A odisseia de uma mulher para vencer o seu vício em pornografia

Jessica blog

Por Jonathon van Maren — Finalmente as igrejas e a cultura estão acordando para o fato de que fomos atingidos por um tsunami, e que milhões de homens estão viciados em pornografia. Ela está destruindo casamentos. Está destruindo carreiras. Está destruindo almas.

Mas ainda há uma coisa sobre a qual ninguém está comentando:
a pornografia está destruindo mulheres também. E não é só as estrelas pornô que são destruídas através do abuso e da violência nos sets de filmagem. Estou falando das centenas de milhares de mulheres que estão assistindo a pornografia, sem que ninguém reconheça o fato ou toque no assunto.

Por muito tempo eu tive curiosidade em descobrir quais eram as estatísticas. Em 2015,
uma estimativa do site Covenant Eyes apontou que 76% das mulheres entre as idades de 18 a 30 viam pornografia pelo menos 1 vez por mês, enquanto 21% delas assistiam a pornografia várias vezes durante a semana. Mesmo assim, parecem ser poucas as mulheres que procuram ajuda ou admitem estar lutando contra o vício em pornografia. Já falei com centenas de homens, mas, quanto às mulheres, fui abordado por apenas três que me vieram contar suas histórias. Na verdade, muitas pessoas ficam até mesmo chocadas ao saber que existem mulheres que vêem pornografia.

Para saber mais sobre as histórias por trás das estatísticas,
eu liguei para Jessica Harris. Ela cresceu em um ambiente religioso e conservador, e ia à igreja praticamente todos os domingos. Mesmo assim, Jessica assistiu a pornografia pela primeira vez aos 13 anos, e aquilo começou a destruí-la silenciosamente, nas sombras, onde ninguém a escutava, nem podia sequer compreendê-la. Afinal de contas, mulheres não vêem pornografia, é essa a ideia geral que se tem. Pornografia é coisa de homem, um pecado masculino. Rapazes precisam ser alertados para não caírem nessa armadilha, mulheres não, é o que pensa a maioria. Elas estão imunes a esse tipo de toxina. Porque são mulheres.

“Nunca nos foi dito nada acerca da pornografia. Jamais fomos alertadas sequer de que isso existia. Ao menos não as mulheres. Na minha família isso não era mencionado, ninguém falava desse assunto. Quando descobri aquele material, então, eu não tinha sequer uma palavra para descrevê-lo. Eu cresci em um ambiente de igreja, mas frequentava a escola pública. Pensei comigo: deve ser sobre isso que eles tanto comentam, devem ser essas as coisas a que eles assistem na Internet. Mas eu estava no ensino fundamental, começando o ensino médio, e eu não tinha uma categoria em que colocar aquilo, não tinha um contexto, não tinha nada.”

Mas aquilo a deixou fascinada. E ela começou a assistir. A princípio, Harris pensou que talvez não houvesse mal algum; que, aliás, aquilo até lhe poderia ser útil de alguma forma.

“Eu realmente não achava que era um problema nos primeiros dois anos em que comecei a consumir esse material. Eu pensava: ‘Não estou saindo e fazendo sexo de verdade com ninguém, então é seguro. Vou em frente com isto.’ Não existia o risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis, nem chance de engravidar. Não precisava me preocupar com aborto. Não precisava me preocupar com nada. Pornografia era algo totalmente seguro e, quando eu comecei, senti que podia ligar e desligar na hora em que quisesse, como se estivesse totalmente no controle da situação. Não senti a necessidade de contar para alguém até porque não achava necessariamente mau aquilo que eu estava fazendo. Aquela parecia ser uma forma segura de me expressar, de estar em sintonia com meus colegas na escola, de conversar sobre essas coisas e mostrar que eu sabia do que se tratava.
Era uma forma de me sentir aceita e conectada.”

Vícios, é claro, não podem jamais ser controlados. Eles sempre terminam controlando você: a menos que você se liberte antes… eles o destroem. Com o vício em pornografia não é diferente, e logo Jessica começou a se sentir arrastada para baixo.
A pornografia começou a dominar a sua vida.

“Foi no final do ensino médio que aquilo realmente começou a fazer um grande estrago em minha vida”, ela diz. “Era como se eu precisasse daquilo, então eu ficava acordada até tarde da noite… Comecei a ter dificuldades para manter a minha média na escola. Não conseguia dormir bem.
Até nos dias em que eu não queria fazer aquilo, o meu corpo pedia mais. Eu dizia: ‘Hoje não, hoje não, hoje não’, e os meus pés caíam sobre o chão e caminhavam até o computador por conta própria — e eu odiava não estar mais no controle da situação.”

Ela lutou para retomar o controle por todos os meios possíveis, e o desespero se transformou em pânico. A pornografia era poderosa. De fato, era mais poderosa do que ela poderia ter imaginado.

“Eu imprimia fotografias e ateava fogo nelas porque queria provar que era mais forte. Eu salvava imagens em disquetes — eles estavam em alta na época — e quebrava os discos ao meio de tanta raiva e frustração. Eu costumava usar uma tesoura também, porque eu queria provar que era mais forte. E quando isso não funcionava, eu começava a me machucar fisicamente. Se eu não conseguisse me segurar, se eu fosse para o computador e assistisse cinco horas de pornografia, ou o tempo que fosse enquanto eu estava em casa sozinha, eu ia até ao banheiro quando terminava e simplesmente batia a minha cabeça contra a banheira, de tão zangada que eu ficava. Eu pensava que, se conseguisse fazer aquilo doer, talvez eu conseguisse parar. Quando isso não funcionava, eu entrava no chuveiro escaldante até a minha pele ficar vermelha. Eu só queria que aquilo acabasse.

