradição, todos estes missionários, embora seguissem de perto a Cristo, eram contudo menores do que os Doze, quer dizer, não pertenciam propriamente ao colégio apostólico. Já podemos vislumbrar aqui, ainda em gérmen, a constituição hierárquica da Igreja nascente: sucedidos pelos epíscopos, os Apóstolos tomam a frente no governo da Igreja, ao passo que os setenta e dois discípulos, encarregados de trabalhar na messe do Senhor, são como que os precursores dos futuros presbíteros.

Esta interpretação, no entanto, adquire colorações bastante peculiares, em se tratando de São Tito e São Timóteo. A Liturgia de hoje nos coloca, pois, diante destes dois grandes bispos, cujas vidas foram inteiramente dedicadas a seguir os passos dos Apóstolos de Jesus, preservando e transmitindo às novas gerações cristãs tudo quanto os Doze, assistidos pelo Espírito Santo, legaram à Igreja Católica. São aliás as próprias leituras de hoje que fazem questão de enfatizar a essência daquilo que é a missão básica de um bispo: conservar a fé (cf. 2Tm 1, 5), reavivar a chama do dom de Deus (cf. 2Tm 1, 6) e, sem envergonhar-se do testemunho do Senhor (cf. 2Tm 1, 7), levar os eleitos do Pai à fé comum em Cristo Jesus e ao conhecimento da verdadeira piedade, "que se apoia na esperança da vida eterna" (Tt 1, 2).

Dois são os bispos que neste dia comemoramos e dois são os versos em que o salmista (cf. Sl 95) compendia, como belo lirismo, o núcleo da vocação episcopal: "Dia após dia anunciai sua salvação" e "Publicai entre as nações: 'Reina o Senhor!'" Guardar a palavra de Deus, pregar o Evangelho, conservar a doutrina recebida das mãos dos Apóstolos — eis, em seus traços fundamentais, aquilo a que um bispo tem de entregar-se de corpo e alma, até ao derramamento do próprio sangue. Eis a fidelidade à pregação apostólica que devem sempre manter, a fim de serem colunas vivas da Igreja de Cristo, de serem caridosos pastores do rebanho que lhes foi confiado, de serem, enfim, zelosos mestres da doutrina e guardiões da sagrada Liturgia.

O que é preciso para ser um bom pregador?

pregadorAlgumas pessoas me procuram dizendo que se sentem chamadas a pregar e querem saber o que é preciso para se preparar bem para essa missão. Por exemplo, um rapaz me escreveu:

“Sou pregador da RCC (Renovação Carismática Católica), mas sinto desejo de me aprofundar na formação teológica. Gostaria de um direcionamento de o que começar estudar e a fazer? Por onde começar?”

Vou colocar aqui algumas sugestões que me ajudam na missão de pregar e escrever. Antes de tudo, esse é um belo chamado de Deus, especialmente para aqueles que receberam a graça de saber se expressar bem, o dom da pregação. Digo isso em relação à pregação para o público; todos são chamados a difundir o Evangelho, ainda que não seja para grupos de pessoas e auditórios. “Ai de mim se eu não evangelizar!” (1 Cor 9,16).

1 – Cuidar bem da vida espiritual

O pregador precisa ter uma vida de oração contínua, ter comunhão com Deus. Jesus disse: “Sem Mim nada podeis fazer” (João 15,5); muito menos em se tratando de levar as pessoas a Deus. Sem vida de oração não é possível ser bom pregador, ou seja, transmitir aos outros “O que Deus quer”. Santo Agostinho dizia: “falar com Deus, mais do que falar de Deus”. A pregação de quem não ora, é vazia, não toca as pessoas. Na pregação temos de passar aos outros “aquilo que recebemos de Deus na oração”; e isso só e possível com intimidade com Deus, na vida sacramental (Eucaristia e Confissão frequentes), na meditação da Palavra de Deus, na leitura de bons livros espirituais, etc..

cpa_como_fazer_a_vontade_de_deus2 – Cuidado com seu comportamento

O contra testemunho decepciona as pessoas. Papa Paulo VI disse que “o mundo quer mais testemunhas do que mestres”. A luta contra todo tipo de pecado deve ser uma preocupação permanente. O pregador está a serviço de Cristo e da Igreja, sua responsabilidade é grande. “Vigiai e orai, porque o espírito é forte, mas a carne é fraca”; também a do pregador. Mas, somos pecadores; nem por isso o pregador deve deixar de pregar por causa de seus pecados; a menos que seja algo muito grave e que se tornou um contra testemunho muito sério para as pessoas. Se cair, levante-se imediatamente e continue a caminhada para Deus. Deixar a pregação por causa dos pecados pode ser uma tentação.

3 – Buscar continuamente a santidade

O Papa João Paulo II disse que “a santidade é a força mais poderosa para levar Cristo às pessoas”. Os santos abalaram o mundo, e a maioria deles sem usar avião, computador e, microfone. Basta olhar para os exemplos de São Francisco, Santo Inácio de Loyola, São João Bosco, Santa Teresa, Santa Teresinha, São João Vianney… abalaram o mundo pela força da sua santidade. Estou convencido de que em primeiro lugar o pregador deve buscar a santidade. Se ele fizer isso, Deus vai chamá-lo para muitas missões, sem ele precisar se oferecer para isso. Deus disse a Abrão: “Anda na minha presença e sê integro” (Gen 17,1). De nada adianta um bom microfone sem que haja por trás alguém que busque a santidade. Deus usa os pregadores que buscam a santidade. Daí a importância do pregador se examinar continuamente e se confessar sempre.

Bem nos lembrava São Francisco de Assis que dizia: “Pregue o evangelho em todo tempo, se necessário use palavras”. Ou seja, mais do que pregar com palavras, o principal é pregar com a vida!

4 – Trabalhar com “reta intenção”

Pregar por amor a Jesus e pela salvação das almas; isto é, só por Jesus, nada mais. A motivação do pregador deve ser a mesma de Jesus: ir buscar as ovelhas perdidas, porque no Céu a mais alegria por um pecador que se converte do que por 99 convertidos. Essa é a mola propulsora da evangelização.

Como disse São Paulo: “Tudo o que fizerdes, fazei de bom coração, como para o Senhor e não para os homens, certos de que recebereis a recompensa das mãos do Senhor. Servi a Cristo Senhor” (Col 3, 17.23).

É um grande perigo, uma cilada do inimigo, deixar-se levar pelos aplausos e pelas recompensas. O trabalhador tem direito ao salário; o pregador consagrado, “que vive do Evangelho”, e que não tenha outro rendimento, deve receber o necessário para as suas necessidades e de sua família; mas os outros não devem exigir nada além das despesas da própria missão (transporte, alimentação, etc.). “Dai de graça o que recebestes de graça” (Mt 10,10).

Leia também: Pregar com a vida

A responsabilidade dos pregadores

A Palavra de Deus é viva e eficaz!

5 – Priorizar as pregações

Quando as solicitações para pregações são muitas, então, será necessário estabelecer um critério para atender aos pedidos mais necessários, que mais necessitam de uma evangelização. Não é apenas o número de ouvintes que mais importa, mas a necessidade das pessoas. Jesus trabalhou mais tempo com doze discípulos, e mais os 72 que enviou dois a dois; mas não deixava de pregara para as multidões. Às vezes um grupo menor produz mais resultado que um grupo grande. É uma tentação deixar de pregar para pequenos grupos, principalmente quando são formadores de opinião (universitários, professores, profissionais liberais, etc.).

6 – Pregar em nome de Cristo e da Igreja

O pregador não é autônomo; é obrigado a pregar segundo o que ensina o Sagrado Magistério da Igreja. Para isso, deve observar criteriosamente o que a Igreja ensina, no Catecismo e nos documentos, sobre o tema que vai pregar. O Magistério explica a Bíblia, que nem sempre é fácil de ser entendida. O pregador não pode proibir o que a Igreja não proíbe; não pode aprovar o que a Igreja não aprova; não pode ensinar o que a Igreja não ensina, e não pode querer saber o que a Igreja não sabe. É um perigo espiritual. Ele não pode discordar nunca de um ensinamento da Igreja. Limite-se a ensinar o que a Igreja sabe e ensina. “A salvação está na verdade” (n. 851), diz o Catecismo. Para ser preparado, o pregador deve estudar sempre. Conhecer bem os dogmas da fé, as verdades sobre os sacramentos, a moral católica, etc…

O pregador não pode querer agradar as pessoas apenas afetivamente com a pregação, mas deve leva-las a meditar com profundidade na sua vida espiritual. Uma dose adequada de sensibilidade é conveniente, mas a conversão não pode ser buscada só por esse caminho. As pessoas imaturas na fé buscam a emotividade espiritual, então, o pregador não pode se perder nisso. Ajuda muito a pregação, os bons livros, sobretudo os escritos dos santos e o estudo de suas vidas.

7 – Preparar bem a pregação

Antes de tudo colocar-se em oração e pedir a luz do Espírito Santo para ser assistido e guiado na pregação; “ouvir a moção interior do Espírito Santo” sobre o assunto a pregar. Em seguida, preparar a pregação usando a Bíblia, o Catecismo, os livros, os documentos, etc.

A pregação deve ser clara, profunda e seguir uma sequência que vá aos poucos tornando mais fácil o entendimento da matéria que se deseja ensinar. Pode-se seguir um esquema escrito, mas sem se prender muito ao papel e à leitura para não cansar os ouvintes. A doutrina explanada sobre um assunto deve ser exemplificada sempre que possível com exemplos concretos e que sirvam de esclarecimento sobre o tema abordado. O uso de parábolas, como Jesus fazia, de histórias adequadas, ajuda o entendimento melhor do assunto, tirando-se delas lições importantes.

8 – Consagrar-se a Deus, aos anjos e aos santos

A pregação visa a mudança de comportamento dos ouvintes segundo o Evangelho. Claramente, o Inimigo de Deus e nosso, não fica satisfeito com isso, e de muitas formas tenta atrapalhar a vida do pregador e a pregação. Portanto, o pregador deve estar sempre em alerta, vigilante, se consagrar a Santíssima Trindade, e se recomendar à Virgem Maria, aos anjos e santos. E não deve temer pelo trabalho a executar, e nem temer o que o Mal possa querer fazer. Nada ele pode fazer sem o consentimento de Deus. Jesus disse: “Eis que Eu estou convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28,20). Ele é a segurança do pregador. Se você se preparou e rezou, tenha plena confiança de que a pregação será frutuosa. Nos meus 45 anos de pregador, desde a juventude, nunca vi um Encontro bem preparado dar errado, não ser bem concluído e não dar fruto. A mesma coisa posso dizer das pregações. A obra é de Jesus, Ele cuida dela. A Igreja tem o hábito de terminar as pregações sempre invocando a Virgem Maria e suas virtudes.

apostolado_menor9 – O tema da pregação

Este deve ser fornecido, em princípio, por quem a solicita, dentro de um programa a ser cumprido. Se for dado ao pregador a escolha do tema, ele deve ouvir as pessoas que o solicitaram para saber da necessidade espiritual do grupo para o qual vai pregar. Se isso não for possível, peça ao Espírito Santo que o ilumine para escolher o tema. Conheça para quem você vai pregar, o nível intelectual das pessoas, as maiores necessidades espirituais, e use os recursos adequados a cada auditório e local (microfone, data show, slides, música, encenação, etc.). é muito importante escolher bem esses recursos e prepara-los bem.