Quando eu finalmente decidi usar o Google e procurar ajuda para acabar com o vício da pornografia, mas vi que tudo era para homens, pela primeira vez me questionei o porquê daquilo. ‘Espere um pouco’, eu pensei, ‘o que isto significa? Porque não existe nada para mulheres?’ Depois comecei a procurar por mulheres em situação semelhante e não encontrei nada. Então eu meio que entrei em pânico porque, se não há ninguém para me ajudar, como eu vou sair dessa? Se não há ninguém falando sobre isso, se não há ninguém como eu, como vou sair disso?”

Para piorar, Jessica começou a ter uma sensação horrorosa:
a de que ela era a única mulher com este problema. Só ela assistia a pornografia. Por isso não havia nenhum tipo de ajuda disponível — porque, aparentemente, ela era a única mulher que precisava daquilo! Em alguns sites antipornografia destinados para homens, ela leu como tudo aquilo era degradante e violento para as mulheres. O que há de errado comigo?, ela passou a se questionar. Quando partiu para a faculdade bíblica, o vício pornográfico acompanhou-a. Ali, ela pensava, certamente haveria ajuda para alguém como ela.

“Eu tinha rezado para que fosse pega, porque pensava que, se alguém tivesse recursos para ajudar, seriam pessoas como o reitor, ou algum funcionário da faculdade. Certamente eles já viram esse tipo de comportamento antes. Com certeza eu não sou a
única mulher com este problema. Alguém vai me ajudar. Mas eu estava apavorada com a ideia de que fosse eu a iniciar essa conversa. Eu não queria entrar na sala da reitoria, me apresentar e dizer: ‘Ah, e, por acaso, eu sou viciada em pornografia.’

Eu eventualmente fui pega algumas semanas depois de as aulas terem começado, e fui convocada a me apresentar na reitoria. Eles tinham o relatório com o histórico de Internet do meu login. Eles tinham imprimido tudo e sublinhado todos os sites que eram obviamente pornográficos. Naquela ocasião, eu já estava entregue a um tipo de pornografia muito obscura com fetiches depravados. Eu fui de coisas leves a coisas pesadíssimas, que até me assustavam quando eu assistia. Eles ficaram enojados e disseram: ‘Isto é nojento. Isto é depravado. Quem vê essas coisas precisa de ajuda.’ E eu estava pronta para assumir tudo, caso eles me perguntassem: ‘Isso foi você?’. Mas isso não aconteceu.
A conversa rapidamente evoluiu para: ‘Bem, isso não foi você. Mulheres não têm estes problemas.’ Eu fui repreendida por ter dado a senha do meu login para rapazes da faculdade. Eles pensaram que eu tinha dado a minha senha a uns amigos, para eles usarem como quisessem. Foi essa a minha acusação. Eles me fizeram assinar um contrato dizendo que eu jamais voltaria a dar a minha senha a alguém. Eu assinei, então, e voltei para o meu quarto.”

Foi depois de deixar a sala da reitoria que Jessica finalmente desistiu. “Eu sentia que a única forma de conviver com aquilo, e comigo mesma, já que obviamente havia algo de muito errado comigo, era me juntar à indústria pornográfica, porque não fazia sentido eu ser a única mulher do mundo a me sentir assim”, ela conta. “Obviamente devem existir outras, e essas outras devem ser as atrizes pornográficas, já que deve ser esse o motivo pelo qual elas escolheram essa profissão.
Foi assim que pensei nessa profissão da indústria pornográfica. Esse foi o ponto a que cheguei. Fui do desejo de ser médica e tornar-me uma aluna nota 10 a uma pessoa que diz: ‘Esqueça, não posso continuar vivendo assim, continuar fingindo que sou perfeita e que alcanço todos os objetivos almejados para ser bem sucedida enquanto me arrasto sozinha nessa situação. Se eu não consigo sair dessa, então a única maneira de lidar com isso é me juntando à indústria.”

Harris resignou-se ao seu destino. Ela entrou em um relacionamento online com um rapaz e enviou-lhe fotos explícitas. Fez planos de se juntar à indústria pornográfica, onde ela achava que encontraria as únicas outras mulheres do mundo que a compreenderiam. Mas,
como ela relata em seu site dedicado a ajudar mulheres e meninas que são viciadas em pornografia, algo mudou:

“No ano seguinte, depois de deixar aquela faculdade, eu estava em uma faculdade diferente, tentando viver a vida com este segredo horrível dentro de mim, e cogitando fortemente me juntar ao mundo pornô e acabar logo com tudo. Mas, durante uma reunião de mulheres no campus, um membro da equipe de reitoria tomou a palavra e disse, na frente de todos: ‘
Nós sabemos que algumas de vocês lutam contra o vício em pornografia, e nós vamos ajudá-las.‘ Aquele momento foi libertador. Pela primeira vez senti que não estava só, que minha luta não era anormal. Ainda existia esperança!

Os anos desde então têm sido uma jornada contínua de liberdade. Tudo isso é muito mais do que simplesmente não assistir a pornografia. Tem a ver com cura interior, com a descoberta de uma vida sem ter que carregar o peso esmagador da vergonha e do medo.”