10 – Saiba ouvir as críticas construtivas

O pregador pode errar em alguma afirmação; eu já errei várias vezes. E o seu compromisso não pode ser consigo, mas com a verdade ensinada pela Igreja. “A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3,15). Então, devemos dar graças a Deus quando alguém nos corrige; não podemos ficar magoados ou feridos. Não, confira se foi erro mesmo e faça a correção como for possível. A observação dos irmãos nos ajuda na vida de pregador; eles nos incentivam, comprovam o bom trabalho, etc..

Prof. Felipe Aquino

Catacumbas atestam: Jesus está realmente presente na Eucaristia

Catacumbas blog

Graças à pregação dos Apóstolos, os cristãos começaram a multiplicar-se em todas as cidades, a ponto de o historiador Tácito dizer, no ano 66, que já era grande o seu número na capital do Império [1].

Por isso, não era nada surpreendente que Satanás, antevendo o fim de seu principado, procurasse, através dos mais diversos artifícios, apagar a religião cristã da face da Terra. Os pagãos, para quem a pregação da Cruz era loucura, tanto serviam de instrumentos ao demônio quanto mais a retidão dos cristãos condenava a perversidade do seu modo de vida. "Sereis odiados por todos, por causa do Meu nome" (Mt 10, 22): desde muito cedo a profecia de Cristo começava a cumprir-se.

O misto de simplicidade e mistério que rondava o discreto grupo dos cristãos inquietava cada vez mais os seus inimigos, que não tinham nenhum fato ou testemunho com os quais acusá-los. Por conta disso, todo tipo imaginável de maldade começou a ser atribuída a eles. Pela boca dos judeus, chegava aos seus ouvidos a misteriosa tradição de que, durante as suas festas, os cristãos faziam um sacrifício e, depois, bebiam a carne e o sangue de suas vítimas. Como os cristãos guardavam "a sete chaves" a doutrina da Sagrada Eucaristia e celebravam a Santa Missa sempre em segredo, começaram a circular acusações as mais absurdas, como a de que os cristãos sacrificavam e canibalizavam crianças inocentes.

Eram de tal modo discretas as circunstâncias em que se davam a celebração desse sacramento, que ninguém que não fosse batizado estava autorizado a aprender sobre ela, e os próprios catecúmenos deixavam as igrejas quando a parte mais solene da liturgia começava. Falar dessas coisas aos de fora era um crime tão grave que apenas hereges e apóstatas ousavam fazê-lo.

Não obstante todo o cuidado com que os primeiros cristãos preservavam os seus ensinamentos, eles ainda deixaram atrás de si as mais claras provas de sua fé na presença real do Senhor na Eucaristia, bem como da adoração que eles davam ao Corpo e Sangue do Senhor.

Se, durante as suas assembleias, eles oferecessem e consumissem simplesmente pão e vinho comuns, não haveria nenhum problema de fazê-lo diante de todo o mundo, sem perigo ou medo de perseguição.

O mistério se estendia não só a palavras e escritos, mas até aos lugares onde os nossos primeiros pais na fé se reuniam para o culto divino, em tempos de perigo e perseguição. Nesses lugares, estão conservados memoriais extraordinários, que dão testemunho de sua fé em Tão Sublime Sacramento.

Dentro das catacumbas de Roma

Fora dos muros da cidade de Roma, existe uma cidade subterrânea onde foram sepultados os cristãos dos primeiros séculos da Era Cristã. Antigamente, esses lugares eram chamados simplesmente de "cemitérios" ou "dormitórios", mas, nos tempos modernos, eles são designados pelo nome de "catacumbas". Sob esse título, são entendidos todos os lugares sagrados onde, em tempos de perseguição, os primeiros cristãos enterravam os seus mortos.

As catacumbas consistem em longos labirintos, divididos por passagens, que variam em altura e largura de acordo com a natureza do solo em que foram escavadas. Nelas, existem câmaras, de todos os tipos e tamanhos, ornadas com afrescos. As passagens se encontram próximas umas às outras, em distâncias que variam de três a dez quilômetros dos muros da antiga Roma, ao longo das rodovias. Calcula-se que, unidos, o comprimento desses corredores subterrâneos exceda 560 quilômetros de extensão. Contam-se cerca de 43 catacumbas, 26 maiores e 17 de menor tamanho, de acordo com a extensão dos leitos de tufo calcário, uma rocha vulcânica macia na qual elas foram escavadas pelos cristãos. Tendo em mente que o corpo do Senhor foi deixado em um sepulcro novo escavado na rocha, eles estavam ansiosos por proverem para os seus entes queridos uma tumba parecida, a fim de que também na morte eles seguissem a imitação de Cristo.

Esse modelo de sepultamento era praticado pelos judeus em Roma no primeiro século e algumas famílias romanas antigas ainda mantinham a prática de seus ancestrais etruscos, recusando-se a soterrar os seus mortos. Mas uma característica completamente nova é encontrada nos cemitérios cristãos: a caridade cristã impulsionava muitos da nobreza patrícia que tinham abraçado a fé a enterrar em seus cemitérios privados também os seus irmãos mais humildes, de modo que, já no terceiro século da Era Cristã, cada uma das igrejas paroquiais de Roma tinha o seu próprio cemitério do lado de fora dos muros. Até meados do mesmo século, os cemitérios cristãos continuarão sob a proteção da lei romana, que resguardava todos os túmulos como sagrados e invioláveis.

A história deixou-nos os nomes de muitas nobres mulheres, como Domitila, Lucina, Priscila e Ciríaca, que fizeram as suas propriedades de cemitérios e receberam em suas próprias casas as urnas com os corpos dos Santos Mártires. São Sebastião, São Lourenço, São Nereu e Santo Aquiles são exemplos dos nomes de algumas das catacumbas em que seus respectivos corpos foram sepultados.

O trabalho de escavar esses corredores dos mortos – com os túmulos e as capelas mortuárias que eles continham – foi confiado à confraria dos fossores (escavadores, em latim). Esses homens devotos, que pertenciam em sua maior parte às classes operárias, podiam ser comparados ao venerável Tobias, que escondia os mortos de dia para dar-lhes uma sepultura à noite (cf. Tb 1, 18; 2, 7). O ofício deles, além de extremamente árduo, era cheio de perigos. Com que coragem eles não penetravam nos canais da terra e, com a luz opaca de suas lamparinas, talhavam aqueles corredores na tufa sólida! Nas paredes das passagens, os túmulos eram escavados um em cima do outro, em número de seis ou mais, de acordo com a altura da passagem. Quando um corredor ficava cheio de defuntos, ele era aprofundado e dava espaço para mais corpos. Se isso não pudesse ser feito com segurança, um novo conjunto de passagens era escavado embaixo do primeiro e, dessa forma, os corredores iam sendo formados um sobre o outro, com vários cruzamentos em diferentes direções.

Nos túmulos, eram enterrados um e às vezes dois corpos. Os cristãos não poupavam esforços para tirar as relíquias dos mártires das mãos de seus executores. Muitos chegavam a tomá-los dos magistrados e levá-los para longe da vista dos guardas, às catacumbas, onde eles finalmente banhavam, embalsamavam e davam a eles uma sepultura. O túmulo era cuidadosamente fechado com ladrilhos ou uma laje de mármore e revestido com uma inscrição rudimentar do ano, da idade e do dia do enterro, acompanhada de algumas breves palavras de consolo, como: In pace, Vivas in Deo, Vivas in aeternum. A família e a posição social dos falecidos são raramente mencionadas. O importante mesmo era ser concidadão dos santos e pertencer à família de Deus (cf. Ef 2, 19).

Além desses túmulos nas paredes dos corredores, os fossores escavaram valas separadas para algumas famílias cristãs particulares. Para esse propósito, eram abertas câmaras espaçosas e abobadadas, com tetos ricamente adornados, como se pode ver nas Catacumbas de São Calisto.

Em muitos desses cubículos ficava reservado um lugar especial, sobre o terreno plano, para um caixão de pedra ou uma tampa de mármore. Aí, um, dois ou até mais corpos dos Santos Mártires eram colocados e a parte de cima do caixão era usada como altar. Esse tipo de memorial dos mortos era chamado de arcosolium e as câmaras em que eles se encontravam eram às vezes usadas como capelas. Alguns compartimentos tinham uma abertura para a superfície de cima, permitindo a passagem de luz e de ar, e eram chamados de cubicula clara.

A fé dos primeiros cristãos no sacramento da Eucaristia

Afresco na cripta de Santa Lucina. Especialistas avaliam que a arte seja do século II.

Como já se disse, as terríveis calúnias contra os cristãos – aliadas às blasfêmias com que os gnósticos parodiavam os ritos sagrados –, fizeram os fiéis guardar com a mais estrita discrição tudo o que dizia respeito ao Augustíssimo Sacramento do Altar. Durante os anos de perseguição, a própria Divina Liturgia parecia ser transmitida mais por memória do que por escrito. Com exceção das explanações de Tertuliano e de São Justino Mártir, em suas Apologias, não era permitido ao mundo profano nenhum acesso aos "Sagrados Mistérios". Teria sido, na verdade, totalmente espúrio ao espírito do cristianismo primitivo que eles representassem em pinturas ou esculturas uma ação tão sagrada quanto a do Santo Sacrifício da Missa.

Por isso, não é difícil que os protestantes façam a sua própria ideia da ausência dessas imagens nos afrescos das catacumbas, argumentando que, por não se verem representações de padres paramentados, altares com luzes e incenso, essas cerimônias eram desconhecidas dos cristãos primitivos. Uma explicação desse tipo, no entanto, só satisfaz quem quer ficar satisfeito com ela. Qualquer pesquisador sério procurará descobrir o significado das figuras encontradas nas paredes das capelas subterrâneas, interpretando-as à luz, não da imaginação agitada dos polemistas, mas das expressões comumente usadas pelos escritores cristãos do mesmo período.

Em uma das câmaras da cripta de Santa Lucina, próxima à tumba de São Cornélio, por exemplo, é possível ver um peixe, pintado mais de duas vezes, que traz em seu dorso uma cesta cheia de pães, através da qual é possível ver, em uma passagem aberta na cesta, um cálice pintado de vermelho, como se contivesse um líquido dessa cor. Os especialistas avaliam que a câmara e os seus afrescos sejam do século II.

A pergunta é: o que o artista queria dizer com essa estranha combinação? Os mais imaginativos podem sugerir inúmeras interpretações, mas o mais apropriado é procurar a explicação entre os autores cristãos dessa época.