Jessica Harris agora se compromete em oferecer a outras mulheres e garotas essa mesma experiência de liberdade — aquele momento em que alguém finalmente percebe que não está só, que outras pessoas o compreendem, e que existe um caminho para a libertação. Ela viaja por toda a América do Norte, contando a sua história em auditórios, uma história que se conecta com mulheres em situações semelhantes, as quais pensavam estar absolutamente sozinhas, até que alguém ficou diante delas e prometeu entendê-las. As pessoas precisam tomar consciência, ela diz, que
as mulheres têm mais dificuldades em assumir esse problema:

“Os homens tendem a confessar o problema quando ele começa a ameaçar o seu relacionamento ou quando flagrados por suas esposas. Eles tendem a se abrir em relação ao assunto quando se cansam de esconder ou simplesmente porque querem desabafar, enquanto as mulheres sempre escolhem a direção oposta. Elas vão fazer o máximo para esconder, pois sentem-se muito envergonhadas e isso que fazem diz muito sobre quem elas são. Ao mesmo tempo elas tentam se desvencilhar da situação e separá-la de si mesmas. Chegam a criar outra personalidade, uma imagem de mulher perfeita que têm tudo sob controle, ao mesmo tempo em que tentam de verdade ser essas mulheres. Eu tenho mulheres que me escrevem, esposas de pastores, missionárias, líderes espirituais, freiras. São mulheres que tentam com todas as forças manter uma imagem de pessoas emocionalmente equilibradas e convencer-se de que: ‘Não, você não precisa ser como a mulher do vídeo. Você vale mais que isso. Você não precisa ser assim.’ Elas vivem navegando, portanto, entre essas vidas duplas que levam. Uma mulher não pede ajuda a menos que esteja à beira de um colapso, ou que a situação supere o medo de alguém descobri-la. Ou seja, ela só pede ajuda quando está dominada pelo terror absoluto.
Com os homens, esse assunto tem mais a ver com uma modificação comportamental; com a mulher, no entanto, trata-se de uma crise de identidade. Ajudá-las significa salvá-las de ir para onde elas acham que estão indo enquanto pessoas.”

E quanto às estatísticas do site
Covenant Eyes, eu perguntei a Jessica, elas estão corretas? Ou estão um pouco exageradas?


Geralmente eu calculo que metade do meu público de alguma maneira tenha sido exposta à pornografia“, ela respondeu. “Eu diria que, em uma sala com 100 pessoas, pelo menos 50 já tiveram algum tipo de exposição. E outra coisa para lembrar a respeito das mulheres, também, é que nós temos um alcance maior do uso de pornografia. Algumas, por exemplo, entram na literatura erótica e aquilo se torna o estímulo sexual delas. Elas entram em sites eróticos não tão explícitos — coisa com a qual os homens já não se preocupam, eles pulam essa parte. Por outro lado, também pode haver mulheres lutando bastante com o pornô pesado.”

Uma pergunta final: como as mulheres que não sabem aonde ir iniciam o caminho para a libertação? Como mulheres universitárias, a exemplo de Jessica Harris, podem romper com esse vício que as domina?


A primeira coisa que lhes quero dizer é que elas não estão só. É incrível, eu recebo emails e mais emails todas as semanas. Conheço mulheres sempre que vou dar uma palestra, e vejo que toda história, em certo ponto, é parecida com a minha. Sempre fico boquiaberta, mesmo quando estamos trabalhando com uma estatística de 20%, essas 20% sempre acham que são uma em seis bilhões, que são as únicas no mundo com aquelas dificuldades. Você não está sozinha, por isso não se martirize. Pare de achar que está só.

Você tem que destruir esse padrão duplo de vida. Você tem que se libertar, reconhecer o que está acontecendo. Sim, você pode ser uma exímia aluna, uma líder espiritual, mas você também é uma mulher que luta contra este vício, e não tenha medo de se conectar com pessoas que também sofrem deste mal para receber ajuda. O que eu descobri de maravilhoso, toda vez que conto a minha própria história ou encorajo outras garotas a darem o seu testemunho, é que, quando imaginamos que seremos cobertas de vergonha, o que acontece, na verdade, é uma efusão de graça. Tive moças que se libertaram contando para as colegas na faculdade o que as atormentava. E, para a surpresa delas, outras também revelavam ter problemas semelhantes e, no fim, elas acabavam criando grupos de apoio no campus. Isso tem acontecido em faculdades, em igrejas, com mulheres do meu trabalho, as quais eu simplesmente aconselhei, dizendo: ‘Você tem que compartilhar isso com alguém.'”

O tsunami pornográfico não está arrastando apenas homens e crianças. Ele está levando mulheres também, e muitas delas estão se afogando porque ninguém tem consciência sequer de que elas estão na água, ninguém é capaz de escutar os seus gritos de socorro. Nós vemos as estatísticas, mas não conseguimos ver os rostos por trás delas. Mas, finalmente, uma mulher decidiu colocar uma história por detrás das estatísticas. A história de Jessica Harris é poderosa, sua mensagem é essencial e seus conselhos são necessários. Faria bem se todos ouvíssemos. A sua história é um coro para muitas que não encontraram a sua voz, e que ainda procuram trilhar o caminho da liberdade.

Fonte: LifeSiteNews.com | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

Quinta-feira da 4.ª Semana da Quaresma – Escutar para crer

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo
5, 31-47)

Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: “Se eu der testemunho de mim mesmo, meu testemunho não vale. Mas há um outro que dá testemunho de mim, e eu sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro.

Vós mandastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade. Eu, porém, não dependo do testemunho de um ser humano. Mas falo assim para a vossa salvação. João era uma lâmpada que estava acesa e a brilhar, e vós com prazer vos alegrastes por um tempo com sua luz.

Mas eu tenho um testemunho maior que o de João; as obras que o Pai me concedeu realizar. As obras que eu faço dão testemunho de mim, mostrando que o Pai me enviou. E também o Pai que me enviou dá testemunho a meu favor. Vós nunca ouvistes sua voz, nem vistes sua face, e sua palavra não encontrou morada em vós, pois não acreditais naquele que ele enviou.

Vós examinais as Escrituras, pensando que nelas possuís a vida eterna. No entanto, as Escrituras dão testemunho de mim, mas não quereis vir a mim para ter a vida eterna! Eu não recebo a glória que vem dos homens. Mas eu sei que não tendes em vós o amor de Deus. Eu vim em nome do meu Pai, e vós não me recebeis. Mas, se um outro viesse em seu próprio nome, a este vós o receberíeis.