Santo Abércio de Hierápolis, que foi bispo na Frígia até o fim do século II, descreve em seu epitáfio as suas viagens pela Síria e a Roma, e conclui:

"Por toda parte a fé me levou adiante, e me proveu como alimento um Peixe, grande e perfeito, que uma virgem santa pescou com suas mãos de uma fonte e sempre dá aos seus amigos para comer, acompanhado de um vinho misturado com água, e servindo-o juntamente com pão. (...) Aquele que for capaz de entender essas coisas, reze por Abércio."

Aqui constam, evidentemente, os mesmos símbolos – o peixe, o pão e o vinho. Está bem claro o significado do peixe, mas qualquer ambiguidade é removida por Tertuliano, que, por volta do ano 200, escreveu que "nós, pequenos peixes, segundo nosso Peixe (ΙΧΘΥΝ) Jesus Cristo, de nenhum outro modo somos salvos senão permanecendo na água, da qual nascemos" [2].

Jesus Cristo é, portanto, o grande peixe, sempre servido em "vinho misturado com água" e "juntamente com pão". Esses símbolos aparentemente estranhos são, na verdade, a expressão pictórica dos primeiros cristãos para expressar a sua fé na presença real de Jesus na Eucaristia. Também para eles, assim como para nós, sempre foi certo que – como ensina o Concílio de Trento –, "no sublime sacramento da santa Eucaristia, depois da consagração do pão e do vinho, nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, está contido verdadeira, real e substancialmente sob a aparência das coisas sensíveis" [3].

São Justino Mártir expressa a mesma verdade quando escreve que:

"Depois da ação de graças do presidente e da resposta do povo, os diáconos, como se chamam entre nós, distribuem o pão e o vinho entre os que pronunciaram a ação de graças e não os tomamos como alimento e bebida comuns; do mesmo modo como nos foi ensinado que, pela palavra de Deus, Jesus Cristo Nosso Senhor se encarnou, assim também estes alimentos, para os que tenham pronunciado as palavras de petição e ação de graças, são a verdadeira carne e sangue daquele Jesus que se fez homem e que entra na nossa carne quando o recebemos." [4]

Não se sabe ao certo quando e como o peixe se tornou o símbolo universalmente reconhecido por Cristo, mas é digno de nota que, na passagem há pouco citada de Tertuliano, o escritor latino usa a palavra grega para peixe (ΙΧΘΥΣ), sublinhando que essa expressão é composta das letras iniciais para as palavras Jesus, Cristo, Deus, Filho e Salvador. O peixe, portanto, sugeria aos cristãos um compêndio da sua fé, enquanto permanecia completamente ininteligível para os de fora. Os oficiais pagãos, que inspecionavam as catacumbas que estavam sob a lei romana, não viam nada de ofensivo em um símbolo tão inócuo. Mas a sua multiplicação das mais variadas formas mostra quão precioso ele era para os cristãos.

Alguém poderia nos acusar de estarmos tentando conectar o símbolo do peixe com a doutrina da transubstanciação. Defendemo-nos dizendo que... é isso mesmo. Embora a terminologia que hoje usamos para falar da Eucaristia só tenha surgido séculos mais tarde, está provado, por abundantes testemunhos, que, quando o peixe e o pão eram representados juntos nos antigos monumentos cristãos, estava sempre implícita uma referência à Sagrada Eucaristia, da qual o pão denota a realidade aparente e visível, enquanto o peixe mostra a realidade invisível e escondida, que é "a carne de nosso Salvador Jesus Cristo, carne que padeceu por nossos pecados e que o Pai, em Sua bondade, ressuscitou" [5].

"Por isso – cabe perguntar, com São Cirilo de Jerusalém –, quando Ele mesmo pronunciou as palavras, dizendo do pão: 'Isto é o meu corpo', quem ousará ainda duvidar? Quando Ele mesmo asseverou e disse: 'Este é o meu sangue', quem poderá ainda pôr em dúvida que esse é o Seu sangue?" Ainda que o gosto sensível do que comungamos seja de pão, a hóstia consagrada não é pão, mas o Corpo de Cristo; ainda que se perceba o gosto de vinho, o que se bebe do cálice sagrado não é vinho, mas o sangue de Cristo. Mesmo hoje essas palavras podem parecer muito duras aos ouvidos dos mais céticos (cf. Jo 6, 60). Isso, todavia, não pode minimizar a grandeza do "mistério da fé": "Minha carne é verdadeira comida e meu sangue é verdadeira bebida" (Jo 6, 55). Negar a presença real de Jesus na Eucaristia é negar o próprio Evangelho.

Por Equipe CNP | Com informações da obra "Legends of the Blessed Sacrament"

Referências

  1. Tácito, Anais, XV, 44.
  2. Tertuliano, De Baptismo, I (PL 1, 1198-1199).
  3. Concílio de Trento, Decreto sobre o sacramento da Eucaristia (XIII) (11 de outubro de 1551), 1: DH 1636.
  4. São Justino Mártir, Apologias, I, 65-66 (PG 6, 427-430).
  5. Santo Inácio de Antioquia, Epístola aos Esmirnenses, 7 (PG 5, 713-714).
  6. São Cirilo de Jerusalém, Catequeses Mistagógicas, IV (PG 33, 1097-1106).

Conversão de São Paulo, Apóstolo

Conversao de sao paulo vimeo

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Marcos
(Mc
16, 15-18)

Naquele tempo, Jesus se manifestou aos onze discípulos, e disse-lhes: "Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado. Os sinais que acompanharão aqueles que crerem serão estes: expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas; se pegarem em serpentes ou beberem algum veneno mortal não lhes fará mal algum; quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados".

Celebramos hoje a conversão de São Paulo, Apóstolo dos gentios. Por ocasião desta festa, a Liturgia nos apresenta o relato que o Evangelista Marcos faz da última aparição de Nosso Senhor. Com efeito, pouco antes de voltar para junto do Pai, Jesus mostrou-se uma vez mais aos Onze e deu-lhes a seguinte missão: "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura" (Mc 16, 15; cf. Mt 28, 19; Lc 24, 47; Jo 20, 21). Trata-se aqui, por assim dizer, do maior milagre que a humanidade tem podido contemplar: o milagre — e o dom — da evangelização. E é São Paulo, um "instrumento escolhido" (At 9, 15) pelo próprio Senhor, o modelo de todo o empenho evangelizador a que a Igreja Católica se tem entregue há quase dois mil anos.

Antes porém de ser chamado a levar o nome de Jesus diante das nações, Saulo de Tarso foi um ferrenho e ardoroso perseguidor dos cristãos. Respirando ameaças e morte contra os discípulos do Senhor (cf. At 9, 1), Saulo acreditava servir ao Deus de Israel ao exterminar aqueles novos "idólatras" e blasfemos" que faziam de um simples nazareno o Rei dos judeus. Foi inclusive a seus pés que os algozes de Santo Estevão, tomados de incontrolável raiva, depuseram os mantos a fim de apedrejar o primeiro mártir de que se gloriaria a então nascente religião cristã (cf. At 7, 58s). E é no entanto o mesmo Cristo Jesus quem, identificando-se com os que em seu nome padeciam injustiças e tribulações, apareceria a este jovem zeloso a caminho de Damasco: "Saulo, Saulo", diz-lhe o Senhor, "por que me persegues?" (At 9, 4).

A grandeza deste encontro pessoal com Cristo deveria causar-nos sempre uma salutar admiração, pois Deus, com apenas o dar-se a conhecer àquele moço determinado, não apenas o converte como, inclusive, de grande perseguidor o faz muito maior evangelizador. Todas as epístolas de Paulo — como, de resto, não poderia deixar de ser — transparecem com imensa nitidez a profunda mudança que o Senhor operara em seu íntimo e o amor que lhe dera para, sofrendo pelo Evangelho, anunciar a todos os povos o santo nome de Cristo: "[…] nisto não só me alegro", escreve aos filipenses, "mas sempre me alegrarei. Pois sei que isto me resultará em salvação" (Fl 1, 18s). São Paulo permanece, ainda para esses nossos dias de tibieza e frouxidão apostólica, o farol para a nossa atividade evangelizadora; ele é e sempre será o retrato do que deve ser um coração convertido à verdade, que é Cristo.

"Caritas Christi urget nos", a caridade do Senhor nos impele a, por amor aos povos, levar a todas as nações o único amor que liberta, a única verdade que ilumina, o único caminho que conduz ao Pai. Que a infinita caridade d'Aquele que por nós morreu na Cruz nos inspire a, com sincero zelo e amar entranhado pelas almas, a anunciar, nas circunstâncias particulares que Deus nos colocou, a Palavra viva descida do Céu, Cristo Salvador. Que São Paulo rogue por nós, pobre e pequeninos evangelizadores, e nos comunique um pouco do ardor que o levar a atravessar continentes, a sofrer perseguições, a passar fome, sede e frio — tudo por um único cuidado, uma única paixão: a verdade inabalável do Evangelho.

Vem aí o programa Dominus Vobiscum – Estreia dia 1º de fevereiro.

Quando você ver esta imagem saberá que tem programa novo na área. Programa Dominus Vobiscum - Toda segunda feira na Webradio Coração de Mãe. Não deixe de ouvir!

Quando você ver esta imagem saberá que tem programa novo na área. Programa Dominus Vobiscum – Toda segunda feira na Webradio Coração de Mãe. Não deixe de ouvir!

Depois de muito tempo estamos de volta com o programa Dominus Vobiscum. E com uma novidade: A partir do dia 1º de fevereiro, o programa vai ao ar não apenas aqui no blog, mas também pela webrádio Coração de Mãe – Uma rádio muito legal criada pelo meu amigo Alexandre Batista – Todas às segundas feiras às 20h30m. Mas se você perder o programa, não tem problema. Ele será disponibilizado aqui e ficará disponível para você ouvir também.

A parceria entre eu Alexandre Batista é antiga: Estudávamos juntos, a nossa conversão foi quase no mesmo período, participamos do mesmo grupo de crisma e posteriormente do grupo Jesus Nosso Rei no Janga… Depois cada um seguiu seu rumo, mas sempre servindo ao mesmo Deus. Agora aos poucos a missão vai nos unindo novamente.

Alexandre é o gordinho de amarelo. Eu o gordinho de vermelho. O do meio... bom deixa pra lá! rsss

Alexandre é o gordinho de amarelo. Eu o gordinho de vermelho. O sujeito do meio… bom deixa pra lá! É gente boa também!rsss

Ele começou a webradio Coração de Mãe sem grandes pretensões. Mas a rádio está crescendo, e ganhou vários parceiros e amigos como Laércio Oliveira, Padre João Carlos, Ana Paula Zeca, DJ Alê do Renovamix e uma série de cantores da região metropolitana do Recife.

E se você pensa que o Blog Dominus Vobiscum está chegando agora na Coração de Mãe você se engana. Já faz um tempo que ele disponibiliza para o seu público o Santo Terço que gravamos aqui. Na webrádio Coração de Mãe o terço vai ao ar todos os dias às 5h30m da manhã e as 18h30m – Horário de Recife.