Como podereis acreditar, vós que recebeis glória uns dos outros e não buscais a glória que vem do único Deus? Não penseis que eu vos acusarei diante do Pai. Há alguém que vos acusa: Moisés, no qual colocais a vossa esperança. Se acre­ditásseis em Moisés, também acreditaríeis em mim, pois foi a respeito de mim que ele escreveu. Mas se não acreditais nos seus escritos, como acreditareis então nas minhas palavras?”

As obras e sinais que Deus realiza exteriormente têm por finalidade despertar nossa atenção para o que Ele, interiormente, está o tempo todo a nos dizer; são, nesse sentido, uma alerta mais clamoroso, destinado a dispor nosso espírito a escutar a sua voz, suave e silenciosa, que nos fala ao coração. Por isso, Jesus repreende hoje os judeus incrédulos, que rejeitam o testemunho evidente dos milagres porque, duros de alma, estão surdos à palavra do Pai: “Vós nunca ouvistes sua voz”, diz o Senhor, “nem vistes sua face, e sua palavra não encontrou morada em vós, pois não acreditais nAquele que Ele enviou.” Este mesmo princípio se aplica, por exemplo, ao caso das Escrituras: se não escutarmos o verbo interior que, em sussurros, Deus comunica ao nosso coração, de nada nos adiantará ler e reler a Bíblia, dada aos homens como testemunho exterior, acessível a todos, do Verbo encarnado. O Evangelho que a Igreja nos propõe nesta quinta-feira de Quaresma vem, pois, reforçar a necessidade de pedirmos sempre mais fé, de rogarmos a Deus que nos dê a graça de crer sem ver, de ouvir sem sentir, de amar sem nada esperar. Ouçamos a voz tão clara quanto silenciosa do Cristo e, como homens maduros na fé, deixemos que Ele transforme nossas vidas até a raiz, a fim de sermos configurados às suas dores e, um dia, à glória de sua Ressurreição.

Tudo ou nada?


São Paulo diz em I Cor 13,3: “… se não tiver caridade, de nada valeria!”

Meu irmão e minha irmã… Os bens, as realizações, os dons e as capacidades de nada valem sem caridade. O tudo sem amor de nada vale! O tudo sem caridade é nada! Que em tudo que você faça o amor esteja presente, não um amor qualquer, mas o amor de Deus… com esse amor, tudo vale a pena.

Por que os católicos veneram Maria? A Bíblia responde.

Nsa sra blog

Este artigo é uma adaptação, mais ou menos livre e com sensíveis modificações, de um capítulo da magistral
La Madonna secondo la Fede e la Teologia, obra do teólogo italiano e frade servita Gabriel M. Roschini (1900-1977), um dos mais importantes mariólogos do século passado (cf. Gabriel M. Roschini, La Madre de Dios según la Fe y la Teología. Trad. esp. de Eduardo Espert. 2.ª ed, Madrid: Apostolado de la Prensa, 1958, vol. 2, pp. 296-300).

Uma das muitas objeções que os protestantes costumam levantar contra o culto católico à Virgem Maria é a sua suposta falta de fundamentação bíblica. Quando não o acusam de simplesmente “idolátrico”, veem-no como algo estranho à pureza primitiva da fé cristã, como imposição externa e tardia de uma época em que o cristianismo verdadeiro, pregado pelos Apóstolos, já fora substituído pelo novo “constantinismo”, cuja influência paganizante se faria cada vez mais evidente, até a definição do dogma da maternidade divina no Concílio de Éfeso, em 431 d.C. Há quem chegue a afirmar, mesmo contra o testemunho eloquente das catacumbas romanas, que o culto à Mãe de Deus não é anterior ao século V e que antes desse período as imagens de Nossa Senhora, livres de qualquer vestígio de “superstição“, não a retratam senão como uma personagem histórica mais, pintada sobre um pano de fundo dogmaticamente neutro.

Se é fácil desmentir, por um lado, estes últimos erros, contra os quais existem abundantes dados arqueológicos, sem contar a voz das antigas liturgias e dos Padres da Igreja, a falta de base bíblica para o culto mariano, por outro, parece ser uma dificuldade séria, ao menos à primeira vista, para os que desejam defender a legitimidade de tributar à Virgem SS. as homenagens de que Ela sempre foi digna. O problema, no entanto, é mais aparente do que real. Embora seja verdade que em nenhum lugar as SS. Escrituras nos obriguem ou recomendem
explicitamente a venerar Maria, disto não se segue que o culto a Ela prestado, pelo qual os fiéis de todos os tempos sempre tiveram um especial carinho, esteja proibido. Tal silêncio se deve, antes de tudo, a que os motivos por que temos de honrá-la são mais do que óbvios.

Isso é ainda mais claro se levarmos em conta que tampouco a adoração devida a Cristo é apresentada na Bíblia como objeto de um preceito positivo. Basta-nos saber, como nela se atesta sem sombra de dúvida, que Ele é o Filho de Deus para que o culto à sua divina Pessoa surja em nosso coração de forma espontânea. Que mais era preciso ao cego de nascença para prostrar-se em adoração aos pés de Jesus do que, restituída a vista, reconhecer que Aquele que o curou era de fato o Filho do Homem (cf.
Jo 9, 35-38)? Ora, se isso vale para o Filho, por que não valeria também para a Mãe? Acaso pode Aquele que nos manda honrar nossos pais (cf. Ex 20, 12) deixar Ele mesmo de honrar quem O gerou ou sentir-se incomodado de que seus súditos, em atenção a um tão grande Rei, venerem a tão pura Rainha [1]?

Mas ainda que não as expresse de modo direto, a Escritura nos dá a entender de forma bastante clara as razões por que podemos e
devemos venerar Maria SS. Em primeiro lugar, foi a própria Virgem que, numa profecia que há vários séculos se vem cumprindo à risca, predisse que todas gerações a proclamariam “bem-aventurada” (Lc 1, 48), ou seja, reconheceriam a sua excelência, o que não é outra coisa senão o núcleo de todo ato de culto [2]. Quem quer que leia este versículo e se veja tão pouco devoto de Maria deve sentir-se, naturalmente, separado de todas essas gerações que, num movimento espontâneo de amor e confiança, imitam aqueles três símbolos vivos — o Arcanjo Gabriel, Santa Isabel e uma mulher anônima do povo — nos quais vemos representado um número incontável de fiéis. Analisemos um por um.

1. O Arcanjo Gabriel. — Na cena da Anunciação, com efeito, o evangelista Lucas nos apresenta São Gabriel como emissário de Deus (cf. Lc 1, 26) encarregado de pedir a uma virgem, cujo nome era Maria (cf. Lc 1, 27), o seu consentimento ao grande mistério da Encarnação. A solene saudação do Anjo, marcada por um acento tanto de ternura quanto de assombro, constituirá tempos depois uma das mais repetidas e queridas orações católicas: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1, 28). Ouvido somente pelas quatro pequenas paredes de uma humilde casinha em Nazaré, este elogio ressoaria pelos séculos seguintes no átrio de basílicas e catedrais, no coração e nos lábios de uma multidão de almas piedosas. Ora, por que não poderíamos também nós repetir a mesma saudação com que o próprio Deus quis, por boca do Anjo, honrar a futura Mãe de seu Filho e da qual toda a corte celeste foi testemunha? Se em tudo devemos imitá-lO, por que nisto faríamos exatamente o contrário?

2. Santa Isabel. — “Naqueles dias”, continua São Lucas, “Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel” (Lc 1, 39s), sua prima, já no sexto mês de gestação (cf. Lc 1, 36). Apenas escutou a voz de sua parenta, Isabel exclamou, cheia do Espírito Santo: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre” (Lc 1, 42). Aqui é a velhice que se inclina ante a juventude; uma respeitada senhora, ante uma jovem pobre e desconhecida [3], pois a singular maternidade desta supera os direitos de idade daquela: “Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?” (Lc 1, 43). Até João Batista, ainda no seio materno, manifesta com estremecimentos sua reverencial alegria pela visita do Redentor e de sua Mãe virginal. Essa extraordinária moção divina, pela qual mãe e filho se encheram de gozo e graça celestiais, nos faz compreender que as felicitações de Isabel provinham, não de seus próprios sentimentos, mas de um impulso sobrenatural do Espírito Santo, que a iluminou para reconhecer as maravilhas que se realizaram em sua prima (cf. Lc 1, 49) [4]. Por isso, diz ela ao final: “Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas” (Lc 1, 45).

3. Uma mulher anônima. — Tudo isto, porém, aconteceu na intimidade de uma casa, na discrição de um lar a que ninguém tinha acesso (cf. Lc 1, 24). O primeiro louvor público à SS. Virgem seria privilégio de uma personagem cujo nome o Evangelho passa por alto. O contexto deste episódio é significativo e se reveste de especial valor apologético. São Lucas, o único a relatá-lo com detalhe, nos situa na Judeia, não muito longe da Cidade Santa, no último ano da vida pública de Nosso Senhor, o qual acabara de exorcizar um surdo-mudo que, como nota Mateus (cf. Mt 12, 22), era também cego. Uma multidão maravilhada O rodeava; diante de mais um sinal, começaram as turbas a perguntar-se se não seria Ele o Messias. Os escribas (cf. Mc 3, 22) e fariseus (cf. Mt 12, 24) que ali se encontravam, não podendo negar o que sucedera e receosos da exaltação do povo, atribuem o ocorrido a forças diabólicas: “Ele expele demônios por Belzebu, príncipe dos demônios” (Lc 11, 16).

Com um argumento carregado de sabedoria divina (cf.
Lc 11, 17-26), Jesus desfaz essa maldosa insinuação e demonstra que Ele expulsa, sim, os demônios pelo dedo de Deus. A isto levanta a voz, repleta de entusiasmo, uma mulher do meio do povo: “Bem-aventurado o ventre que te trouxe, e os peitos que te amamentaram!” (Lc 11, 27). É o primeiro cumprimento do Magnificat e a comprovação de um princípio tão caro à mentalidade judaica: a glória das mães são os filhos (cf., por exemplo, Gn 30, 13; Pv 23, 24s; Lc 1, 58) e a glória dos filhos redunda nos pais (cf. Pv 17, 6) [5]. A resposta de Nosso Senhor — “Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a observam” (Lc 11, 28) —, longe de significar desprezo por sua Mãe, como às vezes podemos ser tentados a pensar, vem justamente enaltecer, numa ordem superior, aquela que o Pai fez “sede de todas as graças divinas” [6]. Ora, que Jesus não somente não se oponha a este espontâneo elogio, senão que o aprove e amplifique, é algo evidente se levarmos em consideração algumas circunstâncias desse episódio:

a) Em primeiro lugar, o fato de Cristo estar em público pregando às multidões mostra que Ele, sem se indignar de ser interrompido por aquele súbito elogio, preferiu servir-se dele como pretexto para sublinhar um outro aspecto da dignidade de Maria vinculado tanto à universalidade do Evangelho, dirigido a todos os povos, quanto ao primado da graça sobre a natureza. Ao chamar bem-aventurado a quem ouve a Palavra de Deus e a guarda, Jesus não nega a grandeza de sua Mãe, mas declara que são mais profundos e importantes os laços sobrenaturais que estabelece a graça de Deus naqueles que O ouvem e obedecem do que os que “estabelecem naturalmente os vínculos de sangue” [7]. Contrariando, assim, a tendência “etnocêntrica” típica do judaísmo de seu tempo, Nosso Senhor acrescenta ao louvor baseado na carne e no sangue a glória que provém da alma e do espírito: Maria é digna não só por ter dado ao Salvador a carne pela qual seríamos salvos, mas sobretudo por ter ouvido a Palavra de Deus e cumprido fielmente a sua vontade (cf. Mt 12, 46-50) [8]. Embora justifiquem em níveis distintos o culto devido à Virgem SS., a maternidade divina e a plenitude de graça são, nesse sentido, dois aspectos inseparáveis da dignidade quase infinita que Deus lhe conferiu [9].