Portanto você que gosta do nosso blog e do nosso ministério, sinta-se convidado desde já a ouvir a webradio Coração de Mãe. Óbvio que como ela está começando agora, ainda tem muito que melhorar, mas acredite: é uma webrádio que tem tudo para ser a preferida do seu dia a dia. E com a sua audiência,  sua ajuda e participação, esta rádio vai longe e vai ajudar muita gente a encontrar com o Senhor.

Para acessar o site da Webrádio Coração de Mãe clique aqui.
Mas se quiser ouvir diretamente a webrádio, clique aqui.
Você também  pode seguir a webrado Coração de Mãe no facebook.

Enfim, é mais um canal de evangelização que se abre e que vale a pena ser divulgado. Quanto ao programa, peço a sua audiência todas as segundas às 20h30. Combinado?

Dominus Vobiscum

É PRECISO CAMINHAR 2016-01-24 16:37:00

01/02/2016




O ENCONTRO VERDADEIRO COM JESUS SEMPRE LIBERTA





Segunda-Feira Da IV Semana Do Tempo Comum


Primeira Leitura: 2Sm 15,13-14.30;16,5-13a
Naqueles dias, 13 um mensageiro veio dizer a Davi: “As simpatias de todo o Israel estão com Absalão”. 14 Davi disse aos servos que estavam com ele em Jerusalém: “Depressa, fujamos, porque, de outro modo, não podemos escapar de Absalão! A­pres­­sai-vos em partir, para que não aconteça que ele, chegando, nos apanhe, traga sobre nós a ruína, e passe a cidade ao fio da espada”. 30 Davi caminhava chorando, enquanto subia o monte das Oliveiras, com a cabeça coberta e os pés descalços. E todo o povo que o acompanhava subia também chorando, com a cabeça coberta. 16,5 Quando o rei chegou a Bau­rim, saiu de lá um homem da parentela de Saul, chamado Semei, filho de Gera, que ia proferindo maldições enquanto andava. 6 Atirava pedras contra Davi e contra todos os servos do rei, embora toda a tropa e todos os homens de elite seguissem agrupados à direita e à esquerda do rei Davi. 7 Semei amaldiçoava-o, dizendo: “Vai-te embora! Vai-te embora, homem sanguinário e criminoso! 8 O Senhor fez cair sobre ti todo o sangue da casa de Saul, cujo trono usurpaste, e entregou o trono a teu filho Absalão. Tu estás entregue à tua própria maldade, porque és um homem sanguinário”. 9 Então Abisai, filho de Sarvia, disse ao rei: “Por que há de este cão morto continuar amaldiçoando o senhor, meu rei? Deixa-me passar para lhe cortar a cabeça”. 10 Mas o rei respondeu: “Não te intrometas, filho de Sarvia! Se ele amaldiçoa e se o Senhor o mandou maldizer a Davi, quem poderia dizer-lhe: ‘Por que fazes isto?’”. 11 E Davi disse a Abisai e a todos os seus servos: “Vede: Se meu filho, que saiu das minhas entranhas, atenta contra a minha vida, com mais razão esse filho de Benjamim. Deixai-o amaldiçoar, conforme a permissão do Senhor. 12 Talvez o Senhor leve em conta a minha miséria, restituindo-me a ventura em lugar da maldição de hoje”. 13ª E Davi e seus homens seguiram adiante.


Evangelho: Mc 5,1-20


Naquele tempo, 1Jesus e seus discípulos chegaram à outra margem do mar, na região dos gerasenos. 2Logo que saiu da barca, um homem possuído por um espírito impuro, saindo de um cemitério, foi a seu encontro. 3Esse homem morava no meio dos túmulos e ninguém conseguia amarrá-lo, nem mesmo com correntes. 4Muitas vezes tinha sido amarrado com algemas e correntes, mas ele arrebentava as correntes e quebrava as algemas. E ninguém era capaz de dominá-lo. 5Dia e noite ele vagava entre os túmulos e pelos montes, gritando e ferindo-se com pedras. 6Vendo Jesus de longe, o endemoninhado correu, caiu de joelhos diante dele 7e gritou bem alto: “Que tens a ver comigo, Jesus, Filho do Deus altíssimo? Eu te conjuro por Deus, não me atormentes! 8Com efeito, Jesus lhe dizia: “Espírito impuro, sai desse homem!”  9Então Jesus perguntou: “Qual é o teu nome?” O homem respondeu: “Meu nome é ‘Legião’, porque somos muitos”. 10E pedia com insistência para que Jesus não o expulsasse da região. 11Havia aí perto uma grande manada de porcos, pastando na montanha. 12O espírito impuro suplicou, então: “Manda-nos para os porcos, para que entremos neles”. 13Jesus permitiu. Os espíritos impuros saíram do homem e entraram nos porcos. E toda a manada — mais ou menos uns dois mil porcos — atirou-se monte abaixo para dentro do mar, onde se afogou. 14Os homens que guardavam os porcos saíram correndo e espalharam a notícia na cidade e nos campos. E as pessoas foram ver o que havia acontecido. 15Elas foram até Jesus e viram o endemoninhado sentado, vestido e no seu perfeito juízo, aquele mesmo que antes estava possuído por Legião. E ficaram com medo. 16Os que tinham presenciado o fato explicaram-lhes o que havia acontecido com o endemoninhado e com os porcos. 17Então começaram a pedir que Jesus fosse embora da região deles. 18Enquanto Jesus entrava de novo na barca, o homem que tinha sido endemoninhado pediu-lhe que o deixasse estar com ele. 19Jesus, porém, não permitiu. Entretanto, lhe disse: “Vai para tua casa, para junto dos teus e anuncia-lhes tudo o que o Senhor, em sua misericórdia, fez por ti”. 20E o homem foi embora e começou a pregar na Decápole tudo o que Jesus tinha feito por ele. E todos ficavam admirados.
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1. O Texto Nos Seus Detalhes


Os detalhes do texto do evangelho de hoje merecem nossa atenção. É preciso que procuremos o sentido de cada detalhe para poder tirar mensagem.


Um homem possuído por um espírito impuro, saindo de um cemitério...”. Ele vive com os mortos. Isto significa que este homem está em condições de mortos na vida. Para sua impureza como gentio acrescente a impureza por causa do contato com os túmulos dos mortos.


Esse homem morava no meio dos túmulos e ninguém conseguia amarrá-lo, nem mesmo com correntes. Muitas vezes tinha sido amarrado com algemas e correntes, mas ele arrebentava as correntes e quebrava as algemas. E ninguém era capaz de dominá-lo”. O homem possuído indomável é figura dos escravos (algemas, correntes) e um morto na vida (cemitério), possuído de uma violência fanática (espirito imundo). É um rebelde que a sociedade é incapaz de dominá-lo (arrebentar as correntes). Tudo isso desemboca na sua autodestruição (ferindo-se com pedras).


Mas o homem possuído vê em Jesus uma saída: “Vendo Jesus de longe, o endemoninhado correu, caiu de joelhos diante dele e gritou bem alto: “Que tens a ver comigo, Jesus, Filho do Deus altíssimo? Eu te conjuro por Deus, não me atormentes! Com efeito, Jesus lhe dizia: ´Espírito impuro, sai desse homem!´”. A mensagem de Jesus é libertadora capaz de suscitar uma grande esperança de libertar o homem de sua situação dramática e fatal. Só uma condição: unir as forças com Deus para acabar com o sistema que oprime, aliena e desumaniza. Jesus é a esperança dos que não veem a saída para sua situação. Estar unido a Cristo é voltar a viver dignamente.


Havia aí perto uma grande manada de porcos, pastando na montanha. O espírito impuro suplicou, então: ´Manda-nos para os porcos, para que entremos neles´. Jesus permitiu. Os espíritos impuros saíram do homem e entraram nos porcos”. O porco era no judaísmo figura de um poder estrangeiro opressor de Israel aplicado ao poder de Roma (império romano). Nesta passagem o porco significa qualquer poder que oprime os homens.


A grande manada, de alto valor econômico representa o poder do dinheiro. Como sabemos que o dinheiro é uma faca de dois gumes, conforme se usa para o bem ou para o mal, isto é para Deus e para os outros, ou apenas para si próprio, excluindo os outros. O deus-dinheiro é voraz porque ele pede que se sacrifique tudo no seu altar: princípios morais e honradez pessoal, sentimentos e afetos, sentido religioso, fraternidade e solidariedade a todos os níveis; mais ainda, até a saúde e a vida dos seus adoradores. Com frequência os aliados do deus-dinheiro são a injustiça, a opressão e a exploração dos outros e outras criminalidades. Se a cobiça dos bens for exagerada, se for excessivo o apego aos bens materiais, se ficar doentia a afeição pelas coisas e seu posse não tiver o caráter de meio, então a pessoa não estará exercendo um direito, mas se tornará vítima de um vício hediondo: a avareza. Infelizmente, o avarento não se dá conta disso. Quando você descobrir a alegria de compartilhar o seu pão com seu irmão, você renunciará facilmente ao prazer de comê-lo sozinho. Se você perde os seus bens e é pobre por amar os seus irmãos, você é um santo pelo amor que possui, e não pelo dinheiro que lhe falta” (René Juan Trossero).


2. Jesus Nos Devolve a Autenticidade No Encontro Com Ele


Jesus chega à região dos gerasenos, ou seja, a um território pagão. Isto quer nos dizer que a presença do Reino de Deus não se limita em determinados lugares e povo. O amor de Deus alcança qualquer povo ou pessoa.


Na região dos gerasenos encontra-se um homem que “Dia e noite vagava entre os túmulos e pelos montes, gritando e ferindo-se com pedras” (Mc 5,5). É um homem privado de suas faculdades mentais, que não é dono de si mesmo e se converteu em seu próprio inimigo (“ferindo-se com pedras”). Esse mal é que Jesus vem combater, esse mal misterioso que hoje chamamos de “alienação” que divide o homem no mais profundo de si mesmo e o empurra contra si mesmo. Essa alienação é que nos afasta de nós mesmos e do amor de Deus.


O relato indica que o encontro com Jesus é um encontro de libertação para cada um encontrar-se consigo mesmo. Trata-se de uma conquista da própria autenticidade. O verdadeiro encontro com o Senhor nos torna autênticos. Isso é que aconteceu com o endemoniado: de um ser dividido e antissocial passa a ser um homem dono de si próprio, de um antissocial passa a ser irmão dos outros. Libertação é uma reconquista da própria autenticidade; é um encontrar-se consigo próprio. Este é o resultado de cada encontro verdadeiro com o Senhor: em vez de ser anti-convivência ou antissocial (o homem possuído morava no meio dos túmulos) se torna um irmão dos demais, vira um amigo dos outros (ser social).


3. Para Jesus o Homem Vale Mais Do Que Qualquer Coisa Neste Mundo


Libertação é uma reconquista da própria autenticidade; é um encontrar-se consigo próprio. Ao libertar o homem possuído pelo espírito do mal Jesus transformou o homem em ser “dono” de si próprio. O homem passou de um ser dividido para um irmão dos demais. Este é o resultado de cada encontro verdadeiro com o Senhor: em vez de ser anti-convivência ou antissocial (o homem possuído morava no meio dos túmulos) se torna um irmão dos demais, vira um amigo dos outros (ser social).