b) Além disso, é preciso notar, de um lado, o humilde anonimato no qual se esconde essa mulher, representação viva do entusiasmo e da piedade com que tantas pessoas, desde os acontecimentos narrados no Evangelho, vêm honrando a Cristo em e por sua Mãe; as palavras dessa judia cheia de espírito de fé podem muito bem ser postas na boca de todos os que, despreocupados do que dirão os inimigos de Jesus, não se envergonham de exaltar com força e santo ardor o seio que O carregou, o colo que O acolheu, os braços que O estreitaram, os olhos que O contemplaram, o Coração Imaculado que O amou acima de tudo. Também se deve considerar, de outro lado, que a finalidade desse louvor não foi outro senão o de glorificar o Filho por meio da Mãe: “Bem-aventurado o ventre que te trouxe, e os peitos que te amamentaram”. Ao engrandecer a Maria, com efeito, em nada diminuímos a Cristo, de quem, por quem e para quem são todas as coisas (cf. Rm 11, 36). Não há caminho mais curto para o Coração do Filho do que recorrer àquela pela qual Ele mesmo quis entrar no mundo: Ad Iesum per Mariam, já que por Maria Ele veio a nós.

Se a devoção mariana encontra tão sólido apoio no conteúdo mesmo dos Evangelhos, não deve causar surpresa nem a veneração dos primeiros cristãos à Mãe do Salvador nem o amor sempre crescente que a Igreja foi experimentado, no correr dos séculos, por aquela que deu à luz a sua mística Cabeça. Que neste Ano Jubilar de comemoração do centenário das aparições de Fátima e da invenção da imagem de Nossa Senhora Aparecida Deus Pai se digne enraizar ainda mais nos corações católicos a devoção à nossa Mãe amantíssima e, movido de misericórdia, inspire os que se encontram apartados do único rebanho de Cristo a reconhecer que é em seu Filho — fim de toda devoção genuinamente cristã — que redundam as glórias de sua Mãe [10].

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Cf. Pedro Canísio, De Maria Virgine Incomparabili, l. 1, c. 2, in: J. J Bourassé, Summa Aurea. Parisiis, ex typis J.-P. Migne, 1862, vol. 8, col. 651.
  2. V., por exemplo, João Damasceno, Or. III de Imaginibus, nn. 27-40 (PG 94, 1347-1355).
  3. Cf. Ambrósio de Milão, Expositio Evang. sec. Luc., l. 2, n. 22 (PL 15, 1560); v. Andrés F. Truyols, Vida de Nuestro Señor Jesucristo. Madrid: BAC, 1948, p. 11.
  4. Cf. H. Simón, Prælectiones Biblicæ. Novum Testamentum. 7.ª ed., de integro retractata a G. G. Dorado, Taurini: Marietti, 1955, vol. 1, p. 295, n. 213.
  5. Cf. M. de Tuya, “Evangelios”, in: VV.AA., Biblia Comentada. Madrid: BAC, 1964, vol. 5, p. 844.
  6. Pio XII, Encíclica “Fulgens corona“, de 8 set. 1953, n. 8 (AAS 45 [1953] 579).
  7. A. Royo Marín, La Virgen María. Madrid: BAC, 1968, p. 30, n. 21.
  8. Cf. H. Simón, op. cit., p. 586, n. 410: “Segundo muitos acatólicos, o advérbio μενοῦν [lt. quinimmo; pt. ‘antes’] implica uma restrição ou correção do que dissera a mulher, de modo que o sentido [das palavras de Jesus] seria: ‘Pelo contrário, bem-aventurados os que ouvem etc.’. No entanto, de acordo com a maioria não apenas dos católicos, mas também dos protestantes […], não se trata de uma correção, mas de uma confirmação, uma vez que o significado próprio daquela partícula é ‘de fato’, ‘antes, em verdade’ […]. O sentido, pois, deste versículo [Lc 11, 28] é: A Virgem Deípara é efetivamente bem-aventurada por ter sido elevada ao fastígio da maternidade divina, mas o é muito mais ‘por ter feito a vontade de Deus’ (S. Aug., In Ioh., tract. 10, 3)” (trad. nossa).
  9. Cf. Tomás de Aquino, S. Th. I, q. 25, a. 6, ad 4.
  10. Cf. Ildefonso de Toledo, Lib. de virginit. perpetua S. Mariæ, c. 12 (PL 96, 108).

Quarta-feira da 4.ª Semana da Quaresma – Uma obra maior que o céu e a terra

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo
5, 17-30)

Naquele tempo, Jesus respondeu aos judeus: “Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho”. Então, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque, além de violar o sábado, chamava Deus o seu Pai, fazendo-se, assim, igual a Deus.

Tomando a palavra, Jesus disse aos judeus: “Em verdade, em verdade vos digo, o Filho não pode fazer nada por si mesmo; ele faz apenas o que vê o Pai fazer. O que o Pai faz, o Filho o faz também. O Pai ama o Filho e lhe mostra tudo o que ele mesmo faz. E lhe mostrará obras maiores ainda, de modo que ficareis admirados.

Assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá a vida, o Filho também dá a vida a quem ele quer. De fato, o Pai não julga ninguém, mas ele deu ao Filho o poder de julgar, para que todos honrem o Filho, assim como honram o Pai. Quem não honra o Filho, também não honra o Pai que o enviou.

Em verdade, em verdade vos digo, quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, possui a vida eterna. Não será condenado, pois já passou da morte para a vida. Em verdade, em verdade, eu vos digo: está chegando a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem viverão.

Porque, assim como o Pai possui a vida em si mesmo, do mesmo modo concedeu ao Filho possuir a vida em si mesmo. Além disso, deu-lhe o poder de julgar, pois ele é o Filho do Homem. Não fiqueis admirados com isso, porque vai chegar a hora em que todos os que estão nos túmulos ouvirão a voz do Filho e sairão: aqueles que fizeram o bem, ressuscitarão para a vida; e aqueles que praticaram o mal, para a condenação.

Eu não posso fazer nada por mim mesmo. Eu julgo conforme o que escuto, e meu julgamento é justo, porque não procuro fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.

“Sentinela, o que acontece durante a noite?” (Isaias, 21,11).

O sentinela é um vigilante atento, que percebe os movimentos mais perigosos e avisa imediatamente àquelas pessoas que devem intervir na defesa das demais, especialmente das pessoas mais frágeis.
A vigilância é uma atitude tão recomendada nas páginas bíblicas, como demonstração direta do amor de Deus por tudo que Ele criou e salvou, que causa perplexidade e indignação o avanço perigoso e veloz das mais variadas expressões do mal no mundo de hoje.
Onde estão, diante do avanço dessa onda de maldades, os corajosos e atentos, sentinelas do bem?
A Igreja Católica, nos tempos atuais da história da humanidade, deve assumir cada vez mais a atitude do sentinela do bem e ficar mais atenta aos perigos que ameaçam o nosso país. Ao fundar a sua Igreja sobre a pedra de Pedro, Jesus insistiu inúmeras vezes, que um dos seus papéis no mundo do século XXI, seria vigiar: “Vigiai, pois não sabeis em que dia virá o vosso Senhor”
Não se identifica com a Igreja Católica, quem não se identificar com essa missão de vigilância atenciosa e corajosa!
Atualmente, existe no Brasil uma estratégia bem pensada por alguns e bem regida por outros, para que iniciativas culturais, legislativas, judiciárias, em favor da descriminalização do aborto e da manipulação ideológica das mentes infantis e jovens, tenham um raio de ação mais amplo na nossa sociedade.
Assim as correntes de pensamento e os âmbitos de decisão do nosso país, sem perceberem ou percebendo nitidamente, vão influenciando a população brasileira, para que o povo pense e decida de acordo com as ideologias destruidoras da vida e da família, da sexualidade humana, dos valores que unem as pessoas entre si. O marxismo político-partidário, a ideologia do gênero, o relativismo moral e sua destruição dos costumes, o consumismo materialista-capitalista, e tantas outras ondas de mentiras, maldades, violências, drogas, etc., atuam na noite escura da morte de Deus e da perda do sentido da vida, determinando as linhas diretrizes de ação de políticos, professores, jornalistas, novelistas, artistas, etc..
A vigilância é uma das mais expressivas provas da caridade cristã, especialmente com as pessoas mais frágeis e vulneráveis na sociedade. Não preveni-las, não protegê-las, não esclarecê-las dessas estratégias perversas, passa a ser uma das mais graves omissões presentes no seio da Igreja Católica nesses tempos últimos.
O amor à verdade e o amor ao próximo não devem estar distantes entre si. Vigiar e chamar a atenção para a presença de um ‘tsumani’ invadindo, com suas ondas enormes, viscosas e sujas a televisão brasileira, os plenários do judiciário, os espaços legislativos, as escolas e universidades, as famílias, tornaram-se para os discípulos-missionários do século XXI graves deveres de caridade cristã.
A Rede Globo de Televisão tornou-se um depósito poluído dessa sujeira moral, pois ao estar presente nos lares do povo brasileiro, derrama nele, gota a gota, por exemplo, a Ideologia do Gênero. O programa “Fantástico” nos últimos domingos e a próxima novela intitulada “A força do querer” têm como pauta essa arrasadora e malévola ideologia, que de feminismo não tem nada de autêntico.
A Ideologia do Gênero é um falso feminismo de matriz marxista, que destrói a dignidade das mulheres, tirando-lhes toda a beleza do gênio feminino, já que enquanto mulheres, esposas, mães, educadoras dos filhos, profissionais atuantes e não adversárias dos homens, elas são as verdadeiras construtoras de um mundo mais humanizado.
Com relação à novela citada, o economista Rodrigo Constantino, de forma corajosa , critica a falta de critério e de prudência cautelar dessa rede televisiva, que vendendo “a sua alma” aos ideólogos do gênero, acaba sendo a “picareta” de destruição da família, da integridade moral das crianças e jovens e, finalmente, da natural identidade sexual do ser humano.
Com muita clareza científica, esse economista, num recente artigo do seu blog, escreveu: “fazer da biologia uma tábula rasa é algo absurdo, irresponsável. Tem muito a ver, contudo, com os tempos modernos, a era das ideologias, do narcisismo sem limites, da perda de qualquer autoridade, até mesmo a da biologia”.
Dirigindo o olhar vigilante para outro lado, na penumbra de um tribunal superior, encontra-se em andamento a descriminalização do aborto até o terceiro mês, devido a uma iniciativa cruel do PSOL, um partido infectado de marxismo, que utilizando-se do anarquismo social e das ideias de Gramsci, assumiu, no vácuo da descrença popular do PT, a missão de trabalhar para o “bem da democracia brasileira”, atribuição de supina altivez e irreal.