Há um detalhe interessante na cena: os habitantes da região demonstram um duplo sentimento: por um lado, Jesus é para eles um ser superior; mas por outro lado, ele é uma espécie que incomoda. Eles intuem que a mensagem, por muito libertadora e benéfica que ela seja, os obrigará a transtornar seus modos rotineiros de vida. Por isso, eles suplicam que Jesus vá se embora daquela região. Eles não aceita a mudança de vida para uma vida de qualidade. O grande problema que temos não é implementar as coisas novas na nossa cabeça e sim tirar as coisas velhas dela que não mais nos ajuda a crescer. Mudança e transformação são, na verdade, o código do mundo que nos cerca. No entanto, nem sempre queremos mudar. Quando estamos felizes, desejamos que o relógio pare de andar, queremos que o tempo pare, queremos imobilizar o instante fugido. Apenas pensamos em mudança por necessidade. Mas ninguém pode parar o crescimento. Ou crescemos com o mundo no seu salto de qualidade, ou ficamos parados no tempo sem que haja nenhum crescimento.


Para os gerasenos a libertação de um homem vale menos do que uma manada de porcos. As coisas (os porcos) são valorizadas mais do que a dignidade do homem. Trata-se de uma inversão de valores. Os negócios lhes interessam mais do que a vida do home libertado. O texto pretende nos dizer que a presença de Jesus, com sua Palavra que opera a libertação das pessoas, questiona todo o sistema de convivência humana, chegando mesmo até a sua base de sustentação. Os gerasenos optam pela solução menos custosa, enquanto que para Jesus conduzir um homem para sua dimensão humana tem um valor muito mais alto do que qualquer outra consideração. Por causa do homem, pelo seu bem, Jesus tinha coragem de “transgredir” qualquer lei por sagrada que ele fosse para o pensamento do homem, pois para ele “o Sábado foi feito para o homem e não o homem para o Sábado”. Por causa de seu amor pelo homem, Jesus aceita ser crucificado inocentemente. Qualquer regra que não edifica o homem para Jesus precisa ser abandonada, pois cada pessoa humana é o filho e a filha de Deus que Jesus ensinou no Pai-Nosso em que todos chamam Deus de Pai (cf. Mt 6,9-15)


Vale a pena cada um perguntar-se: “Quem é o homem para mim? Qual é o valor de um ser humano para mim? Um bom conceito sobre o ser humano leva a pessoa a tratar o outro com dignidade e respeito. Enquanto uma pessoa não tiver um conceito claro sobre quem é o ser humano, não podemos esperar um bom comportamento e um bom tratamento para com os outros dessa pessoa.


4. Ser Enviado Da Misericórdia De Deus


O que nos chama atenção do relato do evangelho de hoje é o seu fim. O homem curado pede que Jesus o deixe estar com ele: “Enquanto Jesus entrava de novo na barca, o homem que tinha sido endemoninhado pediu-lhe que o deixasse estar com ele”. Trata-se de uma oração. Este homem quer estar com o Senhor. Pedir “para estar com Ele” é uma expressão que o evangelista Marcos usa na chamada dos Doze Apóstolos (Mc 3,14). “Estar com Jesus” significa ser discípulo de Jesus. Por isso, a expressão “estar com Ele” descreve a vocação apostólica; é o ir com Jesus itinerante para ser enviados por Ele. Trata-se de uma descrição da chamada dos Doze, daqueles que participam continuamente no mistério do Mestre e estão com Ele em função da Igreja, isto é, os apóstolos.


O homem curado pede a Jesus para fazer parte do grupo, porém recebe uma resposta dura. É a resposta que nos recorda a dura resposta dada para a mulher Cananéia (Mc 7,27; compare Mc 5,37; Mc 1,35). Vai-te para tua casa, para junto dos teus e anuncia-lhes tudo o que o Senhor, em sua misericórdia, fez por ti” é a resposta de Jesus para o homem curado. Jesus que lhe dizer: esta não é para ti; esta não é tua vocação! E este se foi, apesar de sua decepção, obviamente, e começou a proclamar a misericórdia do Senhor “E todos ficavam admirados”.


Este episódio final nos chama para uma meditação sobre a vocação de cada um de nós. Mesmo que não tenha vocação dos Doze, cada um tem uma vocação do verdadeiro seguimento de Cristo e por isso, participa estreitamente de uma chamada. O evangelista Marcos usa uma linguagem bem precisa: “Vai-te para tua casa”. Trata-se de um envio missionário, da ordem para uma missão. Como se o Senhor quisesse dizer a este homem: “Vai salvar primeiro os teus. Eles precisam de tua ajuda!”. “... anuncia-lhes tudo o que o Senhor, em sua misericórdia, fez por ti”, acrescentou o Senhor. “Anunciar” e “proclamar” são termos típicos da atividade evangelizadora da Igreja. Jesus pede ao homem curado, como pede a cada um de nós, a proclamar a misericórdia de Deus. Sejamos misericordiosos nas nossas palavras e ações de cada dia, pois fomos criados por um gesto misericordioso, fomos feitos por mãos misericordiosas, e fomos idealizados por uma mente misericordiosa. Foi o Deus da misericórdia. E por isso, a misericórdia sempre vai além da justiça.


Enquanto Jesus entrava de novo na barca, o homem que tinha sido endemoninhado pediu-lhe que o deixasse estar com ele.Vai-te para tua casa, para junto dos teus e anuncia-lhes tudo o que o Senhor, em sua misericórdia, fez por ti”, pediu Jesus a esse homem. Por quê? Jesus quer enviá-lo a anunciar. O homem deve voltar para os seus para anunciar as maravilhas da misericórdia de Deus. Isto quer nos dizer que cada encontro verdadeiro com Jesus tem como consequência o envio para evangelizar. Os que participam de qualquer atividade religiosa, seja oração, seja missa, seja retiro devem ser transformados em missionários–evangelizadores da misericórdia de Deus.


P. Vitus Gustama,svd

Alguns fatos interessantes na vida de São Francisco de Sales…

São-Francisco-de-SalesSão Francisco nasceu em 1567, na época da Reforma Protestante,  em uma família rica, filho mais velho do Barão de Boisy, no castelo de Sales, na Saboia, naquele tempo era parte da França, Itália e Suíça. Sua mãe, Francisca de Boisy, piedosa, ensinou-lhe desde a infância o amor a Jesus e Maria,  e lhe ensinava o Catecismo, contando-lhe também sobre a vida dos santos. Isto fez nascer nele, desde menino,   o desejo da santidade e das coisas de Deus.

Quando era bem pequeno, ouviu falar dos calvinistas que haviam dominado a Suíça e boa parte da França. Um dia, soube que um deles estava visitando o castelo de seus pais. Como não podia entrar na sala para protestar, pegou um pedaço de pau, entrou no galinheiro e foi  gritando contra as galinhas: “Fora com os hereges! Não queremos hereges!” As galinhas fugiam gritando como podiam.

Aos 18 anos foi tentado terrivelmente por uma sensação de desespero e condenação ao inferno, o que só venceu com fervorosa oração aos pés de Nossa Senhora. Tinha 20 anos quando isso aconteceu. Conheceu a errada doutrina de Calvino sobre a predestinação, e não conseguia tirar da cabeça a ideia fixa de que seria condenado. Não conseguia comer e dormir. Dizia a Jesus que, se por sua infinita justiça o condenasse ao inferno, concedesse-lhe a graça de continuar amando-O mesmo no inferno. Sua libertação dessa tentação aconteceu quando entrou numa igreja em Paris e ajoelhando-se diante de uma imagem de Nossa Senhora, rezou a oração de São Bernardo:

“Lembrai-Vos, ó piíssima Virgem Maria  que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que têm recorrido à vossa proteção, implorado a vossa assistência, e reclamado o vosso socorro, fosse por Vós desamparado. Animado eu, pois, de igual confiança, a Vós, Virgem entre todas singular, como a Mãe recorro, de Vós me valho e, gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro aos Vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus humanado, mas dignai-Vos de as ouvir propícia e de me alcançar o que Vos rogo. Amém”.

Quando acabou a oração, não teve mais os pensamentos de tristeza e desespero e teve a certeza de que Deus o amava e que não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, “mas para que o mundo seja salvo por Ele” (Jo. 3, 17).

No ambiente acadêmico que vivia não era fácil viver na graça de Deus, mas ele fugia das ocasiões perigosas e das más amizades. Um dia, na Universidade, alguns estudantes, para zombar de sua piedade o  atacaram. Francisco era perito na arte da esgrima, tirou sua espada e derrotou a todos. Depois de vencê-los, tendo-os desarmados,  retirou-se, dizendo: “E agradeçam a Deus em quem creio, pois é por isso que não lhes faço mal”.

Aos 24 anos doutorou-se em Direito, na Universidade de Pádua, Itália. De volta à casa dos pais, aos 24 anos, recusou um casamento brilhante e um posto no Senado do Reino.

Foi ordenado padre a 18 de dezembro de 1593. Em 1602 tornou-se bispo de Genebra, aos 32 anos. Escreveu várias obras. “Tratado do Amor de Deus”, onde escreveu: “A medida do amor é amar sem medida”. Sua obra mais famosa é a “Introdução à Vida Devota”, ou Filotéia  (= a alma que ama a Deus). É um compêndio da vida devota. O livro oferece recomendações e exercícios para a boa condução da alma a Deus, à prática das virtudes e da oração. Traz também, avisos necessários contra as tentações mais comuns e o modo de como renovar e conservar a alma na devoção.

São Francisco de Sales era um homem de temperamento muito  forte, mas com o auxílio da graça, conseguiu dominar-se a ponto de ficar conhecido e amado como o santo da doçura. Chegou a tal ponto à mansidão que o seu grande amigo, São Vicente de Paulo, disse: “Ó meu Deus, se Francisco de Sales é tão amável, como sereis Vós?”

Na verdade, ele soube viveu o que Jesus disse: “Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para vossas almas” (Mt. 11, 29).

São João Bosco, fundador da Congregação Salesiana, tanto admirou São Francisco de Sales que escolheu-o para patrono da sua Congregação. E Santa Joana de Chantal dele dizia: “Era uma imagem viva do Filho de Deus, porque verdadeiramente a ordem e a economia dessa santa alma era toda sobrenatural e divina”. Foi diretor espiritual dela, desde 1604 em Dijon, com quem fundou a Ordem da Visitação em 1610.

Foi declarado Doutor da Igreja em 1877, e o Papa Pio XI o instituiu padroeiro dos jornalistas.

Esta frase dele: “A medida de amar a Deus consiste em amá-Lo sem medida”, resume a sua vida, um exemplo vivo de tudo o que ensinava. Estando ele ainda vivo, havia já pessoas devotas que guardavam como relíquias os objetos por ele usados.capa_na_escola14

Uma dura batalha ele travou para reconquistar Chablais, no sul do lago de Genebra. Esta região estava totalmente dominada pelos calvinistas, cujo exército não deixava os habitantes católicos viverem em paz. Em 14 de setembro de 1594, dia da exaltação da Santa Cruz, ele foi  a pé para a grande missão, sendo muito provocado. Muitas vezes teve de dormir ao relento. Uma vez teve de ficar toda a noite em cima de uma árvore para não ser morto e devorado pelos lobos. Na manhã seguinte, foi salvo por um casal de camponeses calvinistas que adquiriram grande simpatia por ele e o ajudaram no seu trabalho, tendo se convertido ao catolicismo.

Nesta luta, toda noite, como padre, São Francisco e seus amigos católicos iam de casa em casa, jogando debaixo das portas folhetos escritos à mão, nos quais eram refutados os falsos argumentos da heresia calvinista. Por esse fato, ele recebeu da Igreja o título de “Patrono dos escritores e jornalistas católicos”. Esses escritos foram posteriormente reunidos e publicados sob o nome de “Controvérsias”.

Depois de alguns anos de duras lutas e perseguições, Chablais se converteu totalmente, e ele foi nomeado bispo de Genebra. Para ser sagrado bispo, teve de ir a Roma, onde o próprio Papa Clemente VIII (1592-1605) o interrogou sobre 35 pontos difíceis de Teologia, em presença do Colégio cardinalício. “Ninguém dos que examinamos mereceu nossa aprovação de maneira tão completa!”- exclamou o Papa ao abraçá-lo.

Peçamos neste dia, a intercessão desse grande santo da nossa Igreja, para que ele também nos ajude a ser mansos de coração e dóceis a vontade de Deus, como nos mostrou em sua vida muito bem.

São Francisco de Sales, rogai por nós!

 

Prof. Felipe Aquino

É PRECISO CAMINHAR 2016-01-22 23:09:00

30/01/2016



TENHAMOS FÉ NO SENHOR EM TODOS OS MOMENTOS!


Sábado Da III Semana Do Tempo Comum


Primeira Leitura: 2Sm 12,1-7a.10-17


Naqueles dias, 1 o Senhor mandou o profeta Natã a Davi. Ele foi ter com o rei e lhe disse: “Numa cidade havia dois homens, um rico e outro pobre. 2 O rico possuía ovelhas e bois em grande número. 3 O pobre só possuía uma ovelha pequenina, que tinha comprado e criado. Ela crescera em sua casa junto com seus filhos, comendo do seu pão, bebendo do mesmo copo, dormindo no seu regaço. Era para ele como uma filha. 4 Veio um hóspede à casa do homem rico, e este não quis tomar uma das suas ovelhas ou um dos seus bois para preparar um banquete e dar de comer ao hóspede que chegara. Mas foi, apoderou-se da ovelhinha do pobre e preparou-a para o visitante”. 5 Davi ficou indignado contra esse homem e disse a Natã: “Pela vida do Senhor, o homem que fez isso merece a morte! 6 Pagará quatro vezes o valor da ovelha, por ter feito o que fez e não ter tido compaixão”. 7ª Natã disse a Davi: “Esse homem és tu! Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: 10 Por isso, a espada jamais se afastará de tua casa, porque me desprezaste e tomaste a mulher do hitita Urias para fazer dela a tua esposa. 11 Assim diz o Senhor: Da tua própria casa farei surgir o mal contra ti e tomarei as tuas mulheres, sob os teus olhos, e as darei a um outro, e ele se aproximará das tuas mulheres à luz deste sol. 12 Tu fizeste tudo às escondidas. Eu, porém, farei o que digo diante de todo o Israel e à luz do sol”. 13 Davi disse a Natã: “Pequei contra o Senhor”. Natã respondeu-lhe: “De sua parte, o Senhor perdoou o teu pecado, de modo que não morrerás! 14 Entretanto, por teres ultrajado o Senhor com teu procedimento o filho que te nasceu morrerá”. 15 E Natã voltou para a sua casa. O Senhor feriu o filho que a mulher de Urias tinha dado a Davi e ele adoeceu gravemente. 16 Davi implorou a Deus pelo menino e fez um grande jejum. E, voltando para casa, passou a noite deitado no chão. 17 Os anciãos do palácio insistiam com ele para que se levantasse do chão; mas ele não o quis fazer nem tomar com eles alimento algum.


Mc 4,35-41


35Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse a seus discípulos: “Vamos para a outra margem!” 36Eles despediram a multidão e levaram Jesus consigo, assim como estava na barca. Havia ainda outras barcas com ele. 37Começou a soprar uma ventania muito forte e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já começava a se encher. 38Jesus estava na parte de trás, dormindo sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e disseram: “Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?”  39Ele se levantou e ordenou ao vento e ao mar: “Silêncio! Cala-te!” O vento cessou e houve uma grande calmaria. 40Então Jesus perguntou aos discípulos: “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?”  41Eles sentiram um grande medo e diziam uns aos outros: “Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?”
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Depois da série de parábolas, Marcos aborda uma série de milagres (Mc 4,35-5,43). Os quatro milagres citados aqui não foram feitos na presença da multidão e sim diante dos discípulos para sua educação.


A imagem de Jesus que contemplamos na leitura dos quatro milagres é esta: Jesus tem um poder supremo sobre as forças da natureza (Mc 4,35-41) e derrota uma legião de demônios (Mc 5,1-20); cura e salva uma mulher e vence a morte (Mc 5,21-43). Os dois últimos milagres se entrecruzam no relato. Ao relatar esses milagres Marcos quer nos transmitir uma certeza: Só Jesus pode salvar. Entram aqui os temas da fé e da salvação. Por isso, Marcos não se limita a contar os milagres. Marcos se sente um evangelista que anuncia, à luz da Páscoa, o que o Senhor fez e O anuncia para suscitar a fé em Jesus Cristo. Ainda hoje esses relatos são anúncios de salvação, pois ao lê-los e ao meditá-los, impõem-nos um exame de nossa fé. Temos fé em Jesus ou nós acreditamos mais na força do mal?


1. É Preciso Sair Ao Encontro Dos Outros


Depois que terminou o discurso das parábolas, Jesus ordena aos discípulos para cruzarem o mar da Galileia com ele: “Vamos para outro lado do mar”. Os discípulos lhe obedecem. Jesus convida os discípulos a ir a “outro lado do mar”. “Do outro lado” estão os pagãos, ou o território não- judeu. Jesus convida os discípulos para esse território para que lá possam semear também entre os pagãos a Boa Notícia do Reino.


Atravessar, ou “ir para outro lado”, então, significa sair de si mesmo, é pensar nos outros e não ficar apenas no nosso lado. Precisamos ir a “outro lado”. "Levar os homens à verdade é o maior benefício que se pode prestar aos outros. O grande mistério da santidade é amar muito" dizia Santo Tomás de Aquino. Quem sabe no “outro lado” em vez de evangelizarmos os outros, seremos evangelizados. Travessia é muitas vezes sinônimo de abertura ao novo e diferente. Para atravessar é preciso encarar os desafios, superar os obstáculos e perseverar no alcance dos objetivos.


As palavras do Papa Francisca sobre a importância de ser uma Igreja em saída, em ir para outro lado:
  • O bem tende sempre a comunicar-se. Toda a experiência autêntica de verdade e de beleza procura, por si mesma, a sua expansão; e qualquer pessoa que viva uma libertação profunda adquire maior sensibilidade face às necessidades dos outros. E, uma vez comunicado, o bem radica-se e desenvolve-se. Por isso, quem deseja viver com dignidade e em plenitude, não tem outro caminho senão reconhecer o outro e buscar o seu bem. Assim, não nos deveriam surpreender frases de São Paulo como estas: «O amor de Cristo nos absorve completamente» [2 Cor 5, 14]; «ai de mim, se eu não evangelizar!» [1 Cor 9, 16] (Papa Francisco: Evangelii Gaudium n.9).
     
  • A Igreja «em saída» é uma Igreja com as portas abertas. Sair em direção aos outros para chegar às periferias humanas não significa correr pelo mundo sem direção nem sentido. Muitas vezes é melhor diminuir o ritmo, pôr de parte a ansiedade para olhar nos olhos e escutar, ou renunciar às urgências para acompanhar quem ficou caído à beira do caminho. Às vezes, é como o pai do filho pródigo, que continua com as portas abertas para, quando este voltar, poder entrar sem dificuldade (idem n.46).
  • Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo! Repito aqui, para toda a Igreja, aquilo que muitas vezes disse aos sacerdotes e aos leigos de Buenos Aires: prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos. Se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida. Mais do que o temor de falhar, espero que nos mova o medo de nos encerrarmos nas estruturas que nos dão uma falsa proteção, nas normas que nos transformam em juízes implacáveis, nos hábitos em que nos sentimos tranquilos, enquanto lá fora há uma multidão faminta e Jesus repete-nos sem cessar: «Dai-lhes vós mesmos de comer» [Mc 6, 37] (idem n.49).
     
    2. Só Jesus Pode Salvar
     
    Na travessia Jesus parece ausente, pois dorme e parece estar completamente alheio à tragédia do mar (v.38a). O sono tranquilo de Jesus simboliza uma confiança total em Deus.
     
    A descrição detalhada de Marcos sobre o que estava acontecendo permite dar-se conta de que não há esperança alguma: “Começou a soprar uma ventania muito forte e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já começava a se encher”. A barca está se afundando. Somente então é que os discípulos olham para Jesus que dorme e com tom de reprová-lo, o despertam com as seguintes palavras: “Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?”. Não conheciam Jesus. Não conseguiram imaginar e acreditar que, com Jesus, jamais podiam afundar-se. E Jesus se levantou e com seu poder acalmou o vento: “Silêncio! Cala-te!”.
     
    Por que Marcos descreve o relato do mar como se fosse um exorcismo? Na Bíblia, o mar e a escuridão são símbolos do caos inicial, mas dominado e vencido pela força criadora de Deus (cf. Gn 1). O mar é a sede de todas as forças hostis a Deus, mas são vencidas para sempre por Deus (cf. Ap 21,1). A vitória sobre as forças maléficas não está no homem e sim em Deus, o Único que “transformou a tempestade em leve brisa e as ondas emudeceram” (Sl 107,29). Marcos quer nos revelar a certeza de que o único Salvador, o único que pode salvar o homem de todas as forças maléficas é Jesus Cristo.
     
    A natureza volta à calma; os discípulos não. Ficam ainda mais assustados e diziam: “Quem é este, a quem até o vento e o mar lhe obedecem?”.  E “eles sentiram um grande medo”, isto é, ficaram sob o efeito do sentimento de grande perturbação e medo: estáticos e reverenciais que sentem diante do divino. Poucos dos milagres encontrados nos evangelhos deixaram os apóstolos tão profundamente impressionantes quanto esse.
     