Depois de promover em 2013 o anarquismo urbano, destruindo o patrimônio público e privado, o PSOL agora promove o anarquismo jurídico, solicitando, por meio de uma Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), o assassinato de uma pessoa em gestação, que seria “constitucional” se realizado até a décima segunda semana da gravidez.
Segundo esse partido “missionário do mal” em matéria de aborto, a criminalização desse ato “afeta desproporcionalmente mulheres negras e indígenas pobres, de baixa escolaridade e que vivem distantes de centros urbanos, onde os métodos para a realização do aborto são mais inseguros do que aqueles utilizados por mulheres com maior acesso à informação e poder econômico, resultando em uma grave afronta ao princípio da não discriminação”.
Será a ministra do STF Rosa Weber, mulher branca e de alto poder aquisitivo, residente numa grande cidade e com acesso total à informação, a relatora da ação protocolada em favor do aborto no último dia 8 de março pelo PSOL e o Instituto Anis.
Em outros julgamentos, essa mulher branca, rica, bem informada e bem escolarizada já deu sinais de ser a favor da descriminalização do aborto, sendo, portanto, contrária à maioria do povo brasileiro, constituído por brancos, negros, pardos, ricos e pobres, indígenas e mamelucos, imigrantes e estrangeiros com cidadania adquirida há anos e, sobretudo, por mulheres e homens que sonham com um Brasil mais justo e mais protetor dos mais frágeis, como são as crianças em gestação no seio materno.
O povo brasileiro é contra o aborto, não importa se querem discriminalizá-lo via STF ou aprová-lo via Congresso Nacional.
A Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) deveria vigiar melhor os hospitais da rede pública, para verificar se o PSOL está entrando em seus corredores e enfermarias, salas de cirurgia e ambulatórios, para se conscientizarem dos maus procedimentos médicos e sanitários, que tornam as mulheres vítimas do desrespeito de uma medicina, que não é exercida com o mínimo dos recursos necessários.
Aqui reside a verdadeira questão de saúde pública, e não a descriminalização do aborto. Caso haja uma sentença favorável do STF, só vai agravar o deficiente atendimento a nível nacional das mulheres, que continuarão sendo desrespeitadas pelos responsáveis da política de saúde do Brasil.
Finalmente o olhar vigilante dos católicos cariocas deve dirigir-se ao plenário da Câmara de Vereadores, onde os legisladores aí sediados, eleitos pelo povo carioca, devem defender os verdadeiros e necessários direitos humanos. Porém, uma mulher bem escolarizada e com um bom salário, Marielle Franco, entrou com um projeto de lei número PL 16/2017 para instituir nos hospitais municipais o “Programa de Atenção Humanizada ao Aborto Legal e Juridicamente Autorizado no Âmbito do Município do Rio de Janeiro”.
Quem não é sentinela vigilante do bem e da verdade vai acabar “filtrando mosquitos e engolindo camelos”, e entender que havendo uma lei municipal que legitima o aborto, as mulheres deverão ter essa atenção humanizada nos hospitais da rede municipal.
Nada mais contrário à realidade. Não há aborto legal, e esse programa proposto por essa vereadora é tão irreal e manipulador da inteligência do povo, pois não se deve falar de atenção humanizada para uma ação tão desumana, como é o homicídio de uma pessoa inocente e indefesa presente no útero materno.
A Exma. Sra. Marielle Franco deveria ser mais verdadeira, e dizer ao povo carioca a quem ela está servindo. Quem é que está por trás dela, de que organismo internacional ela é servente e quais são os seus compromissos ideológicos?
O primeiro ato de vigilância que deve ser realizado pelos católicos e pelas pessoas de boa vontade que queiram ser os sentinelas do bem e da verdade seria levantar a voz para gritar bem alto: “basta, chega de argumentos falsos, de iniciativas legislativas e de ações judiciárias viciadas com ideologias destruidoras e violentadoras da dignidade dos cidadãos brasileiros, sobretudo dos ainda em gestação!”.
É chegada a hora do povo brasileiro não só de ir às ruas, demonstrando civilidade e defesa do patrimônio público e privado, e protestando contra a corrupção, contra medidas políticas que prejudicarão as famílias e o emprego. Chegou a hora de sair da frente da televisão ou até desligá-la, quando ela faz proselitismo da ideologia marxista-gramscista do gênero; chegou a hora de denunciar partidos, políticos, ministros e instituições que só se interessam pela cultura da morte e não pela construção de um futuro melhor para as crianças e doentes.
“Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, cantava o povo brasileiro de forma unânime, levantando a bandeira da autêntica democracia. Os sentinelas do amanhã melhor devem sair na hora certa da passividade, para que aconteça hoje e agora um ‘tsunami’ de e-mails para o STF, para a TV Globo e para a Câmara Municipal de Vereadores carioca, protestando diante de tantas arbitrariedades contra a vida humana nascente, contra a dignidade das crianças e jovens, contra a violação da Constituição Federal, fazendo novelistas, políticos e ministros descerem dos seus pedestais, onde se sentem donos da verdade e do bem e do mal, para pisarem na realidade do povo, e enxergarem, assim, as verdadeiras necessidades humanas.
Quem vigia, protege!
Quem protege de modo vigilante, exorta as outras pessoas a serem mais conscientes de seus deveres e direitos fundamentais!
Quem está conscientizado, promove, com coragem e de forma positiva, a construção de uma sociedade mais humanizada e justa!
Quem é construtor de um mundo melhor estimula mais sentinelas, mais pessoas conscientizadas e mais defensores da vida e da família!
Autor
Dom Antonio Augusto Dias Duarte
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Fonte: http://arqrio.org/formacao/detalhes/1700/custos-quid-de-nocte