    Quem é esse homem, a quem até o vento e o mar obedecem?”  Esta pergunta abre caminho para descobrir Jesus como alguém que traz consigo o poder de Deus para preservar a vida diante das forças que ameaçam a vida. O medo dos discípulos cede lugar à fé; o milagre faz progredir os discípulos na descoberta da pessoa de Jesus. A fé dos discípulos começa a crescer embora de maneira ainda vaga e insuficiente.
     
    Quem é este, a quem até o vento e o mar lhe obedecem?”.  Sabemos que o Evangelho de Marcos foi escrito para responder  a seguinte pergunta: “Quem é Jesus?”. E logo no início o próprio evangelista dá a resposta: “ Início da Boa Nova de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Mc 1,1). E no fim, na hora de morte de Jesus, um soldado pagão declara: “Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus” (Mc 15,39). No início e no fim do Evangelho Jesus é chamado Filho de Deus. Entre o começo e o fim o evangelista coloca outros nomes e títulos mais de 20 para Jesus: Messias, Cristo (Mc 1,1; 8,29; 14,61; 15,32), Senhor(Mc 1,3; 5,19; 11,3), Filho amado (Mc 1,11; 9,7), Santo de Deus(Mc 1,24), Nazareno(Mc 1,24; 10,47; 14,67; 16,6), Filho do Homem (Mc 2,10.28; 8,31.38; 9,9.12.31; 10,33.45; 13,26; 14,21.41.62), Noivo (Mc 2,19), Filho de Deus (Mc 3,11), Filho do Deus altíssimo (Mc 5,7) etc... Cada nome, título ou atributo é uma tentativa de expressar o que Jesus significava para as pessoas. Mesmo tendo esses tantos títulos, jamais podemos entender perfeitamente o mistério da pessoa de Jesus na sua profundidade. A fé sempre ajuda o entendimento, mas a visão é sempre insuficiente para captar o significado profundo do mistério da pessoa de Jesus.
     
    3. É Preciso Ter Fé Em Jesus Em Todos Os Momentos
     
    Depois que acalmou o vento, Jesus faz uma censura aos discípulos sob a forma de dupla pergunta retórica, assim correspondendo e contestando a censura deles que foi também em forma de pergunta retórica: “Por que tendes medo? Ainda não tendes fé?”. O “ainda não” da pergunta de Jesus faz referência tanto para trás (passado) como para frente (futuro). Para trás (passado), refere-se à experiência prévia que os discípulos tiveram da poderosa palavra de Jesus demonstrada em ensinamentos e em milagres, uma experiência que deveria ter despertado a fé deles em Jesus, mas não aconteceu. Mas o “ainda não” também antecipa com expectativa algum momento futuro, quando os discípulos terão a fé. Com esta pergunta, Jesus exorta aos discípulos que confiem nele em todo momento e circunstância. Somente com a fé é possível manter-se firme diante da aparente ausência de Jesus. A falta de fé impede qualquer pessoa de reconhecer a presença atuante de Deus no cotidiano.
           
    Depois destas palavras os discípulos ficam “muito cheios de medo”. É um medo diferente do anterior. Antes eles temiam que as forças ameaçadoras, as forças da morte não pudessem ser vencidas, por isso ficavam paralisadas e impotentes diante delas. Agora o medo os atinge ao perceberem tais forças vencidas. Esse medo é o temor reverencial diante do mistério da força e do poder de Deus em Jesus Cristo. Esse temor de Deus indica a aceitação da impossibilidade humana de vencer forças poderosas de morte e ao mesmo tempo o reconhecimento de que só Deus pode superá-las É preciso adorar a este Deus.  
     
    “Ainda não tendes fé?”, Jesus perguntou retoricamente aos discípulos. Segundo a Carta aos Hebreus: ”A fé é a certeza daquilo que ainda se espera, a demonstração de realidades que não se vêem” (Hb11,1). Trata-se de uma fórmula admirável! A fé é um paradoxo. Ela nos faz “possuir” já o que não temos e nos faz “conhecer” o que está fora da capacidade de nossos sentidos. A fé é Deus no homem que nos leva ao entusiasmo (entusiasmo= Deus está dentro: em + theos); é um início do céu; é a alegria eterna, presente já no seio da monotonia cotidiana. A fé é um dinamismo vital extraordinária; uma aventura em companhia do Invisível; é a familiaridade com um imenso entorno de realidades invisíveis; é um novo modo de conhecimento, uns “olhos novos” para ver tudo com profundidade. A fé é confiar na palavra de alguém; é pôr-se em caminho; é atravessar a noite até a luz; é viver e esperar uma cidade perfeita onde tudo será edificado sobre o amor. A fé é crer na fecundidade de minha vida com a ajuda divina, apesar das aparências contrárias; é trabalhar segundo meus meios e confiar nas promessas de Deus que é muito fiel a Si próprio. “Ainda não tendes fé?” é a pergunta dirigida a cada um de nós que nos chama a verificarmos até que ponto temos realmente fé. "Quanto mais um ser se afasta de Deus, tanto mais ele se aproxima do nada. Quanto mais se aproxima de Deus, tanto mais se distancia do nada" dizia Santo Tomás de Aquino.
     
    “A fé nasce no encontro com o Deus vivo, que nos chama e revela o seu amor: um amor que nos precede e sobre o qual podemos apoiar-nos para construir solidamente a vida. Transformados por este amor, recebemos olhos novos e experimentamos que há nele uma grande promessa de plenitude e se nos abre a visão do futuro. A fé, que recebemos de Deus como dom sobrenatural, aparece-nos como luz para a estrada orientando os nossos passos no tempo... A fé é luz que vem do futuro, que descerra diante de nós horizontes grandes e nos leva a ultrapassar o nosso «eu» isolado abrindo-o à amplitude da comunhão. Deste modo, compreendemos que a fé não mora na escuridão, mas é uma luz para as nossas trevas” (Papa Francisco: Lumen Fidei n.4).
     
    Há momentos durante os quais nos sentimos sós e incapazes de reagir diante da maldade e dos dramas da vida. Isto acontece, por exemplo, quando surgem graves problemas na família(infidelidade do marido ou da mulher, mau comportamento dos filhos, doenças, dificuldades econômicas etc.) ou então, quando nos desentendemos com os irmãos da comunidade, quando se espalham maledicências, calúnias, quando surgem incompreensões. Nessas horas nos perguntamos: Onde está Deus ? Por que não intervém? Por que não mostra o seu poder? Por que não faz justiça? O seu silêncio nos desconcerta e nos incute medo.
No Evangelho de hoje Jesus nos convida a um ato de fé nele. Talvez seja necessário que estejamos numa barquinha agitada pelo vento para que percebamos a presença de Deus. Há cristãos que só pensam em Deus quando ficam doentes, quando atingidos por alguma desdita (falta de sorte). Só então rezam com toda a devoção e pedem a Deus para que ele venha socorrê-los. Quando tudo corre bem o ser humano corre o risco de se tornar autossuficiente. É a pedagogia da provação. Em tudo sairemos vitoriosos por Aquele que nos amou e nada poderá nos separar do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus (cf. Rm 8,31-39).


P. Vitus Gustama,svd

Sábado da 2.ª Semana do Tempo Comum (P) – Apóstolos no lar

Apostolos do lar vimeo

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc
3, 20-21)

Naquele tempo, Jesus voltou para casa com os discípulos. E de novo se reuniu tanta gente que eles nem sequer podiam comer. Quando souberam disso, os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si.

Brevíssimo em seus dois pequenos versículos, o Evangelho de hoje é todo ele um contraste entre amor e escândalo. De um lado, vemos turbas sedentas à procura de Jesus; de fato, tão grande é desejo de O ver, que aquelas multidões, quase indiferentes à própria fome, O seguem até às portas de Sua casa. De outro lado, ficamos como que espantados com a reação escandalizada dos parentes do Senhor; sem nada entenderem, eles saem agitadiços para agarrá-lO. "Está fora de si", diziam uns aos outros. Podemos até imaginá-los cheios de perplexidade, a se perguntarem: "Como é que este sujeito, que passou trinta anos aqui conosco na mais simplória e ordinária das vidas, vem-nos agora com pregações e prodígios? Afinal, não é ele o filho do carpinteiro? Não é Maria sua mãe?" (cf. Mt 13, 55). São Marcos, é claro, deixa tudo isso nas entrelinhas, e a própria brevidade da narrativa já nos leva a pensar no clima delicado da situação.

Este episódio, no entanto, nos dá ocasião de refletir sobre a apostolado que temos de fazer com os que nos estão mais próximos, particularmente com nossos familiares. Com efeito, se até Cristo teve dificuldades em converter Seus parentes, que viam a vivas cores tudo quanto Ele realizava, é natural que também nós, na nossa pequenez, tenhamos de enfrentar semelhante obstáculo. O que podemos fazer, afinal, para alcançar o coração de nossas famílias? Como levar de modo eficaz a pai, mãe, irmãos, primos, tios etc. a alegria da Boa-nova? O primeiro passo, naturalmente, é resolver os nossos problemas interiores e abraçar a grande oportunidade de nos configurarmos a Cristo, aos Seus sofrimentos, aos escândalos de que fora alvo em Nazaré. Rejeitados por aqueles aos quais tanto queremos, poderemos viver de fato a vida de Jesus; sofrendo como Ele sofreu, teremos a chance de aceitar as mesmas recusas, as mesmas negações, os mesmo desprezos.

O segundo passo é confiar-nos às duas grandes armas dos verdadeiros apóstolos: oração e sacrifício. Temos de estar sempre muito unidos ao Senhor, padecendo com Ele, em prece humilde e silenciosa, oferecendo-Lhe os nossos fracassos e sofrimentos cotidianos. Renovemos a fé de que Ele escuta, sim, as nossas súplicas e que, se acaso houver decidido converter nossos parentes, é bem provável que o deseje fazer sobretudo por meio da nossa intercessão paciente, perseverante, constante, sem alardes. Assim como Santa Mônica, aceitemos as lágrimas que porventura nos brotarem dos olhos: levando com amor a cruz de não termos ainda um lar inteiramente cristão, fortaleceremos a nossa própria conversão e, deste modo, encontraremos maiores forças para, com uma maior cada dia maior a Deus, pedirmos por aqueles que nos foram confiados.

É PRECISO CAMINHAR 2016-01-22 17:42:00

29/01/2016




SABER SE APOIAR EM DEUS PARA SER BOM EDUCADOR EM VALORES

Sexta-Feira Da III Semana Do Tempo Comum
Festa de São José Freinademetz


Primeira Leitura: 2Sm 11,1-4a.5-10a.13-17


1No ano seguinte, na época em que os reis costumavam partir para a guerra, Davi enviou Joab com os seus oficiais e todo o Israel e eles devastaram o país dos amonitas e sitiaram Rabá. Mas Davi ficou em Jerusalém. 2Ora, um dia, ao entardecer, levantando-se Davi de sua cama, pôs-se a passear pelo terraço de sua casa e avistou dali uma mulher que se banhava. Era uma mulher muito bonita. 3Davi procurou saber quem era essa mulher e disseram-lhe que era Betsabeia, filha de Eliam, mulher do hitita Urias. 4aEntão Davi enviou mensageiros para que a trouxessem. Ela veio e ele deitou-se com ela. 5Em seguida, Betsabeia voltou para casa. Como ela concebesse, mandou dizer a Davi: “Estou grávida”. 6Davi mandou esta ordem a Joab: “Manda-me Urias, o hitita”. E ele mandou Urias a Davi. 7Quando Urias chegou, Davi pediu-lhe notícias de Joab, do exército e da guerra. 8E depois disse-lhe: “Desce à tua casa e lava os pés”. Urias saiu do palácio do rei e, em seguida, este enviou-lhe um presente real. 9Mas Urias dormiu à porta do palácio com os outros servos do seu amo, e não foi para casa. 10aE contaram a Davi, dizendo-lhe: “Urias não foi para sua casa”. 13Davi convidou-o para comer e beber à sua mesa e o embriagou. Mas, ao entardecer, ele retirou-se e foi-se deitar no seu leito, em companhia dos servos do seu senhor, e não desceu para sua casa. 14Na manhã seguinte, Davi escreveu uma carta a Joab e mandou-a pelas mãos de Urias. 15Dizia nela: “Colocai Urias na frente, onde o combate for mais violento, e abandonai-o para que seja ferido e morra”. 16Joab, que sitiava a cidade, colocou Urias no lugar onde ele sabia estarem os guerreiros mais valentes. 17Os que defendiam a cidade, saíram para atacar Joab, e morreram alguns do exército, da guarda de Davi. E morreu também Urias, o hitita.

Evangelho: Mc 4, 26-34


Naquele tempo, 26 Jesus disse à multidão: “O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. 27 Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. 28 A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. 29 Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou”. 30 E Jesus continuou: “Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? 31 O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. 32 Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra”. 33 Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. 34 E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo.
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Educar Em Valores


As duas parábolas de hoje tem em comum o “símbolo” da germinação, da potência da “vida nascente”. Jesus vê assim sua obra.

O Reino de Deus é como um homem que lança a semente à terra”. Sabemos pela experiência que a terra por si mesma jamais produziria o trigo. Sozinha a terra só pode produzir espinhos, mato, abrolhos, mas nunca o trigo. Nesta parábola encontramos uma grande semelhança que há entre certas atividades no cultivo de trigo e a obra da graça divina nos corações dos homens. Como no cultivo do trigo, somos instruídos por alguns semeadores da Palavra de Deus ou por alguns semeadores do bem, da bondade, do amor e assim por diante. Sem eles, o coração humano jamais se voltará, por seu próprio impulso, para Deus, e estará inteiramente morto para com Deus e para com o próximo. “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para instruir, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para toda boa obra”, escreveu São Paulo (2Tm 3,16-17).

Aqui percebemos a importância do valor da educação e do ensinamento, e a importância da educação em valores. Educar em valores é ajudar a ser. Educar em valores é possibilitar o nascimento do ser. Educar é fazer passar do seio materno da natureza em dependência e ignorância para o reino da verdade e da liberdade. Através da educação em valores a pessoa pode percorrer seu próprio caminho e construir seu próprio lugar no mundo. O mundo dos valores nos oferece o caminho fascinante e sugestivo para descobrir e chegar à transformação pessoal como uma semente de trigo que produz muitos grãos de trigo. Sem a educação em valores, só projetaremos sombra e medo para a nossa volta. Sem a educação em valores, não saberemos quem somos e consequentemente, não poderemos oferecer identidade, sentido e esperança para aqueles que conosco convivem e para os que encontramos diariamente. Educar é libertar-se de algo para atingir o que enriquece e aperfeiçoa. A liberdade do ser humano é sempre “liberdade de” e “liberdade para”: liberdade de algo que limita, para alcançar algo que aperfeiçoa e enriquece. O que rebaixa é escravizador.

“O Reino de Deus é como um homem que lança a semente à terra”. Lançar semente à terra é um gesto absolutamente natural, alegre, apaixonante e misterioso. É um gesto de esperança e de aventura. A semente crescerá? Haverá boa colheita, ou não haverá nada? O semeador é aquele crê na vida, que tem confiança no porvir. O semeador é aquele que semeia a mãos cheias para que a vida se multiplique. O semeador é aquele que investe no porvir. Jesus está consciente de estar fazendo isto: semear.  Ele empreende uma obra que tem porvir. Mas esta imagem é válida para qualquer vida humana: para os empresários, para os professores, para os pais e mães de uma família e assim por diante. Há que semear, há que investir sobre o porvir.

A Palavra De Deus Tem Em Si a Força, Basta Colocá-la Em Prática

O homem dorme, levanta-se, de noite e de dia, e a semente brota e cresce, sem ele o perceber.    Pois a terra por si mesma produz, primeiro a planta, depois a espiga e, por último, o grão abundante na espiga”.  Marcos é o único que nos relata esta maravilhosa, curta e otimista parábola do “grão-que-cresce-só”. Tudo reside na vitalidade da semente: aparentemente frágil, mas nela tem uma potência ou uma vitalidade. Basta a semente estar na terra, começa, então, em segredo e em silêncio uma serie de maravilhas, pouco importa se o semeador se preocupa ou não com a semente.

Da mesma maneira, disse Jesus, o Reino de Deus é como uma semente viva. Semeada numa alma, semeada no mundo, cresce lentamente, imperceptível, mas com um crescimento contínuo. Sem intervenção destruidora da parte do homem, a vida progride sem que ninguém possa segurar seu avanço ou seu crescimento. Mas que a semente seja semeada!

O Reino de Deus, a Palavra de Deus, tem dentro de si uma força misteriosa que apesar dos obstáculos encontrados no seu caminho vai germinar e dar fruto. Com esta parábola Jesus quer sublinhar a força intrínseca da graça e da intervenção de Deus. O protagonista da parábola não é o lavrador nem o terreno bom ou mau e sim a semente. O Reino de Deus já está no meio de nós. Este Reino cresce em segredo em nosso mundo, alimentado pelo próprio Deus que o põe no coração dos crentes como uma semente que, pouco a pouco, dá abundantes colheitas de solidariedade e de serviço entre as pessoas de boa vontade. Essas duas parábolas podem alimentar e fortalecer nossa esperança. Pouco importam os aparentes fracassos e as grandes dificuldades. É o próprio Deus Pai que faz crescer e germinar seu Reino, muitas vezes, através dos caminhos misteriosos e desconhecidos por nós, pobres pecadores.

Deus, Protagonista Da História  Conduz o Mundo

Outra comparação é a semente da mostarda, menor de todas as sementes, mas que chega a ser um arbusto notável. Novamente, a desproporção entre os meios humanos e a força de Deus.

Para as duas parábolas une uma mesma realidade: a força de Deus está além tanto das habilidades do evangelizador como da debilidade dos evangelizados. É o próprio Deus que se faz presente, superando a ação humana e a insignificância da semente.

O evangelho de hoje nos ajuda a entendermos como conduz Deus nossa história. Se esquecermos Seu protagonismo e a força intrínseca que tem Seu Evangelho, Seus sacramentos e Sua graça poderão acontecer duas coisas: se tudo for bem, pensamos que mérito seja nosso. Se tudo for mal, nos afundamos. Não teríamos que nos orgulhar nunca, como se o mundo se salvasse por nossas técnicas e esforços. Não podemos esquecer aquilo que São Paulo nos aconselhou: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fez crescer. Assim, nem o que planta é alguma coisa nem o que rega, mas só Deus, que faz crescer. O que planta ou o que rega são iguais; cada um receberá a sua recompensa, segundo o seu trabalho.  Nós somos operários com Deus. Vós, o campo de Deus, o edifício de Deus. Segundo a graça que Deus me deu, como sábio arquiteto lancei o fundamento, mas outro edifica sobre ele. Quanto ao fundamento, ninguém pode pôr outro diverso daquele que já foi posto: Jesus Cristo” (1Cor 3,6-11).
 
Jesus quer nos dar lição de que os meios podem ser muito pequenos, mas podem produzir frutos inesperados, não proporcionados nem a nossa organização nem a nossos métodos e instrumentos. A força da Palavra de Deus vem do próprio Deus e não de nossas técnicas. Quando em nossa vida há uma força interior, a eficácia do trabalho cresce notavelmente. Mas quando essa força interior é o amor que Deus nos tem, ou seu Espírito ou a Graça salvadora de Cristo ressuscitado, então, o Reino de Deus germinará e crescerá poderosamente. Deus nos surpreende tirando força do débil, confundindo os sábios e entendidos, fazendo da fragilidade seu próprio testemunho. Cada evangelizador, cada agente de qualquer pastoral ou movimento ou de qualquer ministério na Igreja do Senhor deve estar consciente de que ele é apenas um colaborador de Deus e não é o dono que pode manipular a salvação.

O que se pede de nós não é o êxito e sim a fidelidade. E o que devemos fazer é colaborar com nossa liberdade. Mas o protagonista é Deus. Não é que sejamos convidados a não fazer nada e sim a trabalhar com o olhar posto em Deus, sem impaciência, sem exigir frutos a curto prazo, sem absolutizar nossos méritos e sem demasiado medo ao fracasso. Há que ter paciência como a tem o lavrador esperando a colheita.
 
Basta ter um pouco de amor no coração, a paciência será nossa parceira inseparável para esperar os frutos abundantes que virão da própria mão de nosso Pai celeste. Por isso, Deus quer que entremos na aliança de amor com Ele. Ao entrar em comunhão de vida com ele, Deus quer nos fazer sinais de seu amor para com os outros. Mas Deus jamais deixa de nos amar, pois Ele é amor (1Jo 4,8.16). Deus nos ama e cremos no seu amor. Se quisermos que a Palavra de Deus chegue aos demais não somente como informação e sim como testemunho de vida, nós devemos ter a abertura suficiente ao dom do amor de Deus.

Alguns Pensamentos de São José Freinademetz, Primeiro missionário da SVD na China:

  • A obrigação do missionário é simplesmente dar testemunho de Jesus e semear a boa semente, deixando confiantemente ao Senhor o trabalho de frutificar a semente.
  • Quanto mais o Senhor nos abençoa, tanto mais temos que trabalhar. O pouco que fazemos é um nada em comparação do que Deus faz por nós.
  • A língua que todos entendem é a linguagem do amor”.
  • O único negócio nosso nesta pobre vida é palmilhar a estrada que conduz à glória eterna; o resto é vaidade e não vale um vintém. Caros irmãos, rezemos muito e muito que nenhum de nós falte lá em cima nas núpcias eternas do paraíso. Que pensamento terrível que um de nós pudesse estar ausente... Que dor dilacerante, se se perdesse na eternidade um que fosse de nossa família.
  • Sempre é necessário rezar muito. A vida sem oração é o caminho certo para o inferno.
  • Amo sempre os meus caros chineses e não tenho outro desejo, senão viver e morrer com eles. Já sou mais chinês do que tirolês e quero continuar a ser chinês até no paraíso.

  • P. Vitus Gustama,svd